GILLES DE VITERBO (CARDEAL)

GILLES DE VITERBO (CARDEAL)

GILLES DE VITERBO, um dos mais ilustres sábios e cardeais da ordem de Santo Agostinho. Um historiador de Viterbo, Bussi, Istoria della città di Viterbo, Roma, 1742, t. i, p. 291, chama-o Antonini, pelo nome de família, e Ughelli, Caninius. Essas informações são errôneas. Seu pai chamava-se Antonino Canisio, e sua mãe Maria del Testa. Vários de seus biógrafos, inclusive Mons. Grana, declaram que sua família, desprovida de bens de fortuna, era de condição muito modesta; Gandolfo cita vários documentos para pôr em dúvida essa asserção, p. 16. Gilles nasceu por volta de 1465, cf. Fiorentino, que cita, p. 254, uma passagem da Historia XX sœculorum, na qual Gilles diz que era criança em 1469, em Viterbo, ou, segundo outros escritores, em Canepina, e no ano de 1488 abraçou a vida religiosa na ordem de Santo Agostinho. Numa carta a Nicolau Mannio, publicada por Martène, ele conta que estudou teologia, filosofia, latim, grego e hebraico em vários conventos da ordem, em Amélia, em Pádua, na Ístria, em Florença e em Roma. Veterum scriptorum collectio, t. iii, col. 1242.

O P. Mariano de Genazzano, geral dos agostinianos, chamou-o a Roma e conferiu-lhe o diploma de mestre em teologia. Testemunhou-lhe tamanha confiança que quis associá-lo ao governo da ordem. Quando foi enviado por Alexandre VI como embaixador junto ao rei de Nápoles, fez-se acompanhar de Gilles e, na volta, este assistiu em Sessa o geral em seus últimos momentos, no mês de dezembro de 1498, e depois mandou transportar seus despojos mortais ao convento dos agostinianos de Lecceto. O P. Gilles já se tornara célebre em toda a Itália por sua eloquência e sua erudição. Pregara em Florença, Bolonha, Ferrara, Veneza, Siena, Nápoles, e por toda parte alcançara triunfos. Sua fama era tão grande que Alexandre VI quis ouvir seus sermões em várias ocasiões. Júlio II escrevia-lhe em 4 de novembro de 1505: Romam est redeundum; tantum enim tui desiderium reliquisti, ut ab omnibus in lege Domini et salutem animarum quœrentibus expecteris. Pastor, Geschichte der Päpste seit dem Ausgang des Mittelalters, Friburgo, 1895, t. iii, p. 856. O mesmo papa enviava-o a Veneza, em 1506, para obter da república que devolvesse à Santa Sé a cidade de Faenza. Pastor, loc. cit., p. 588. No mesmo ano, por morte do P. Agostinho Faccioni de Terni, geral dos agostinianos, nomeou-o vigário geral da ordem. Foi então que começaram suas primeiras relações com Staupitz. Ver Kolde, Die deutsche Augustiner Congrégation und Johann von Staupitz, Gotha, 1879.

No ano seguinte, no capítulo geral realizado em Nápoles, o P. Gilles foi chamado ao governo de sua família religiosa. Sua humildade levou-o a fixar residência num convento solitário do Monte Cimino, perto de Viterbo. Vivia ali com um pequeno número de religiosos na observância da regra, e por suas cartas e exortações esforçava-se por reerguer e vivificar o espírito de sua ordem. Em 2 de maio de 1512, na presença de Júlio II e dos cardeais, pronunciou o discurso de abertura do concílio de Latrão. Indicou nele os males de que sofria a Igreja e as bênçãos que, por meio dos concílios, Deus faz chover sobre ela. Pastor, loc. cit., p. 661. Esse discurso suscitou a mais viva admiração, e o cardeal Sadoleto, numa carta ao cardeal Bembo, não cessava de elogiar seu autor. No concílio, o geral dos agostinianos tomou a defesa das ordens mendicantes, que se ameaçava despojar de seus privilégios e isenções. Em suas cartas, sobretudo numa carta aos agostinianos de Paris, pedia aos religiosos que rezassem para afastar a tormenta e os exortava a reformar sua vida. Martène, loc. cit., col. 1262-1261.

Por morte de Júlio II, Leão X testemunhou a Gilles a mesma benevolência que seu predecessor. Em 1515, enviou-o ao imperador Maximiliano para levá-lo a tratar da paz com Veneza e a combater os turcos. Em 1517, encarregou-o de uma legação junto ao duque de Urbino. Escrevia-lhe familiarmente e convidava-o a deixar sua solidão de Cimino e a voltar a Roma, onde o teria revestido da púrpura romana. Mas o P. Gilles, que fora confirmado em seu cargo de prior geral nos capítulos gerais de Viterbo (1511) e de Rímini (1515), preferia a humildade do claustro às dignidades eclesiásticas. Contudo, no mês de julho de 1517, Leão X nomeou-o cardeal e enviou-o, no ano seguinte, como embaixador a Carlos V, para empenhá-lo a pôr-se à frente de uma nova cruzada contra os turcos, ensoberbecidos por suas vitórias na Pérsia. Os encargos que lhe impunha sua nova dignidade obrigaram Gilles a renunciar ao governo de sua ordem e a entregá-lo nas mãos do P. Gabriel de Veneza. Anunciou esse passo a seus religiosos numa carta muito comovente, que é um verdadeiro monumento de humildade cristã. Martène, op. cit., t. iii, p. xxii.

Na volta de sua legação, o cardeal Gilles foi nomeado por Clemente VII protetor da ordem em 1523, patriarca de Constantinopla e bispo de Viterbo. Foi-lhe confiada a administração das igrejas episcopais de Castro, Lanciano, Zara, Sutri e Nepi. Em Viterbo, o cardeal deu hospitalidade aos cavaleiros de Rodes, que os turcos, em 1522, haviam forçado a deixar seu baluarte, e presidiu, como legado do papa, o capítulo geral deles (1527).

No mesmo ano, no saque de Roma pelas tropas imperiais, perdeu sua rica biblioteca. A dor que essa perda lhe causou foi tão viva e tão forte que adoeceu e permaneceu um ano inteiro em Pádua. Clemente VII chamou-o de volta a Roma e, por uma carta muito elogiosa, instou-o a publicar suas obras para o bem da Igreja e o progresso das ciências sagradas. Gilles recusava-se, por humildade, a dar a lume seus escritos. Segundo os desejos do papa, trabalhava com o P. Nicolau Scutelli, agostiniano, na tradução para o latim de vários manuscritos gregos. A morte veio feri-lo em meio a seu trabalho, em 12 ou 21 de novembro de 1532. Segundo a opinião comum, teria sido o sucessor de Clemente VII na sé pontifícia. Fora, desde o início, adversário declarado de Lutero.

Todos os contemporâneos de nosso cardeal são unânimes em exaltar seus méritos, seus talentos e suas virtudes. Em sua carta ao imperador Maximiliano, Leão X esboçava assim a fisionomia moral do ilustre cardeal: Is quoniam est eximia integritate, religione, doctrina, omniumque prope linguarum quœ nunc quidem excoluntur, usum atque scientiam, omnium bonarum artium disciplinas cognitas, et explicatas habet, te hortor ut eum liberaliter excipias, cum mea, tum ipsius etiam causa. Numa carta ao cardeal Bembo, o cardeal Sadoleto não consegue conter-se em exprimir-lhe sua admiração pela eloquência do sábio agostiniano: Scimus enim experti pluries illam hujus viri mulcentem omnium aures atque animos eximiam eloquentiam vernacula quidem lingua etruscorum, quœ illi patria est, abundantem, sed ex uberrimis et grœcœ et latinœ eruditionis fontibus deductam. Magno enim hic studio theologiœ ac philosophiœ altissimis artibus comités literas politiores adjunxit. Labbe, Sacrosancta concilia, t. xix, col. 668.

Infelizmente, a maior parte de seus escritos ainda é inédita. Eis primeiramente a lista dos que foram impressos: 1° Oratio ad lateranense concilium, habita in sede lateranensi quinto nonas maias 1512, Roma, 1512, em Hardouin, Acta conciliorum, Paris, 1714, t. ix, col. 1576-1581; Labbe, Sacrosancta concilia, Veneza, 1732, t. xix, col. 225-235. Foi resumida por Hefele, Conciliengeschichte, t. viii, p. 501-506. A edição dada por Torelli, Secoli agostiniani, t. viii, p. 627-629, reproduzida por Curtius, é incompleta e muito defeituosa. Cf. Gandolfo, De ducentis celeberrimis augustinianis scriptoribus, p. 20. 2° Oratio habita post tertiam sacri lateranensis concilii sessionem in ecclesia divœ Maria Virginis de populo, de foedere inito inter Julium II pontificem maximum et M. Maximilianum imperatorem, Roma, 1512;

3° Epistolœ selectae, recolhidas por Mabillon num manuscrito da antiga biblioteca de San Giovanni a Carbonara (Nápoles), e editadas por Martène, Veterum scriptorum et monumentorum amplissima collectio, Paris, 1724, t. iii, col. 1232-1268. Uma carta de Gilles ao P. Staupitz, datada de 26 de junho de 1510, a respeito de Lutero, foi publicada por Hohn, Chronologia provinciœ rheno-suevicœ ordinis fratrum eremitarum S. Augustini, Würzburg, 1744, p. 154, reproduzida por Ossinger. Alguns extratos de sua correspondência inédita apareceram no Archivio storico per le provincie napolitane, t. ix (1884), p. 430-452. Uma carta de Gilles ao P. Gaspar Ammon de Hasselt, O. S. A., apareceu em Henke e Brun, Annales litterarii, Helmstadt, 1782, t. i, p. 193. Três outras cartas, duas a João Reuchlin, a outra a João, Dionísio e Isabel Reuchlin, foram inseridas em Illustrium virorum epistolœ hebraicœ, grœcœ et latinœ, ad Johannem Reuchlin Phorcensem, virum nostra aetate doctissimum diversis temporibus missae, Hagenoe, 1519, fol. 96-98, reproduzidas ou mencionadas por Geiger, Johann Reuchlins Briefwechsel gesammelt und herausgegeben, em Bibliothek des litterarischen Vereins in Stuttgart, Tubinga, 1875, t. cxxvi, p. 260-261, 276. As três cartas são datadas dos anos de 1516 e 1517.

Gilles deixou um nome na história da literatura italiana como poeta latino e italiano, bem como filósofo. Duas de suas peças italianas foram publicadas grande número de vezes. Citamos a edição do P. Gandolfo, Fiori poetici dell'eremo agostiniano raccolti ed illustrati con un saggio della vita di ciascun produttore dei medesimi, Gênova, 1682, p. 81-107. A primeira peça trata da excelência da castidade (La Ludizia) e compreende 52 estrofes. Foi reproduzida por Crescimbeni nos Commentarii intorno alla istoria della volgar poesia, Roma, 1711, t. iii, p. 225-235; cf. ibid., Roma, 1710, t. ii b, p. 204-205. A segunda peça intitula-se: Caccia bellissima di amore e, numa poética alegoria, previne a juventude contra os desvios do amor. Compreende também 52 estrofes e foi publicada grande número de vezes, Veneza, 1537, 1538, nas coletâneas de Dolce, de Arrivabene, etc., pelo P. Gandolfo, op. cit. Mas alguns historiadores da literatura italiana são de parecer que o autor desta peça é João Batista Lapini de Siena. Fontanini, Biblioteca dell'eloquenza italiana, Veneza, 1753, t. i, p. 291, nas notas de Apostolo Zeno. Ela apareceu sob o nome de Lapini na Scelta di stanze, por Agostinho Ferentillo, Veneza, 1572. O P. Gandolfo publicou duas poesias latinas do mesmo autor, uma ode, in Ægidii Romani cardinalis laudes, e um epigrama Domino Petro memoriae magistro, p. 79-80. O Cod Ang. 1001, Narducci, p. 417, contém três éclogas latinas de Gilles: Paramellus et Ægon; De ortu Domini; In resurrectionem Domini. A terceira é em dísticos; as duas primeiras, em hexâmetros. Gilles seria também o autor de uma versão latina muito elegante e fiel da célebre peça de Petrarca sobre a santíssima Virgem, Fontanini, op. cit., t. ii, p. 46; vários madrigais de Gilles em italiano, dirigidos a Vittoria Colonna, tirados do manuscrito Magliabecchiano 720, apareceram na coletânea de Trucchi, Poésie italiane inédite di dugento autori dall'origine della lingua infino al secolo decimosettimo, raccolte ed illustrate, Prato, t. iii, 1847, p. 126-129; outras obras de Gilles foram ainda publicadas:

1° Promemoria ad Hadrianum papam VI de depravato statu romanœ Ecclesiœ, et quomodo reformari possit ac debeat, publicada por Höfler, Analecten zur Geschichte Deutschlands und Italiens, em Abhandlungen der historischen Classe der K. Bayer. Akad. der Wissenschaft, Munique, 1846, t. iv, n. 3, p. 62-89. Gilles aconselha o papa a cercar-se de homens experientes e prudentes no governo da Igreja, a golpear a avareza e a ambição do clero, a proibir o abuso das indulgências, a acumulação dos benefícios eclesiásticos, e a renovar a organização administrativa da cúria romana, a limitar os direitos dos príncipes temporais na colação dos benefícios.

2° Cajetani Thiennensis expositio in libros de cœlo et mundo, cum Ægidii Romani eremit. aug. quœstione de materia cœli, castigante Ægidio Viterbiensi, erem. augustiniano, Veneza, 1502. Esta edição é mencionada por Gandolfo na lista das obras de Gilles de Roma, p. 29. O P.

Ange Gabriel de Sainte-Marie não a cita no catálogo dos escritos de são Caetano de Thiene, Biblioteca e storia degli scrittori di Vicenza, Vicenza, 1772, t. ii, p. xxx-xxxiii. Tomassini se limita a citar os Commentaria in libros de cœlo sem especificar onde foram impressos. Bibliothecœ patavinœ, Údine, 1639, p. 55.

Entre suas obras inéditas citemos: 1° Aristotelis operum index ordine alphabetico digestus, cod. Par. 6589, Catalogus codicum manuscriptorum bibliothecœ regiœ, t. iv c, p. 260; 2° Aristotelis monumenta et index de Aristotelis erroribus, ibid.; 3° Liber Zohar super libros Mosis, interprète Ægidio Viterbiensi, cod. Paris. 527, op. cit., t. iii c, p. 43; 4° Liber qui dicitur Temuna, eodem interprète, ibid.; 5° Hortus nucis, eodem interprète, ibid.; 6° Annotationes in librum Raziel, ibid.; 7° Vocabularium linguœ sanctœ, cod. Paris. 596, op. cit., t. iii c, p. 50; 8° Diversorum librorum hebraeorum vocabula, cod. Paris. 597, ibid., p. 50; 9° Interpretatio et annotationes in librum decem Sephirot, cod. Paris. 598, ibid., p. 50; 10° Interpretatio et annotationes in librum Magerchet haeloit ibid.; 11° Racanatensis alias Recanatensis expositio in libros Mosis, ibid.; 12° De arcana judœorum doctrina tractatus, cod. Paris. 3363, ibid., p. 402; 13° Ren Hacane liber qui Pelia dicitur interprète Ægidio Viterbiensi, cod. Paris. 3367, ibid., p. 445; 14° Informatio contra lutheranam sectam, atribuído a Gilles por Mabillon, Bibliotheca bibliothecarum, Paris, 1739, t. ii, p. 779, n. 14; 15° Liber de revolutione 23 literarum hebraicarum secundum viam theologicam in lingua hebrœa, interprète Ægidio Viterbiensi, ibid., n. 37; 16° Opus contra hebrœos de adventu Messiœ et de nominibus divinis contra eosdem, ibid., n. 53;

17° Dictionnarium sive liber radicum, cod. Ang. 3. Cf. Narducci, Catalogus codicum manuscriptorum in bibliotheca Angelica, Roma, 1893, t. i, p. 1. Não sei se o conteúdo desse manuscrito é idêntico ao conteúdo das obras assinaladas sob os números 7 e 8. Ele é o esboço de uma tradução em latim do dicionário de David, filho de José Kimchi, redigida segundo as notas de Gilles, Pélissier, Manuscrits de Gilles de Viterbe à la bibliothèque Angélique, Roma, tiragem à parte da Revue des bibliothèques, p. 4-5;

18° Historia viginti sœculorum per totidem psalmos digesta, ad Leonem X, cod. Ang. 351, Narducci, op. cit., p. 177; cod. 502. O primeiro manuscrito contém também os additamenta do cardeal Seripando sobre os papas Leão X, Adriano VI, Clemente VII, Paulo III, Júlio III, Marcelo II e Pio IV. No juízo do cardeal Hergenröther e do P. Laemmer, este trabalho, que esboça vinte séculos da história da humanidade antes e depois de Cristo, pode sustentar a comparação com o Discours sur l'histoire universelle de Bossuet. O autor dá nele prova de um grande conhecimento da Sagrada Escritura, dos autores sagrados e profanos, e de profundas visões filosóficas. Pastor o utilizou com freqüência em sua Histoire des papes. Vittorelli, Manni, Georgius, Baluze, Höfler, Laemmer já se haviam servido dele antes. O manuscrito original desta obra encontrava-se outrora na biblioteca do convento de San Giovanni di Carbonara, em Nápoles. O cod. Ang. foi descrito por Pélissier, p. 11-13, que deu uma análise crítica cuidadosa da Historia viginti sœculorum, em sua tese latina de doutorado: De opère historico Ægidii cardinalis Viterbiensis, quod manuscriptum latet in bibliotheca quœ est in urbe augustinianorum Angelica ejusdemque operis cui titulus prœest « Historia viginti sœculorum » vera indole, Montpellier, 1896: ele ressalta a importância desta obra para a história da Igreja no século XV;

19° In librum primum Sententiarum, ad mentem et doctrinam Platonis, cod. Ang. 636, Narducci, op. cit., p. 281; 20° Sententiarum liber primus usque ad XVII distinctionem ad mentem Platonis, ibid.; 21° De laudibus congregationis ilicclanx, cod. Ang. 1156, Narducci, op. cit., p. 487;

22° Epistolœ familiares. Três manuscritos da biblioteca Angelica contêm cartas de Gilles ou de seus correspondentes. O cod. 688, Narducci, op. cit., p. 292, encerra 85 cartas (1494-1517), dirigidas na maioria a Gabriel de Veneza, geral dos agostinianos; o cod. 762, Narducci, op. cit., p. 316, encerra 10 cartas em italiano, dirigidas ao P. João Francisco Liberta, de 18 de julho a 6 de agosto de 1532, cf. Torelli, Secoli agostiniani, Bolonha, 1866, t. viii, p. 568; e uma carta de 3 de abril de 1531 ao P. Sebastião de Rimini. O cod. 1001, Narducci, op. cit., p. 416-418, é a coletânea mais rica das cartas de Gilles. Elas estão ali divididas em 8 livros. O compilador dessa coletânea, segundo o P. Gandolfo, seria o P. Serafim Ferri de Castellina, op. cit., p. 19. P. Xisto Schier, nos Addenda (inéditos) ad Ossingeri Bibliothecam augustinianam, cod. Ang. 353, p. 203. Essa correspondência de Gilles, segundo Pélissier, que descreveu os manuscritos acima mencionados, é muito curiosa para reconstituir as relações literárias do cardeal e sua ação como chefe da ordem, p. 11. A biblioteca Vaticana possui, além disso, certo número de cartas dirigidas a Gilles, entre outros a Aleandro.

23° Tragion, seu explanatio litterarum hebraicarum, cod. Vat. 5808; 24° De moribus Turcarum, perdido; 25° De Ecclesiœ incremento ad Julium II; 26° Annotationes in tria priora capita Geneseos; 27° Liber dialogorum. Essas três obras são mencionadas por Ciacconius e Ellsius, sem nenhuma indicação.

Pontanus, Opéra omnia, Veneza, 1519, t. ii; o autor publica aí Sermo Ægidii ad populum, fol. 156-158, e um diálogo dedicado a Ægidius (Ægidius dialogus), p. 155-173, que encerra notícias biográficas e literárias sobre o sábio cardeal; Ambr. Flandini, Sermo de triplici vita in festo divi Aurelii Augustini, Quadragesimalium concionum liber qui gentilis inscribitur, ex ethnicorum christianorumque erudimentis collectus, Veneza, 1523, p. 481-482; Bembo, Epistolœ, Veneza, 1552, p. 261-264, 343-344, 486-487, 489-490, 492-493, 520-523; Jovius, Elogia virorum litteris illustrium, Basileia, 1577, p. 159-160; Giraldi, De poetis nostrorum temporum dialogi duo, Basileia, 1580, t. ii, p. 415; Panfilo, Chronica fratrum ordinis eremitarum S. Augustini, Roma, 1581, p. 73-80; Ferronus, De rebus gestis Gallorum, Basileia, 1601, p. 73-80; Galatini, De arcanis catholicœ veritatis, Frankfurt, 1612, p. 22; Curtius, Virorum illustrium ex ordine eremitarum D. Augustini elogia, Antuérpia, 1636, p. 93-107; Corentini, De episcopis Viterbii summa chronologica, Viterbo, 1640, p. 100-168; Aubéry, Histoire générale des cardinaux, Paris, 1645, t. iii, p. 289-293; Landucci, Sacra Leccetana selua, Roma, 1647, p. 126; Ellsius, Encomiasticon augustinianum, Bruxelas, 1654, p. 14-15; Contelori, Elenchus S. R. Ecclesiœ cardinalium ab anno 1430 ad annum 1459, Roma, 1659, p. 124-125; Oldoino, Athenœum romanum, Perúgia, 1676, p. 32-33; Ciacconius, Vitœ et res gestae pontificum romanorum et S. R. Ecclesiœ cardinalium, Roma, 1677, t. iii, col. 395-399; Gandolfo, Fiori poetici dell' eremo agostiniano, Gênova, 1682, p. 71-78; Le porpore agostiniane, Additione al dispaccio istorico curioso et erudito, Mondovi, 1695, p. 36-43; Dissertatio historica de ducentis celeberrimis augustinianis scriptoribus, Roma, 1704, p. 16-20; Palatio, Fasti cardinalium omnium sanctœ romanœ Ecclesiœ, Veneza, 1703, t. ii, col. 682-689; Piazza, La gerarchia cardinalizia, Roma, 1703, p. 528; Eggs, Purpura docta, Munique, 1714, t. ii, p. 396-400; Le Mire, Auctarium de scriptoribus ecclesiasticis, em Fabricius, Bibliotheca ecclesiastica, Hamburgo, 1718, p. 132-133; Colomiès, Italia et Hispania orientalis, Hamburgo, 1730, p. 41-46; Michel de Saint-Joseph, Bibliographia critica sacra et prophana, Madri, 1740, t. i, p. 113-114; Bussi, Storia della città di Viterbo, Roma, 1742, p. 291, 304; Jocher, Allgemeines Gelehrten-Lexikon, Leipzig, 1750, t. I, p. 1624; Elogia S. R. E. cardinalium pietate et doctrina illustrium, Roma, 1751, p. 106; Fabricius-Mansi, Bibliotheca latina, Pádua, 1754, t. i, p. 24; Sadolet, Epistolœ, vii e lxxxii, Roma, 1760, t. i, p. 18-20, 230; Ossinger, Bibliotheca augustiniana, p. 190-198; Laurence Grana, bispo de Segni, Oratio in funere Ægidii Viterbiensis, card.

S. R. E., ex ms. codice membranaceo bibliothecœ Marii Compagnonii Marcluscii S. R. E. cardinalis amplissimi, eruta et a Johanne Christophoro Amadutio nunc primum in lucem édita, Roma, 1781; essa oração fúnebre não contém quase nenhum detalhe biográfico sobre Gilles; Cardella, Memorie storiche dei cardinali della santa romana Chiesa, Roma, 1793, t. iv, p. 47-50; Moroni, Dizionario ecclesiastico, Veneza, 1841, t. vii, p. 211-215; Lanteri, Postrema sœcula sex religionis augustinianae, Tolentino, 1859, t. ii, p. 4-10; Eremus sacra augustiniana, Roma, 1874, t. i, p. 191-196; Laemmer, Zur Kirchengeschichte des sechzehnten und siebenzehntcn Jahrhunderts, Friburgo, 1863, p. 65-67; Geiger, Johann Reuchlin, sein Leben und seine Werke, Leipzig, 1871, p. 399, 404, 437, 450; A. W., Vor der Reformation, em Historisch-politische Blätter, 1877, t. lxxix, p. 203; Kolde, Die deutsche Augustiner Congrégation und Johann von Staupitz; ein Beitrag zur Ordens und Reformationsgeschichte, Gotha, 1879, p. 124, 197-198, 231-232, 238, 257, 272, 312, 324; Höfler, Papst Adrian VI, Viena, 1880, p. 210-214; Fiorentino, Egidio da Viterbo e i Pontaniani da Napoli, em Archivio storico per le provincie napolitane, t. ix, 1884, p. 430-452; Hefele, Conciliengeschichte, t. viii, p. 501-506, 676, 692, 765, 768, 788; 1890, t. ix, p. 5, 177; Fiorentino, Risorgimento filosofico nel Quattrocento, Nápoles, 1885, p. 251; Gregorovius, Geschichte der Stadt Rom im Mittelalter, Stuttgart, 1888, t. viii, p. 55; Kirchenlexikon, 2ª ed., Friburgo, 1890, t. i, p. 255-256; Pélissier, De opère historico Ægidii cardinalis Viterbiensis, Historia viginti sœculorum, Montpellier, 1896; Pastor, Geschichte der Päpste, Friburgo, 1906, t. iv a, p. 141, 470-471; Paquier, Jérôme Aléandre, Paris, 1900, passim.

A. Palmieri.

Autor original: A. Palmieri

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