6. GREGÓRIO VI, papa (1045-1046). João Graciano, arcipreste de São João Porta Latina, não chegou à sé pontifícia pelas vias ordinárias. Era o tempo em que Bento IX, sobrinho de João XIX e filho do conde Alberico, havia sido elevado ao papado pelos romanos aos doze anos de idade. Estes, cansados dele, expulsaram-no em 1044 e deram-lhe por sucessor o bispo da Sabina, João, que tomou o nome de Silvestre III. Ao cabo de quarenta e nove dias, o partido de Bento IX o reinstalou, mas, como isso se fez contra a vontade dos romanos, ele renunciou ao pontificado e o cedeu, a 1º de maio de 1045, a seu padrinho João Graciano, por uma soma em dinheiro; talvez tenha havido uma espécie de eleição.
Graciano, que tomou o nome de Gregório, era um homem de idade, grave, superior aos demais, e seu advento foi saudado por são Pedro Damião e pelo monge Hildebrando, que se tornou seu conselheiro e capelão; usou das armas espirituais e, dado o infortúnio dos tempos, das armas temporais, para restabelecer a segurança pública. ... foi favorável. A posteridade, sob a influência dos gregorianos, Mas essa situação de três papas vivos chamou a atenção de Henrique III.
Descido à Itália no outono de 1046, ele realizou um primeiro concílio em Pavia, em outubro, encontrou Gregório VI em Placência e, antes do Natal, dirigiu-se com ele a Sutri, onde esse papa havia convocado, conforme seus desejos, outro concílio (20 de dezembro). Ali, Silvestre III e Gregório VI foram depostos, com o seu consentimento, ao que parece. Gregório devia seguir Henrique à Alemanha em seu regresso, enquanto Silvestre entrava para a vida religiosa. Bento IX foi deposto também num concílio em São Pedro, nos dias 23 e 24 de dezembro. Em seguida, o rei designou Suidger, bispo de Bamberg, que foi sagrado no Natal sob o nome de Clemente II. Gregório VI foi à Alemanha com Hildebrando e ali morreu em 1047.
Jaffé, Regesta pontificum romanorum, 2e édit., 1885, t. i, p. 524-525 ; t. n, p. 709 ; P. L., t. CXLII, col. 569 sq. ; Duchesne, Liber pontificalis, 1892, t. II, p. 270-271 ; Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, Paris, 1911, t. iv, p. 707.
A. Clerval.
Autor original: A. Clerval
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