EGÍDIO DE ROMA, talvez mais conhecido por seu nome latino Ægidius Romanus, da ordem dos frades eremitas de Santo Agostinho, comumente chamados, na França, os grandes agostinianos, morto arcebispo de Bourges, foi sem dúvida alguma, tanto pela profundidade de seu espírito quanto pela abundância de suas obras, um dos mais célebres discípulos de São Tomás de Aquino, no fim do século XIII e no começo do século XIV. Mas, tendo a sua própria fama oferecido fácil alimento à fantasia dos cronistas, deve-se constatar com pesar que, até estes últimos tempos, a maior parte dos dados biográficos que lhe dizem respeito, em particular os que se referem à sua juventude, permaneceram envoltos em dúvida e deram mesmo ensejo a verdadeiras contradições. Com o propósito de repor as coisas em seu lugar, na medida em que o permite o estado atual das pesquisas críticas, servir-nos-emos principalmente de um estudo do P. Mattioli, agostiniano, apoiado ele mesmo em grande parte na notícia de nosso autor inserida no t. xxx da Histoire littéraire de la France. — I. Vida. II. Obras.
I. Vida. — O primeiro ponto sujeito a discussão é a determinação da família a que Egídio teria pertencido. A maior parte dos biógrafos de sua ordem, para não dizer todos, o apresentam como oriundo da nobre linhagem dos Colonna que, em sua época, contou, entre outros, dois cardeais famosos pela parte que tomaram na revolta contra Bonifácio VIII. A esse acordo opõe-se, ao menos negativamente, o silêncio completo de todos os documentos contemporâneos, que jamais o nomeiam de outro modo senão Ægidius Romanus. Todavia, sem insistir demais no uso constante, naquela época, entre os religiosos, de designar-se oficialmente apenas pelo prenome seguido do nome de seu país de origem, convém não perder de vista que o primeiro historiógrafo dos agostinianos, o B. Jordão de Saxe, que o apresenta como sendo « da nobre raça dos Colonna », morreu octogenário em 1380 e, por conseguinte, pode ser considerado, de sua parte, como quase contemporâneo.
Quanto à data precisa do nascimento de Egídio, igualmente deixada incerta, cálculos baseados no ano de sua promoção ao doutorado permitem afirmar que ocorreu em 1247 ou, quando muito, em 1246. Entrou muito jovem, e contra a vontade de seus pais, na ordem dos agostinianos, que acabava de ser recentemente reconstituída ou unificada. O biógrafo mencionado escreve que isso foi in aetate adolescentuli. Se se confrontam essas palavras com a expressão de que se serve o próprio Egídio em seu testamento, de que falaremos adiante, onde afirma ter sido educado desde a infância no convento de Paris, de cujus uberibus a pueritia nutritus fui, tendo em conta, ao mesmo tempo, a legislação de então sobre a idade canônica da profissão religiosa, é lícito conjeturar que foi enviado à capital da França por volta dos quinze anos, em parte sem dúvida para ser subtraído, como São Tomás, à influência de seus pais, perigosa para a sua vocação. Todos os historiadores concordam ao menos em notar que, tendo-se consagrado aos estudos regulares, fez neles imediatamente progressos maravilhosos, graças à sua extraordinária lucidez de espírito, à qual deveu mais tarde o cognome de doctor fundatissimus.
Terminados os cursos preliminares, teve a feliz fortuna de poder seguir com avidez o ensino teológico do Anjo da Escola, em seu segundo período, de 1269 a 1271, isto é, durante três anos no máximo, e não treze, como afirmam erroneamente numerosas notícias biográficas. Chamado em seguida a ensinar por sua vez, primeiro o curso de artes, depois, em seu convento, o Mestre das Sentenças e a Bíblia, o regulamento da universidade, na qual se apressaram a matriculá-lo, ter-lhe-ia permitido tomar o doutorado desde 1279 ou 1280, se o bispo de Paris, Estêvão Tempier, não se tivesse então resolutamente oposto. É que nosso teólogo, confiante em suas qualidades intelectuais, havia tomado parte ativa nas discussões da época, declarando-se sem reservas partidário de São Tomás de Aquino. Ora, como certas opiniões deste último não tinham, como se sabe, a aprovação de Estêvão Tempier, este não hesitou em censurar oficialmente várias proposições sustentadas em aula por Egídio de Roma, sem que se tenha podido ainda saber ao certo em que consistiam.
O que é certo é que o religioso agostiniano não quis então retratar-se. Tendo sido, pois, chamado a Roma por seu superior geral, parece ter conseguido persuadir este último da legitimidade de sua causa: de fato, permaneceu vários anos na Itália, como se deduz de diversos capítulos de sua ordem em que o vemos figurar, nessa época, na qualidade de bacharel de Paris. Sobreveio a morte do bispo. Tendo o tempo e o afastamento diminuído, por outro lado, o ardor combativo de Egídio, seus superiores, desejosos de favorecer o melhor possível a fama do jovem sábio, recomendaram-no a Honório IV com vistas ao doutorado. Este, depois de se ter assegurado previamente das boas disposições do teólogo, enviou então um rescrito ao novo bispo de Paris, datado de 1º de julho de 1285, no qual constata que Egídio está pronto a revogar o que a autoridade acadêmica julgasse oportuno revogar e, por conseguinte, mostra-se digno de ser admitido às honras do doutorado. Raynaldi, Annales, an. 1285, n. 76; F. Ehrle, nos Stimmen aus Maria Laach, 1880, t. xviii, p. 309; H. Denifle, Chartularium universitatis Parisiensis, t. I, p. 633. Essas medidas não devem ter tardado a ser executadas, pois no fim desse mesmo ano vemos o religioso agostiniano encarregado de cumprimentar, em nome do corpo universitário, o novo rei Filipe, o Belo, em seu regresso de Reims, onde acabava de ser sagrado. Embora não se possua prova positiva de que já fosse doutor nessa data (a primeira nos sendo fornecida pelas Atas de um capítulo geral realizado em Florença em 1287), observa-se com razão que essa designação oficial seria estranha na suposição de que ainda não tivesse obtido esse grau, ao passo que se explica à maravilha se ele era o último da promoção.
É verdade que, com o consentimento dos biógrafos, confirmado pela introdução da obra De regimine principum, Filipe, o Ousado, o havia outrora encarregado da educação do jovem príncipe; mas, se esse fato basta para motivar a familiaridade do teólogo com o monarca, já não é assim quando se trata de uma representação oficial. Enfim, os próprios termos de que se serve o capítulo geral dos agostinianos, ao qual acabamos de aludir, só dificilmente poderiam harmonizar-se com a hipótese de uma promoção recentíssima. É então, com efeito, que foi promulgada a famosa decisão que impõe a todos os professores da ordem seguir em tudo com fidelidade a doutrina e até as opiniões do frei Egídio, visto que este « ilumina o mundo inteiro com o seu esplendor ».
Eis, aliás, o texto desse importante documento: Quia uenerabilis magistri nostri fratris Egidii doctrina mundum universum illustrat, diffinimus et mandamus inviolabiliter observari ut opiniones, positiones et sententias scriptas et SCRIBENDAS prœdicti magistri nostri, omnes ordinis nostri lectores et studentes recipiant eisdem prœbentes assensum et ejus doetrinœ omni qua poterunt sollicitudine, ut et ipsi illuminati, alios illuminare possint, sicut seduli defensores. Acta cap. gen. Florentiœ an. 1287, em Analect. august., t. il, p. 275. A lista das obras compostas por Egídio de Roma basta para explicar a espécie de entusiasmo que essa decisão parece indicar.
Guilherme de Thoco, dominicano, diz que Egídio interveio, ainda que indiretamente, em favor do direito dos bispos na questão dos privilégios de que se valiam certos regulares a respeito da administração dos sacramentos. Em 1292, no capítulo realizado em Roma, foi eleito por aclamação superior geral dos agostinianos. Embora faltem as atas de seu generalato, sabe-se contudo que sua principal preocupação consistiu, depois da regulamentação dos estudos, em estender a sua ordem pela ereção de novos conventos. Assim, deve-se-lhe a aquisição, por intervenção pessoal do rei da França, dos terrenos ocupados até então pelos Frades da Penitência ou Frades Sacchets, caídos em decadência nessa época, onde foi construída pouco depois a casa que se chamou o Grande convento dos agostinianos em Paris.
Perto do fim de seu generalato, Bonifácio VIII, de acordo nisso com Filipe, o Belo, o nomeou arcebispo de Bourges, sinal evidente da alta estima em que era então tido, quando se reflete quer em sua qualidade de estrangeiro, quer na importância de tal sé na época em que lhe foi conferida. Ver Moroni, Dizionario istorico ecclesiastico, na palavra Bourges. Outra prova da significação dessa escolha são as queixas de certos membros da aristocracia francesa dirigidas, por essa ocasião, ao colégio dos cardeais, queixas que deram lugar a um dos mais belos elogios que já se fizeram a Egídio de Roma. Ver Gallia christiana, t. n, p. 76. É verdade que mais tarde Filipe, o Belo, pareceu lamentar essa nomeação, mas o verdadeiro motivo disso é todo em honra do arcebispo, pois se trata da firmeza com que este defendia os direitos do papado contra as intromissões da autoridade civil.
Se se acrescentam alguns rescritos pontifícios pelos quais se concedem a Egídio certos privilégios administrativos em recompensa de sua dedicação à Santa Sé, uma ordenança pela qual comunica a seus sufragâneos o aviso de celebrarem a festa de São Luís em suas respectivas dioceses, sua intervenção na condenação de certas teses arriscadas do doutor João de Paris sobre a eucaristia, uma carta pela qual acusa o recebimento da bula contra os templários, sua presença no concílio de Viena, onde tomou pessoalmente partido contra estes últimos, enfim documentos que aludem a sínodos provinciais por ele presididos em Bourges e uma condenação a pagar trinta libras de Tours por não ter feito a tempo sua visita ad limina em vida de Clemente V, ter-se-ão os principais traços que a história nos legou a seu respeito desde a sua elevação ao episcopado. Convém, contudo, assinalar ainda os dois testamentos que redigiu algum tempo antes de morrer, um de 25 de março de 1315 e outro de 19 de dezembro de 1316, conservados ambos nos Arquivos nacionais de Paris, sob a cota 13694, n. 3 e 4.
Trata-se, no primeiro, de certa propriedade ou casa de campo que ele lega à província agostiniana da França, em testemunho de sua gratidão por ter sido educado em Paris desde a infância; o outro, datado de três dias antes de sua morte, contém um ato de doação ao convento de Paris dos numerosos e preciosos livros que possuía em Bourges, quer no palácio arquiepiscopal, quer no convento dos agostinianos da mesma cidade. Morreu a 22 de dezembro em Avinhão, onde residia então a cúria pontifícia. Seus irmãos em religião lhe ergueram um monumento em sua igreja de Paris com o seguinte epitáfio: Hic jacet aula morum vitae mundicia | Archi-philosophiœ Aristotelis perspicacissimus | commentator | Clavis et Doctor Theologiœ lux in lucem \ reducens dubia \ Frater Ægidius de Roma Ord. Fratrum Eremit. S. Augustini | Archiepiscopus Bituricensis qui obiit \ Anno D. MCCCXVI die xxii Mensis Decembris.
II. Obras. — 1° Obras de dialética. — 1. In artem veterem commentarius, Veneza, 1507, 1582; Bérgamo, 1594; 2. In libros Priorum commentarius, Veneza, 1499, 1504, 1516, 1522, 1598; 3. In libros Posteriorum commentarius, Pádua, 1478; Veneza, 1488, 1491, 1494, 1500, 1513, 1530; numerosos manuscritos dele se conservam em diversas bibliotecas: na Nacional de Paris, nas de Toulouse, Bordeaux, Bruxelas, n. 2911(5426), Florença etc.; 4. In libros Elenchorum sophisticorum commentarius, Veneza, 1496, 1499, 1500, 1530 (mss. na Biblioteca Nacional de Paris, em Basileia, Bruges, Oxford, Cambridge, Florença, Vaticano, n. 933); 5. De medio demonstrationis tractatus, Veneza, 1499, 1504 (mss. na Nacional, n. 16170, na Vaticana, n. 772), cf. Aug. de Biella, agostiniano, Questio de medio demonstrationis, defensiva opinionis domini Egidii Romani, Veneza, 1496; 6. In libros Rhetoricorum commentarius, Veneza, 1481, 1555; Roma, 1482 (mss. na Nacional, no Arsenal, na Sorbonne, em Pádua e no Vaticano, n. 775); 7. De differentia rhetoricœ, politicœ et ethicœ, Nápoles, 1525; 8. In poesim Aristotelis, da qual só se conhece uma cópia manuscrita na biblioteca Bodleiana de Oxford.
2° Obras de filosofia. — 1. In libros Physicorum commentarius, Pádua, 1483; Veneza, 1491, 1496, 1502 (mss. na Nacional, na Sorbonne, em Bruges, Lisboa, em Viena, em Veneza, em Turim, no Vaticano); 2. In libros de generatione et corruptione commentarius, libri duo, Nápoles, 1480; Veneza, 1493, 1498, 1500, 1518, 1520, 1555, 1567 (mss. na Nacional, em São Marcos de Veneza, na Biblioteca Real de Turim, no Vaticano, n. 2182); 3. De intentionibus in medio tractatus, Nápoles, 1525 (ms. no Vaticano, n. 10); 4. In libros de anima commentarius, Pávia, 1491; Veneza, 1496, 1499, 1500 (mss. na Nacional de Paris, na biblioteca Mazarine, no Arsenal, na Universidade etc.); 5. In parva naturalia commentarius, obra dada como duvidosa pelos autores da Histoire littéraire de la France, mas tida como de Egídio de Roma pela antiga universidade e citada pelos biógrafos agostinianos; 6. De bona fortuna, Veneza, 1496, 1551 (mss. na Biblioteca Nacional de Paris, em Viena, em Bruges, em Oxford, em Cambridge e na biblioteca Ambrosiana de Milão); 7. In librum de causis commentarius, Veneza, 1550 (mss. na Biblioteca Nacional de Paris, em Bordeaux e em São Marcos de Veneza); 8. De formatione corporis humani tractatus, Paris, 1515; Veneza, 1523; Rimini, 1626 (mss. na Biblioteca Nacional de Paris, sob o título: De embryone seu fœtu; na Sorbonne, dois no Vaticano, um na biblioteca Palatina, n. 1086); 9. In XII libros Metaphysicorum quœstiones, Veneza, 1499, 1500, 1552; esta obra foi comentada por J.-B. de Tolentino, em Veneza, 1505 (mss. no Vaticano); 10. In eosdem libros quœstiones disputabiles, Veneza, 1500; 1505; 11. De primo principio, seu de esse et essentia quœstiones, tractatus, Leipzig, 1413; Veneza, 1493, 1503, 1504; 12. De esse et essentia aurea theoremata XXII, s. l., 1493; Veneza, 23 de maio de 1503; Bolonha, 1522 (mss. na biblioteca da Borgonha, em Bruxelas, sob o título: Positiones de ente et essentia; em Florença, Veneza, Viena, n. 3513, no Vaticano, fundo Ottoboni, n. 201);
13. De gradibus formarum, sive de pluralitate formarum, seu Contra gradus et pluralitatem formarum tractatus, Pádua, 1493; Veneza, 1500, 1502; Nápoles, 1525; Veneza, 1552 (mss. na Nacional de Paris); 14. De gradibus formarum accidentalium in ordine ad Christi opéra tractatus, Nápoles, 1525; Viena, 1641 (mss. no Vaticano, n. 773, e na biblioteca Angélica em Roma, n. 619, 3); 15. De deceptione tractatus et quomodo sciens potest mala facere, citado por Ângelo Rocca e Gandolfi; 16. De materia cœli contra averroistas tractatus, Pádua, 1493; Veneza, 1500, 1502 (ms. no Vaticano, n. 201); 17. De intellectus possibilis pluralitate contra averroistas, Veneza, 1502 (mss. na Biblioteca Nacional de Paris, em Oxford, em Cambridge e no Vaticano, n. 86, sob o título: De unitate intellectus); 18. De erroribus philosophorum tractatus, obra de autenticidade duvidosa; edições que a atribuem a Egídio de Roma, Viena, 1482; Veneza, 1581 (sem nome de autor na Biblioteca Nacional de Paris, n. 16195); 19. De partibus philosophiœ essentialibus, ac aliarum scientiarum differentia et distinctione, s. l. n. d.; s. l., 1493; 20. In libros Politicorum commentarius: atribuído a Egídio pelos historiadores de sua ordem; 21. In Œconomia Aristotelis commentarius, atribuído pelos mesmos historiadores (mss. à Ambrosiana e à biblioteca agostiniana de Milão); 22. In Boetium de philosophiœ consolatione expositio (mss. no Vaticano e na biblioteca Ottoboni, n. 612, em nome de Gilles de Roma); 23. Super libros ethicorum (mss. em Cambridge, sem nome de autor); 24. De cometis vel de significatione cometarum, cuja autenticidade é negada pelos autores da Histoire littéraire de la France, mas que é apoiada por um manuscrito do Vaticano, n. 803, e outro de Basileia.
3° Obras sobre a Sagrada Escritura. — 1. In totum canonem Bibliœ et sufficientiam librorum et excellentiam sacrœ Scripturœ tractatus, assinalado pelos biógrafos, embora desconhecido em nossos dias; 2. In librum Canticorum commentarius, Roma, 1555 (mss. no Vaticano, 169, 803); 3. De laudibus divinœ sapientiae super Psalmum xliv Eructavit, etc., tractatus, Pádua, 1553; Roma, 1555 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, em Basileia, em Oxford, em Viena e no Vaticano, n. 803); 4. In Epistolam ad Romanos commentarius, Roma, 1555; 5. In Epistolas ad Corinthios, postillœ seu libri II, mencionado pelo próprio autor em seu comentário sobre as Sentenças; 6. In Epistolas canonicas, inceptus commentarius; 7. In Evangelium Joannis tractatus duo; 8. In illud canonicœ Joannis : Omne quod est in mundo, etc., interpretatio. Estas três últimas obras são mencionadas pelos antigos biógrafos.
4° Obras de teologia. — 1. In I Sententiarum volumen unum, Veneza, 1492, 1521 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, em Laon, na biblioteca Angelica, n. 624, e no Vaticano, 194, n. 4331); 2. In IIum Sententiarum distinctiones XXXIV, dedicado a Roberto, rei da Sicília, s. l. n. d.; Veneza, 1482, 1581 (mss. na biblioteca Mazarine, proveniente do convento dos agostinianos de Paris, e no Vaticano, n. 197); 3. In IIIum Sententiarum commentarius, Roma, 1623; com os precedentes, em Roma, 1623 (ms. na biblioteca Angelica, n. 197); 4. In IVum Sententiarum, mencionado por Filipe de Bérgamo, mas provavelmente apócrifo ou confundido com os precedentes; existe, no entanto, uma obra intitulada: Pétri Lombardi sententiœ... cum commentariis Henrici Gorichenii, Ægidii de Roma et Henrici de Urimaria, por Daniel Agricola, O. M., in-fol., Basileia, 1510; só que ela contém apenas extratos dos dois primeiros livros de Gilles de Roma sobre o livro das Sentenças; 5. De corpore Christi theoremata, Bolonha, 1481; Colônia, 1490; Veneza, 1502; Roma, 1555 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, em Florença, em Bruxelas, em Pádua, no Vaticano, n. 594, em Troyes, em Poitiers, em Basileia, em Veneza); 6. De charactere tractatus, Roma, 1555; 7. De prœdestinatione, prœscientia, paradiso et inferno tractatus, Nápoles, 1525; Roma, 1555; Viena, 1641 (mss. no Vaticano, n. 367, 196); 8. De subjecto theologiœ quœstio, Veneza, 1503, 1504; 9. De articulis fidei, sive de distinctione articulorum, sive expositio symboli, liber, Nápoles, 1525; Roma, 1555 (ms. na biblioteca Angelica, n. 197); 10.
Compendium theologicœ veritatis tractatus, de autenticidade duvidosa, embora numerosos mss. levem o nome de Gilles, entre outros o do Vaticano, n. 805; 11. De charactere liber I, igualmente duvidoso, se é que não é idêntico ao tratado De charactere indicado acima; 12. De peccato originali tractatus, Oxford, 1479; Nápoles, 1525; Roma, 1555 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, no Arsenal, em Cambrai, em Troyes, em Basileia, em Viena, em Munique e no Vaticano, n. 813, 4545, 855, 196); 13. De arca Noe tractatus, Nápoles, 1525; Roma, 1555; Viena, 1641; 14. De divina influentia in beatos tractatus; 15. De mensura angelorum quœstiones, Veneza, 1505; Roma, na coletânea de Blado, 1555 (mss. no Vaticano, Ottoboni, n. 201, 613); 16. De cognitione angelorum quœstiones, Veneza, 1503 (mss. no Vaticano, Ottoboni, n. 201); 17. De compositione angelorum quœstiones; segundo Ossinger, existia um manuscrito no convento dos agostinianos de São Tiago de Bolonha; 18. De motu angelorum quœstiones; 19. De loco angelorum quœstiones, Veneza, 1503, e, com os dois tratados precedentes, 1521; 20. De resurrectione mortuorum quœstiones VII, ou Quœstiones disputatœ Parisiis, Nápoles, 1525; Viena, 1641 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, três cópias, e em Oxford, colégio Merton, n. 137); 21. Quodlibeta sex, Bolonha, 1481; Veneza, 1496, 1502, 1504, 1513; Nápoles, 1525; Lovaina, 1646 (mss. na Biblioteca nacional, no Arsenal, em Paris, em Bruxelas, biblioteca de Borgonha, em Basileia, em Veneza, em Pádua e no Vaticano, n. 805); 22. Quodlibeta XXIV sive XXV (mss. na biblioteca Angelica em Roma, bem como na Biblioteca nacional de Paris sob o título: Quodlibeta Ægidii de Roma); 23. Contra expositionem Pétri Joannis de Narbona super Apocalypsim, de mandato Bonifacii VIII, mencionado pelo autor, In IIIum Sent., part. II, q. ii, a. 4; não se conhece nenhum exemplar; 24. Expositio super orationem dominicam; 25. In salutationem angelicam : Ave; estes dois tratados foram impressos em Roma em 1555 e em Madri em 1648; o primeiro é por vezes atribuído a Gerson (ms. no Vaticano, n. 1277);
26. De ecclesiastica potestate libri tres, composto por ocasião das dissensões entre Bonifácio VIII e Filipe, o Belo, ver Ch. Jourdain, Un ouvrage inédit de Gilles de Rome... en faveur de la papauté, 1858; F. X. Kraus, em Œsier. Vierteljahrschrift für kath. Theologie, 1862, p. 1 sq.; editado em Florença, em 1908 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, n. 4229, na biblioteca dos dominicanos de Florença, no Vaticano, n. 4107, 5612, na Angelica, n. 130, 181, 367); esta obra leva às vezes o seguinte título: Quœstio in utramque partem, sive de potestate ecclesiastica (Biblioteca nacional de Paris, n. 15004); a primeira parte é então de outro autor; 27. In jus canonicum de summa Trinitate et fide catholica, cap. Firmiter et cap. Damnamus, et super Decretalem : Cum Martham, de celebratione missarum expositio, Roma, 1555 (mss. no Vaticano, n. 779, e na biblioteca Angelica, n. 197); 28. Sermones ad clerum et ad populum, inéditos e dispersos em diversas bibliotecas, entre outras em Dresden, sob o título: De vitiis mundi, e no Vaticano: De vitiis et virtutibus, 389, n. 1277; 29. De rationibus seminalibus, anunciado pelo autor em seu comentário sobre a Epístola aos Romanos, 15ª lição, e mencionado por alguns biógrafos, mas sem exemplar atualmente conhecido; 30. In officium missœ liber, sem exemplar conhecido; 31.
De defectu et deviatione malorum culpae et peccatorum a Verbo tractatus, Roma, 1555; 32. Hexameron siue mundo sex diebus condito, Pádua, 1544; Roma, 1555; Veneza, 1521 (mss. na Biblioteca nacional de Paris); 33. De renuntiatione papœ tractatus, Roma, 1554, na coletânea de Blado e de Roccaberti, t. ii, p. 1-64; 34. Contra exemplos liber, Roma, 1555; ms. no Vaticano, n. 562; atacado por Tiago des Termes, abade de Charlieu e de Pontigny, Contra impugnatores libertatum, em Bibliotheca Patrum cisterciensium, t. iv, p. 261-315; 35. Correctorium contra impugnantes S. Thomam seu Defensorium, obra atribuída, como se sabe, a diferentes autores, entre os quais certos críticos se pronunciam abertamente por Gilles de Roma, ver, para uma discussão detalhada, Fernandez, na Revista agustiniana, Valladolid, 1882, t. iii, p. 141-151, 365-371; Veneza, 1516; Nápoles, 1644; 36. Quomodo reges et principes possunt possessiones et bona regni peculiaria ecclesiis elargiri, Roma, 1555 (mss. na Biblioteca nacional de Paris, n. 6786, e na Angelica de Roma, n. 367 e 417); 37. De œvo, extraído do comentário sobre os livros das Sentenças; 38. De gratiarum actione ad Bonifacium VIII, mencionado pelos biógrafos, mas sem exemplar conhecido; 39. De corpore Christi compendium, Roma, 1555 (mss. no Vaticano, n. 594, e na Angelica, n. 104);
40. De regimine principum, composto a pedido de Filipe, o Ousado, para a educação de seu filho Filipe, o Belo, que não se deve confundir com a obra semelhante atribuída a São Tomás, a qual é muito mais breve e de autenticidade duvidosa. Esta obra, talvez a mais notória de Gilles de Roma, foi traduzida: a) em francês por Henrique des Gauches, do qual existem manuscritos na Biblioteca nacional de Paris; b) em italiano, editada por Fr. Corazzini em 1858, mas empreendida desde 1288; c) em hebraico, do qual se possuiria um manuscrito em Leiden; d) em espanhol por Bernardo ou Bernabé, bispo de Osma, a pedido de Afonso XI de Castela, Comienza el libro intitulado : Regimiento de principes fecho y ordenado por Fr. Gil de Rome, de la orden de S. Agustin, e fizolo trasladar en romance D. Bernardo, obispo de Osma, por honra e ensenamiento del muy noble infante D. Pedro, fijo primero, heredero del muy alto e muy noble D. Alonso rey de Castilla, de Toledo y León, in-fol., Sevilha, 1494. Diz-se que outras traduções foram feitas em português, em catalão e em inglês.
Quanto à edição latina original, ela foi reimpressa em diferentes ocasiões: s. l., 1473; Roma, 1482; Veneza, 1498, 1502; Roma, 1556; Veneza, 1585, 1598; Roma, 1607; com biografia do autor, Veneza, 1617. Segundo a Histoire littéraire de la France, p. 525, os mss. são tão numerosos que se encontram em quase todas as bibliotecas públicas da Europa; o agostiniano Leonino de Pádua fez dela um resumo, publicado por H. Müller, em Zeitschrift für die gesamte Staatswissenschaft, Tubinga, 1888, t. xxxi, p. 101 sq. (mss. em Munique, biblioteca real, n. 8809, e na Angelica, n. 750); apresentado como obra de Gilles de Roma à Academia dei Lincei em 1885 pelo Sr. Narducci. Cf. V. Courdaveaux, Ægidii romani de regimine principum doctrina, Paris, 1857.
As ideias de Gilles de Roma, principalmente em teologia, foram expostas de maneira sintética na Schola Ægidiana, sive theologia exantiquata juxta doctrinam S. Augustini ab Ægidio Columna expositam. É um curso completo de teologia tirado em grande parte das obras de Gilles e publicado primeiro em Nápoles em 1683-1690, depois em Roma em 1692-1696, pelo P. Fred. Nicolas Gavardi, agostiniano.
N. Mattioli, O. S. A., Studio critico sopra Egidio Romano Colonna arcivescovo di Bourges dell' ordine Romitano de sant' Agostino, em Antologia agostiniana, Roma, 1896, t. i; Histoire littéraire de la France, t. xxx, na palavra: Gilles de Rome; Analecta augustiniana, 1907-1908; t. ii, p. 278 sq.; G. Boffito, Saggio di bibliografia Egidiana, Florença, 1911; Ossinger, Bibliotheca augustiniana, Ingolstadt, 1768, p. 237-250; Féret, La faculté de théologie et ses principaux docteurs. Moyen âge, Paris, 1895, t. ii, p. 168-169; Scheeben, em Kirchenlexikon, t. iii, p. 690; Werner, Der Augustinismus im späteren Mittelalter, Viena, 1883, p. 225 sq.; Hurter, Nomenclator, 1906, t. ii, col. 481-486.
N. Merlin.
Autor original: N. Merlin
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