GRADENIGO (GRADONICUS) (JOÃO JERÔNIMO), nascido em Veneza em 19 de fevereiro de 1708, fez sua educação junto aos jesuítas de Ferrara. Aos dezenove anos, dizia adeus ao mundo, onde a nobreza de seu nascimento lhe assegurava um brilhante futuro, para entrar entre os teatinos, cujo hábito vestiu em 29 de julho de 1727. Aí completou seus estudos sacerdotais e adquiriu depressa uma reputação de zelo e de ciência, que levou seu compatriota, o cardeal Quirini, bispo de Bréscia, a chamá-lo em 1734 como professor do seminário. Suas férias eram empregadas no ministério nos campos circunvizinhos; descansava do ensino e dos trabalhos científicos pela pregação e por longas sessões no confessionário. Sua família religiosa o nomeou visitador e por três vezes o escolheu como procurador geral. Esse encargo o levava a Roma, onde se fazia vantajosamente conhecido, tanto que Bento XIV procurou retê-lo ali, propondo-lhe um posto de consultor nas Congregações romanas. Como se julgava inútil na corte pontifícia, declinou todas as ofertas e voltou a Bréscia.
Acabava de chegar a Roma pela terceira vez, na qualidade de procurador, quando soube que o senado de Veneza o havia proposto ao papa para o arcebispado de Údine. Clemente XIII quis sagrá-lo ele mesmo, em 2 de fevereiro de 1766. João Jerônimo dirigiu-se sem demora ao seu posto, onde sucedia a um parente que marcara sua passagem pela ereção de uma suntuosa biblioteca, que ele se comprazeu em enriquecer de livros, manuscritos e objetos antigos. Quanto a ele, ligou seu nome à construção de um novo seminário e à fundação de um hospital, que instituiu seu herdeiro. Resta um monumento de seu zelo episcopal nos dois volumes intitulados: Cure paslorali di Gian Gerolamo Gradenigo de' chierici regolari, veseovo di Udinc, 2 in-4°, Údine, 1776; o 1º contém seus discursos e o 2º suas cartas pastorais. Acabava de publicar sua última carta pastoral quando Pio VI lhe escrevia, em 8 de abril de 1786: Dum igilur in débitas (ibi laudes gratulationesque effundimur, non possumus non identidem exclamarc : utinam talcs tuique similes episcopos, his prœsertim lemporibus, in Ecclcsia haberemus quamplurimos. Esse elogio era a recompensa de uma vida inteiramente consagrada aos deveres de seu estado; ela se encerrou em 30 de junho do mesmo ano, e o piedoso e sábio bispo foi sepultado em sua catedral.
Deixava numerosas obras, das quais eis as principais: Letlera istorico-critica sopra tre punti eoncernenli la questione del probabilismo c probabiliorismo, in-4°, Bréscia, 1750; De nova S. Gregorii Magni editione Venetiis procuranda dissertatio epistolaris, que apareceu pela segunda vez, secundis curis retractaia et aucla, Roma, 1753, em seguida a sua outra obra, S. Gregorius Magnus pontifex maximus a criminationibus Casimiri Oudin vindicatus; foi ainda inserida no t. xvi dessa edição de Veneza, 1768-1776, das obras de São Gregório. Tem-se ainda dele: Brixia sacra. Ponlificum Brixianorum séries commentario historico illuslrata..., accessit codicum mss. elenchus in arehivo Brixiensis cathedralis asservalorum, in-4°, Bréscia, 1755; Raggionamento istorico-critico intorno alla lettera.tu.ra greco-ilaliana, in-8°, Bréscia, 1759, que encerra também uma carta ao cardeal Quirini, intorno agi' Italiani che dal secolo xi in/ïn verso cdla fine del secolo xiv seppero di greco, carta que já aparecera em Veneza, em 1744, em seguida a um artigo do Giornale de' letlerali de Florença; Tiara et purpura venela ab anno 1379 ad annum 1759, in-4°, Bréscia, 1761; a primeira parte dessa obra, consagrada aos papas e cardeais venezianos, é do cardeal Quirini, as duas últimas de Gradenigo; De siclo argenleo Brixiœ anno 1744 reperto in eu civitatis parle quam ducentos anle annos Hebrœi incolabant, in-8°, Veneza, 1765; Roma, 1766. Várias dessas obras históricas encontraram também lugar em coleções de opúsculos, cuja indicação omitimos.
Antoine François Vezzozi, Scriltori de' cherici regolari detti theatini, Roma, 1780, part. I, p. 410-421; Joseph Cappelletti, Le Chiese d' Italia, Veneza, 1851, t. vin, p. 858; Hurter, Nomenelatnr, Inspruck, 1912, t. v, col. 428-429.
P. Edouard d'Alençon.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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