EYMERIC (NICOLAU)

EYMERIC (NICOLAU)

EYMERIC Nicolau, nascido em Girona, na Catalunha, por volta de 1320, tomou o hábito de são Domingos no convento de sua cidade natal, em 4 de agosto de 1334. No começo de 1357, sucedeu a seu confrade Nicolau Roselli, elevado ao cardinalato, no cargo de inquisidor geral do reino de Aragão. Perseguiu logo um calabrês fanático, chamado Nicolau, que entregou ao braço secular, em 30 de maio desse ano. O zelo que pôs no exercício de suas funções suscitou-lhe muitos inimigos. Por isso o capítulo de sua ordem, realizado em Perpignan em 1360, mudou-o de residência para fazer cessar a hostilidade contra ele. Em 1362, foi nomeado, no capítulo de Ferrara, vigário geral da província de Aragão. Tendo essa província sido dividida em duas, Eymeric havia sido nomeado provincial; mas Urbano V não autorizou a divisão e afastou os dois provinciais nomeados. Entretanto, Eymeric se dedicava à pregação e compunha numerosos escritos. Em 1366, foi restabelecido no ofício de inquisidor, e perseguiu os discípulos de Raimundo Lúlio. Dez anos mais tarde, o rei de Aragão, Pedro IV, que favorecia os lulistas, exilou-o de seu reino.

Eymeric dirigiu-se a Avignon, onde foi bem recebido por Gregório XI; em 1371, preveniu esse pontífice de que certos religiosos aragoneses pregavam as três proposições seguintes: 1° que o corpo de Jesus Cristo deixa de estar presente na hóstia assim que ela cai na lama ou em lugar sujo, e que a substância do pão ali retorna; 2° do mesmo modo, se a hóstia é roída ou comida por um animal; 3° também, no momento em que a hóstia está na boca do comungante, Jesus Cristo sobe de novo ao céu e não desce ao estômago. Essa pregação era de natureza a produzir escândalo. Gregório XI ordenou aos cardeais Pierre Flandrin e Guillaume Noellet que escrevessem em seu nome aos arcebispos de Tarragona e de Saragoça, a seus sufragâneos e aos inquisidores, para que proibissem a pregação dessas proposições. A carta deles é datada de Villeneuve d'Avignon, de 8 de agosto. Fleury, Histoire ecclésiastique, XCVII, n. 21, Paris, 1720, t. XX, p. 259-261. Esse papa levou Eymeric consigo a Roma em 1377. Depois da eleição de Urbano VI e da fuga dos cardeais franceses, Eymeric escreveu aos cardeais reunidos em Anagni para provar a invalidade da eleição de Urbano VI e aderiu a Clemente VII; foi retido por eles.

Voltou a Aragão em 1378. Aumentando a animosidade dos lulistas contra ele, o rei João, filho de Pedro IV, exilou-o de novo. Voltou então a Avignon em 1393, junto a Clemente VII. Apoiou também Bento XIII, que defendeu contra os teólogos de Paris, em 1395. No fim de 1397, voltou a seu convento de Girona, onde morreu em 4 de janeiro de 1399. Havia conservado, mesmo durante seu exílio, o título de inquisidor geral do reino de Aragão. Seus numerosos escritos, quase todos inéditos, compreendem onze grossos volumes. Neles se notam um tratado de lógica, sermões, postilas ou comentários sobre os quatro Evangelhos e sobre as Epístolas aos Hebreus, aos Gálatas e aos Romanos, um tratado contra os que invocam os demônios, obras sobre a jurisdição da Igreja e a dos inquisidores, tratados sobre o poder do papa, o pecado original e a conceição da santa Virgem, sobre a dupla natureza de Cristo e sobre a trindade das pessoas, sobre como o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão na eucaristia, diversos escritos contra os discípulos de Lúlio, contra os que fixam a data do fim do mundo, um Elucidarium elucidarii, uma Confessio fidei christianæ, um tratado da santificação da santa Virgem, uma obra sobre 22 artigos do Mestre das Sentenças que já não se ensinavam comumente em seu tempo.

Seu Directorium inquisitorum, escrito em Avignon em 1376, foi impresso em Barcelona em 1503, mas a edição é ruim. O Fr. Pena o reeditou com notas e comentários, Rome, 1578, 1587, 1597; Venise 1591, 1607. O P. Denifle elaborou a lista dos manuscritos dessa obra. Archiv für Literatur- und Kirchengeschichte, Fribourg-en-Brisgau, 1894, t. I, p. 143-145. A vida de Dalmace Moner, mestre dos noviços de Eymeric († 1341), composta por ele, foi editada por Diago, Historia provinciæ Arago-niæ, Barcelone, 1599, t. I, p. 259-265. Vida por Pena na edição do Directorium, Rome, 1578; Echard, Scriptores ordinis prædicatorum, Paris, 1719, t. I, p. 709-717; Grube, no Kirchenlexikon, 1886, t. IV, col. 1155-1156; Hurler, Nomenclator, 3ª ed., 1906, t. II, col. 710-712

Autor original: E. Mangenot

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