EUSTATIANOS DE ANTIOQUIA, partidários de santo Eustácio de Antioquia que, após a deposição deste (330), permaneceram fiéis à sua memória e recusaram-se a aderir aos bispos eusebianos e arianos primeiro, e depois mesmo a são Melécio (360) e aos bispos melecianos. Sua persistência ocasionou um cisma que cessou em parte sob o episcopado de Alexandre em 417, mas só desapareceu completamente no fim do século V, quando as relíquias de santo Eustácio foram trazidas a Antioquia no tempo do bispo Calêndion. Ver Eustácio de Antioquia. Devemos acrescentar aqui, com dom Leclercq, Histoire des conciles, Paris, 1907, t. I, p. 646, n. 2, que essas divisões e esses conflitos de Antioquia tinham uma causa mais profunda do que as questões puramente pessoais relativas a Eustácio ou Melécio. « Por trás das questões de pessoas, sabia-se que a verdadeira questão em jogo era a da unidade numérica da substância divina e do ὁμοούσιος niceno, pois sempre e apesar de tudo se voltava a isso. É que o ὁμοούσιος niceno acarretava diretamente a consubstancialidade do Pai e do Filho, consubstancialidade inseparável da unidade de Deus.
Eustatianos e eusebianos recomeçavam o conflito abafado em 325, quando os Padres do concílio, em suas respostas a Eusébio de Cesareia, tinham afastado da geração como da substância divina a ideia de divisão, de separação, de composição em qualquer grau. Eusébio recebera o golpe e ocultara seu descontentamento, porque a hora teria sido mal escolhida para manifestá-lo; mas, encurralado como estava a reconhecer que a geração do Filho não se faz nem por produção nem por multiplicação de substância, mas por comunicação ou copossessão de uma só e mesma substância, via-se reduzido a confessar a unidade numérica. Fê-lo com a boca pequena e com interpretações, subentendidos que eram restrições, reservando-se para voltar ao seu sistema quando o momento fosse mais favorável. Julgava-o assim por volta de 330-331; mas, desmascarado havia muito tempo por Eustácio, via-se agora obrigado a manobrar e a usar de subterfúgios com o partido inteiro e irreconciliável dos eustatianos. Era um ponto no qual estes quase todos concordavam. » Leclercq, op. cit., p. 646, n. 2. Um crítico recente, F. Cavallera, propôs ver no conflito criado pelo cisma de Antioquia apenas um conflito puramente disciplinar.
Le schisme d'Antioche (IVe siècle), Paris, 1905, p. 323. Eis como ele conclui a obra que consagrou ao estudo desse caso: « Viu-se quais preconceitos, quais circunstâncias infelizes e imprevistas, quais influências de pessoas criaram, e depois alimentaram o conflito, mantendo uma maneira diferente de compreender a disciplina eclesiástica. Ocidentais e orientais não puderam entender-se sobre ordenações episcopais feitas em violação das leis canônicas, nem sobre as concessões a fazer às necessidades de uma situação inextricável. O fundo do debate está todo aí; as demais considerações devem ser tidas como acessórias. » Ibid., p. 299. Assim, portanto, as questões teológicas teriam apenas um papel acessório na origem e na persistência do cisma antioqueno, na oposição entre os dois partidos eustatiano e meleciano. Não é essa a opinião do conjunto dos críticos e dos historiadores do dogma. A maioria, ao contrário, coloca em primeiro lugar os mal-entendidos dogmáticos, e somente em segundo plano as questões disciplinares e as influências pessoais. É somente na exposição desses mal-entendidos dogmáticos que geralmente se manifestam os matizes de opinião.
Os protestantes da Alemanha põem em destaque a oposição de duas teologias, e consideram a teologia do partido meleciano como uma deformação da doutrina de Niceia. A ouvi-los, seria mesmo essa deformação que, adotada pelos doutores capadócios, teria depois se tornado a ortodoxia grega. Essa tese certamente não é a verdade. O conjunto dos autores católicos reconhece a ortodoxia de Melécio a partir do ano 363 ou dos anos seguintes. Mas afirmam, além disso, que sua teologia nem sempre foi imutável. « Este bispo, que suas desventuras tornaram em seguida muito respeitável, vinha de um pouco longe. Teve para com as pessoas e as doutrinas do arianismo uma indulgência inquietante. Melécio estava entre os bispos orientais que um movimento gradual reuniu à ortodoxia. Os eustatianos de Antioquia, conhecendo melhor do que ninguém esse estado de coisas, foram fortalecidos nisso em sua oposição a Melécio. » L. Saltet, Le schisme d'Antioche au IVe siècle, dans Bulletin de littérature ecclésiastique, 1906, t. VIII, p. 123. Um escritor católico contemporâneo, o P. E. Bouvy, propunha há pouco, como explicação do cisma antioqueno, uma dualidade de tradição teológica compreendida de maneira diferente da que expõem os protestantes da Alemanha. « Na escola de Antioquia, assinala-se uma tradição que tem por ponto de partida a doutrina de Paulo de Samósata, que se emenda e se reconcilia com a ortodoxia na pessoa de são Luciano mártir, que conserva afinidades suspeitas com os arianos ou semi-arianos, e que enfim desemboca numa heresia nova com Teodoro de Mopsuéstia e Nestório.
Tudo isso é verdade, sem dúvida, mas, ao lado dessa tradição lucianista, não haverá uma outra que concorda com a primeira em vários pontos, mas não em todos, que é, como a primeira, hostil a Orígenes, mas que se mostra muito mais intransigente na luta contra o arianismo; que aliás não é originária de Antioquia, mas que veio da Ásia Menor, mais exatamente da Panfília, com santo Eustácio de Side, e que, com toda probabilidade, se liga diretamente a são Metódio de Olimpo e talvez ao apologista Atenágoras?
Não será essa dualidade de tradição em Antioquia a única explicação plausível do longo cisma que desolou a Igreja da Síria? » E. Bouvy, La méthode historique et les Pères de l'Église, dans La Revue augustinienne, 1905, t. VI, p. 171. Como se vê, são muito divergentes as teorias sobre os motivos dogmáticos do cisma antioqueno. Mas, qualquer que seja o matiz de opinião que se adote, parece bem certo que as divisões doutrinais explicam melhor do que qualquer outra razão a obstinação dos eustatianos. É preciso levar isso em conta para compreender que tenha havido em Antioquia, de 330 a 398, dois partidos eclesiásticos, cada um dos quais se pretendia católico e reivindicava a posse legítima da sé episcopal. Os eustatianos, chamados também paulinianos do nome do sucessor de Eustácio por eles reconhecido, queriam permanecer fiéis à doutrina de santo Eustácio, exilado pelos arianos em 330. Esse partido foi o único reconhecido pelos patriarcas de Alexandria e também, em definitivo, por Roma. O partido meleciano teve por chefe esse Melécio, cuja ortodoxia fora por algum tempo suspeita e podia, por isso mesmo, continuar assim aos olhos dos adversários.
Fora aliás nomeado, em 360, pelos homeus sucessores dos bispos arianos que haviam ocupado a sé de Antioquia depois de Eustácio. Teodoreto nos deixou o relato da primeira reconciliação dos eustatianos com o resto da Igreja antioquena sob o episcopado de Alexandre. As exortações persuasivas desse bispo, diz o historiador, « reuniram os eustatianos ao resto do corpo da Igreja, e improvisou-se uma festa tal que jamais ninguém tinha visto igual. À frente de todos os seus fiéis, clero e povo, Alexandre dirigiu-se ao local de reunião dos eustatianos. Tomou-os em seu cortejo, cantaram-se hinos, desenrolaram-se os cânticos ao uníssono, desde a porta ocidental até a grande igreja; a praça pública estava repleta de homens, e apareceu uma corrente humana serpenteando ao longo de todo o Orontes. Os judeus, os arianos e os poucos pagãos que restavam em Antioquia, vendo esse espetáculo, gemiam e se lamentavam: assim todos os outros rios vinham lançar-se no oceano da Igreja » Teodoreto, H. E., l. V, xxxv; cf. l. III, c. II, P. G., t. LXXXII, col. 1265 sq., 1088 sq. Era por volta de 414 ou 417. Acrescentemos que o papa santo Inocêncio I teve parte importante nessa reconciliação, que coincide com a dos joanitas ou partidários de são João Crisóstomo, e que o papa exigira como condição do reconhecimento de Alexandre. Cf. Cavallera, op. cit., p. 293. Nem tudo estava terminado, contudo. Um grupo de eustatianos permaneceu irredutível. A lembrança de Eustácio sugeriu a um bispo, que passou apenas três anos em Antioquia e morreu também exilado, o meio de trazer de volta os últimos dissidentes. » Cavallera, ibid.
Por volta de 482, o bispo Calêndion obteve do imperador Zenão a autorização para fazer trazer, de Trajanópolis da Trácia ou de Filipos da Macedônia, as relíquias de santo Eustácio. Fez-se a esses restos venerados um acolhimento triunfal. Toda a cidade foi ao seu encontro a uma certa distância de Antioquia. E por ocasião desse retorno de seu chefe entre eles, os poucos eustatianos, até então refratários, reuniram-se definitivamente ao corpo da Igreja. Teodoro o Lector, H. E., l. II, c. 1, P. G., t. LXXXVI, col. 183; Teófanes, Chronographia, a. m. 5981 (a. C. 481), P. G., t. CVIII, col. 324; Victor de Tunnuna, Chronica, dans Mommsen, Chronica minora, Berlin, 1894, t. II, p. 191; cf. Boschius, Tractatus historico-chronologicus de patriarchis Antiochenis, dans Acta sanctorum, julii t. IV, § 49, n. 408. Sem ver necessariamente no cisma eustatiano de Antioquia o prelúdio do cisma fócio, consideração contra a qual protesta com razão Cavallera, op. cit., p. 323, parece impossível desconhecer a importância teológica desse longo conflito. Cavallera, Le schisme d'Antioche (IVe siècle), Paris, 1905, spécialement, p. 267-323; Saltet, Le schisme d'Antioche au IVe siècle, dans le Bulletin de littérature ecclésiastique, 1906, t. VIII, p. 123 sq.; Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, Paris, 1907, t. I, p. 645-646
Autor original: S. Salaville
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