GONZALEZ DE ALBELDA (JOÃO)

GONZALEZ DE ALBELDA (JOÃO)

GONZALEZ DE ALBELDA (Juan), dominicano espanhol, nascido em Navarrete, diocese de Calahorra, entrou na ordem no convento de San Esteban de Salamanca, onde fez profissão a 18 de janeiro de 1585. Depois de ter ensinado teologia em vários colégios de sua ordem, na Espanha, foi chamado a Roma como regente do colégio São Tomás da Minerva em 1608, pelo geral Agostinho Galamini. Vê-se que se enganam os autores que fazem de Juan Gonzalez o companheiro de Tomás Lemos nas disputas De auxiliis. Estas estavam terminadas desde o mês de fevereiro de 1606, isto é, dois ou três anos antes da chegada de Gonzalez a Roma. Depois de ter ensinado três anos na Minerva, voltou à Espanha. Em 1612, começou seu ensino na universidade de Alcalá de Henares, na cátedra fundada para sua ordem pelo duque de Lerma. Ocupou esse encargo até sua morte, ocorrida em 1622. Gonzalez de Albelda compôs Commentariorum et disputationum in Iam partem Summae S. Thomae de Aquino volumina duo, Alcala, 1621; Nápoles, 1637.

Alguns autores, em particular Ortega e outros da mesma escola, quiseram estabelecer uma oposição entre a doutrina de Gonzalez sobre a graça eficaz e a doutrina corrente da escola tomista, pretendendo que o professor de Alcalá era favorável à teoria de Molina. Para apoiar sua asserção, traziam uma passagem de Gonzalez, part. I, disp. LVIII, sect. ii, n. 1, assim concebida: Dico primo, contra primam sententiam thomistarum recentium : Non oportet quod gratia praeveniens intrinsece inhaerens, quae in uno est efficax, sit etiam efficax in alio majori tentatione tentato. Ac proinde non est verum dicere, quod gratia praeveniens intrinsece inhaerens, quae aliquando est efficax, debeat esse efficax semper, et in quocunque supposito aequaliter tentato... Como faz notar Serry, Historia congreg. de auxiliis, col. 609, embora essa noção de graça eficaz não seja a geralmente admitida pelos tomistas, nem por isso está menos tão distante quanto possível do molinismo e se reduz à graça intrinsecamente eficaz.

Gonzalez não pretende dizer outra coisa senão isto: que a graça só é concedida ao homem na proporção da necessidade pessoal que ele possa ter dela, e sua eficácia está sempre em relação com o sujeito; de modo que se pode dizer com razão que a mesma graça não poderia ter a mesma eficácia em dois sujeitos distintos, porque o temperamento, a tentação etc., não são os mesmos em ambos. Aliás, toda a disp. LVII é consagrada à exposição da noção de graça eficaz, e Gonzalez se mostra aí fiel aos ensinamentos da escola tomista. Quanto à concordância de sua doutrina com a de toda a escola, ver Massoulié, In D. Thoma sui interprète, t. ii, diss. III, q. vi.

Por outro lado, Lievin de Meyer (Eleutherius), em sua Historiae controversiarum, apoiando-se numa passagem de Gonzalez que interpreta mal, part. I, q. xix, a. 8, disp. LIX, sect. ii, n. 15, pretendia que ele era contrário à noção de premoção física, tal como é admitida pelos tomistas. Serry, op. cit., col. 767-768, restabelece o verdadeiro sentido da doutrina de Gonzalez.

Echard, Scriptores ordinis praedicatorum, Paris, 1719-1721, t. ii, p. 427; Serry, Hist. congreg. de auxiliis, Venise, 1740, col. 609, 767-768; Hurter, Nomenclator literarius, Innsbruck, 1907, t. iii, col. 657.

R. Coulon.

Autor original: R. Coulon

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