ITÁLIA (ESTADO RELIGIOSO)

ITÁLIA (ESTADO RELIGIOSO)

ITÁLIA. Num primeiro artigo examinaremos o estado religioso da Itália e, num segundo, as publicações dos autores católicos, nesse país, sobre as ciências sagradas.

I. ITÁLIA. ESTADO RELIGIOSO. 1. Estatística confessional (col. 115). II. Divisões eclesiásticas (col. 118). III. Situação jurídica da Igreja católica (col. 138). IV. Estabelecimentos de alta cultura eclesiástica e seminários (col. 149). V. Instrução pública (col. 161). VI. Religiosos e religiosas (col. 165). VII. Obras de zelo (col. 167). VIII. Instituições caritativas (col. 170). IX. Ação política dos católicos italianos (col. 177). X. Obras sociais (col. 183).

I. Estatística confessional. — 1° Com uma superfície de 286 648 km², pouco mais da metade da da França, a Itália tinha, no fim do século XIX, uma população de 33 476 000 habitantes, com uma média de 114 habitantes por quilômetro quadrado. Apesar da emigração bastante considerável, essa população aumenta de 500 000 indivíduos por ano. Cf. Bollettino dell'emigrazione, publicado pelo ministério das relações exteriores, in-8°, Roma, 1902-1914. Censimento della popolazione del Regno d'Italia, in-12, Roma, 1871-1914.

2° A religião católica é a religião de Estado, e os outros cultos são simplesmente tolerados. Aliás, no fim do século XIX, o número dos protestantes não passava muito de 65 000. Eram sobretudo valdenses (20 000 aproximadamente), que se encontram principalmente nos vales dos Alpes piemonteses, nos arredores de Pinerolo. Seu número tende a diminuir, pela emigração para a república Argentina. Há, em Florença, uma escola valdense de teologia, onde o ensino é dado em italiano. Cf. Bollettino della missione della Chiesa evangelica valdese, in-8°, Roma, publicação periódica, começada em 1886 e continuada desde então. Quanto aos judeus, eram apenas cerca de 37 000 em toda a Itália. Eis como estavam repartidos nas principais cidades: 4 000 em Roma; 40 000 em Livorno; em Milão, 1 700; em Ferrara; em Ancona; um milhar em Nápoles; em Turim e em Pádua, e pequenos grupos disseminados em diversos lugares. Seu gueto de Roma, outrora bastante insalubre, não é mais que uma lembrança, desde 1887. Esses números são dados, relativamente ao número considerável da população da Itália, como pouco importantes do ponto de vista religioso.

3° Uma dezena de anos depois, nos recenseamentos oficiais do Annuario statistico Italiano per l'anno 1912, publicado em Roma pelos cuidados da Direzione generale della Statistica e del Lavoro, essas proporções haviam-se modificado um pouco. Lê-se ali que, 5. segundo o recenseamento oficial feito a 10 de junho de 1911, a população compunha-se de 34 686 689 habitantes, correspondendo a uma média de 120 por quilômetro quadrado. O número de italianos residentes fora do reino elevava-se, nessa época, a 5 557 764. O Annuario oficial não deu, nesse ano, nenhum número especial quanto à religião então professada pelos italianos. Os jornais supriram, em parte, essa lacuna, dando números que apresentaram como exatos. Eis como apareceram, em particular, na Perseveranza, em dezembro de 1913, e no Cittadino de Gênova, de 3 de janeiro de 1914, segundo o Annuario Bompard: judeus, 48 900; protestantes, de diversas seitas, 78 850. Esse aumento, segundo Rodolfo Benini, Demografia italiana nell'ultimo cinquantennio, in-8°, Milão, 1911, proviria, não precisamente da atividade da propaganda sectária, mas sobretudo da chegada de correligionários vindos da Suíça, da Inglaterra e da Alemanha. Segundo o Annuario statistico Italiano per l'anno 1914, in-8°, Roma, 1915, a população, em três anos, havia aumentado em mais de um milhão e elevava-se a 35 597 784. Os judeus teriam sido, em 1911, apenas 34 324, ao passo que o número dos protestantes, de diversas seitas, se teria elevado a 123 253.

Os judeus não fazem propriamente prosélitos e se contentam em estar amplamente representados na alta finança, nas universidades e no parlamento; mas as diversas seitas protestantes fazem uma propaganda desenfreada, e nada poupam para arrancar as almas à Igreja católica. Pelos meios de todo gênero que empregam, os protestantes não conseguem, é certo, fazer dos italianos adeptos convictos de suas seitas, mas fazem apóstatas, sobretudo entre as populações pobres e simples, especialmente na Sicília, onde há mais desses pretensos protestantes, a saber 16 220, principalmente nas províncias de Catânia, de Siracusa e de Caltanissetta. Conta-se também um número relativamente considerável na Apúlia: 13 550. Essas duas regiões são, portanto, as mais infestadas pelo proselitismo protestante. É aí, sobretudo, que se fazem mais conversões aparentes ao protestantismo, pela força do ouro e da prata das sociedades evangélicas, inglesas e americanas, como notava recentemente Luigi Luzzati, no Corriere della Sera, de 21 de maio de 1912. O autor do artigo dá-lhe a razão; é que, diz ele, nesses países (Inglaterra e América), a fé que reza é a fé que paga: La fede che prega, è la fede che paga. Em 10 000 habitantes há, em média, 114 protestantes na província de Caltanissetta: 102 na de Bari; na de Foggia; 65,5 na de Catânia; na de Siracusa.

Mas, sobre a propaganda protestante o número dos indiferentes, ao que ela é a influência desastrosa das escolas laicas, que destroem, na juventude, os sentimentos religiosos e a moral, quando a educação familiar não supre a ação nefasta de certos mestres sobre as novas gerações. O mesmo se dá também com o número crescente dos que aderem, de nome, às diversas seitas. É a emigração dos italianos para países protestantes, de onde voltam, se não protestantes, ao menos indiferentes à religião de seus pais. Em Nova York, por exemplo, há dezenove templos, onde o serviço se faz para os italianos em sua própria língua. Numa das grandes cidades dos Estados Unidos há um templo; tanto as diversas seitas tomam a peito arrancar os italianos à Igreja católica.

4° No mês de junho de 1918, o Evangelista, que se publica em Roma, declarava pomposamente que os italianos inscritos regularmente nas listas evangélicas se contavam por centenas de milhares. É uma vanglória que não corresponde de modo algum à realidade.

Para Roma, em particular, o recenseamento oficial de 1901 indicava apenas 1 990 protestantes, número que desceu a 3 700 dez anos depois; ao passo que o número de católicos era ali de 442 394 em 1901 e de 502 217 em 1911. É verdade que o número dos indiferentes, que era de 2 689 em 1901, subira a 15 806 em 1911, o que confirma as reflexões que fizemos antes sobre o resultado real da propaganda protestante. Esta, contudo, não poupa nem diligências de todo gênero, nem despesas. Entradas em Roma em 1870, as diversas seitas puseram tudo em campo para conquistar a Cidade eterna. Já em 1870 abriam-se uma igreja anglicana e uma igreja escocesa, perto da porta Flamínia; uma igreja valdense, na via della Scrofa, quase em frente ao antigo palácio do cardeal-vigário. Outra igreja inglesa abriu-se na praça São Silvestre. Só a seita que se chama União cristã apostólica batista já abrira oito igrejas, com escolas dominicais para operários e operárias, escolas noturnas de línguas estrangeiras e obras de beneficência para os pobres. Em 1919, dessas oito igrejas, só sobreviviam quatro: três do ramo ítalo-inglês e uma do ramo ítalo-americano. À enumeração precedente acrescentemos duas igrejas metodistas, uma wesleyana, outra episcopaliana americana; duas outras valdenses, uma inaugurada em 1885, na via Nazionale; outra na praça Cavour, perto do palácio de justiça, terminada em 1914. Outra igreja americana, dita de São Paulo, situa-se igualmente na via Nazionale. Pertence aos ritualistas. Como ali se veem altares, crucifixos, velas e lâmpadas acesas, certos peregrinos e até sacerdotes extraviaram-se ali várias vezes, enganados pelas aparências, e foram muito piedosamente fazer sua visita ao Santíssimo Sacramento. Na via del Babuino encontra-se uma igreja anglicana representando a High Church. Citemos igualmente duas igrejas luteranas alemãs, fechadas ambas durante a guerra mundial. Sabe-se que essa guerra reduziu a nada o orgulhoso projeto que a Alemanha protestante formara de construir em Roma, por ocasião do centenário de Lutero, em 1917, um templo gigantesco que, por suas dimensões e riqueza, devia eclipsar a basílica de São Pedro. Havia vários anos, coletas eram organizadas para esse fim em toda a Alemanha, como atestam numerosos artigos de jornais e revistas, em particular as Nouvelles religieuses, nos fascículos de 15 de agosto de 1918 e seguintes.

5° Esse trabalho incessante de tantas seitas divididas entre si, mas unidas em seu ódio contra a Igreja católica, não se exerce somente em Roma. Em toda a Itália se estende o seu proselitismo, não somente pela construção de templos heréticos, mas pela imprensa, pelo ensino, pela atração de passeios, ou voj -a-niques, ou instrutivos, de patronatos ou obras pós-escolares, dos esportes, pela promessa de livros ou de lucro, etc. É todo um conjunto de escolas, de pensionatos, de casas de família, de colégios, de ateliês de caridade, de círculos e de associações para jovens de ambos os sexos, sem contar os orfanatos. Em Livorno, um colégio protestante da Igreja evangélica italiana prepara para a Academia naval. Desde 1871, Roma tem uma escola industrial protestante, fundação americana. Um estabelecimento do mesmo gênero encontra-se em Veneza. A União cristã de moças, fundada em Londres, em 1855, ou a Y.W.C.A. (a Young Women Christian Association), abriu, em Roma, em Milão, em Turim, em Nápoles, em Florença, em Gênova, em Bolonha, etc., pensões ou casas de família para as moças que vêm frequentar os cursos das escolas superiores ou que, já diplomadas, são aptas para o ensino. Essa associação lhes oferece até temporadas de veraneio nas montanhas, durante a estação quente. Ocupa-se depois de lhes arranjar uma colocação e publica para elas uma revista mensal, a Alba, cuja diretora principal é uma valdense. As moças que vêm a esses estabelecimentos são convidadas, se não forçadas, a assistir ao que se chama o « culto de família », durante o qual uma das diretoras comenta um texto da Sagrada Escritura.

Se se procura, por tantos meios, ganhar a alma das moças, nada se negligencia para apoderar-se também dos rapazes. Paralelamente à associação de que acabamos de falar, funciona a União cristã de jovens (a Y. M. C. A., a Young Men Christian Association), fundada, ela também, na Inglaterra, na mesma época, e espalhada por todo o mundo anglo-saxão, onde conta um milhão de membros. Criou, ela também, numerosos estabelecimentos na Itália, em Roma, em Gênova, em Milão, em Turim, em Nápoles, em Bari, etc. Estreitamente unida à Young Men Christian Association está a World's Student Christian Federation, que, para a Itália, tem um órgão oficial, Fede e Vita, publicado em San Remo. Essa folha preconiza o livre exame, a liberdade de opinião e a proscrição de toda religião que imponha dogmas. A Sunday School Union, de Londres, fundou na Itália a Unione italiana della scuola domenicale, dirigida por um comitê interconfessional e evangélico. Publica uma revista trimestral, La Scuola domenicale, entremeada de textos bíblicos. Para indicar o espírito dessa revista destinada aos jovens, basta dizer que o diretor, secretário-geral do Comitê interconfessional, é um franco-maçom de alto grau, o doutor Ernest Filippini Nobili, professor num liceu de Roma e chanceler do supremo conselho do 33°, do rito escocês.

6° Depois da guerra, as seitas redobraram os esforços para fundar orfanatos e apoderar-se assim da alma desses pobres filhos católicos, privados de seus pais. Já haviam empregado esse meio depois das catástrofes, várias vezes repetidas, produzidas pelos terremotos, em particular o de Messina, o mais terrível de todos.

7° Notemos também, para mostrar a intensidade e o gênero da propaganda protestante, que a Sociedade bíblica britânica distribuiu na Itália 120 000 volumes durante o ano de 1918. Nesse total havia 8 943 Bíblias inteiras. Os outros volumes eram apenas partes da Bíblia, sobretudo os Evangelhos, os Atos dos apóstolos e os Salmos, como resulta do relatório oficial, escrito por S. Edwin W. Smith, British and Foreign Bible Society; Report of the Italian Agency for 1918, in-8°, Roma, 1919. O autor queixa-se de que os italianos, em geral, não apenas não querem comprar essas Bíblias falsificadas, apesar da modicidade de seu preço, mas só as olham i it, às vezes até zombando daqueles que as apresentam.

II. Divisões eclesiásticas. — A Itália compreende, além dos arcebispados e dos bispados, certo número de abadias e de prelaturas nullius. As dioceses são em número de; alguns, porém, estão unidos; subdividem-se em 27.707 paróquias, que têm, ao todo, 55.052 igrejas ou capelas públicas, além de grande número de oratórios privados. Essas igrejas e capelas são servidas por 76.351 sacerdotes.

I. ANTIGOS ESTADOS DA IGREJA. — 1° O centro da catolicidade. — Roma, metrópole da província romana, Igreja primordial da Itália, patriarcal do Ocidente e capital do mundo cristão; é habitada por mais de 600.000 católicos, tem 58 paróquias, 550 sacerdotes seculares, 990 sacerdotes regulares, vários milhares de religiosas, 82 confrarias, perto de 400 igrejas ou capelas, além de grande número de capelas de comunidades, não abertas ao público.

2° Sedes suburbicárias. — Essas sedes são em número de oito, das quais algumas estão unidas, de modo que os titulares, que são os cardeais-bispos, são apenas seis no Sacro Colégio.

1. Óstia, reservada de direito, pelo costume, ao decano do Sacro Colégio. Outrora porto de Roma, situado perto da foz do Tibre (Ostia Tiberina), na margem esquerda, e grande cidade de comércio, muito próspera, já não é hoje senão uma pequena aldeia de 500 habitantes, afastada agora vários quilômetros do mar e dizimada pela febre palustre. Não é mais que magni nominis umbra. Esta diocese, de fundação antiga, é a menor do mundo inteiro, conta apenas um milhar de habitantes. Tem 3 paróquias, 10 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares e 20 capelas.

2. Porto e Santa Rufina, reservada ordinariamente ao subdecano do Sacro Colégio, mas às vezes unida à sede de Óstia, para o decano. Porto, Portus Trajani, foi o porto fundado por Trajano, no ano 103 de nossa era, na margem direita do Tibre, quase em frente a Óstia, para suprir o dessa cidade, que as aluviões do rio já haviam em parte assoreado. A catedral traz o título de Santa Rufina, e a cidade, outrora à beira-mar, dista dela agora três quilômetros. A sede de Porto já existia no século III. A de Sylva Candida, que é a mesma que a de Santa Rufina, e que foi fundada em 501, foi-lhe unida em 1138. Juntas têm apenas 1.650 habitantes, no verão, por causa da malária, que faz fugir a população, a qual, no inverno, sobe a perto de 20.000. A diocese tem 19 paróquias, 26 sacerdotes seculares, 30 igrejas ou capelas.

3. Albano, fundada em 355, conta, na lista de seus titulares, cardeais-bispos desde o século V. Tem cerca de 50.000 católicos, 12 paróquias, 60 sacerdotes seculares, 100 sacerdotes religiosos, umas quarenta religiosas, igrejas ou capelas.

4. Palestrina, fundada no século IV. Desde o fim do século X, seus bispos são cardeais de direito. Tem 45.000 católicos, 21 paróquias, 62 sacerdotes seculares, 47 sacerdotes regulares, uma centena de religiosas, igrejas ou capelas.

5. Frascati, fundada no século III, na antiga Túsculo; tendo sido destruída essa cidade em 1178, a sede episcopal foi transferida para Frascati, estada deliciosa. A cidade atual conta 8.500 habitantes, e a diocese cerca de 35.000 católicos, 8 paróquias, 38 sacerdotes seculares, 115 sacerdotes regulares, 31 igrejas ou capelas.

6. Sabina (Magliano Sabino). Este bispado é formado pelos de Foronovo, ou Vescovio, de Curi e de Montana, fundados em meados do século V e que, desde 984, formam o de Sabina, cuja sede, em 1195, foi transferida para Magliano Sabino, cidadezinha numa região montanhosa. A diocese conta cerca de habitantes, 35 paróquias, 50 sacerdotes seculares, 32 sacerdotes regulares, 24 igrejas ou capelas.

7. Velletri. Às vezes unida à de Óstia; a lista de seus bispos conhecidos só remonta ao ano 465. A cidade de Velletri tem 18.730 habitantes, e a diocese uma população de 30.000 católicos, com 16 paróquias, 39 sacerdotes seculares, 27 sacerdotes regulares e 40 igrejas ou capelas.

Arcebispados dependentes imediatamente da Santa Sé. — 1. Ancona; esta sede, elevada à categoria de arcebispado, sem sufragâneos, pelo papa Pio X, em 14 de setembro de 1904, foi fundada em 402. O papa Martinho V uniu-lhe, em 19 de outubro de 1422, a sede de Umana, fundada ela mesma em 405. Juntas, essas duas dioceses unidas têm 90.000 habitantes, dos quais cerca de 35.000 somente na cidade de Ancona. Frequentemente o titular é um cardeal. Há nessas duas dioceses, que já não formam senão uma, 37 paróquias, 82 sacerdotes seculares, 28 sacerdotes regulares, 120 religiosas, 85 igrejas ou capelas.

2. Camerino, fundada por volta de 250, erigida em arcebispado em 28 de dezembro de 1787, possui uma pequena universidade. A cidade tem 5.218 habitantes, e a diocese, cerca de 84.000. Pio VII deu ao titular a administração perpétua da diocese de Treja, que tem apenas 9.378 habitantes. Juntas, têm 182 paróquias, 272 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 220 igrejas ou capelas.

3. Ferrara, fundada no século IV, erigida em arcebispado em 1735, tem 135.000 católicos, 90 paróquias, 180 sacerdotes seculares, 39 sacerdotes regulares, mais de 200 religiosas, 141 igrejas ou capelas.

4. Perúgia, fundada no século II, erigida em arcebispado sem sufragâneos por Leão XIII, em 27 de março de 1882, tem 101.000 habitantes, 199 paróquias, 218 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 150 religiosas, 371 igrejas ou capelas.

5. Spoleto, de fundação muito antiga, erigida em arcebispado por Pio VII, em 15 de janeiro de 1820, tem 70.000 católicos, 172 paróquias, 166 sacerdotes seculares, 62 sacerdotes regulares, 135 religiosas, 250 igrejas ou capelas.

4° Bispados dependentes imediatamente da Santa Sé. — 1. Acquapendente, fundada em 715, tem 23.300 católicos, 13 paróquias, 47 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 45 religiosas, 70 igrejas ou capelas.

2. Alatri, fundada em 545, tem 33.000 católicos, 62 sacerdotes seculares, 42 sacerdotes regulares, 86 religiosas, 77 igrejas ou capelas.

3.

Amelia, fundada no início do século V, tem 19.650 católicos, 20 paróquias, 30 sacerdotes seculares, 21 sacerdotes regulares, 65 religiosas, 78 igrejas ou capelas.

4. Anagni, fundada em 487, tem 41.700 católicos, 26 paróquias, 60 sacerdotes seculares, 52 sacerdotes regulares, 110 religiosas, 50 igrejas ou capelas.

5. Ascoli-Piceno, fundada na primeira metade do século VII, por São Emídio, tem 120.000 católicos, 164 paróquias, 211 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 126 religiosas, 305 igrejas ou capelas.

6. Assis, fundada em 236, por São Rufino, mártir, tem 31.800 católicos, 35 paróquias, 40 sacerdotes seculares, 200 sacerdotes regulares, mais de 200 religiosas, 190 igrejas ou capelas.

7. Bagnorea, fundada em 600, tem 29.500 católicos, 21 paróquias, 50 sacerdotes seculares, 12 sacerdotes regulares, religiosas, 107 igrejas ou capelas.

8. Città della Pieve, erigida por Clemente VIII, em setembro de 1600, tem 59.520 católicos, 33 paróquias, 68 sacerdotes seculares, 6 sacerdotes regulares, 70 religiosas, igrejas ou capelas.

9. Città di Castello, fundada em 465, tem 50.250 católicos, 156 paróquias, 162 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 105 religiosas, 200 igrejas ou capelas.

10. Cività Castellana, Orte e Gallese, três sedes unidas. Este bispado foi fundado, em 595, com sede em Faleria, a antiga Falerii dos Faliscos, da qual restam agora apenas as ruínas, a 4 quilômetros, a noroeste de Cività Castellana, cidade de 5.132 habitantes. Outrora centro importante da Etrúria meridional, Faleria foi destruída pelos romanos, depois reconstruída por eles, um século mais tarde. Esta sede foi transferida, no início do século XI, para Cività Castellana. A sede de Orte, fundada por São Lano, sob o imperador Diocleciano, foi-lhe unida, em 1137; o bispado de Gallese, fundado em 769, suprimido em 1285, restabelecido em 1562 e suprimido de novo, em 1573, foi-lhe também unido por Pio VII, em 20 de dezembro de 1805. A população total é de 40.000 católicos. Há 29 paróquias, 105 sacerdotes seculares, 27 sacerdotes regulares, 202 igrejas ou capelas.

11. Civitavecchia e Corneto Tarquinia. A sede de Civitavecchia, fundada antes de 314, foi unida à de Viterbo, em 1193, e à de Porto, em 1825, depois restabelecida por Pio IX, em 23 de julho de 1854. Foi-lhe unida a antiga sede de Corneto Tarquinia. A cidade de Corneto tem 5.273 habitantes, e a de Civitavecchia tem 11.950. A população dessas duas dioceses unidas conta, ao todo, apenas 38.512 habitantes. Há 12 paróquias, 42 sacerdotes seculares, 22 sacerdotes regulares, 80 religiosas, 48 igrejas ou capelas.

12. Fabriano e Matelica. Essas duas sedes, fundadas por volta do fim do século V, foram incorporadas, mais tarde, à de Camerino, da qual Pio VII as separou, em 1785. Fabriano conta 25.000 habitantes; 35 paróquias, 55 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 55 religiosas, 125 igrejas ou capelas. Matelica, 8.000 católicos, 23 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 20 religiosas, 58 igrejas ou capelas.

13. Fano, fundada no século II (?), tem 60.000 católicos, dos quais 10.500 na própria cidade. Há, na diocese, 45 paróquias, 101 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 70 religiosas, 144 igrejas ou capelas.

14. Ferentino, fundada em 320, tem 45.000 católicos, 19 paróquias, 60 sacerdotes seculares, 32 regulares, 90 religiosas, 56 igrejas ou capelas.

15. Foligno, de fundação antiga, tem 40.000 católicos, 56 paróquias, 71 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 135 religiosas, 173 igrejas ou capelas.

16. Gubbio, fundada no início do século V, tem 43.000 católicos, 65 paróquias, 78 sacerdotes seculares, 21 sacerdotes regulares, 130 religiosas, 304 igrejas ou capelas.

17. Jesi, fundada no início do século IV, tem 54.000 católicos, 26 paróquias, 90 sacerdotes seculares, 45 sacerdotes regulares, 120 religiosas, 151 igrejas ou capelas.

18. Montefiascone, erigida pelo bem-aventurado Urbano V, em 30 de julho de 1369, tem 30.000 católicos, 17 paróquias, 69 sacerdotes seculares, 16 sacerdotes regulares, 80 religiosas, 77 igrejas ou capelas.

19. Narni, fundada em 369, por São Juvenal, tem 32.000 católicos, 41 paróquias, 46 sacerdotes seculares, 9 sacerdotes regulares, 60 religiosas, 73 igrejas ou capelas.

20. Socera na Úmbria, fundada no início do século V, tem 53.000 católicos, 78 paróquias, 110 sacerdotes seculares, 100 igrejas ou capelas.

21. Norcia, fundada no século V, foi, em 861, unida a Spoleto, e restabelecida por Pio VII, em 6 de janeiro de 1820, tem 50.000 católicos, 50 paróquias, 125 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 140 religiosas, 258 igrejas ou capelas.

22. Orvieto, fundada no século VI. A cidade, que conta atualmente 8.210 habitantes, foi, na Idade Média, uma das principais fortalezas dos guelfos. É por esse motivo que serviu muitas vezes de estada e de refúgio aos papas, cujo palácio foi começado em 1296, por Bonifácio VIII. A população atual do se eleva-se a quase 11.000 almas. Tem 57 paróquias, 89 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 98 religiosas, 124 igrejas ou capelas.

23. Osimo e Cingoli. Essas duas sedes estão unidas desde 1725. Cingoli é a mais antiga, tendo sido fundada no século V, e Osimo um pouco mais tarde; mas esta é mais importante, pois essa diocese conta quase 42.000 habitantes, ao passo que a de Cingoli mal tem mais de 10.000. Juntas têm 34 paróquias, 150 sacerdotes seculares, 29 sacerdotes regulares, 87 religiosas, 89 igrejas ou capelas.

24. Poggio Mirteto. Esta diocese é de fundação relativamente recente, tendo sido erigida, em 5 de novembro de 1841, por Gregório XVI, que lhe deu as paróquias dependentes das abadias de Farfa e de San Salvatore Maggiore. A diocese tem, contudo, apenas 35.000 habitantes, 36 paróquias, 45 sacerdotes seculares, '.) sacerdotes regulares, 10 religiosas, 113 igrejas ou capelas.

25. Recanati e Loreto. A sede de Recanati foi fundada em 1110, depois suprimida e restabelecida várias vezes, ora unida à de Macerata, ora à de Loreto, ou substituída por ela. Essas duas sedes estão agora unidas æque principaliter, desde 1592. A diocese de Loreto conta 26.000 habitantes e a de Recanati quase 25.000. Juntas têm 20 paróquias, 82 sacerdotes seculares, 50 sacerdotes regulares, 75 igrejas ou capelas.

26. Rieti, fundada no século V, tem 140.000 católicos, 160 paróquias, 200 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 100 religiosas, 402 igrejas ou capelas.

27.

Segni, fundada também no século V, tem quase 19.000 habitantes, 12 paróquias, 63 sacerdotes seculares, 18 sacerdotes regulares, 27 religiosas, 34 igrejas ou capelas.

28. Sutri e Nepi. A sede de Sutri foi fundada no século V, e a de Nepi, bem antes, talvez já no século I. Foram unidas por Eugênio IV, em 1435. Juntas têm 41.500 habitantes, 31 paróquias, 87 sacerdotes seculares, 36 sacerdotes regulares, 95 igrejas ou capelas.

29. Terni, fundada talvez em meados do século II, tem 33.000 católicos, 16 paróquias, 26 sacerdotes seculares, 40 religiosas, 54 igrejas ou capelas.

30. Terracina, Sezze e Piperno, nos pântanos Pontinos. Essas três sedes estão unidas desde o início do século XIII. Sua população global compreende um pouco mais de 60.000 almas. Juntas têm 25 paróquias, 89 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 98 religiosas, 62 igrejas ou capelas.

31. Tivoli, fundada desde o século I (?), tem 40.000 católicos, 42 paróquias, 72 sacerdotes seculares, 35 sacerdotes regulares, 68 religiosas, 108 igrejas ou capelas.

32. Todi, igualmente de antiga fundação, tem 45.200 católicos, 98 paróquias, 99 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 47 religiosas, 249 igrejas ou capelas.

33. Treja, erigida em 1816, por Pio VII, que confiou a sua administração ao arcebispo de Camerino, de modo que, por uma exceção rara, esta diocese nunca teve um bispo que lhe pertencesse exclusivamente*. Sua população é de 9.378 habitantes, 8 paróquias, 30 sacerdotes seculares, 46 igrejas ou capelas.

34. Veroli tem bispos conhecidos desde o século VIII. Sua população é de 72.000 habitantes. Tem 38 paróquias, 90 sacerdotes seculares, 80 sacerdotes regulares, 102 igrejas ou capelas.

35. Viterbo e Toscanella. A sede de Viterbo data, pelo menos, do século VI; desde há muito tempo, está-lhe unida a diocese de Toscanella, cidade de 5.800 habitantes, situada a 23 quilômetros de distância. Juntas as duas dioceses têm uma população de 17.000 almas. Possuem 36 paróquias, 83 sacerdotes seculares, 61 sacerdotes regulares, 110 religiosas, 135 igrejas ou capelas.

5° Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Bolonha. — ■ Bolonha, metrópole, sic < fundada em 270, por São Zama; erigida em arcebispado por Gregório XIII, em 10 de dezembro de 1582; tem uma população de 454.000 habitantes, 392 paróquias, 640 sacerdotes seculares, 65 sacerdotes regulares, 287 religiosas, 1175 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Faenza, fundada dez anos depois da sede de Bolonha, . católicos, 116 paróquias, 300 sacerdotes seculares, 35 sacerdotes regulares, 290 religiosas, 164 igrejas ou capelas. — b) Ímola, fundada no início do rv« século, tem 99.000 habitantes, paróquias, 288 sacerdotes seculares, 46 sacerdotes regulares, 149 religiosas, igrejas ou capelas.

2. Província eclesiástica de Fermo. — Fermo, metrópole, fundada em 246, por São Alexandre, mártir; erigida em arcebispado em 12 de maio de 1589, tem 175.350 habitantes, 147 paróquias, sacerdotes seculares, 86 sacerdotes regulares, 10 religiosas, 660 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Macerata e Tolentino. Muito antiga. A sede de Tolentino remontaria ao r ' século (?), ao passo que a de Macerata só lhe erigida em 18 de novembro 0 por João XXII. As duas estão unidas desde 1586. A diocese de Tolentino tem apenas 15.000 habitantes; e a de Macerata, 31.000. Juntas, têm 25 paróquias, 93 sacerdotes seculares, l"' sacerdotes regulares, 53 religiosas, Mo igrejas ou capelas. — b) Montalto, erigida 13.000 católicos, 33 paróquias, 7."> sacerdotes seculares, 3 sacerdotes regulares, '.'7 igrejas ou capelas. — c) Ripatransone, erigida em 1571, tem 42.600 católicos, 22 paróquias, 71 sacerdotes seculares, 11 sacerdotes regulares, 40 religiosas, iou capelas. — d) San Severino, erigida em 1586, tem 17.100 católicos, 29 paróquias, 60 sacerdotes seculares, 11 sacerdotes regulares, 46 religiosas, i Uses mi capelas

Província eclesiástica de Ravena. — Ravena, metrópole, fundada segundo uma tradição por São Apolinário, discípulo de São Pedro (?), foi arcebispado desde o século v, tem 12.'! 000 católicos, 63 paróquias, 155 sacerdotes seculares, il sacerdotes regulares, 100 religiosas, .'il11 igrejas ou capelas. Esta sede é ordinariamente ocupada por um cardeal. Sufragâneas: a) Bertinoro, fundada em 320, por São Rufilo, em Forlimpopoli, a lu quilômetros de Cesena. - episcopal lui transferida não longe dali, para Bertinoro, em 1360; Tem 32.000 católicos, 63 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 65 religiosas, 93 igrejas ou capelas. — b) Cervia, fundada no século vr, por São Gerância, mártir, tem 22.000 católicos, 12 paróquias, 33 sacerdotes seculares, 15 religiosas, 26 igrejas ou capelas, — c) Cesena, que parece de fundação ancii 700 católicos, .">'.) paróquias, 131 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 90 religiosas, 99 igrejas ou capelas. — d) Comacchio, fundada no século vi«, tem 10.000 católicos, l i paróquias, 36 sacerdotes seculares, 5 sacerdotes regulares, M religiosas, 16 igrejas ou capelas. — e) Forlì, fundada no século a' (?), tem 5 católicos, 61 paróquias, 125 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 120 religiosas, 86 igrejas ou capelas. — f) Rimini, fundada no século m, tem 125.000 católicos, 121 paróquias, 336 sacerdotes seculares, 56 sacerdotes regulares, 183 religiosas, 254 igrejas ou capelas. — g) Sarsina, fundada antes do século iv, tem 29.000 católicos, 54 paróquias, 76 sacerdotes seculares, 120 igrejas

4. Província eclesiástica de Urbino. — Urbino, metrópole, fundada no século r; arcebispado desde 1563; tem 38.000 habitantes, '.'7 paróquias, us sacerdotes, 8 sacerdotes regulares, 35 religiosas, | cm capelas. Sufragâneas: a) Sant'Angelo in Vado e Urbania. nés, foi 'tes em 1635, por Urbano VIII, foram unidas desde a sua fundação. Sant'Angelo tem 5.000 habitantes e Urbania, 10.000. Juntas têm tes, 70 sacerdotes seculares, 6 sacerdotes regulares, ■Se i I. 's ou capelas. — b) Cagli e Pergola. Essas duas sedes estão unidas desde 1818. A primeira foi fundada no século i, e não é atualmente senão uma pequena cidade de i ti00 habitantes. Pergola é ainda menor, ni. le essas duas dioceses têm apenas uma população de 33.000 almas, com 62 paróquias, 95 sacerdotes seculares, 7 sacerdotes regulares, 92 religiosas, 154 igrejas ou capelas. — c) Fossombrone, fundada no século v*, tem 22.000 católicos, 40 paróquias, 70 sacerdotes seculares, 3 sacerdotes regulares, 70 igrejas ou capelas.

— d) Montefeltro, fundada por São Leão, por volta de 368, tem 59.900 católicos, 121 paróquias, 173 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 96 religiosas, 260 igrejas ou capelas. A república de San Marino lhe pertence em grande parte, do ponto de vista espiritual. Tem 10.659 habitantes, 10 paróquias, das quais 8 dependem da diocese de Montefeltro e 2 da diocese de Rimini. Há, ao todo, 22 sacerdotes. — e) Pesaro, fundada em 247, por São Florentino, tem 48.000 católicos, 41 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 31 sacerdotes regulares, 43 religiosas, 100 igrejas ou capelas. — f) Senigallia, fundada no século vi°, tem 99.800 católicos, 48 paróquias, 114 sacerdotes seculares, 80 sacerdotes regulares, 128 religiosas, 278 igrejas ou capelas.

Assim, os antigos Estados da Igreja têm, só eles, cerca de 70 sedes episcopais, sem contar as sedes unidas a outras. Possuem, portanto, só eles, quase tantas quanto a França inteira.

6° Abadias e prelaturas nullius. — ■ 1. Abadia dos Santos Vicente e Anastácio, em Três Fontes, ad Aquas Salvias. — Fundada no século vn*, bem perto do lugar onde o apóstolo São Paulo teria sofrido o martírio, esta abadia foi, primeiro, confiada aos beneditinos, depois, em 1140, aos cistercienses, cujo primeiro abade tornou-se papa, sob o nome de Eugênio III. Há bastante tempo é dada em comenda a um dos cardeais suburbicários. Compreende 8 paróquias, e 18.300 habitantes com 50 sacerdotes. Os trapistas franceses estão ali estabelecidos há quase cinquenta anos.

2. Abadia de São Paulo Fora dos Muros. — Esta abadia tem por igreja uma das basílicas patriarcais de Roma, construída sobre o túmulo do apóstolo São Paulo. Foi dada aos beneditinos, desde o início do século vnr, e eles a possuíram até nossos dias, exceto por um período, durante o qual foram substituídos pelos monges de Cluny. Conta 3 paróquias, 57 sacerdotes, 3.500 habitantes.

3. Abadia de Subiaco. — Situada a 60 quilômetros de Roma, esta abadia foi fundada por São Bento, e administrada por abades regulares, até o fim do século xive. Foi então dada em comenda a um cardeal que exercia sua jurisdição episcopal sobre todo o território submetido à abadia, e que compreende 21 paróquias, com 91 sacerdotes, 24.000 habitantes. Esse regime durou até a demissão do cardeal Macchi, em setembro de 1906. Nessa data, o papa aboliu definitivamente a comenda sobre o território abacial e restabeleceu o abade em todos os seus antigos direitos.

4. Abadia de San Martino al monte Cimino. — Situada perto de Viterbo, foi fundada pelos beneditinos, restaurada por São Gregório VII, em 1073, e dada por Eugênio III aos cistercienses; depois, por Eugênio IV, aos olivetanos. Conta apenas uma paróquia com ■s sacerdotes e 1.600 habitantes.

II. Províncias eclesiásticas. - 1° Província eclesiástica de Turim. - Turim, metrópole, fundada no século rv, erigida em arcebispado por Leão X. em 21 de maio de 1515, tem 650.000 católicos, 276 paróquias, 1.105 sacerdotes seculares, 300 sacerdotes regulares, 986 igrejas ou capelas. Sufragâneas: 1. Acqui, fundada por São Maggiorino, no século iv, tem 181 • católicos, 126 paróquias, 317 sacerdotes seculares, 12 sacerdotes regulares, 95 religiosas, igrejas ou capelas.

2. Alba, fundada no século [V ou v, tem 151 1 católicos, 101 paróquias, 316 sacerdotes seculares, il sacerdotes regulares, 180 religiosas, igrejas ou capelas.

3. Aosta, fundada no século \ ', tem .^3 católicos, 87 paróquias, 210 sacerdotes seculares, ld sacerdotes regulares, 200 religiosas, 570 igrejas ou capelas. — 4. Asti, fundada no início do século v*, tem 182.000 católicos, 108 paróquias, 300 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 60 religiosas, 525 igrejas ou capelas. ■ 5. Cuneo, erigida por Pio VII, em 17 de julho de 1817, tem 100.000 católicos, 01 paróquias, 220 sacerdotes seculares, 23 sacerdotes regulares, 450 religiosas, nui igrejas ou capelas. — 6. Fossano, erigida por Clemente XII, em 15 de abril de 1592, tem 35.850 católicos, 25 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 95 religiosas, 42 igrejas ou capelas. — 7. Ivrea, fundada no século v«, tem 203.000 católicos, 138 paróquias, 119 sacerdotes seculares, 61 sacerdotes regulares, 530 religiosas, 315 igrejas ou capelas. — Mondovì, erigida por Urbano VI, em 5 de junho de 1388, tem católicos, 150 paróquias, 490 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 135 religiosas, 1.760 igrejas ou capelas. — 9. Pinerolo, erigida por Bento XIV, em 23 de dezembro de 1748, que a desmembrou de uma abadia cisterciense nullius, tem 70.000 católicos, 61 paróquias, 101 sacerdotes seculares, 6 sacerdotes regulares, 250 religiosas, 102 igrejas ou capelas. — 10. Saluzzo, erigida por Júlio II, em 20 de outubro de 1511, tem 160.000 católicos, 92 paróquias, 304 sacerdotes seculares, 31 sacerdotes regulares, 220 religiosas, 671 igrejas ou capelas. — 11. Susa, erigida por Clemente XIV, em 3 de agosto de 1772, 600 católicos, 61 paróquias, 152 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 200 religiosas, 70 igrejas ou capelas.

2. Província eclesiástica de Vercelli. — Vercelli, metrópole, fundada por São Eusébio em meados do século ive, erigida em metrópole por Pio VII, em 17 de julho de 1817, tem 230.000 católicos, 137 paróquias, 415 sacerdotes seculares, 33 sacerdotes regulares, 974 religiosas, 405 igrejas ou capelas. Sufragâneas: 1. Alessandria della Paglia, erigida em 1175, por Alexandre III, tem 140.000 católicos, 63 paróquias, 210 sacerdotes seculares, 25 sacerdotes regulares, 160 religiosas, 200 igrejas ou capelas. — 2. Biella, erigida por Clemente XIV, em 1º de junho de 1772, tem 149.000 católicos, 114 paróquias, 265 sacerdotes seculares, 29 sacerdotes regulares, 270 igrejas ou capelas. — 3. Casale Monferrato, erigida por Sisto IV, em 18 de abril de 1474, tem 169.500 católicos, 140 paróquias, 312 sacerdotes seculares, 45 sacerdotes regulares, 280 religiosas, 562 igrejas ou capelas. — 4. Novara, fundada no século rve, por São Gaudêncio, tem 392.000 católicos, 374 paróquias, 690 sacerdotes seculares, 140 religiosas, 500 igrejas ou capelas. — 5. Vigevano, erigida por Clemente VII, em 16 de março de 1529, tem 169.000 católicos, 72 paróquias, ' 240 sacerdotes seculares, 7 sacerdotes regulares, 210 religiosas, 170 igrejas ou capelas.

Ao todo, o Piemonte tem, pois, 18 sedes. Se a sua fundação não remonta a uma antiguidade tão recuada quanto a das sedes dos Estados da Igreja, elas são de importância muito diversa, pelo número da população.

III. Ligúria. Províncias eclesiásticas. — 1° Província eclesiástica de Gênova.

— Gênova, metrópole; fundada no século iii, esta sede foi erigida em arcebispado, no século xii; a diocese tem 470.000 católicos, 200 paróquias, 956 sacerdotes seculares, 270 sacerdotes regulares, 1.100 religiosas, 100 igrejas ou capelas. Sufragâneas: 1. Albenga, fundada em meados do século v, tem 125.000 católicos, 167 paróquias, 258 sacerdotes seculares, 86 sacerdotes regulares, 190 religiosas, 354 igrejas ou capelas. — 2. Bobbio, fundada no século xi, tem 30.100 católicos, 55 sacerdotes seculares, ! liers, 16 religiosas, 105 igrejas ou capelas. — 3. Chiavari, erigida em 1893, por Leão XIII, que a desmembrou de Gênova, tem 99.200 católicos, 140 paróquias, 308 sacerdotes seculares, 80 pi liers, 150 religiosas, 335 igrejas ou capelas. — 4. Luni-Sarzana e Brugnato. A primeira dessas sedes foi fundada no século v, e a outra somente no xii. Foram unidas por Pio VII, em 1820. O bispo reside em Sarzana. Têm juntas 175.000 católicos, 118 paróquias, 278 sacerdotes seculares, 84 sacerdotes regulares, 190 religiosas, 375 igrejas ou capelas. — 5. Savona e Noli. A fundação dessas duas sedes remonta ao século vii. Noli foi por algum tempo unida a Brugnato, no século xiii, depois formou uma diocese separada até 1814. Foi de novo unida a Savona, desde 1820. A diocese de Savona tem 77.000 habitantes, e a de Noli somente 4.500. Juntas têm 60 paróquias, 170 sacerdotes seculares, 25 sacerdotes regulares, 270 igrejas ou capelas. — 6. Tortona, fundada por São Inocêncio I, em meados do século iv°, tem 289.000 católicos, 296 paróquias, 570 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 270 religiosas, 501 igrejas ou capelas. — 7. Ventimiglia, fundada no século vii, tem 103.000 católicos, 66 paróquias, 200 sacerdotes seculares, 80 sacerdotes regulares, 400 religiosas, 95 igrejas ou capelas.

IV. Lombardia. Províncias eclesiásticas. — Província eclesiástica de Milão. — Milão, metrópole de antiga fundação, tem 1.960.000 católicos, 748 paróquias, 2.171 sacerdotes seculares, 144 sacerdotes regulares, 960 religiosas, 1.865 igrejas ou capelas. Sufragâneas: 1. Bérgamo, fundada em 301, por São Mamo, tem 399.000 católicos, 371 paróquias, 1.163 sacerdotes seculares, 58 sacerdotes regulares, 480 religiosas, 512 igrejas ou capelas. — ■ 2. Bréscia, fundada por volta do ano 260, tem 499.950 católicos, 389 paróquias, 997 sacerdotes seculares, 79 sacerdotes regulares, 1.280 religiosas, 774 igrejas ou capelas. — 3. Como, fundada por volta de 380, tem 295.000 católicos, 327 paróquias, 580 sacerdotes seculares, 60 sacerdotes regulares, 330 religiosas, 910 igrejas ou capelas. — 4. Crema, erigida por Gregório XIII, em 11 de março de 1759, tem 61.000 católicos, 53 paróquias, 70 sacerdotes seculares, 4 sacerdotes regulares, 150 religiosas, 78 igrejas ou capelas. — 5. Cremona, fundada em 325, tem 367.000 católicos, 530 paróquias, 541 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 1.475 religiosas, 530 igrejas ou capelas. — 6. Lodi, fundada talvez no século iii, tem 192.000 católicos, 106 paróquias, 293 sacerdotes seculares, 32 sacerdotes regulares, 330 religiosas, 220 igrejas ou capelas. — 7. Mântua, fundada em 804, tem 253.800 católicos, 153 paróquias, 307 sacerdotes seculares, 25 sacerdotes regulares, 270 religiosas, 259 igrejas ou capelas. — 8. Pávia, de fundação antiga, tem 109.500 católicos, 82 paróquias, 198 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 60 religiosas, 112 igrejas ou capelas.

V. Vêneto. — 1° Dependente imediatamente da Santa Sé. — Udine, metrópole; sede erigida por Bento XIV, em 19 de janeiro de 1752, pela supressão do patriarcado de Aquileia, que havia começado por volta de 570. Udine obteve então do papa o título patriarcal, mas foi suprimida em 7 de maio de 1818. Gregório XVI, em 14 de março de 1846, restabeleceu-a como arcebispado, sem sufragâneas. A diocese tem 525.000 católicos, 245 paróquias, 642 sacerdotes seculares, 42 sacerdotes regulares, 630 religiosas, 628 igrejas ou capelas.

2° Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Veneza. — Veneza, metrópole; patriarcado. Esta sede, fundada primeiro em Grado, em 707, foi transferida para Veneza, em Mo.") ci 1 patriarcado, em 1451. A cidade tem uma população de 155.000 almas, e a diocese de 168.000. Contam-se aí 45 paróquias, 250 sacerdotes seculares, 263 pi : religiosas, 130 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Adria, fundada no século vii 203.000 católicos, 78 paróquias, 250 sacerdotes seculares, 12 sacerdotes regulares, igrejas ou capelas. b) Belluno. Belluno foi fundada pe 1 1 le e a de >U- Feltre, em 579. Foram unidas em 1197, separadas em 1462, e de novo reunidas, em 1818. As duas dioceses têm juntas 159.000 católicos, 89 paróquias, 185 sacerdotes seculares, 27 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 380 igrejas ou capelas. — c) Ceneda, fundada na segunda metade do século vi>', tem 199.900 habitantes, 117 paróquias, 192 sacerdotes seculares, 28 sacerdotes regulares, 307 religiosas, 528 igrejas ou capelas. • d) Chioggia, fundada por volta de 681, tem 93.000 católicos, 32 paróquias, 12d sacerdotes seculares, 136 religiosas, 78 igrejas ou capelas. e) Concordia, fundada no século \ic; mas a sede episcopal foi, em 1586, transportada para Portogruaro, onde ainda se encontra; 302.500 católicos, 131 paróquias, 255 sacerdotes seculares, 2 sacerdotes regulares, 112 religiosas, 297 igrejas ou capelas. f) Pádua, fundada por volta de 480, por São Prosdócimo, tem 565 católicos, 321 paróquias, 817 sacerdotes seculares, 98 sacerdotes regulares, 100 religiosas, 157 igrejas ou capelas. ■ — g) Treviso, fundada em 320, tem 445.80' i católicos, 219 paróquias, 400 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 300 religiosas, 400 igrejas ou capelas. — h) Verona, fundada por volta de meados do século m", tem 100.500 católicos, 262 paróquias, 780 sacerdotes seculares, 132 sacerdotes regulares, 255 religiosas, 12 ! igrejas ou capelas. — i) Vicenza, talvez ainda mais antiga, tem 449.500 católicos, 219 paróquias, 708 sacerdotes seculares, 25 sacerdotes regulares, 515 religiosas, 468 igrejas ou capelas.

VI. TOSCANA. — 1° Dependente imediatamente da Santa Sé. — 1. Arcebispado: Lucca, de fundação muito antiga, erigida em arcebispado por Bento XIII, em 11 de setembro de 1726, tem 180.800 católicos, 246 paróquias, 512 sacerdotes seculares, 80 religiosas, 628 igrejas ou capelas.

2. Bispados. — a) Arezzo, igualmente antiga, tem 201.000 católicos, 300 paróquias, 400 sacerdotes seculares, 149 sacerdotes regulares, 150 religiosas, 436 igrejas ou capelas.

— b) Cortona, erigida por João XXII, em 13 de junho de 1325, tem 29.570 católicos, 50 paróquias, 81 sacerdotes seculares, 36 sacerdotes regulares, 90 religiosas, 60 igrejas ou capelas. — c) Montalcino, erigida sob Pio II, unida a Pienza, em 13 de julho de 1462, e separada por Clemente VIII, em 23 de maio LUI. tem 31.000 católicos, 31 paróquias, 74 sacerdotes seculares, 3 sacerdotes regulares, 85 igrejas ou capelas. — d) Montepulciano, erigida por Pio IV, em 10 de novembro de 1561, tem 15.000 católicos, 18 paróquias, 38 sacerdotes seculares, 6 sacerdotes regulares, 46 igrejas ou capelas.

2° Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Florença. — Florença, metrópole; sede antiga, erigida em arcebispado por Martinho V, em 1420, tem 50 • 500 católicos, 177 paróquias, 800 sacerdotes seculares, 400 sacerdotes regulares, 1600 religiosas, 1900 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Borgo San Sepolcra, erigida por Leão X, em 22 de setembro de 1515, tem católicos, 135 paróquias, 190 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 70 religiosas, 280 igrejas ou capelas.- b) Colle di Val d'Elsa, erigida por Clemente VIII, em 5 de junho tem 49.500 católicos, 72 paróquias, 605 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 10 religiosas, 117 igrejas ou capelas.- c) Fiesole, sede antiga, tem 145.000 católicos, 254 paróquias, 300 sacerdotes seculares, 93 sacerdotes regulares, 210 religiosas, 329 igrejas ou capelas.- d) San Miniato, erigida por Gregório XV, em 5 de dezembro, tem 98.130 católicos, 100 paróquias, 46 sacerdotes seculares, 12 sacerdotes regulares, 136 religiosas, 250 igrejas ou capelas. — e) Modigliana, erigida por Pio IX, em 17 de julho de 1850, tem 39.290 católicos, 83 paróquias, 146 sacerdotes seculares, 16 sacerdotes regulares, 100 religiosas, 144 igrejas ou capelas. f) Pistoia e Prato, erigidas no século v, unidas em 22 de setembro de 1653, por Inocêncio X. A diocese de Pistoia tem 159.750 católicos, a de Prato, 19.725. Juntas têm 104 paróquias, 335 sacerdotes seculares, 48 sacerdotes regulares, 380 igrejas ou capelas.

2. Província eclesiástica de Pisa. — Pisa, metrópole, fundada em 313, erigida em arcebispado por Urbano II, em 21 de abril de 1092, tem 190.000 católicos, 138 paróquias, 330 sacerdotes seculares, 110 sacerdotes regulares, 200 religiosas, 750 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Livorno, erigida por Pio VII, em 21 de setembro de 1806, tem 156.500 católicos, 33 paróquias, 85 sacerdotes seculares, 56 sacerdotes regulares, 220 religiosas, 67 igrejas ou capelas. — b) Pescia, erigida por Bento XIII, em 17 de março de 1726, tem 69.900 católicos, 38 paróquias, 125 sacerdotes seculares, 34 sacerdotes regulares, 135 religiosas, 66 igrejas ou capelas. — c) Pontremoli, erigida por Pio VI, em 18 de julho de 1707, tem 59.750 habitantes, 126 paróquias, 2u 1 sacerdotes seculares, 9 sacerdotes regulares, 30 religiosas, 361 igrejas ou capelas, d) Volterra, erigida no século \r, tem 99.550 católicos, 111 paróquias, 170 sacerdotes seculares, 36 sacerdotes regulares, 110 religiosas, 380 igrejas ou capelas.

3. Província eclesiástica de Siena. — Siena, metrópole, fundada por volta de 309, erigida em arcebispado por Pio II, em 23 de abril de 1459, tem 79.650 católicos, 111 paróquias, 200 sacerdotes seculares, 70 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 300 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Chiusi e Pienza. Chiusi foi fundada por São Florentino, em 165. Pienza foi erigida por Pio II, em 13 de agosto de 1462. As duas sedes foram unidas por Clemente XIV, em 1º de junho de 1772. Essas duas dioceses têm juntas 36.550 habitantes, 56 paróquias, 01 sacerdotes seculares, 50 sacerdotes regulares, 55 religiosas, 125 igrejas ou capelas. — b) Grosseto, fundada em 400, tem 30.250 católicos, 26 paróquias, 12 sacerdotes seculares, 13 religiosas, 57 igrejas ou capelas. — c) Massa Marittima, fundada em 495, tem 70.750 católicos, 20 paróquias, 60 sacerdotes seculares, 7 sacerdotes regulares, 54 religiosas, 61 igrejas ou capelas. — d) Sovana-Pitigliano, fundada no século vir, tem 38.350 católicos, l.s paróquias, 96 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 23 religiosas, 78 igrejas ou capelas.

VII. EMÍLIA. — 1° Bispados dependentes imediatamente da Santa Sé. ■ — 1. Borgo San Donnino, erigida por Clemente VIII, em 12 de fevereiro de 1601, tem 58.000 católicos, 54 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 28 igrejas ou capelas. ■ — 2. Parma, fundada em 373, tem 230.000 católicos, 300 paróquias, 407 sacerdotes seculares, 66 sacerdotes regulares, 99 religiosas, 406 igrejas ou capelas. — 3. Piacenza, fundada por volta de 322, tem 200.500 católicos, 351 paróquias, 75 sacerdotes seculares, 75 sacerdotes regulares, 1.200 igrejas ou capelas.

2° Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Módena. — Módena, metrópole, fundada em 270, tem 199.710 católicos, 170 paróquias, 455 sacerdotes seculares, 50 sacerdotes regulares, 250 religiosas, 450 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Carpi, erigida por Pio VI, em 1º de dezembro de 1770, tem 75.590 católicos, 31 paróquias, 78 sacerdotes seculares, 1 sacerdotes regulares, 55 religiosas, '" igrejas ou capelas. - b) Guastalla, erigida por Pio VII, em 13 de setembro de 1828, tem 59.590 católicos, 26 paróquias, 75 sacerdotes seculares, 51 religiosas, igrejas ou capelas. — c) Massa di Carrara, erigida por Pio VII, em 18 de fevereiro de 1822, tem 113.000 católicos, 213 paróquias, 250 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 201 religiosas, 276 igrejas ou capelas. — d) Reggio Emília, fundada por volta de 260, tem 175.000 católicos, 246 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 150 religiosas, 270 igrejas ou capelas.

Abadias e prelaturas nullius. — Nonantola, na província de Módena. Esta abadia foi fundada em meados do século vin'-, por Santo Anselmo, duque de Friuli. Pertenceu por muito tempo aos cistercienses; depois, reduzida a comenda, em favor dos cardeais da família d'Este ou de outros membros da mesma família, foi suprimida, durante uns cinquenta anos, na segunda metade do século zvm*, e em seguida restabelecida por Pio VII, em 23 de janeiro de 1821, mas, unida por ele à sede arquiepiscopal de Módena, Conta M paróquias, 69 sacerdotes e 35.000 habitantes.

VIII. ANTIGO REINO DE NÁPOLES. 1° Dependente imediatamente da Santa Sé. — 1. Arcebispados. — a) Amalfi, fundada no século vi«, erigida em arcebispado em 987, por João XV, tem 16.000 católicos, 54 paróquias, 203 sacerdotes seculares, 29 sacerdotes regulares. — b) L'Aquila, nos Abruzos, fundada em 680, erigida em arcebispado, em 1881, por Leão XIII, tem 107.000 católicos, 135 paróquias, 200 sacerdotes seculares, 29 sacerdotes regulares, 100 religiosas, 212 igrejas ou capelas.

- — c) Cosenza, fundada no século v«, erigida em arcebispado no século xic, tem 150.925 católicos, 110 paróquias, 138 sacerdotes seculares, 48 sacerdotes regulares, 70 religiosas, 264 igrejas ou capelas. — d) Gaeta, fundada no século vme, erigida em arcebispado, em 31 de dezembro de 1848 por Pio IX, tem 83.650 habitantes, 49 paróquias, 192 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 64 religiosas, 97 igrejas ou capelas. ■ — e) Rossano, fundada em 680, erigida em arcebispado em 1460, por Pio II, tem 69.735 católicos, 39 paróquias, 128 sacerdotes seculares, 20 religiosas, 50 igrejas ou capelas.

2. Bispados. — a) Aquino, Pontecorvo e Sora, três sedes unidas. Aquino foi fundada em 465; Pontecorvo lhe está unida desde 1725, e Sora, que foi fundada por volta de 275, foi-lhe unida por sua vez, em 1818. Juntas essas três dioceses têm uma população de 149.000 habitantes. Têm 72 paróquias, 261 sacerdotes seculares, 48 sacerdotes regulares, 90 religiosas, 336 igrejas ou capelas. — b) Aversa, fundada em 1049, tem 160.000 católicos, 55 paróquias, 350 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 200 religiosas, 377 igrejas ou capelas. — c) Cava e Sarno. Cava foi erigida, em 7 de agosto de 1394, por Bonifácio IX. A sede de Sarno, que foi fundada em 1066, foi-lhe unida em 1818. A diocese de Cava tem 28.000 habitantes, e a de Sarno, 36.000. Juntas têm 26 paróquias, 213 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 92 religiosas, 140 igrejas ou capelas. — d) Foggia, erigida em 26 de junho de 1855, por Pio IX, tem 98.000 católicos, 9 paróquias, 95 sacerdotes seculares, 13 sacerdotes regulares, 32 religiosas, 74 igrejas ou capelas. — e) Gravina e Montepeloso, na Apúlia. A sede de Gravina foi fundada em 876, e a de Montepeloso em 1460. Foram unidas em 9 de julho de 1818, por Pio VII. A diocese de Gravina tem 22.000 habitantes e a de Montepeloso, somente 7.500.

Juntas têm 9 paróquias, 49 sacerdotes seculares, 45 religiosas, 35 igrejas ou capelas. — f) San Marco e Bisignano. A primeira dessas sedes foi fundada no século xne; a de Bisignano remonta ao vme. Sua união data de 1818. Juntas têm 139.000 habitantes, 64 paróquias, 174 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 70 religiosas, 212 igrejas ou capelas. — g) Marsi, fundada antes do século vie por São Marcos, tem 159.000 católicos. O bispo reside agora em Pescina. A diocese tem 8 paróquias, 132 sacerdotes seculares, 25 sacerdotes regulares, 60 religiosas, 305 igrejas ou capelas. — h) Melfi e Rapolla. Essas duas sedes foram fundadas no século xie e unidas, em 16 de maio de 1528, por Clemente VII. Melfi tem 14.500 habitantes, e Rapolla 39.000. Juntas têm 13 paróquias, 65 sacerdotes seculares, 43 igrejas ou capelas. — i) Mileto, fundada no século xi-, foi, durante certo tempo, de rito grego. Tem 199.500 habitantes, 127 paróquias, 300 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 35 religiosas, 300 igrejas ou capelas. — j) Molfetta, Giovinazzo e Terlizzi, na Apúlia. Molfetta foi fundada no século xne; Giovinazzo e Terlizzi, no xie. As três foram unidas em 1818, por Pio VII. Molfetta tem 50.000 habitantes, Terlizzi, 24.000 e Giovinazzo, 12.000. Juntas têm 80 paróquias, 147 sacerdotes seculares, 17 sacerdotes regulares, 34 religiosas, 65 igrejas ou capelas. — k) Monopoli e Polignano.

Essas duas sedes, fundadas no século xr, foram unidas em 1818 por Pio VII. Juntas têm 59.760 habitantes, 80 paróquias, 137 sacerdotes seculares, 290 igrejas ou capelas. — l) Nardò, erigida em 13 de janeiro de 1413, por Gregório XII, tem 79.480 católicos, 16 paróquias, 133 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 24 religiosas, 77 igrejas ou capelas. — m) Penne e Atri. Essas duas sedes, fundadas no século v°, foram unidas no xme. Têm juntas 179.500 habitantes, 99 paróquias, 193 sacerdotes seculares, 51 sacerdotes regulares, 299 igrejas ou capelas. — n) Teramo, nos Abruzos, fundada no século vu1', tem 115.750 habitantes, 121 paróquias, 210 sacerdotes seculares, 25 sacerdotes regulares, 15 religiosas, 38 igrejas ou capelas. - — o) Trivento, fundada no século ive, por São Casto, tem 130.000 habitantes, 59 paróquias, 120 sacerdotes seculares, 25 religiosas, 133 igrejas ou capelas. — p) Troia, fundada no século xie, tem 29.500 católicos, 9 paróquias, 43 sacerdotes seculares, 6 sacerdotes regulares, 28 religiosas, 29 igrejas ou capelas. — q) Valva e Sulmona. Fundadas no século Ve, essas duas sedes foram unidas no xme. Juntas têm 149.500 católicos, 58 paróquias, 142 sacerdotes seculares, 48 sacerdotes regulares, 30 religiosas, 244 igrejas ou capelas.

2° Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Acerenza. — Acerenza, metrópole, fundada no início do século ive, foi erigida em arcebispado no xie. Foi-lhe unida a sede de Matera, cuja diocese tem apenas 19.700 habitantes, ao passo que a de Acerenza tem 128.200. Juntas, têm 32 paróquias, 165 sacerdotes seculares, 6 sacerdotes regulares, 48 religiosas, 167 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Anglona-Tursi, erigida em 8 de agosto de 1546, por Paulo III, tem 95.000 habitantes, 40 paróquias, 107 sacerdotes seculares, 4 religiosas, 120 igrejas ou capelas.— b) Potenza, fundada por volta de 495, tem 60.300 habitantes. Coisa curiosa: embora dependente da província eclesiástica de Acerenza, está unida a Marsico Nuovo, que depende da província de Salerno. Luni-Sarzana e Brugnato estão em caso semelhante. Potenza tem 11 paróquias, 70 sacerdotes seculares, 54 igrejas ou capelas. - — c) Tricarico, fundada no século xie, tem 79.000 habitantes, 25 paróquias, 170 sacerdotes seculares, 91 igrejas ou capelas. — d) Venosa, fundada no início do século ine, tem 45.000 católicos, 8 paróquias, 48 sacerdotes seculares, 4 sacerdotes regulares, 30 igrejas ou capelas.

2. Província eclesiástica de Bari. ■ — Bari, metrópole, fundada no século IVe, erigida em arcebispado no século vie, tem 299.500 habitantes, 33 paróquias, 260 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 200 religiosas, 264 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Conversano, fundada no século ve, tem 80 '. 00 habitantes, 7 paróquias, 123 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 130 religiosas, 130 igrejas ou capelas. — b) Ruvo e Bitonto, na Apúlia: Ruvo, fundada no século ve, tem 29.000 habitantes, Bitonto, fundada no vme, foi-lhe unida em 1818, e tem 29.210 católicos. Juntas contam 19 paróquias, 61 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 82 igrejas ou capelas.

3. Província eclesiástica de Benevento.

Benevento, de fundação antiga, erigida em arquidiocese no século X, tem 397 190 católicos, 138 paróquias, 805 sacerdotes seculares, 69 sacerdotes regulares, 130 religiosas, 463 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Sant'Agata dei Goti, fundada no século X, tem 29 500 católicos, 26 paróquias, 93 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 63 igrejas ou capelas. - b) Alife, fundada no v século, tem 25 4^0 habitantes, 17 paróquias, 50 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 14 religiosas, 54 igrejas ou capelas. c) Ariano, fundada no IX século, tem 49 730 habitantes, 21 paróquias, 118 sacerdotes seculares, 4 sacerdotes regulares, 30 religiosas, 95 igrejas ou capelas. — d) Ascoli-Satriano e Cerignola. A primeira dessas sedes foi fundada no xi século, e Cerignola lhe foi unida em 1818, por Pio VII. As duas dioceses têm juntas uma população de 70 115 habitantes, com 12 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 100 igrejas ou capelas. — e) Avellino, sede antiga, tem 107 200 habitantes, 34 paróquias, 160 sacerdotes seculares, 21 sacerdotes regulares, 65 religiosas, 90 igrejas ou capelas.

f) Boiano, fundada no xi século e, segundo alguns autores, no v, tem 89 160 habitantes, 40 paróquias, 175 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 10 religiosas, 134 igrejas ou capelas. - g) Bovino, fundada no v século, tem 30 000 habitantes, 10 paróquias, 65 sacerdotes seculares, 17 religiosas, 68 igrejas ou capelas. — h) Cerreto-Sannita ou Telese, fundada no v século, suprimida em 1818, restabelecida em 1852, tem 60 610 católicos, 21 paróquias, 110 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 113 igrejas ou capelas. i) Larino, fundada no x século, tem 67 000 habitantes, 21 paróquias, 101 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 26 religiosas, 57 igrejas ou capelas. — j) Lucera, fundada no ii século, tem 76 000 habitantes, 18 paróquias, 187 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 40 religiosas, 110 igrejas ou capelas, k) San Severo, fundada no vi século, tem 15 000 habitantes, 7 paróquias, 94 sacerdotes seculares, 25 igrejas ou capelas. — l) Termoli, fundada no x século, tem 19 630 habitantes, 19 paróquias, 57 sacerdotes seculares, 50 igrejas ou capelas.

4. Província eclesiástica de Brindisi. — Brindisi, fundada por São Leucius, no vi século, foi erigida em arquidiocese no x século. A sede de Ostuni, fundada no vi século, lhe foi unida em 1818, por Pio VII. Juntas têm 110 150 habitantes, 19 paróquias, 170 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 81 religiosas, 89 igrejas ou capelas.

5. Província eclesiástica de Cápua. — Cápua, sede muito antiga, erigida em arquidiocese, em 14 de julho de 966, por João XIII, tem 99 980 habitantes, 54 paróquias, 235 sacerdotes seculares, 18 sacerdotes regulares, 130 religiosas, 90 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Caiazzo, fundada antes do viii século, tem 26 618 habitantes, 35 paróquias, 78 sacerdotes seculares, 72 igrejas ou capelas. — b) Calvi e Teano foram unidas por Pio VII, em 1818. Juntas têm 71 345 habitantes, 103 paróquias, 153 sacerdotes seculares, 24 sacerdotes regulares, 80 religiosas, 225 igrejas ou capelas. — c) Caserta, fundada no xii século, tem 96 260 habitantes, 51 paróquias, 215 sacerdotes seculares, 36 sacerdotes regulares, 176 igrejas ou capelas. — d) Isernia e Venafro. A primeira dessas sedes foi fundada em 450, por São Bento. Venafro lhe foi unida no xi século. Juntas têm 46 790 católicos, 39 paróquias, 98 sacerdotes seculares, 3 sacerdotes regulares, 24 religiosas, 105 igrejas ou capelas. — e) Sessa Aurunca, sede muito antiga, tem 49 170 católicos, 42 paróquias, 80 sacerdotes seculares, 103 igrejas ou capelas.

6. Província eclesiástica de Chieti. — Chieti, metrópole, sede antiga, erigida em arquidiocese em 1525. Pio IX, em 20 de maio de 1853, uniu-lhe a perpetuidade a diocese de Vasto, que acabava de criar. Juntas têm 262 850 católicos, 115 paróquias, 263 sacerdotes seculares, 32 sacerdotes regulares, 442 igrejas ou capelas.

7. Província eclesiástica de Conza. — Conza, metrópole, fundada no xi século, recebeu, em 1818, a administração perpétua do bispado de Campagna, erigido em 19 de junho de 1525, por Clemente VII. Juntas essas duas dioceses têm 119 650 católicos, 37 paróquias, 203 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 30 religiosas, 200 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Sant'Angelo dei Lombardi e Bisaccia. Essas duas sedes, fundadas no xii século, foram unidas no xvi. Juntas têm 43 000 católicos, 9 paróquias, 118 sacerdotes seculares, 30 igrejas ou capelas. — b) Lacedonia conta 27 300 habitantes, 11 paróquias, 95 sacerdotes seculares, 51 igrejas ou capelas. - c) Muro Lucano, fundada em 1049, por São Leão IX, tem 39 180 habitantes, 11 paróquias, 85 sacerdotes seculares, 22 igrejas ou capelas.

8. Província eclesiástica de Lanciano. Lanciano, metrópole, fundada em 27 de junho de 1515, por Leão X, foi erigida em arquidiocese em 9 de fevereiro de 1652, por Pio IV. O bispado de Ortona, fundado no v século, lhe foi unido em 1834. Juntas têm 71 900 habitantes, 20 paróquias, 100 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 25 religiosas, 200 igrejas ou capelas.

9. Província eclesiástica de Manfredonia. — Manfredonia recebeu, em 1818, a administração perpétua do bispado de Vieste, fundado no xii século, e que tem apenas 8 000 habitantes, ao passo que Manfredonia tem 99 980. Juntas têm 18 paróquias, 176 sacerdotes seculares, 14 sacerdotes regulares, 15 religiosas, 165 igrejas ou capelas.

10. Província eclesiástica de Nápoles. — Nápoles, metrópole, fundada no i século (?), erigida em arquidiocese no x, tem 669 500 católicos, 106 paróquias, 1 875 sacerdotes seculares, 800 sacerdotes regulares, 2 000 religiosas, 1105 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Acerra, fundada no v século, tem 37 280 católicos, 12 paróquias, 98 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 44 igrejas ou capelas. — b) Ischia, fundada no xii século, tem 29 000 católicos, 14 paróquias, 138 sacerdotes seculares, 9 sacerdotes regulares, 89 igrejas ou capelas. — c) Nola, fundada por volta do fim do i século (?), tem 189 000 católicos, 86 paróquias, 474 sacerdotes seculares, 54 sacerdotes regulares, 120 religiosas, 432 igrejas ou capelas. — d) Pozzuoli, sede igualmente antiga, tem 59 000 católicos, 10 paróquias, 94 sacerdotes seculares, 30 religiosas, 94 igrejas ou capelas.

11. Província eclesiástica de Otranto. — Otranto, metrópole, fundada no v século, tem 89 150 católicos, 56 paróquias, 260 sacerdotes seculares, 150 religiosas, 325 igrejas ou capelas.

Sufragâneas: a) Gallipoli, de fundação antiga, tem 19 220 habitantes, 3 paróquias, 42 sacerdotes seculares, 25 igrejas ou capelas. — b) Lecce, fundada no xic século, tem 00 360 habitantes, 32 paróquias, 220 sacerdotes seculares, 70 sacerdotes regulares, 125 religiosas, 123 igrejas ou capelas. — c) Ugento, fundada no xn" século, tem 50 500 católicos, 30 paróquias, 120 sacerdotes seculares, 115 igrejas ou capelas.

12. Província de Reggio di Calabria. — Reggio, fundada no ivc século, tem 195 000 católicos, 89 paróquias, 180 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 200 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Bova, fundada no vnc século, tem 20 500 católicos, M paróquias, 23 sacerdotes seculares, 0 sacerdotes regulares, 34 igrejas ou capelas. — b) Cassano all'Ionio, fundada no v século, tem 126 000 católicos, :"ii paróquias, 253 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 12 religiosas, 200 igrejas ou capelas. — c) Catanzaro, fundada no xn" século, tem S."i 000 católicos, 18 paróquias, 80 sacerdotes seculares, 8 sacerdotes regulares, 36 religiosas, 97 igrejas ou capelas. — clé no M' século, tem 1 .'> 000 católicos, 0 paróquias, 30 sacerdotes seculares, 26 religiosas, 30 igrejas ou capelas. c) Gerace, fundada no v século, tem católicos, 70 paróquias, 250 sacerdotes seculares, 80 igrejas ou capelas. — f) Nicastro, fundada no ic, j oo 500 católicos, 53 paróquias, 130 sacerdotes seculares, 5 sacerdotes regulares, 60 igrejas ou capelas. — g) Nicotera e Tropea. As duas sedes, fundadas no ix século, estão unidas desde 1818. Juntas têm 47 900 habitantes, 72 paróquias, 205 sacerdotes seculares, 5 sacerdotes regulares, 132 igrejas ou capelas. — h) Oppido, fundada no xiii século, tem 28 470 católicos, 19 paróquias, 41 sacerdotes seculares, 30 igrejas ou capelas. — i) Squillace, fundada no v século, tem 99 450 católicos, 52 paróquias, 192 sacerdotes seculares, 30 sacerdotes regulares, 120 igrejas ou capelas.

13. Província eclesiástica de Salerno. — Salerno, metrópole, fundada no v século. Pio VII, em 1818, uniu-lhe o bispado de Acerno, fundado no xii século, e que tem apenas 2 634 habitantes. Salerno tem 149 300, com 156 paróquias, 620 sacerdotes seculares, 381 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Capaccio-Vallo, fundada no v século, tem 120 240 católicos, 102 paróquias, 156 sacerdotes seculares, 14 sacerdotes regulares, 282 igrejas ou capelas. — b) Diano, ou Teggiano, erigida em 21 de setembro de 1850, por Pio IX. Tem 97 000 católicos, 44 paróquias, 171 sacerdotes seculares, 73 igrejas ou capelas. — c) Marsico Nuovo, fundada em 370, tem 36 190 católicos, e está unida a Potenza, que depende da província eclesiástica de Acerenza. Tem 11 paróquias, 50 sacerdotes seculares, 50 igrejas ou capelas. — d) Nocera dei Pagani, fundada no v século, tem 70 850 católicos, 18 paróquias, 180 sacerdotes seculares, 50 sacerdotes regulares, 28 igrejas ou capelas. — e) Nusso, fundada no xii século, tem 40 300 habitantes, 19 paróquias, 107 sacerdotes seculares, 34 religiosas, 118 igrejas ou capelas. — f) Policastro, fundada no vi século, tem 64 000 católicos, 38 paróquias, 195 sacerdotes seculares, 9 sacerdotes regulares, 234 igrejas ou capelas.

14. Província eclesiástica de Santa Severina. — Santa Severina, metrópole, fundada no x século, tem 42 000 católicos, 23 paróquias, 67 sacerdotes seculares, 16 sacerdotes regulares, 53 igrejas ou capelas. Sufragânea: Cariati, fundada no xii século, tem 49 000 habitantes, 30 paróquias, 64 sacerdotes seculares, 70 igrejas ou capelas.

15. Província eclesiástica de Sorrento. — Sorrento, metrópole, fundada no v século, arquidiocese no x, tem 55 000 católicos, 36 paróquias, 266 sacerdotes seculares, 34 sacerdotes regulares, 197 religiosas, 235 igrejas ou capelas. Sufragânea: Castellammare di Stabia, fundada no v século, tem 70 250 católicos, 25 paróquias, 200 sacerdotes seculares, 20 sacerdotes regulares, 70 religiosas, 100 igrejas ou capelas.

16. Província eclesiástica de Tarento. — Tarento, metrópole, fundada no vi século, arquidiocese no x, tem 98 150 católicos, 26 paróquias, 180 sacerdotes seculares, 27 sacerdotes regulares, 172 religiosas, 335 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Castellaneto, fundada no xi século, tem 38 600 católicos, 6 paróquias, 52 sacerdotes seculares, 48 religiosas, 4 paróquias. — b) Oria, ou Oritana, fundada no ix século, tem 84 000 católicos, 15 paróquias, 132 sacerdotes seculares, 51 sacerdotes regulares, 42 religiosas, 122 igrejas ou capelas.

17. Província eclesiástica de Trani-Barletta e Bisceglie. — Trani, fundada no ii século, tornou-se arquidiocese no xi. Pio VII, em 1818, uniu-lhe o bispado de Bisceglie, fundado no ii século. Juntas têm 103 000 católicos, 52 paróquias, 76 sacerdotes seculares, 5 sacerdotes regulares, 110 religiosas, 81 igrejas ou capelas. Sufragânea: Andria, na Apúlia, fundada no v século. Pio VI, em 1792, incorporou-lhe a diocese de Minervino. Juntas têm 97 650 habitantes, 15 paróquias, 200 sacerdotes seculares, 5 sacerdotes regulares, 40 religiosas, 53 igrejas ou capelas.

Assim, a parte da Itália atual que corresponde ao antigo reino de Nápoles, além das arquidioceses que dependem imediatamente da Santa Sé, tem 17 províncias eclesiásticas, quase tantas quanto a França inteira, e uma centena de bispados, mais do que há na França atual, incomparavelmente mais extensa em superfície, e também mais importante pelo número de sua população. Várias dessas sedes, é preciso reconhecê-lo, não têm grande importância; mas a maior parte remonta a uma antiguidade bastante alta, e a Igreja, sempre respeitosa das tradições, as mantém, ou as une a outras, para deixá-las subsistir.

3° Abadias e prelazias nullius. — 1. Abadia de Monte Cassino. — Situada entre Roma e Nápoles, mais ou menos à mesma distância dessas duas cidades, esta abadia foi fundada por São Bento. Teve, outrora, um território muito considerável, e o superior havia obtido do papa Vítor II o privilégio de ser chamado abade dos abades, assim como o de ser nomeado no cânon da missa: et Antistite nostro N. Conta ainda atualmente 58 paróquias, 252 sacerdotes, 214 igrejas e 130 000 habitantes.

2. Abadia de Montevergine. — Situada no antigo reino de Nápoles, perto de Avellino, esta abadia foi fundada nos últimos anos do xi século, por volta de 1089, por São Guilherme de Vercelli. Conta 7 paróquias, 27 sacerdotes e 9 000 habitantes.

3. Abadia da Santíssima Trindade de Cava dei Tirreni.

Esta abadia, fundada perto de Salerno, no antigo reino de Nápoles, no fim do xe século, por São Alférius de Salerno, pertenceu, primeiro, à ordem de Cluny, durante quatrocentos anos. Foi então erigida em diocese, depois devolvida aos beneditinos, no fim do xve século. Conta 15 paróquias, 55 sacerdotes e 35 000 habitantes.

4. Prelazia de Altamura e de Acquaviva delle Fonti, na província de Bari, antigo reino de Nápoles. — A prelazia de Altamura foi declarada isenta, em 1248, pelo papa Inocêncio IV; a de Acquaviva, na Campânia, foi unida à precedente em 17 de agosto de 1848, por Pio IX. A primeira conta 4 paróquias e 19 300 habitantes; a segunda tem apenas uma paróquia e 8 570 habitantes. Há, ao todo, 80 sacerdotes. O titular é revestido do caráter episcopal.

IX. SICÍLIA. — 1° Dependendo imediatamente da Santa Sé. — 1. Arquidiocese: Catânia, sede muito antiga, erigida em arquidiocese em 1168, tem 376 000 católicos, 43 paróquias, 374 sacerdotes seculares, 112 sacerdotes regulares, 160 religiosas, 133 igrejas ou capelas. 2. Bispado: Acireale, erigido em 27 de junho de 1844, por Gregório XVI, tem 163 000 católicos, 11 paróquias, 375 sacerdotes seculares, 70 sacerdotes regulares, 225 religiosas, 305 igrejas ou capelas.

2. Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Messina. — Messina, metrópole, fundada no ve século, erigida em arquidiocese no xiie, tem 286 780 católicos, 139 paróquias, 300 sacerdotes seculares, 540 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Lipari, fundada no m° século, por São Agatão, tem 25 000 católicos, 16 paróquias, 40 sacerdotes seculares, 16 religiosas, 50 igrejas ou capelas. — b) Nicósia, erigida em 17 de março de 1816, por Pio VII, tem 120 000 católicos, 23 paróquias, 180 sacerdotes seculares, 26 sacerdotes regulares, 100 religiosas, 150 igrejas ou capelas. — c) Patti, fundada no xie século, tem 186 650 católicos, 49 paróquias, 324 sacerdotes seculares, 43 sacerdotes regulares, 50 religiosas, 520 igrejas ou capelas.

2. Província eclesiástica de Monreale. — Monreale, metrópole, fundada em 1176, por Alexandre III; erigida pouco depois em arquidiocese, tem 195 130 católicos, 30 paróquias, 352 sacerdotes seculares, 66 sacerdotes regulares, 94 religiosas, 218 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Caltanissetta, erigida em 25 de maio de 1844, por Gregório XVI, tem 149 000 católicos, 18 paróquias, 250 sacerdotes seculares, 28 sacerdotes regulares, 108 religiosas, 82 igrejas ou capelas. — b) Girgenti, de fundação antiga, tem 415 000 católicos, 07 paróquias, 485 sacerdotes seculares, 50 sacerdotes regulares, 115 religiosas, 309 igrejas ou capelas. — c) I'iazza-Armerina. Esta sede foi erigida em 3 de julho de 1817. Tem 205 000 católicos, 25 paróquias, 265 sacerdotes seculares, 10 sacerdotes regulares, 100 religiosas, 180 igrejas ou capelas.

3. Província eclesiástica de Palermo. — Palermo, metrópole, fundada no ne século (?), erigida em arquidiocese por Gregório VII, tem 543 000 católicos, 50 paróquias, 735 sacerdotes seculares, 50 sacerdotes regulares, 1 070 religiosas, 584 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Cefalù, fundada no ixe século, tem 139 2X1 católicos, 22 paróquias, 301 sacerdotes seculares, 15 sacerdotes regulares, 110 religiosas, 265 igrejas ou capelas. — b) Mazara del Vallo, fundada no xie século, tem 200 4X0 católicos, 24 paróquias, 322 sacerdotes seculares, 35 sacerdotes regulares, 117 religiosas, 200 igrejas ou capelas. — c) Trapani, erigida em 31 de maio de 1844, por Gregório XVI, tem 70 600 católicos, 13 paróquias, 105 sacerdotes seculares, 60 religiosas, 105 igrejas ou capelas.

4. Província eclesiástica de Siracusa. — Siracusa, metrópole, fundada talvez desde o ne século, erigida em arquidiocese em 17 de fevereiro de 1844, por Gregório XVI, tem 280 000 católicos, 31 paróquias, 123 sacerdotes seculares, 14 sacerdotes regulares, 354 religiosas, 145 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Caltagirone, erigida em 12 de setembro de 1818, por Pio VII, tem 115 960 católicos, 25 paróquias, 199 sacerdotes seculares, 48 sacerdotes regulares, 43 religiosas, 112 igrejas ou capelas. — b) Noto, erigida em 15 de março de 1844, por Gregório XVI, tem 199 434 católicos, 20 paróquias, 277 sacerdotes seculares, 74 sacerdotes regulares, 200 religiosas, 102 igrejas ou capelas.

3° Abadias e prelazias nullius. — 1. Abadia de Santa Lucia del Mela. Situada na província de Messina, esta abadia tinha à frente um abade dotado de todos os privilégios episcopais, embora não pertença a nenhuma ordem religiosa. Conta 7 paróquias, 76 sacerdotes e 13 350 habitantes. Sua administração foi confiada, depois, ao arcebispo de Messina.

2. Abadia do Santíssimo Salvador de Messina. — É um arquimandritado da ordem de São Basílio, fundado em meados do xie século, pelo rei da Sicília, Rogério. Estendia sua autoridade sobre 10 comunas, compreendendo 20 paróquias, com 23 300 habitantes. Leão XIII, em 31 de agosto de 18X3, uniu-o à arquidiocese de Messina.

X. SARDENHA. — 1° Províncias eclesiásticas. — 1. Província eclesiástica de Cagliari. — Cagliari, metrópole, fundada no ive século, tem 199 850 habitantes, 81 paróquias, 160 sacerdotes seculares, 40 sacerdotes regulares, 80 religiosas, 118 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Galtelli-Nuoro, fundada no ve século, tem 66 220 habitantes, 25 paróquias, 66 sacerdotes seculares, 3 sacerdotes regulares, 213 igrejas ou capelas. — b) Iglesias, fundada no ve século, tem 98 750 habitantes, 24 paróquias, 41 sacerdotes seculares, 39 igrejas ou capelas. — c) Ogliastro, fundada no xie século, tem 49 050 habitantes, 29 paróquias, 46 sacerdotes seculares, 53 igrejas ou capelas.

2. Província eclesiástica de Oristano. — Oristano, metrópole, fundada no xe século, tem 96 900 habitantes, 74 paróquias, 153 sacerdotes seculares, 18 sacerdotes regulares, 37 religiosas, 152 igrejas ou capelas. Sufragânea: Ales e Terralba. — Ales foi fundada em 687, e Terralba em 1144. As duas sedes foram unidas, em 1521. Juntas têm 59 600 habitantes, 42 paróquias, 83 sacerdotes seculares, 108 igrejas ou capelas.

3. Província eclesiástica de Sassari. — Sassari, metrópole, fundada no ve século, erigida em arquidiocese no xie, tem 132 000 habitantes, 35 paróquias, 117 sacerdotes seculares, 41 sacerdotes regulares, 69 religiosas, 123 igrejas ou capelas. Sufragâneas: a) Alghero, fundada em 8 de dezembro de 1503, por Júlio II, que uniu, para isso, os bispados de Castro e de Ottana. A diocese que resultou dessa união tem 54 300 habitantes, 26 paróquias, 80 sacerdotes seculares, 120 igrejas ou capelas. — b) Ampurias, ou Castelsardo e Tempio.

Ampurias foi fundada em 1113; Tempio o foi em 304, por São Simplício: as duas sedes foram unidas em 1506. Juntas têm 41 080 habitantes, 26 paróquias, 62 sacerdotes seculares, 107 igrejas ou capelas. — c) Bisarchio, fundada no xiie século, tem 32 210 habitantes. O bispo reside em Ozieri. A diocese conta 24 paróquias, 87 sacerdotes seculares, 116 igrejas ou capelas. — d) Bosa, fundada no ve século, tem 30 200 habitantes, 20 paróquias, 55 sacerdotes seculares, 104 igrejas ou capelas. A Sardenha, dividida em 3 províncias eclesiásticas, tem, portanto, 11 sedes episcopais, ao passo que a Córsega, sua vizinha, tem apenas uma, a de Ajaccio.

XI. PAÍSES RECENTEMENTE ANEXADOS À ITÁLIA, APÓS A GUERRA DE 1914-1918. — 1° Dependendo imediatamente da Santa Sé. — 1. Bressanone, no Tirol, que dependia anteriormente de Salzburgo, foi fundada no ive século por São Cossiano, foi sufragânea de Aquileia até 798; tem 479 426 católicos, 397 paróquias, 892 sacerdotes seculares, 630 sacerdotes regulares. — 2. Trento, que dependia igualmente de Salzburgo, fundada por São Jovino, por volta do iiie século, tem 594 000 católicos, 464 paróquias de língua italiana, 165 paróquias de língua alemã, 950 sacerdotes seculares, 63 sacerdotes regulares.

2° Província eclesiástica de Gorizia. — Gorizia é arquidiocese desde 1751; tem 275 748 católicos, 110 paróquias, 293 sacerdotes seculares, 64 sacerdotes regulares, 378 igrejas ou capelas. Sufragâneas. — a) Capodistria, unida a Trieste, desde 1828. — b) Parenzo e Pola, na Ístria, anteriormente da Áustria. Parenzo foi fundada no vie século, por São Eufrásio; Pola o foi em 502. Essas duas sedes foram unidas por Leão XII, em 1828. Juntas têm 142 000 católicos, 72 paróquias, 149 sacerdotes seculares, 7 sacerdotes regulares. — c) Trieste, na Carniola e na Ístria, foi fundada em 524. Capodistria lhe foi unida em 1828. Juntas têm 409 800 católicos, 200 paróquias, 316 sacerdotes seculares, 45 sacerdotes regulares.

XII. OBSERVAÇÕES GERAIS. — A exposição precedente, a respeito das divisões eclesiásticas da Itália, sugere algumas observações de ordem geral, fecundas em considerações práticas.

1° Com uma superfície que mal chega à metade da da França e com uma população sensivelmente inferior, a Itália, que tem cerca de 300 sedes episcopais, tem quase quatro vezes tantas quanto a França, e de cinco a seis vezes mais, se se levar em conta a extensão respectiva da superfície dos dois territórios. A França, com efeito, tem, em média, apenas um bispo por departamento; a Itália tem um, em média, por subprefeitura, e até mais ainda, pois suas prefeituras e subprefeituras não passam do número de 284. Por essa restrição do território submetido à sua jurisdição e pela diminuição do número da população de que têm o encargo, os bispos italianos podem mais facilmente conhecer seu clero e os fiéis, administrar regularmente o sacramento da confirmação a suas ovelhas, fazer a visita frequente de todo o seu diocese, nos prazos prescritos pelos santos cânones. Mas, por outro lado, com dioceses tão restritas, encontram dificilmente os recursos que lhes seriam necessários para estabelecer grandes e pequenos seminários, ou outras obras de interesse geral. Muitos até não os encontram de modo algum.

2° As estatísticas precedentes mostram-nos, além disso, com que rapidez a Itália abraçou o catolicismo, desde os tempos apostólicos. Com efeito, antes do fim do \" século, podia haver na Itália um certo número de sedes episcopais. Em todo caso, é preciso contar entre as mais antigas: Roma, Arezzo, Benevento, Brescia, Cápua, Catânia, Florença, Fiesole, Foligno, Girgenti, Lucca, Manfredonia, Milão, Nápoles, Nola, Óstia, Pádua, Pavia, Pozzuoli, Ravena, Reggio di Emilia, Spoleto, Terracina, Tivoli, Tolentino. Assinalemos também, entre as cidades secundárias, as sedes de Avellino, de Calvi, de Césène, de Chieti, de Nepi, de Sessa Arunca, etc. Viriam em seguida as de Belluno, Forlì, Palermo, Perúgia, Siracusa, Terni, Vicenza, mais as de Bisceglie, Fano, Lucera, Trani, etc. No iiie século, as de Assis, Bolonha, Camerino, Faenza, Fermo, Frascati, Gênova, Lipari, Lodi, Módena, Pesaro, Porto, Rimini, Sarsina, Sora, Venosa, Verona. Por volta de meados do iiie século, podia haver na Itália uma centena de sedes episcopais. No ive século, as de Albano, Bari, Bergamo, Cagliari, Civitavecchia, Como, Cremona, Ferrara, Novara, Parma, Pisa, Piacenza, Reggio di Calabria, Siena, Teano, Treviso, Turim, Vercelli; mais as de Acerenza, Acqui, Alba, Ascoli, Bosa, Marsico Nuovo, Tortona, Trivento, etc. No Ve século, encontramos 46 novas sedes, entre as quais: Albenga, Anagni, Ancona, Aquino, Aosta, Asti, Cassano all'Ionio, Castellammare di Stabia, Chiusi, Città di Castello, Corneto Tarquinia, Cosenza, Fabiano, Gerace, Grossetto, Ivrea, Marsi, Massa Marittima, Messina, Nocera dei Pagani, Otranto, Pistoia, Potenza, Prato, Salerno, Sassari, Sabina, Sorrento, Sulmona, Velletri, etc. Nos séculos seguintes, as sedes episcopais se multiplicam ainda mais.

3° Quanto ao número de sua população respectiva, as dioceses da Itália podem classificar-se em diversas categorias bem distintas. 1. Duas dioceses têm menos de 5 000 almas. São as duas dioceses suburbicárias de Óstia e de Porto. Algumas outras dioceses, consideradas individualmente, deveriam ser colocadas nesta categoria. Mas estão unidas a outras dioceses, nas quais estão agora englobadas. 2. Sete têm menos de 10 000 almas; estão igualmente unidas a outras sedes. 3. Treze têm somente de 10 000 a 20 000 almas. Desse número, a metade pertence aos antigos Estados da Igreja, cinco ao antigo reino de Nápoles, um à Toscana e um à Sicília. 4. Trinta e seis têm de 20 000 a 30 000 almas, das quais dezenove se encontram nos antigos Estados da Igreja, treze no antigo reino de Nápoles, quatro na Toscana. 5. Trinta e sete têm de 30 000 a 40 000 almas, e vinte e três de 40 000 a 50 000 almas. 6. Quarenta dioceses têm de 50 000 a 75 000 almas. 7. Quarenta e uma têm de 75 000 a 100 000 almas. Dessas, seis pertencem aos antigos Estados da Igreja. 8. Trinta e nove têm de 100 000 a 150 000 almas. 9. Vinte e quatro têm de 150 000 a 200 000 almas. 10. Oito têm de 200 000 a 300 000 almas: Bari, Siracusa, Piacenza, Tortona, Chieti, Mântua, Messina, Vercelli. 11.

Sete têm de 300 000 a 400 000 almas: Benevento, Bergamo, Catânia, Como, Cremona, Novara, Verona. 12. Quatro têm de 400 000 a 500 000 almas: Gênova, Girgenti, Treviso, Vicenza. 13. Sete têm mais de 500 000 almas: Florença, Nápoles, Pádua, Palermo, Roma, Turim, Údine. 14. Uma, por fim, tem mais de um milhão de almas: é Milão.

III. Situação jurídica da Igreja católica. — 1° Situação jurídica do sumo pontífice. — 1. Desde a ocupação de Roma pelo rei Vítor Emanuel, em 20 de setembro de 1870, e a abolição violenta do poder temporal, o papa se encontra numa situação anormal. Para dar uma aparência de satisfação às potências católicas do mundo inteiro, o governo italiano havia, primeiro, proposto ao papa deixar-lhe a cidade Leonina, que, cercada de muralhas, forma como uma cidade separada, na extremidade sudoeste da cidade eterna. Por intermédio do cardeal Antonelli, secretário de Estado, Pio IX recusou esse presente perigoso. Preferiu permanecer no Vaticano, despojado de todo poder temporal.

2. Para proclamar, diante do mundo inteiro, que o papa, apesar de suas queixas, era livre, e não prisioneiro, o governo italiano fez, pois, propor às Câmaras uma lei, dita das garantias, que apareceu na Gazzetta Ufficiale, em 15 de maio de 1871. Antes de examinar em detalhe essa lei, notemos que ela é um ato puramente interno, e não tem de modo algum caráter internacional. Se foi comunicada aos governos estrangeiros, foi não para lhes pedir a aprovação, mas para prevenir suas possíveis reclamações sobre a sorte feita ao sumo pontífice. Mas os legistas italianos não cessaram de afirmar que essa lei não poderia ser modificada sob influência estrangeira. O sucessor de São Pedro nem por isso deixava de estar sub dominatione hostili constitutus. Eis por que, no próprio dia em que a lei das garantias, tendo sido votada pelas Câmaras, era impressa no Diário Oficial italiano, Pio IX dirigia a todos os bispos e a todos os fiéis do mundo uma encíclica, na qual reiterava seus protestos contra a ocupação do domínio da Santa Sé, e afirmava não poder aceitar as imunidades ou garantias imaginadas pelo governo piemontês. Ao concluir, exprimia o voto de que os príncipes deste mundo, pondo em comum sua influência, devolvessem à Santa Sé seus direitos imprescritíveis, injustamente violados, e ao vigário de Jesus Cristo a liberdade plena e inteira de que necessita para exercer seu ministério supremo junto a todas as nações do universo. Esses protestos foram renovados em sua alocução aos cardeais, em 27 de outubro de 1871.

Dez anos depois, seu sucessor na cátedra de São Pedro não falava outra linguagem. Afirmava que a situação que lhe era feita por essa pretensa lei das garantias era intolerável e que acarretava asperam multisque de causis non ferendam conditionem. Leão XIII, Allocutio ad S. R. E. Cardinales, 4 aug. 1881. Quarenta anos depois, Pio X exprimia-se do mesmo modo numa carta pública, ao cardeal Respighi, seu vigário, a propósito do discurso pronunciado pelo prefeito de Roma, o judeu Nathan, na Porta Pia, para celebrar o aniversário da entrada dos piemonteses na cidade eterna. O mesmo pontífice, cinco anos depois, reiterou esses protestos no Livro Branco, publicado em 1905, pela tipografia vaticana: La séparation de l'Église et de l'État en France. Exposé et Documents, p. 107.

3. O artigo primeiro da lei das garantias proclama que a pessoa do sumo pontífice é sagrada e inviolável. Os atentados contra sua pessoa e a provocação a cometê-los serão punidos com as mesmas penas que os atentados e as provocações contra a pessoa do rei. Quanto às ofensas e injúrias públicas feitas diretamente contra a pessoa do sumo pontífice por discursos ou outros meios, serão levadas à corte de júri. Mas como o artigo segundo dessa mesma lei declara que as discussões sobre matérias religiosas são inteiramente livres, segue-se que essa pretensa inviolabilidade do sumo pontífice é estritamente pessoal, e não se estende, de modo algum, para fora de sua pessoa. Seu ministério e a dignidade de seu cargo não participam dela. A lei que proibia atacar pessoalmente Pio IX e seus sucessores permitia a todos os cidadãos atacar o papa e o papado, pois, sendo as discussões sobre matérias religiosas absolutamente livres, os inimigos da Igreja podem, em toda a Itália e na própria Roma, sob os olhos do Santo Padre, escrever e dizer tudo o que seu ódio lhes inspirar contra o primado de Pedro, contra o sumo pontificado e contra o próprio papa, enquanto papa.

4. Muita gente, sem estar muito a par do verdadeiro estado das coisas, falou muito da pretensa extraterritorialidade ou da absoluta propriedade dos palácios apostólicos do Vaticano e do Latrão. Cf. Jousset, L'Italie, in-4°, Paris, 1910, p. 313. Mas a lei das garantias não fala em lugar nenhum dessa extraterritorialidade, nem de uma propriedade absoluta. Diz apenas, tit. i, a. 5, que o sumo pontífice continuará « a gozar desses palácios com todos os edifícios, jardins e terrenos que lhes são anexos ou deles dependem. » As expressões de que a lei se serve em seguida mostram claramente que ela considera esses palácios e os terrenos adjacentes não como um enclave independente no reino da Itália, mas simplesmente como uma porção do território nacional, da qual o Estado ainda não tomou posse, e que deixa, por ora, ao usufruto do papa. Além disso, no artigo 1, reserva expressamente ao governo italiano tomar, quando julgar oportuno, a administração dos museus do Vaticano e de sua biblioteca. O governo proclama-se, pois, proprietário deles, qualidade que recusa ao papa, declarando que esses palácios e seu conteúdo são inalienáveis, e que todos os atos de propriedade a eles concernentes estão submetidos às leis do reino. Ver, a esse propósito, na Nuova Antologia de 1er mai 1912, um artigo significativo de Luigi Parpagliolo, I monumenti vaticani e lo stato italiano. Ver também na Civiltà cattolica, do ano de 1904, uma série de artigos publicados depois em volume separado e intitulado: Di chi è il Vaticano? Sua estra-terrioralità, t. i, p. 9 sq., 145, 295, 385; t. ii, p. 257 sq., 513 sq.

O artigo 7 diz bem, é verdade, que nenhum oficial da autoridade pública, ou agente da força pública, pode, para cumprir os atos de seu ofício, introduzir-se nos palácios ou local de residência habitual, ou de morada temporária, do sumo pontífice; mas é de notar que essa isenção não é perpétua, segundo a lei: se o papa fosse instalar-se na vila de Castel Gandolfo, também deixada à sua disposição, os agentes das autoridades italianas poderiam entrar no Vaticano, para aí exercer, então, suas funções, como podem fazê-lo, em qualquer dia, na vila de Castel Gandolfo, aonde o papa nunca quis ir, desde 1870, pois a lei especifica bem que a entrada nesses palácios só lhes é proibida quando o papa neles reside; é, portanto, simplesmente por deferência à pessoa do papa que a lei proíbe a seus agentes introduzir-se nos palácios que ele habita; mas não lhes reconhece de modo algum a extraterritorialidade. Aliás, a lei que anexa Roma ao território italiano não fez nenhuma exceção. De fato, o Vaticano não foi tomado; mas poderia sê-lo, como o foi o palácio do Quirinal: nenhum texto de lei se opõe a isso.

5. Nesse palácio do Vaticano, cuja propriedade não lhe é oficialmente reconhecida, o papa se considera prisioneiro. Pio IX nunca saiu dele, nem Leão XIII, nem Pio X, nem Bento XV. Sem dúvida a lei das garantias permite ao papa sair para todos os atos de seu ministério; mas, praticamente, as coisas são bem outras. As cenas odiosas que se produziram por ocasião da transferência dos restos mortais de Pio IX, da basílica de São Pedro para a basílica de São Lourenço Fora dos Muros, na noite de 11 para 12 de julho de 1881, dez anos, no entanto, após a entrada dos italianos em Roma, mostram a que injúrias teria podido ser exposto o sumo pontífice, se tivesse atravessado as ruas de Roma, em pompa solene, para ir a alguma cerimônia religiosa ou, com menos aparato, simplesmente para passear. Ele não pode expor sua suprema dignidade a ser assim publicamente injuriada, ultrajada e vilipendiada. Mas suponhamos que recebesse as honras devidas a seu posto, e que o povo fiel, como o fazia outrora, se lançasse de joelhos à sua passagem, para implorar e receber sua bênção e aclamá-lo. O governo, por seus órgãos oficiosos, fez saber que manifestações desse gênero só seriam toleráveis uma vez ou duas; mas que não seria o mesmo se se renovassem. « O Estado não poderia permitir por muito tempo que sua existência, a dele, e que o prestígio do rei fossem sufocados publicamente na capital do reino, por manifestações populares de entusiasmo pelo pontífice que, alguns anos antes, era dela o único soberano. Eis como o papa não é, na realidade, livre para sair do Vaticano, não podendo o governo italiano tolerar por muito tempo que saísse, se essas saídas devessem redundar em detrimento do próprio governo italiano, diminuir seu prestígio e pôr até em perigo sua existência. • Berthelet, // Papa futuro, in-12, Rome, 1895, p. 213.

6. A liberdade de comunicação com o exterior, que o artigo 9 da lei das garantias deixa ao sumo pontífice para as funções de seu ministério espiritual, é igualmente ilusória. A lei permite bem, é verdade, mandar afixar às portas das basílicas ou igrejas de Roma todos os atos de seu ministério espiritual: encíclicas, bulas, decretos etc. Mas se um jornal ou uma revista quisesse reproduzir um desses decretos, ou uma dessas encíclicas, e isso desagradasse ao governo, este se reconhece o direito de apreender esse jornal ou essa revista e de mover processo contra seus diretores ou gerentes responsáveis. Essa pretensa liberdade dada ao papa, para os atos de seu ministério espiritual, só existe para a afixação às portas das basílicas, unicamente às portas e não em outro lugar. É, pois, extremamente limitada.

7. Só falamos aqui, para constar, da dotação da renda anual de três milhões, ou mais exatamente de 3 225 000 liras, reconhecida pelo artigo l da lei das garantias. É manifestamente insuficiente para o fim que a lei lhe indica, isto é: prover ao sustento do sumo pontífice e às diversas necessidades da Santa Sé; à manutenção ordinária e extraordinária, bem como à guarda dos palácios apostólicos e de suas dependências; aos vencimentos, jubilações, aposentadorias e pensões dos guardas ligados à pessoa do sumo pontífice; aos dos ligados às cortes pontifícias e às despesas ordinárias e eventuais; à guarda e à manutenção dos museus, assim como da biblioteca anexa, e às gratificações, vencimentos e pensões dos que nela são empregados. Havia bem outras despesas inscritas no orçamento pontifício, e das quais a lei não faz menção alguma. Aliás, o sumo pontífice nunca quis aceitar essa dotação, porque não podia consentir nela sem aceitar, por isso mesmo, a lei das garantias.

8. Por um julgamento proferido em 9 de setembro de 1S9S, a Corte de cassação de Roma reconhece à Santa Sé, enquanto tal, a personalidade moral e a capacidade de receber legados ou doações, como todos os outros corpos morais do reino, sejam eclesiásticos ou leigos. Mas aplica-lhe a lei de 5 de julho de 1850, que estabelece que os corpos morais só podem aceitar esses legados ou doações com a autorização real. Se, pois, o sumo pontífice não julga conveniente à sua dignidade pedir o placet real, o legado não lhe pode ser entregue. Assim, depois de ter despojado o papa de todo o seu domínio temporal, o governo italiano, embora reconhecendo teoricamente ao papa o direito de possuir, impõe praticamente uma condição tão penosa para o papa que impede, na realidade, os fiéis do mundo inteiro de deixar, se o quiserem, uma parte de seus bens ao vigário de Jesus Cristo.

9. A maneira como o artigo 3 da lei das garantias permite ao sumo pontífice conservar « o número costumeiro de guardas ligados à sua pessoa e à guarda dos palácios » faz bem ver que, se o papa aumentasse esse número, o governo interviria.

Aliás, o governo pode, por força da lei, restringir esse número, visto que, segundo ela, os guardas não gozam de nenhum privilégio, mas permanecem submetidos, se são súditos italianos, a todas as leis em vigor no reino.

2° Situação jurídica dos cardeais. — 1. O artigo 6 da lei das garantias estabelece que, durante a vacância da sé pontifícia, nenhuma autoridade judiciária ou política poderá, por qualquer causa que seja, pôr obstáculos ou limites à liberdade pessoal dos cardeais. 2. Segundo a etiqueta das cortes soberanas, os cardeais são equiparados, quanto ao posto e às honras que lhes são devidas, aos príncipes de sangue real. Embora esse privilégio não esteja formalmente inscrito na lei das garantias, é reconhecido, na prática, pelos agentes do governo e pelos tribunais. Quando os juízes, por exemplo, precisam, num processo, do testemunho de um cardeal, não o citam à sua barra, mas pedem para ser admitidos em seu palácio, para receber seu depoimento. Cf. Brandi, I Cardinali di S. Romana Chiesa nel Diritto pubblico italiano, in-8°, 1911. Rome, 1905. Corte d'Appello di Roma, 10 agosto

3° Situação jurídica dos conclaves e dos concílios ecumênicos. — Segundo o artigo 6 da lei das garantias, o governo se compromete a providenciar para que as sessões dos conclaves e dos concílios ecumênicos não sejam perturbadas por nenhuma violência externa. O artigo 7 especifica, além disso, que nenhum oficial da autoridade pública ou agente da força pública pode, para cumprir os atos de seu ofício, introduzir-se nos palácios, ou lugares, onde estivesse reunido um conclave ou um concílio ecumênico, a menos que seja autorizado pelo conclave ou pelo concílio.

4° Situação jurídica das Congregações romanas. — 1. O artigo 8 da lei das garantias declara que é proibido a todos os agentes governamentais proceder a visitas, buscas ou apreensões de papéis, documentos, livros ou registros, nos escritórios das Congregações pontifícias, revestidas de atribuições puramente espirituais. Estas últimas palavras restringem sensivelmente a liberdade que a lei deixa e concede às Congregações romanas. Salvo a Penitenciaria e a Congregação das Indulgências e das Relíquias, que podem ser consideradas legalmente como puramente espirituais, todas as outras, com efeito, têm de resolver questões que muitas vezes têm um lado material, pois suas sentenças decidem litígios aos quais muitas vezes estão ligados interesses materiais. O próprio Santo Ofício, ao pronunciar penas contra os hereges, pode chegar a privar um sacerdote não somente de sua jurisdição, mas também de seus vencimentos, e até de seu cargo. Ora, o artigo 17 da lei declara que o conhecimento dos efeitos jurídicos dos atos emanados das autoridades eclesiásticas pertence à jurisdição civil. Se esses atos, acrescenta, são contrários às leis do Estado, à ordem pública, ou ferem os direitos dos particulares, serão anulados; e, se, aos olhos do Estado, constituem um delito, serão submetidos aos tribunais, que lhes aplicarão as leis penais. Se, pois, uma Congregação romana, depois de constatar a indignidade de um sacerdote, lhe retira o benefício, e se esse sacerdote apela dessa sentença a um tribunal civil, este poderia declarar-se competente, examinar a queixa e cassar, se bem lhe parecesse, a decisão da Sagrada Congregação, ao menos quanto a seus efeitos materiais. Vêem-se os embaraços inextricáveis que uma tal lei pode criar para a administração eclesiástica e de que implicâncias vexatórias pode ser a fonte.

2. Os altos dignitários do Vaticano mesmos não estão ao abrigo dessa ingerência do poder civil em suas atribuições. O prelado mordomo de Sua Santidade, tendo despedido um empregado inferior, por motivos certamente muito justos, este recorreu aos tribunais italianos, apresentou-lhes queixa contra o mordomo e reclamou uma compensação pecuniária pela perda de seu emprego no palácio apostólico. Não obstante a lei das garantias, ou antes, em virtude dessa mesma lei, o tribunal declarou-se competente. Teve, contudo, o pudor de não condenar o prelado, e despachou o queixoso sem lhe dar ganho de causa. Mas se os juízes estivessem animados de intenções hostis, teriam certamente ficado felizes em aproveitar a ocasião que se lhes apresentava de mostrar que sua autoridade podia atingir mesmo as pessoas mais próximas do Santo Padre.

5° Situação jurídica da Igreja, quanto à nomeação dos bispos e outros dignitários eclesiásticos. — 1. Aqui ainda encontramos uma grande diferença entre o que a lei das garantias concede em teoria e o que permite na prática. Pelo artigo 15 do título II, o governo renuncia ao direito de nomeação ou de proposta na colação dos benefícios maiores, salvo para os que são de padroado real, e dispensa os bispos de prestar juramento ao rei. Mas ela especifica, primeiro, que os benefícios maiores e menores só poderão ser conferidos a cidadãos do reino, exceto na cidade de Roma e nos bispados suburbicários. Além disso, embora pelo artigo 16 sejam teoricamente abolidos o exequatur e o placet real, para a publicação e a execução dos atos da autoridade eclesiástica, a obrigação do exequatur e do placet real é mantida para os atos dessa mesma autoridade que dizem respeito à destinação dos bens eclesiásticos e à provisão dos benefícios maiores e menores. Essa prescrição se encontra no artigo 1 do decreto real de 25 de junho de 1871, reforçado pelo artigo ". do mesmo decreto, assim concebido: « Aqueles que forem providos de um benefício só serão postos em posse dele quando seu título estiver munido do exequatur real ou do placet real. A partir da data da concessão do exequatur ou do placet, aquele que é nomeado para esse benefício terá o direito de perceber os frutos, rendas e vantagens temporais dele. ■ Mesma prescrição, no regulamento publicado para a execução do decreto precedente.

Dessas disposições segue-se que o papa nomeia os bispos como quer, sem ter de entender-se com o governo real; mas este reserva-se o direito de conceder ou recusar, aos bispos nomeados pelo papa e aos demais beneficiários, a entrada na posse dos bens pertencentes à mensa episcopal, aos capítulos, colegiadas, paróquias etc.

3. Mais de uma vez, essa legislação deu ocasião a conflitos entre a autoridade religiosa e a autoridade civil. Citaremos aqui apenas o caso recente e ruidoso de Mons. Caron, que, nomeado para o arcebispado de Gênova por Pio X, em 29 de abril de 1912, viu-lhe ser recusado o exequatur durante quase três anos. Só o obteve, enfim, em 17 de dezembro de 1914, com a condição de que se demitiria logo depois, o que fez, por uma carta de 23 de dezembro de 1914 ao Sr. Orlando, ministro da graça, da justiça e dos cultos. Já em 8 de janeiro seguinte, o Osservatore romano anunciava que o papa Bento XV havia substituído Mons. Caron por Mons. Gavotti, transferido da sé episcopal de Casale-Monferrato para a sé arquiepiscopal de Gênova.

4. A nomeação dos párocos pelos bispos está igualmente submetida às formalidades e a todas as exigências fiscais do placet real.

5. Na prática, depois da nomeação dos titulares para as sés episcopais, o governo deixa sempre transcorrer um tempo considerável antes de conceder o seu placet, a fim de arrecadar as rendas da mensa episcopal durante essa vacância por ele imposta. É a ressurreição do pretenso direito de régale. No ministério da graça e da justiça há uma seção especial, chamada Economato dos benefícios vacantes, que administra esses benefícios e lhes arrecada as rendas durante todo o tempo de sua vacância. Além disso, em virtude da lei de 15 de agosto de 1867, todas as rendas eclesiásticas são gravadas com um imposto, ou retenção, de trinta por cento em favor da coroa.

6° Situação jurídica da Igreja, quanto à administração dos bens eclesiásticos. — 1. O artigo 18 da lei das garantias anunciava que se proveria, por uma lei ulterior, à reorganização, à conservação e à administração da propriedade eclesiástica no reino. Era o meio de começar a espoliação da Igreja, até que fosse possível consumar essa obra de confiscação. O governo vendeu esses bens, ou se apoderou deles, convertendo-os em títulos de renda sobre o Estado, sem poupar sequer os bens da Propaganda. Paga anualmente as rendas, mas pode suspender ou cessar completamente esse pagamento, sem que nenhuma autoridade possa impedi-lo, e suprimir, ao mesmo tempo, todos esses títulos de renda, o que seria a consumação dessa iníqua espoliação.

Além dessa venda forçada de todas as suas propriedades e da conversão do preço delas em rendas sobre o Estado, a S. C. da Propaganda já não pode receber nenhum legado ou doação sem a autorização do governo italiano, que se reserva examinar cada caso em particular e conceder ou recusar a autorização. Quando esta é concedida, o dinheiro deve ser depositado nos cofres do governo e trocado por títulos de renda sobre o Estado, que sofrem todas as flutuações dos valores italianos e podem ser totalmente perdidos, seja por uma revolução, seja por um confisco facílimo, uma vez que o governo os detém. Outro dano sofrido, por esse motivo, pela Propaganda é que ela não pode mais, de modo algum, dispor do capital assim imobilizado; se, em alguma circunstância extraordinária, por exemplo, para a fundação de missões importantes ou para a manutenção de algumas que periclitariam, ela precisa dispor de alguma grande soma, isso lhe é impossível, a menos que o governo consinta na liquidação de certo número de títulos de renda. Ela é obrigada a solicitar, como uma graça, o que lhe pertence de direito estrito e, mesmo pedindo, não está segura de obter o que depende da boa vontade de um governo cujos membros manifestaram, mais de uma vez, intenções hostis à manutenção da propriedade eclesiástica. Cf. La Propaganda e la conversione dei suoi beni immobili per opera del governo italiano. Proteste contro la sentenza della Corte di Cassazione di Roma, 2 in-4°, Roma, 1884.

Contra essa espoliação sacrílega, o cardeal Guibert, arcebispo de Paris, numa magnífica carta dirigida ao seu clero em 25 de maio de 1884, protestou com eloquência. Os bispos do mundo inteiro uniram a sua voz à dele para flagelar essa iniquidade. Ver também, para esta questão e outras semelhantes, o Bollettino delle Opere pie e dei communi, in-8°, Roma, 1892, e anos seguintes.

2. Depois dessa incameratione, a renda das mensas episcopais, compostas pelas rendas dos títulos da dívida pública e por diversos produtos, tais como dízimos, pensões, foros, aluguéis de imóveis, monta a 5 246 200 liras. É a soma global para todos os bispados da Itália. Está longe, porém, de cada bispado receber uma parte igual, como era na França, depois da Concordata e antes da lei de separação da Igreja e do Estado. Citaremos aqui alguns casos, para fixar as ideias.

a) Os bispados mais ricos estão na Sicília. Encontra-se, com efeito, na dianteira Girgenti, que tem 157 596 liras de renda; Cefalù, 139 284; Mazzara del Vallo, 119 600; Palermo, 95 957; Catânia, 85 648; Messina, 66 410; Monreale, 54 000; Siracusa, 33 098.

b) Os mais bem aquinhoados em seguida, sob esse aspecto, são os da alta Itália: Ravena, 93 378; Milão, 83 977; Cremona, 62 020; Vercelli, 61 340; Vicenza, 40 615; Vigevano, 38 658; Ferrara, 37 864; Mântua, 30 390; Bolonha, 29 964; Verona, 29 754; Placência, 25 717; Treviso, 20 715; Gênova tem apenas 20 494; e Parma, 19 860, quase tanto quanto Gênova.

c) Na Itália meridional, Cápua, 77 840; Nápoles, 63 920; Bari, 27 792; Salerno, 27 537; Sorrento, 24 851; Caserta, 23 740; Benevento, 23 378; Lecce, 18 940; Trani-Barletta, 19 906; Brindisi, 17 456; Tricarico, 17 218; Catanzaro, 15 553; Amalfi, 13 210; Trivento, 10 310; Caiazzo, 7 081; Valva-Sulmona apenas 3 326.

d) Na Itália central, Pisa tem 105 190; Florença, 19 920; Arezzo, 40 642; Ascoli-Piceno, 25 900; Siena, 24 800; Livorno, 20 726; Ancona, 17 278; Fiesole, 17 036; Rimini, 14 495; Perúgia, 13 637; Spoleto, 12 000; Loreto-Recanati, 10 560; Amelia, 6 896; Veroli, 6 784; Assis, 6 235. e) Enfim, na Sardenha, Oristano tem 23 026; Cagliari, 16 475; Sassari, 15 632; Alghero, 11 470; Bisarchio-Ozieri, 10 876; Ogliastro, 10 720; Galtelli-Nuoro, 10 507; Bosa, 9 150; Ales-Terralba, 7 750. Convém notar, todavia, que várias dessas rendas elevadas que indicamos como próximas de 100 000 liras, ou mesmo superiores, estão oneradas por encargos consideráveis: manutenção dos seminários, reparos da catedral, auxílios aos cônegos e aos párocos, aos sacerdotes auxiliares etc.

Cf. Tami, diretor do Fondo per il culto, administração encarregada, sob o controle do ministro da justiça, de tudo o que concerne à gestão dos bens eclesiásticos suprimidos, liquidados e convertidos em títulos de renda sobre o Estado, incarnerait, segundo a expressão italiana: Attività e passività delle parrocchie del Regno d'Italia, e assegno di congrua a carico del Fondo per il Culto, 3 grands in-4°, Roma, 1897; Relazione del Direttore generale del Fondo per il culto, in-4°, Roma, publicação periódica, iniciada em 1896 e continuada depois; G. Salvioli, Le Decime di Sicilia, e specialmente di Girgenti, in-8°, Palermo, 1901.

Essa questão dos dízimos da Sicília foi muito agitada há uns vinte anos, e valia a pena, pois a matéria é de importância. O governo queria apoderar-se deles, a pretexto de que, sucedendo a Rogério, rei da Sicília, que, segundo ele, os havia estabelecido, tinha o direito de aboli-los, ou antes, de fazê-los entrar no tesouro público, como sendo rendas do domínio. Muitos outros, ao contrário, baseando-se em documentos fornecidos pela história e desenvolvendo os argumentos tirados das fontes jurídicas, empreenderam demonstrar que esses dízimos não tinham sido estabelecidos pelo rei Rogério, mas simplesmente aprovados e ratificados por ele e que, por conseguinte, não eram rendas do domínio, mas eclesiásticas ou sacramentais.

Para essa questão dos dízimos eclesiásticos, no que concerne à Itália inteira, pode-se ler: Fedele Lampertico, La legge 14 luglio 1887, N. 4723 (série 3) di abolizione ed affrancazione delle decime, in-12, Pádua, 1888; G. Minella, Le decime ed altre prestazioni congeneri, dopo la legge 14 luglio 1887, N. 4727 (série 3), in-8°, Pádua, 1888. Encontrar-se-ão igualmente muitas informações a respeito das diversas questões tratadas acima no Bollettino ufficiale del Ministero di grazia, giustizia e culto, in-8°, Roma, publicação periódica e oficial, iniciada em 1880 e continuada depois: Bollettino dei parroci, in-8°, Milão, 1900-1905; Il Contenzioso ecclesiastico, iniciado em 1880 e continuado depois; Bollettino ecclesiastico, in-8°, Gênova, 1900-1914; Il Diritto ecclesiastico italiano, in-8°, Roma, 1908-1914.

7° Situação jurídica dos capítulos de catedrais. — A lei de 11 de agosto de 1870, n. 5784, reduziu-os a dez canonicatos, suprimiu os benefícios acima desse número e converteu em rendas sobre o Estado as dez prebendas mantidas.

8° Leis sobre o matrimônio. — O projeto de lei sobre o divórcio foi rejeitado pelas Câmaras, apesar dos esforços de alguns anticlericais turbulentos; do mesmo modo, o projeto de lei relativo à precedência do casamento civil sobre o casamento religioso. Mas o Estado não reconhece o casamento religioso e só dá a sua sanção ao casamento civil. Em 1914, foi depositado na Câmara dos deputados, pelo ministro franco-maçom Finocchiaro-Aprile, um projeto de lei que impunha a precedência do contrato civil, ou casamento civil, sobre o casamento religioso, sob pena de multa de cem a mil francos para os cônjuges. A multa era a mesma para o ministro do culto, mas era dobrada em caso de reincidência, e ele incorria, além disso, na privação de seu estipêndio por um lapso de tempo de três meses a um ano.

Esse projeto de lei suscitou a indignação dos fiéis. Diversas associações católicas, tais como a Unione popolare fra i cattolici d'Italia, a Unione elettorale, a Unione economica-sociale, a Unione fra le donne cattoliche, a Società della gioventù cattolica, puseram-se à frente do movimento geral, protestando contra as manobras sectárias de uma ínfima minoria. A partir do domingo 1º de fevereiro de 1914, realizaram-se, em toda a península, reuniões para repelir vitoriosamente esses novos ataques contra o matrimônio cristão. Tinham sido precedidas, havia uns quarenta anos, por projetos de lei análogos, apresentados às Câmaras por Vigliani, em 1870; por Conforti e Traiani, em 1879; por Bonacci, em 1892; por Eula, em 1893; pelo próprio Finocchiaro-Aprile, em 1899. Essa persistência do laicismo ateu em combater a família cristã encontrou uma resistência incansável nas fileiras cerradas dos fiéis. Foi, em toda a Itália, como uma cruzada geral.

9° Leis concernentes ao ensino do catecismo nas escolas. — 1. Muitas vezes também, sob o falacioso pretexto de assegurar a liberdade de consciência, os sectários tentaram proscrever o ensino do catecismo das escolas públicas de uma nação que, em seu conjunto, é quase inteiramente católica. Em 23 de junho de 1877, o ministro Coppino fez votar uma lei que, sem ab-rogar formalmente a instrução religiosa nas escolas elementares, introduziu nelas, como obrigatório, o ensino das primeiras noções dos deveres do homem e do cidadão.

2. Depois de numerosas tentativas infrutíferas, a franco-maçonaria obteve enfim do ministro da instrução pública, Boselli, um decreto publicado pela Gazzetta Ufficiale, em outubro de 1888, e pelo qual se concedia aos municípios, quando o julgassem oportuno, a faculdade de suprimir o ensino do catecismo nas escolas comunais. A razão invocada pelo ministro para justificar esse decreto, além da liberdade de consciência para todos, era que o ensino religioso está fora da competência do Estado. Se ao menos o Estado, em consequência dessa incompetência que se reconhecia, tivesse prometido contentar-se em não dar o ensino religioso, seria um mal menor; mas sabia-se muito bem que daria, no lugar deste, o ensino antirreligioso.

Nessas escolas, de onde seria severamente banido o catecismo católico, entraria, de mil e mil maneiras, o catecismo dos materialistas, cujas doutrinas ímpias seriam insidiosamente difundidas sem cessar em todos os livros de classe: manuais de leitura, de história, de geografia, de moral civil, de moral independente de Deus, da religião, de todo culto e até da autoridade dos pais. Desses meninos e adolescentes evitar-se-ia, a todo custo, fazer cristãos; mas esforçar-se-ia, por todos os meios, por fazer livres-pensadores.

3. Os protestos não tardaram a manifestar-se, imponentes pelo número e pela espontaneidade. O prefeito de Milão, logo após a publicação desse decreto e no início do ano escolar de 1888-1889, tendo mandado interrogar as famílias cujos filhos frequentavam as escolas elementares da cidade, para saber se queriam ou não a instrução religiosa nas escolas, recebeu, para uma população escolar de 27 520 crianças de ambos os sexos, 25 380 respostas afirmativas; e, como 722 famílias haviam deixado de responder, vê-se que as respostas verdadeiramente negativas foram em número muito pequeno. Em Gênova, de 18 800 alunos, houve apenas 74 para os quais não foi pedido o ensino religioso, isto é, menos de 1 em 200. Esse plebiscito popular demonstrou que os habitantes, em quase unanimidade, queriam que o ensino religioso fosse dado a seus filhos nas escolas públicas. Era um desmentido retumbante às alegações dos sectários, que só o suprimiam, diziam eles, para assegurar a liberdade de consciência.

4. Pouco depois, realizava-se em Placência um congresso catequético, que o excelente jornal de Turim, a Unità cattolica, definiu, com rara felicidade de expressão, il solo Parlamento vero italiano d'una Italia veramente una in Gesu Cristo, e nel Papa, suo Vicario in terra. Um cardeal, vários bispos e homens eminentes tomaram parte nele. Seus efeitos fizeram-se sentir ao longe, pois todo o episcopado e toda a imprensa católica aderiram a ele. No seio dos conselhos municipais ergueram-se vozes indignadas para reclamar que o ensino religioso fosse dado nas escolas elementares de meninos e de meninas, em virtude do artigo 315 da lei sobre a instrução pública, de 13 de novembro de 1859, chamada lei Casati, do nome de seu Esta lei, de fato, não podia ser ab-rogada por um simples decreto; mas, por seus artigos 315, 317, 325, 374, não deixava de obrigar os municípios a fazer dar gratuitamente a instrução religiosa nas escolas comunais, ao mesmo tempo que os obrigava a fazer ensinar as outras matérias. Isso foi reconhecido, depois de longa discussão na Câmara, pelo presidente do conselho de então, o Sr. Giolitti, que concluía nestes termos: rimane l'insegnamento religioso. Encontrar-se-ão todos os pormenores da discussão a esse respeito nos Atti ufficiali della camera dei Deputati, na data de 27 de fevereiro de 1908.

O ensino religioso permanecia facultativo, não no sentido de que os municípios não ficassem obrigados, pela lei, a fazê-lo dar, mesmo gratuitamente, nas escolas elementares; mas no sentido de que os alunos não eram obrigados a assistir a ele, se os pais não o quisessem, como já indicava expressamente o artigo 371 da lei Casati. Sob esse aspecto, a lei Coppino de 1877 também nada havia mudado, como reconhecera, em 17 de maio de 1878, o Conselho de Estado consultado a esse respeito. Ver, sobre essa questão, o Manuale della legislazione scolastica in Italia, ad uso dei comitati cattolici, in-8°, Bolonha, 1888. A menos, portanto, que os pais de família estipulassem o contrário, deviam ser considerados, num país tão católico quanto a Itália, como pedindo para seus filhos o ensino religioso; mas, sobretudo, se o pediam formalmente, não se podia deixar de levar em conta a sua vontade, assim claramente expressa, quanto à manutenção de um direito tão legítimo e tão sagrado.

5. Em 0 de fevereiro de 1908, apareceu o regulamento do ministro Rava sobre a instrução primária, n. 150. Segundo o artigo 3 desse regulamento, concedia-se aos pais de família a faculdade de fazer dar, às suas custas, a educação religiosa a seus filhos nas escolas comunais do reino, quando a maioria do conselho municipal julgasse poder suprimi-la, e, nesse caso, o município era obrigado a pôr os locais escolares à disposição deles. Apesar dos numerosos pedidos que lhe foram dirigidos pelos pais de família, e notificados mesmo por oficial de justiça, o prefeito de Roma, que era o judeu Nathan, recorreu a todos os subterfúgios para não levar nenhum em conta. Dificuldades desse gênero produziram-se em Milão por parte da municipalidade socialista.

Nos dias 8 e 9 de janeiro de 1912, reunia-se em Roma o congresso dos membros do conselho central da Unione fra le donne cattoliche d' Italia, que, com a adesão unânime de mais de 30 000 mães católicas, protestava de novo contra a série de decretos e circulares ministeriais, ou outros, que, sempre em nome da liberdade, não tinham outro fim senão lesar os direitos das famílias católicas. Ao mesmo tempo, o congresso fazia um apelo ao ministro, para que fosse, enfim, regulada essa questão do ensino religioso, em conformidade com os direitos da consciência. Mas, nesse momento, o ministro da instrução pública era o Sr. Credaro, cooperador reconhecido dos . Que se podia esperar? Os católicos tinham a seu favor o direito e a própria lei; mas a onipotência maçônica pretendia tornar esse direito ilusório, e a lei não deixava de ser violada pela força de decretos e circulares administrativas.

Em 21 de junho de 1911, o Conselho de Estado havia confirmado, de novo, a sentença de 17 de maio de 1878, estatuindo que a lei Coppino de 1877 não havia de modo algum entendido suprimir o ensino religioso nas escolas elementares. Atendendo ao desejo expresso pela imensa maioria dos habitantes, o conselho municipal de Pádua, em 13 de setembro de 1912, votou a retomada do ensino religioso nas escolas comunais da cidade. Idêntica decisão havia sido tomada em Veneza vários anos antes. Do mesmo modo em Bérgamo e em uma centena de municípios dessa província. Ver a esse respeito o jornal La Difesa, de Veneza, de 19 de janeiro de 1913. Em Roma, só no sábado à noite, 21 de março de 1914, que os católicos, após uma série de longas diligências junto à administração judiciária e ministerial, obtiveram, enfim, que o ensino religioso fosse recomeçado nas escolas comunais da cidade, de onde o bloco sectário que dominava no Capitólio o havia banido fazia sete anos. Mais de sessenta senhoras ou senhoritas, munidas do diploma exigido pela lei, haviam-se oferecido para ministrar esse curso gratuitamente. A presidente da Unione fra le donne cattoliche d' Italia, a princesa Cristina Giustiniani Bandini, fizera questão de inscrever-se ela própria entre as professoras voluntárias e escolhera a escola situada na rua Giuditta Tavani-Arquati. Todas as outras, seguindo pontualmente o método aprovado pelo cardeal-vigário, ensinavam simultaneamente as mesmas lições de catecismo em mais de trinta escolas que haviam repartido entre si.

6. Nas escolas secundárias, chamadas na Itália ginásios e liceus, a instrução religiosa, segundo o artigo 143 da lei Casati, de 13 de novembro de 1859, devia ser dada por um diretor espiritual, nomeado para esse fim; mas esse artigo foi diretamente ab-rogado pela lei Coppino, de 23 de junho de 1877, cujo artigo 2 está assim redigido: « A partir de 1º de janeiro de 1878, o ofício de diretor espiritual nos liceus, ginásios e escolas técnicas está abolido. > Foi preciso, portanto, suprir isso por um ensino dado fora das escolas. A instrução religiosa foi igualmente banida das escolas normais pela lei de 12 de julho de 1896. Ver, sobre essas diversas questões, o excelente trabalho do advogado Carlo Santucci, L'insegnamento religioso nello stato presente della legislazione scolastica, in-8°, Milão, 1911.

10° Imunidade dos clérigos. ■ — Os eclesiásticos não são isentos do serviço militar pela lei; mas, quando os sacerdotes são convocados às fileiras como reservistas, as autoridades militares lhes dão geralmente, sem dificuldade, todas as licenças necessárias para cumprir seus deveres religiosos. Durante a última guerra, isentaram-se todos os que exerciam as funções de párocos ou de vigários.

11° Manifestações exteriores do culto, fora do recinto das igrejas. — Segundo os artigos 7, 8 e 9 da lei de 30 de junho de 1889, n. 6144, sobre a segurança pública, nenhuma cerimônia religiosa, procissão ou ato de culto, salvo o transporte do santo viático e os funerais, pode ser feita fora dos lugares destinados ao culto sem que o diretor responsável tenha dado aviso prévio, pelo menos três dias antes, à autoridade local de polícia. A contravenção é punida com uma multa, que pode elevar-se até 100 francos.

12° Situação jurídica dos religiosos. — 1. A lei de 7 de julho de 1866 havia decretado a liquidação das comunidades religiosas. Numerosos conventos foram, então, confiscados, vendidos ou declarados propriedades nacionais. O mesmo ocorreu em Roma, depois da anexação ao reino da Itália, em 1870. O governo apoderou-se das casas generalícias das grandes ordens, para instalar nelas ministérios e os escritórios de suas principais administrações. Além disso, pela lei de 19 de janeiro de 1873, suprimiu grande número de outras casas religiosas de homens e de mulheres; comprometeu-se, porém, a pagar uma pensão anual de 600 francos aos sacerdotes e irmãs de coro que haviam feito parte dessas comunidades que possuíam bens, e uma pensão anual de 300 francos aos irmãos leigos e às irmãs conversas das mesmas comunidades.

Os religiosos e religiosas das ordens mendicantes só tinham direito a uma pensão inferior, a qual, não obstante, podia elevar-se a 400 francos para os sacerdotes e irmãs de coro, e a 300 francos para os irmãos leigos e irmãs conversas, no caso de poderem demonstrar que a idade ou as enfermidades, no momento da execução da lei, os colocavam na impossibilidade de encontrar de outro modo meios de subsistência. As religiosas assim pensionadas foram em número de 1 069, das quais 710 irmãs de coro e 350 irmãs conversas. O total das pensões a pagar-lhes, naquela época, montava à soma anual de 530 982 francos, soma que se reduziu bastante depressa em consequência dos falecimentos. Cf. Monografia della Città di Roma, 4 in-4°, Roma. 1877, obra publicada por iniciativa do governo e enviada à exposição de Paris de 1878.

2. Desde então, produziu-se uma espécie de calmaria. Essas leis espoliadoras continuam a existir, em teoria; mas, na prática, parece que as esqueceram. As ordens religiosas readquiriram muitos de seus conventos ou adquiriram outros novos, colocando-se sob a salvaguarda do direito comum. Se a lei, com efeito, lhes recusa a personalidade civil, ou jurídica, reconhece aos que fazem parte delas todos os direitos do cidadão, dos quais o primeiro é o de associar-se livremente, e mesmo de viver em comum segundo regras livremente escolhidas. Tal foi a doutrina proclamada, numa decisão célebre, pela Corte de cassação de Roma, em 25 de abril de 1892, Foro Italiano, 1892, t. i, p. 1107; pela Corte de cassação de Turim, em 21 de abril de 1894, Rivista di Diritto ecclesiastico, 1895, p. 733; pela Corte de apelação de Roma, em 26 de setembro de 1912, Rivista di Diritto ecclesiastico, t. v, p. 468.

A mesma doutrina era proclamada no Parlamento italiano, em 8 de junho de 1891, pelo ministro do interior e pelo presidente do conselho, Atti della Camera dei Deputati, 8 giugno 1891, p. 3090, e em 19 de março de 1909, pelo Sr. Orlando, então ministro e guarda dos selos, Atti della Camera dei Deputati, 19 marzo 1909. Entretanto, no ano seguinte, a Corte de cassação de Roma sustentou a tese contrária, em 20 de março de 1910. Foro Italiano, 1910, p. 806. Que será, no futuro, desse estado de coisas? Melhorará ou se tornará pior? Não se poderia dizê-lo com certeza hoje.

IV. Estabelecimentos de alta cultura eclesiástica e seminários. /. NA CIDADE DE ROMA. — 1° O seminário romano. — Foi inaugurado em 1565, em execução dos decretos do concílio de Trento. Até estes últimos anos, estava instalado num vasto local, situado na praça de Santo Apolinário.

Constituído sob a dependência imediata do cardeal vigário de Sua Santidade, tinha um programa de estudos amplo e variado: primeiro, o que se chama, na Itália, as classes ginasiais e liceais, que correspondem aos nossos cursos secundários da França, até a retórica inclusive, e compreendem o estudo das línguas italiana, latina, grega, francesa, a história e a geografia, as matemáticas e as ciências físicas e naturais, o desenho etc.; depois, os cursos de filosofia e de teologia, de eloquência sacra, de direito canônico, de arqueologia cristã, de apologia científica, de direito civil romano. A faculdade de direito, muito desenvolvida, tinha professores para explicar o texto das Pandectas e ensinar a filosofia do direito, a história do direito, o direito penal, a legislação comparada etc. Preparam-se ali para os graus acadêmicos, não só em filosofia e em teologia, mas em um e outro direito. A essas diversas faculdades estava unido um colégio filológico oriental, com diversas classes para o ensino do hebraico, do árabe, do siríaco, do copta, do persa, do eslavo e do etíope.

Pio X, pela constituição In privcipuis, de 29 de junho de 1913, dividiu o seminário romano em seminário maior e seminário menor. Este foi transferido para o seminário do Vaticano, piazza della Sagreslia, 23, e chama-se agora Ponlificio seminario Romano Minore al Vaticano. O seminário maior, ou Ponlificio seminario Romano maggiore, foi transportado para um vasto local construído na vizinhança imediata de São João de Latrão. Recebe os alunos de filosofia, de teologia e de direito. Cf. Cenni storici dei ponlificio seminario romano, in-8°, Roma, 1914.

2° O colégio romano, ou universidade gregoriana. — Foi fundado, em 1550, pelo papa Gregório XIII, que construiu para ele um magnífico local e o confiou aos jesuítas. Estes ensinaram ali todas as ciências e as artes liberais, desde os primeiros elementos da gramática e das belas-letras até a teologia. Os alunos, depois de terem feito ali as classes inferiores, permaneciam para os estudos superiores. Ali ensinaram Belarmino, Toledo, De Lugo, Pallavicini, Suárez, Vásquez, Cornélio a Lapide etc. À época da anexação de Roma ao reino da Itália, em 1870, contava 711 alunos, dos quais 343 em filosofia e 368 em teologia. Teve então de deixar seu antigo local, e o número dos alunos, que descera a 146 em 1871, só havia chegado ainda a 288 em 1876, época em que lhe foram concedidas pelo papa as cátedras de direito canônico que até então não possuía. Entretanto, os alunos só atingiram o número de 700 em 1888; mas, oito anos depois, em 1896, seu número era de 1029, repartindo-se assim: 314 para a filosofia, 651 para a teologia e 64 para o direito canônico. Aos cursos de filosofia estão anexas cátedras de altas matemáticas, até o cálculo infinitesimal inclusive, e cátedras de ciências naturais e físicas, química, astronomia.

3° O colégio de São Tomás de Aquino ou Angélico. — Foi fundado em 1577 e confiado aos dominicanos. Estava, a princípio, no convento da Minerva. Os professores sempre fizeram questão de honra de explicar e comentar a Suma teológica de São Tomás de Aquino. Em 1909, foi reorganizado sob o título de Colégio pontifício e internacional do doutor angélico e instalado num soberbo local, construído expressamente, no próprio centro de Roma, bem perto do palácio do Quirinal, via San Vitale, esquina da via Genova. Aos cursos de filosofia, de teologia, de direito canônico e de direito romano estão anexas cátedras de Escritura Sagrada, de patrologia, de arqueologia sacra, de epigrafia, de paleografia e de diplomática, de apologia científica, de história da filosofia antiga e moderna, de história dos dogmas, de sociologia, de história das fontes do direito, de biologia, de fisiologia, de física, geologia, astronomia, arte cristã, altas matemáticas, de grego, de hebraico, de siríaco e de árabe. Conferem-se igualmente ali os graus acadêmicos, até o doutorado inclusive, para a filosofia, a teologia e o direito canônico.

4° O Colégio da Propaganda. — Foi fundado em 1º de agosto de 1627. Chama-se também colégio Urbano, do nome de seu fundador, o papa Urbano VIII, e está instalado no vasto palácio que esse papa mandou construir na praça de Espanha, para os escritórios da S. C. da Propaganda e de todas as comissões que dela dependem. Embora esse colégio seja especialmente para a instrução dos que se destinam às missões estrangeiras, outros alunos também são admitidos a seguir seus cursos. Podem preparar-se ali para a obtenção dos graus acadêmicos, que também tem o privilégio de conferir.

5° A Sapiência. — Esta enumeração dos estabelecimentos de alta cultura eclesiástica não seria completa se não disséssemos aqui algumas palavras sobre a antiga e célebre universidade da Sapiência, laicizada pelo governo italiano pouco depois de sua entrada em Roma, em 1870. Durante muito tempo, foi uma das mais ilustres universidades do mundo. Já no século xme, o papa Honório III a estabeleceu sobre uma base muito ampla; foi desenvolvida ainda por Bonifácio VIII, em C de junho de 1303, e tornou-se objeto da constante solicitude e da generosa munificência dos sumos pontífices. Leão X, no século xvie, foi como que seu segundo fundador, por sua bula Dura suavissimos, de 5 de novembro de 1513. Era a época do renascimento das letras e das ciências, e ele chamou para ela os professores mais renomados. Sob esse aspecto, nenhuma outra universidade lhe era comparável.

Em 1514, já contava 88 professores, a saber: 20 para o direito civil, 11 para o direito canônico, 15 para a medicina, 4 para a teologia; os 38 outros eram para a filosofia, as matemáticas, as letras e as ciências. A Sapiência era, pois, uma verdadeira universidade. Ensinava-se ali não só a filosofia e a teologia, mas o direito, a medicina, as letras e as ciências exatas. Era o mais importante estabelecimento de instrução pública e superior de Roma e dos Estados pontifícios. Por isso a chamavam Archilyceum, ou Archigymnasium, ou Universitas Sapientiœ, em italiano Archiginnasio della Sapienza, ou Universidade romana.

Esse nome de Sapiência não lhe vem apenas, como alguns autores afirmaram, de um versículo do salmo cx, esculpido numa placa de mármore sobre a entrada principal: Initium sapientiœ timor Domini; ou de outro, na fachada de sua igreja: Omnis sapientia a Domino; mas do fato de que, entre seus muros, se ensinava o conjunto dos conhecimentos humanos, profanos e sagrados: numa palavra, a Sabedoria. Esse estabelecimento de primeiríssima ordem lançou o mais vivo brilho durante vários séculos. Sua história, muito documentada e muito interessante, foi escrita com grande erudição por Filipe Renazzi, que, durante quase quarenta anos, ensinou ali o direito criminal: Storia dell' Università degli studi di Roma, detta comunemente la Sapienza, 4 in-fol., Roma, 1803-1806. Vê-se ali, em particular, que os numerosos professores, todos doutores, eram escolhidos por concurso. Só obtinham, portanto, a sua cátedra por uma espécie de agregação. Em 1870, por ocasião da anexação de Roma ao reino da Itália, o estabelecimento da Sapiência tornou-se a Universidade governamental.

6° O Instituto bíblico. — Pelo breve apostólico Vinea electa, de 7 de maio de 1909, Pio X fundou esse estabelecimento, que Leão XIII havia desejado, para o aperfeiçoamento dos estudos e das pesquisas escriturísticas. A sede do novo instituto, inaugurado em 5 de novembro de 1909, foi primeiro no colégio Leoniano, via Pompeo Magno, 21, perto da igreja de São Joaquim; mas, em novembro de 1911, foi transferida para um local mais central e mais apropriado a seu fim especial, Piazza della Pilotta, 35. Está sob a dependência imediata da Santa Sé, que lhe nomeia o presidente, e este deve reportar-lhe as coisas importantes. Os alunos propriamente ditos devem ser doutores em teologia e ter feito integralmente os seus cursos de filosofia escolástica. Dão-se-lhes lições seguidas sobre as línguas orientais: hebraico, assírio, aramaico, árabe, copta, e sobre o grego bíblico. É preciso seguir os cursos por dois anos para apresentar-se ao exame de licença bíblica; três anos são necessários para o doutorado. Além dos cursos regulares para a obtenção dos graus, há, para os ouvintes livres, conferências públicas sobre a Palestina e tudo o que possa interessar aos estudos bíblicos. Uma importante biblioteca bíblica está anexa ao Instituto, bem como um museu, formado de peças recolhidas geralmente na Palestina e capazes de esclarecer os comentários do texto sagrado. Cf. Acta apostolicæ sedis, Roma, 1909, t. i, p. 447-451; L. Fonck, Primum quinquennium pontificii Instituti biblici, Roma, 1914.

7° O Instituto oriental. — Foi fundado por Bento XV em 25 de outubro de 1917 e abriu seus cursos em 2 de dezembro de 1918. Seu fim é o desenvolvimento do estudo das questões orientais. Sua sede está no antigo Hospitium de convertendis, não longe do Vaticano, Piazza Scossa Cavalli, 05. Esse antigo palácio, devido a Sangallo, foi magnificamente adaptado para esse fim pela munificência de Bento XV. Ensina-se ali: a) a teologia ortodoxa, abrangendo as diversas doutrinas dos cristãos do Oriente sobre as coisas divinas, com cursos sobre a patrologia oriental, sobre a teologia histórica e a patrística; b) o direito canônico de todas as nações cristãs do Oriente; c) as múltiplas liturgias dos orientais; d) a história religiosa e profana de Bizâncio e de todo o Oriente, com cursos de geografia etnográfica e sobre a constituição civil e política das nações do Oriente; e) as literaturas orientais: grega, russa, paleoeslava, siríaca, árabe, copta, etíope, georgiana. O ciclo completo dos estudos, que dura dois anos, é seguido pelos sacerdotes do rito latino chamados a exercer o santo ministério no Oriente. Admitem-se também ali os ortodoxos que desejam uma busca mais profunda da verdade; foi-lhe anexada uma biblioteca abundantemente provida de livros e revistas relacionados com as matérias ensinadas. Cf. Acta apostolicæ sedis, Roma, 1917, t. ix, p. 531-537.

8° Academia dos Nobres eclesiásticos. — Fundada por Clemente XI em 1716, obteve, em 15 de setembro de 1815, o direito de conferir os graus. Sua sede é na Praça da Minerva, 74. É o viveiro oficial da diplomacia pontifícia. Como matéria especial, ensina-se ali a diplomacia eclesiástica, o estilo diplomático, a economia política, o direito internacional, as línguas francesa, inglesa e alemã. Sua história, muito interessante, foi escrita por um de seus alunos, Fernando Procaccini de Montescaglioso, Pontificia Accademia de' Nobili ecclesiastici. Memoria storica, in-8°, Roma, 1889.

9° Academias pontifícias diversas. — 1. Academia teológica, fundada por Clemente XI em 25 de abril de 1718 e confirmada por Pio X em 1913. Publica, a cada ano, um catálogo de teses teológicas, escriturísticas e históricas, sustentadas por seus membros. As sessões, até 1870, realizavam-se na Sapiência; realizam-se agora no antigo local do Seminário romano, praça de Santo Apolinário, 49. — 2. Academia romana de São Tomás de Aquino, fundada por Leão XIII em 13 de outubro de 1879, confirmada por Pio X em 23 de janeiro de 1904 e ampliada por Bento XV em 31 de dezembro de 1914. Suas sessões realizam-se no palácio da Chancelaria apostólica. — 3. Academia de liturgia, fundada por Bento XIV. Reúne-se nos locais do Apolinário. — 4. Academia dos Nuovi Lincei; é a antiga Academia das ciências dos Estados pontifícios. Possui uma biblioteca científica muito bem provida. Por seu observatório do Vaticano, contribui para a confecção do mapa fotográfico do céu. — 5. Academia de arqueologia, fundada por Bento XIV. Suas sessões realizam-se no palácio da Chancelaria. — 6. Academia dos Árcades, fundada em 1690. — 7. Escola pontifícia superior de canto gregoriano e de música sacra. — 8. Limitamo-nos a nomear várias outras Academias, tais como a Academia tiberina, fundada em 1813; a Academia de religião católica; a Academia da Imaculada Conceição, fundada em 1854; a Pia União dos eclesiásticos de São Paulo, apóstolo; a Academia dos Virtuosos do Panteão, fundada em 1542, para o desenvolvimento da arte cristã etc.

10° Seminários e colégios nacionais. — Contam-se uns trinta, dos quais sete são italianos. Entre os outros, nomeemos o Seminário pontifício francês, erigido canonicamente por Pio IX em 11 de julho de 1859, pela bula In sublimi.

O número global de seus alunos ultrapassa a cifra de 2 000. Esses eclesiásticos, vindos de todas as partes do mundo, seguem os cursos em uma das quatro universidades pontifícias de que falamos acima.

11° O Seminário pontifício Leoniano, fundado em 31 de agosto de 1901 por Leão XIII, via Pompeo Magno, 21, perto da igreja de São Joaquim. É uma espécie de escola normal, para 200 alunos. Seu fim é formar professores, diretores e superiores de seminários. Publicou, de 1908 a 1912, uma revista periódica intitulada: Leonianum, Periodico del Collegio Apostolico Leoniano, in-8°, Roma.

II. FORA DE ROMA. — 1° Universidades. — Grande foi na Itália a influência das numerosas universidades criadas na maioria das cidades importantes, do século xii ao século xv. Não só contribuíram eficazmente para o desenvolvimento da vida intelectual, mas sua ação foi imensa nos costumes, nos hábitos, nas tradições, nas leis e no próprio governo da sociedade, tanto do ponto de vista civil quanto do religioso. Tendo a lei de 26 de janeiro de 1873 abolido as cátedras de teologia e de direito canônico em todas as universidades do reino, a lista das universidades que se segue já não apresenta senão um interesse histórico, no que concerne ao ensino das ciências sacras.

1. A mais famosa e também a mais antiga das universidades da Itália é a de Bolonha, pois foi fundada, como a de Paris, no começo do século xii. Já no século precedente, hábeis jurisconsultos haviam ensinado ali o direito; mas ela lançou vivo brilho, sobretudo entre 1100 e 1120, para o direito civil e, um pouco depois também, para o direito canônico, principalmente com o célebre Graciano, por volta de 1150, a tal ponto que se tornou o modelo sobre o qual se formaram todas as outras universidades erigidas em seguida na Itália e até em outros lugares. Atraídos pela fama dos mestres eminentes, os alunos acorreram ali em multidão, não só de toda a Itália, mas dos diversos países da Europa, sobretudo para aprender um e outro direito. No começo do século xiii, esses alunos, em sua maior parte estrangeiros, eram quase 10 000. Denifle, Die Universitäten des Mittelalters, 5 in-8°, Berlim, 1885, t. i, p. 180.

Às cátedras de jurisprudência, ensinada com toda a amplitude desejável, uniram-se, pouco a pouco, outras faculdades, entre outras as de medicina e de artes liberais, faculdades que, como as de teologia e de filosofia, adquiriram rapidamente também grande celebridade. Em 1386, o número dos professores, sem contar os de teologia, elevava-se a 68, a saber: 12 para o direito canônico, 27 para o direito civil, 14 para a medicina, 15 para as outras matérias: letras, ciências e lógica, como constatam os arquivos da cidade de Bolonha, que os remunerava. Denifle, op. cit., t. i, p. 209. Embora menos próspera hoje, ainda tem cinco faculdades e cerca de 500 estudantes. Cf. Annuario della r. Università degli studi in Bologna, publicação periódica iniciada em 1877 e continuada depois.

2. A universidade de Pádua, nascida em 1222, em seguida à emigração para essa cidade de certo número de professores e de estudantes de Bolonha, foi célebre desde a sua origem. Em 1228, o número de estudantes elevava-se já a vários milhares, e contaram-se depois até 6 000, e ela teve logo, também ela, uma reputação mundial. Lerão-se com interesse os Statuti del comune di Padova per gli studenti degli anni 1259-1275, em Denifle, Die Universitäten des Mittelalters, t. i, p. 800-806. Cf. Atti e Memorie della r. Accademia di Padova, in-8°, Pádua, 1885 sq.; Annuario della r. Università degli studi in Padova, in-8°, Pádua, 1877 sq.

3. A universidade de Vercelli, iniciada em 1228 pela emigração para essa cidade de certo número de professores e de estudantes de Pádua, que a municipalidade de Vercelli atraiu para lá mediante a concessão de importantes privilégios. Essa universidade jamais lançou grande brilho, mas manteve-se até o fim do século xive.

4. Régio da Emília possuiu, durante mais de um século, uma florescente universidade, que brilhou sobretudo na segunda metade do século xiiie. Denifle, op. cit., t. i, p. 294 sq.

5. Módena foi, na mesma época, a êmula de Régio. Pílio, em sua Summa trium librorum, diz que é igual à de Bolonha. Cod. Vatic, 2313. Sua decadência se deve, como a de Régio, às guerras perpétuas e sangrentas entre guelfos e gibelinos, de que foi teatro e vítima. Cf. Annuario della r. Università degli studi in Modena, in-8°, Módena, 1877 sq.

6. A universidade de Vicenza é, provavelmente, como a de Pádua, uma filha da universidade de Bolonha. Já na primeira metade do século xiiie, lançou vivíssimo brilho e teve numerosos alunos de todas as nações.

7. Pisa tinha, desde o século xiie, uma escola de direito romano, à qual, por volta do fim do século xiiie, acrescentou uma escola de medicina e, alguns anos depois, juntou todas as outras faculdades. Por uma bula de 3 de setembro de 1343, o papa Clemente VI erigiu esse estabelecimento em universidade e lhe conferiu privilégios semelhantes aos da universidade de Bolonha. A partir dessa data, foi muito próspera e, salvo algumas provações momentâneas, manteve a sua prosperidade até a nossa época. Conta atualmente uma sessentena de cátedras e 1100 estudantes. Cf. Annali della r. Scuola normale superiore di Pisa (Filosofia e filologia), in-8°, Pisa, 1871 sq.; Annuario della r. Università degli studi in Pisa, in-8°, Pisa, 1879 sq.

8. Ferrara teve, desde o fim do século xiie, uma escola de direito, de medicina e de artes liberais; mas só foi uma verdadeira universidade no fim do século xive, em virtude de uma bula de 4 de março de 1392, concedida por Bonifácio IX, a pedido do marquês Alberto d'Este. Depois de diversas vicissitudes, adquiriu grande prosperidade, enquanto as de Régio e de Módena declinavam por causa das guerras e das dissensões intestinas. Em 1471, tinha 51 professores. Atualmente não tem muito mais de uma centena de estudantes.

9. Arezzo já tinha, no século xiiie, uma escola de altos estudos de direito civil, de direito canônico, de medicina e de artes liberais. Mas o título de universidade só lhe foi oficialmente concedido em 5 de maio de 1355. Denifle, Die Universitäten des Mittelalters, t. i, p. 427. Esse estabelecimento, como tal, só existiu até o fim do século xve.

10.

Siena possuiu uma universidade por volta de meados do século XIII. Já no ano de 1252, com efeito, Inocêncio IV escrevia Universitati magistrorum et doctorum Senis regentium ac ipsorum scolarium, para lhes conceder, conforme o pedido deles, plena isenção a quibuslibet servitiis, talliis collectis, Denifle, op. cit., t. i, p. 429-452. A cidade inscreveu em seu orçamento anual somas consideráveis, para ter doctores famosos in qualibet facultate, quos scolares undique, tamquam sagitta signum suum, quæritent... Durante a primeira metade do século XV, os papas Gregório XII, Martinho V, Nicolau V e Pio II, que era sienense, não cessaram de cumular de privilégios a universidade de Siena, para aumentar constantemente a sua prosperidade. Ela conta, neste momento, 60 professores e 230 estudantes. Cf. Annuario della r. Università degli studi in Sienna, in-8°, Siena. 1878 sq.

11. Nápoles teve sua universidade desde 1224. O imperador Frederico II, que contribuiu poderosamente para a sua fundação e a dotou ricamente, chamou para ali não somente os seus súditos do reino das Duas Sicílias, aos quais proibiu de ir seguir os cursos das universidades estrangeiras, mas também os estudantes de todos os países, atraindo-os com as mais sedutoras promessas, com garantias de proteção e franquias muito extensas, fazendo mesmo ressaltar a seus olhos a beleza do sítio, os encantos da vida e a cortesia de seus habitantes. Uma das maiores glórias desta universidade é ter tido, durante vários anos, como aluno, o jovem Tomás de Aquino, que, nascido em 1221, veio para ali aos dezesseis anos, em 1210, para aprender a lógica. Permaneceu ali cerca de três anos, e já brilhou a ponto de eclipsar os próprios mestres. Voltou ali, em 1272, para ensinar a filosofia. A nobreza e o rei assistiam às suas aulas. Carlos de Anjou, movido por uma carta premente do papa Clemente IV, foi como que o segundo fundador desta universidade, que, desde então, não cessou mais de prosperar. Ainda em nossos dias, ela está entre as mais renomadas da Itália. Compreende cinco faculdades, com uma centena de cátedras; em 1915, o número de estudantes subia a 5 1C6, entre os quais havia 606 moças. Cf. Annuario della r. Università degli studi in Napoli, in-8°, Nápoles, publicação periódica começada em 1877 e continuada desde então.

12. Treviso deu-se, em 1260, uma escola de altos estudos para o direito, a medicina e a física; mas foi somente em 1314 que, para transformá-la em universidade, ela começou a atrair a si, pelo atrativo de ricos emolumentos, doctores egregios, famosos et sapientes, e, pela promessa de numerosos privilégios, estudantes de todos os países. Denifle, Die Universitäten, t. i, p. 464 sq. Esta universidade não teve, entretanto, senão uma duração efêmera. Treviso, com efeito, caiu em poder de Veneza, que decretou que, nos Estados submetidos à sua jurisdição, além da universidade de Pádua, que era a principal, não haveria outra senão a de Vicenza.

13. Perúgia, já no século XIII, possuía uma escola florescente de direito romano, de medicina e de artes liberais. Por uma bula de 8 de setembro de 1308, Clemente V erigiu-a em universidade, que, a partir desse momento, foi uma das mais importantes da Itália. Esforçou-se por arrebatar às de Bolonha e de Pádua os seus melhores professores. Denifle, op. cit., t. i, p. 534-551. Os papas e os imperadores enriqueceram-na, à porfia, de privilégios. Cf. Annali della Università libera di Perugia, in-8°, Perúgia, 1886 sq.; Annuario della libera Università degli studi in Perugia, in-8°, Perúgia, publicação periódica, começada em 1879 e continuada desde então.

14. Florença também tinha, desde longa data, escolas de altos estudos, onde ensinavam professores distintos. Contudo, é somente em 1321 que aí se mostram os começos de uma verdadeira universidade. A bula oficial de fundação só foi dada vinte e oito anos depois, pelo papa Clemente VI, em 31 de maio de 1349. Quinze anos mais tarde, Carlos IV concedeu-lhe os privilégios imperiais, em 2 de janeiro de 1364. O direito romano foi ali ensinado pelo célebre Baldo, em 1359 e 1362, e a cidade de Florença impôs-se as maiores despesas para atrair a seus muros os mais ilustres professores e multidões de alunos. É muito interessante ler os Statuti dell' Università e studio fiorentino, promulgados no mês de fevereiro de 1388 e que, nestes últimos anos, foram publicados por A. Gherardi, in-8°, Florença, 1881. No fim do século XV, por conselho de Lourenço de Médici, que achava Florença pouco apta para os estudos profundos, a Senhoria desta cidade reuniu sua universidade à de Pisa, e deixou em Florença apenas uma escola de menor importância, embora ainda se a chame l'Istituto di studi superiori, situada atualmente perto da rua da antiga Sapienza. Cf. Annali della r. Università toscana, in-8°, Pisa, 1850 sq. Ver, mais acima, o n° 7.

15. Placência viu, em 6 de fevereiro de 1248, sua antiga escola erigida em universidade pelo papa Inocêncio IV. Depois de numerosas vicissitudes, essa universidade brilhou com grande esplendor no fim do século XIV. Tinha então mais de 70 professores. Contudo, por volta de meados do século XV, começou a ser eclipsada pela vizinhança da universidade de Pavia, e perdeu mesmo o seu título de universidade, tendo o duque Filipe Maria Visconti proibido, sob penas muito severas, a seus súditos fazer estudos superiores em outra parte que não em Pavia. Denifle, op. cit., t. i, p. 566 sq.

16. Pavia teve uma prosperidade mais durável. Capital do antigo reino da Lombardia, foi constituída, desde 825, pelo imperador Lotário I, centro de estudos para todo o reino. Ali deviam dirigir-se os estudantes de Milão, Como, Bréscia, Lodi, Bérgamo, Novara, Vercelli, Asti, Tortona e mesmo os de Gênova. Essa escola, célebre havia vários séculos, só foi, contudo, erigida em universidade em 1361, e o papa Bonifácio IX a confirmou nesse título por sua bula de 16 de novembro de 1389. Após algumas interrupções, devidas às guerras frequentemente renascentes, essa universidade conheceu longos períodos de prosperidade, durante os quais teve, para ilustrar suas cátedras, quamplures famosissimos doctores, muito generosamente remunerados. Os alunos, muito numerosos, eram não somente italianos, mas também estrangeiros, sobretudo alemães, que, apesar das universidades de seu país, preferiam vir estudar o direito romano na Itália. Cf. Annuario della r.

Università degli studi in Pavia, in-8°, Pavia. publicação começada em 1877 e continuada desde então.

17. Turim teve sua universidade fundada pelo conde Luís de Saboia, que obteve, com esse fim, em 27 de outubro de 1404, uma bula do papa de Avinhão Bento XIII. Esse diploma, sendo de valor mais que duvidoso, foi substituído, nove anos mais tarde, por uma bula de João XXIII, de 1º de agosto de 1413. Atualmente a universidade de Turim é frequentada por cerca de 2 500 estudantes. Cf. Atti della regia Accademia di Torino, in 8°, Turim, 1865 sq. ; Annuario della r. Università degli studi in Torino, in-8°, Turim, 1876-1914.

18. A universidade de Gênova é de fundação muito mais recente, pois só foi erigida em 1812. Ver Atti della r. Università di Genova, in-8°, Gênova, publicação periódica, começada em 1869 e que durou até 1904. Ver também Annuario della r. Università degli studi in Genova, in-8°, Gênova, começado em 1877 e continuado desde então.

19. Não poderíamos terminar esta nomenclatura sem dizer uma palavra sobre a célebre escola de Salerno. Não foi, propriamente falando, uma universidade, embora tenha tido, durante algum tempo, cátedras de filosofia e de teologia; mas foi sobretudo uma escola de medicina. Suas origens são muito obscuras, mas remontam certamente muito longe. Muito próspera e muito renomada já desde o século XI, foi, durante muito tempo, uma das mais ilustres, não somente da Itália, mas da Europa inteira.

20. Para sermos completos, assinalemos alguns outros estabelecimentos de instrução superior, que foram também chamados universidades, sem que a amplitude de seu ensino justificasse esse nome. — a) Nos Estados da Igreja: a universidade de Macerata, erigida provavelmente no século XIII e que possui, ainda agora, uma faculdade de direito, frequentada por 250 estudantes, cf. Annuario della r. Università degli studi in Macerata, in-8°, 1878 sq. ; — a de Fermo, fundada por Bonifácio IX, por uma bula de 16 de janeiro de 1398, mas que nunca teve grande brilho; — a de Orvieto, continuação da escola de direito e de medicina que já se achava nessa cidade, no século XIII, e à qual uma faculdade de teologia foi acrescentada, no século XIV: sua prosperidade não foi longa e seu brilho diminuiu pouco a pouco. — b) Na Toscana: as de Pistoia e de Lucca, bem eclipsadas por suas poderosas vizinhas de Pisa e de Florença, não menos que pelas de Pavia e de Bolonha. — c) No norte da Itália: Verona obteve, em 22 de setembro de 1339, uma bula de Bento XII, ordenando que ali se erigisse uma universidade; mas não se vê que essa bula tenha tido pleno efeito, apesar dos esforços do doge Miguel Steno, em 1405. É igualmente por engano que se atribuíram verdadeiras universidades a Bréscia, Mântua e Parma, embora essas cidades se tenham gloriado, por vezes, de ter em seus muros professores célebres; pois assim como uma só andorinha não faz a primavera, assim também um ou dois professores, por ilustres que sejam, não bastam para constituir uma universidade, sobretudo na Itália, onde, durante vários séculos, quase não havia cidade um pouco importante que não tivesse, em suas cátedras, algum professor distinto, principalmente de direito. — d) Na Sicília. A mais antiga, nessa ilha, é a de Catânia, erigida por uma bula de Eugênio IV, de 18 de abril de 1444. É frequentada, hoje, por um milhar de estudantes. Cf. Annuario della r. Università degli studi in Catania, publicação periódica começada em 1877 e continuada desde então. — Palermo só teve uma universidade em 1779. É frequentada, hoje, por cerca de 1 100 estudantes. Cf. Bollettino della regia Accademia di Palermo, in-8°, Palermo, 1884 sq. ; Annuario della r. Università degli studi in Palermo, in-8°, Palermo, 1877 sq. — Quanto à universidade de Messina, é por engano que se a faz remontar a 1224. O número de seus estudantes elevava-se a 650, antes do recente terremoto que destruiu a cidade, em sua maior parte. Cf. Annuario della r. Università degli studi in Messina, in-8°, Messina, 1877 sq.

21. Uma universidade católica foi fundada, em 1920, em Milão, pelo zelo esclarecido do cardeal André Ferrari, arcebispo dessa cidade. Depois de ter reunido os fundos necessários a essa fundação, depois de ter assegurado o recrutamento dos primeiros professores, o cardeal dirigiu-se, em 30 de maio de 1920, à S. C. das Universidades e Seminários e pediu que a nova universidade, composta de duas faculdades, uma de filosofia e uma de direito, fosse aprovada pela Sé Apostólica. Em 4 de agosto seguinte, os cardeais, membros dessa S. C., louvaram o projeto do cardeal Ferrari e pediram que os estatutos e regulamentos fossem submetidos ao seu exame. O arcebispo de Milão enviou os estatutos, novembro, e como estava gravemente doente (morreu, com efeito, em 2 de fevereiro de 1921), o soberano pontífice Bento XV decidiu, após exame, que o decreto de ereção seria promulgado pela S. C., para que o fundador tivesse a consolação, antes de morrer, de ver sua obra aprovada pela autoridade suprema. Assim a nova universidade, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, foi erigida oficialmente e obteve o gozo dos privilégios concedidos às instituições desse gênero, que dependem da Santa Sé; por decreto de 25 de dezembro de 1920. Ver Acta apostolicae sedis, 1921, t. xiii, p. 321-322. Observar-se-á que essa Universidade católica não comporta, ela tampouco, o ensino da teologia.

2° Seminários. 1. Observações gerais, — Se a capital do mundo cristão é maravilhosamente dotada, quanto aos estabelecimentos destinados à formação do clero, não sucede infelizmente assim, muito longe disso, em grande número de dioceses da Itália, que, dada a sua pequena extensão e a penúria de seus recursos, não podem constituir, em tão grande escala, os seus seminários. Como, com efeito, em tantos lugares, visto que a Itália está dividida em tantas dioceses, reunir um corpo de professores suficiente para seminários que compreendem habitualmente uma média de apenas 20 a 30 alunos, às vezes uns quinze apenas e menos ainda? E esses alunos, tão pouco numerosos, pertencem não obstante a todas as classes, desde as mais baixas, em que se devem ensinar os rudimentos das gramáticas italiana e latina, até as classes mais altas, as de filosofia e de teologia!...

Se se quisesse estabelecer ali cursos regulares e completos, seria preciso por vezes quase tantos professores quantos alunos há!... Há nisso uma espécie de impossibilidade. E que emulação pode existir entre alunos tão pouco numerosos, pertencentes a cursos tão diferentes? Que estímulo ao trabalho? Que amor ao estudo? Em alguns lugares, tentou-se obviar o mal fundando seminários regionais, para uma ou várias províncias eclesiásticas. Mas esses projetos raríssimas vezes tiveram êxito, quer por causa de certas rivalidades locais entre os clérigos de diversas dioceses, mesmo de uma só província, quer por causa do desejo, aliás muito legítimo, que têm os bispos de conservar sob a sua mão e sob a sua influência imediata, como também para a decência dos santos ofícios em sua catedral, os jovens clérigos que, mais tarde, deverão exercer o ministério em suas dioceses de origem. Educados todos fora de sua respectiva diocese, não lhes serão eles, de algum modo, estrangeiros? Conhecerão suficientemente os usos, os costumes, os modos e os hábitos dela? Pode-se ler, a esse respeito, um opúsculo muito instrutivo do cônego Simone di Lella, Proposta di riordinamento dei seminari nella provincia ecclesiastica di Benevento, in-12, Portici, 1896. Embora o autor só fale diretamente da província de Benevento, suas reflexões não se aplicam menos a muitas outras dioceses da Itália. Ver também uma obra do cônego F. Bruschelli, superior do seminário de Nocera, na Úmbria: Su lo stato dei seminari delle minori diocesi d'Italia, in-12, Roma, 1905.

2. Tentativas dos soberanos pontífices para remediar, em parte ao menos, esse estado de coisas. — a) Pio IX trouxe um primeiro remédio pela instituição do seminário Pio, destinado a formar uma elite de sacerdotes piedosos e instruídos para as dioceses dos Estados pontifícios. Fundou-o em 27 de junho de 1853 e, para assegurar-lhe a existência, retirou de sua caixa particular uma soma de 340 000 escudos, ou seja, 1 700 000 francos. A bula de fundação especifica que, nesse seminário, deverá ser admitido um aluno de cada uma das dioceses dos Estados pontifícios, com esta cláusula, porém, de que a diocese de Senigallia, diocese natal do fundador, terá o direito de enviar dois. Por bela que fosse essa instituição, não podia, contudo, ter senão uma influência muito restrita, visto que o número de alunos não devia ultrapassar o número de 70. Cada um deles é escolhido em concurso, por seu bispo. Supõe-se, pois, que seja o aluno mais capaz de sua diocese, e deve prestar o juramento de voltar à sua diocese de origem, uma vez terminados os estudos. É depois de terminar as humanidades que é enviado a Roma, onde permanece nove anos, seguindo, para os cursos de filosofia, de teologia e de direito canônico, as próprias aulas do Seminário romano. Até 1913, esse seminário Pio esteve como que enxertado no estabelecimento de Santo Apolinário, que Pio IX ampliou, para esse fim, e sobrelevou de dois andares. Agora, está ainda unido a esse mesmo Seminário romano, transportado para junto da basílica de São João de Latrão. Pela munificência de Pio IX, nenhum desses alunos devia ficar a cargo de seus pais ou de sua diocese. Dessa instituição saiu uma elite de professores de seminários maiores, para os Estados pontifícios. Cerca de cinquenta deles foram promovidos ao episcopado. Dois foram revestidos da púrpura romana. Foram o cardeal Svampa, arcebispo de Bolonha, e o cardeal Respighi, sucessivamente arcebispo de Florença, depois cardeal-vigário de Pio X.

b) Seguindo as pegadas de Pio IX, Leão XIII instituiu um seminário regional em Anagni; mas os alunos não são ali numerosos. c) O mesmo papa fundou, em Perúgia, e depois transferiu para Roma, o colégio Philippini, em honra de são Filipe Néri, para as Marcas, a Úmbria e a Romanha.

3. Estatística dos seminários diocesanos da Itália. — a) Para as dioceses suburbicárias, há apenas 168 seminaristas, incluindo os alunos dos seminários maiores e menores: 35 para Albano, 40 para Frascati, 42 para Palestrina, 27 para Sabina, 24 para Velletri. A diocese de Óstia não tem seminário, e não poderia ter, dado o número insignificante de seus habitantes. Mesma observação para a diocese de Porto e Santa Rufina.

b) Nos antigos Estados da Igreja, para as 63 dioceses que ali se encontram, além das dioceses suburbicárias, há 2 133 alunos, o que dá uma média de 33 alunos por diocese, para o conjunto dos seminários maiores e menores. As duas dioceses que têm um número relativamente elevado são as duas arquidioceses de Bolonha e de Fermo, com uma média de 150 alunos. Notemos que as seis universidades, outrora situadas nos Estados da Igreja, tinham por chanceler o bispo diocesano, sob a alta direção da Congregação cardinalícia dos Estudos, estabelecida por Leão XII.

c) No Piemonte, há 18 dioceses e 1 580 seminaristas, o que dá, em média, 88 por diocese. As mais ricas, sob esse aspecto, são Turim, com 260 seminaristas; Vercelli, com 155; Novara, com 150; Mondovi, com 145.

d) Na Ligúria, há 8 dioceses, com um número global de 761 seminaristas. Mas, se algumas dioceses têm um número relativamente considerável, como Gênova, com 200, Tortona com 160, Chiavari com 100, há outras que têm apenas 30 ou 32.

e) Na Lombardia, há 9 dioceses, com um número global de 1 894 seminaristas. A maior parte dessas dioceses tem números relativamente elevados: Milão, 407; Bérgamo, 400; Bréscia, 398; Cremona, 200; Como, 150; Mântua, 120; Lodi, 102. A menos rica é Crema, que chega a apenas 11; Pavia a supera um pouco, com 73 seminaristas.

f) Na Vênetia, há 10 dioceses, com um número global de 1 787 seminaristas. A maior parte dessas dioceses é rica em sujeitos. Em primeiro lugar vem Pádua, com 304 seminaristas; depois Údine, com 300; Treviso, 270; Vicenza, 270; Verona, 206; Chioggia, 140.

g) Na Toscana, há 22 dioceses, com um número global de 1 014 seminaristas, se se excetuar Florença, que tem 200, Arezzo e Lucca, que têm cada uma 120, Fiesole, que tem 90, Pisa, que tem 80, Siena e Volterra, que têm cada uma 40, as outras têm apenas de 20 a 30. Cinco delas têm menos de 20.

h) A Emília tem 8 dioceses com um número global de 637 seminaristas.

O mais rico em sujeitos é Placência, com 160 seminaristas; depois vêm Reggio nell'Emilia, com 130; Parma, com 100. As outras estão bem abaixo desses números. Uma dessas dioceses não tem sequer 20 seminaristas.

i) O antigo reino de Nápoles, de 100 dioceses, com um número global de 3 645 seminaristas. As dioceses mais ricas em sujeitos são a de Nápoles, que tem 200, e a de Cápua, que tem 180. Sete têm cerca de uma centena cada uma; Caserta tem apenas 90, e Salerno apenas 60, assim como Trivento. As outras são incomparavelmente mais pobres; sete dioceses têm apenas 20 seminaristas, e 29 dioceses têm, cada uma, ainda menos.

j) A Sicília tem 17 dioceses, com um número global de 668 seminaristas. A diocese mais bem provida é a de Catânia, com 140 seminaristas; depois vêm a diocese de Girgenti, que tem 130, a de Monreale, que tem 120, e a de Acireale, que chega à centena. Palermo tem apenas 85; Siracusa e Cefalù têm 50 cada uma; outras três dioceses têm mais ou menos o mesmo tanto. Uma chega a 30 apenas, e três outras têm somente de 10 a 15.

k) A Sardenha tem 11 dioceses, com um número global de 341 seminaristas. As duas dioceses mais bem providas são a de Cagliari, que tem 100, e a de Sassari, que tem 80. Vem em seguida a de Oristano, que tem 50. Todas as outras são verdadeiramente muito pobres. Duas têm somente 20 cada uma; cinco outras têm somente de 10 a 15; e uma, enfim, tem apenas 7.

4. Medidas administrativas recentes. — Em 16 de julho de 1912, o cardeal De Lai, em nome da Congregação Consistorial, da qual é secretário, dirigiu uma carta circular a todos os bispos da Itália, em consequência das visitas apostólicas feitas aos seminários. Depois de constatar a diminuição do número de alunos dos seminários, nestes últimos anos, e a falta de perseverança de certo número de jovens que haviam parecido, a princípio, ser chamados ao estado eclesiástico, o cardeal examina quais são os remédios para esse mal.

a) Ele exprime, em primeiro lugar, o desejo de que se separem os alunos de filosofia e de teologia daqueles que se acham ainda nas classes inferiores. Isso equivale a estabelecer seminários maiores, distintos dos seminários menores, como se pratica, em todas as dioceses da França, há tanto tempo, e em algumas raras dioceses da Itália, as maiores, como as de Milão, Turim etc. Essa medida parece indispensável ao cardeal, que a chama ottima, per non dire necessaria. A razão é que não se podem submeter ao mesmo regulamento crianças de 12 a 15 anos e jovens de 20 a 25. Não se pode, tampouco, fazer-lhes as mesmas pregações, as mesmas instruções, as mesmas leituras, nem prescrever-lhes as mesmas práticas de piedade. Quanto a esperar encontrar um sistema intermediário, próprio para formar convenientemente uns e outros, é pura utopia: é cosa impossibile.

b) A S. C. Consistorial quer em seguida que não se recebam nos seminários menores senão os adolescentes que manifestem a intenção de se tornar sacerdotes e que mostrem algumas provas de vocação. c) Que as férias sejam curtas e que os alunos sejam, durante esse tempo, recebidos numa casa de campo pertencente a um seminário, em vez de serem enviados às suas famílias, onde o contato com o mundo e a leitura dos jornais podem ser-lhes fatais. d) Nada de externato, nem nos seminários maiores, nem nos menores. e) Segue-se um programa de estudos, no qual temos a alegria de ver recomendado Bossuet, ao lado de santo Agostinho, para a filosofia da história, a manifestação da Providência nos acontecimentos humanos e a assistência contínua dada por Deus à sua Igreja.

Um ano depois, o cardeal De Lai, em 17 de outubro de 1913, enviava uma segunda circular aos bispos da Itália, sempre em nome da S. C. Consistorial, a respeito dos livros de texto a empregar nos seminários maiores e menores, e daqueles a eliminar. Ele já havia falado um pouco disso no fim da circular precedente, mas volta a isso nesta com mais pormenores, e assinala nela vários autores que se deve necessariamente excluir. Enfim, muito recentemente, apareceu, sobre este assunto, outro documento oficial: Ordinamento dei seminari. Nuove disposizioni della S. Congregazione dei Seminari e delle Università degli studi, in-8°, Roma, 1920.

F. INSTRUÇÃO PÚBLICA — 1° Estatísticas do ensino oficial. — 1. Para o ensino superior, a instrução pública conta, na Itália, hoje, 21 universidades, organizadas ou fiscalizadas pelo Estado. Dentre elas, quatro são universidades livres: são as de Camerino, de Ferrara, de Perúgia e de Urbino. Há, além disso, 15 institutos superiores do Estado. Por volta do fim do século XIX, o número de estudantes que frequentavam esses diversos estabelecimentos era de cerca de 221. Para o ano escolar de 1913-1914, foi de 27 228: e, para o ano escolar de 1914-1915, de 31 838. Desse número, havia, em 1913-1914, 2483 moças, e 4 732 no ano seguinte. Cf. Bollettino ufficiale del Ministero della Pubblica Istruzione, anno 1916.

2. O ensino secundário, no fim do século XIX, compreendia 397 escolas técnicas, 310 liceus, 733 ginásios públicos ou privados, ou seja, um total de 1 420 estabelecimentos ou de 1 569, incluindo as 149 escolas normais. Em 1909, esse número global havia subido a 1713, e três anos depois chegava a 1801. Esses números são tirados das Notizie sugli Istituti per l'Istruzione media e normale negli anni scolastici dal 1909 al 1912, in-4°, Roma, 1916, obra publicada pelos cuidados do ministério da agricultura, da indústria e do comércio, Direzione generale della Statistica e del lavoro. Ufficio centrale di Statistica. Todas essas escolas secundárias tinham, em 1912, uma população escolar de 227 203 alunos. Cf. Bollettino ufficiale della Pubblica Istruzione, in-8°, Roma, 1914 sq. Sobre o nível dos estudos, na Itália, durante a segunda metade do século XIX, consultar-se-ão com proveito as obras seguintes: G. Paria. Il livello degli studi liceali nel regno d'Italia e nelle scuole romane dal 1859 al 1869, determinato sopra documenti ufficiali, in-8°, Roma, 1871; Tommaseo, Degli studi elementari e dei superiori, in-8°, Florença, 1872: G. Monacorda, Storia della Scuola, in Italia, 2 in-12, Palermo, 1913.

3. Para o ensino primário, contavam-se, no fim do século XIX, 57 621 escolas.

Esse número cresceu depois. A instrução primária é obrigatória, em princípio; contudo, durante o último quarto do século XIX, metade dos adultos ainda eram analfabetos. Dez anos mais tarde, o número deles havia diminuído um pouco; mas elevava-se ainda a 13 350 000, . nos primeiros anos do século XX, segundo o Annuario statistico italiano, Seconda serie. Em 1913, podia-se constatar que o número de alunos nas escolas primárias havia aumentado 50 por cento; os locais eram insuficientes, assim como o número dos professores. Teria sido preciso, em 1º de janeiro de 1912, 1116 professores a mais, para que todas as classes estivessem providas deles. Podia-se perguntar isso também, lendo, na crônica dos jornais diários, o relato dos crimes de todo gênero perpetrados pelas escolas governamentais de todo grau; nada faltava ali, nem mesmo os suicídios de crianças.

3. Esses números, já tão tristemente". • aumentaram ainda nos anos seguintes . Segundo as estatísticas oficiais, em 1890 houve 30 108 menores condenados por delitos. Nesse número, contavam-se 2 920 crianças com menos de 14 anos; 12 208 adolescentes de 14 a 18 anos; 11 980 de 18 a 21 anos. Em 1898, o número global dos menores condenados por delitos havia subido a 11 172, dos quais 5 636 não tinham 14 anos; 18 756 tinham de 14 a 18 anos; 19 780 tinham de 18 a 21 anos. Encontram-se esses números no Annuario statistico italiano, de 1904, e em um trabalho do comandante De Negri, presidente da Comissão para a estatística judiciária, intitulado: Relazione sulla delinquenza in Italia dal 1890 al 1905, in-8°, Roma, 1908. «As estatísticas não podiam pôr diante de nossos olhos um resultado nem mais triste, nem mais doloroso», escrevia Guarnieri Ventimiglia, em sua obra, La delinquenza e la correzione dei minorenni, in-8°, Roma, 1906, p. 114. Com efeito, a criminalidade dos menores aumentava progressivamente de maneira constante; aumentava, nos números absolutos, como nos números proporcionais; aumentava, na reincidência e em todas as categorias de idade; aumentava, em suas relações com a criminalidade dos adultos, em suas relações com a população, com o número absoluto dos habitantes, com a densidade da população de cada região; em suas relações mesmo com o aumento da população. Essa criminalidade dos menores é das mais alarmantes, prosseguia o mesmo autor. Atinge proporções enormes. Desde há anos, nossa querida Itália tinha a primazia incontestada da criminalidade, em geral, e sobretudo especialmente a do derramamento de sangue. 4. Essa criminalidade dos jovens, a menos desculpável de todas, é um pesado fardo de vergonha, que pesa ainda mais sobre nós do que sobre os próprios culpados. Op. et loc. cit.

4. No período seguinte, esses números, já tão desoladores, não cessaram de crescer ainda. De 1891 a 1895, houve 171 787 menores condenados pelos tribunais; de 1896 a 1900, houve 211 211. Somente para o ano de 1904, houve 62 437; para o ano de 1905, houve 67 915 e para o ano de 1906, houve 69 787. Desse número, houve, somente para a cidade de Roma, 6 373 em 1904 e 10 863 em 1905, ou seja, um aumento de 4 490, quase 5 000 em um ano. Cf. Giornale d'Italia, de 11 de setembro de 1906. Em 1907 e em 1912, a proporção aumentou ainda! Por desoladores que sejam, esses números não são contudo a expressão exata da triste realidade, pois, como o fizeram notar vários autores, a justiça não atinge sequer um terço dos culpados. Quantos se escondem, com tanta astúcia, que é impossível descobri-los ou assinalá-los! Garofalo, Criminologia, in-8°, Turim, 1891, p. 71.

5. E o que há de mais espantoso é que a criminalidade juvenil se torna cada vez mais precoce. Annuario statistico italiano, in-8°, Roma, 1904, p. 228. No período de 1891 a 1895, os menores condenados, de 9 a 14 anos, eram 17 831; no período quinquenal seguinte, de 1896 a 1900, eram 25 196. De Negri, Relazione sulla delinquenza in Italia, p. 52. Do mesmo modo, os suicídios de menores quadruplicaram, num período de trinta anos, de 1872 a 1902. Annuario statistico italiano, p. 136. Esse aumento é tanto mais impressionante quanto, entre os adultos de 21 a 60 anos, o número dos suicídios diminuiu, durante o mesmo período, e a proporção dos suicídios entre os jovens com menos de 20 anos aumentou ainda em 1909 e em 1912!

6. Como não ver que esse aumento da criminalidade juvenil e, diríamos mesmo, infantil, aumenta com a multiplicação das escolas laicas ou sem Deus, que não somente retiram todo freio moral às paixões nascentes, mas que, de diversas maneiras, mesmo pelos livros de classe e pelos livros de prêmio, conspiram para desenvolver esses maus instintos! Passou o tempo em que os defensores da escola laica podiam dizer, com despudor: «Para cada escola que se abre, uma prisão se fecha.» Ai de nós! as escolas laicas abriram-se aos milhares, mas as prisões não se fecharam. Ao contrário, foi preciso abrir outras, e o número de seus habitantes aumenta sem cessar. Eis os fatos indiscutíveis. Aos espíritos sinceros cabe concluir.

3° O ensino livre. — 1. Não se estranhará, portanto, que, na parte sadia da população italiana, não somente as escolas primárias do Estado, mas também as escolas secundárias, ginásios e liceus, inspirem muito pouca confiança. Os pais não encontram ali, para seus filhos, garantias suficientes de moral e de espírito religioso. E numa nação como a nação italiana, que, no fundo, é muito mais católica do que parece, onde essas garantias faltam, é natural que se procure opor, tanto quanto possível, escolas livres, ou privadas, às escolas governamentais, apesar das pesadas despesas que elas acarretam.

2. Na própria Câmara dos deputados, certos homens, embora pouco suspeitos de clericalismo, tiveram a coragem de confessar que os pais de família tinham tido razão em buscar, para seus filhos, outras escolas além das do governo.

Um deles, Ruggero Bonghi, tristemente conhecido pelas palavras indignas proferidas contra a santa Bíblia e sua inspiração, podia já, em 1887, fazer a seus colegas este argumento ad hominem: Vós vos admirais de que os pais de família não nos confiem os seus filhos; mas quantos conheço eu, entre os que mais gritam contra os clericais, e que, no entanto, enviam os seus filhos às escolas mantidas por sacerdotes ou religiosos, porque sabem quão pouco valem as nossas escolas para instruir a juventude e, sobretudo, para moralizá-la! Atti ufficiali della Camera dei deputati, p. 630 sq., 773 sq. As mesmas observações se reproduzem, trinta anos mais tarde, no Parlamento e na imprensa, nos lábios e sob a pena daqueles mesmos que sustentam, com o maior ilogismo, o monopólio do Estado sobre a escola. Rivista d'Italia, 30 de junho de 1918. p. 205. 207.

3. Em 1912, o ensino secundário livre se repartia assim: 238 ginásios, 73 liceus, 186 escolas técnicas, 23 institutos técnicos, 2 escolas normais para rapazes, 39 escolas normais para moças, 103 escolas complementares para moças. Estas são até mais numerosas do que dizem as estatísticas oficiais. O número dos estabelecimentos livres é mais ou menos a metade do dos estabelecimentos similares do Estado, embora o número dos alunos que frequentam os estabelecimentos livres esteja longe de igualar a metade do número dos alunos que frequentam os estabelecimentos do Estado. Estes, com efeito, são geralmente maiores e mais povoados, sobretudo pelos filhos de funcionários, que não têm independência suficiente para enviar os seus filhos e filhas às escolas livres. O número dos estabelecimentos secundários livres é relativamente consolador. Sê-lo-ia ainda mais sem os entraves de diversos gêneros postos pelo Estado à abertura e à manutenção das escolas livres. Não obstante, o número dos estabelecimentos livres aumentou nos anos seguintes. Em 15 de dezembro de 1918, reuniam-se em Roma os representantes de mais de 700 estabelecimentos livres de todas as regiões da Itália, para constituir uma Federazione nazionale degli Istituti scolastici privati, para a defesa dos direitos das escolas livres, seu desenvolvimento e sua prosperidade. A assembleia decidiu, ao mesmo tempo, a criação de uma revista periódica, o Bollettino federale, para cimentar essa união e torná-la fecunda. Em Roma foi igualmente fundada a Associazione didattica italiana e, em Turim, uma Unione pro schola libera, que se pode dizer também nacional, dada a sua grande difusão. Seu fim é esclarecer a opinião pública sobre os direitos do ensino livre e agir sobre os poderes públicos, para obter uma legislação conforme a esses direitos. Citemos igualmente a Associazione magistrale Nicolò Tommaseo; é para as escolas primárias.

Entre os autores recentes que escreveram sobre a grave questão do ensino, na Itália, citaremos: Mons. Radini Tedeschi, Il problema scolastico odierno, in-8°, Roma, 1913; La libertà d'insegnamento. Che cosa possiamo, e che cosa dobbiamo fare? in-8°, Turim, 1911; N. Rezzara, Il problema scolastico nell'ora presente, in-8°, Bérgamo, 1913; Piovano, Le odierne questioni della scuola, in-8°, Roma, 1913; Pavissich, Scuola libera, in-8°, Roma, 1913; Mons. S. Nicotara, La scuola libera, in-8°, Roma, 1913; Id., La scuola libera, in-8°, Catânia, 1914; M. Barbera, Libertà d'insegnamento, Principii e proposte, in-8°, Roma, 1919.

4. Os católicos lutaram também pela composição de livros de classe, pois os que se põem nas mãos dos alunos, nos estabelecimentos do Estado, para a literatura, a história, as ciências e a filosofia, abundam em erros graves e, com demasiada frequência, em insinuações pérfidas contra a religião. Ver, a respeito desses manuais tão repreensíveis, uma série de artigos muito instrutivos e muito documentados na Civiltà cattolica, anos de 1912, 1915, 1916 e 1917. Em seus livros de pedagogia, os italianos imitaram servilmente demais os autores alemães. E o governo quereria impor esses maus livros de texto mesmo nas escolas livres, mantidas pelos sacerdotes, religiosos e religiosas. Trabalha nisso por meio de suas circulares ministeriais, de seus inspetores e da maneira de proceder do júri nos exames.

5. Os programas governamentais para os exames que dão direito aos diplomas não são menos repreensíveis que os livros de classe postos nas mãos dos alunos. Muitos deputados queixaram-se disso na Câmara, e o ministro da instrução pública teve de reconhecer, ele mesmo, o fundamento de suas queixas. Atti parlamentari, 2 de março de 1916, p. 8742, 8744 sq.

6. Além disso, o governo italiano fez leis especiais para apoderar-se, tanto quanto possível, da juventude, por meio de obras pós-escolares. Para ter uma ideia bastante completa de seus esforços, ler-se-ão com proveito os seguintes autores: N. Rezzara, Il patronato scolastico imposto dalla legge, in-8°, Bérgamo, 1914; S. Bassi, Il patronato scolastico comunale e le altre opere di assistenza scolastica, in-8°, Milão, 1914. Para lutar nesse terreno, foram instituídas, em Milão, a Federazione cinematografica cattolica e a Federazione italiana delle biblioteche cattoliche circolanti. Esta, além disso, publica uma revista intitulada: Rivista di letture. O fim é contrabalançar utilmente a obra nefasta das bibliotecas populares laicas. Os católicos criaram também obras de apostolado entre os jovens.

VI. RELIGIOSOS E RELIGIOSAS. 1° NA CIDADE DE ROMA. — 1° Religiosos. — Há, em Roma, cerca de 1 200 religiosos, dos quais um milhar são sacerdotes. Entre eles, alguns ocupam-se da educação da juventude e dirigem uma dezena de institutos ou colégios, com um número global de mil e quinhentos a dois mil alunos. Muitos outros ocupam-se do ministério sagrado junto às almas: pregações, confissões, serviço paroquial. Há também uma centena de procuradores gerais de ordens ou de congregações, encarregados de tratar diretamente os negócios de seu instituto junto à Santa Sé.

Pode-se dizer, além disso, que quase todas as ordens e congregações religiosas estão representadas em Roma, seja porque os membros de sua administração geral ali residem, para estar em contato mais imediato com a Santa Sé; seja porque ali estabeleceram comunidades, mais ou menos numerosas, casas de estudo ou escolasticados para seus jovens sujeitos, que seguem os cursos de alguma das universidades romanas. Encontrar-se-ão as informações nos anuários oficiais ou semioficiais, tais como o Annuario pontificio per l'anno 1919. Pubblicazione ufficiale, in-8°, Roma, 1919, p. 117-450; Mons. Battandier, Annuaire pontifical catholique, in-8°, Paris, 1919, p. 514-573.

2° Religiosas. — Nos primeiros anos do século XX, o número das religiosas, em Roma, era de 3 500 a 3 700. Aumentou ainda, nestes últimos anos, e, agora, ultrapassa certamente 4 000; mas seria difícil fixá-lo ao certo, dada a ausência de estatísticas completas. A maior parte são italianas; mas há também de quase todas as nações. As que, dentre elas, se ocupam da educação das moças abriram, com esse fim, uma trintena de estabelecimentos, que têm um número global de mais de 10 000 alunas. Abriram também para as obras pós-escolares: oficinas de costura, patronatos etc. Muitas outras se consagram ao cuidado dos doentes, nos grandes hospitais, ou nas clínicas, ou mesmo em domicílio. Certo número se dedica à vida contemplativa, e estas geralmente são de clausura. Enfim, várias congregações de religiosas têm igualmente, em Roma, sua casa generalícia.

II. FORA DA CIDADE DE ROMA. 1° Religiosos. — 1. Pode-se dizer, do mesmo modo, que todas as ordens, congregações e institutos religiosos se encontram na Itália, sem excetuar os que foram fundados em outros lugares e que vêm, mais cedo ou mais tarde, estabelecer uma de suas casas em Roma, pelas razões indicadas acima, e que, daí, irradiam em diversos pontos da península. 2. O número total dos religiosos é de cerca de 20 000. Repartem-se assim, segundo as antigas divisões geográficas da Itália: dioceses suburbicárias, 350; Estados da Igreja, 3 750; Emília, 800; Ligúria, 1 350; Lombardia, 1 300; Piemonte, 1 350; antigo reino de Nápoles, 4 500; Toscana, 2 700; Vênetia, 1 420; Sicília, 1 750; Sardenha, 400. 3. As cidades onde há mais, depois de Roma, são: Nápoles, 980; Florença, 570; Gênova, 400; Turim, 380; Veneza, 330; Milão, 250; Ivrea, 170; Catânia, 160. A pequena diocese de Frascati tem mais de 150 e possui numerosos mosteiros, representando quase todas as grandes ordens. Pode-se dizer quase outro tanto do bispado suburbicário de Albano.

2° Religiosas. — 1. O número das religiosas de toda a Itália, fora de Roma, é de 34 271, segundo as estatísticas mais recentes e que parecem as mais exatas. Essas religiosas pertencem às congregações e às ordens mais diversas. 2. Repartem-se assim, segundo as antigas divisões geográficas da Itália: dioceses suburbicárias, 390; Estados da Igreja, 5 872; Emília, 1 003; Ligúria, 2 372; Lombardia, 5 325; Piemonte, 4 318; antigo reino de Nápoles, 5 945; Toscana, 3 424; Vênetia, 2 602; Sicília, 2 833; Sardenha, 187. 3. Certas dioceses possuem, só elas, um número considerável: Nápoles tem 2 000; Florença, 1 600; Cremona, 1 175; Bréscia, 1 280; Gênova, 1 100; Palermo, 1 070; Milão, 960; Vercelli, 980; Údine, 630; Ivrea, 530; Vicenza, 520; Turim, 500 etc.

VII. Obras de zelo. — 1° Vida paroquial em Roma. — 1. No começo do século XX, havia em Roma 58 paróquias, das quais 26 eram confiadas aos sacerdotes seculares e 32 aos sacerdotes regulares. Sendo então a população de cerca de 555 000 almas, isso dava, teoricamente, uma média de 9 000 almas por paróquia; mas, na prática, estava longe de ser assim. As paróquias situadas no centro da cidade, estando muito próximas umas das outras, tinham poucos habitantes; ao passo que as dos bairros excêntricos, onde, antes de 1870, não havia nem habitantes nem igrejas, tornavam-se cada vez mais populosas, e foi preciso, portanto, dividi-las para criar outras. É o que se fez, sobretudo sob Pio X, e o que continua ainda a fazer-se, pois a cidade não cessa de crescer, por um afluxo constante da população, que, de todas as partes da Itália, se dirige à capital. Esse aumento, sempre crescente, não tem sido favorável à melhoria dos costumes e da piedade. Se os antigos romanos, estabelecidos em Roma há muito tempo, permaneceram profundamente cristãos, os novos habitantes, atraídos pela ambição e pelo amor do lucro, não põem a observância de seus deveres religiosos em primeiro plano de suas preocupações.

2. Os párocos da cidade de Roma reúnem-se oficialmente, todas as quintas-feiras do ano, em casa de um deles, por turno. É o que se chama o crocchio ou círculo. É presidido ordinariamente por Mons. o vice-gerente, que representa o cardeal-vigário, ou, em sua ausência, pelo camerlengo do clero paroquial. Nessas reuniões semanais, os párocos conferenciam sobre todos os assuntos concernentes à administração paroquial: falam dos casos práticos importantes que se lhes apresentaram; põem em comum suas luzes e adotam, após discussão, uma linha de conduta uniforme para os casos semelhantes. É nisso uma vantagem e uma força. Em muitas grandes cidades poder-se-ia seguir esse método, que remediaria a falta de homogeneidade que se nota, por vezes, entre as direções dadas pelos párocos de uma mesma cidade, na qual se encontram várias paróquias.

3. Graças a essa unidade de ação, pôde-se neutralizar, em parte, o resultado da propaganda das diversas seitas protestantes. Apesar de todos os esforços feitos por elas, as conversões são raras. O grande amor que os italianos têm pela santa Virgem os preserva também. Eles precisam absolutamente dessas manifestações piedosas, achadas por vezes exageradas pelos católicos do norte, mas que muitos italianos, os do povo sobretudo, consideram como parte essencial e fundamental da religião. Os necessitados, atraídos pelo engodo de alguma esmola ou pela distribuição prevista de roupas e de diversos objetos, podem vir assistir, com ouvido distraído, às pregações dos ministros.

À noite, antes de se deitarem, nem por isso deixarão de rezar o terço, seja em particular, seja até em família. Se, em alguns casos isolados, os propagandistas conseguem afastar alguns italianos da Igreja católica, sua obra é para fazer deles livres-pensadores, mas de modo algum para transformá-los em protestantes, valdenses, luteranos, calvinistas ou metodistas. Se essas ovelhas estão perdidas para a Igreja, não estão verdadeiramente conquistadas para as seitas dissidentes.

2° Obra da preservação da fé, em Roma. Foi instituída por Leão XIII, em 25 de novembro de 1902, e depois especialmente abençoada por Pio X e Bento XV. Compõe-se de vários cardeais e de certo número de consultores, tirados da prelazia e das ordens religiosas. Cf. Analecta ecclesiaslica, de 1904, p. 231. Muitos jovens, rapazes e moças, devem-lhe o terem escapado às armadilhas de todo gênero, semeadas sob seus passos pelo proselitismo empreendedor das diversas seitas. Em um discurso proferido a 21 de novembro de 1915, o soberano pontífice, dirigindo-se ao cardeal-vigário, aos prelados consultores, aos membros do comitê romano e da seção internacional que lhe foi acrescentada a 20 de maio de 1904, bem como às senhoras que pertencem ao que em Roma se chama a sezione femminile, alegrou-se com os resultados reconfortantes já obtidos e assinalou os meios a tomar para que essa obra tão útil se desenvolva ainda mais.

3° Confrarias. — Para manter a prática dos deveres religiosos em todas as classes da sociedade, há, em Roma, perto de 90 confrarias diversas, para todos os corpos de ofícios e todas as situações sociais, para pessoas de todo sexo e de toda idade. A maior parte foi erigida em arquiconfrarias, de modo que têm a faculdade de afiliar, em toda a Itália e até fora da Itália, outras associações semelhantes, com o privilégio de lhes comunicar as indulgências e favores espirituais de que são enriquecidas. Assim, sua influência salutar não só se exerce em Roma, mas pode estender-se a toda a Itália e até mais longe.

4° Adoração perpétua do santíssimo Sacramento. — Esta obra nasceu na Itália e foi aí que mais se propagou. Continua ainda muito em honra em Roma, onde é ininterrupta, de dia e de noite, durante todo o ano, nas diversas igrejas e capelas tão numerosas na Cidade eterna. Ver Adoration perpétuelle, t. i, col. 412-1-15. Notemos, a este respeito, um detalhe curioso e edificante. Na cidade episcopal de Mazzara del Vallo, na Sicília, província de Palermo, uma igreja, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, possui uma torre bastante elevada para que o cume possa ser visto de todas as partes. Uma cúpula de cristal a sobrepuja. No meio dessa cúpula há um altar, sobre o qual está exposto o santíssimo Sacramento, que assim se pode adorar de todas as partes da cidade. Essa torre chama-se o « farol eucarístico ».

5° Campanha contra a imprensa irreligiosa e imunda. — Contra esse mal já havia agido vigorosamente o papa Clemente XIII, em sua célebre encíclica Christianse reipublicte, de 25 de novembro de 17(>G. Em nossos dias, muito numerosas foram as assembleias e, em seguida, as petições enviadas aos ministérios e ao parlamento, para obter que os poderes legislativos pusessem um freio a esse transbordamento de publicações blasfemas e obscenas. Para lutar contra esse mal constituiu-se a Lega nazionale fra i padri di famiglia per la difesa della moralità. Há também outras ligas do gênero, tais como a Lega nazionale contro le bestemmie e il turpiloquio, a Lega per la moralità, etc.

6° Campanha contra as danças repreensíveis, as toaletes inconvenientes e as representações teatrais ou cinematográficas perigosas para a moral pública. Assinalemos, a este respeito, muitas cartas episcopais e circulares do cardeal-vigário, bem como numerosos artigos de jornais e de revistas católicas.

7° Campanha contra o alcoolismo. — A luta foi igualmente conduzida com vigor nesse terreno. Notemos em particular, a este propósito, o congresso realizado em Milão, de 22 a 28 de setembro de 1913.

8° A obra da proteção da jovem. — O congresso desta obra, internacional por sua amplitude, realizou-se em Turim, no mês de maio de 1912. Em dez anos de existência que contava então a seção italiana, esta já havia fundado cinquenta comitês, já havia socorrido mais de 60 000 moças e havia gasto, com esse fim, 173 512 francos. Mantinha agentes fixos nas principais estações ferroviárias do reino, para aí acolher as jovens viajantes que sua inexperiência ou sua ingenuidade expunha a tantos perigos.

9° A obra da boa imprensa. — 1. Os jornais católicos são, em geral, redigidos de modo muito conveniente e, se os compararmos à maior parte das folhas liberais ou outras, pode-se dizer que são bem escritos. Embora tenham tido de lutar contra toda sorte de dificuldades, não somente se sustentaram, mas melhoraram sua situação, sob diversos pontos de vista, por exemplo, quanto à tiragem, à escolha dos colaboradores, à abundância e à segurança das notícias que dão ou das matérias que tratam. Isso não quer dizer, contudo, que sejam perfeitos e que, sobretudo, seu número corresponda às necessidades do tempo. Na primeira linha desses jornais católicos está o Osservatore Romano, órgão oficioso do Vaticano. Nomeemos em seguida, para Roma, La Voce della verità, fundada a 8 de abril de 1871, e que sempre defendeu corajosamente a boa causa. Leão XIII a louvou especialmente por ocasião do vigésimo quinto aniversário de sua fundação, celebrado a 8 de abril de 1896. Mais recente é o Corriere d'Italia, fundado em 1905. É diversamente apreciado, por causa de suas ideias políticas e da acrimônia que põe, por vezes, em disputas sobre assuntos que em nada interessam nem à Igreja nem à religião. La Vera Roma, jornal político, religioso, ilustrado, mas apenas semanal. Do mesmo modo, a Gioventù cattolica. Na Toscana, muito difundida é a Unità cattolica, de Florença. Várias vezes louvada por Pio IX e Leão XIII, por seu bom espírito e pela energia que desdobrou, sob esses dois pontificados, na defesa das sãs doutrinas, foi-o também, de maneira muito explícita, por Pio X, por ocasião do quinquagésimo aniversário de sua fundação, que celebrou a 29 de outubro de 1912.

Nessa mesma região da Itália, difunde-se também o Messagero Toscano, que aparece em Pisa; il nuovo giornale di Piacenza, de Placência. Na Itália setentrional, citemos: La Difesa, de Veneza; l'Avvenire d'Italia, de Bolonha; L'Italia, de Milão; Il Cittadino, de Gênova; La Liguria, de Gênova; Il Berico, de Vicenza; Il Cittadino, de Bréscia; Il Momento, de Turim; L'Italia reale, de Turim; Il Cittadino, de Mântua; L'Esare, de Lucca; Eco di Bergamo, de Bérgamo; Modena, de Módena; La Libertà, de Pádua; L'Ordine, de Como; Lo Standard, de Cuneo; Il Ticino, de Pávia; Verona Fedele, de Verona; Il Popolo, de Tortona; L'Eco del littorale, de Trieste; Il Corriere del Friuli, de Údine. Na Itália meridional, La Libertà, de Nápoles; La Fede e civiltà, de Régio, na Calábria; Il Cittadino cattolico, de Girgenti, na Sicília; a Sicilia cattolica, que sucedeu à Ape (a Abelha), fundada em 1866. Há, na Itália, cerca de 130 jornais católicos semanais, umas cinquenta revistas católicas, que aparecem a cada quinze dias, e 150 publicações mensais católicas. Encontrar-se-ão seus diversos títulos no Annuario ecclesiastico de 1915, in-8°, Roma, 1916, p. 179, 877-880.

2. O cardeal Maffi, arcebispo de Pisa, tendo formado um projeto de Opera nazionale per la buona stampa, para a difusão, na Itália, dos bons jornais e das revistas periódicas animadas pelos princípios católicos, como também para a difusão dos bons livros, submeteu-o ao papa Bento XV, que o aprovou a 30 de março de 1915 e lhe fixou os estatutos. Ao mesmo tempo, o cardeal Maffi publicou uma carta pastoral a esse respeito e um opúsculo intitulado: Per il giornalismo cattolico, in-8°, Pisa, 1915, tirado em numerosos exemplares. Em menos de um ano, essa obra se estendeu, se constituiu e, desde o mês de janeiro de 1916, publicou um boletim mensal, intitulado: Stampa cattolica italiana, Roma, 70, via della Scrofa. Essa revista tem por fim reunir os documentos e informações que possam servir ao desenvolvimento da obra em todas as dioceses da Itália. Em 1918, esse boletim mudou de título e passou a chamar-se Lettere aperte. Cartas abertas, escritas em estilo vivaz, para fazer compreender a todos os católicos a extrema importância da boa imprensa. Com o mesmo fim, foi lançada uma multidão de folhetos, de títulos sugestivos, como: Il re di carta; Venti modi... uno di più per aiutare il mondo a camminare meglio; I giornalini, etc. Todos eram o comentário da epígrafe humorística posta à frente do primeiro número das Lettere aperte, sob uma vinheta que indicava, de modo impressionante, como o jornalismo conduz o mundo: Sia che cammini bene, — Sia che cammini male, — Il mondo va e mena, — Come vuole il giornale.

Mesmo andamento tinha o Almanacco, Manuale della buona stampa, Roma, 1918, que era, ao mesmo tempo, um repertório utilíssimo de indicações sobre a boa imprensa: livros, revistas, jornais católicos; sobre os delegados diocesanos; a marcha da obra, etc. Indicava, entre outras coisas, com seu endereço exato, 24 jornais diários, 23 revistas importantes; 420 outros, de caracteres diversos e de menor importância, mas úteis e recomendáveis, que apareciam nas diversas regiões da Itália. Em primeiro lugar vinha o Piemonte, o mais rico em publicações periódicas, pois conta 70; depois a Lombardia, com 64; o Lácio, com 47; a Emília, com 42; a Toscana, o Vêneto, a Sicília e a Campânia tinham cada uma cerca de trinta; a Ligúria, uma vintena aproximadamente; as Marcas tinham, cada uma, 10; a Apúlia, 10; o Molise, 5; a Calábria, 6; a Sardenha, 3; a Basilicata, 2. Apesar dessas cifras assaz consoladoras, a lista não era completa. Havia também esperança de que essa situação, já boa, melhorasse cada vez mais.

3. Bibliotecas populares, católicas e até circulantes, foram fundadas em diversos lugares há uns trinta anos. Para facilitar a aquisição dos bons livros, o P. Franco publicou o Catalogo di libri per le famiglie colte ed oneste, in-8°, Roma, 1892. Em 1904, foi fundada a Federazione Italiana delle biblioteche cattoliche circolanti, cujo centro é em Milão. Publica um boletim mensal intitulado, primeiro, Bollettino delle biblioteche cattoliche; depois, a partir de 1914, Rivista di letture. A fundação dessa federação católica precedeu em dois anos a da Federazione delle biblioteche popolari, que é de origem sectária e maçônica. A federação italiana das bibliotecas católicas compreendia, em 1915, mais de 700 bibliotecas afiliadas, e perto de 1 000 em 1917. Seu boletim assinala, a cada mês, os novos livros dignos de serem recomendados. Em doze anos, havia assim analisado, do ponto de vista moral, mais de 4 000 volumes de leitura. A federação publicou igualmente um Manuale del bibliotecario, in-8°, Milão, 1915, contendo o que uma experiência de dez anos havia ensinado, e dando orientações práticas para o bom funcionamento de uma biblioteca popular circulante; um catálogo dos livros recomendáveis; um juízo sobre as revistas italianas e estrangeiras, etc.

VIII. Instituições de caridade. I. Em Roma. — A Igreja de Roma foi, até 1870, extraordinariamente rica em fundações desse gênero, graças à munificência dos soberanos pontífices, dos cardeais, das ordens religiosas e da aristocracia. A mais antiga obra que chegou até nós sobre esse assunto é o Trattato di tutte le opere pie della città di Roma, por Camilo Fanacci, in-8°, Roma, 1601. O autor, natural de Siena, tendo vindo a Roma por ocasião do jubileu de 1600, ficou de tal modo comovido, como ele mesmo conta, com o bem que viu operar-se ali, sob seus olhos, que, embora com oitenta anos de idade, fez as mais diligentes pesquisas para publicar uma obra tão completa quanto possível sobre o assunto que o havia tocado a tal ponto. Quase um século mais tarde, teve um imitador que quis continuá-lo: Carlos Bartolomeu Piazza, Eusevologio Romano, ovvero delle opere pie di Roma, in-8°, Roma, 1698. Mais tarde ainda, por ocasião do jubileu de 1825, Guilherme Costanzi publicou L'Osservatore di Roma in tutto ciò che riguarda il municipale, il disciplinare, il giudiziario, etc., in-8°, Roma, 1825. Muitos outros autores trataram desse assunto, se não ex professo, ao menos incidentalmente. Grande número publicou monografias sobre esta ou aquela obra de beneficência de Roma.

Mas aquele que tratou magistralmente um assunto tão vasto foi o futuro cardeal Carlos Luís Morichini, bispo de Jesi. Seu primeiro ensaio, nesse gênero, foi: Degli Istituti di pubblica carità e d'istruzione primaria. Saggio storico e statistico, in-8°, Roma, 1835, logo traduzido para o francês por Édouard de Bazelaire, Des institutions de bienfaisance publique et d'instruction primaire à Rome. Essai historique et statistique, in-8°, Paris, 1839. O sucesso desse primeiro ensaio levou o autor a desenvolvê-lo e completá-lo com um estudo sobre os esforços tentados pelos soberanos pontífices para moralizar os prisioneiros. Algum tempo depois, publicou, pois: Degli istituti di pubblica carità, ed istruzione primaria, e delle prigioni in Roma, 2 in-8°, Roma, 1842, o qual, consideravelmente aumentado, tornou-se um volume muito grosso, publicado por ocasião do concílio ecumênico do Vaticano: Degli istituti di carità per la sussistenza e l'educazione dei poveri e dei prigionieri in Roma, in-4°, Roma, 1870.

Examinaremos sucessivamente as obras de beneficência: 1° para os socorros materiais aos indigentes; 2° para a educação e a instrução dos pobres; 3° para a correção dos delinquentes encarcerados.

1° Para o alívio das misérias físicas e morais dos indigentes e dos doentes. 1. O hospital do Espírito Santo, para os homens, o mais antigo de todos. Fundado por Inocêncio III, foi reedificado por Sisto IV, depois ampliado por diversos papas, que fizeram dele uma construção grandiosa, com imensas salas, altas, bem arejadas; uma delas chegava a ter 125 metros de comprimento, 12 de largura e 13 de altura, e várias outras se aproximavam dessas dimensões. Podia conter mais de 1 600 leitos. Há, além disso, um asilo para 500 alienados e um hospício para 3 000 crianças abandonadas, mais um conservatório para as moças, um asilo para os anciãos e uma importante biblioteca médica, com salas de operação vastas, bem iluminadas, abundantemente providas de água, etc. Nenhum estabelecimento da Europa possuía, então, uma instalação tão completa. As rendas anuais ultrapassavam um milhão. Em dia fixo, numerosas confrarias vinham prestar aos doentes seus dedicados serviços e se sucediam, por turnos, à sua cabeceira. Todos os socorros espirituais eram assegurados por capelães que permaneciam no local.

2. O hospital do Santíssimo Salvador, perto da basílica de São João de Latrão, destinava-se sobretudo às mulheres. Foi fundado pelo cardeal João Colonna, em 1216. Compreende também salas muito grandes, que podem conter cerca de 600 leitos.

3. O hospital São Tiago in Augusto, perto dos imponentes restos do antigo mausoléu de Augusto, é para os incuráveis ou para aqueles que devem submeter-se a operações cirúrgicas. Foi fundado em 1339 por outro cardeal da mesma família dos Colonna, e compreende também imensas salas para 500 doentes. Anexa a esse hospital, uma escola de anatomia prática dependia da universidade da Sapienza. Cf. J. Sisco, Saggio dell'istituto, clinica romana di medicina esterna, in-4°, Roma, 1816.

4. O hospital da Consolação, quase no centro de Roma, perto do Fórum, para os socorros urgentes em caso de ferimentos, contusões, fraturas, queimaduras e acidentes. Foi fundado no fim do século XII pelo papa Celestino III.

5. O hospital de Santa Maria e de São Galicano, no Trastevere, ao lado da igreja de São Crisógono, para as doenças contagiosas e as afecções cutâneas. Foi fundado, no século XIV, por Bento XIII. Além dos 300 doentes que ali se podem alojar, trata-se, num dispensário, uma multidão de outros que ali vêm, cada dia, a diversas horas.

6. O hospital da Santíssima Trindade dos Peregrinos. Foi fundado na parte central de Roma, perto da margem esquerda do Tibre, para ali acolher, alojar, alimentar e tratar as imensas multidões de estrangeiros que acorriam a Roma, em certas circunstâncias, sobretudo nos anos de jubileu. Esse hospital, em 1825 por exemplo, recebeu 460 269 homens e 122 191 mulheres, ou seja, um total de 582 760 pessoas, com uma média de 1 596 peregrinos por dia. Dava-se mais ou menos o mesmo em todos os anos jubilares. Entre esses períodos, embora sempre houvesse peregrinos em Roma, o estabelecimento era destinado, em sua maior parte, ao serviço dos convalescentes saídos dos outros hospitais da cidade. Cf. Ruggero Gaetano, Memorie dell'anno santo 1675, in-8°, Roma, 1691; Puccinelli, Entrata e spesa generale della venerabile Archiconfraternità della santissima Trinità de' pellegrini e convalescenti di Roma, per l'anno santo 1825, in-4°, Roma, 1827.

7. O hospital São Roque, na margem esquerda do Tibre, perto do porto de Ripetta, fundado, primeiro, para receber os leprosos, foi, a partir de 1770, transformado em maternidade e destinado exclusivamente às mulheres prestes a dar à luz. As que ali são admitidas são livres de declarar nem seu nome nem seu domicílio. Essas precauções são tomadas para salvaguardar sua honra, se está comprometida, e a das famílias.

8. Além desses estabelecimentos hospitalares, que são os principais, havia outros para diversas doenças e para uma multidão de outras categorias de pessoas: sacerdotes, soldados, viúvas, criadas sem colocação, etc. Bastará mencioná-los aqui, sem entrar em detalhes. Assinalemos, contudo, bom número de instituições cujo fim era distribuir socorros a domicílio, sobretudo aos pobres envergonhados. Cf. Chirografo e moto proprio della santità di nostro signore papa Leone XII per lo stabilimento della commissione de' sussidii ed istruzioni per i deputati parrocchiali, in-4°, 1825. Contavam-se também numerosos asilos noturnos para aqueles que não tinham teto; montes-de-piedade, para pôr os parcos haveres dos pobres ao abrigo dos usurários sem consciência. Cf. Statuti del sacro Monte di Pietà, rinnovati nel 1767, in-4°, Roma, 1767. Com o mesmo fim, foram também instituídas caixas econômicas e associações para dotar as moças pobres e virtuosas. Uma das fundações desse gênero, a da Anunciata, foi pouco a pouco tão ricamente provida que tinha, em 1870, mais de 288 000 francos de renda anual. Cf. Statuto per la venerabile archiconfraternità e pio istituto di dotazione della Santissima Annunziata di Roma. Rapporto e tabella preventiva delle rendite e spese per l'anno 1870.

Essa não era, aliás, a única, e muitas outras rivalizavam com ela em zelo e generosidade. Cf. Repertorio di tutti i sussidii dotati che si dispensano da diversi luoghi pii della alma città di Roma, in-4°, Roma, 1780. Notemos também a arquiconfraria de Santo Ivo, composta de legistas, advogados, procuradores, que se comprometiam a sustentar gratuitamente, perante os tribunais, contra a opressão dos poderosos, tomando a seu cargo todas as custas do processo, os direitos dos pobres. Cf. Alessi, Compendio storico del pio istituto, congregazione e venerabile Archiconfraternità dell'Immacolata Concezione e di sant'Ivo, in-4°, Roma, 1829.

2° Instituições que têm por fim, em Roma, a educação e a moralização dos pobres. — São tão numerosas e variadas quanto aquelas cujo fim é a distribuição de socorros materiais. A melhoria moral do pobre foi, com efeito, sempre a principal preocupação dos soberanos pontífices. Se sua inesgotável caridade os impelia a aliviar todas as misérias físicas, quanto mais se interessavam pelas almas! Ao mesmo tempo, era prestar à sociedade o mais assinalado dos serviços, pois um dos maiores perigos para ela vem precisamente da ociosidade das massas populares e dos vícios de todo gênero que a preguiça engendra nelas.

1. Na primeira fila dessas instituições salutares convém assinalar o hospício São Miguel, em Ripa Grande. Fundado em 1689 e desenvolvido pela régia munificência de vários soberanos pontífices, esse estabelecimento foi por muito tempo sem rival na Europa. É um verdadeiro conservatório das artes e ofícios, superiormente organizado, para mais de 400 rapazes e moças. Os adolescentes aí se formam em todas as profissões, segundo suas disposições naturais. Havia ali, com efeito, oficinas de tipografia, de encadernação, de tinturaria, de marcenaria, de sapataria, de tecelagem, de serralheria, de tapeçaria e de belas-artes. Formavam-se igualmente ebanistas, gravadores, cinzeladores, escultores, miniaturistas, pintores, etc. Excelentes mestres davam ali lições de química, de física, de mecânica, de geometria aplicada, de música e de literatura. Não se cessou de introduzir nesse estabelecimento modelo inovações preciosas e todas as melhorias inspiradas pela experiência ou pelas circunstâncias. Dali saíram músicos, gravadores e escultores de renome. Cf. A. Tosti, Relazione dell'origine e de' progressi dell'Ospizio apostolico di San Michele, in-4°, Roma, 1832. Em 1870, as rendas desse estabelecimento eram de perto de 350 000 francos. Cf. Morichini, Degli istituti di carità in Roma, l. II, c. iii, p. 1.

2. O hospício de Santa Maria dos Anjos, instalado nas vastas termas de Diocleciano. Os papas abriram ali primeiro um asilo para os jovens órfãos, aos quais a idade ainda não permitia começar a aprendizagem de um ofício. Acrescentaram-lhe depois, para os adolescentes, grande número de oficinas semelhantes às do hospício de São Miguel, salas de aula e uma escola de música instrumental. Em 1870, havia, em locais separados, 350 rapazes e 100 moças. A despesa anual, nessa época, elevava-se a cerca de 300 000 francos.

3. Roma possui uma multidão de outros estabelecimentos desse gênero, mesmo para os cegos e os surdos-mudos. Seria longo demais mencioná-los todos. Para mais detalhes a esse respeito, ver Morichini, op. cit., l. II, c. v-xix, p. 508-673. Sobre as escolas noturnas ou do serão, ver Ordinamento del pio istituto delle scuole notturne di religione pe' poveri artigiani in Roma, in-4°, Roma, 1841. Nessas escolas do serão ensinava-se não somente o catecismo, mas a leitura, a escrita, o desenho, o cálculo, a geometria aplicada às artes, a ornamentação e todos os conhecimentos úteis.

3° Correção dos culpados. — A Igreja de Roma não se mostrou menos generosa nem menos industriosa para essa obra de caridade. Não lhe bastava ter procurado prevenir o mal pelas instituições de que falamos, bem como pelos catecismos, pregações, retiros, quarenta-horas, estações e diversas associações de oração e de zelo; mas quis curar, tanto quanto possível, as misérias morais, pelas casas de arrependimento e pelas múltiplas obras em favor dos prisioneiros. Fez-se isso também noutros lugares, mas Roma deu o exemplo. Tem o mérito da prioridade e o de ter impresso a essas invenções do zelo um caráter de conjunto que distingue a inteligente caridade da Igreja, mãe e mestra de todas as outras. Quando os papas eram soberanos, as prisões de Roma não eram, como tantas vezes alhures, presídios nos quais aqueles que a justiça humana havia ferido, colocados sob o império exclusivo da força brutal, acabavam de se materializar. Ofereciam-se-lhes, ao contrário, todos os meios de reencontrar o sentimento de sua dignidade, com o arrependimento das faltas cometidas e a coragem de praticar, doravante, o bem. Não somente cada prisão tinha seus capelães, encarregados de catequizar e instruir os prisioneiros; mas, como a experiência demonstrou que a frequentação exclusiva de seus semelhantes foi sempre, para os condenados, uma causa incessante de desmoralização, Roma nada negligenciou para proporcionar aos detentos a companhia de homens virtuosos e honrados, cuja presença e discursos saneavam pouco a pouco essas almas corrompidas. Cada dia, portanto, podiam penetrar em todas as prisões religiosos, sacerdotes seculares e piedosos leigos, todos com um só desejo: o de trabalhar, segundo seus meios, pela melhoria moral dos prisioneiros, prodigalizando-lhes os cuidados de uma caridade compassiva. Senhoras piedosas, por vezes da melhor sociedade, agiam do mesmo modo nos Refúgios abertos às mulheres culpadas que haviam esquecido seu dever. Desde que esses Refúgios passaram às mãos do governo, essa missão tutelar já não pode cumprir-se com a mesma facilidade. Cf. Morichini, op. cit., l. III, c. i-xi, p. 675-802.

II. Fora de Roma. — 1° Os exemplos da capital do mundo cristão suscitaram, em toda a Itália, uma magnífica eflorescência de instituições caritativas. Contentar-nos-emos em indicar somente as principais. 1. Turim possui, para 500 doentes, um hospital que passa por modelo de arquitetura, de limpeza, de salubridade e de bom gosto.

É mantido, em sua maior parte, pela generosidade pública. Além disso, uma multidão de associações de homens e mulheres vai distribuir socorros a domicílio e provê especialmente às necessidades dos pobres envergonhados. Procuram-nos com cuidado e, quando os encontram, juntam aos socorros que lhes levam discretamente essa delicadeza que duplica o preço do benefício recebido. Piedosas senhoras, agrupadas em congregações em diversas paróquias, assistem os indigentes enfermos. Quanto àqueles que podem trabalhar um pouco, são admitidos no hospital da Caridade, onde há mais de 1 000. Ali foram criadas diversas manufaturas. A maioria emprega-se na fabricação de tecidos de lã, de panos comuns, de tapetes, de lonas e de algodões. Mas há também diferentes outros ofícios, nos quais cada um pode exercer suas aptidões profissionais. Abriu-se ali até uma escola de música. Os órfãos e as órfãs são recebidos em umas trinta casas, cujas despesas são quase todas custeadas pelas esmolas e fundações dos fiéis. Os rapazes tornam-se ali operários instruídos, honestos, hábeis; as moças aprendem também o amor ao trabalho e, quando saem, são boas operárias modestas, de excelente conduta e, por esse motivo, procuradas pelas famílias mais estimáveis.

Mas a maior maravilha é a Piccola casa della Provvidenza, fundada em 1827 pelo cônego José Bento Cottolengo, beatificado por Bento XV a 29 de abril de 1917. Como todas as obras queridas por Deus, esta começou pequena. Foram, de início, apenas dois quartos alugados, nos quais se puseram quatro leitos, imediatamente ocupados pelos indigentes. Outros quartos vizinhos foram alugados; mas, não bastando mais isso, o fundador escolheu um terreno baldio, não longe da igreja da Consolata, adaptou ao fim que se propunha alguns velhos prédios que ali encontrou e, depois, como os doentes, os pobres e os enfermos de toda sorte afluíam sem cessar, criou para eles como que uma pequena cidade perfeitamente ordenada, com suas ruas, suas praças, seus bairros, seus jardins e uma capela, que se tornou uma grande igreja esplendidamente ornada. Para prover ao serviço dessa cidade dos indigentes, reuniu em congregação pessoas às quais comunicou seu zelo, deu-lhes uma regra e chamou-as filhas da Caridade. Aumentando seu número sem cessar, dividiu-as em diversos ramos, segundo sua missão: foram as irmãs de São Vicente de Paulo, de Santa Taís, do Carmelo, do Sufrágio, de Nossa Senhora das Sete Dores e do Bom Pastor. Acrescentou-lhes, para os homens, os irmãos de São Vicente de Paulo, os jovens de São Tomás, os padres da Santíssima Trindade e até monges ou solitários de Cassino. Superior geral de todos esses institutos, deu-lhes leis apropriadas a cada um deles. Essa obra prosperou tão bem que todas essas vastas construções foram terminadas em quatorze anos. Abrigam ainda atualmente mais de 8 000 pessoas, que vivem dia a dia, sem rendas fixas, nem dotações, nem socorros regulares; mas nada do que é necessário jamais faltou. Essas esmolas dos fiéis são sempre suficientes para as necessidades do momento. É verdadeiramente a casa da Providência e, embora seu fundador, por humildade, a tenha chamado « Pequena », Piccola casa, é todo um mundo, criação surpreendente da caridade cristã. Sacchi, Istituti di beneficenza di Torino, in-8°, Turim, 1843; Gaspare Marii, La Piccola casa della divina Provvidenza in Torino, in-8°, Turim, 1913; Antonelli Costaggini, Vita del beato Giuseppe Cottolengo, in-8°, Turim, 1917; J. Guillermin, Le bienheureux Joseph-Benoît Cottolengo (1786-1842), in-8°, Paris, 1918.

2. Em Gênova, o hospital geral poderia chamar-se o Palácio real da caridade. Escadaria monumental, rampas, pavimento das imensas salas: tudo é de mármore branco de Carrara, de uma finura e de uma pureza notáveis. Ali são alimentados, tratados, velados, de dia e de noite, vários milhares de infelizes de toda idade e de todo sexo. Esse soberbo estabelecimento, que acarreta despesas muito consideráveis, é mantido pelas fundações dos nobres genoveses, em geral enriquecidos pelo comércio. Está ainda todo perfumado pela lembrança das virtudes daquela que, durante trinta anos, foi sua diretora, santa Catarina de Gênova. Além de seu hospital geral, Gênova possui outro estabelecimento do mesmo gênero, justamente renomado por sua magnificência e chamado Albergo de' poveri, o Hotel dos pobres. Fundado em 1539, reúne 2 000 indigentes, aos quais fornece um trabalho fácil e remunerador: tecelagem de lã, de algodão, de fio de cânhamo; fábrica de tapetes, de meias, de fitas, de seda, etc. As rendas anuais dessa casa de caridade ultrapassam 300 000 francos, e a metade provém de piedosas fundações.

3. Milão possui também um grande hospital ou Ospedale Maggiore. É um dos mais belos palácios da cidade. Mármores, colunas, ornamentos de arquitetura aí são prodigalizados. Contém 800 leitos, e aí se recebem indistintamente todos os pobres doentes. Outro palácio do mesmo gênero, embora menos suntuoso, foi construído pela caridade milanesa para os pobres doentes. É administrado pelos irmãos de São João de Deus, chamados, na Itália, os Fate-bene, Fratelli. As portas dessa casa permanecem sempre abertas, e o enfermo, seja ele quem for, pode entrar, certo de ser recebido com cordial solicitude. Àqueles que são suficientemente válidos para trabalhar um pouco, a Pia casa d'industria, semelhante ao Albergo de' poveri de Gênova, proporciona trabalho. Põe-nos assim ao abrigo da necessidade. Essa Casa d'industria, ou Casa do trabalho livre, fundada em 1781, viu, trinta anos mais tarde, em 1815, formar-se uma sucursal na outra extremidade da cidade, perto da igreja de São Marcos. Recebe ao mesmo tempo internos, ricoverati, e externos, intervenienti.

4. As mesmas santas invenções da caridade encontram-se em todas as grandes cidades da Itália, em Veneza, em Florença, Siena, Parma, Placência, Nápoles, Como, etc., etc., que têm igualmente suas Case d'industria, suas Pie case di Lavoro e seus Alberghi de' poveri. Grande número de outras cidades de menor importância rivalizam em generosidade com essas, na proporção de seus recursos e das necessidades da classe pobre.

Não falamos das numerosas obras de caridade que a recente guerra fez nascer na Itália, como por toda parte. Assinalemos somente a Opera nazionale per l'assistenza civile e religiosa degli orfani dei militi in guerra, devida à iniciativa dos católicos e reconhecida pelo Estado. Em Roma, durante o ano de 1917, o círculo de São Pedro, para acudir à miséria causada pela guerra, distribuiu até 3 986 118 refeições, graças às suas quinze cozinhas econômicas. Outras obras católicas rivalizaram com ele na distribuição de socorros aos pobres.

2° Para fazer uma ideia geral da beneficência que se exerce na Itália, bastará lançar um simples olhar sobre uma estatística dos legados e doações de que se beneficiaram as obras pias no decurso de um único ano. Falaremos apenas das somas que passaram pelas mãos do fisco, o qual delas retirou para si direitos consideráveis de transmissão. Nas cifras seguintes não se faz, portanto, nenhuma menção das outras larguezas cuja estatística só foi feita no céu. Em 1886, foram deixadas ou dadas às diversas obras pias 11 209 161 liras. No ano seguinte, essa soma subiu a 14 645 310 liras, com um aumento de 3 436 149 liras. Esse aumento considerável deu-se no ano em que a nação italiana se preparava para celebrar o jubileu sacerdotal de Leão XIII, com dons preciosos e ofertas mais generosas que de costume ao Óbolo de São Pedro. As províncias que vêm à frente da lista nas larguezas feitas às obras pias, em 1887, são o Piemonte com uma soma de 1 613 355 liras, a Lombardia com 3 496 120 liras, o Vêneto com 1 650 615 liras, a Toscana com 967 504 liras e a Emília com 839 986 liras, etc. Da soma global de 1887, encontram-se cerca de 1 000 000 de liras deixadas aos hospitais; 3 192 524 liras para os depósitos de mendicidade; 2 000 000 de liras para obras de caridade; 1 722 000 para obras escolares; 1 600 000 para asilos infantis; 177 052 liras para os institutos de surdos-mudos; 102 557 para os institutos de cegos, etc. Se se observar, além disso, que, para o período quinquenal de 1881 a 1885, a soma global das doações e legados para as obras pias subiu a 71 250 894 liras, ver-se-á que a média de cada ano ultrapassa 14 250 000 francos.

3° Mão-baixa do governo sobre as instituições caritativas. — 1. A substituição da Igreja pelo Estado na administração do patrimônio das obras pias produziu na Itália os mesmos efeitos que nos outros países. O desperdício substituiu com demasiada frequência a gestão econômica de outrora; as despesas de administração absorveram uma parte cada vez mais considerável das rendas; e ocorreu por vezes que os fins caritativos que os doadores se haviam proposto foram desconhecidos.

2. Em 1886, as estatísticas atribuíam às obras pias legalmente reconhecidas na Itália um patrimônio composto de bens móveis e imóveis, no valor de 1 626 002 962 liras, produzindo uma renda bruta de 59 511 liras. Dessa renda, o governo começa por retirar, a título de impostos, a soma de 11 184 322 liras; a administração laica toma para si 15 062 453 liras, para despesas de gestão desse patrimônio. Acrescente-se a isso 14 202 510 liras para o pagamento dos juros das dívidas contraídas, não se sabe muito por quê nem como, por essa laicidade administrativa, e ver-se-á que não restam, para o exercício da caridade, senão 47 liras 22 liras. Assim, quase a metade das rendas se evaporou em fumaça, e queira Deus que a outra metade tenha realmente sido empregada nas obras de beneficência.

3. Citaremos aqui um caso muito sugestivo. Antes de 1870, o hospital do Espírito Santo tinha como renda a bela soma de 1 030 709 francos. Depois de quinze anos de administração laica, a renda havia descido a apenas 64 018 francos e um capital de doze milhões fora engolido ou devorado; isto é, quase um milhão por ano.

4. Em Milão, o mesmo fenômeno. As instituições caritativas dessa cidade tinham uma renda de 1 400 000 francos; mas mais de um milhão desaparecia, a cada ano, em impostos e despesas de administração; pois o governo havia imposto a essas obras de beneficência mais de cem funcionários, suas criaturas, que viviam regaladamente à custa da caridade. E os exemplos desse gênero não são uma exceção. Poderiam ser multiplicados ao infinito. Não é, pois, sem razão que, a 8 de março de 1881, em pleno Parlamento, o deputado Sanguinetti chamava de roubo organizado essa filantropia laica que, de todas as partes, já estreitava a católica Itália e lhe sugava o sangue das veias. Atti del Parlamento, 1881, p. 1104; Bollettino delle opere pie e dei comuni, in-8°, Roma, 1892 sq.

IX. Ação política dos católicos italianos. 1. O non expedit. — 1. Desde a invasão dos Estados da Igreja pelo governo piemontês até estes últimos anos, a ação política dos católicos italianos foi regulada pelo non expedit. As prescrições pontifícias impunham-lhes o dever de manter-se longe das lutas políticas e das urnas eleitorais, para não cooperar em nada com a ação do governo usurpador. Várias vezes o Comitê geral permanente da obra dos Congressos e dos Comitês católicos, na Itália, recordou essa palavra de ordem tradicional aos comitês diocesanos, aos comitês paroquiais e a seus numerosos aderentes: né eletti né elettori, nem eleitos, nem eleitores. Nossa conduta, dizia uma circular desse gênero, a 28 de abril de 1880, na véspera do período eleitoral, não se inspira em nenhuma ideia preconcebida, nem em considerações particulares, é pura e simplesmente a obediência ao papa. Que tal seja ainda a vontade do santo padre, a encíclica Immortale Dei, de 1º de novembro último, no-lo ensina claramente; e contra aqueles que tentavam torturar os termos desse documento para dele tirar um sentido oposto, os jornais autorizados, o Osservatore romano e o Moniteur de Rome, apressaram-se a continuar, da maneira mais explícita, a justa interpretação que dele damos... » Não é que o soberano pontífice tivesse mandado aos católicos italianos que não agissem de nenhuma maneira. Ao contrário, várias vezes os havia convidado a uma ação múltipla e fecunda, cujo programa traçara e cujo caminho indicara; fizera apenas uma exceção: a de prestar uma colaboração qualquer aos homens do governo.

Na mesma data, um excelente jornal de Gênova, o Eco d'Italia, dizia em seu número 111: « Qual é o dever dos católicos italianos durante a luta eleitoral? A abstenção. Sim, pois o non expedit permanece em toda a sua significação e força; pois subsistem as razões de ordem superior pelas quais só é permitida aos católicos italianos a ação no terreno administrativo, nosso dever formal é abster-nos, e nos absteremos. É o meio que temos de aproveitar cada convocação dos eleitores para fazer um plebiscito nacional de dedicação ao papa. » Assim havia sido nas eleições precedentes. Numa comuna da província de Bérgamo, ninguém, absolutamente ninguém, havia votado. Todos os eleitores, ao contrário, haviam-se reunido na casa do pároco, haviam depositado em suas mãos as cédulas de voto, com uma oferta para o Óbolo de São Pedro, e lhe haviam pedido que fizesse chegar tudo ao Vaticano, com uma bela carta de filial veneração ao santo padre. Ao recordar esse exemplo, o Eco d'Italia acrescentava: « Para que esse plebiscito tivesse êxito, deveríamos: 1° fazer-nos todos inscrever nas listas eleitorais políticas, o que, aliás, nos foi várias vezes recomendado pelas autoridades competentes; 2° reunir-nos por colégios eleitorais e fazer o que fizeram nossos amigos de Bérgamo; 3° enviar a um comitê provincial (na França dir-se-ia departamental) nossas cédulas, nossas ofertas e nossos endereços, com mandato de reunir as cédulas e os endereços num belo volume, trazendo o título da província (do departamento); por fim, enviar o volume e as ofertas ao soberano pontífice, ou pelo correio, ou, o que seria infinitamente melhor, por uma delegação especial. Assim as delegações de nossas 69 províncias italianas, formando como um parlamento nacional, temporário, mas muito significativo, poderiam ser recebidas juntas pelo papa e dar uma representação solene desse plebiscito de homenagem ao soberano pontífice. » A ideia lançada pelo Eco d'Italia encontrou numerosas simpatias; mas, por simples e fácil que a coisa parecesse, era preciso tempo para organizá-la em toda a península. Estava-se perto demais do dia da votação para que se pudesse obter uma unanimidade ou uma maioria impressionante. Foi preciso, também desta vez, contentar-se com manifestações isoladas, do gênero da da província de Bérgamo nas eleições precedentes.

2. Se a maior parte dos católicos obedecia ao papa, nisso como em todo o resto, vários, e até sacerdotes, desejavam que o non expedit fosse revogado e que os eleitores italianos, e até os das outras nações, tivessem plena liberdade de ir às urnas, mesmo para as eleições legislativas. No começo do ano de 1889, circulou, sobretudo no norte da Itália, depois de ter aparecido na Rassegna nazionale de Florença, um opúsculo intitulado: Roma, l'Italia e la realtà delle cose, i pensieri di un prelato italiano. Sob a aparência de zelo pelos interesses da Igreja, o autor anônimo expunha ideias pouco em harmonia com os direitos imprescritíveis da Santa Sé. O bispo de Bréscia comoveu-se com isso e escreveu ao soberano pontífice, que, em sua resposta de 11 de março de 1889, desaprovou altamente essa publicação: « Como pôde um simples indivíduo, sem autoridade alguma para tratar de questões tão graves, submeter a seu juízo privado uma causa que toca tão de perto o poder supremo do vigário de Jesus Cristo e a liberdade inalienável do magistério apostólico? Aliás, essa causa já foi julgada pelo soberano pontífice, não uma só vez e em termos equívocos, mas várias vezes e muito claramente. Depois, que dizer dessa arrogância e dessa insubordinação que se permite dar publicamente conselhos à Santa Sé, para lhe indicar o que ela tem de melhor a fazer? E esse conselho que nos é dado reduz-se a isto: que seria sábio, vantajoso e útil tomar em paz o nosso partido do estado atual das coisas, para nos conformarmos às necessidades do tempo. Gostaria que o que foi realizado pela violência e pela injustiça fosse sancionado pela Nossa vontade, como se não fosse de toda evidência que a situação a que Nos vemos reduzido há tanto tempo pelo abuso da força é absolutamente contrária à dignidade do pontífice romano e um obstáculo à sua liberdade, que foi violada, não pela vontade dos povos, mas pela audácia das seitas perversas, as quais só se conjuraram contra o Nosso principado civil para combater de mais perto e abater, se pudessem, a Nossa autoridade sagrada. Com que obstinação perseguem esse fim, mesmo sem mais se esconder, os próprios fatos o proclamam altamente. É, pois, extremamente importante premunir com cuidado os espíritos contra escritos dessa natureza, tanto mais perigosos quanto, com aparências de respeito e de devoção, podem mais facilmente arrastar e seduzir as multidões. »

Para que tivesse maior difusão, essa carta de Leão XIII foi publicada pelo Osservatore romano a 1º de abril seguinte e reproduzida por diversos jornais. Alguns dias mais tarde, a 13 de abril de 1889, a S. C. do Índice condenava o opúsculo, objeto dessa carta. O autor do folheto incriminado era um bispo, Mons. Bonomelli, bispo de Cremona. A 21 de abril seguinte, dia de Páscoa, depois de ter feito a homilia sobre o evangelho do dia, na missa pontifical solene, na presença da multidão que enchia a catedral, do alto do púlpito, declarou-se autor do opúsculo Roma, l'Italia e la realtà delle cose, e leu, com voz penetrada, um ato de edificante submissão, que quis ele mesmo comunicar ao Messaggero di Cremona e, por seu intermédio, a toda a imprensa. O capítulo, o clero, mais de 200 seminaristas e os fiéis, ouvindo essa solene retratação, comoveram-se até as lágrimas. Esse ato era tanto mais comovente quanto já uma retratação anônima havia aparecido na Rassegna Nationale, primeiro, e no Osservatore romano, depois. Assim que o ofício pontifical terminou, Mons. Bonomelli mandou levar, por um de seus sacerdotes, o ato de retratação ao soberano pontífice.

Ele recebia logo em seguida um telegrama e, em 29 de abril, uma carta de congratulações por sua submissão, que o augusto pontífice comparava, pelas circunstâncias que a cercaram, à do grande Fénelon. Mas, ao mesmo tempo, o papa lhe dava uma lição de prudência e de sabedoria: «Em um assunto tão grave, dizia-lhe, é preciso formar o juízo não segundo os acontecimentos, tão sujeitos a mudar, mas segundo a Justiça e os direitos inalienáveis da Santa Sé. O que Nós dissemos muitas vezes, é preciso repeti-lo: no principado civil, trata-se não de uma vantagem material, mas da liberdade indispensável ao ministério apostólico. É o que não se deve cessar de inculcar nos espíritos, muito dispostos a esquecê-lo.» Quanto a nobre e pronta submissão de Mons. Bonomelli havia enchido de alegria os católicos fervorosos, tanto suscitou a cólera e os sarcasmos dos liberais e dos sectários.

3. O governo real teria ficado feliz em contar com o apoio dos católicos, para lutar com mais eficácia contra os inimigos do trono e da casa de Saboia, representados pelos radicais, pelos socialistas, pelos anarquistas e pelos republicanos de todos os matizes. O partido no poder se sentia impotente, reduzido às suas próprias forças, para deter essa maré montante, que ele mesmo havia levantado e que ameaçava submergi-lo. Teria desejado que todos os homens de ordem se unissem a ele. Sentindo-se muito comprometida, a casa de Saboia pedia socorro aos católicos: somente neles via, para si, a tábua de salvação, em previsão do naufrágio. Compreende-se que, no início, os soberanos pontífices não tenham querido pôr as forças católicas a serviço de seus espoliadores.

Por seu lado, os católicos viam no socialismo crescente um perigo temível para todas as instituições mais respeitáveis, inclusive a religião, e procuravam conciliar seu dever para com a pátria e seus deveres para com a religião. Uma coisa era concorrer para salvar a ordem social na Itália, e outra coisa era concorrer para salvar o governo atual. Os católicos só poderiam, em consciência, contribuir para firmar este último se ele fosse uma condição indispensável para a manutenção da ordem na sociedade; fora dessa hipótese, não atacariam diretamente o governo atual por meios ilícitos, como faziam os socialistas e os anarquistas, mas o deixariam debater-se no meio das numerosas dificuldades de que ele próprio era a causa principal. Por essas razões, os soberanos pontífices proibiram os católicos italianos de se formarem em partido político militante.

Bastava-lhes organizar-se como um grande exército de reserva, para salvar um dia a Itália do abismo. Até que o papa lhes permitisse, sua influência seria apenas extraparlamentar; mas não seria por isso menos real, graças aos seus numerosos comitês, às suas associações de todo gênero, aos seus círculos, às suas reuniões frequentes, aos seus jornais, às suas demonstrações públicas etc. Essa influência extraparlamentar seria de natureza a exercer uma salutar influência sobre o parlamento e o próprio governo, para determinar neles uma corrente menos hostil aos interesses religiosos. É seguramente a essa influência extraparlamentar que se deve o malogro, no corpo legislativo, de vários projetos de lei inspirados pelo anticlericalismo e pela maçonaria; por exemplo, o do divórcio. E essa influência extraparlamentar dos católicos seria tanto mais forte quanto mais bem organizados estivessem eles e quanto mais dominassem nas assembleias municipais.

2º Atenuações ao Non expedit. — 1. No mês de fevereiro de 1909, em vista da gravidade das circunstâncias e da importância das consequências que decorreriam dos resultados das eleições gerais, marcadas para 7 de março seguinte, o conselho diretivo da Unione elettorale cattolica italiana enviou uma circular a todos os comitês regionais que dela dependiam. Era de temer, dizia ela, que os adversários implacáveis da religião, com o auxílio de alianças com os partidos mais diversos, entrassem em grande número no Parlamento. Seu programa era a abolição de toda crença: a escola essencial e absolutamente laica, isto é, ateia; a guerra mais encarniçada contra todas as instituições religiosas; a destruição da família cristã etc. Em presença de tal estado de coisas, o dever estrito dos eleitores católicos era valer-se dos direitos que lhes davam as leis existentes e concorrer, com seus sufrágios, para a eleição de deputados com os quais se pudesse contar, para se opor a tão grande mal e evitar semelhante infortúnio à religião e à Itália.

Iriam, portanto, às urnas em todas as circunscrições eleitorais em que os bispos diocesanos reconhecessem a necessidade de sua ação e, de acordo com o papa, que já o havia consentido em alguns casos em 1904, os dispensassem da obrigação de se abster, segundo a fórmula tradicional do non expedit, em vigor havia cerca de quarenta anos. Em conformidade com essas instruções, os católicos acorreram às urnas para as eleições legislativas, em muitos lugares onde os bispos julgaram necessário o seu concurso. Os sectários ficaram irritados com isso e espalharam ouro a mãos cheias para comprar eleitores, cujos votos contrabalançariam os dos católicos. À corrupção eleitoral e às fraudes de todo gênero juntaram-se a violência, cenas de pugilato e facadas. Em alguns lugares, nas Pulhas, por exemplo, não somente o sangue correu, mas houve mortos entre os eleitores. Não obstante, vários católicos entraram no Parlamento e, apesar de alguns progressos feitos pelos socialistas, os moderados tiveram a maioria.

2. A autoridade religiosa, que dera aos católicos a autorização de tomar parte na luta eleitoral, declarou que não queria que os deputados católicos que haviam entrado no Parlamento ali formassem um grupo ou partido dito católico.

Em consequência, ela deu a fórmula que iria caracterizar sua ação no seio da assembleia legislativa: cattolici deputati, sì; deputati cattolici, no; isto é, haveria na Câmara católicos deputados, mas não deputados católicos; em outras palavras, haveria homens que, professando a religião católica, seriam deputados; e estes, em seus votos, agiriam sempre em conformidade com suas crenças. Não formariam ali, contudo, um partido, mas cooperariam na defesa da fé católica e na realização dos anseios dos fiéis, pela organização da sociedade segundo os princípios católicos. Seu objetivo não seria, pois, a conquista do poder, mas somente uma ação defensiva dos supremos interesses da religião, da moral, da família e da sociedade.

Foram bastante numerosas, por volta da mesma época, as vitórias dos católicos nas eleições municipais. Segundo a lei de 1895, os eleitores inscritos nas listas eleitorais eram 3.319.207; mas, em virtude da nova lei eleitoral de 30 de junho de 1912, n. 366, o número de eleitores subiu a 8.677.243, com um excedente de 5.353.042, isto é, um aumento de 246 por cento, pois reconheceu-se então o direito de voto mesmo aos analfabetos, contanto que tivessem trinta anos completos. Annuario statistico italiano per 1912. A regra de conduta ditada aos católicos para as eleições de 1913 foi a mesma que antes: em regra geral, abstenção; nos casos particulares, comparecimento às urnas, quando a autoridade diocesana o julgasse oportuno e o permitisse. O número de católicos que entraram na Câmara foi o dobro, e muitos moderados ali entraram graças ao apoio dos eleitores católicos. Nos colégios eleitorais em que os católicos tiveram autorização para votar, 80 por cento dos eleitores inscritos compareceram às urnas. Ali, ao contrário, onde a proibição do non expedit não foi suspensa, o número de votantes foi apenas de 50 por cento e, às vezes, muito menos ainda; por vezes, apenas 25 por cento. Dentre 508 colégios eleitorais, a proibição do non expedit havia sido suspensa em 330 e mantida rigorosamente em outros 178.

3. O resultado dessas eleições legislativas foi antes satisfatório. Teve repercussão sobre a municipalidade sectária de Roma e sobre seu chefe, o judeu Ernest Nathan. Este apresentou sua demissão em 11 de novembro, e seus amigos o seguiram em sua retirada, depois de seis anos de uma administração tão nefasta para as finanças da cidade quanto para os interesses de ordem superior. Pelo mesmo motivo demitiram-se as municipalidades sectárias de várias grandes cidades, como Milão, Turim, Florença, Nápoles, Palermo, Girgenti e muitas outras. Ver, na Nuova Antologia, de 16 de janeiro de 1914, o artigo de F. Meda, deputado católico, depois ministro, I cattolici italiani e le ultime elezioni.

Nas eleições administrativas que se seguiram, em Roma, a lista moderada e católica foi eleita em seu conjunto por grande maioria. O bloco radical-maçônico foi pulverizado. Il Campidoglio si è ripulito, o Capitólio tornou-se limpo, exclamava-se de todas as partes. O ex-prefeito Nathan, completamente esmagado e abandonado, mesmo por seus amigos, nem sequer foi eleito, ficando em último lugar. Sucessos idênticos da lista dos moderados e dos católicos nas eleições para os conselhos provinciais. O partido da ordem triunfou igualmente em Turim, Gênova, Catânia e outros grandes centros populacionais. Do mesmo modo nas cidades importantes, como Bréscia, Crema, Pádua, Verceil, Treviso, Rovigo, Módena, Placência, Siena, Pistoia, Novara, Chioggia, Fano etc., etc. Em Milão, porém, os socialistas levaram a melhor.

3º Abolição do Non expedit. — 1. Como todos os outros jornais de Roma, o Osservatore romano, em 20 de janeiro de 1919, publicava o programa de um novo partido político, intitulado Partito popolare italiano. Sua constituição havia sido concertada por deputados ao Parlamento, por membros dos conselhos provinciais e comunais eleitos por católicos e por representantes das organizações operárias, em vista dos graves problemas a resolver que se colocavam após o fim da terrível guerra que acabava de perturbar tão profundamente a sociedade, na Itália, na Europa e no mundo inteiro.

Esse novo partido fazia apelo a todas as pessoas honestas e punha à frente do programa a liberdade religiosa contra toda opressão sectária; liberdade religiosa não somente para os indivíduos, mas também para a Igreja, a fim de que ela pudesse, sem entrave de qualquer espécie, exercer sua alta missão espiritual através do mundo; a liberdade de ensino em todos os graus, sem monopólio do Estado; liberdade para as organizações de classe, sem preferências nem privilégios; liberdade comunal e local, segundo as gloriosas tradições italianas, opostas à centralização exagerada; a integridade da família e sua defesa contra todas as formas de demolição e de corrupção; a tutela da moral pública; a assistência e a proteção da infância etc.

Esse ideal de liberdade e de descentralização não tendia a desorganizar o Estado, mas era essencialmente organizador na renovação das energias e da atividade, que devem encontrar no centro a coordenação, a valorização, a defesa e o desenvolvimento progressivo. Essas energias devem compor como que agrupamentos vitais, aptos a deter ou a modificar as correntes de desagregação social e as agitações provocadas pela luta de classes e pela revolução anárquica: agrupar-se-iam assim todos os elementos de conservação e de progresso de que dispõe a alma popular, respeitando ao mesmo tempo o princípio de autoridade indispensável para a unidade e a força de ação.

«Apresentamo-nos na vida política com nossa bandeira moral e social, diziam, ao terminar, os signatários do programa, inspirando-nos nos princípios salutares do cristianismo, que consagrou a grande missão civilizadora da Itália; missão que, ainda hoje, deve resplandecer, em oposição às tentativas de subversão anárquica sonhadas pelos democratas socialistas, que querem a materialização de todo ideal; em oposição também aos esforços desse velho liberalismo sectário, que querem fazer da centralização exagerada nas mãos do Estado um baluarte contra as aspirações legítimas de emancipação...»

2.

O perigo de uma revolução anárquica, tendo aumentado sucessivamente durante a guerra e depois da guerra, já não parecia suficiente, para salvar a ordem social, dispensar os católicos da observância do non expedit apenas em casos particulares. Convinha que todas as energias católicas fossem unidas num programa comum de vida e de ação. O non expedit foi, portanto, abolido, e diversos jornais católicos, entre outros o Osservatore romano e o Avvenire d'Italia, fizeram saber que, tendo a questão sido posta à S. Penitenciaria, esta respondera que os católicos italianos podiam, sem nenhum limite nem reserva, comparecer às urnas nas eleições legislativas. Em consequência, o Osservatore romano, órgão oficioso do Vaticano, exortava todos os católicos italianos a cumprir inteiramente o seu dever na iminente luta eleitoral.

3. O resultado das eleições legislativas gerais de 16 de novembro de 1919 superou todas as esperanças. As primeiras notícias oficiais, logo após a apuração dos escrutínios nos diversos colégios eleitorais, anunciavam que 103 membros do Partido popular tinham sido eleitos no primeiro turno, embora esse partido estivesse organizado havia apenas alguns meses. Tornou-se então evidente que, se o partido popular, inspirando-se nos princípios católicos, não tinha obtido desde a sua primeira batalha a maioria na Câmara, constituiria nela, contudo, um grupo poderoso, com o qual seria doravante necessário contar, pois faria pender a balança para o lado a que se inclinasse. Tornava-se assim, já, após uma eclosão repentina, o árbitro dos destinos da Itália. Queira Deus que essas esperanças não sejam enganadas. O fim da guerra europeia, com efeito, não deu completamente a paz interior à Itália. Restam ainda muitas nuvens no horizonte do céu político e, nos espíritos, muitas causas de profundas e graves perturbações.

X. Obras sociais católicas italianas. — 1º A Obra dos congressos. Em seguida a uma encíclica enviada por Leão XIII ao episcopado italiano em 15 de junho de 1882, e a diversas cartas do mesmo papa aos bispos, ao clero e ao povo, em 9 de setembro de 1891, em 8 de dezembro de 1892, em 15 de outubro de 1890, em 21 de agosto de 1895, a Obra dos congressos foi fundada ou reorganizada, a fim de opor às associações maçônicas as associações católicas militantes, que seriam agrupadas num todo poderoso. O primeiro ensaio desse gênero remontava ao mês de outubro de 1871. R. Della Casa, Il movimento cattolico italiano. Note, commenti e ricordi storici, 2 in-8°, Milão, 1905, t. i, p. 342 sq.; C. T., Manuale del propagandista cattolico, in-8°, Florença, 1911.

Mais tarde, por vontade expressa de Leão XIII, todas as associações católicas, de qualquer gênero que fossem, deveram aderir, não somente de nome, mas de fato, à Opera dei congressi e dei comitati cattolici in Italia. O programa dessa vasta união compreendia: a difusão da boa imprensa; os estudos sociais; as bibliotecas circulantes; as caixas rurais; as questões de economia social; a ação católica nas eleições administrativas; a inscrição dos católicos nas listas eleitorais; as peregrinações aos santuários mais próximos ou mais venerados; o ensino do catecismo nas escolas; as conferências populares contra o socialismo e contra os outros erros do dia; a assistência, em grupo, aos ofícios paroquiais; a adoração cotidiana do santíssimo Sacramento; as ligas pelo repouso dominical e pela santificação das festas; as sociedades de socorro mútuo; os círculos católicos; a defesa dos direitos das obras pias; as sociedades cooperativas agrícolas; a defesa da pequena propriedade; os salários dos operários; a assistência pessoal dos pobres e dos enfermos etc.

Todas as regiões da Itália rivalizaram nesse trabalho de reconstrução cristã da sociedade. Comitês paroquiais, círculos católicos, associações de todo gênero surgiram um pouco por toda parte; para ser informado exatamente a esse respeito, ver o Bollettino del movimento cattolico, revista mensal publicada em Bassano. Graças à Opera dei congressi, os numerosos comitês paroquiais, que deviam ocupar-se, em sua região, das obras acima enunciadas, deixaram de ser associações isoladas e autônomas, mas fizeram parte de uma única e grande obra, tendo sua hierarquia e seu chefe supremo, o soberano pontífice. Desse centro recebiam o impulso e a unidade de vistas.

2. As regiões do norte da Itália foram as primeiras a responder ao apelo do pontífice. A Vênetia, por si só, contava, em 1896, já 1.178 associações católicas afiliadas à obra dos congressos. A Lombardia e o Piemonte marchavam a par. Pouco a pouco o resto da Itália seguiu. Numerosas cartas pastorais dos bispos lembraram ao clero que devia ocupar-se com zelo de obras sociais. O tema geral era: Il clero deve finalmente uscire di sacristia. Encontrar-se-ão os detalhes desse importante movimento social nas seguintes obras: F. Crispolti, I congressi e l'organizzazione dei cattolici in Italia, in-8°, Roma, 1897; T. Veggiano. Il movimento sociale cristiano nella seconda metà del xix° secolo, in-8°, Vicenza, 1902; L. Mari, Dopo quindici anni d'azione cattolica pratica, in-8°, Milão, 1907; Raffaelle Della Casa, Il movimento cattolico italiano. Note, commenti e ricordi storici, 2 in-8°, Milão, 1905; C. T., Manuale del propagandista cattolico, in-8°, Florença, 1911.

3. Tendo essa centralização excessiva tido, no entanto, inconvenientes, Pio X, em 28 de julho de 1904, modificou essa vasta organização e a tornou mais regional.

2º A Unione popolare fra i cattolici d'Italia. — Em 11 de junho de 1905, Pio X publicava a encíclica Il fermo proposito, a respeito da ação católica na Itália, e lhe dava, com uma nova constituição, um impulso mais forte. Segundo os próprios termos do documento pontifício, a Unione popolare destinava-se a agrupar os católicos de todas as classes sociais, mas especialmente as grandes multidões do povo, em torno de um único centro comum de doutrina, de propaganda e de organização social.

O papa insistia para que os católicos chegassem a tornar-se aptos, por uma melhor organização eleitoral, não somente a ocupar um lugar mais amplo na vida administrativa, entrando nos conselhos das municipalidades e das províncias, mas também na vida política da nação, que podia, de um dia para o outro, abrir-se-lhes. Essa Unione popolare não tardou a impor-se à atenção dos amigos e dos inimigos. Ver, a esse respeito, a magistral obra do professor Toniolo, que pôs sua grande ciência a serviço da boa causa, com um ardor infatigável: L'Unione popolare fra i cattolici d'Italia. Ragioni, scopi, incitamenti. in-8°, Florença, 1908. Citemos igualmente algumas outras obras destinadas a fazer penetrar essas ideias nas massas: T. D. Chiesa, L'Unione popolare spiegata ai contadini, in-8°, Alba, 1908; I. Imberciadori, L'Unione popolare fra i cattolici d'Italia. Manuale teorico-pratico, in-8°, Roma, 1909; Serafino Marchetti, L'ora presente e l'Unione popolare fra i cattolici d'Italia, in-8°, Turim, 1910.

3º A Unione economico-sociale. — Essa sociedade produziu resultados muito preciosos, mas, no entanto, não se desenvolveu tão rapidamente quanto se teria desejado e quanto se esperava. Nada há a repreender nas excelentes ideias e nos projetos expressos por suas numerosas circulares. Fez esforços louváveis pelo movimento econômico e que tiveram por efeito, entre outros, a federação dos bancos católicos; mas, por motivos independentes dela mesma, os resultados não foram tão completos para as organizações profissionais. Um de seus maiores títulos de glória e, ao mesmo tempo, um dos maiores serviços que prestou aos católicos, no domínio teórico e prático, é a instituição da Scuola sociale de Bérgamo, de onde saíram tantos homens perfeitamente aparelhados para a propaganda das ideias sãs e fecundas. Essa escola social, objeto de particular benevolência de Pio X, mereceu igualmente a bênção especial de Bento XV. Ver, a esse respeito, a Rivista internazionale, setembro de 1910, novembro de 1913 e janeiro de 1914; e a Azione sociale, agosto de 1915. Notemos igualmente a fundação, em 1912, da Unione cattolica del lavoro.

4º A Società della gioventù cattolica. — Fundada em 18 de fevereiro de 1868, essa sociedade tem por fim agrupar todos os jovens católicos da Itália, em vista da luta contra os inimigos de Deus, da Igreja e da pátria. Foi ela que, em 1871, numa de suas reuniões em Veneza, deu ocasião à fundação da obra dos congressos. Raffaello Della Casa, Il movimento cattolico italiano, 2 in-8°, Milão, 1905, t. i, p. 342. Pio X quis que ela recolhesse em suas fileiras as numerosas falanges de jovens católicos que se haviam organizado em diversas dioceses da Itália, e suscitou outras adesões. A partir desse momento, ela multiplicou os círculos de jovens e organizou belíssimas e numerosas manifestações de piedade, de caridade e de devoção para com a Santa Sé. Ao mesmo tempo, deu-se um programa nitidamente social e adaptado aos tempos novos.

Como o ramo italiano dos boy-scouts, chamado Corpo nazionale degli esploratori italiani, chegara a excluir, se não de seus estatutos, ao menos da prática, todo exercício religioso, o conselho diretivo da Società della gioventù cattolica italiana, de acordo com a Federazione delle associazioni sportive cattoliche italiane, fundou, em 1916, os Giovani esploratori cattolici, que, em 22 de abril de 1917, fizeram pela primeira vez sua aparição nas ruas de Roma, em número de mais de 200, com seu uniforme e suas bandeiras de diversas cores. Assim se estabeleceu, com seu caráter próprio e independente, a Associazione Scoutistica Cattolica Italiana, A. S. C. I, cujo conselho central tem sede em Roma, 70, via della Scrofa. Este publicou diversos opúsculos para dar a conhecer a obra e desenvolvê-la. Em Gênova aparece também, de quinze em quinze dias, uma revista periódica, a Esploratore, francamente inspirada nos princípios católicos. Associações desse gênero fundaram-se em Milão, Turim, Palermo e em outras cidades, até na Sardenha. Todas elas estão unidas e subordinadas ao conselho central de Roma.

A fim de formar jovens especialmente aptos a propagar os princípios cristãos, fundou-se para eles um curso de estudos sociais, para o qual seriam convocados os que parecessem os mais inteligentes e os mais capazes de exercer em seguida uma influência na sociedade. As primeiras reuniões desse gênero realizaram-se durante o mês de agosto de 1919, na célebre abadia do Monte Cassino. A ideia, favoravelmente acolhida, encontrou numerosos adeptos. Um curso desse gênero realizou-se pouco depois em Palermo, e outro, no mês de outubro, na diocese de Novara.

5º A Unione delle donne cattoliche italiane. — Essa associação trouxe ao movimento católico o precioso concurso da mulher cristã, na Itália. Sua organização, toda inspirada nos princípios de fé, de caridade e de alta cultura intelectual, valeu-lhe, em poucos anos, uma influência considerável, que ela empregou, com energia, perseverança e êxito, sobretudo na reivindicação dos direitos da escola e da família cristã. Um curso de alta cultura social, para as mulheres das classes dirigentes, foi inaugurado em Roma, no mês de setembro de 1917, e as tornou cada vez mais aptas ao cumprimento da missão que delas se podia esperar. Essas damas ou moças vinham assisti-lo, durante várias semanas, de todas as partes da Itália e até mesmo da Sicília. Essas pessoas, escolhidas com cuidado e especialmente instruídas, destinam-se a formar, um pouco por toda parte, como que um núcleo de propagandistas inteligentes, esclarecidas e seguras.

Paralelamente a essa associação de damas católicas, Donne cattoliche, compreendendo as mulheres casadas e aquelas que, sem o ser, haviam ultrapassado os 35 anos, existia a Società della gioventù femminile cattolica italiana, compreendendo as moças não casadas, até a idade de 35 anos. Tendo ambas as sociedades se desenvolvido muito, concebeu-se o desígnio, para coordenar sua ação e torná-la mais eficaz, de reuni-las sob o título geral de Unione femminile cattolica italiana, deixando a cada uma delas seu título particular e sua autonomia.

Esse projeto foi aprovado pelo soberano pontífice, e comunicação oficial dessa aprovação soberana foi feita, em 16 de setembro de 1919, por uma carta do cardeal secretário de Estado à marquesa Patrizi, presidente da obra. Numa audiência que concedeu, em 22 de outubro seguinte, a uma numerosa delegação da nova Unione femminile cattolica italiana, o soberano pontífice Bento XV, num magnífico discurso, expôs em termos elevados qual devia ser o apostolado da mulher cristã, em meio às dificuldades sociais do tempo presente. Cf. Azione cattolica femminile, in-8°, Roma, publicação periódica, iniciada em 1910 e continuada desde então.

Além das numerosas obras citadas no decorrer do artigo, consultar-se-ão com proveito os seguintes autores: Ughelli, Italia sacra, sive de episcopis Italiæ et insularum adjacentium, 9 in-fol., Roma, 1642-1662; essa obra, cheia de erudição, descreve a origem de cada Igreja e dá a série dos bispos. Foi reeditada por Coletti, 10 in-fol., Veneza, 1717-1733. Julius Ambrosius Lucentius deu dela um resumo, Italia sacra P. Ughelli in epitome redacta, 2 in-fol., Roma, 1677-1704; Muratori, Annali d'Italia, dal principio dell'era cristiana sino all'anno 1749, 11 in-4°, Luca, 1762-1770; obra continuada até 1827, 10 in-8°, Florença, 1827; Mazochi, De sanctorum Neapolitanae Ecclesiae episcoporum cultu, 2 in-4°, Nápoles, 1752; Léo, Histoire d'Italie, 5 in-8°, Berlin, 1829-1830; tradução francesa por Dochez, Cappelletti, Le Chiese d'Italia, dalla loro origine fino ai nostri giorni 23 in-4°, Veneza, 1844-1870; G. Baluffi, La Chiesa romana riconosciuta alla sua carità verso il prossimo per la vera Chiesa di Gesù Cristo, in-8°, Ímola, 1834; Cantù, Storia degli Italiani, 4 in-8°, Turim, 1864; traduzida em francês por Lacombe, 12 in-8°, Paris, 1859-1861 ; Della Marmora, Description statistique, physique et politique de la Sardaigne, 5 in-8°, Turim, 1870; Maltzan. Reise auf der Insel Sardinien. in-8°, Leipzig, 1869; Zeller. Histoire de l'Italie, in-8°. Paris, 1875; Morichini.

Degli istituti di carità per la sussistenza e l'educazione dei poveri e dei prigionieri in Roma, in-8°, Roma, 1890; Armellini Mariano, Le Chiese di Roma, dalle loro origini, sino al secolo XVI, in-8°, Roma, 1877; Annuario delle scienze giuridiche, sociali e politiche, 4 in-8°, Milão, 1881-1884; Savio. Gli antichi vescovi d'Italia, in-8°, Turim, 1899; Cossu, L'Isola di Sardegna, in-8°, Roma, 1900; Salvioli. Le Decime di Sicilia e specialmente di Girgenti, in-8°, Palermo, 1901; Denis Guibert, Rome au XVe siècle, in-8°, Paris; Mons. Battandier, Annuaire pontifical catholique, in-8°, Paris, 1919; Annuario statistico italiano, in-8°, Roma, 1917; Annuario italiano generale amministrativo, politico e religioso. Annuario ecclesiastico d'Italia, in-8°, Roma, 1918; Annuario pontificio (pubblicazione ufficiale), in-8°, Roma. Esse anuário começou em 1860; mas, em 1872, tomou por título: La Gerarchia cattolica, la cappella e la famiglia pontificia, con appendice di altre notizie riguardanti la santa sede; desde 1899, acrescentou ao título a adição: edizione ufficiale; Annuario della stampa italiana, in-8°. Milão, 1902; Annuario nuovo della stampa periodica d'Italia, in-8". Milão, 1905); Diario romano, in-12, Roma, 1921; Acta Apostolicae Sedis. Commentarium officiale, in-fol., Roma, 1906-1921, para os atos oficiais dos soberanos pontífices Pio X e Bento XV concernentes à Itália.

T. Ortolan.

Autor original: T. Ortolan

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