INOCÊNCIO X, papa (de 15 de setembro de 1644 a 5 de janeiro de 1655). Giovanni Battista Pamfili nasceu em Roma em 6 de maio de 1574, de família de antiga nobreza. Estudou direito, foi auditor da Rota sob Clemente VIII e núncio em Nápoles sob Gregório XV; Urbano VIII empregou-o em vários postos ou negócios de importância; em 1629 criou-o cardeal-presbítero do título de Santo Eusébio. Por morte de Urbano VIII, tornou-se papa.
Três traços marcaram o governo de seus Estados: as perseguições contra os Barberini, sobrinhos de Urbano VIII e protegidos de Mazarino; a influência persistente da cunhada do papa, Olímpia Maidalchini; as preocupações pecuniárias na administração da justiça. Os Barberini, e entre eles o cardeal Antônio, foram acusados de concussão e finalmente despojados de seus bens. Todavia, a proteção da França obrigou o papa a devolver-lhos. Olímpia Maidalchini, mais homem que mulher, exerceu sobre o papa, seu cunhado, um domínio funesto; todos os negócios, e sobretudo os favores, deviam passar por suas mãos; e ela se fazia notar pela sede de ouro. Para explicar esse favor, falou-se de relações culpáveis; hoje, na esteira de Ranke, afasta-se geralmente essa suposição. Em grande parte por causa das cobiças de Olímpia, o tesouro pontifício estava constantemente vazio; para remediar essa penúria, permitia-se àqueles que haviam incorrido em condenações resgatar-se a preço de dinheiro. Essa fraqueza entravava todas as medidas para o restabelecimento da ordem nos Estados da Igreja. Assim, embora Inocêncio X fosse amável e afável, embora parecesse ter intenções retas, o governo de seus Estados foi em geral infeliz.
Esse papa favoreceu as artes. Infelizmente, não era um Bramante, era um Bernini que tinha à mão. Bernini deteriorou o interior de São Pedro; redimiu-se, contudo, um pouco pela bela disposição da praça de São Pedro, que é obra sua pessoal. Urbano VIII fora favorável à França; Inocêncio X foi pelos Habsburgos. Promoveu cardeais nesse sentido; recusou-se a reconhecer a independência de Portugal, então em guerra com a Espanha. Ao contrário, em suas perseguições contra os Barberini, nas dificuldades de Mazarino e da corte da França com o cardeal de Retz e a Fronda, esteve longe de procurar ser agradável à França. Na Itália, teve dificuldades com o duque de Parma, Rainúcio II, e com a República de Veneza, nos dois casos sobretudo por causa da nomeação aos bispados.
Em 1648, a paz de Vestfália concluiu-se quase à margem do papa, contrariamente à prática da Idade Média. Inocêncio protestou pela bula Zelus domus meœ, de 26 de novembro de 1648. Mas essa bula teve pouca repercussão. O grande ato doutrinal de Inocêncio X foi a condenação do jansenismo e das cinco famosas proposições, pela bula Cum occasione, de 31 de maio de 1653. Ver Jansenismo.
Ciaconius, édit. de 1677, t. iv, p. 641 sq. ; Palatius, Gesta pontificum Romanorum, 1688, t. iv, p. 571 sq.; Gualdus (pseudônimo de Gregorio Leti), Vita de donna Olimpia Maidalchina, 1666 (pouco verídica); L. Ranke, op. cit., na bibliografia de Inocêncio IX. Ele utilizou várias fontes manuscritas, das quais uma, entre outras, foi publicada desde então: Relazioni degli Stati Europei lette al senato dagli ambasciatori Veneti nel secolo XVII, raccolte ed annotate da Nic. Barozzi e Guglielmo Berchet, Série III, Italia, Relazioni di Roma, Venise, 1878, t. ii.
J. Paquier.
Autor original: J. Paquier
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