ETICOPROSCOPTAS

ETICOPROSCOPTAS

ETICOPROSCOPTAS. É o nome dado por são João Damasceno a sectários que censuravam o que é digno de louvor, louvavam e praticavam o que é digno de censura. Habitualmente, mesmo entre batizados, a perversão do senso moral e o desconhecimento da moral tradicional procuram se justificar por algum erro de doutrina. E foi porque erravam do ponto de vista doutrinal que são João Damasceno os inscreveu no número dos hereges, mas ele se esqueceu de nos dizer em que consistia o seu erro, sem dúvida porque o próprio termo que emprega para designá-los o deixa transparecer. Ἠθικοπροσκόπται se compõe, com efeito, de ἠθικός, ético, moral, e de προσκόπτω, verbo composto ele mesmo do prefixo πρός, que marca na composição um redobramento de energia na tendência da ação do verbo κόπτω, cortar, talhar, devastar, em direção ao alvo determinado pelo complemento direto, donde, προσκόπτω, chocar-se contra, chocar-se, ofender, ferir a própria moral em seus princípios, em seus fundamentos, como em suas regras práticas ou sua disciplina.

Não se pode tratar aqui simplesmente da má conduta de alguns cristãos depravados ou revoltados que ferem os bons costumes, pois deles se encontram em toda parte e sempre alguns, e nesse caso são João Damasceno lhes teria dado o nome de ἠθοπροσκόπται, e não o de ἠθικοπροσκόπται; trata-se, sim, de sectários cuja característica era chocar-se e espatifar-se contra as noções e as prescrições da ética ou da moral tradicional do gênero humano. E como ele só fala deles na sequência de todos aqueles cuja nomenclatura tomou emprestada das heresiologias anteriores, é de crer que esses eticoproscoptas viveram posteriormente a Sofrônio, que não disse uma palavra sobre eles e que morreu em 638, isto é, na segunda metade do século VII ou na primeira metade do VIII no Oriente, e mais provavelmente na Ásia Menor ou na Síria. Mas eles se ligam por vínculos misteriosos e impenetráveis aos piores gnósticos do século II, aos antitactas e antinomistas, cujo nome se revela ser, em matéria de moral, o equivalente lexicológico do nome de eticoproscoptas, cujos rebentos distantes são João Damasceno estigmatizou, e formam um dos elos da cadeia, que reaparecerá mais tarde, aqui e ali, do século XII ao XVI, sob outros nomes, albigenses, beguardos, libertinos, etc. S. J. Damasceno, Hær., 96, P. G., t. XCIV, col. 960; Migne, Dictionnaire des hérésies, Paris, 1847, t. I, col. 681; Smith e Wace, Dictionary of Christian biography, Londres, 1877.

Autor original: G. Bareille

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