INGUIMBERT (dom Malaquias d'), da ordem de Cister, bispo de Carpentras, onde nasceu em 26 de agosto de 1683, e morreu em 6 de setembro de 1757. Depois de concluir seus estudos com os jesuítas de sua cidade natal, José Domingos d'Inguimbert entrou em 1698 na ordem dos frades pregadores. Quatro anos mais tarde, estava em Paris, no convento da rua Saint-Jacques, e obtinha de seus superiores a autorização de consagrar-se às missões da América; mas, no momento de embarcar, caiu gravemente doente. Foi, portanto, obrigado a voltar a Paris, onde foi ordenado sacerdote. Pouco depois foi enviado ao convento de Carpentras, de onde foi a Roma, depois a Florença, onde o grão-duque da Toscana lhe confiou a cátedra de teologia dogmática na universidade de Pisa. Foi então que se decidiu a abraçar uma vida religiosa mais austera e se retirou para a trapa de Buon-Solazzo. Bento XIII deu seu consentimento a essa mudança, e José Domingos d'Inguimbert professou a regra cisterciense em 2 de agosto de 1715, recebendo então o nome de dom Malaquias. Foi logo mestre dos noviços, professor de teologia; depois enviaram-no a levar a reforma à abadia de Casamari. Mas não tardou a voltar ao seu primeiro mosteiro. De 1719 a 1721, ensinou teologia no liceu de Florença e em seguida tornou-se superior do seminário de Pistoia.
Em 1723, o cardeal Albani mandou-o vir a Roma, encarregando-o de escrever a vida de Clemente XI, seu tio. Dom Malaquias, desde o ano seguinte, desentendeu-se com seu protetor, que o acusava, sem razão, de ter comunicado à corte da França e ao padre Quesnel diversos documentos sobre a bula Unigenitus. Contudo, o papa ordenou-lhe que permanecesse em Roma e concedeu-lhe alguns benefícios. O cardeal Corsini escolheu-o então como seu teólogo e seu bibliotecário. Tornado papa sob o nome de Clemente XII, cumulou dom Malaquias de favores, nomeou-o abade cisterciense, consultor do Santo Ofício e arcebispo titular de Teodósia. Em 1735, enfim, escolheu-o para bispo de Carpentras. Logo após essa nomeação, dom Malaquias d'Inguimbert, apesar das instâncias do papa, pôs-se a caminho de sua diocese, que governou com a maior solicitude. Mandou construir em sua cidade episcopal um grande hospital e enriqueceu-o com uma magnífica biblioteca.
Durante sua estada na Itália, publicou diversas obras, entre as quais mencionaremos: Specimen catholicæ veritatis, cui athæi, pseudopolitici, circa quamcumque sectam indifferentes, religionis contemptores, dubiæ fidei et critices intemperantiores auditores velamina prætendere nituntur, exhibitum a Fr. Malachia d'Inguimbert, M. O. C., regiæ celsitudinis Cosmi III magni Etruriæ ducis theologo, atque primum in universitate Pisana, tum in lyceo Florentino theologiæ professore, in-4°, Pistoie, 1722; Genuinus character reverendi admodum in Christo Patris D. Armandi Joannis Bouthillerii Rancæi abbatis monasterii B. Mariæ Domus Dei de Trappa; ibique primigenii spiritus ordinis Cisterciensis restitutoris et pristinorum usuum cultoris indefessi; expressus ex variis, quæ animum ipsius primum mundo, tum Deo servientis optime ostendunt, in-4°, Rome, 1718; Vita di Arm. Giov. Le Bouthillier di Rancè, abate regolare e riformatore del monastero della Trappa, detta stretta osservanza cisterciense, corretta, ampliata e ridotta in miglior forma da F. Malachia d'Inguimbert, in-4°, Rome, 1725: nessas duas obras o autor se aplica a defender o abade de Rancé contra aqueles que o acusavam de ter pactuado com os jansenistas e de ter-se mostrado inimigo dos direitos da Santa Sé; traduziu, além disso, para o italiano o comentário sobre a regra de são Bento e o tratado da santidade e dos deveres da vida monástica do célebre reformador da Trapa: La regola di san Benedetto tradotta e spiegata secondo il suo vero spirito, 3 in-4°, Rome, 1722; La teologia del chiostro. overo la santità e le obligazione della vita monastica, 2 in-4°, Rome, 1731 ; Septimaniæ historiæ libri VIII, in-8°, Rome, 1734, reimpressão da história da abadia de Settimo com prefácio, notas e observações de dom Malaquias d'Inguimbert; Trattato teologico dell'autorità ed infallibilità del papa, in-fol., Rome, 1731, tradução feita por ordem do papa da obra do beneditino dom Petit-Didier, à qual acrescentou uma longa dissertação sobre os caracteres do erro nos defensores de Jansênio e de Quesnel; Ven. servi Dei D. Bartholomæi a Martyribus opera omnia, 2 in-fol., Rome, 1735.
Barth. Aug. Magy, S. J., Oraison funèbre de messire dom Malachie d'Inguimbert, archevêque et évêque de Carpentras, in-12, Avignon, 1764; M. Seguin de Pazzis, Éloge en forme de notice historique de M. d'Inguimbert. in-8°, Carpentras, 1805 ; H. d'Olivier-Vitalis, Notice historique sur la vie de M. d'Inguimbert, in-4°, Carpentras, 1812; Fabre de Saint-Véran, Mémoire sur la vie et les écrits de M. d'Inguimbert, in-18, Carpentras, 1860; abbé Ricard, Histoire de Mgr d'Inguimbert, in-8°, Cavaillon, 1867; dom Bérengier, Vie de dom Malachie d'Inguimbert de l'ordre de Cîteaux, archevêque-évêque de Carpentras, in-8°, Avignon, 1888.
B. Heurtebize.
Autor original: B. Heurtebize
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