EUTÍQUIO (SA'ID IBN BATRIQ)

EUTÍQUIO (SA'ID IBN BATRIQ)

EUTÍQUIO (Sa'id ibn Batriq), patriarca melquita de Alexandria, nascido no Cairo em 8 de setembro de 877, patriarca de 7 de fevereiro de 933 a maio de 940. Filho de Batriq, cujo nome Eutíquio ou Eutiques (εὐτυχής, feliz) foi traduzido em árabe por Sa'id, dedicou-se primeiramente à medicina. Compôs uma obra de medicina e outra de controvérsia entre um herege e um cristão, mas são suas Anais, intituladas por ele: « A fileira de pérolas que asseguraram a celebridade a seu nome. » Foram utilizadas primeiramente por Selden, que citou e traduziu um trecho, Londres, 1642, para provar que não havia inicialmente diferença, em Alexandria, entre os bispos e os sacerdotes. Abraham Ecchellensis fez uma nova tradução dessa passagem e refutou Selden em 1661. Nessa mesma obra, Abraham refuta Hottinger, que atribuía aos muçulmanos pensamentos e máximas cristãs encontradas por ele em alguns escritos árabes; Abraham lhe mostrou que esses pensamentos não eram senão traduções árabes, feitas a partir do siríaco, de santo Efrém e do patriarca Teodósio. Encontrou de igual modo certo número de textos que opôs a Selden para comentar Eutíquio e mostrar que a Igreja de Alexandria, desde suas origens, distinguiu os sacerdotes dos bispos.

Enfim, E. Pococke editou o texto inteiro das Anais, que vai de Adão até o ano 938, e o acompanhou de uma tradução latina impressa em frente, na página da direita. A obra não tem nenhuma divisão até a época dos árabes, mas uma tábua de nomes próprios facilita um pouco as pesquisas. Migne reimprimiu o prefácio posto por Selden à frente da edição de Pococke, o prefácio de Abraham Ecchellensis e a tradução latina com as tábuas de Pococke, P. G., t. CXI, col. 889 sq. O P. Cheikho reeditou, sem tradução, o texto árabe de Pococke, Paris, 1906 e 1909. O valor da obra é desigual, o autor recorreu às vezes a fontes suspeitas, sejam maus cronógrafos bizantinos ou lendas populares, mas esse próprio defeito nos vale encontrar em Eutíquio numerosos traços sobre a história eclesiástica e profana que se buscariam em vão nos historiadores anteriores; a data em que viveu faz dele também, com Agápio (Mahboub), bispo de Mabug, o mais antigo dos escritores árabes cristãos, e numerosos escritores posteriores o utilizaram, por exemplo, Guilherme de Tiro no século XII, al-Makin no XIII e o muçulmano al-Maqrizi, no XIV. Um dos biógrafos de Eutíquio, Ebn Abi Osaiba, em sua história dos médicos, nos informa que, durante seus oito anos de patriarcado, « houve contínua discórdia entre ele e seu rebanho »; esse defeito de caráter deve ter influído na tonalidade dada por ele a suas Anais, pois elas suscitaram também « contínuas discórdias contra ele », da parte dos maronitas e dos jacobitas, para não mencionar Selden e Ecchellensis.

Depois de Nestório, P. G., t. CXI, col. 1031-1052, os jacobitas, sobretudo, são atacados, 1052-1055, 1063 sq.; por isso, já no fim do século X, Severo ibn al-Moqaffa', bispo jacobita de Achmunaim, no Egito, tomava a pena para refutá-lo. Cf. Patrologia orientalis, t. III, p. 125-242. Severo limitou-se, em suma, a esboçar, do ponto de vista jacobita, a economia da encarnação predita desde a origem do mundo e a história dos primeiros concílios. O ponto de vista de Eutíquio nem por isso deixa de ser interessante de conhecer e estudar. O sucesso das Anais pode ser medido pelo número de manuscritos que nos restam; só Paris possui nove, dos quais apenas dois foram parcialmente utilizados. Pococke deu sua edição segundo dois manuscritos de Oxford copiados, no século XVII, pelo mesmo escriba, Michaël Thalgius, de Alepo, « mais notável pela caligrafia do que pela erudição », a partir de um manuscrito oriental. O P. Cheikho reeditou Pococke, sem tradução, utilizando um manuscrito de Beirute da segunda metade do século XVII, que tem chance de provir igualmente da mesma fonte.

Há, contudo, dois manuscritos do século XIII, um em Londres e outro em Cambridge, dos quais parecem se aproximar os dois manuscritos carchunis árabes (árabe escrito em caracteres siríacos) de Paris, syr. 230 e 232, que estão inteiramente indicados para servir de base a uma nova edição. Restaria ainda classificar os manuscritos árabes de Paris, 288-293 e 304. Enquanto isso, deve-se ainda utilizar a tradução de Pococke, reeditada por Migne. J. Selden, Eutychii, Aegyptii patriarchae orthodoxorum alexandrini..., Ecclesiae suae origines, in-4°. Londres, 1642; Abraham Ecchellensis, Eutychius patriarcha alexandrinus vindicatus, et suis restitutus orientalibus sive responsio ad Joannis Seldeni origines in duas tributa partes quarum prima est de alexandrinae Ecclesiae originibus, altera de origine nominis papae, quibus accedit censura in historiam orientalem Johannis Henrici Hottingeri, in-4°, Roma, 1661; E. Pococke, Contextio gemmarum sive Eutychii Alexandrini annales, 2 in-4°, Oxford, 1654, t. I; 1658, t. II; L. Cheikho, Eutychii, patriarchae alexandrini annales, in-8°. Paris, 1906, 1909; R. Chebli, Sévère ibn al-Moqaffa', Réfutation de Sa'id ibn Batriq (Eutychius), texte arabe, avec trad. franç., em Patrologia orientalis, grand in-8°, Paris, 1905, t. III; C. Brockelmann, Die syrische und die christlich-arabische Litteratur, 2ª edição, Leipzig, 1909, p. 71

Autor original: F. Nau

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