FILLASTRE Guillaume, bispo de Verdun, de Toul e de Tournai. Certo número de historiadores, entre outros os autores do Gallia christiana, o dão como afilhado e sobrinho do cardeal de Saint-Marc. Nasceu como ele no Maine, e, desde a juventude, entrou na abadia de Saint-Pierre de Châlons-sur-Marne. Foi depois prior de Saumaise, e enfim abade de Saint-Thierry, na Champagne. Seus deveres de religioso não o impediram de seguir os cursos da universidade de Louvain, onde obteve o doutorado em janeiro de 1436. Entrou logo a serviço de Filipe o Bom, duque de Borgonha, que lhe fez obter uma prebenda sacerdotal em Cambrai. O poderoso duque enviou-o depois ao papa Eugênio IV, e depois ao concílio de Basileia. Fillastre foi elevado logo à dignidade de bispo de Verdun. Encontrou nessa diocese muitas dificuldades e trocou rapidamente seu bispado pelo de Toul, que não achou muito mais disposto à obediência. Tornou-se nessa época abade do rico mosteiro de Saint-Bertin, em Saint-Omer, que teve em comenda, não sem oposição por parte dos monges. Como o bispo de Tournai, Jean Chevrot, já não podia assistir às sessões do conselho de Filipe o Bom, esse príncipe encarregou em 1456 o bispo Fillastre de substituí-lo.
Em 1461, sucedeu a Jean Chevrot em sua sede episcopal. Tornou-se chanceler da ordem do Tosão de Ouro e assistiu, em 1462, ao décimo capítulo da ordem, realizado em Saint-Bertin. Seguiu o duque de Borgonha em sua viagem a Reims e a Paris, quando Luís XI subiu ao trono da França, depois foi a Roma, assim como Simon de Lalaing, para entender-se com o sumo pontífice a respeito da cruzada projetada. Foi lá que pronunciou em consistório público diante do papa Pio II um discurso que recentemente encontrou o doutor Sauerland (8 de outubro de 1463). Não teve êxito nesse projeto de expedição de além-mar, ao qual, aliás, o poderoso duque parecia dar cada vez menos importância. O prelado era não somente diplomata, mas também literato. É a ele que se deve o volume intitulado La Toison d'or, no qual, sob as virtudes de magnanimidade e de justiça, estão contidos os altos, virtuosos e magnânimos feitos tanto das cristianíssimas casas de França, Borgonha e de Flandres, quanto de outros reis e príncipes do Antigo e do Novo Testamento, in-4°, Paris, 1517; in-fol., Troyes, 1530. Escreveu ainda, dizem, uma Chronique de l'histoire de France e uma coletânea, permanecida manuscrita, de várias histórias que havia traduzido do latim.
Bibliothèque nationale, 7138. Fillastre, que era muito rico, deu provas patentes de seu gosto pelas artes, em Verdun, em Tournai e sobretudo na abadia de Saint-Bertin. Morreu em Gand, em 21 de agosto de 1473, e foi sepultado na igreja abacial de Saint-Bertin. A. Benoit, no Journal de la Société d'archéologie lorraine, 1872, t. xxi, p. 52; Brunet, Manuel du libraire, 1861, t. ii, p. 1258-1259; Calmet, Bibliothèque lorraine, Nancy, 1751, p. 367-368; L. Delisle, na Revue des Sociétés savantes, 1869, t. ix, p. 53-54, 153-157; Foppens, Bibliotheca belgica, 1739, t. i, p. 402; Graesse, Trésor des bibliothèques, 1861, t. ii, p. 580; La Croix du Maine et du Verdier, Bibliographie française, 1772-1773, t. i, p. 354; t. iv, p. 133-134; Lelong, Bibliothèque française, 1769, t. ii, p. 26965; t. iii, p. 36098, 40410; iv, 8; C. Oudin, Script. eccl., 1722, t. iii, p. 2574-2575; P. Paris, Les manuscrits français, 1836, t. i, p. 269-277; Pastor, Geschichte der Päpste, t. ii, p. 221; Souvenirs de la Flandre wallonne, 1880, t. xx, p. 65; A. Wauters, na Biographie nationale belge, 1883, t. vii, p. 61-70; Sauerland, Rede des burgundischen gesandten und Bischofs von Tournai Wilhelm Fillastre in Sachen eines Kreuzzuges gegen die Türken, gehalten zu Rom am 8 okt. 1463 im offentlichen Konsistorium vor Papst Pius II, na Römische Quartalschrift, 1891, t. v, p. 352-363; segundo um manuscrito da biblioteca do seminário de Trèves, B. ii, n. 180-185; n. século, fol. Roussel, Histoire ecclésiastique et civile de Verdun, Paris, 1735, t. i, p. 385-394; Guillaume, Histoire du diocèse de Toul et de celui de Nancy, 1866, t. ii, p. 221-236; B. Martin, Histoire des diocèses de Toul, de Nancy et de Saint-Dié, Nancy, 1900, t. i, p. 408-417
Autor original: L. Salembier
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