GUADAGNOLI (FILIPE)

GUADAGNOLI (FILIPE)

GUADAGNOLI Filipe, nascido em Magliano, nos Abruzos, por volta de 1596, fez profissão na congregação dos clérigos regulares menores, em 13 de maio de 1612. Dotado de grande aptidão para o estudo das línguas orientais, aprendeu o grego, o hebraico, o caldeu, o persa e principalmente o árabe, que ensinou na Sapiência. Em 14 de janeiro de 1656, cumprimentou nessa língua a rainha Cristina da Suécia; essa devia ser sua última satisfação de orientalista; morreu em 27 de março seguinte.

Em 1631, Guadagnoli fazia aparecer uma Apologia pro christiana religione, qua respondetur ad objectiones Ahmed filii Zin Alabedin Persse Asphahensis, contentas in libro inscripto Politor speculi, in-4°, Roma. Esse livro tem uma história: um jesuíta espanhol, o P. Jerônimo Xavier, havia publicado em língua persa uma obra apologética intitulada: O espelho que mostra a verdade, 1556. Caiu nas mãos do persa Ahmed, que procurou refutá-lo pelo Polidor do espelho, 1621; diz-se que enviou seu livro ao papa, desafiando-o a responder-lhe. Urbano VIII, a quem chegou, encarregou Guadagnoli desse trabalho; daí a Apologia, escrita em latim com numerosas passagens em árabe. O autor a traduziu para essa língua e ela apareceu sob este título latino: Responsio ad objectiones Ahmed, etc., in-4°, Roma, 1637. Continuando ainda o mesmo trabalho, nosso apologista deu as Considerationes ad Mahometanos cum responsione ad objectiones Ahmed, etc., in-4°, Roma, 1649. Relata-se que o filho de Zin Alabedin foi convertido pela refutação de Guadagnoli.

No prefácio das Considerationes, o autor dizia ter concluído uma versão árabe da Bíblia, na qual trabalhava havia vinte e sete anos; mas julgava útil fazer preceder a edição dos Livros santos pela das Considerationes. A Biblia sacra arabica Sacra' Congregationis de Propaganda fide jussu édita, 3 in-fol., só apareceu em 1671: a tradução de Guadagnoli havia sido revista por Abraão Ecchellense († 1664), ver t. i, col. 116, e por Luís Maracci. Este, cremos, escreveu o Prefácio, no qual a primeira ideia da tradução é atribuída ao arcebispo de Damasco, Sérgio Risi († 1638), e a data de 1625 é fixada como a da comissão dada a vários orientalistas, embora Guadagnoli diga ter começado seu trabalho em 1622. Enquanto o prosseguia, havia também editado as Breves arabicœ linguœ Institutiones, in-fol., Roma, 1642, e composto um Dicionário árabe que se conservava manuscrito em seu convento de São Lourenço in Lucina, assim como outras obras inéditas, mencionadas por Leão Alácio nas Apes Urbanae.

Nicolas Toppi, Bibliotheca Napolitana, Naples, 1678, p. 85; Moréri, Dictionnaire historique; Hœfer, Nouvelle biographie universelle; Sommervogel, Bibliothèque de la C" de Jésus, Paris, 1898, t. vin, col. 1337.

P. Edouard d'Alençon.

Autor original: P. Édouard d'Alençon

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