HENAO (Gabriel de), jesuíta espanhol, nascido em Valladolid a 20 de julho de 1612, admitido ao noviciado a 4 de junho de 1626. Professor de gramática e de belas-letras em Bilbau, de filosofia em Salamanca, foi encarregado em seguida do ensino da teologia dogmática e moral em Oviedo e em Valladolid, e não tardou a ser considerado um dos homens mais sábios de seu tempo. Depois de se ter dedicado a pesquisas filológicas e históricas sobre as origens da literatura e da civilização espanholas, cf. Vinson, Essai d'une bibliographie basque, 1891, p. 80; Meusel, Bibliotheca historica, t. vi, p. 25 sq., consagrou o melhor de sua atividade a estudos de teologia especulativa, positiva, moral e mística que, num mesmo tratado, abarcavam ao mesmo tempo todos os aspectos do assunto. Seu tratado do céu: Empyreologia seu philosophia christiana de empyreo cœlo, 2 in-fol., Lião, 1552, reúne assim todos os dados da razão e da lei, todas as considerações sugeridas pelo simbolismo escriturístico, pelo ascetismo ou pelo misticismo dos mestres da vida espiritual.
O tratado da eucaristia: De eucharistiæ sacramento venerabili atque sanctissimo tractatio scholaris diffusa et moralis concisior, in-fol., Lião, 1655, é concebido segundo o mesmo plano e pertence ao mesmo método, como também o tratado do sacrifício da missa: De missæ sacrificio divino atque tremendo, 3 in-fol., Salamanca, 1658-1661. É sobretudo nas questões relativas às teorias e às controvérsias da ciência média que o P. Henao conquistou, muito justamente, a reputação de teólogo de primeira plana. Estreou por um estudo histórico sobre as origens e o desenvolvimento dessa doutrina e sobre as discussões suscitadas a seu respeito: Scientia media historice propugnata, seu ventilabrum repurgans veras a falsis novellis narrationibus circa disputationes celeberrimas, in-fol., Lião, 1655. Uma nova edição, enriquecida de uma multidão de desenvolvimentos, notas e textos, com uma série de Parerga contendo a defesa da Companhia de Jesus e das doutrinas do autor, apareceu em Salamanca em 1685, e foi reproduzida na edição de Dillingen, 1687, in-8°. Essa obra de imensa erudição continua sendo uma das fontes mais autorizadas para o estudo dessa questão tão viva e tão longamente debatida, e mais complicada ainda do que complexa.
Seguiu-se-lhe uma exposição lúcida e magistral da própria doutrina: Scientia media theologice defensa, 2 in-fol., Lião, 1674: o t. I contém os argumentos que militam em favor da tese e o t. II a resposta às objeções dirigidas pelos adversários contra essa teoria. O P. Henao teve, como teólogo, influência considerável sobre sua época. De toda parte era consultado sobre as questões mais diversas e pelos homens mais versados nas ciências teológicas. « Se se tivessem juntado as respostas que deu por escrito, dizem as Mémoires de Trévoux, haveria matéria para formar oito ou nove grossos volumes », 1704, p. 1455 sq. Perto do fim da vida, o P. Henao foi encarregado do ensino da Sagrada Escritura em Salamanca e foi reitor do colégio de Medina del Campo. Morreu em Salamanca a 11 de fevereiro de 1704. Durante toda a vida foi ardente defensor do probabilismo e opôs-se com todo o seu poder às tentativas do P. Tirso González, seu antigo colega, de impor à Companhia de Jesus as doutrinas do probabiliorismo.
Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. iv, col. 265-269; Hurter, Nomenclator, 3e édit., Inspruck, t. iv, col. 669 sq.; Mémoires de Trévoux, 1704, p. 1455 sq.; Meusel, Bibliotheca historica, t. vi, p. 25 sq.; Memorial histórico-español, Madrid, 1862, t. xv, p. 337 sq.; R. de Scorraille, François Suarez, Paris, 1913, t. i, p. 193; t. ii, p. 394.
P. Bernard.
Autor original: P. Bernard
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