ESTÊVÃO VI ou VII, papa (896-897), era bispo de Anagni desde 891, quando foi sagrado, após a morte de Bonifácio VI, que reinou quinze dias, no começo de junho de 896. Foi transferido de uma sé para outra, contrariamente ao direito, mas em conformidade com vários precedentes. Mais tarde, esse fato seria usado contra ele. Mas ele merecia, por motivos ainda mais justos, terríveis represálias. Foi ele quem se fez instrumento da casa de Spoleto no processo de Formoso (897). Este último papa havia renegado essa casa ao chamar Arnulfo da Germânia e coroá-lo imperador (22 de fevereiro de 896). A morte tão pronta deste, quase imediatamente seguida da de Formoso (4 de abril de 896), não satisfez os rancores de Lamberto de Spoleto, e sobretudo de sua mãe Ageltrude. Sob a pressão deles, Estêvão VI mandou tirar de seu sarcófago o cadáver ressecado do velho pontífice, morto havia nove meses (janeiro de 897). Foi colocado num trono, todo vestido com as vestes pontifícias, no meio de uma assembleia sinodal, presidida pelo papa, que se chamou o concílio cadavérico. Um diácono estava a seu lado, todo gelado de terror, para responder aos juízes em seu nome.
As atas desse concílio foram queimadas no ano seguinte, mas os contemporâneos nos conservaram alguns traços dele. Passou-se em revista toda a vida de Formoso; primeiro, suas dificuldades com João VIII. Deposto e excomungado em 19 de abril de 876, Formoso, cardeal-bispo de Porto, havia sido reconciliado e admitido à comunhão leiga, no sínodo de Troyes (agosto de 878), sob condição de jurar não reaparecer mais em Roma e nunca mais buscar o episcopado. Mas o papa Marino, sucessor de João VIII, o havia perdoado e restabelecido em sua sé de Porto. Apesar dessa reintegração, esse passado foi lembrado. Invocou-se também contra Formoso sua translação de Porto para Roma, sem levar em conta os numerosos precedentes que haviam enfraquecido os antigos cânones que proibiam essas translações. Por fim, o morto foi condenado, declarado intruso, despojado dos ornamentos pontifícios e privado dos dedos que lhe haviam servido para abençoar; deixaram-lhe apenas o cilício em sua carne. Depois, jogaram-no num túmulo profano, no cemitério dos estrangeiros. A populaça o retirou dali e o jogou no Tibre. Os atos de Formoso foram declarados nulos, especialmente as ordenações que ele fizera, durante cinco anos.
Todavia, depuseram-se apenas os clérigos romanos por ele ordenados; eles não foram reordenados. Os clérigos de países estrangeiros, que estavam fora de alcance, não foram incomodados. Quanto ao próprio Estêvão VI, que fora ordenado por Formoso, bispo de Anagni, ele aproveitou a cassação para dizer que, tendo sido nula sua ordenação, não podia mais ser acusado de ter passado de uma sé para outra. É provável que esse drama tenha revoltado os ânimos contra Estêvão. Uma insurreição o derrubou de seu trono. Foi despido vivo, como haviam feito despir Formoso morto; foi internado num mosteiro, depois numa prisão, e, pouco tempo depois, ali o estrangularam (julho de 897). Entre os papas, vários quiseram, por espírito de justiça, rever esse odioso processo e reabilitar Formoso e seus clérigos, tais como Teodoro II (897) e João IX, em concílios realizados em Roma e em Ravena. Mas outros, como Sérgio III (904-911), competidor de João IX, e João X (914-928), fizeram-se defensores de Estêvão e de seu concílio. As situações ficaram assim por muito tempo em questão, o que deu origem a uma longa agitação e a uma viva controvérsia sobre as condições de validade da ordenação, notadamente nos escritos de Auxilius e de Eugenius Vulgarius. Duchesne, Liber pontificalis, t. II, p. 229 ; Id., Les premiers temps de l'État pontifical, 1904, p. 300 ; Jaffé, Reg. pont. rom., 1re édit., p. 302 ; 2e édit., p. 439 ; P. L., t. CXXIX, col. 853, 1059, 1070, 1103 ; Dümmler, Auxilius und Vulgarius, Leipzig, 1866 ; Mansi, Concil., t. XVIII ; Saltet, Les réordinations, Paris, 1907, p. 152
Autor original: A. Clerval
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