ESTÊVÃO V OU VI, PAPA

ESTÊVÃO V OU VI, PAPA

ESTÊVÃO V ou VI, papa (885-891), sucedeu a Adriano III em setembro de 885. Era romano, de família aristocrática do bairro da via Lata, aparentado com o bibliotecário da Santa Sé, Zacarias, bispo de Anagni; era subdiácono e fora bem visto por Adriano II e por Marino I. Era piedoso e caridoso. Encontrou-se diante de graves dificuldades no Ocidente e no Oriente. Carlos, o Gordo, irritado por sua eleição ter sido feita sem que fosse avisado, enviou-lhe Liutward, bispo de Vercelli, seu arquichanceler, para depô-lo. Mas Estêvão conseguiu acalmar sua cólera apresentando-lhe seu decreto de eleição, carregado de numerosíssimas assinaturas de bispos, de presbíteros e de diáconos cardeais, de clérigos inferiores e de leigos. Mas esse mesmo Carlos veio a ser deposto ele próprio na dieta de Tribur. A quem devia o papa conferir a dignidade imperial? Ela era cobiçada por duas realezas poderosas: a da Itália, que acabava de se reconstituir na pessoa de Guido, duque de Spoleto, e tinha grandes ambições, e a da Germânia, representada por Arnulfo, duque da Caríntia, valente soldado, mas filho natural de Carlomano.

A primeira corria de fato o risco de ser uma vizinha opressiva, como outrora a dos lombardos; a segunda, preferível, estava bem afastada e demasiado envolvida em dificuldades externas e internas. Para começar, Estêvão V seguiu uma política dupla. Lisonjeou Guido, especialmente nas cartas que dirigia a seu parente, Fulco, arcebispo de Reims. Em contrapartida, em 890, fez suplicar a Arnulfo, mas por intermédio do príncipe morávio Swatopluck, que viesse a Roma «visitar o santuário de São Pedro e retomar o reino da Itália, do qual maus cristãos se apoderaram e que os pagãos ameaçam.» Por fim, teve de se resignar a sagrar Guido imperador, em 21 de fevereiro de 891. Era sem dúvida uma necessidade, pois Formoso, que lhe sucedeu em setembro de 891, também teve de dar a coroa imperial ao filho de Guido, Lamberto, em 30 de abril de 892. No Oriente, Estêvão V teve de responder a uma carta do imperador Basílio, que, impelido por Fócio, havia escrito a seu predecessor contra a eleição do papa Marino I. Ao atacar sua legitimidade sob o pretexto de que esse papa fora, contra o direito, transferido de Cere para Roma, o imperador queria acobertar seu patriarca. Mas Estêvão soube defender o papa que o havia amado (setembro, outubro de 885). Tendo o imperador Leão VI, com o metropolita Stylianus, pedido-lhe que reconhecesse como patriarca seu irmão Estêvão, ele solicitou explicações deste último por volta de 888. Elas não o satisfizeram, pois adotou o modo de ver, não de João VIII, mas de seus outros predecessores, Nicolau I e Adriano II, a respeito de Fócio. Segundo ele, Fócio jamais fora bispo e, por conseguinte, não podia ter ordenado diácono o príncipe Estêvão.

Por fim, interveio na questão da liturgia morávia num sentido totalmente oposto ao de João VIII, mas por razões que foram muito finamente expostas pelo P. Lapôtre. João VIII havia primeiro proibido a São Metódio de dar aos eslavos uma liturgia em sua própria língua; depois, após uma conferência com esse grande apóstolo, suas ideias haviam se modificado, e ele lhe permitira isso francamente. Mas essa autorização da liturgia eslava contrariava os alemães, e especialmente seu representante, o bispo Wichinz, amigo do imperador Arnulfo, porque ela tornava mais difícil a germanização desses povos. Assim, após a partida de Metódio, Wichinz, tendo vindo a Roma, conseguiu habilmente obter de secretários pontifícios corrompidos a confecção de uma falsa carta pontifícia, endereçada ao príncipe da Morávia, Swatopluck, na qual Metódio era tratado como perjuro, e a permissão, por ele alegada, de celebrar em eslavo era desmentida. Essa carta mentirosa foi inscrita no registro de João VIII, enquanto a verdadeira foi retirada de lá. É verdade que João VIII, avisado por Metódio dessa fraude, lhe havia entregue uma carta de protesto, mas secreta e redigida em termos compreensíveis apenas aos iniciados nesse curioso caso.

Estêvão V, que, desde o início de seu pontificado, fizera algumas mudanças no corpo de seus escribas, só conheceu, das cartas de João VIII, aquelas que proscreviam a liturgia eslava, e viu-se assim fatalmente levado a servir, sem o saber, às intrigas de Wichinz e a desmentir os últimos e verdadeiros atos de seu predecessor, condenando a obra de Metódio (880). Sob o efeito dessa carta, logo confirmada por uma legação pontifícia, munida de um commonitorium, o partido eslavo não pôde se manter. Dois anos depois, Swatopluck, apoiando-se nesses atos apostólicos, expulsou quase todos os discípulos de Metódio. Estes levaram sua liturgia aos búlgaros, infelizmente mais acessíveis à influência bizantina, e, pouco tempo depois, a Morávia foi conquistada pelos húngaros. Duchesne, Liber pontificalis, t. II, p. 191 sq. ; Id., Les premiers temps de l'État pontifical, 1904, p. 286-294 ; Jaffé, Reg. pont. rom., 1re édit., p. 294-298, 945 ; 2e édit., p. 427-435 ; P. L., t. CXXVIII, col. 1397-1406 ; t. CXXIX, col. 785, 1021 ; Hardouin, Acta conciliorum, t. V, col. 1115 ; Lapôtre, L'Europe et le Saint-Siège à l'époque carolingienne, 1895 ; Gazel, Geschichte der Slavenapostel Cyrill und Méthode, 2e édit. ; Ewald, Neues Archiv, t. V, p. 408-410

Autor original: A. Clerval

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