HICETAS

HICETAS

HICETAS. Em seguida às heresias cuja lista tomara de santo Epifânio, e antes de enumerar aquelas de que teve conhecimento pessoal por lhe serem contemporâneas, são João Damasceno, haurindo em outra fonte, assinala a dos hicetas, ἱκέται. Hser., lxxxvii, P. G., t. xciv, col. 756. Eram, diz ele, monges, aliás ortodoxos, que tinham por costume dançar e cantar com monjas, com o intuito de imitar o coro formado por Moisés e Maria depois da passagem do mar Vermelho. Exod., xv, 1, 20, 21. Mas, nesse caso, não era hicetas que deveriam chamar-se, pois ἱκέται, de ἱκετεύω, significa rogar, suplicar; deveriam chamar-se antes χορευταί, dançarinos, ou ψάλται, cantores. A palavra ἱκέται evoca muito melhor a lembrança da seita dos massalianos ou euquitas.

Seja como for, a única característica que lhes dá são João Damasceno não justifica a inscrição dos hicetas no número dos hereges; ela marca simplesmente um uso muito pouco recomendável e muito perigoso do ponto de vista moral, que o exemplo de Moisés não bastaria para justificar, sobretudo entre monges. A existência desses hicetas é posterior ao imperador Marciano (450-457) e anterior ao imperador Heráclio (610-641). S. Jean Damascène, Hser., lxxxvii, P. G., t. xciv, col. 756; Migne, Dictionnaire des hérésies, Paris, 1847, t. i, col. 759, no verbete Hélicites; Smith e Wace, Dictionary of Christian biography, Londres, 1878-1882, t. iii, p. 23.

G. Bareille.

Autor original: G. Bareille

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