FAREINISTAS, pequena seita jansenista, que se constituiu, no fim do século XVIII, em Fareins, burgo do atual departamento do Ain. Já se tratou deles a propósito de seus fundadores, os irmãos Bonjour, t. II, col. 1008-1009; mas há motivo para voltar ao assunto e precisar sua história, hoje melhor conhecida graças à publicação recente de documentos originais. Essa seita passou por três fases diferentes: 1° ligou-se aos jansenistas convulsionários; 2° aos jansenistas possibilistas; 3° é pouco conhecida em seu estado atual. — 1° Jansenistas convulsionários. 1. História. A seita foi fundada pelos dois irmãos Bonjour, nascidos em Pont-d'Ain e educados ambos no seminário Saint-Charles de Lyon, dirigido pelos Padres do Oratório. O mais velho, Claude, logo após sua ordenação sacerdotal, foi professor de teologia no seminário Saint-Charles durante quatro anos. Era doce, afável, dotado do dom da palavra, muito instruído. Foi em seguida cura de Saint-Just-les-Velay (Haute-Loire), depois, em 1775, de Fareins. Havia subscrito o Formulário e aderido à constituição Unigenitus. O caçula François, logo ao sair do seminário, foi requisitado pelo bispo jansenista de Alais, o Sr. de Beauteville, e trabalhou, sob sua direção, na reforma da diocese.
Tendo o prelado morrido em 1776, o cabido de Alais mandou Bonjour de volta à sua diocese: ele se reuniu a seu irmão em Fareins e tornou-se seu vigário. Seus mestres, os oratorianos de Lyon, estavam imbuídos das doutrinas jansenistas. Ver C. Latreille, L'Église de Lyon, Lyon, 1911, p. 1-28. Por volta de 1782, o P. Dubouchet do Oratório de Lyon fez os Bonjour lerem os relatos de duas célebres convulsionárias da época, as irmãs Brigitte e Angélique. Essa leitura ligou os dois irmãos à Obra das convulsões. Ver t. III, col. 1757-1762. O vigário entregou-se na paróquia às práticas da Obra e começou por milagres, pretensamente operados pela intercessão do diácono Paris (janeiro e julho de 1783). Uma cópia do relato de três milagres, ocorridos em Fareins, encontra-se no manuscrito francês 66 da biblioteca do Instituto Católico de Paris, t. V. O cura informou o arcebispo de Lyon da primeira dessas curas, e o arcebispo respondeu que se fizesse uma investigação exata, acrescentando que, após seu retorno a Lyon, faria o que fosse conveniente. O cura, que havia assinado o Formulário e aceitado a bula Unigenitus, ficou de tal modo impressionado com essa maravilha que reconheceu sua indignidade e resolveu cessar todas as funções eclesiásticas e fazer, por toda a vida, penitência de sua falta.
Enviou sua demissão ao arcebispo, que não a aceitou. Numa segunda carta, ofereceu-se para resignar sua cura a seu irmão, que nada havia assinado. O arcebispo de Lyon mandou chamar o cura a Paris e não consentiu em seus projetos. Para obedecer à vontade divina, o cura resignou sua cura a seu irmão, e o Sr. de Montazet mostrou-se desde então mal disposto para com ele, por causa de seu apego à obra das convulsões. Claude Bonjour seguia nisso os incentivos da irmã Angélique. Em 22 de outubro de 1783, deixou Paris e voltou a Fareins, bem decidido a só se ocupar do catecismo e da escola. Ibid. O novo cura estabeleceu em sua paróquia as práticas jansenistas: a oração em comum, a celebração do domingo, o jejum rigoroso, a leitura dos ofícios divinos, da Sagrada Escritura em francês, bem como a dos moralistas de Port-Royal. Lia do púlpito os «anúncios» convulsionários e pregava a vinda do profeta Elias e a espera da conversão dos judeus e do reino milenar de Jesus Cristo sobre a terra. Estabeleceu, enfim, as práticas do socorrismo. Ver t. III, col. 1760. Mulheres e moças eram profetisas ou possuídas pelo diabo. Tinham convulsões e o cura mesmo lhes dava os socorros.
Mencionemos apenas os dois fatos mais extraordinários: em 7 de setembro de 1787, Marguerite Bernard teve os pés perfurados, e, em 12 de outubro seguinte, Étiennette Thomasson foi crucificada. Esses milagres são narrados na Vie de Paris, 1788, p. 5-8. Nesse mesmo ano, Marguerite Bernard tinha visto em visão o profeta Elias. Ms. francês 66 do Instituto Católico, t. IV. O vigário-geral de Lyon, Jolyclerc, veio investigar esses fatos, e o arcebispo de Montazet obteve do rei, em 13 de janeiro de 1788, duas cartas régias de prisão, das quais uma relegava Claude Bonjour a Pont-d'Ain, sua vila natal, e a outra encerrava François no convento dos cordeliers de Tanlay. Esta última foi executada em 21 de janeiro seguinte. O vigário Farlay sustentou publicamente do púlpito, no dia seguinte, a causa de seu cura. O arcebispo tirou-lhe os poderes de pregar e de confessar em toda a diocese, e nomeou um novo cura e um novo vigário. François não reconheceu sua jurisdição e lhes tirou aquela que o arcebispo lhes havia dado. Os habitantes de Fareins, ganhos para o jansenismo convulsionário, fizeram oposição aos novos padres da paróquia. Espalhavam-se entre os fiéis os livros favoráveis ao socorrismo.
A luta estendeu-se para fora de Fareins e prosseguiu por libelos contraditórios. Desfours de Genetière publicou La lettre d'un curé du diocèse de Lyon sur l'enlèvement de M. Bonjour. O vigário-geral Jolyclerc opôs sua Lettre à Bonjour ainsi qu'à leurs apologistes et aux auteurs des lettres et écrits publiés pour leur défense. Por outro lado, Le mystère d'iniquité dévoilé censurava aos Bonjour a doutrina abominável dos augustinistas. Ver t. III, col. 1759. O P. Crespe, dominicano, publicou suas Notions sur l'œuvre des convulsions et des secours, surtout par rapport à ce qu'elle est dans nos provinces du Lyonnais, Forez, Mâconnais, etc. Desfours de Genetière fez uma Protestation contre les calomnies de l'auteur du Mystère dévoilé, e replicou em seguida, p. 61-142, ao P. Crespe. O Sr. Jolyclerc deu um Supplément à sa lettre para servir de resposta à Protestation. Entretanto, sobre a denúncia do novo cura de Fareins, uma ação criminal foi movida no tribunal de Trévoux contra François Bonjour e seus partidários. François escrevia, em 24 de abril de 1788, as maravilhas que operava em Lyon um de seus «instrumentos» e as que se passavam em sua própria família.
Sua carta está copiada no manuscrito francês 57 da biblioteca do Instituto Católico de Paris, t. VI, p. 150-158. Evadiu-se de Tanlay em 17 de março de 1788 e refugiou-se em Paris. Ali foi encontrado por sua criada, Benoite Monnier, e por Marguerite Bernard. Ele a fez sofrer penitências horríveis. Ver a Relation du terrible et prodigieux pèlerinage de la Sœur Marguerite Bernard, à Port-Royal des Champs, le vendredi 19 décembre 1788, no manuscrito 57 da biblioteca do Institut catholique de Paris, t. VI, p. 175-192. Ali se fala de uma criança que Deus lhe havia dado e a quem ela dizia de vez em quando: « Ah, como me custas caro! » Marguerite morreu em Paris durante o inverno de 1789. François voltou a Fareins no mês de setembro seguinte e tentou reentrar na posse de sua paróquia. Cinquenta e sete notáveis da paróquia pediram seu afastamento. Foi decretada prisão de corpo contra ele; ele só foi capturado em 13 de junho de 1790. O processo movido contra ele pelo tribunal de Trévoux foi anulado, por vícios de forma, em Lyon, em 24 de fevereiro de 1791. Retomado novamente, ele resultou, em 10 de setembro de 1791, num julgamento definitivo, que devolveu a liberdade a Claude Bonjour.
François foi libertado em 19 de novembro seguinte. Ele reapareceu em Fareins em 2 de dezembro. Dois dias depois, prestou o juramento de fidelidade à Constituição Civil do Clero; mas, no dia seguinte, 6 de dezembro, deixou subitamente Fareins e partiu para Paris com duas mulheres. A primeira fase do fareinismo estava concluída — e a segunda já começada. 2. Doutrina. Em sua Déclaration, os cinquenta e sete notáveis de Fareins em 1789 reduzem a doutrina dos irmãos Bonjour às seguintes máximas principais: Um fatalismo absurdo substituído a uma providência sábia e esclarecida. O fim da religião católica, apostólica e romana, que deve ser substituída por uma religião melhor, claramente estabelecida pelos milagres que se realizam todos os dias. Uma segunda vinda de Jesus Cristo, que deve vir acompanhado da seita do senhor Bonjour ao paraíso terrestre, onde deve reinar mil anos. A impecabilidade dos que chegaram a certo grau de perfeição, o que não é absolutamente difícil, dado o número dos que pretendem tê-lo alcançado. A lei fundamental de toda sociedade, o direito de propriedade atacado: Adão não fez testamento algum. A insubordinação de todos os ministros da religião e sobretudo dos párocos, que não têm ordens a receber de seus bispos e que podem ensinar a doutrina que lhes apraz.
A insubordinação das mulheres a seus maridos, dos filhos a seus pais, a falta de respeito e o roubo autorizado, quando se tratava das ordens do senhor Bonjour. » Os depoimentos das testemunhas no processo e algumas confissões de François Bonjour confirmam parte dessas máximas, e o cântico Alléluia resume: obedecer às ordens de Deus, mesmo que fosse a de matar, quer essas ordens fossem recebidas diretamente em visão, quer por intermédio do pároco. A seita formaria a verdadeira Igreja, que seria substituída à antiga, por ocasião da vinda de Elias e do reinado milenar de Jesus Cristo na terra. Os eleitos e os perfeitos podem permitir-se todas as coisas, visto que são incapazes de pecar. Não há prova direta do erro sobre a propriedade. Os párocos são independentes de seus bispos; o arcebispo de Lyon não é senão o primeiro dos párocos da diocese, não pode dar jurisdição ao substituto de François Bonjour que a tira deste último, porque só ele pode delegar seus poderes espirituais. A autoridade dos maridos sobre suas mulheres e dos pais sobre seus filhos só é negada quando se exerce contra a vontade do pároco nas coisas religiosas, e a falta de respeito e o roubo só são autorizados no interesse do novo culto; era preciso, afinal, encher a bolsa da seita, ou das « freirinhas ». — 2º Jansenistas possibilistas.
François Bonjour, refugiado em Paris em 1788 e em 1789, uniu-se mais estreitamente aos discípulos do irmão Augustin, que se fazia passar pelo Espírito Santo e que ensinava que tudo era possível (daí o nome de possibilistas) e permitido a seus adeptos, mesmo a desobediência aos mandamentos de Deus. De volta a Fareins, ele pregou a nova doutrina, que seus partidários aceitaram. Mudaram tanto de conduta que nem sequer faziam mais batizar seus filhos, e que, durante a Revolução, abandonaram o culto e demoliram sua igreja. Claude Bonjour a princípio deplorou a nova doutrina de seu irmão; mas logo seduzido, imaginou que o reinado de Jesus Cristo na terra havia começado por François. Este, no dia seguinte àquele em que prestara o juramento constitucional, fugira para Paris com duas mulheres que estavam grávidas; justificava sua conduta e seus mais vergonhosos desvios pelo exemplo de Abraão, que tinha duas mulheres, e enganava muita gente em Fareins. Sua criada devia dar à luz o profeta Elias; mas ela deu à luz, em 25 de janeiro de 1792, uma criança natimorta do sexo feminino. No dia 18 de agosto seguinte, a viúva Larèche deu à luz a criança divina, que a princípio foi apenas o profeta Elias, à espera de que, aos quatorze anos, se tornasse o Paráclito e o Espírito Santo.
Já na quinta-feira santa de 1791, François prometera a essa esposa de Jesus Cristo que ela teria um fruto, que seria o Espírito Santo. Cânticos e hinos celebram esse glorioso nascimento. Cantavam-nos em Fareins, onde a maioria da população era bonjourista e onde se acreditava em todos os novos anúncios de Paris enviados pelo antigo pároco. Durante toda a época revolucionária, a municipalidade esteve dominada pela seita. Em 13 de pradial do ano III (1º de junho de 1795), François escreveu a seus paroquianos que era preciso continuar a obra de Deus e proibiu-lhes de recomeçar o culto público com um padre não juramentado. As reuniões particulares continuaram e nelas se cantavam os cânticos da seita. Ver o Livre des cantiques, reeditado em 1797. Surgiram então em Fareins algumas profetisas, que vieram a Paris fazer reconhecer suas visões ou suas revelações. Muitos se estabeleciam ali, e a colônia fareinista era numerosa em torno de François Bonjour, que era chefe de oficina numa tipografia. Sob o Consulado, os poderes públicos ocuparam-se da seita.
Em 24 de messidor do ano XI (13 de julho de 1803), o subprefeito de Trévoux dirigiu um relatório ao prefeito do Ain, que enviou uma denúncia ao ministro da Justiça, em 7 de frutidor seguinte (8 de agosto de 1803). Entre os princípios do bonjourismo, o prefeito assinalava « a união com Deus pela perfeição », que ele julgava destruidora de toda moral. O perfeito é impecável e entrega-se sem vergonha e sem remorso a toda sorte de excessos. Foi em virtude desse princípio que algumas mulheres se haviam entregado a François Bonjour. Os habitantes de Fareins também detestavam a religião católica e eram anticoncordatários. Claude Bonjour era então sapateiro em Corbeil. Mais de um terço da população de Fareins pertencia à seita; eram sobretudo diaristas e operários. As reuniões realizavam-se principalmente no lugarejo do Peyra. Os Bonjour vinham por sua vez, secretamente, a Fareins, onde tinham correspondentes zelosos. Um mensageiro levava dinheiro a Paris e de lá trazia cartas, cânticos e relíquias do jovem profeta Elias. Entretanto, o crédito dos Bonjour diminuía em Fareins. O ministro respondeu, em 23 de frutidor (10 de setembro), que o prefeito devia zelar pela ordem pública.
Em 1805, um adepto, chamado Souchon, que se tornara banqueiro, faliu e denunciou os irmãos Bonjour. Em 5 de pluvioso do ano XIII (25 de janeiro de 1805), François foi preso com quinze de seus associados no faubourg Saint-Marceau; os homens foram encerrados na Force, as mulheres em Saint-Lazare, e a criança divina foi posta num hospício. Oito prisioneiros foram logo postos em liberdade. Uma soma de aproximadamente 100.000 francos, que se havia encontrado em sua posse, foi apreendida. Os Bonjour também saíram da prisão, em 2 de pradial (22 de maio); refugiaram-se em Ouchy, perto de Lausanne, onde mantiveram o culto da criança divina. Nada de novo tendo ocorrido, quando ela atingiu os quatorze anos, como se esperava, sua manifestação foi adiada para sua maioridade. Aproximando-se esta, seu pai resolveu enviá-la a Paris (carta de 24 de janeiro de 1811). O futuro Paráclito casou-se em Paris em 1812, e nenhuma mudança ocorreu na ordem das coisas em sua maioridade. Essas cruéis decepções não diminuíam a confiança dos adeptos. Claude Bonjour morreu na Suíça; François voltou a Paris em 1818. Ali morreu em data desconhecida, deixando sete filhos além de Elias.
O Paráclito falho estabeleceu um comércio de lãs e em 1860 comprou a antiga abadia de Saint-Nicolas em Ribemont, perto de Saint-Quentin. Morreu, em 4 de setembro de 1866, pai de onze filhos, dos quais um se convertera — em 1854. 3º Estado atual. Uma parte da população de Fareins permaneceu obstinadamente fiel à doutrina de seus antigos párocos. Em 1831, ela contava a metade do burgo (1200 habitantes). Em 1850, os fareinistas ainda eram 500; sob o segundo império, diminuíram um pouco e não passaram de 400. Em 1864, o pároco católico, o abade Dubouis, escreveu um folheto À nos frères séparés, pelo qual se propunha: 1º esclarecer os sectários de sua paróquia e desenganá-los. Responderam-lhe: Le grand Élie divin qui doit rétablir toutes choses. Avis administratif, fatidique, adressé à ceux qui croient aux saintes Écritures, por Jean du Loir. Em 11 de fevereiro de 1869, um terceiro publicou uma refutação dessa elucubração. As missões, pregadas em Fareins, trouxeram de volta alguns desgarrados. Os casamentos mistos diminuíam progressivamente seu número. Hoje, os fareinistas são, em Fareins, cerca de 200; os habitantes de três lugarejos são todos jansenistas; são irredutíveis.
Ainda há um pequeno número em Paris, cinco ou seis em Ribemont (Oise) e alguns em Nantes, onde o abade Fialin, antigo pároco de Marcilly-le-Châtel e amigo do vigário Farlay, se havia retirado sob o primeiro império. É difícil conhecer as crenças e os costumes dos fareinistas atuais, tanto guardam a esse respeito um profundo silêncio. Recitam as mesmas orações que os católicos; mas rejeitam a hierarquia concordatária, a imaculada conceição e a infalibilidade pontifícia. Não têm sacramentos, exceto o batismo. Vivem retirados do mundo e entregam-se à meditação da Escritura. Não têm mais nenhum vínculo com o jansenismo, e a tentativa feita em 1865 pelos jansenistas da Holanda para reuni-los à Igreja de Utrecht não teve êxito. Ainda pronunciam os nomes de jansenismo e de Port-Royal, que para eles já não têm sentido algum. Só têm reuniões para os funerais, nas quais o sumo sacerdote lê as orações. Cada família tem seu sumo sacerdote, que lê e comenta a Escritura no domingo à tarde. Antigamente, havia ofícios em que se cantavam cânticos e se pregava. Já não há mais. Em resumo, os fareinistas atuais têm poucos dogmas e poucas práticas religiosas. A meditação substitui para eles a oração vocal.
São, no entanto, notáveis por seus costumes austeros e severos. As aberrações morais dos possibilistas desapareceram, e eles só conservaram o rigor de conduta dos jansenistas. Além das peças inéditas e impressas, indicadas no decorrer do artigo, ver H. Grégoire, Histoire des sectes religieuses, t. II, p. 168-175 (d'après un mémoire de Reboud, de Bourg); L. Sirand, Le crucifixionnement de Fareins, en Dombes, Bourg, 1862; Cl. Perroud, Quelques documents sur le fareinisme, dans les Annales de la Société d'émulation, agriculture, lettres et arts de l'Ain, 1873; Ph. Le Duc, Les fareinistes et le crucifixionnement d'un adepte, dans les Curiosités historiques de l'Ain, 1877, t. II, p. 674-716; Mea culpa, ibid., 1878, t. III, p. 467-495; L. Jarrin, Le fareinisme, dans les Annales de la Société d'émulation... de l'Ain, 1880; et à la suite de Bourg et Belley pendant la Révolution française, 1881; E. Quentin-Bauchart, Les fareinistes et leur livre, dans le Bulletin des bibliophiles, 1900; Revault d'Allonnes, Psychologie d'une religion (thèse), Paris, 1908, c. Le messianisme fareiniste; P. Dudon, Le fareinisme, dans le Bulletin de la Société Gorini, Bourg, 1908, t. V, p. 117-125, 316-333, 345-368; 1909, t. VI, p. 66-88; 1910, t. VII, p. 67-83; A. Dubreuil, Étude historique et critique sur les fareinistes ou farinistes, Lyon, 1908; C. Latreille, Les illuminés de Fareins, dans le Mercure de France, du 16 octobre 1909, p. 561-582.
Autor original: E. Mangenot
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