HUMILIADOS. — I. História. Sobre as origens dos humilhados circularam relatos que foram por muito tempo admitidos por todos, cujas linhas essenciais são as seguintes. Um imperador alemão havia tomado a cidade de Milão, sublevada contra ele. Levou em cativeiro alguns nobres milaneses que haviam dirigido a luta. Estes, em seu exílio, entregaram-se em comum à penitência. Informado do fato, o imperador mandou chamá-los e, vendo-os prostrados a seus pés, disse-lhes: « Eis-vos, pois, finalmente humilhados. » Depois, diante da promessa deles de que doravante seriam fiéis, o imperador os mandou de volta para casa. Aí continuaram seu gênero de vida religiosa, e seus parentes o adotaram a seu exemplo. Por causa da palavra do imperador, chamaram-se humilhados. Quanto ao tempo em que o acontecimento se teria dado, as opiniões oscilavam entre os anos 1017 e 1198. Numa obra memorável, os Vetera humiliatorum monumenta, Milão, 1766-1768, o jesuíta Tiraboschi consagrou a primeira de suas sete Dissertationes prodromae ao exame dessas opiniões e optou pela data de 1017; o imperador era então Henrique II. Quando são Bernardo veio a Milão (1135), organizou a terceira ordem dos humilhados, composta de homens e mulheres que permaneciam no mundo. Depois — houve uma segunda ordem e uma primeira ordem, a primeira em dignidade, a última cronologicamente. A primeira ordem foi fundada por são João Oldrado de Meda, o qual morreu em 1159 e é honrado a 26 de setembro.
Ora, parece bem que tudo isso pertence ao domínio lendário. O papel do imperador da Alemanha e os começos da ordem que se lhe atribuem aparecem pela primeira vez, no século XV, em três crônicas da ordem dos anos 1419, 1421 e 1493, portanto muito tardias e, além disso, desprovidas de crítica, sem contar que as duas últimas apresentam essas origens como envoltas em incertezas: Qualiter nobiles illi Lombardi (et primi fuere Mediolanenses) in Alamania per quemdam imperatorem fuerunt confinati, ut componens a suis patronis audivit vociferari, sed propter longanimitatem (sic) temporis nomen ignorabant, diz João de Brera, autor da crônica de 1421, c. i, em L. Zanoni, Gli umiliati nei loro rapporti con l'eresia, l'industria della lana ed i comuni nei secoli xii e xiii, Milão, 1911, p. 336, e o autor da crônica de 1493, Marcos Rossi, diz por sua vez: Quia... multi conati sunt originis nostrae humiliatorum diversimode dedicare historiam texere, ao geral dos humilhados, em L. Zanoni, op. cit., p. 345. As relações entre são Bernardo e os humilhados têm por mais antigo fiador o crédulo compilador frei Galvano Fiamma (morto depois de 1344), Manipulus florum, em Muratori, Rerum Italicarum scriptores, t. xi, col. 632, cujo testemunho esbarra nas mais graves dificuldades. Cf. L. Zanoni, op. cit., p. 14-17.
Quanto a são João de Meda, seria sem dúvida excessivo pretender, com A. de Stefano, Le origini dell'ordine degli umiliati, na Rivista storico-critica delle scienze teologiche, Roma, 1906, t. ii, p. 858, que « talvez nem mesmo tenha existido »; mas certamente a biografia do santo que foi publicada pelos bolandistas, Acta sanctorum, Paris, 1867, septembris t. vii, p. 334-335, e da qual derivam as biografias posteriores, é, segundo a expressão do douto Fumagalli, Delle antichità longobardico-milanesi, Milão, 1792, t. iv, p. 159, « um tecido de fábulas e anacronismos ». Nem 1159 é a data de sua morte, nem se está autorizado a afirmar a existência da primeira ordem dos humilhados antes do século XIII.
Os documentos de boa lei relativos às origens dos humilhados são os seguintes: 1° a excomunhão promulgada por Lúcio III no concílio de Verona (1184) e eos qui se humiliatos vel pauperes de Lugduno nomine falso mentiuntur... perpetua decernimus anathemati subjacere, em Labbe, Sacrosancta concilia, Paris, 1671, t. x, col. 1737; 2° as bulas de Inocêncio III e de seus sucessores, em Tiraboschi, op. cit., t. ii, p. 128 sq., cf. L. Zanoni, op. cit., p. 257; 3° nove documentos publicados por L. Zanoni, op. cit., p. 56-57, nota, 267-275, que vão de 1186 a 1236; 4° um documento de 1203, publicado por C. Cipolla, Statuti rurali veronesi, no Archivio veneto, Veneza, 1889, t. xxxvii, p. 344-345; 5° o Chronicon anonymum Laudunense, nos Monumenta Germaniae historica, Scriptores, t. xxvi, p. 449 (vai até 1219 e ocupa-se dos humilhados à data de 1178); 6° o Chronicon Urspergense, nos Monumenta Germaniae historica, Scriptores, t. xxiii, p. 376-377 (vai até 1229; o autor, Burcardo de Biberach, preboste de Ursperg em 1226, redigiu a parte que se detém em 1216; trata dos humilhados entre 1184 e a fundação dos frades pregadores); 7° Tiago de Vitry, morto em 1240, carta de 1216 publicada por R. Röhricht, Briefe des Jacobus de Vitriaco, na Zeitschrift für Kirchengeschichte, Gotha, 1894, t. xiv, p. 102, e Historia occidentalis, c. xxviii, Douai, 1597, p. 334-337; cf. uma boa edição da carta de 1216 em P. Sabatier, Speculum perfectionis seu sancti Francisci Assisiensis legenda antiquissima, Paris, 1898, p. 296-301 (a passagem relativa aos humilhados, p. 297-298); 8° Humberto de Romans, 1277, Ad humiliatos e Ad sorores de ordine humiliatorum, em Sermones beati Umberti burgundi, instituti praedicatorum, Veneza, 1603, p. 36-37, 50. Que nos ensinam esses documentos?
Deixando de lado, por ora, a questão da ortodoxia dos humilhados, que será exposta à parte, constatamos neles, primeiramente, sua existência por volta de 1178. Essa data é fornecida pelo anônimo de Laon, o qual diz que estavam na Lombardia, que viviam com suas famílias, do trabalho de suas mãos, que foram chamados humilhados porque se vestiam com simplicidade e excluíam de seu uso as roupas tingidas, que eram então consideradas objetos de luxo. Humberto de Romans completa a explicação dessa denominação: bene dicuntur humiliati, quia videlicet humilem vitam laborantium ducunt, diz ele, Sermones, p. 37. Nenhum texto faz alusão a uma origem mais antiga; todos sugerem que não há motivo para remontar mais alto. Acrescentemos que o pano cinzento ou cor de cinza, berretino, que usavam fez que fossem chamados por vezes « berretinos da penitência ». Cf. L. Zanoni, op. cit., p. 57.
« Humilhado » significa, nesse período primitivo, uma pessoa que se consagra a uma vida perfeita de pobreza e de labor. Os que levam esse nome agrupam-se em fraternidades autônomas, que vão se ampliando e desembocarão pouco a pouco em três ordens religiosas distintas. Bastante caótico, esse movimento é de início ortodoxo; bem depressa degenera. Os humilhados solicitam a aprovação pontifícia. O papa, provavelmente Alexandre III, permite-lhes seguir seu ideal religioso, mas proíbe-lhes a pregação. Justamente eles se julgavam chamados ao ministério da pregação; não conseguem resolver-se a renunciar a ele. Lúcio III os excomunga no concílio de Verona (1184), em companhia dos pobres de Lyon e de outros heréticos. Inocêncio III empenha-se em reconduzi-los à Igreja. « Se se consideram, diz A. Luchaire, Innocent III. Le concile de Latran et la réforme de l'Église, Paris, 1908, p. 166, as relações de Inocêncio III com a confraria italiana dos humilhados, ver-se-á... quão injusto é afirmar que sua alma não estava aberta às tentativas de regeneração moral que se produziam entre seus contemporâneos. » Nem todos os humilhados corresponderam às investidas do papa: houve, entre eles, heréticos irredutíveis. Mas houve também, e seu número foi grande, os que entraram no caminho da plena submissão à autoridade eclesiástica.
Com a orientação doutrinal dos humilhados produziu-se definitivamente, por obra de Inocêncio III, a segmentação em três ordens. As crônicas e as cartas dos papas nos conservaram os nomes dos representantes dos humilhados que receberam uma regra: foram, para a terceira ordem, Guido da porta oriental de Milão, em 1199, e, para a primeira e a segunda ordem, Tiago de Rondineto e Lanfranco de Lodi, em 1201. À diferença das três ordens franciscanas: religiosos, religiosas, leigos, as três ordens humilhadas compreendiam as seguintes: a terceira ordem, homens e mulheres que continuavam a viver em suas famílias; a segunda ordem, irmãos e irmãs que, embora tendo uma regra e vivendo numa casa comum, os homens separados das mulheres, permaneciam leigos; a primeira ordem, homens e mulheres consagrados solenemente a Deus, verdadeiros religiosos, verdadeiras religiosas, e não somente sacerdotes, como se disse muitas vezes. Posteriormente houve casas habitadas unicamente por humilhadas.
Afirmou-se com frequência que a regra da primeira e da segunda ordem foi a regra beneditina; na realidade, foi uma fusão de elementos diversos, nos quais predominaram as regras de são Bento e de santo Agostinho, o que explica o título de cônegos adotado pelos membros da primeira ordem. Cf. L. Zanoni, op. cit., p. 93-112, e, p. 352-370, o texto da regra com a indicação de suas fontes. Quanto à regra da terceira ordem, limitemo-nos a notar que a denominação de « irmãos da terceira ordem » foi quase exclusiva da terceira ordem dos humilhados, ao passo que os terciários franciscanos eram chamados « irmãos da Penitência » e a terceira ordem franciscana « ordem da Penitência », e assinalemos, numa palavra, as semelhanças entre as regras das duas terceiras ordens. P. Sabatier, Regula antiqua fratrum et sororum de Poenitentia, nos Opuscules de critique historique, Paris, 1901, t. i, p. 16, estima que elas são tais que é muito difícil não admitir que o documento franciscano « tenha sido em parte decalcado sobre essa regra dos humilhados ». Cf. P. Alphandéry, Les idées morales chez les hétérodoxes latins au début du xiiie siècle, Paris, 1903, p. 25-27, nota.
Existem outras relações entre os humilhados e os frades menores, o que leva P. Sabatier a dizer, op. cit., p. 15: « Talvez se tenha atribuído até aqui uma originalidade excessiva ao movimento franciscano. Não, não se exagerou o que houve de único no movimento franciscano; mas importa levar em conta suas similitudes com os movimentos contemporâneos e anteriores em favor da vida pobre e, em primeira linha, com o dos humilhados. » Os começos do século XIII são a idade de ouro das novas ordens religiosas. A difusão dos humilhados foi rápida na Alta Itália, seu fervor grande e sua ação religiosa considerável. Cf., sobre os santos e bem-aventurados da ordem, Tiraboschi, Vetera humiliatorum monumenta, t. i, p. 193-257. Sua atividade não se exerceu somente no domínio espiritual, mas também no terreno industrial e econômico.
Não é exato que se deva atribuir-lhes a importação e os progressos, na Itália, da indústria da lã. Essa lenda, que corre por toda parte e que se enxerta na lenda do cativeiro na Alemanha dos nobres milaneses que teriam dado origem à ordem e que teriam trazido do exílio a arte da lã, é sem fundamento. Cf. L. Zanoni, op. cit., p. 145-167. O que é verdadeiro é que « os humilhados, se não são a causa, mas antes um dos frutos, do desenvolvimento da arte da lã já considerável graças ao capital, representam, na vida econômica, uma forma, a primeira, de resistência do proletariado ao industrialismo. » L. Zanoni, op. cit., p. 166. Eles se elevam, pela força da associação, ao poder dos mercadores capitalistas e têm uma parte notável na evolução da vida comercial.
A direção da ordem havia pertencido, no princípio, a quatro casas situadas em quatro regiões distintas, a saber Viboldone, Como, Lodi, Pavia, cada uma das quais exercia o comando por sua vez durante um ano. A partir de 1216, houve um superior geral. O primeiro foi Bertrand de Brescia; houve trinta e quatro seguidos até o ano de 1570, em que a ordem foi suprimida pelo papa Pio V », diz Hélyot, Histoire des ordres monastiques, Paris, 1718, t. vi, p. 158. Em 2 de setembro de 1288, Nicolau IV isentou os humilhados da jurisdição dos bispos. Enquanto as duas primeiras ordens se haviam estreitado, tendendo a segunda ordem a assimilar-se à primeira, a terceira ordem só havia conservado com uma e com outra laços cada vez mais frouxos; chegara o declínio, e sua ação mal ultrapassa meados do século XIII. Nas duas primeiras ordens a decadência sobreveio igualmente, em consequência da riqueza. Hélyot, op. cit., t. p. 159, diz, em sua linguagem rude, que os superiores, ou prepósitos, « levavam uma vida tão licenciosa que nada recusavam à sua sensualidade..., preocupando-se muito pouco com o que dizia respeito à condução de seus mosteiros, onde os religiosos, a exemplo deles, envergonhavam os seculares mais libertinos, a quem superavam em seus excessos. »
São Carlos Borromeu empreendeu, com seu vigor habitual, uma reforma urgente. Os prepósitos resistiram. Alguns, para se subtrair à reforma, resolveram livrar-se do reformador. Um dos conjurados, Farina, descarregou quase à queima-roupa um arcabuz sobre o santo, que estava em oração na capela do arcebispado, em 26 de outubro de 1569. O arcebispo de Milão escapou como por milagre. Cf. L. Celier, Saint Charles Borromée, Paris, 1912, p. 122-125. O papa São Pio V, renunciando a melhorar a ordem, suprimiu-a por uma bula de 7 de fevereiro de 1571. Cf. L. Cherubini, Magnum bullarium romanum, Lyon, 1673, t. ii, p. 326-327. A ordem tinha então noventa e quatro mosteiros e somente cento e setenta religiosos. As religiosas humilhadas não foram compreendidas nessa supressão; restavam, no tempo de Hélyot, treze mosteiros na Itália (catorze contando o das religiosas de Santa Cecília de Roma, que se diziam humilhadas, mas que as humilhadas de Milão não queriam reconhecer como irmãs). Cf. Hélyot, op. cit., p. 166-167. Elas ainda tinham, nestes últimos tempos, cinco mosteiros. Cf. M. Heimbucher, Die Orden und Kongregationen der katholischen Kirche, Paderborn, 1907, p. 127.
— II. Doutrinas. A ordem dos humilhados ocupa um lugar importante na história da heresia medieval. Os antigos historiadores da ordem se haviam enganado a esse respeito. Tiraboschi, o mais bem informado de todos, deparando com os textos do concílio de Verona e da crônica de Ursperg, dizia, Vetera humiliatorum monumenta, t. i, p. 179, que a ordem nada tinha de comum com os hereges condenados pelo concílio e que a crônica confundia erradamente estes com aquela. Essa maneira de ver era a de todos os autores. Por exemplo, G. Moroni, Dizionario di erudizione storico-ecclesiastica, Venise, 1857, t. lxxxiii, p. 107, consagrava dois artigos aos humilhados, um aos hereges, outro à ordem dos humilhados, supondo que não havia entre eles nenhum vínculo. Cf. ainda o Nouveau Larousse illustré, Paris, s. d., t. v, p. 184.
O próprio F. Tocco, L'eresia nel medio evo, Florença, 1884, p. 183, nota 3, admitia que a ordem jamais se afastou da Igreja, e, mais recentemente, Archivio storico italiano, Florença, 1888, 5ª série, t. ii, p. 81, avançava esta hipótese: « à vinda de Valdo, teria se constituído uma sociedade nova, a qual, tomando o que havia de melhor no instituto das três ordens dos humilhados, lhes teria tomado emprestado também o nome, embora nada tivesse de comum com eles, que, em geral, não se dobraram às ideias valdenses e permaneceram sempre homens-ligios da ortodoxia. » Um exame atento dos textos não permite ater-se a essas conclusões. Resulta deles que a ordem dos humilhados não escapou à heresia e que houve afinidade entre os humilhados hereges e os valdenses. Mas sobre os inícios da heterodoxia dos humilhados surgiram opiniões divergentes. A. de Stefano, Rivista storico-critica delle scienze teologiche, t. ii, p. 861-863, « julgou poder identificar os humilhados primitivos com os valdenses lombardos primitivos ».
O decreto de excomunhão de Lúcio III, que une, por causa de seus traços comuns, os cátaros e os patarinos, assimila os humilhados aos pobres de Lyon, se é que em seu pensamento eles não formam uma só e mesma coisa, o que ocorreria se o vel da frase eos qui se humiliatos vel pauperes de Lugduno nomine falso mentiuntur... tivesse sentido explicativo e não disjuntivo, como admitiram os historiadores modernos depois de W. Preger, Beiträge zur Geschichte der Waldesier im Mittelalter, nos Abhandlungen der hist. Classe der Königl. Bayer. Akademie der Wissenschaften, Munique, 1875, t. xiii, p. 211. A crônica de Ursperg distingue, mas ao mesmo tempo aproxima humilhados e pobres de Lyon em termos que fazem pensar que lhes atribui uma comunidade de origem. Decisivo, sobretudo, é o argumento interno, tirado da comparação entre o ideal, os costumes e as vicissitudes históricas dos valdenses e dos humilhados. L. Zanoni, op. cit., p. 27-50, rejeita a identificação entre os valdenses primitivos e os humilhados primitivos, e substitui os valdenses pelos cátaros. Se o cânon de Lúcio III no concílio de Verona justapõe humilhados e pobres de Lyon, é porque tomam, uns e outros, um nome de santidade simulada, humiliatos, pauperes.
Cumpre evitar os juízos simplistas de conjunto que agrupam e colocam num único plano elementos que pertencem a tempos diversos; ora, considerando os dois movimentos nos trinta últimos anos do século XII, antes das trocas mútuas de doutrinas, eles pouco têm em comum além do propósito de uma vida mais perfeita, que era próprio de toda a época. As diferenças são numerosas. O movimento valdense de Lyon tem duas notas exclusivas: o amor da pobreza evangélica e a pregação da vida de renúncia; mas é uma pregação que nada tem de dogmático, são exortações em língua vulgar, sem polêmica doutrinal. Para viver plenamente a vida cristã, ainda não se sente a necessidade de abster-se do juramento e de fugir dos tribunais. Longe de abandonar a comunidade católica, frequentam-se as igrejas, os sacramentos. Tais são os valdenses, segundo o abade Bernardo de Fontcaude, em seu Adversus waldensium sectam liber, P. L., t. cciv, col. 793-840, escrito entre 1180 e 1190. Cf. K. Müller, Die Waldenser und ihre einzelnen Gruppen bis zum Anfang des xiv Jahrhunderts, Gotha, 1886, p. 141-142; P. Alphandéry, Les idées morales chez les hétérodoxes latins au début du xiiie siècle, p. 122-128.
Os humilhados, ao contrário, adotam uma pregação doutrinal — ela se propôs, de início, a defesa da fé católica —, têm uma organização independente da autoridade eclesiástica, abstêm-se do juramento e da mentira e afastam-se dos tribunais. Esses últimos traços convêm aos cátaros. Aliás, sabemos que os cátaros invadiram a Itália, que em meados do século XIII eles pululam em Milão e, como o nome de « cátaro » não se encontra em nenhum documento local, é preciso procurá-los sob a denominação, corrente na Itália, de « patarinos », nome que ainda não é sinônimo de herege em geral. Nessa data, entre cátaros e patarinos a identidade não deixa dúvida. Por outro lado, os humilhados aparecem como patarinos organizados em quatro documentos, publicados por L. Zanoni, p. 267-271, que são de 1186, 1214, 1226, 1236, e dos quais o mais antigo se refere a um estado de coisas anterior. Outro documento, de 1215, publicado por L. Zanoni, p. 271-272, designa os humilhados com a denominação de « homens bons », que se aplicava também aos cátaros. Um outro, enfim, de 1203, publicado por L. Cipolla, Archivio veneto, t. xxxvii, p. 344-345, reúne-os com os cátaros, se não os identifica com eles.
Aproximados dos cátaros e separados dos valdenses primitivos pelo nome e pela condenação do juramento, da mentira, dos tribunais, os humilhados o são ainda pela prática do trabalho, do jejum três vezes por semana fora dos tempos do jejum contínuo, pelo uso das reuniões periódicas, dos conventículos, dos quais eram excluídos os sacerdotes da Igreja oficial. O catarismo foi, portanto, um dos fatores mais poderosos do movimento dos humilhados. A tese de L. Zanoni é digna de atenção. Contudo, não parece inteiramente estabelecida. Dizer que os cátaros e os humilhados têm semelhanças é legítimo; pretender que os humilhados « participam do movimento cátaro », segundo a expressão de L. Zanoni, p. 43, fazer dos humilhados primitivos verdadeiros cátaros é ir longe demais. Sua afinidade não é demonstrada, parece-nos, pelo fato de uma similitude de práticas puramente exteriores, como a abstenção do juramento, o trabalho manual e os jejuns semanais; para que exista, seria preciso que ambos tivessem um patrimônio doutrinal comum. F. Callaey, Revue d'histoire ecclésiastique, Lovaina, 1912, t. xiii, p. 528. Os nomes de « patarinos », « homens bons » e até « cátaros » dados aos humilhados não são probantes. « Cátaro » foi dito dos patarinos ortodoxos de Milão no século XI, como L. Zanoni observa, p. 43, e, aliás, o documento que aproxima os cátaros dos humilhados não aproxima menos os pobres de Lyon: ut iret ad domum umiliatum cazarorum patarinorum seu pauperum Lugdunum. As expressões « homens bons » e « patarinos » não designaram exclusivamente os cátaros, mas, em geral, boa gente, pobre gente, vivendo uma vida bem cristã; nos textos em que visam os humilhados, não têm certamente o sentido pejorativo de adeptos da heresia, mas são os termos oficiais que servem para denominar a fraternidade: domus et collegium patarinorum sive humiliatorum, bonorum hominum fraternitatis seu congregationis sive humiliatorum. Não esqueçamos, aliás, L. Zanoni o observa com razão, op. cit., p. 30, que, entre essa multidão de seitas surgidas na Alta Itália durante a segunda metade do século XII, « seria uma ilusão crer que se distinguisse claramente seu conteúdo doutrinal e seus laços recíprocos de origem, de sorte que sua enumeração pudesse ser feita com base em critérios científicos. Atribuímos talvez demais aos homens do século XII a ciência dos inquisidores dominicanos do século XIII. »
Nem valdenses puros nem cátaros puros, os humilhados primitivos que caíram na heresia foram uma das inumeráveis seitas reformistas do século XII, nascidas das mesmas aspirações a uma vida mais perfeita, mais ou menos ligadas aos patarinos ortodoxos de Milão do século XI e aos arnaldistas do XII, tendo traços comuns embora permanecendo dessemelhantes, influenciando-se mutuamente umas às outras. Como os cátaros, não prestam juramento, entregam-se ao trabalho manual, jejuam três vezes por semana. Como os valdenses, ambicionam dedicar-se à pregação. O papa só o permite aos valdenses com a condição de terem o beneplácito do clero e não o permite de modo algum aos humilhados. Valdenses e humilhados pregam apesar da proibição papal. Tendo rompido nesse ponto a dependência em relação ao clero, passam sem ele em outras matérias, e a pregação livre, a pregação leiga, os conduz à emancipação total da disciplina eclesiástica, ao antissacerdotalismo em toda a linha.
No que diz respeito aos humilhados, sabemos por Burchard de Ursperg que, não contentes de pregar, rejeitam toda autoridade dos prelados, ouvem confissões e usurpam o ministério sacerdotal. O mesmo cronista mostra-nos neles, em germe, a distinção entre perfeitos e crentes que existiu desde sempre entre os cátaros e foi tardia entre os valdenses: quippe illi, cum rudis et illiterati essent, manibus operibus instabant et praedicabant, accipientes necessaria a suis credentibus. O grande papa Inocêncio III ocupou-se, com muito tato, com uma mistura de firmeza e mansuetude apostólicas, dando satisfação ao que suas reivindicações religiosas tinham de legítimo, de reconduzir os dissidentes à fé católica. Teve êxito parcialmente. Dois grupos de valdenses, que tinham por chefes um Durand de Huesca (1206), outro Bernardo Primus (1210), voltaram à obediência da Igreja, receberam uma regra do papa e formaram ordens novas, das quais a primeira tomou o nome de pobres católicos.
Do mesmo modo, entre os humilhados, houve um movimento de retorno a Roma. Aqueles que juraram obedecer à Igreja, e que se aplicaram, na ortodoxia, a servir a Deus in humilitate cordis et corporis, abandonaram o nome de humilhados, tornado suspeito; mas o povo o conservou para eles apesar deles, segundo nos informa uma bula de Inocêncio III datada de 6 de dezembro de 1199, P. L., t. ccxiv, col. 789, e esse nome acabou por se manter, ao abrigo de toda suspeita de heresia, nos documentos eclesiásticos. Constituíram as três ordens de que falamos. São eles que nos descrevem Jacques de Vitry e Humberto de Romans. Jacques de Vitry nota que « os irmãos, tanto clérigos como leigos letrados, têm do papa o poder de pregar não só em sua congregação, mas também nas praças das cidades, e nas igrejas dos seculares, com o consentimento dos bispos. » Fazem, acrescenta ele, muitas conversões, e atraem para sua ordem grande número de convertidos, dos quais uns servem a Deus no século (são os terciários), enquanto os outros, muitas vezes sacerdotes e clérigos, entram nos mosteiros que se multiplicam. Tornaram-se tão terríveis aos hereges e os confundem tão bem em público que estes já não ousam aparecer diante deles e que muitos, reconhecendo seu erro, voltaram a Cristo e juntaram-se aos humilhados. Esses hereges são os patarinos, patroni (isto é, os cátaros), precisa Jacques de Vitry, em sua Historia occidentalis; em sua carta de 1216, representa os humilhados como os únicos, naquela cidade de Milão que fovea est hereticorum, a resistir aos hereges, e, diz ele, « os homens maliciosos e seculares chamam de patarinos, patroni, esses homens santos e essas mulheres religiosas, que são perfeitos e estáveis na fé e cujas obras são eficazes. »
Os humilhados heterodoxos, por sua vez, separam-se definitivamente da Igreja. A fração rebelde sente a necessidade de unir-se a dissidentes que tenham princípios semelhantes aos seus, princípios que ela é levada a formular de maneira distinta agora que se separou do grosso do movimento. Esses princípios reduzem-se à livre pregação dos leigos, independentemente da autoridade e do controle dos prelados, e à pobreza absoluta que permite apenas viver dia a dia do trabalho das mãos ou da esmola. Era esse todo o valdismo primitivo.
Durante algum tempo, os humilhados heterodoxos fundem-se com os valdenses primitivos, os pobres de Lyon. Mas a união não é nem completa nem duradoura. Os humilhados rejeitam a veneração, para não dizer o culto, votada a Valdo e admitem um conjunto de doutrinas e de costumes que acentuam a divisão. Doravante a heresia valdense tem dois ramos: os pobres de Lyon, ou leonistas, que se reclamam de Valdo, não querem o trabalho manual, fonte de ganho, e preconizam a esmola, consideram o celibato um princípio de vida evangélica, julgam fazer sempre parte da Igreja católica e, por esse motivo, não introduzem em sua sociedade uma hierarquia que excluiria a da Igreja de Roma, dirigem-se ao sacerdote para a confissão e a eucaristia, obstinadamente conservadas; o outro, o dos pobres da Lombardia, vê no trabalho o meio normal de viver, só admite a separação entre os esposos nos dois casos de adultério e de mútuo consentimento, rompe francamente com Roma, tem organização própria, chefes seus, rejeita a confissão e a eucaristia.
Uma passagem do tratado Supra stella, escrito por volta de 1235 e publicado por I. von Döllinger, Beiträge zur Sektengeschichte des Mittelalters, Munique, 1890, t. ii, p. 74, esboça com exatidão essa história primitiva dos pobres da Lombardia: pauperes Lombardi, vos non fuistis primo de Ecclesia romana; quia placuit vobis Ecclesia, iunxistis vos cum pauperibus leonistis et eratis cum eis sub regimine Gualdensis (Valdo) et stetistis aliquo tempore sub suo regimine; postea elegistis unum aliud caput, displicendo Gualdensi et fratribus leonistis, cujus nomen fuit J. de Roncho, quem ego vidi. Esse irmão J. de Roncho, de quem o Supra Stella nos diz ainda que eorum erat ancianus et ipse erat idiota absque literis e que operou a separação dos pobres da Lombardia dos pobres de Lyon por volta de 1205, loc. cit., p. 64, não nos é conhecido de outra maneira. Cf., contudo, H. Böhmer, na Realencyklopädie, 3ª edição, Leipzig, 1908, t. xx, p. 811. Mas a história atesta que a cisão entre o partido lombardo e o partido lionês, entre os Italici e os Ultramontani, os pobres da Lombardia e os pobres de Lyon, foi irremediável, apesar de todas as tentativas de aproximação, a despeito particularmente do ensaio de conciliação que foi tentado no congresso de Bérgamo (1218). Cf. o Rescriptum haeresiarcharum Lombardiae ad leonistas in Alamannia, em I. von Döllinger, Beiträge zur Sektengeschichte des Mittelalters, t. ii, p. 42-52.
W. Preger, que teve o primeiro o mérito de pôr em evidência as relações entre os humilhados e os pobres da Lombardia, nos Abhandlungen der hist. Classe der Königl. Bayer. Akademie der Wissenschaften, Munique, 1875, t. xiii, p. 209 sq., explicou a origem dos pobres da Lombardia pelos missionários valdenses atuando sobre a primeira e a segunda ordens dos humilhados. K. Müller, Die Waldenser und ihre einzelnen Gruppen bis zum Anfang des xiv Jahrhunderts, p. 59 sq., admite uma ação dos missionários valdenses sobre os humilhados da terceira ordem. Mas, no momento do aparecimento dos pobres da Lombardia, uma distinção nítida dos humilhados em três ordens ainda não existia, e não parece que os valdenses tenham ido à conquista dos humilhados. Os textos deixam-nos entrever antes os humilhados heterodoxos indo aos valdenses primitivos, ou pobres de Lyon, por causa do que têm de comum com eles, mas sem nada perder do que lhes é próprio. Quando os valdenses de Lyon querem levá-los a uma inteira comunhão de pontos de vista, os humilhados resistem; largam os pobres de Lyon, seguem sua evolução original e tornam-se os pobres da Lombardia, caracterizados por princípios em parte valdenses, em parte arnaldistas e cátaros. Para a continuação de sua história, ver Pobres da Lombardia e Valdenses.
As heresias ulteriores da Idade Média fizeram algumas recrutas nas fileiras dos humilhados alheios ao valdismo. Pretendeu-se que frà Dolcino, o chefe dos apostólicos do século XIII, ver t. i, col. 1632-1634, contou-se entre os humilhados, cf. E. Comba, I nostri protestanti, t. i, Avanti la Riforma, Florença, 1895, p. 312. Inexata no que lhe diz respeito, essa afirmação é verdadeira de Margarida, a companheira, « a irmã » de Dolcino. Cf. F. Tocco, Gli ordini religiosi e l'eresia, em Gli albori della vita italiana, Milão, 1891, p. 334. A irmã Manfreda de Pirovano, que estava à frente dos guilhermitas em 1300, quando a Inquisição abriu contra os aderentes dessa seita um processo cujas atas nos foram conservadas, ver t. vi, col. 1983, era uma humilhada da casa de Biassano, de Milão; eram igualmente humilhadas Jacqueline dei Bassani, que foi condenada à fogueira juntamente com Manfreda, a irmã Fiordebellina, filha de André Saramita, o qual organizou a seita, e, sem dúvida, outras religiosas da casa de Biassano, um dos centros do culto de Guilhermina. Quanto aos humilhados, honravam uma imagem de Guilhermina na igreja de Santa Maria fora da porta Nova. Cf. F. Tocco, Guglielma boema e i guglielmiti, Roma, 1901, p. 7-22. A loucura guilhermita parece ter sido contagiosa no meio dos humilhados; a crise foi aguda, mas breve.
— I. Fontes. Indicamos, no decorrer do artigo, as fontes relativas às origens dos humilhados: os textos do anônimo de Laon, da crônica de Ursperg, de Jacques de Vitry e de Humberto de Romans foram reproduzidos por L. Zanoni, Gli umiliati nei loro rapporti con l'eresia, l'industria della lana ed i comuni nei secoli xii e xiii, Milão, 1911, p. 5, 25-26, 259-263. As bulas dos papas e outros documentos relativos à ordem encontram-se em H. Tiraboschi, Vetera humiliatorum monumenta, Milão, 1767-1768, t. ii, p. 117-402; t. iii, p. 1-98, e em L. Zanoni, op. cit., p. 267-335; as constituições em Tiraboschi, t. iii, p. 99-227; a regra, ou Propositum approbatum humiliatorum, da terceira ordem na carta Incumbit nobis (7 de junho de 1201) de Inocêncio III, publicada em Tiraboschi, t. ii, p. 128 sq.; a regra da primeira e da segunda ordem, na bula Cum felicis memoriae (7 de junho de 1227) de Gregório IX, publicada por L. Zanoni, p. 352-370; a crônica da ordem redigida por João de Brera em 1419, em Tiraboschi, t. iii, p. 229-286; a que foi composta pelo mesmo João de Brera em 1421, em L. Zanoni, p. 336-344; a de Marcos Rossi, em 1493, em L. Zanoni, p. 345-352; o necrológio da ordem, em Tiraboschi, t. iii, p. 287-298; a Vita sancti Johannis de Meda, nos bolandistas, Acta sanct., 3ª edição, Paris, 1867, septembris t. vii, p. 334-335. Sobre os documentos litúrgicos da ordem, cf. L. Zanoni, p. 253. Sobre a parte da ordem dos humilhados na heresia dos guilhermitas, cf. o Processus ab inquisitoribus haereticae pravitatis confecti Mediolani anno Domini 1300 contra Guillelmam bohemam vulgo Guillelminam eiusque sectam, publicado por F. Tocco, Il processo dei guglielmiti, Roma, 1899 (extrato dos Rendiconti della r. accademia dei Lincei, Classe di scienze morali, storiche e filologiche, t. viii, Ferie accademiche 1899, p. 309-469).
— II. Trabalhos. J. P. Puricelli havia preparado, sob o título de Sacri humiliatorum ordinis monimenta, uma grande obra que a morte (1659) o impediu de publicar e cujos manuscritos se conservam na Ambrosiana de Milão; foram utilizados por Tiraboschi. Cf. L. Zanoni, op. cit., p. 253-256. O beneditino P. Puccinelli (morto em 1685) escreveu uma Cronica delle venerande memorie della congregazione umiliata, tessuta col testo de codici, manoscritti e diplomi, que permaneceu inédita e igualmente conservada na Ambrosiana. Cf. L. Zanoni, p. 256-257. Entre os impressos citemos Hélyot, Histoire des ordres monastiques religieux et militaires, Paris, 1718, t. vi, p. 152-169; N. Sormani, Breve storia degli umiliati de' codici, manoscritti; Milão, 1739; e sobretudo H. Tiraboschi, Vetera humiliatorum monumenta, Milão, 1766-1768 (dessa obra, uma das mais importantes da erudição do século XVIII, o autor publicou também uma edição italiana, Memorie degli umiliati, 3 vol., Módena, 1766); G. Moroni, Dizionario di erudizione storico-ecclesiastica, Veneza, 1857, t. lxxxiii, p. 104-119 (segue Hélyot); W. Preger, Beiträge zur Geschichte der Waldeser im Mittelalter, Munique, 1875 (extrato dos Abhandlungen der hist. Classe der Königl. Bayer. Akademie der Wissenschaften, Munique, 1875, t. xiii, p. 210 sq.); K. Müller, Die Anfänge des Minoritenordens, Friburgo em Brisgóvia, 1885, p. 162-167; Die Waldenser und ihre einzelnen Gruppen bis zum Anfang des xiv Jahrhunderts, Gotha, 1886, p. 57 sq.; L. Wickham, The reforme of the breviary of the humiliati in 1548, illustrated by divine service in the sixteenth century, Londres, 1890; W. Möller, Lehrbuch der Kirchengeschichte, Friburgo em Brisgóvia, 1891, t. ii, p. 383-391; Zöckler, na Realencyklopädie, 1900, t. viii, p. 447-449; P. Alphandéry, Les idées morales chez les hétérodoxes latins au début du xiiie siècle, Paris, 1903, p. 22-29, 133-140; A. de Stefano, Le origini dell'ordine degli umiliati, na Rivista storico-critica delle scienze teologiche, Roma, 1906, t. ii, p. 851-871; L. Zanoni, Gli umiliati nei loro rapporti con l'eresia, l'industria della lana ed i comuni nei secoli xii e xiii sulla scorta di documenti inediti, Milão, 1911 (obra capital); cf. F. Callaey, na Revue d'histoire ecclésiastique, Lovaina, 1912, t. xiii, p. 525-528; Le origini degli umiliati secondo le ultime ricerche, na Civiltà cattolica, Roma, 20 de maio e 17 de junho de 1911, p. 433-443, 670-680.
F. Vernet.
Autor original: F. Vernet
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