6. FRANÇOIS DE BONNE-ESPÉRANCE, teólogo da ordem dos carmelitas, nascido em Lille a 20 de junho de 1617, morto em Bruxelas a 5 de janeiro de 1677. Seu nome de família era Crespin, e fez profissão a 28 de outubro de 1630. Ensinou por longo tempo filosofia e teologia na universidade de Lovaina. Provincial e definidor da ordem, foi encarregado de várias missões em Roma e em Madri.
François de Bonne-Espérance compôs as seguintes obras: Noctua belgica adversus aquilam germanicam, Lovaina, in-4°, 1651; Commentarii lu s in universam Aristotelis philosophiam, in-fol., Bruxelas, 1652; In universam theologiam aslicam, 6 in-fol., Antuérpia. 1662; Apologema retortum, seu retorta disputatio apologetica de ignorantia invincibili et opinionum probabilitate, pro Prosperi Fagnani doctrina, Ne innitaris contra doctrinam de opinionum probabilitate illustr. dom. Joannis Caramuelis, in-1°, Lovaina. 1665; Magni propl oisio de immaculata conceptione B. V. Mariae Liber apologeticus pro Joanne XI, Il episcopo patriarcha Hierosolymitano, et icifero Sardorum episcopo, in-4°, Antuérpia, Christianus mnnitus ml H /'. magistrum Uanum Lupum ord erem s Augustini, in-4°, Antuérpia, 1665, continuação da obra precedente; Causa christorum Dei : sive SS. Epiphanii et Hieronymi, eminentissimorum cardinalium Baronii, Bellarmini, magistri palatii apostolici, ac sacrarum facultatum Parisiensis Coloniensis pro Joanne XLIV patriarcha et Hierosolymitano, adversus accusationes R. P. magistri Christiani Lupi, in-4°, Antuérpia, 1666; Christi fidelium parochiale apologeticum contra parochiphylum, in-4°, Bruxelas, 1667; Christi fidelium contritionale, cum SS. synodi tridentinae et antiquae facultatis theologicœ lovaniensis vindiciis, in-4°, Malines, 1667; Clypeus contritionalis, in-4°, Antuérpia. 1670; Examen theologicum super regulis octo ex instructione Pétri Van-Buscum collectis, in-4°, Bruxelas, 1672; Lutin D. Thomae, in-4°, Bruxelas, 1664; Motivum juris pro excusatione legitima provincialium ordinum mendicantium a contributionibus, impositionibus, gabellis, etc., in-4°; Historico-theologicum carmeli Armamentarium proferens omnis generis scuta, quibus tela seu argumenta in ordinis carmelitani antiquitatem, originem, et ab Elia in Monte-Carmelo hereditariam successionem hucusque legitime non interruptam, vibrata, fortiter et suaviter enervantur, et ad perpetuam concordiam disponuntur. in-1°. Antuérpia. 1669, primeira obra: a segunda parte desta última, publicada em 1680, não parece poder ser atribuída ao P. François de Bonne-Espérance. Cosme de Villiers, Bibliotheca carmelitarum, in-fol., Orléans, 1752, t. i, col. 182. B. Heurtebize.
7. FRANÇOIS D'ENGHIEN, oriundo de uma antiga e ilustre família dos Países Baixos, nasceu em Bruxelas em 1648. Seu pai, Guillaume d'Enghien, visconde de Santa-Cruz, depositava grandes esperanças em seu filho, quando este abraçou a vida dominicana no convento de Gante. Tomou ali o hábito a 28 de novembro de 1668 e um ano depois, a 29 de dezembro, fez profissão. Estudou filosofia e teologia no studium generale de Lovaina; ensinou ali em seguida a filosofia. No capítulo provincial, realizado em Braine-le-Comte, a 11 de maio de 1680, foi nomeado mestre dos estudantes. No mesmo ano, apresentou-se à licença na faculdade de teologia de Lovaina; seis anos depois, isto é, no fim de 1686, recebeu o grau de doutor em teologia. No ano precedente, havia sido nomeado regente dos estudos no studium generale, cargo que ocupou até 1688. A 16 de fevereiro de 1697, foi escolhido para a primeira cátedra de teologia, mas foi somente dois anos mais tarde que começou seu ensino, que exerceu até 1703. Na ordem, obteve sucessivamente todos os graus: bacharel, a 5 de setembro de 1682; a 12 de junho de 1688, licenciado, e por fim a 19 de junho de 1690 foi criado mestre em teologia.
Em 1706, tendo ficado vacante a sé de Antuérpia pela morte de Cools, O. P., foi ela oferecida a François d'Enghien, que recusou, dizendo que, se tivesse desejado as honras, teria permanecido no mundo, onde lhe estavam inteiramente preparadas. Em 17.., tendo renunciado à regência, retirou-se a Gante, seu convento de origem, onde passou ainda longos anos no estudo e em todos os exercícios da caridade, e morreu a 10 de novembro de 1722, com setenta e quatro anos de idade.
As disputas teológicas da época deram sua direção à atividade intelectual de François d'Enghien, que sustentou ou fez sustentar certo número de teses sobre matérias controvertidas. Suas teses de licença versavam sobre os seguintes assuntos: Thèses sacrae: Nahum ex Jona, Michaea et (24 de janeiro de 1680); De bonitate et malitia actuum humanorum (6 de fevereiro); e De restitutione In génère et titulis ad eam obligantibus (8 de agosto); De voluntate Dei et attributis eam continentibus (18 de julho); Thèses sacrae, ex prioribus capitibus Epistola ad Hebraeos (23 de julho); De iustificatione (2 de agosto). Universidade de Lovaina, teses dos religiosos para os anos 1680-1683.
Por ocasião das provas para o doutorado, sustentou as teses sobre os seguintes assuntos: Thèses sacrae, in Tobiam, Judith et Esther (4 de novembro de 1686); De humanis actibus (8 de novembro); De matrimonio (9 de novembro). Teses para os anos 1684, 1685, 1686.
Entre as teses que, uma vez mestre e doutor, fez sustentar diante da faculdade de teologia de Lovaina, assinalemos algumas: 1° Thèses theologicœ de : actibus ad mentem et litteram angelici doctoris S. Thomœ Aquinatis, Lovaina, 1686; Bibl. univ. in-8°, cf. Lovan. Thèses PP. prœd. ab an. 1648 ad 1692, p. 318-325; 2° Thèses theologicœ de libero arbitrio ac de necessitate absoluta amoris beatifici, in-4°, Lovaina, 1688, ibid., p. 388-401; 3° Thèses de sacramento pœnitentiœ, in-4°, Lovaina, 1699; 4° De divina gratia, in-4°, Lovaina, 1700, etc.
Os princípios galicanos, que recebiam então das assembleias do clero da França uma confirmação brilhante, foram ardentemente combatidos por Francisco de Enghien. Em resposta à Declaração da Assembleia de 1682, publicou Responsio historico-theologica ad : cleri gallicani de potestate ecclesiastica declarationem ex summorum pontificum documentis, decretis ac gestis excerpta. Per quemdam sacrae theologiœ professorem, in-8°, Colônia, 1683.
Na segunda dissertação sobre os séculos XI e XII de sua História eclesiástica, o P. Noël Alexandre tratara De dissidio quod Gregorium VII pontificem maximum cum Henrico IV imperatore commisit. O art. 9, em particular, dessa dissertação era inspirado por todas as ideias galicanas. Intitulava-se Gregorius VII romanorum primus ponli- regum : exauctorandorum ficum sibi tribuit potestatem, contra Patrum doctrinam, imo contra verbum Dei. É contra esse escrito do P. Alexandre que Francisco de Enghien se levantou num livro intitulado Auctoritas : Sedis apostolicœ in reges, sive auctoritas Sedis apostolicae pro Gregorio VII papa vindicata, adversus F. Natalem Alexandrum, in-8°, Colônia, 1684. Noël Alexandre respondeu-lhe pela VI ª dissertação sobre os séculos XV-XVI de sua Hist. eccl. : Dissertatio apologetica F. Natalis Alexandri adversus libellum F. Francisci d'Enghien, dominicani, licentiati Lovaniensis. De auctoritate Sedis apostolicae in reges, 1686, p. 23-259.
Francisco de Enghien publicou também : Positio faciens satis insolitœ oppositioni contra constitutionem Sedis apostolicœ Unigenitus, in-8°, Gand, 1715. Echard, Scriptores ord. prœd., Paris, 1719-1721, t. n, p. 798; edit. Coulon, Paris, 1912, ad an. 1722; Hurter, Nomenclator, 3ª edit., Inspruck, 1910, t. iv, col. 1060, 722, 1181. R. Coulon.
Autor original: B. Heurtebize
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