GROPPER (JOÃO)

GROPPER (JOÃO)

GROPPER João nasceu em Soest, na Vestfália, a 24 de fevereiro de 1503. Seu pai ocupava uma posição importante nessa cidade. Foi mesmo burgomestre e, nessa qualidade, parece ter-se oposto à revolução anabatista. Foi isso que o teria obrigado, mais tarde, a deixar Soest para se estabelecer em Colônia. Tinha numerosa família, da qual quatro filhos se distinguiram todos como juristas e ocuparam posições elevadas na Igreja. O mais jovem, Kaspar, foi auditor da Rota e encarregado de importantes missões pela corte de Roma. Cf. E. Schwarz, Die Nuntiaturkorrespondenz Kaspar Groppers, 1898. Mas João, o primogênito, continua sendo o mais célebre de todos.

Desde os quatorze anos de idade, entrava na universidade de Colônia para estudar a jurisprudência. Somente mais tarde se dedicou ao estudo da teologia e, segundo suas próprias palavras, « de maneira inteiramente privada e sem mestre ». Mas seus êxitos escolares já o haviam posto em evidência. A 7 de novembro de 1525, conquistava o grau de doutor em direito civil. Permaneceu sempre muito ligado à faculdade de direito da universidade e, mais tarde, apesar de suas ocupações e dignidades, ainda ali ministrava cursos. As honras vinham acumular-se rapidamente sobre seus ombros. Em 1525, era oficial do prepósito do cabido; em 1526, grão-chanceler do arcebispado; em 1527, escolástico de São Geréon de Colônia; em 1532, cônego, e em 1533, escolástico de Xanten; em 1543, deão do cabido ao mesmo tempo em Xanten e em Soest. Servia-se, aliás, de todos esses títulos e de todos esses benefícios para o maior bem da Igreja e das almas.

Desde esse momento, com efeito, ocupava-se ativamente da reorganização da arquidiocese de Colônia. Hermann V de Wied, que ocupava a sé, era um homem sem caráter e acessível a todas as influências. Gropper aproveitou-se disso desde logo. Compunha em 1528 um plano de reforma da província eleitoral, baseado no acordo da lei civil e das regras canônicas. Determinava aí exatamente as jurisdições, de modo a evitar os conflitos, que eram ao mesmo tempo ocasião de lutas pessoais e de escândalo. Esse projeto foi publicado no ano seguinte sob o título: Jurisdictionis ecclesiasticæ archiepiscopalis curiæ Coloniensis reformatio, Colônia, 1529. Em 1530, tinha um primeiro contato imediato com a Reforma protestante. Acompanhava seu arcebispo à dieta de Augsburgo. Foi aí que travou relações bastante íntimas com Melanchthon.

Ia, aliás, ter de enfrentar diretamente o impulso protestante que tentava penetrar nas províncias renanas. Ele já se fazia sentir então em Soest. E é essa a origem, na vida de Gropper, de um curioso problema de história literária. A partir de 1533 aparece toda uma série de publicações satíricas, que ridicularizam vivamente as tentativas dos reformadores sobre Soest. Estão assinadas com o nome, evidentemente um pseudônimo, de Daniel de Soest. As principais são a Confissão dos pregadores de Soest (1534), o Diálogo sobre o início de Isaías (1537) e, enfim, em 1538, o Apologetikon. Essas obras, escritas em baixo-alemão, são certamente obra de um homem que conhecia muito bem Soest e sua situação interna. Por outro lado, ele residia em Colônia. Com efeito, o conselho de Soest dirigiu-se ao conselho desta última cidade para obter o nome do autor. Obteve, aliás, uma resposta evasiva. Ora, segundo Jostes, cujas conclusões são aceitas por van Gulik, o misterioso Daniel não seria outro senão o próprio Gropper.

Por razões puramente filológicas, que aliás estão longe de ser decisivas, essa conjetura foi rejeitada por Eduard Schröder, na Deutsche Litteraturzeitung, 7 de julho de 1888, e por Seelmann, Litteraturblatt für germ. und rom. Philologie, t. xi, p. 178. Contudo, os últimos trabalhos de Schmitz-Kallenberg, que demonstram as relações estreitas que Gropper conservou por toda a vida com sua cidade natal, tenderiam a confirmar a hipótese de Jostes. O chanceler de Colônia ali intervém em questões de disciplina interna e de ensino. Permanece em correspondência com os sacerdotes católicos da cidade, aos quais dá conselhos. Obtém mesmo a reintegração do guardião dos frades menores que havia sido expulso. Tal influência corresponde bem aos dados do problema que apresenta Daniel de Soest.

Na sequência da dieta de Augsburgo, Hermann de Wied decidira-se a reformar sua diocese. O melhor meio pareceu-lhe ser a reunião de um sínodo, que de fato se realizou em Colônia de 6 a 10 de março de 1536. Mas o concílio fora precedido de importantes trabalhos devidos em sua maior parte a Gropper. Tratava-se primeiramente de um projeto de estatutos concernentes ao abuso da excomunhão nos assuntos civis, à idade demasiado tenra de certos beneficiários, à uniformidade dos ritos e do missal em toda a extensão da arquidiocese, às regras dos pregadores de indulgências, à limitação do número das procissões do santíssimo sacramento e à fixação em 25 anos da idade dos votos solenes. Todas essas regras, admitidas pelo concílio, chocaram-se, na aplicação, com a má vontade dos príncipes temporais, em particular do duque de Cléves. Por isso só se publicou imediatamente a fórmula da visita diocesana com um resumo dos cânones, sob o título: Formula ad quam visitatio intra diœcesim Coloniensem exigetur, Colônia, 1536.

Somente dois anos depois apareceu a obra completa do sínodo sob o título: Canones concilii provincialis Coloniensis, Colônia, 1538. Mas esse volume encerra outra coisa além dos cânones de Colônia. Completa-se por um trabalho que é inteiramente da mão de Gropper e que forma a primeira de suas obras teológicas. O chanceler de Hermann de Wied quisera traçar uma exposição completa da fé católica, na qual tomava posição a respeito das questões controvertidas. Dera-lhe o título de Enchiridion christianæ institutionis. Encontra-se nele uma explicação do símbolo dos apóstolos, da doutrina dos sete sacramentos, da oração dominical e do decálogo. A obra, desde seu aparecimento, provocou os elogios dos mais célebres teólogos católicos da época.

Contudo, o ponto de vista de Gropper é muito particular. O Enchiridion é, com efeito, o programa do partido dos « expectantes », que buscava uma conciliação doutrinal entre protestantes e católicos. O ponto delicado, origem, aliás, de todas as outras divergências, era a questão da justificação. Inspirando-se na doutrina do teólogo de Lovaina Alberto Pigghe (Albertus Pighius), Gropper distinguia uma dupla causa formal de nossa justificação: primeiro a justiça imputada, como efeito da fé especial, depois a justiça inerente, que, sempre insuficiente, não poderia por si só operar a justificação. Graças a essa distinção, podia-se, pensava ele, interpretar em sentido católico a teoria protestante da sola fides.

Ao mesmo tempo, Gropper continuava seus trabalhos de reforma interna na arquidiocese. Com esse fim, publicava nesse mesmo ano sua obra alemã: Des Erzstiffts Côllen Reformation der weltlicher Gericht, Rechts und Pollizeij. Esse ensaio tratava sobretudo dos tribunais civis. Mas tocava também, em muitos pontos, na organização religiosa. Por isso Gropper retomava aí diversas ordenações que já estabelecera em sua Reformatio de 1529.

Semelhante atividade tornara vantajosamente conhecido o chanceler de Colônia. Carlos V resolveu então empregá-lo numa obra que correspondia, aliás, às ideias e ao caráter de Gropper. O imperador esperava sempre pôr termo às controvérsias e às lutas religiosas pela via pacífica das discussões entre teólogos católicos e teólogos protestantes. Com esse fim, provocava, em 1540, os colóquios de Haguenau e de Worms. Gropper foi chamado a eles e tomou parte considerável nas tentativas de conciliação, que, aliás, não tiveram êxito. Carlos V não perdia as ilusões. No ano seguinte, a dieta de Ratisbona foi-lhe ocasião de renovar a tentativa. Chamou a ela, do lado católico, Gropper, seu amigo Julius Pflug, bispo de Naumburg, e João Eck; do lado protestante, Melanchthon, Bucer e Pistorius. As discussões foram presididas pelo palatino Frederico e pelo bispo Granvelle. Os cardeais Contarini e Morone, favoráveis às ideias de Gropper, assistiam a elas. O imperador fez submeter aos teólogos um projeto de união cuja origem não se conhece bem. Cf. L. Cardauns, Zur Geschichte der kirchlichen Unions und Reformbestrebungen von 1538 bis 1542, p. 16 sq.

Depois de longas discussões, saiu da colaboração de Gropper com Bucer a fórmula de concórdia conhecida sob o nome de Interim de Ratisbona. Tratava em vinte e três artigos de todas as matérias controvertidas. Quanto à doutrina da justificação em particular, levava ao extremo a complacência para com as teorias protestantes. O original latino foi publicado pela primeira vez por Eieck, Das dreyfache Intérim, Leipzig, 1721. No momento mesmo em que Gropper julgava ter chegado a uma fórmula satisfatória para os dois partidos, sua obra era atacada dos dois lados ao mesmo tempo. Melanchthon declarava não poder aceitar nem a dupla justiça, nem a definição da fé que constituíam o fundo da teologia dos expectantes. Por seu lado, João Eck combatia uma e outra em seu Responsum D. Joannis Eckii theologi contra librum Cœsareanum, publicado por Quirini, Epistolæ Reginaldi Poli, Brixen, 1748, t. m, p. xliii sq. Os autores do Interim quiseram defendê-lo e com esse fim escreveram sua Contra reprehensionem J. Eccii th. d. defensio libri, quem imperator noster de religione colloquentibus Ratisbonas exhibuit. Mas todo esse trabalho foi vão, e a dieta se separou remetendo a solução das controvérsias religiosas a um concílio nacional ou geral. Era o fracasso prático da teologia dos expectantes.

Outras dificuldades esperavam Gropper. Hermann de Wied, que nunca fora muito firme, sob pretexto de conciliação, inclinava-se cada vez mais para o lado da Reforma. Chamara para junto de si Bucer, cujos conselhos seguia. O chanceler de Colônia prestou-se por certo tempo a esses compromissos. Permanecia em correspondência com o reformador de Estrasburgo, comunicava-lhe planos, exortava-o à moderação. A correspondência chega mesmo a transformar-se em colóquios particulares. Mas logo Gropper percebe o perigo. Desde 1542, apresenta ao arcebispo uma súplica da universidade e do clero pedindo-lhe que afastasse Bucer.

Toma a frente do partido católico, obtém a exclusão de Oldendorp, professor de direito, partidário das novas doutrinas, persegue no clero os partidários da comunhão sub utraque, combate o projeto de reforma que o arcebispo recebera de Melanchthon e de Bucer e insta com Carlos V para que intervenha pessoalmente. Este obriga Hermann a separar-se de seus conselheiros. Mas o arcebispo nem por isso deixa de publicar sua ordenação sob o título: Ein christlich Bedencken einer christlichen Reformation (fim de 1543). O cabido e a universidade encarregam uma comissão, da qual Gropper é a alma, de refutar essa ordenação. O resultado de seus trabalhos foi a Christliche und Catholische gegenberichtung eins ehrwirdigen Dhomkapitels zu Collen wider das buch der genannter Reformation. Uma tradução latina, devida a Everhard Billick, apareceu quase ao mesmo tempo, sob o título: Antididagma (1544). O principal autor, se não o único, desse trabalho é Gropper. Encontra-se nele por toda parte seu espírito conciliador e também sua doutrina da justificação. A obra foi, em geral, favoravelmente recebida. Mas, a 9 de julho de 1544, a universidade de Lovaina, numa carta à universidade de Colônia, assinalava nela quatro pontos que considerava equívocos e perigosos.

Todos se referem à doutrina da dupla justiça. Gropper, para se defender, compôs uma memória intitulada: Articuli Antididagmatis notati per theologos Lovanienses. Procurava demonstrar o acordo de sua doutrina da justificação com os textos dos antigos Padres e dos teólogos recentes. Invocava sobretudo Alberto Pigghe e, aliás erroneamente, o teólogo francês João de Gaigni. Pretendia mesmo que sua doutrina não diferia no fundo da dos mestres de Lovaina. Seu zelo de conciliação iludia-o certamente nesse ponto. Essa resposta era bastante viva em relação a seus adversários. Por isso a universidade de Colônia, à qual foi submetida, julgou preferível responder ela mesma em tom mais moderado. É o que fez numa carta de 24 de julho de 1544. Retomava aí todos os argumentos de Gropper, cuja obra e caráter louvava. Mas a doutrina de Gropper nem por isso deixava de ser, já em 1546, formalmente abandonada pelos teólogos católicos que tomaram parte no novo colóquio de Ratisbona.

Ela ia receber o golpe de misericórdia no concílio de Trento. Depois de longas discussões e apesar do apoio de Seripando, os Padres, por maioria de trinta e cinco contra cinco, rejeitaram a tese da dupla justificação. Foi, portanto, formalmente condenada no decreto de 13 de janeiro de 1547: Demum unica formalis causa (justificationis) est justitia Dei : non qua ipse justus est, sed qua nos justos facit. Sess. vi, c. vii. Gropper submeteu-se completamente, mas não sem pesar, à decisão do concílio.

Era obrigado a defender-se ainda de outro lado. Bucer acabava, com efeito, de publicar um relato tendencioso do colóquio de Ratisbona. Acrescentava-lhe um panfleto dirigido especialmente contra Gropper sob o título: Eyn Christlich ongeferlich bedencken, wie ein leidlicher Anfang christlicher Vergleichung in der Religion zu machen seyn möchte. Bucer punha em causa o imperador e a dieta. Gropper respondeu com: Wahrhaftige Antwort und Gegenberichtung II. G Groppers uff M. Buceri freventliche Klage und angeben, Colônia, 1545. A obra era dedicada ao próprio imperador e o autor, para sua justificação, a dirigia à dieta de Worms.

Ao mesmo tempo, defendia na prática o catolicismo na diocese de Colônia. Hermann de Wied favorecia cada vez mais os pregadores luteranos. Gropper, à frente dos católicos, apelou primeiro ao imperador. Este não obteve nenhum resultado. Então Gropper dirigiu-se ao papa. Uma primeira bula de Paulo III (2 de janeiro de 1546) pronunciou inicialmente a suspensão contra o arcebispo. Uma segunda bula, de 16 de abril, excomungava-o. Carlos V pronunciou-se desde então claramente e ameaçou Hermann de pena corporal. Este renunciou a 25 de fevereiro de 1547. Seu coadjutor, Adolfo de Schauenburg, foi nomeado em seu lugar. Gropper não foi alheio a essa nomeação, pois enviava a Roma, a 27 de julho de 1546, uma memória na qual defendia a pureza da fé do coadjutor.

Todas essas lutas haviam desorganizado a vida religiosa na diocese. O chanceler de Colônia empreendeu restaurá-la. Como escolástico de São Geréon, publicou antes de tudo um catecismo sob o título: Capita institutionis ad pietatem, Colônia, 1546. Essa obra destinava-se à juventude das escolas. A questão ao mesmo tempo dogmática e disciplinar que dividira a diocese era sobretudo a da eucaristia e da santa comunhão. Contra as tendências luteranas e utraquistas introduzidas com a conivência de Hermann de Wied, Gropper protestava em sua obra alemã: Vonn warer, wesentlicher und pleibender gegenwertigkeit des Leybs und Bluts Christi nach beschener Consekration, Colônia, 1548. No ano seguinte, dava um Libellus piarum precum, manual de piedade destinado aos alunos de São Geréon. Em 1550, ampliava o plano de seu catecismo e fazia dele uma exposição completa da doutrina cristã destinada sobretudo ao clero. É a Institutio catholica, elementa christianæ pietatis succincta brevitate complectens, Colônia, 1550, que teve grande sucesso e foi, alguns anos mais tarde, traduzida para o francês.

Acrescentava-lhe uma instrução prática sobre a dispensação dos sacramentos: Wie bey haltung und reichung der heiligen Sakramenten die Priester das Volk und errichten mögen, Colônia, 1550. E enfim, sempre para a elevação intelectual e moral do clero, uma Formula examinandi designatos seu præsentatos ad ecclesias parochiales, Colônia, 1550.

Carlos V não abandonara seus projetos de conciliação religiosa. Como os colóquios não davam resultado, decidiu-se a publicar uma fórmula de fé e de disciplina que queria promulgar como lei do império. Foi o célebre Interim de Augsburgo. Consultara os teólogos católicos, Pflug e Gropper em particular. É muito provavelmente o projeto deste último que se conservou manuscrito na biblioteca de Zeitz. Comunicara-o a Pflug, que o inseriu palavra por palavra em seu trabalho, do qual o Interim de 1548 não é senão uma leve reelaboração.

O concílio de Trento reunira-se de novo a 1º de maio de 1551. O arcebispo de Colônia partia para lá em setembro. Levava consigo Gropper. Este tomou parte importante nas deliberações da comissão que preparava a XIV sessão. A 25 de outubro, tratou ali, num discurso de quatro horas, da doutrina da penitência, cujo caráter sacramental defendeu contra Lutero e Bucer. A 14 de dezembro, redigia, com seu amigo Everhard Billick, uma lista de dezesseis proposições heréticas sobre o sacrifício da missa e o sacramento da ordem. No dia da Epifania de 1552, pronunciava o discurso solene diante dos Padres reunidos. Esse discurso foi impresso no mesmo ano em Colônia. Mas os tempos tornavam-se difíceis para o concílio. Adolfo de Schauenburg deixava Trento em março. É provável que Gropper tenha voltado imediatamente com ele.

Os eminentes serviços que prestara à causa católica haviam sido reconhecidos em Roma. Paulo IV, no consistório de 18 de dezembro de 1555, conferiu-lhe a púrpura cardinalícia, com o título de Santa Luzia in Silice. Apesar de todas as instâncias do papa, Gropper recusou primeiro essa honra. Alegou razões de saúde que lhe tornavam impossíveis a viagem e a estadia em Roma. Continuava, aliás, em Colônia sua obra de restauração católica. O rei dos romanos, Fernando, tendo-o solicitado a tomar parte no colóquio de Worms (setembro de 1557), recusou. Um assunto mais importante ia levá-lo à própria Roma, aonde julgara nunca poder vir.

Adolfo de Schauenburg morrera a 20 de setembro de 1556. Seu irmão Antônio, que lhe sucedeu na sé de Colônia, não reinou nem sequer dois anos (18 de junho de 1558). O cabido elegeu então o conde Gebhard de Mansfeld, cuja ortodoxia era mais que duvidosa. Por isso Gropper tomou imediatamente o caminho de Roma, para impedir a confirmação dessa eleição. Seus adversários, para aparar o golpe, denunciaram-no à Inquisição, a propósito de sua doutrina sobre a justificação e de algumas frases pouco precisas sobre o primado de São Pedro. Mal chegado, Gropper teve de compor uma memória justificativa. Mas os cardeais e o próprio Paulo IV, tão severo, contudo, nas questões de doutrina, não parecem ter levado o caso a sério. Sua justificação foi plenamente aceita. O papa consultou-o sobre os assuntos religiosos da Alemanha. Gropper submeteu-lhe um memorando no qual preconizava o concílio geral como único meio de chegar à união. Mas todas essas intrigas e o excesso de negócios de que se encarregara o haviam esgotado. Morreu em Roma a 13 de março de 1559. O próprio papa quis pronunciar sua oração fúnebre no serviço que teve lugar em Santa Maria dell'Anima.

Liessem, Johann Groppers Leben, Colônia, 1876; K. Varrentrapp, Hermann von Wied, Leipzig, 1878; L. Pastor, Die kirchlichen Reunionsbestrebungen während der Regierung Karls V, Friburgo, 1879; F. Jostes, Daniel von Soest, Paderborn, 1888; E. Schwarz, Historisches Jahrbuch, t. vii (1886), p. 392-423; t. xviii (1897), p. 821 sq.; van Gulik, Johannes Gropper, Friburgo, 1906; Hefner, Die Entstehungsgeschichte des Trienter Rechtfertigungsdekrets, Paderborn, 1909; L. Cardauns, Zur Geschichte der kirchlichen Unions und Reformbestrebungen von 1538 bis 1542, Roma, 1910; L. Schmitz-Kallenberg e W. Kohler, em Briefmappe, Paderborn, 1911, p. 120-141, 244-247; St. Elises, Römische Quartalschrift, t. xx, p. 175 sq.

A. HUMBERT.

Autor original: A. Humbert

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