GALATINUS Pedro é o nome pelo qual é conhecido Pierre Colonna, frade menor da observância, que floresceu no começo do século XVI. Originário de Galatina, na diocese de Otranto, e não de Cajazzo, como dizem artigos recentes de dicionários, Pierre Colonna entrou entre os observantes da província de São Nicolau de Bari e encontrava-se no convento de Otranto em 1480, quando os turcos devastaram a cidade e ali fizeram vários mártires; Galatinus deixou mesmo, diz-se, uma ampla narração desses fatos em seu manuscrito permanecido inédito Commentaria lucukntissima in Apocalypsim : Joannis. Sendo doutor em filosofia e em teologia, ensinou essas duas ciências em Roma, onde se dedicou de maneira toda particular, e com êxito, ao estudo das línguas orientais. Daí veio a opinião, emitida sem fundamento por alguns autores, de que era de origem israelita.
Penitenciário apostólico, era muito amigo do cardeal Lourenço Pucci, regente da Penitenciaria, e foi a convite dele que empreendeu seu tratado De arcanis catholicae veritatis, para defender João Reuchlin, conselheiro do imperador, então em controvérsia muito viva com Pfefferkorn, judeu convertido de Nuremberg. Este pedia a supressão dos livros de seus antigos correligionários contrários ao catolicismo. Reuchlin era menos absoluto e sustentava que os livros teológicos dos israelitas, o Talmud em particular, deviam ser conservados e podiam fornecer armas para combater os judeus e conduzi-los à verdadeira fé.
Galatinus sustenta a mesma tese em seu Opus toti christianae Reipublicae maxime utile, de arcanis catholicae veritatis, contra obstinatissimam Judaeorum nostrae tempestatis perfidiam ex : Talmud aliisque hebraicis libris nuper excerptum et quadruplici linguarum genere eleganter congestum. : Foi composto sob a forma de diálogo entre Reuchlin, designado pelo nome de Capnio, o inquisidor dominicano Hochstrat e Galatinus; as páginas estão repletas de : textos gregos e hebraicos, tomados de diversas obras. Acusou-se mesmo o autor de ter inventado um deles, o « Gale Razayya »; do que ele se defendeu mais tarde numa longa carta a Paulo III, conservada na biblioteca Vaticana (ms. Ottoboni lat. 2366, fol. 300-308).
Outra censura, que não se consegue justificar, é a de ter plagiado a obra do dominicano Raimundo Martini, Pugio fidei, e de lhe ter tomado emprestado, sem o dizer, os seus melhores argumentos. Fez ele o mesmo com a Victoria adversus impios hebraeos do cartuxo Porchetto de Salvatici, que também se havia servido, mas declarando-o, do Pugio fidei? Pôde ter tido uma cópia manuscrita, pois esse livro só foi impresso em 1520, dois anos depois do seu. Ele o havia terminado em Bari, a 4 de setembro de 1516, e a impressão foi concluída em Ortona al mare, pequena cidade dos Abruzos, a 15 de fevereiro de 1518. O volume De arcanis foi muitas vezes reeditado, in-fol., Basileia, 1550, 1561; Paris, 1602; Frankfurt, 1603, 1612, 1672; nessas edições é seguido dos livros De arte cabalistica de Reuchlin.
Quando sua obra apareceu, o autor estava à frente de sua província monástica de São Nicolau. Por essa época, seus concidadãos meteram na cabeça fazer erigir sua cidade em bispado, e para isso contavam com a influência dele na corte de Roma. Colonna teria aceitado, diz o P. Arcudi, com a condição, porém, de que seu nome fosse apresentado ao papa para se tornar o do primeiro bispo de Galatina. O projeto não teve seguimento e o sábio religioso continuou pacificamente seus trabalhos em sua cela do convento de Aracoeli, onde fixara sua residência e escolhera sua sepultura. O último vestígio que dele se encontra é um breve de Paulo III, datado de 11 de maio de 1539.
O papa, que o havia autorizado a fazer seu testamento, proibia, sob pena de excomunhão, retirar da biblioteca do convento os manuscritos, em número de trinta, que o P. Pedro, então senio confectus, pretendia legar-lhe. Wadding nos conserva os títulos deles, mais detalhados do que no breve, segundo uma cópia que o sobrinho-neto de Galatinus, Lourenço Mongio, arcebispo de Landano, havia mandado tirar dos originais passados para a biblioteca do Vaticano. Mongio tinha a intenção de publicá-los, mas descarregou esse encargo sobre o Analista dos menores, cuja promessa ficou sem efeito. Alguns volumes dessa cópia existem ainda hoje na biblioteca do convento de Santo Isidoro, fundado por Wadding, em particular três tomos da Vera theologia, que era a principal dessas obras.
O P. Plassmann, que dá este último detalhe, não indica onde se encontram hoje os outros manuscritos de Pierre Colonna: Montfaucon assinalava na Ambrosiana de Milão o tratado De regula et institula; Sbaraglia mencionava no Vaticano outro opúsculo, e o do livro dedicado ao rei Fernando De optimo principe, na biblioteca de Toledo.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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