ECLESIÁSTICO (LIVRO DO). Provavelmente intitulado por seu autor hebreu: Mešalim, parábolas, cf. S. Jerônimo, Præfatio in version. libror. Salomonis, P. L., t. xxviii, col. 1242, informação confirmada pelas citações rabínicas dos midraschim Schemoth Rabba, c. xx, e Bamidebar Rabba, c. xxiii. Designado às vezes, na literatura judaica, sob o título de Séfer hahékmah, «livro da sabedoria». I. Lévi, Revue des Etudes juives, Paris, 1897, t. xxxv, p. 20 sq. — Bíblia grega: ΣΟΦΙΑ ΣΕΙΡΑΧ, ou Σοφία Ἰησοῦ, τοῦ υἱοῦ Σειράχ (Σιράχ)): manuscritos, listas sinodais, catálogos, escritos dos Padres, ver H. B. Swete, An Introduction to the Old Testament in Greek, Cambridge, 1902, p. 201 sq. (algumas variantes). — Bíblia latina: Ecclesiasticus, já desde o século III, cf. S. Cipriano, Testim. adv. Judæos, P. L., t. iv, col. 775; Rufino traduzindo Orígenes, Homil., xviii, in Num., n. 3, P. G., t. xii, col. 714; e assim chamado como tipo dos alii libri qui non canonici, sed ECCLESIASTICI, a majoribus appellati sunt. Rufino, Comment. in symb. apost., n. 38, P. L., t. xxi, col. 374. Algumas variantes lembrando o título grego. H. B. Swete, op. cit., p. 210 sq. Destaca-se por vezes, nos manuscritos, do grupo dos escritos salomônicos para formar, com a Sabedoria, o pequeno grupo binário das «duas Sapiências». S. Berger, Histoire de la Vulgate, Paris, 1893, p. 331 sq. — I. Texto e versões. II. Canonicidade. III. Autor. Sua época, sua originalidade. IV. Ensinamentos históricos. V. Ensinamentos doutrinais e morais. VI. Comentadores.
I. TEXTO E VERSÕES. — I. TEXTO (original hebraico reencontrado). — Atestado até o século XI por diversos testemunhos, cf. S. Jerônimo, Præf. in vers. libr. Salomonis, loc. cit., e numerosas citações expressas ou tácitas, textuais ou livres, feitas em hebraico ou em aramaico, na literatura rabínica, do século I ao X. Levantamentos de Schechter, The Quotations from Ecclesiasticus in rabbinic Literature, em The Jewish Quarterly Review, Londres, 1891, t. iii, p. 682 sq.; Cowley e Neubauer, The original Hebrew of a portion of Ecclesiasticus, Oxford, 1897, p. x sq., xix sq., xxx sq.; e de autores mais antigos enumerados em Kautzsch, Die Apokryphen und Pseudepigraphen des Alten Testaments, Friburgo em Brisgóvia, Tubinga e Leipzig, 1900, t. i, p. 240; Tony André, Les apocryphes de l'Ancien Testament, Florença, 1903, p. 295 sq. Objeto, da parte de vários sábios, de tentativas de reconstituição baseadas nas versões imediatas grega e siríaca.
Trabalhos de Ball, Benzeeb, Bickell, Edersheim, Frankel, Fritzsche, Geiger. Cf. Cowley e Neubauer, op. cit., p. xvi; Schechter e Taylor, The Wisdom of Ben Sira, Cambridge, 1899, p. 12 sq. O texto hebraico original do Eclesiástico, perdido havia muito tempo, foi reencontrado, de 1896 a 1900, sob a forma de trinta fólios manuscritos pertencentes a quatro códices fragmentários sucessivamente denominados pelos sábios, na ordem das descobertas: B, A, C, D. Todos esses fólios provinham da gueniza, ou sala de despejo dos manuscritos fora de uso, de uma sinagoga do Cairo, a sinagoga de Ezra. O manuscrito B contém, em dezenove fólios: Eccli., xxx, 11-xxxiii, 3; xxxv, 11-xxxviii, 27b (Vulg., 28b); xxxix, 15c (Vulg., 20c)-li, 30 (Vulg., 38). Cf. para a história da descoberta, a descrição do manuscrito, os artigos e as obras a ele consagrados: J. Touzard, L'original hébreu de l'Ecclésiastique, na Revue biblique, Paris, 1897, t. vi, p. 274 sq., e em separata, Paris, 1898; Les nouveaux fragments hébreux de l'Ecclésiastique, Paris, 1901, p. 3 sq., 59 sq.; I. Lévi, L'Ecclésiastique, texte original hébreu, Iª parte, Paris, 1898, p. v sq., lvi sq.; IIª parte, Paris, 1904, p. 11 sq.; Kautzsch, Die Apokryphen, t. I, p. 256, xxviii da introdução.
Edições com trad. e notas críticas: Fólio 7, xxxix, 15c (Vulg., 20e)-xl, 6d (Vulg., 7b), Schechter, em The Expositor, Londres, julho de 1896, p. 1 sq. — Fólios 7 e 8-16, xli, 9-xlix, 11c (Vulg., 13c), o 9º contendo xx, 30-31 (Vulg., 32-33) após xli, 13a, Cowley e Neubauer, op. cit.; R. Smend, Das hebräische Fragment der Weisheit des Jesus Sirach, Berlim, 1897; I. Lévi, op. cit., Iª parte; N. Schlögl, Ecclesiasticus, Viena, 1901. — Fólios 1, 3, 4, 6, 17-19, xxx, 11-xxxi, 11; xxxii, 1b-xxxiii, 3; xxxv, 11-xxxvi, 26 (Vulg., 23); xxxvi, 27 (Vulg., 30)-xxxviii, 27b (Vulg., 28b); xlix, 12c (Vulg., 14c)-li, 30 (Vulg., 38), Schechter e Taylor, op. cit.; I. Lévi, op. cit., IIª parte. — Fólios 2 e 5, xxxi, 12-xxxii, 1a; xxxvi, 24 (Vulg., 21)-xxxvii, 26 (Vulg., 29), G. Margoliouth, em Jewish Quarterly Review, Londres, 1899, t. xi, p. 1 sq.; I. Lévi, op. cit. O manuscrito A contém, em seis fólios, Eccli., iii, 6b-xvi, 26. Cf. J. Touzard, Les nouveaux fragments, p. 3 sq., 46 sq., 60 sq.; I. Lévi, op. cit., Iª parte, p. vi sq. Fólios 1-2, 5-6, iii 6b, 7b-vii 29a (Vulg. 31a); xi, 24b (Vulg. 36d)-xvi, 26, Schechter e Taylor, op. cit.; I. Lévi, op. cit. — Fólios 3-4, vii, 29b (Vulg. 31b)-xi, 34a (Vulg., 36), E. N. Adler, em Jewish Quarterly Review, Londres, abril de 1900, p. 466 sq.; I. Lévi, op. cit.
O manuscrito C, fólio único, contém Eccli., xxxvi, 27a (Vulg., 26a)-xxxvii, 1a. Cf. J. Touzard, Les nouveaux fragments, p. 46 sq.; I. Lévi, op. cit., Iª parte, p. vii sq. Edição: I. Lévi, na Revue des Etudes juives, Paris, janeiro-março de 1900, p. 1 sq. O manuscrito D contém, em quatro fólios, Eccli., iv, 23b (Vulg., 28b)-vii, 25 (Vulg., 27); xviii, 31c-xx, 18, compreendendo xxxvii, 19-26 (Vulg., 22-29) entre xx, 7 e 13; e versículos escolhidos de xxv, 8b (Vulg., 11b)-xxvi, 2. Cf. J. Touzard, Les nouveaux fragments, p. 52 sq., 63; I. Lévi, L'Ecclésiastique, IIª parte, p. i sq., xiii sq., lxix sq. Edições: Fólio 2, vi, 48-vii, 25, I. Lévi, na Revue des Etudes juives, Paris, 1900, t. xl, p. 25 sq. — Fólios 1 e 4, iv, 23-v, 13; xxv, 8-xxvi, 2, Schechter, em Jewish Quarterly Review, abril de 1900, p. 456 sq. — Fólio 3, xviii, 31-xx, 13, Gaster, ibid., julho de 1900, p. 688 sq.
Edições críticas da totalidade dos fragmentos B, A, C, D, na ordem dos capítulos: J. Knabenbauer, Textus Ecclesiasticus hebræus descriptus, cum notis et versione latina, em Comm. in Eccli., Paris, 1902, Appendix; H. L. Strack, Die Sprüche Jesus, des Sohnes Sirachs, Leipzig, 1908 (notas e léxico); I. Lévi, The Hebrew text of the Book of Ecclesiasticus, Leiden, 1904 (notas e glossário); J. Touzard, em La sainte Bible polyglotte de M. Vigouroux, Paris, 1904, t. v, passim; com trad. francesa e notas, apêndice, p. 885-970; N. Peters, Liber Jesu filii Sirach, sive Ecclesiasticus hebraice, Fribourg-en-Brisgau, 1905 (versão latina, notas e glossário); R. Smend, Die Weisheit des Jesus Sirach hebräisch und deutsch, Berlim, 1906. Não possuímos assim, presentemente, senão um pouco menos de dois terços do texto original hebraico do Eclesiástico, visto que ainda nos falta: I-III, 6 a; XVI, 27-XVIII, 31 a; XIX, 3-XX, 4; XX, 8-29; XXI-XXV, 8 a (Vulg., 41 a); 41 c-42 (Vulg., 16); 14-16; 28b (Vulg., 34); 24-26 (Vulg., 33-35); XXVI, 3-XXX, 40; XXX, 4-XXXV, 10; XXXVIII, 27 c (Vulg., 28 c)-XXXIX, 15 b (Vulg., 20 b).
A intercalação, pelo ms. B, entre LI, 12 (Vulg., 17) e 13 (Vulg., 48), de um cântico desconhecido das versões, infelizmente não compensa essa lacuna. Desde a publicação dos primeiros fragmentos do ms. B, os sábios, salvo uma breve hesitação de I. Lévi, cf. Revue des Etudes juives, Paris, 1896, t. XXXII, p. 303, afirmaram a originalidade, a autenticidade do hebraico recuperado, não obstante os numerosos vestígios de alterações que ele trazia e que se deviam às condições naturais e inevitáveis de sua transmissão. Era «bom hebraico», de estilo «puro e clássico», cf. J. Touzard, Revue biblique, Paris, 1908, t. vii, p. 53 sq., seguindo Neubauer, op. cit., oferecendo contudo algumas particularidades: imitação deliberada dos antigos escritores; emprego de expressões e palavras aramaicas ou mais recentes, estranhas ao hebraico bíblico, ou neologismos derivados no entanto de raízes clássicas; introdução de formas verbais desconhecidas da Bíblia. Touzard, ibid., p. 55 sq.
Mas em 1899, antes da descoberta dos ms. A, C, D e B, 3ª e 4ª série, o Sr. S. Margoliouth, professor de árabe na Universidade de Oxford, sustentou e defendeu a tese de que o texto hebraico de Eccli., XXXIX, 15 c-XLIX, 11 b, tido por original, não passava de uma retradução, em hebraico, de uma tradução persa, esta feita com o auxílio das versões grega e siríaca. The Origin of the «Original Hebrew» of Ecclesiasticus, Londres, 1899. O Sr. S. Margoliouth pouco conseguiu atrair para a sua opinião, imediatamente e vivamente combatida, senão, e ainda assim de modo imperfeito, o Sr. Bickell, Der hebräische Sirachtext. Eine Rückübersetzung, em Wiener Zeitschrift für die Kunde des Morgenlandes, Viena, 1899, t. xiii, p. 251 sq., e o Sr. Lévi, este contudo somente depois da publicação, pelo Sr. Schechter, dos novos fragmentos do ms. B e de A, II, 6 b-vii, 29 a; XI, 34 b-xvi, 26, Revue des Etudes juives, Paris, 1899, t. xxxviii, p. 306 sq.; t. xxxix, julho, outubro, e concluindo primeiro «Os novos fragmentos não são — ao menos para certo número de capítulos — senão uma retradução em hebraico de uma versão siríaca»; depois, de modo mais geral, em L'Ecclésiastique, IIª parte, p. xxxix: «Os fragmentos A e B são os restos de um exemplar do original enriquecido: 1º do cântico alfabético do fim (li, 13-30), retradução hebraica da versão siríaca já alterada; 2º de duplicatas igualmente traduzidas do siríaco; 3º de correções ou interpolações isoladas inspiradas na mesma versão.»
O estudo comparado dos quatro mss. A, B, C, D, os quais apresentam entre si várias partes comuns: A e D, iv, 25 b, 30-31; v, 4-8, 9-13; vi, 18-19, 28, 35; vii, 1, 4, 6, 17, 20-21, 23-25; B e A, xxxviii, 27 b-29-31; xxxvii, 19-26; xxxvii, 19, 22, 24, 26, confirmou definitivamente o autor nessa opinião. Os aramaísmos, rabinismos e arabismos permanecem «os traços característicos do léxico» de Ben-Sira «ainda fechado a toda infiltração helênica. O estilo trai igualmente uma época de decadência.» Ibid., p. xxvi. — Essas conclusões de I. Lévi foram rejeitadas por N. Peters, Der jüngst wiederaufgefundene hebräische Text des Buches Ecclesiasticus, Fribourg-en-Brisgau, 1902, p. 30* sq. Entre as passagens alegadas por I. Lévi, Peters não encontrou «nenhuma em que a hipótese de uma retradução seja sólida. Variantes e duplicatas se explicam suficientemente pelo uso — que teria feito o copista do arquétipo de nossos quatro códices — de um manuscrito hebraico mais próximo da recensão de que testemunham o siríaco ou o grego». E Fuchs, Textkritische Untersuchungen zum Ecclesiasticus, Fribourg-en-Brisgau, 1907, p. 123, julga «o siríaco antes dependente da recensão de onde derivam os acréscimos do hebraico» nas passagens em que I. Lévi vê uma retradução.
Para a história da controvérsia sobre a originalidade dos fragmentos hebraicos e a bibliografia muito abundante, ver, concorrentemente com as obras citadas de N. Peters, p. 28* sq., e de A. Fuchs, p. 3 sq.: J. Touzard, artigos citados da Revue biblique, Les nouveaux fragments, Paris, 1901, p. 18 sq., e bibliografia, IV; I. Lévi, L'Ecclésiastique, IIª parte, Paris, 1901, p. xvi sq.; J. Knabenbauer, Commentarius in Ecclesiasticum, Paris, 1902, p. 7 sq.; Ryssel, Die neuen hebräischen Fragmente des Buches Jesus Sirach und ihre Herkunft, em Theologische Studien und Kritiken, Gotha, 1900, t. lxxiii, p. 363 sq., 505 sq.; 1901, t. lxxiv, p. 75 sq., 269 sq., 547 sq.; 1902, t. lxxv, p. 205 sq., 347 sq., combatido no mesmo título que I. Lévi por N. Peters e A. Fuchs, op. cit. * O autor do Eclesiástico adotou para seu livro a forma poética e escreveu-o provavelmente por inteiro em dísticos. Onde falta o dístico esperado, parece que se deve concluir por uma alteração do texto. Cf. N. Peters, op. cit., p. 86*.
Para as questões da métrica do verso e da estrófica, ver os ensaios de S. Margoliouth, Bickell, Nöldeke, D. H. Müller, Grimme, Schlögl, N. Peters, bibliografia em N. Peters, op. cit., p. vii, sq., e Tony André, Les apocryphes de l'Ancien Testament, Florença, 1903, p. 271 sq. — Para o salmo intercalado, no hebraico, entre LI, 12 e 13, ver J. Touzard, Les nouveaux fragments, p. 7 sq.; I. Lévi, L'Ecclésiastique, IIª parte, p. xlviii sq.; A. Fuchs, op. cit., p. 102 sq.
II. VERSÕES. — 1º Versões imediatas. — 1. Versão grega dos Setenta. — A tradução grega do Eclesiástico foi executada «no Egito», entre os anos 132 e 120 antes de nossa era, pelo neto do autor, vindo da Palestina para a terra dos Faraós «no ano 38 do rei Evergeta», Ptolomeu VII. Ver mais adiante, col. 2042. Ela nos foi conservada na Bíblia dos Setenta. Para a tradição do texto nos manuscritos, todos provenientes, quanto ao Eclesiástico, de um único e mesmo arquétipo, ver Fritzsche, Die Weisheit Jesus-Sirach's, Leipzig, 1859, p. xxi; Hatch, Essays in biblical Greek, Oxford, 1889, p. 247 sq.; Schürer, art. Apokryphen des Alten Testaments, em Realencyclopädie für protest. Theologie und Kirche, Leipzig, 1896, t. I, p. 629 sq.; Ryssel, Die Sprüche Jesus, des Sohnes Sirachs, em Kautzsch, Die Apokryphen, t. I, p. 244 sq.; N. Peters, Der jüngst wiederaufgefundene hebräische Text des Buches Ecclesiasticus, Fribourg-en-Brisgau, 1902, p. 55* sq.
— Para a crítica, ver: A. antes da descoberta dos fragmentos hebraicos, Edersheim, em The Apocrypha, de Wace, Londres, 1888, t. II, p. 23 sq.; Hatch, op. cit., p. 250 sq.; Bois, Essai sur les origines de la philosophie judéo-alexandrine, Paris, 1890, p. 345 sq.; Nestle, Marginalien und Materialien, Tubinga, 1893, p. 48 sq.; Klostermann, Analekta, Leipzig, 1895, p. 16 sq., 26 sq.; depois da descoberta: J. Touzard, L'original hébreu de l'Ecclésiastique, na Revue biblique, Paris, 1898, t. vii, p. 33 sq.; I. Lévi, L'Ecclésiastique, Iª parte, p. xl sq.; Ryssel, loc. cit., p. 242 sq.; Knabenbauer, Comm., p. 24 sq.; N. Peters, op. cit., p. 50* sq.: «A versão grega permanece uma preciosa testemunha do texto original», p. 58*; «ela permanece também, em muitos casos, preferível ao siríaco e mesmo ao hebraico», p. 78*. Edições: 1. Nas Bíblias. Todas as edições dos LXX, desde a políglota de Alcalá, 1514-1517, que restabeleceu a ordem racional dos c. XXX, 13 b-XXXIII, 16 a, antes de XXX, 25-XXXIII, 13 a, invertida em todos os manuscritos, mesmo no Vaticanus gr. 346 (Holmes e Parsons, 248), cf. Ryssel, loc. cit., p. xxviii, até a de H. B. Swete, The Old Testament in Greek, Cambridge, 1891, t. ii, p. 644 sq.
— 2. Edições dos deuterocanônicos (ou apócrifos): Frankfurt am Main, 1694; Augusti, Leipzig, 1804; Apel, Leipzig, 1837; Fritzsche, Leipzig, 1871. — 3. Eclesiástico à parte: Day. Heschel, Sapientia Sirachi, sive Ecclesiasticus, Augsburgo, 1604; Alb. Fabricius, Liber Tob., Jud., Or, Man., Sap. et Ecclesiasticus, Frankfurt e Leipzig, 1691; Linde, Sententiae Jesu Siracidae, Dantzig, 1795; Bretschneider, Liber Jesu Siracidae, Ratisbona, 1806.
2. Versão siríaca. — Foi feita (talvez já antes do ano 200 de nossa era, I. Lévi, L'Ecclésiastique, IIª parte, p. LX) por um único tradutor (ver contudo I. Lévi, op. cit., Iª parte, p. 10; IIª parte, p. LX, nota 1) sobre um texto hebraico representado pelo dos fragmentos recuperados, mas mais antigo e melhor conservado.
Eichhorn, Einleitung in die apokriphischen Schriften des Alt. Test., Leipzig, 1795, p. 84; Fritzsche, op. cit., p. xxiv; Kaulen, Einleitung in die heiligen Schriften, Fribourg-en-Brisgau, 1898, § 333, sustentavam um original grego, contra Bendtsen, Specimen exercitationum criticarum in Vet. Test. libros apocryphos, Gotinga, 1789, p. 16, 29 sq., 45, que foi o primeiro a concluir por um original hebraico e foi seguido pela maioria dos sábios. Cf. Ryssel, loc. cit., p. 250 sq.; N. Peters, op. cit., p. 62. O exame dos ms. A, B, C, D tornou essa conclusão certa. Para a tradição do texto, ver N. Peters, op. cit., p. 59 sq.; para a crítica: Hatch, op. cit., p. 254 sq.; I. Lévi, op. cit., Iª parte, p. L sq.; J. Touzard, Revue biblique, 1908, t. VII, p. 45 sq.; Ryssel, loc. cit., p. 251 sq.; Knabenbauer, op. cit., p. 82; N. Peters, op. cit., p. 61 sq. Segundo este último, «a versão siríaca representa um texto mais recente que o da versão grega, mas mais antigo que o arquétipo de A, B, C. Em inúmeras passagens onde o grego generaliza, ela tem a verdadeira lição original mais concreta», p. 92. Peters rejeita a opinião de I. Lévi quanto aos dois tradutores. Edições: nas políglotas de Paris (ou de Le Jay), 1629-1645, t. VIII, p. 358 sq.; de Londres (ou de Walton), 1654-1657, t. IV; A. de Lagarde, Libri Vet. Test. apocryphi syriace, Londres e Leipzig, 1861, p. 2 sq.
2. Versões derivadas. — 1. Antigas latinas. — a) A da Vulgata, que São Jerônimo em nada retocou, Pref. in libros Salomonis juxta Septuag. interpretes, P.L., t. XXIX, col. 404, e que foi executada, não sobre o hebraico, como julgava possível Sabatier, Bibliorum sacror. latine versiones antique, Paris, 1751, t. III, p. 390, e admitiam Corneille de la Pierre, In Ecclesiasticum prolegomena (Comm. in Eccli.), Antuérpia, 1723, p. 20, e E. G. Bengel, em Eichhorn's allgemeine Bibliothek der biblischen Literatur, Leipzig, 1796, t. VII, p. 832 sq.; cf. também de Wette, Lehrbuch der hist.-krit. Einleitung in die Bibel, ed. Schrader, Berlim, 1869, t. I, p. 599, mas sobre o texto grego dos Setenta, numa recensão diferente da nossa e corrigido conforme o texto hebraico. Ver Herkenne, De veteris latinae Ecclesiastici capitibus I-XLI, Leipzig, 1899, p. 9 sq.; I. Lévi, L'Ecclésiastique, IIª parte, p. LVI.
Tradição do texto e crítica: Sabatier, op. cit.; Fritzsche, op. cit., p. XXIII; Hatch, op. cit., p. 254, 256 sq.; Herkenne, op. cit., p. 14 sq.; Die Textüberlieferung des Buches Sirach, em Biblische Studien, Fribourg-en-Brisgau, 1901, t. VI, fasc. 1 e 2, p. 186 sq.; P. Thielmann, Die lateinische Ubersetzung des Buches Sirach, em Archiv für latein. Lexikographie und Grammatik, Leipzig, 1893, t. VIII, p. 504 sq.; 1894, t. IX, p. 247 sq., depois Bericht über das Material einer krit. Ausgabe der latein. Ubersetzungen, extraído dos anais da Academia Real da Baviera, seção de filosofia e história, t. XIII, p. 214 sq. Cf. também Sam. Berger, Histoire de la Vulgate, Paris, 1893, p. 22-200, passim; Ryssel, loc. cit., p. 248 sq.; I. Lévi, op. cit., p. LV sq.; N. Peters, op. cit., p. 39: «A versão latina é uma preciosíssima testemunha indireta da grega..., por vezes ela sozinha conservou a verdadeira lição», ibid., p. 42; Knabenbauer, op. cit., p. 33 sq. Edições: Todas as da Vulgata: Heyse e Tischendorf, Biblia sacra latina Veteris Testamenti, Leipzig, 1873; de Lagarde, Die Weisheiten der Handschrift von Amiatina, em Mitteilungen, I, Gotinga, 1884, p. 285 sq.
b) Outra versão latina, mais recente que a da Vulgata e muito próxima de um texto grego quase idêntico ao da edição Sixtina, Vetus Testam. juxta Sept., Roma, 1587; representada apenas por uma folha manuscrita de escrita visigótica contendo Eccli., XXI, 20 b-XXII, 27, e reencontrada nos arquivos do Alto Garona por C. Douais. A escrita remonta, no mínimo, ao século IX. Edição crítica com fac-símile: C. Douais, Une ancienne version latine de l'Ecclésiastique, Paris, 1895. Cf. Revue biblique, 1895, t. IV, p. 282; Herkenne, op. cit., p. 17 sq.
2. Outras versões derivadas dos Setenta: a) Siro-hexaplar. — Foi-nos conservada num manuscrito do século VII publicado em fotolitografia por A. Ceriani, Codex syro-hexaplaris Ambrosianus photolithographice, Milão, 1874 (Monumenta sacra et profana, t. VII). Ver Herkenne, op. cit., p. 18 sq.; N. Peters, op. cit., p. 46.
— b) Coptas. — Boaírica (menfítica): fragmentos publicados por P. de Lagarde, em Orientalia, I, Gotinga, 1879, p. 89, e M. Bouriant, em Recueil de travaux relatifs à la philologie et à l'archéologie égyptienne et assyrienne, Paris, 1886, t. VII, p. 83 sq. — Akhmímica: um fragmento publicado por M. Bouriant, em Mémoires de la mission archéologique française du Caire, Paris, 1885, t. I, p. 255 sq. — Saídica (tebana): quase todo o livro, publicado por P. de Lagarde, em Aegyptiaca, Gotinga, 1883, 1896, p. 107 sq.; fragmentos publicados por A. Ciasca, em Sacrorum Bibliorum fragmenta copto-sahidica musei Borgiani, Roma, 1889, t. II, p. 218 sq., e E. Amélineau, Fragments de la version thébaine de l'Écriture, Paris, 1889, p. 89; outros fragmentos na Biblioteca Real de Berlim, manuscritos orientais, 409, fol. 1 e 2, dos quais Herkenne reproduziu uma passagem, em De veteris latinae Ecclesiastici capitibus I-XLI, Leipzig, 1899, p. 24-25. Ver Hyvernat, Étude sur les versions coptes de la Bible, na Revue biblique, Paris, 1896, t. V, p. 543, 548, 557, 568; Herkenne, op. cit., p. 23 sq.; N. Peters, op. cit., p. 43 sq., e Die sahidisch-koptische Übersetzung des Buches Ecclesiasticus, Fribourg-en-Brisgau, 1893.
— c) Etíope: editada por Dillmann, em Biblia Vet. Test. æthiopica, Berlim, 1894, t. V. Ver Herkenne, op. cit., p. 33 sq.; Ryssel, loc. cit., p. 250; N. Peters, Der jüngst wiederaufgef. heb. Text des Buches Eccli., p. 44 sq. — d) Armênia: perdida em consequência das contestações levantadas na Igreja armênia sobre o valor dos livros deuterocanônicos; reencontrada em 1833 num manuscrito datado de 1418, e várias vezes publicada em Veneza, 1833, 1853, 1878. Ver Herkenne, op. cit., p. 28 sq.; N. Peters, op. cit., p. 45 sq. — e) Eslavônica; na Bíblia russa. 3. Versões árabes derivadas do siríaco. — a) Na Políglota de Londres, 1657; ver Ryssel op. cit., p. 254. — b) Manuscrito da biblioteca Mediceo-Laurenciana de Florença; não publicado; texto corrigido conforme o grego.
II. CANONICIDADE. — 1º Entre os judeus. — Frequentemente aproveitado por apócrifos como Henoc, cf. Charles, The Book of Enoch, Oxford, 1893, p. 382, col. 3; os Salmos de Salomão, cf. Ryle e James, The Psalms of Salomon, Cambridge, 1891, p. LXI; os Segredos de Henoc, cf. Morfill e Charles, The Book of the Secrets of Enoch, Oxford, 1896, p. 96, col. 1; citado uma vez por Fílon (Eccli., XII, 10) a título de λόγιον (oráculo divino; cf. Ps. XC, 7, dos Setenta) — ὅθεν καὶ λόγιον ἡμᾶς διδάσκει — Harris, Fragments of Philo Judaeus, 1886, p. 104; citado também, e nomeadamente vinte e seis vezes, pelos escritores do Talmude e pelos rabinos (ao todo setenta e nove vezes), cf. Cowley e Neubauer, op. cit., p. XIX sq., e por vezes como Escritura segundo a fórmula «assim como está escrito nos Ketoubim:» Eccli., XII, 16 (Vulg., 19) e XXV, 9 (Vulg., 10), Talmude da Babilônia, Baba Qama, 92 b, cf. também Erubin, 65 a, e no Talmude de Jerusalém, Berachot, VII, 2, trad. Schwab, Paris, 1871, t. I, p. 431. O Eclesiástico gozou, portanto, entre os judeus, de grande autoridade e, ao menos entre os alexandrinos — a preciosíssima citação de Fílon o comprova — foi recebido como livro sagrado, inspirado, para a época imediatamente vizinha à nossa era.
Mas fez esse livro também, por algum tempo, parte do cânon palestinense, para dele ser, é verdade, logo formalmente excluído depois de ter sido, de fato, «afastado da leitura pública» — cf. Sanhedrin, 100 b — como «não conforme às ideias fariseias sobre a Lei»? e essa espécie de «canonicidade restrita», que lhe conferem ainda, na sequência, tão numerosas alusões ou citações na literatura palestinense, não seria senão uma «sobrevivência de crenças mais antigas» a uma canonicidade verdadeira? J. P. van Kasteren, Le canon juif vers le commencement de notre ère, na Revue biblique, Paris, 1896, t. V, p. 581, 584, 590, 592, seguindo Kaulen, Magnier, Howorth, Portner, Cramer, ibid., p. 411. Parece certo que não. Parece com efeito comprovado que não houve, entre os judeus da Palestina, e ao menos antes do fim do século IV de nossa era, decisão oficialmente proferida quanto ao conteúdo desse terceiro grupo de livros tidos por santos, correspondentes aos τὰ λοιπὰ τῶν βιβ'λίων do prólogo do Eclesiástico, distintos da Lei (ὁ νόμος) e dos Profetas (οἱ προφῆται) como «outros» livros, οἱ ἄλλοι, «que haviam seguido os primeiros», e entre os quais o neto de Jesus, filho de Sirach, já os incluía — voluit ET IPSE scribere (προσήχθη καὶ αὐτὸς συγγράψαι) — e a Bíblia alexandrina viria em breve a incluir o próprio Eclesiástico. Ver Wildeboer, De la formation du canon de l'Ancien Testament, trad. franc., Lausanne e Paris, s. d., p. 99 sq.
Mais ainda, e até por volta do ano 150 de nossa era, nas escolas rabínicas da mesma região, discutiu-se vivamente sobre a exclusão ainda possível de tais e tais livros, e isso apesar da tradição poderosa que os havia, desde sempre, acolhido favoravelmente, e os havia assim revestido de uma espécie de canonicidade, senão oficial, ao menos tradicional. Wildeboer, op. cit., p. 45 sq.
Se, portanto, já antes de nossa era, os Provérbios (ou Sabedoria) de Jesus, filho de Sirach, tinham sido bem acolhidos pelos judeus dos dois lados do riacho do Egito, e se uma vez haviam gozado, na Palestina, de uma autoridade canônica real, embora não todavia oficialmente reconhecida e declarada; e se ainda os alexandrinos, para admiti-los entre as , tinham tido de receber informação muito oficiosa de seus irmãos de Jerusalém — Van Kasteren, loc. cit., p. 415, 581, 589 — esta coletânea de máximas, todas em louvor da Lei e em elogio dos antepassados, não sucumbiu mais, no início do século II da era cristã, aos ataques apaixonados de Rabi Akiba, que bania do «mundo vindouro» todo aquele que «lê nos livros exteriores, apócrifos, como os livros de Ben-Sirah», Talmude de Jerusalém, Sanhedrin, X, 1, trad. Schwab, Paris, 1889, t. XI, p. 43, e ao veredito, expresso no Talmude da Babilônia, tratado Yadaim, II, 141 a, que os excluía formalmente do cânon, do que o Eclesiastes o fez às da escola de Chamai, ver ECLESIASTES; do que Ester às de Rabi Samuel, ver ESTER; do que Ezequiel às hesitações dos rabinos contemporâneos de são Paulo, ver EZEQUIEL; e o teríamos recebido como a eles na Bíblia palestinense hebraica.
Aliás, o número 24 (22, Josefo, Cont. Apion., I, 8), representando, no fim do século I de nossa era, o número exclusivo dos únicos livros admitidos no cânon hebraico em vias de encerramento definitivo (IV Esd., XIV, 18 sq.), é um dado tradicional muito firme; e, na tradição, nenhum indício que faça suspeitar que ele tenha algum dia sido mais elevado, a ponto de compreender algum deuterocanônico como o Eclesiástico, depois sistematicamente reduzido. Os rabinos, enfim, que citaram o Eclesiástico como Escritura, ou apenas exprimiram assim sua opinião muito particular, ou antes, em razão das inúmeras imitações, alusões, citações implícitas dos livros bíblicos, sobretudo dos Provérbios, feitas por Jesus filho de Sirach, e citando eles próprios na maior parte das vezes de memória, terão confundido entre si os dois livros; assim, aliás, a citação do Talmude de Jerusalém, tratado Berachot, VII, 1, trad. franc., t. I, p. 431, introduzida pela fórmula «como está escrito no livro de Ben-Sirah», visa ao mesmo tempo Prov., IV, 8, e Eccli., XI, 4; e é bastante discutível que a Escritura, mencionada no Talmude da Babilônia, tratado Erubin, 65 a, deva ser reportada a Eccli., VII, 10 (Vulg., 9). Aliás, Ben Sirah é citado uma vez como se fosse um rabino, Eccli., III, 22, no Talmude de Jerusalém, Haghiga, II, 1, trad. franc., Paris, 1883, t. VI, p. 274.
2º Entre os cristãos. — 1. Nos tempos apostólicos. — Recebido pelos primeiros cristãos como livro santo junto com a Bíblia alexandrina e por intermédio dos judeus helenistas da Palestina, o Eclesiástico foi muito lido e grandemente apreciado como fonte de instrução religiosa e moral pelos escritores da idade apostólica. — a) Embora não se encontre nos livros canônicos do Novo Testamento nenhuma citação expressa do Eclesiástico, sua influência sobre os autores desses livros se traduz, em muitas passagens dos Evangelhos, dos Atos e das Epístolas, por reminiscências positivas que não devem ser identificadas com passagens paralelas de outros livros do Antigo Testamento. Tais estas passagens bem caracterizadas em que a ideia, idêntica de um lado e de outro, se traduz muitas vezes pela equivalência, senão pela identidade da expressão e pela similaridade da fraseologia, e revela assim uma alusão evidente a algum versículo do Eclesiástico em sua tradução grega: o perdão condicional das ofensas, Matth., VI, 12, ἄφες ἡμῖν... ὡς καὶ..., e Eccli., XXVIII, 2, ἄφες... καὶ τότε...; a indução em tentação, Matth., VI, 13, εἰς πειρασμόν... e Eccli., XXXIII, 1 (XXXVI, 1) ἐν πειρασμῷ; a árvore julgada por seus frutos, Matth., VII, 16-20; XII, 33; Luc., VI, 44, e Eccli., XXVII, 6 (Vulg., 7); a exomologese e o louvor, Matth., XI, 25; Luc., X, 21, ἐξομολογοῦμαί σοι, πάτερ, κύριε... e Eccli., LI, 1, ἐξομολογήσομαι σοι, κύριε...; e o jugo leve, o repouso encontrado, Matth., XI, 29, 30, καὶ εὑρήσετε ἀνάπαυσιν..., e Eccli., VI, 24, 29, γὰρ εὑρήσεις τὴν ἀνάπαυσιν...; a cada um segundo suas obras, Matth., XVI, 26, e Eccli., XXI (XXXV), 24 (19), antes que Prov., XXIV, 12, ou Ps. Lx, 13;
o maior e o primeiro devem humilhar-se e servir, Matth., xx, 26; xxi, 11; Marc., x, 44, e Eccli., 11, 18 (Vulg., 20); os poderosos depostos, os humildes exaltados, Luc., 1, 52, καθεῖλεν... ἀπὸ θρόνων, e Eccli., x, 14 (Vulg., 17), θρόνους καθεῖλεν; a caridade torna filho do Altíssimo, Luc., vi, 35, καὶ ἔσεσθε υἱοὶ ὑψίστου, e Eccli., iv, 11, καὶ ἔση ὡς υἱὸς ὑψίστου; comer o que é apresentado, Luc., x, 8, e Eccli., xxxii, 16 (Vulg., 19); sua alma redemandada ao que dela gozava, Luc., xii, 19, 20..., ψυχή, ἔχεις πολλὰ ἀγαθά..., ἀναπαύου, φάγε......, e Eccli., xi, 19, 20, εὗρον ἀνάπαυσιν, καὶ νῦν φάγομαι ἐκ τῶν ἀγαθῶν μου; a divisão tripartite do Antigo Testamento, Luc., xxiv, 44, e Eccli., prol.; a Sabedoria, o Verbo não recebidos, Joa., 1, 5, 11, οὐ κατέλαβεν..., οὐ παρέλαβον, e Eccli., xv, 7, οὐ μὴ καταλήμψονται; a fome e a sede apaziguadas ou reavivadas, Joa., vi, 35, e Eccli., xxiv, 21 (Vulg., 29); é melhor dar do que receber, Act., xx, 35, e Eccli., iv, 31 (Vulg., 36); que é preciso ser pronto para ouvir, lento para falar, Jac., 1, 19, ἔστω... ταχύς εἰς τὸ ἀκοῦσαι, e Eccli., v, 13, γίνου ταχὺς ἐν ἀκροάσει σου; diante de Deus, não há acepção de pessoas, Rom., 11, 11, οὐ γάρ ἐστιν προσωπολημψία παρὰ τῷ θεῷ, e Eccli., xxxii (xxxv), 15, οὐκ ἔστιν παρ' αὐτῷ θεὸς προσώπου; chorar com os que choram, Rom., xii, 15, e Eccli., vii, 34 (Vulg., 38); nem tudo é útil..., os alimentos para o ventre, I Cor., vi, 12, οὐ πάντα συμφέρει..., 13, τὰ βρώματα τῇ κοιλίᾳ, e Eccli., xxxvii, 28 (Vulg., 31), οὐ γὰρ πάντα πᾶσιν συμφέρει, xxxvi, 23 (Vulg., 20), πᾶν βρῶμα φάγεται κοιλίᾳ; a tristeza segundo o mundo é mortal, II Cor., vii, 10, ἡ λύπη... θάνατον, e Eccli., xxx, 23 (Vulg., 25), ἀπέκτεινεν ἡ λύπη, xxxvii, 18 (Vulg., 19), ἀπὸ λύπης... θάνατος; salvos do século mau, Gal., 1, 4, ἐξέληται ἡμᾶς ἐκ τοῦ αἰῶνος... πονηροῦ, e Eccli., 11, 12 (Vulg., 16), ἐξείλου με ἐκ καιροῦ πονηροῦ; o dom da sabedoria nos corações, Eph., 1, 17, ἵνα ὁ θεὸς... δώῃ ὑμῖν πνεῦμα σοφίας, 18, π. τ. ὀ. τῆς καρδίας ὑμῶν, e Eccli., xiv, 23-26 (Vulg., 30-31), ἵνα... δῷ ὑμῖν σοφίαν ἐν καρδίᾳ ὑμῶν.
A Epístola de são Tiago sobretudo revela numerosas reminiscências do Eclesiástico. Trinta e duas passagens paralelas são assinaladas por J. B. Mayor, St. James, Londres, 1897; uma só, contudo, reúne todas as condições de evidência absoluta, 1, 19, e Eccli., v, 13, citada mais acima.
b) Os Padres apostólicos mostram igualmente em seus escritos que a leitura do Eclesiástico lhes era familiar, embora nenhum deles cite este livro como Escritura e que às vezes suas alusões a algum de seus versículos não pareçam ser de todo diretas. A passagem da Didaqué, 1, 2, do mandamento do amor de Deus, «que te criou», e do próximo, provém sobretudo, para sua primeira parte, de Eccli., vii, 30 (Vulg., 32), pelas palavras τὸν ποιήσαντά σε. Cf. Hemmer e Lejay, Textes et documents, t. v, Les Pères apostoliques, 1, Paris, 1907, p. 2. Did., x, 3, ἔκτισας τὰ πάντα refere-se tanto a Sap., 1, 14, quanto a Eccli., xviii, 1, Hemmer e Lejay, ibid., p. 18; mas Eccli., iv, 31 (Vulg., 36) forneceu sozinho, desta vez, um preceito à Did., iv, 5, para o «caminho da vida», e a Barnabé, xix, 9, para o da «luz». Hemmer e Lejay, ibid., p. 10, 96.
O Senhor que «sonda os abismos do olhar» de Clemente de Roma, I Cor., lix, 3, está muito mais próximo de Dan., ii, 31 (Vulg., 55), do que de Eccli., xvi, 18 sq. Cf. Funk, Die apostolischen Väter, Tubinga, 1906, p. 65. Mas o Senhor «compassivo e misericordioso» que «perdoa as ofensas» de I Cor., lix, 1, ἐλεήμων καὶ οἰκτίρμων, provém de Eccli., 1, 11, antes que de Joel, ii, 13, ou de II Par., xxx, 9. Funk, op. cit., p. 66.
O Pastor de Hermas, Vis., iii, 7, 8, toca em Eccli., xvi, 30; mas Vis., iv, 3, 4, διὰ τοῦ πυρός, parece estar menos próximo de Eccli., 1, 5, ἐν πυρί do que de I Petr., 1, 7, διὰ πυρός. Funk, p. 156, 163. Mand., x, 1, 6, roça seguramente em Eccli., ii, 3, πειρασμῷ, ao passo que Mand., x, 3, 1, τὴν ἱλαρότητα, provavelmente só se aproxima de Eccli., xxvi, 4, por intermédio de Rom., xii, 8; Phil., iii, 4; iv, 4; I Thess., v, 16. Funk, p. 178. Sim., v, 3, 8, ἔσται ἡ θυσία σου δεκτὴ παρὰ τῷ θεῷ combina Eccli., xxx, 9 (Vulg., xxxv, 9), e Phil., iv, 18, com exclusão de Is., lvi, 7, e de Prov., xv, 8, que têm o plural θυσίαι, δεκταί. Funk, p. 193. Sim., v, 5, 2, deve permanecer indeciso como Did., x, 3, ver mais acima. Funk, p. 194. Enfim Sim., v, 7, 4, por κύριος ὁ παντοκράτωρ, depende antes de Eccli., xii, 17, do que de II Cor., vi, 18, que não tem o artigo. Funk, p. 196.
2. No século III. — Durante este século, nenhuma dúvida se levanta sobre o caráter canônico do Eclesiástico: a) mencionado, aliás, em seu lugar tradicional no catálogo esticométrico das scripturarum sanctarum do Codex claromontanus (século III), fol. 467 v°, sob o título de Sapientia Sirach, Preuschen, Analecta, Leipzig, 1893, p. 142, assim como no catálogo dos livros da antiga Vulgata latina elaborado por Cassiodoro, De inst. div. litt., I, 14 (cf. Ps.-Gel. decretum), 125, sob a rubrica Salomonis libri V; b) e citado por Clemente de Alexandria, em profusão, em seus três livros do Pedagogo, ora como Escritura: ἡ γραφὴ λέγει (ou equivalente), cf., por exemplo, I, c. vii, 68 (Eccli., 1, 18; Vulg., 25, 27), P. G., t. viii, col. 382; ora como palavra da Sabedoria: ἡ σοφία λέγει (ou equivalente), cf., por exemplo, II, c. i, viii (Eccli., xvii, 32; xxxi, 38; ix, 15) (Vulg., 12). P. G., t. viii, col. 392, 447, 457; por Orígenes, In Jer., homil. xvi, n. 6, λεγούσης τῆς γραφῆς (Eccli., viii, 6), P. G., t. xiii, col. 448; por são Dionísio de Alexandria, De natura, fragm. iii, v (Eccli., vii, 26, 27, 30), P. G., t. x, col. 165, 168; por Metódio de Tiro, Conviv. decem virgin., várias citações de Eccli., P. G., t. xviii, col. 37, 44, 44, 104; por Tertuliano, Adv. Marcion., 1, 16 (Eccli., xv, 18), P. L., t. ii, col. 265; De exhort. castitatis, «como está escrito» (Eccli., xv, 18), P. L., t. ii, col. 946; por são Cipriano, trinta e duas vezes, cf., por exemplo, Testim. adv. Judæos, iii, 53 (Eccli., 1, 22), ed. Hartel, p. 155.
A mais antiga tradição grega e latina depõe, portanto, em favor da canonicidade do Eclesiástico, e a tradição grega se confirma ainda mais pelo fato de que o cânone dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Vaticanus (século IV), o Sinaiticus (século IV), o Alexandrinus (século V), o Codex Ephremriticus (século V), corresponde, para o Eclesiástico como para outros livros, não ao dos grandes escritores da época em que foram copiados — ver adiante —, mas ao da antiga versão latina dos Setenta.
3. Nos séculos IV e V. — Nessa época, e primeiro no Oriente, surgem algumas dúvidas bastante marcadas quanto à canonicidade do Eclesiástico, o qual partilha, aliás, nisso a sorte dos outros livros ou porções deuterocanônicas do Antigo Testamento. Essas dúvidas se propagaram, por repercussão, no Ocidente.
a) No Oriente, o movimento havia começado com Melito de Sardes, cf. Eusébio, H. E., iv, 26, P. G., t. xx, col. 397; e Orígenes, In Ps., P. G., t. xii, col. 1084, cujas listas dos escritos do Antigo Testamento enumeravam apenas os livros que faziam parte da Bíblia hebraica, e ele se comunicou aos discípulos do próprio Orígenes, os quais, fixando o número desses livros em 22 ou 24, «não se conformaram à mais antiga tradição da Igreja, mas a uma estimativa retificadora de cristãos eruditos que haviam aprendido esse número na escola de mestres judeus.» Swete, Introduction to the Old Test. in Greek, Cambridge, 1902, p. 224. Assim, santo Atanásio, Epist. fest., xxxix, P. G., t. xxvi, col. 1436, coloca a Σοφία Σιράχ «fora do cânone» e a arranja com outros deuterocanônicos na coleção dos livros piedosos convenientes aos novos convertidos. Ibid., col. 1176. Mais apegado que Atanásio à tradição judaica, Eusébio de Cesareia reproduz ainda o catálogo de Orígenes, H. E., vi, 25, P. G., t. xx, col. 581, e não há dúvida de que, tendo dividido em três classes a totalidade dos livros de doutrina ou de piedade que corriam na Igreja, tenha colocado o Eclesiástico entre os ἀντιλεγόμενα, «contestados», entre os ὁμολογούμενα, «incontestados» (catálogo de Melito e de Orígenes) e os νόθα, «supostos».
Depois de enumerar os «vinte e dois» livros do Antigo Testamento «transmitidos pelos sábios e piedosos apóstolos», e de dar também o cânone do Novo Testamento, são Cirilo de Jerusalém relega «todos os outros livros», entre eles o Eclesiástico, ἐν δευτέρῳ, e não ousa recomendar muito a sua leitura. Cat., iv, 33, 35, 36, P. G., t. xxxiii, col. 496 sq. São Gregório de Nazianzo, Carm., 1, 12; P. G., t. xxxvii, col. 472, e seu amigo santo Anfilóquio de Icônio, Jambi ad Seleucum, em S. Gregório de Nazianzo, Carm., 1, 7, ibid., col. 1593, omitem o Eclesiástico entre «os livros inspirados» que pretendem «enumerar em detalhe». Menos categórico, santo Epifânio, em seu tratado das «Heresias», viii, 6, P. G., t. xli, col. 413, escrito por volta de 374-377, dá o cânone dos judeus em 27 livros e constata que «entre eles» a «Sabedoria de Sirach» era ἐν ἀμφιλέκτῳ. Um pouco mais tarde, por volta de 392, enumera ainda duas vezes apenas os 22 livros «que são 27» na realidade, De pond. et mens., 4, P. G., t. xliii, col. 244; 22-23, ibid., col. 277, e assinala simplesmente, na primeira dessas duas passagens, a exclusão de ἡ (σοφία) τοῦ Ἰησοῦ τοῦ υἱοῦ Σειράχ.
Quanto ao autor anônimo do Dialogus Timothei et Aquilæ, coloca resolutamente entre os ἀπόκρυφα, e depois dos 22 livros, ἡ σοφία Ἰησοῦ υἱοῦ Σειράχ. Swete, op. cit., p. 206. O Eclesiástico falta também, junto com os deuterocanônicos, nas listas do 60º cânone de Laodiceia, Mansi, Concil., t. ii, col. 574, e do 85º cânone dos apóstolos, P. G., t. cxxxvii, col. 211; este último, todavia, recomenda aos jovens τὴν σοφίαν τοῦ πολυμαθοῦς Σιράχ.
b) No Ocidente, santo Hilário de Poitiers, In Psalm., prol., 15, P. L., t. ix, col. 241, influenciado por Orígenes, e Rufino, In symb. apost., 36-38, P. L., t. xxi, col. 378, influenciado por santo Atanásio, recusam a «canonicidade» à Sapientia Sirach (Rufino). São Jerônimo também a rejeita, mas categoricamente, como «apócrifa», Prol. gal., P. L., t. xxviii, col. 1243, ou como «pseudepígrafa», Pref. in Esdr., P. L., t. xxviii, col. 1403; o catálogo da Epist., liii, ad Paulin., 8, P. L., t. xxii, col. 545, não a contém.
A verdadeira tradição testemunhava, contudo, em favor do caráter sagrado, da inspiração do Eclesiástico, cada vez que se exprimia livremente fora de qualquer preocupação relativa ao cânone judaico palestinense, e os próprios que excluíam este livro de seus catálogos ou hesitavam em nele admiti-lo não deixavam, em absoluto, de citá-lo em outro lugar como Escritura ou como texto capaz de definir, confirmar ou atestar a fé. Cf. S. Atanásio, Orat. cont. arianos, 1, 4, 79, P. G., t. xxvi, col. 153, 313; Apol. cont. arian., 66, ibid., t. xxv, col. 365; Epist. ad episcop.
Aegypti, 3, ibid., col. 544; Hist. arian., 52, ibid., col. 765; In Ps. cxviii, 60, P. G., t. xxvii, col. 489; Eusébio, De eccles. theol., 1, 12 (Eccli., iii, 22), P. G., t. xxiv, col. 845; S. Cirilo de Jerusalém, Cat., vi, 19; vii, 19, 20; xvi, 30, P. G., t. xxxiii, col. 544, 716; Cat. myst., 5, 17, ibid., col. 1121; S. Gregório de Nazianzo, Orat., iv, 12; vii, 4, P. G., t. xxxv, col. 541, 737; S. Epifânio, que acaba por admitir «o livro de Sirach» entre as «Escrituras divinas», Hær., lxxvi, 5, P. G., t. xlii, col. 560, e que o cita, Hær., xxiv, 6; xxxi, 8; xxxvii, 9, P. G., t. xli, col. 316, 569, 653; S. Hilário de Poitiers, In Ps. lxvi, 9; cxx, 5, P. L., t. ix, col. 441, 826; Rufino, De bened. patriarch., P. L., t. xxi, col. 326, 338; o próprio S. Jerônimo, Epist., cviii, ad Julianum, n. 1, divina Scriptura (Eccli., xxii, 6), P. L., t. xxii, col. 965; Adversus pelag., 1, 34; 11, 5, scriptum est (Eccli., iii, 22, 30), P. L., t. xxiii, col. 520, 540; In Ezech., xviii, 6, dicente Scriptura (Eccli., 1, 30), P. L., t. xxiv, col. 67; In Ezech., xviii, 6, scriptum est (Eccli., xxx, 1), P. L., t. xxv, col. 174.
Paralelamente aos catálogos que o excluem, outros catálogos dos livros sagrados e canônicos de caráter totalmente oficial na Igreja do Ocidente mencionam o Eclesiástico. Cf. concílio de Cartago (397 e 419), can. 39 ou 47: Salomonis libri QUINQUE, Preuschen, Analecta, p. 162; catálogo de Mommsen, ms. do século X, Saint-Gall, Cheltenham, atestando como do ano 359 uma lista esticométrica dos libri canonici (cf. todavia Sam. Berger, Histoire de la Vulgate, p. 320): Salomonis vers. vii (aproximação do total detalhado no Claromontanus, ver col. 2036, dos versículos de Prov., Eccl., Cant., Sap., Eccli.), Preuschen, op. cit., p. 189; decreto de Gelásio, 1, 3: item liber Sapientie quem Jesu filii Siracis esse Hieronymus iudicat, Preuschen, p. 148.
Do mesmo modo os Padres e escritores da Igreja romana: S. Inocêncio I, Epist. ad Exsuperium: Salomonis libri V, Mansi, Concil., t. iii, col. 1040-1041; P. L., t. xx, col. 501; da Igreja da África: Lactâncio, De div. institut., iv, 8, P. L., t. vi, col. 468; Optato de Milevo, De schism. donat., ii, 3, P. L., t. xi, col. 1000; Santo Agostinho, De civ. Dei, xvii, 20: Ecclesiasticum... in auctoritatem maxime occidentalis antiquitus accepit Ecclesia, P. L., t. xli, col. 550; De doctr. christ., ii, 8, et Ecclesiasticus in auctoritatem recipi (meritus), inter (libros) propheticos (numerandus), P. L., t. xxxiv, col. 41; De baptism. contr. donatist., vi, 34, P. L., t. xliii, col. 217; 1, 21, P. L., t. xliii, col. 121, tratando Eccli., xxxiv, 30, como texto da Escritura, palavra de livro santo, Escritura divina; da Igreja da Espanha, testemunhando a canonicidade do Eclesiástico por Prisciliano, Liber de fide et apocryphis, em: Schepss, Priscilliani quæ supersunt, Viena, 1889, Corpus scriptor. eccl. lat., t. xviii, p. 44-56; da escola de Antioquia: Teodoro de Mopsuéstia, em seu eco fiel Junílio (século VI), Instituta regularia divinæ legis, 1, 5, edit. H. Kihn, Friburgo-em-Brisgau, 1880, p. 476; o catálogo do «questor do sacro palácio», colocando o livro de Jesu filii Sirach entre os Proverbia, reconhece-o como de autoridade perfeita e canônica, P. L., t. lxvii, col. 16 sq.; Swete, op. cit., p. 207; S. João Crisóstomo, In Eph. (Eccli., xi, 19; v, 6), P. G., t. lxii, col. 20, 35; Teodoreto, In Dan., 1, 9, ἕτερος προφήτης (Eccli., 1, 14), P. G., t. lxxxi, col. 1278; da Igreja síria, Santo Efrém, Opera græca, Roma, 1732, t. i, p. 35. Poder-se-ia dizer o mesmo da Igreja capadócia, S. Basílio, In Hexaem., homil. vi, 10, P. G., t. xxix, col. 144, etc.; pseudo-Basílio, Enar. in proph. Isaiam, c. vi, ait scriptura (Eccli., xvii, 6), P. G., t. xxx, col. 504; S. Gregório de Nissa, De vita Moysis, P. G., t. xliv, col. 357, etc.
4. Do século VI ao concílio de Trento. — a) A Igreja do Oriente continua a utilizar o Eclesiástico como Escritura, embora certos catálogos o omitam ou ainda o rejeitem: tais os de Leôncio de Bizâncio, De sectis, II, P. G., t. LXXXVI, col. 1200; do pseudo-Atanásio, Synopsis Scripturae sacrae, P. G., t. XXVIII, col. 283; de são João Damasceno, De orthodoxa fide, IV, 17, P. G., t. XCIV, col. 1180; de Nicéforo de Constantinopla, Stichometria, que coloca a Σοφία υἱοῦ τοῦ Σιράχ entre os ἀντιλέγονται καὶ οὐκ ἐκκλησιάζονται (γράφαι), P. G., t. C, col. 1056; Preuschen, Analecta, p. 157; Swete, p. 209; o catálogo dos 60 livros, que coloca a Σοφία Σιράχ sob a rubrica ὅσα ἔξω τῶν ξ' (βιβλίων), Preuschen, p. 159; Swete, p. 210; embora também certos autores tenham parecido querer ater-se teoricamente às listas de santo Atanásio, do 60º cânone de Laodiceia, do 85º dos apóstolos, cf. nos Comentários sobre os cânones dos apóstolos e dos concílios (Paris, 1618), Zonaras, P. G., t. CXXXVII, col. 216, 1420; t. CXXXVIII, col. 421, 564; Alexis Aristène, P. G., t. CXXXVII, col. 216; t. CXXXVIII, col. 121; Balsamon, P. G., t. CXXXVIII, col. 121, 560; Mateus Blastares, Syntagma alphabeticum, P. G., t. CXLIV, col. 1440 sq.; ao lado de listas que, ao contrário, o admitem: pseudo-Crisóstomo, Synopsis Veteris et Novi Testamenti: ἡ τοῦ Σιράχ σοφία, P. G., t. LXI, col. 313 sq.; Swete, p. 205; Σύνοψις ἐν ἐπιτόμῳ, depois dos ιβ' e ε' profetas: μα', Σοφία Ἰησοῦ τοῦ Σιράχ, em Lagarde, Septuaginta-Studien, II, p. 60 sq.; Swete, p. 206; Ebedjesu, Catal. libror. Eccl., Bar-Sira, em Assémani, Bibl. or., t. III, p. 5 sq.; Swete, p. 208; de manuscritos bíblicos que o contêm, como o Codex syrohexaplaris Ambrosianus (século VII), o Codex Venetus (séculos VIII-IX); de autores que, tendo-o excluído de suas listas das Escrituras, todavia o citam como palavra de Escritura: Leôncio de Bizâncio e são João Damasceno; do VII concílio ecumênico (787), que cita como Escritura Eccli., I, 32, Mansi, Concil., t. XII, col. 435; do VIII concílio ecumênico (869-870), que cita duas passagens do Eclesiástico, VII; XI, 7, como Escritura, Mansi, Concil., t. XVI, col. 195, 166.
b) A Igreja do Ocidente manifesta sua crença da mesma maneira, isto é, contradiz aqui e ali, por algumas restrições de caráter puramente teórico, sua prática constante e inteiramente favorável à canonicidade do Eclesiástico. Essas restrições são, aliás, sempre explicáveis pela obsessão persistente do cânone judaico palestinense.
A influência real de são Jerônimo se faz sentir sobre são Gregório Magno, cuja opinião é que o texto dos deuterocanônicos pode sem dúvida ser invocado como testemunho, mas enquanto non libris non canonicis, Moral. in Job, XIX, 21, P. L., t. LXXVI, col. 119, e que cita, por vezes, em consequência, o Eclesiástico como palavra de simples sabedoria, Moral., 26, P. L., t. LXXV, col. 544, quando, em outros lugares, o cita como Escritura; sobre Alcuíno, para quem o Eclesiástico não deve ser citado, tendo o «bem-aventurado Jerônimo» o «contado inter apocryphas, id est dubias Scripturas», Lib. I adv. Elipand., P. L., t. CI, col. 253 sq., e que, no entanto, em seus catálogos versificados dos livros bíblicos, o coloca entre os Ecclesiae libros, Carm., VI, P. L., t. CI, col. 73; sobre os autores demasiado apegados ao dado judaico dos números 22 ou 24, tais como Beda, Autpert, Agobardo de Lyon, Haymon de Halberstadt, ver t. II, col. 1580; Pedro, o Venerável, João de Salisbury, Pedro de Celles, João Beleth, ver ibid., col. 1581; Hugo de São Caro, Nicolau de Lira, Thomas Vallensis, Afonso Tostado, santo Antonino, Dionísio Cartuxano, ver ibid., col. 1581-1582; mas que, não reprovando nenhum deuterocanônico, ou citam o Eclesiástico, ou o dizem «recebido» com outros, ou o reconhecem «aprovado» pela Igreja, embora nem sempre a título de livro estritamente canônico; sobre Notker, o Gago, De interpret. div. Script., 3, P. L., t. CXXXI, col. 996, que afirma que o «livro de Jesus, filho de Sirach... é considerado entre nós como duvidoso;» sobre Hugo de São Vítor, De Script. et scriptoribus sacris, 6, P. L., t. CLXXV, col. 15, que se atém aos vinte e dois livros, e para quem o de Jesus non scribitur in canone; sobre santo Tomás de Aquino, que admite uma dúvida possível sobre «a autoridade do Eclesiástico, porque não se encontra entre os hebreus, entre as Escrituras canônicas;» Sum. theol., Ia, q. LXXXIX, a. 8, ad 2m; sobre G. Ockam, João Horne, Caetano, ver t. II, col. 1581, 1582.
Fora desses casos totalmente pessoais, a Igreja do Ocidente aceita o Eclesiástico, com os outros deuterocanônicos, para sua liturgia, seu ensino pastoral e teológico, e o comenta como Escritura. Quanto aos testemunhos e citações do papa Hilário, de são Patrício, de Juliano Pomério, de são Leão Magno, de Dionísio, o Exíguo, de Cassiodoro, de santo Isidoro de Sevilha, de santo Eugênio, de santo Ildefonso de Toledo, da Disputatio puerorum, ver t. II, col. 1579, 1580; do códex Amiatinus, das Bíblias espanholas e teodulfianas, Sam. Berger, Histoire de la Vulgate, p. 12, 14, 16, de Rábano Mauro, e da Glossa ordinaria, dos cânones da Igreja franca e das coleções de Burcardo de Worms e de Ivo de Chartres, ver t. II, col. 1580; de numerosos autores e de todos os manuscritos da Idade Média (séculos XII-XV), enfim do concílio de Florença, ver t. II, col. 1582. Cf. também A. Loisy, Histoire du canon de l'Ancien Testament, Paris, 1890, p. 153 sq., 169 sq., 175 sq., 180 sq., 182 sq., 138, 140, 142 sq., 150, 152, 156, 158, 164-166, 171-178.
5. Do concílio de Trento até nossos dias. — Tendo o concílio de Trento proclamado o Eclesiástico «livro sagrado e canônico», toda oposição a esse respeito cessou doravante entre os católicos, embora certos autores, influenciados pela lembrança das flutuações antigas e contando sobretudo os testemunhos, não tenham tido uma compreensão bem nítida dessa canonicidade; assim Melchior Cano, que declara «mais errôneo» rejeitar o Eclesiástico e alguns outros do que Baruc, De locis theol., Pádua, 1727, l. II, c. IX. Os protestantes excluíram este livro do cânone e, com os outros deuterocanônicos, relegaram-no ao final de suas Bíblias impressas.
Essa exclusão geral não se fez, contudo, sem suscitar algum protesto do próprio lado dos reformados, ver W. H. Daubney, The use of the apocrypha in the christian Church, Londres, 1900, p. 58 sq., e, no que se refere ao Eclesiástico em particular, vemo-lo citado como Escritura, ou por alguma fórmula equivalente, na Igreja anglicana, e com bastante frequência, até nossos dias; assim J. Wiclef, ver Daubney, op. cit., p. 62; uma coleta do Prayer-book, ibid., p. 65; as lições das Homilies, ibid., p. 68 sq.; os oradores e os teólogos, ibid., p. 61-92.
Uma tentativa de retorno ao único cânone hebraico, em eco do protestantismo, por parte do patriarca de Constantinopla, Cirilo Lucaris, e do monge macedônio Metrófanes Critópulo, no século XVII, foi condenada por vários sínodos gregos de Constantinopla e de Jerusalém, onde a «Sabedoria de Sirach» foi «contada, com os outros livros autênticos, como parte verdadeira da santa Escritura». A. Loisy, op. cit., p. 243 sq.; M. Jugie, Histoire du canon de l'A. T. dans l'Église grecque et l'Église russe, Paris, 1909, p. 34-53. Quanto à Igreja russa, ver M. Jugie, ibid., p. 61-62, 70, 71, 73, 74, 76, 79, 84, 85.
III. AUTOR. SUA ÉPOCA. SUA ORIGINALIDADE. — Para vários Padres, sobretudo na Igreja latina, o autor do Eclesiástico não foi outro senão o próprio Salomão. Cf. S. Cipriano, Testim. cont. Jud., II, 1; III, 6, 12, etc., P. L., t. IV, col. 696, 735, 741, e em outros lugares; S. Optato, De schism. donat., II, 3, P. L., t. XI, col. 1006, etc.; S. Jerônimo, citando Eusébio, Demonstr. evang., VIII, 2, 71, escrevia mesmo: Plerisque (liber) Salomonis falso dicitur. In Dan., IX, 24, P. L., t. XXV, col. 545. Desculpa-se, contudo, de erro esses Padres e os catálogos, conciliares ou outros, que apresentam a mesma anomalia, ver, mais acima, col. 2038, observando que com isso não quiseram afirmar outra coisa senão a grande semelhança do Eclesiástico com os Provérbios, por um gênero de poesia gnômica, cujo representante ideal em Israel era o rei Salomão. Cf. Dictionnaire de la Bible, t. II, col. 1544; Gigot, Special Introduction, t. I, p. 181. Aliás, o próprio são Jerônimo também se deixa enganar nisso: Ipse Salomon ait: Eccli., XXVII, 26. In Eccle., IV, 13, P. L., t. XXIII, col. 1042.
O autor certo do livro do Eclesiástico é Jesus, filho de Sirach (forma grega) ou melhor Sira (forma hebraica), de Jerusalém, Eccli., L, 27 (Vulg., 29). Pode-se manter esse nome de Jesus, apesar do texto hebraico de L, 27; LI, 30 (duas vezes) e do de R. Saadia Gaon, Sepher Haggaloui, edit. Harkavy, p. 151, que dão «Simão, filho de Jesus..., ben-Sira».
Esse nome de Simão foi antes intercalado no hebraico do que suprimido do grego, quando se formou a tradição que quis fazer do autor do Eclesiástico um parente dos sumos sacerdotes Simão: pois o Talmude sempre nomeia esse autor Ben-Sira, qualificativo patronímico, mediato ou imediato, de Jesus nos textos; e o dado do grego se confirma pelas versões siríaca e árabe, assim como pela lenda da Natividade de Ben Sira. Cf. Revue des Études juives, t. XXVIII (1894), p. 197 sq. Ver também Ryssel, em Kautzsch, Die Apokryphen, t. I, p. 283 sq. Fez-se de Jesus Ben-Sira o filho e sucessor no cargo do sumo sacerdote Simão II, cf. Jorge Sincelo, Chronographie, edit. Dindorf, Bonn, 1829, t. I, p. 525, com base num trecho de Eusébio, Chron., 137-138, mal compreendido. Ver Fritzsche, Kurz. exeg. Handbuch zu den Apocr., t. V, Die Weisheit Jesus-Sirachs, Leipzig, 1859, p. X sq.; Schürer, Geschichte des jüdischen Volkes, 3ª edit., Leipzig, 1898, t. III, p. 159. Essa lenda parece ter dado origem à glosa ), introduzida, L, 27, nos manuscritos do tipo alexandrino, depois de Σιράχ, e LI, 30, no hebraico, glosa destinada a aparentar Jesus com o sumo sacerdote Eleazar ou Eliézer, que teria sido então seu avô. Ver Fritzsche, op. cit., p. X, 306; Edersheim, em Wace, The Apocrypha, Londres, 1888, p. 3; Schürer, op. cit., p. 158.
Teria Jesus sido ao menos um sacerdote, como pensaram alguns críticos, Linde, Zunz, Scholz, em Fritzsche, op. cit., p. XII, apoiando-se seja na variante do Sinaiticus (L, 27), corrupção gráfica evidente de Ἱεροσολυμίτης, seja em passagens tais como VII, 29-31; XIV, 6-25; XLIX, 12, e L? Tampouco, pois os textos invocados não implicam de modo algum, apesar dos elogios do sacerdócio aarônico que encerram, que seu autor fizesse parte dele. Resta apenas que Jesus Ben-Sira era um judeu piedoso para com Deus, seu templo e seus ministros, VII, 29 sq., estudioso da literatura sagrada e erudito, prol. e XXXVII, 24-XXXIX, 5, talvez personagem suficientemente importante para que um rival tenha pensado em prejudicá-lo caluniando-o junto ao «rei», LI, 1-12; um viajante, enfim, «em terras estrangeiras», que foi mais de uma vez exposto à morte no decorrer de suas viagens, XXXIV, 10-13.
A época em que o autor do Eclesiástico escreveu seu livro já não é praticamente controversa. Os dados do problema são os seguintes: 4. O neto de Jesus Ben-Sira traduziu o Eclesiástico «algum tempo» depois de ter chegado ele mesmo ao Egito «no trigésimo oitavo ano, sob o rei Evergetes», ἐπὶ τοῦ Εὐεργέτου βασιλέος, prol. Estando o sentido de ἐπὶ claramente definido por comparação com as passagens similares, Ag., I, 2; I, 4; Zac., I, 7; VII, 4; 1 Mac., XI, 42; XIV, 27, e sobretudo com as inscrições gregas dos três primeiros séculos antes de nossa era, onde ἐπὶ é empregado da mesma maneira para datar os anos de reinado dos reis, e não podendo o 38º ano ser razoavelmente a idade em que o tradutor desceu ao Egito, como pensavam alguns intérpretes, ver Cornely, Introductio specialis, t. I, 2, p. 251, 253, mas o 38º ano do reinado do Evergetes, resta identificar esse príncipe com um dos Lágidas, e depois, para obter a data aproximada da composição do livro, acrescentar à data que representa o 38º ano do reinado os cerca de sessenta anos que separam o avô autor do neto tradutor. Ora, houve no Egito dois Evergetes: Ptolomeu III (247-222) e Ptolomeu VII. Ora, não pode tratar-se do primeiro, o qual reinou apenas 25 anos. O segundo, embora tendo reinado sozinho sobre todo o Egito apenas 29 anos, de 145 a 116, pôde contar não obstante 54 anos de reinado, pois foi, no ano 170, associado ao trono por seu irmão Ptolomeu VI Filométor. O neto de Jesus Ben-Sira teria, portanto, chegado à terra dos Faraós no ano 132 antes de nossa era, e Ben-Sira teria composto seu livro por volta do ano 180, se se admitir que o tradutor só concluiu sua obra depois de sete ou oito anos de permanência. Cf. A. Deissmann, Bibelstudien, Marburgo, 1895, p. 255-257.
— Pode-se objetar, contudo, a esse raciocínio: a) a má construção da frase do prólogo ἐν τῷ ὀγδ. καὶ τριακ. ἔτει ἐπὶ τοῦ Εὐεργ. βασιλέως, na hipótese em que esse «ano» designa o 38º de Evergetes e não a idade do tradutor, Westcott, Pusey, Winer, em C. D. H. Wright, The Book of Koheleth, Londres, 1883, p. 34 sq; b) contra a identificação desse Evergetes com Ptolomeu VII, a não menção do apelido de Evergetes nos monumentos referentes à memória desse rei e a probabilidade muito ínfima de que um judeu piedoso como o nosso tradutor tivesse aplicado a um príncipe que seus súditos chamavam Fiscon (barrigudo), Cacergetes (malfazejo) por ser sanguinário, o belo título de Evergetes (benfeitor) que, só ele, soubera merecer e obter sem contestação Ptolomeu III, Pusey, loc. cit., p. 35; Vigouroux, Manuel biblique, t. I, n. 878;
c) para alongar o intervalo que separa Jesus Ben-Sira de seu tradutor, a maneira tantas vezes defeituosa como este último compreendeu seu modelo: se esses defeitos se devem a um mau estado do texto hebraico, será mesmo em apenas algumas dezenas de anos que esse texto se teria corrompido a esse ponto? ou será preciso admitir que o descendente direto do autor, seu próprio neto, tão interessado por esse título em manter intacta a interpretação de sua obra, já havia perdido a tradição dela? e as palavras ὁ πάππος μου Ἰησοῦς não seriam melhor traduzidas: «Jesus, meu ancestral», mergulhando assim mais adiante no passado do que «Jesus, meu avô»? J. Halévy, Étude sur la partie du texte hébreu de l'Ecclésiastique récemment découverte, Paris, 1897, p. 63, em Ryssel, loc. cit., p. 239.
— Responde-se a essas objeções, e vitoriosamente, ao que parece: a) Na hipótese em que o 38º ano de Evergetes designa a idade do tradutor, a frase está igualmente mal construída; ademais, essa indicação da idade em que teria ocorrido a chegada ao Egito falharia completamente seu objetivo, o de datar o mais precisamente possível a tradução, visto que o leitor ignorava a data de nascimento do tradutor. Fritzsche, op. cit., p. xiv; Cornely, op. cit., p. 251 sq. b) Ptolomeu VII Fiscon conferiu-se, na realidade, o título de Evergetes, sob o qual, aliás, foi conhecido pela história, cf. Eusébio, Chron., ii, 22, P. G., t. xix, col. 202; e teria sido certamente perigoso para o neto de Ben-Sira designar o dito monarca por outro título que não esse, caso não quisesse dar-lhe seu nome patronímico. Wright, op. cit., p. 35; Cornely, p. 252. c) «Se (o tradutor) traiu singularmente a obra cuja beleza exaltava, isso se deve... à ignorância do hebraico bíblico.» I. Lévi, L'Ecclésiastique, I parte, p. xxix.
Aliás, outras circunstâncias além da de um longo tempo decorrido podem explicar o mau estado de um texto; e as falhas e erros do tradutor do Eclesiástico só teriam força demonstrativa no caso presente se estivesse provado que se devem a mudanças e variações sofridas pelo idioma hebraico desde a época da composição do livro, e tais que o tradutor já não pudesse captar o verdadeiro sentido das palavras e expressões empregadas pelo autor, o que não é demonstrável e, em alguns casos, sofre mesmo contradição absoluta. Ryssel, loc. cit., p. 239.
2. Outro dado que pode servir para datar a obra de Jesus Ben-Sira é o elogio poético do sumo sacerdote Simão, filho de Onias, que lemos no capítulo L, pois o autor do Eclesiástico parece realmente ter vivido sob o governo daquele que celebra com tanta pompa. Cf. L, 5 sq. e 24. Eusébio, Demonstr. evang., viii, P. G., t. xx, col. 616, e são Jerônimo, In Dan., ix, 14, P. L., t. xxvi, col. 545, viram, nesse sumo sacerdote, Simão II, que exerceu as funções do alto sacerdócio no começo do século III. Schürer, op. cit., t. ii, p. 159, data que concorda manifestamente com a obtida anteriormente pelos cálculos baseados na menção do 38º ano do reinado de Ptolomeu VII Fiscon, dito Evergetes.
O que sabemos, aliás, de Simão II, assim como dos acontecimentos e circunstâncias de seu tempo, recebe, com efeito, confirmação já no início da passagem citada e em algumas outras do livro de Ben-Sira. As obras executadas sob o pontificado e pelo zelo de Simão referentes à cidade e ao templo, L, 1-4 (heb.), correspondem às que se executaram em Jerusalém, depois de 198, sob o reinado e com o concurso efetivo do rei da Síria Antíoco III, o Grande, vencedor de Ptolomeu IV Filopator. Josefo, Ant. jud., XII, iii, 3. Os sentimentos de hostilidade em relação aos pagãos, por causa de seu orgulho e da sujeição em que mantêm o povo de Deus, sentimentos expressos, XXXV (xxxvi) 18; XXXVI (xxxiv), 1 sq., conviriam ao tempo de Antíoco IV Epifânio se, não supondo todavia nenhum atentado direto ao livre exercício do culto judeu, não se ajustassem melhor ao de Ptolomeu Filopator (222-205) e de Antíoco, o Grande (223-187), cuja perpétua rivalidade foi fonte de males para a Palestina.
Essa identificação do sumo sacerdote Simão, Eccli., L, com Simão II sofreu, por sua vez, dificuldade, e não poucos críticos defenderam a identificação com Simão I, dito o Justo, também filho de Onias e contemporâneo de Ptolomeu I no começo do século III: pontífice célebre por sua piedade, seu zelo, sua beneficência, três virtudes de que havia feito seu objetivo e sua divisa. Josefo, Ant. jud., XII, ii, 5; iv, 1; Pirké Aboth, I, 2.
— a) Graetz, Geschichte der Juden, Leipzig, 1866, t. iv, p. 235, decidiu-se por Simão I com base numa leitura da versão siríaca que menciona expressamente «Simão, o Justo», L, 23 (24). Mas o texto hebraico recentemente descoberto mostrou que ali havia leitura errônea.
— b) O mesmo, assim como também Edersheim, J. Halévy, ver Ryssel, loc. cit., p. 238, objetaram que, tendo Ptolomeu I mandado demolir as muralhas das cidades fortificadas da Palestina, as obras de reconstrução ou de reparo em Jerusalém às quais se alude, L, 1-4, poderiam muito bem ter sido executadas no tempo de Simão I. Mas a história (Josefo, Ant. jud., XII, iii, 3), que relata as reconstruções de Simão II, não faz menção de nada semelhante para Simão I, e nada, portanto, nos prova que este tenha sido realmente o reconstrutor que se pretende.
— c) Os males suportados pelos judeus, que legitimam os sentimentos expressos, XXXV (xxxvi) 18; XXXVI (xxxiv), 1 sq., são, diz Edersheim, males passados, não reportáveis à época do autor, que é tranquila, feliz, XLV, 26; L, 22 sq., como a de Simão I, ao contrário da de Simão II, que, segundo Halévy, foi demasiado agitada, demasiado cheia de infortúnios para que uma obra de tom tão tranquilo como o Eclesiástico pudesse ali ter sido escrita. Cf. Ryssel, ibid. Mas é preciso observar que, depois de 198 e do triunfo de Antíoco, o Grande, sobre Filopator, os contemporâneos de Simão II também tiveram seu momento de trégua, fazendo então o poderoso rei da Síria tudo o que podia para conciliá-los; os textos, XL, 26; L, 22 sq., convêm, portanto, igualmente à época de Simão II.
— d) Os numerosos partidários de Simão I também fizeram valer a razão de que, tendo o sumo sacerdote Simão II tomado partido por seus parentes os filhos de Tobias, tidos por ardentes propagadores das ideias pagãs, nas perturbações e lutas políticas em que se viram envolvidos, Josefo, Ant. jud., XII, iv, 10 sq., o autor do Eclesiástico não poderia, se vivesse nessa época, fazer um elogio tão belo de Simão II, e teria, ao contrário — o que não fez —, reprovado essas doutrinas pagãs e censurado os que as propagavam e sustentavam, ele sobretudo que se mostrou tão duro para com os samaritanos, L, 26 (28). Cornélio a Lápide, Goldhagen, Scholz, Welte, Danko, Vigouroux, Lesêtre, Holzammer, Haneberg, Keil, Vaihinger, etc. Cf. Cornely, op. cit., p. 253. Mas não está provado que o movimento helenista de ideias e costumes, antipático aos judeus piedosos e sinceros da época grega, tenha começado tão cedo, ao mesmo tempo que as disputas dos Tobíadas pelo sumo sacerdócio; quando se fala disso, é Seleuco IV Filopátor quem reina, e Simão II já está morto. Josefo, Ant. jud., XII, v, 1; Cornely, p. 252.
— e) Enfim, o grande argumento em favor de Simão I é a grande fama deste na tradição judaica. Não se imagina que, se Jesus Ben-Sira ouviu elogiar Simão II na célebre passagem, L, 1 sq., a memória desse pontífice tenha sido apagada depois a ponto de se perder inteiramente, e que o autor do Eclesiástico não tenha feito menção a Simão I, ainda mais ilustre, em seu catálogo dos antepassados. Por isso, alguns autores quiseram fazer dos dois Simões um único e mesmo personagem, ou, ao menos, viram em Simão II o Simeão o Justo da tradição. Cf. Ryssel, loc. cit., p. 237.
Mas a tradição judaica, mais do que contestável em si mesma pelas contradições e anacronismos que admite a respeito da personalidade de Simeão o Justo, ver I. Lévi, L'Ecclésiastique, Ie partie, p. XXX sq., não a caracteriza de outro modo senão pela piedade, e nisso fica aquém do que deveria ao personagem tão imponente e tão ativo de quem se fala, Eccli., L.
A posteridade deixou cair no esquecimento a memória de mais de um homem ilustre por títulos diversos. O autor do Eclesiástico também se esqueceu de mencionar Daniel, Mardoqueu, Esdras. Ryssel, ibid., p. 235 sq.; Cornely, p. 251, 252. A passagem talmúdica Pirké Aboth, I, 2, em M. Schuhl, Sentences et proverbes du Talmud et du Midrasch, Paris, 1878, p. 479, não permite confundir os dois Simões, pois faz do primeiro um dos últimos membros da Grande Sinagoga, no fim da época persa, esta indevidamente recuada ainda mais meio século para trás pela cronologia própria do Talmude. Ryssel, loc. cit., p. 237.
3. Os dados das passagens, II, 12 sq. (Vulg., 14 sq.), maldições proferidas contra os renegados; IV, 28 (Vulg., 33), exortação a combater até a morte pela verdade; X, 9 sq. (Vulg., 12 sq.), alusão possível ao gênero de morte que atingiu Antíoco Epifânio, não obrigam contudo a descer ainda mais, com Hitzig, Die Psalmen übersetzt und ausgelegt, t. ii, p. 118, a composição do Eclesiástico para o tempo dos Macabeus; pois, se tais passagens supõem o povo oprimido e defecções entre os fiéis, não se trata contudo nelas de luta aberta contra os opressores, e não é duvidoso que Jesus Ben-Sira teria feito menção aos Macabeus se tivesse escrito no tempo deles. Fritzsche, op. cit., p. xvii.
3° A originalidade do autor do Eclesiástico foi posta em dúvida quanto à composição de seu livro, que ele teria feito no todo ou em parte de peças reunidas, ou quanto às suas ideias, das quais teria tomado emprestadas algumas à filosofia grega.
1. Representou-se Jesus Ben-Sira como um simples compilador que teria reunido num só corpo seja uma quantidade de sentenças e proposições doutrinais já postas em forma de provérbios, seja mesmo livros inteiros, já compostos, desses provérbios.
— a) Huet, J. M. Jost, Bretschneider, ver Fritzsche, op. cit., p. xxxi; Cornely, p. 250; Eichhorn, ver André, Les apocryphes de l'Ancien Testament, Florença, 1903, p. 292; cf. também Gigot, Special Introduction, t. i, p. 184 sq., para sustentar a primeira dessas duas hipóteses, apelam para o caráter desconexo do livro: I, contrastando com os capítulos seguintes; XXXVI, 1-19, com a continuação 20 sq.; XL, 15-L, 24, com o que precede imediatamente; XVI, 22; XXIV, 1; XXIX, 16, denunciando pontos de partida novos; para repetições dos mesmos dizeres em lugares diferentes: XX, 29, 30 e XLII, 14, 15; XXXVI, 15 e XLII, 24; XXXIX, 10 e XLIV, 15, etc.; para contradições aparentes de pensamento e de doutrina: XXV, 23, contra XIV, 17, XV, 2, sobre a origem da morte; XLVI, 19; XLIV, 16; XLVIII, 22; XXXVIII, 21, contra XL, 24-26, a propósito da vida além-túmulo; VI, 17, contra XXI, 10, relativamente ao castigo eterno dos ímpios.
Mas o caráter desconexo do livro se explica melhor se o autor, tendo escrito esses trechos em épocas diferentes de sua vida, ou mesmo em diversos lugares, em suas viagens, os ordenou depois segundo seu livre capricho e não segundo um plano real e efetivo. As repetições retomam sem dúvida os mesmos assuntos; mas onde está o mal se elas têm por efeito apresentá-los sob formas novas, sob uma nova luz, com novas lições práticas? As pretensas contradições sobre a morte, a outra vida, a retribuição se resolvem por si mesmas por uma simples diferença de pontos de vista, assim de XXV, 23, etc.; ou por um erro de interpretação da parte dos críticos, o que é o caso de XL, 24-26, e de XII, 10, onde se trata desta vida, não da outra. Cf. Fritzsche, p. xxx, e o comentário das passagens alegadas.
— b) Ewald afirma, por sua vez, que o autor transcreveu primeiro quase palavra por palavra duas coletâneas já existentes de provérbios: a primeira (Eccli., I-XVI, 21), composta no século IV; a segunda (Eccli., XVI, 29-XXXVI, 22), escrita no século II, com, no fim, o trecho, XXXIX, 12-35; depois que ele acrescentou de sua própria lavra, menos o dito trecho, XXXVI, 23-LI, 30. Em Fritzsche, p. xxx sq.
Mas Ewald usou de arbítrio para a constituição de sua segunda coletânea. As diferenças essenciais que deveriam caracterizar os três livros simplesmente justapostos não se deixam de modo algum perceber. Fritzsche, p. xxxi. Enfim, a personalidade de um mesmo autor se encontra marcada com muita força (especialmente no estilo) de uma ponta a outra do livro, para que se possa aceitar a afirmação de Ewald. Schürer, op. cit., t. ii, p. 158.
— De modo geral, é preciso reconhecer, porém, que Jesus Ben-Sira não deve ter extraído todos os seus provérbios unicamente «de seu coração», L, 27 (Vulg., 29), e que, «o último chegado» dos sábios, ele deve realmente ter «respigado» algumas vezes, XXXIII, 16, colecionando máximas de uso corrente e popular, ou indo buscar até mesmo em escritos não entregues à publicidade, cf. H. Lesêtre, Manuel d'introduction à l'Écriture sainte, Paris, 1890, t. i, p. 452; Toy, art. Ecclesiasticus, em Encyclopedia biblica de Cheyne, t. i, col. 1173; mas a maneira original com que ele se serviu na adaptação ou na imitação de numerosas sentenças dos Provérbios, por exemplo, cf. Cheyne, Job and Solomon, Londres, 1887, p. 184 sq.; Gasser, Die Bedeutung der Sprüche Jesu Ben Sira, Gütersloh, 1904, p. 241 sq., garante-nos seu esforço pessoal para assimilar e marcar com seu toque próprio o bem que assim deveu a outrem.
Relações da mesma natureza levantadas entre o Eclesiástico e os Salmos e Jó, I. Lévi, L'Ecclésiastique, Ie partie, p. xxxiii sq.; Gasser, op. cit., p. 225 sq., 233 sq., levam à mesma conclusão.
2. Apesar do caráter incontestavelmente palestinense do livro do Eclesiástico, caráter determinado por uma multidão de passagens paralelas, ou, nas passagens originais, por pontos de contato com os livros hebraicos do Antigo Testamento, Fritzsche, p. xxxv; Gasser, op. cit., p. 99-168, passim, e 199 sq., alguns autores creram ter encontrado nele elementos de caráter mais ou menos alexandrino. A esse respeito, Fritzsche, op. cit., p. xxxiv sq., fez boa justiça da «má exegese» e da «negligência em perscrutar a Sabedoria palestinense» de Gfrörer, Philo und die jüdisch-alexandrinische Theosophie, t. ii, p. 18 sq., e de Dähne, Geschichtliche Darstellung der jüdisch-alexandrinischen Religions-Philosophie, t. ii, p. 141 sq. Cf. também Cornely, op. cit., p. 258.
Mais bem fundada, ou mais especiosa, parece ser a tese de Maurice Friedländer, que encontra provas de uma influência direta e positiva da filosofia grega sobre o espírito do autor nos traços sob os quais este nos representa a Sabedoria, à semelhança dos Provérbios, viii, 22-31, e de Jó, xxviii, 12-28: «Saída da boca do Altíssimo», ela é sempre uma potência divina, criadora, anterior ao mundo criado; é uma pessoa, uma hipóstase, um ser intermediário entre Deus — que não pode ter relação direta com a matéria — e o mundo, Eccli., i, 1-20; xxiv: representação aparentada ao Deus demiurgo do Timeu, pessoal, providente, ordenador do universo, causa de aplicação apenas da Ideia (outro princípio da diarquia platônica) aos fenômenos sensíveis; mas representação que constitui «um sacrilégio formal», tendo em vista o antigo conceito israelita do Deus ciumento Javé, o qual não suporta ao seu lado nenhuma potência divina semelhante a ele. Griechische Philosophie im Alten Testament, Berlim, 1904, p. 18, 79, 165.
— É claro que a ideia da Sabedoria, tal como a representa o autor do Eclesiástico, i, 1-20; xxiv, 3-22, embora acuse nele um desenvolvimento totalmente independente (a Sabedoria tornada propriedade do povo judeu, xxiv, 6-22), se prende à ideia que dela haviam feito os autores dos Provérbios, viii, 22 sq., e de Jó, xxviii, 12 sq. Mas, nessas últimas passagens, ela se explica, contrariamente ao que pensa Friedländer, de modo totalmente diverso da influência da filosofia grega. A Sabedoria não é aí evocada, a propósito da criação do mundo, de maneira muito diferente, salvo quanto a um traço que será discutido, daquela de Jeremias, x, 12; li, 15, e de Isaías, xl, 28, na mesma ocasião. Ela é, portanto, um bem que não se pode recusar ao hebraísmo. Além disso, o caráter ou a condição de hipóstase que ela obtém, Eccli., i; xxiv, só fica assegurada na medida em que se aproximam essas duas passagens sobretudo da dos Provérbios, viii, 22 sq. Ora, está longe de ser certo que a Sabedoria dos Provérbios, e a fortiori a de Jó, xxviii, 12 sq., deva ser tida como uma pessoa que exerce obra criadora ao mesmo tempo que Javé; pois essa obra só é assinalada, Prov., viii, 30a, por uma palavra de sentido muito duvidoso: 'āmôn (eu estava junto a ele), que as versões grega, siríaca e latina leram diferentemente ('ummān) no sentido de «arquiteto» (ἁρμόζουσα; opifex; cuncta componens), e que somente Áquila (Aben Ezra, Dav. Kimchi), lendo 'amūn, entendeu bem no sentido de «criança de colo», para o remate natural do pensamento do autor, que nos representa a Sabedoria «concebida» primeiro por Javé, 22-23; «gerada» em seguida, ou «posta no mundo», 24-25; depois, portanto, «criança», ou tenra criança de colo, «brincando na presença do criador»; logo bastante grande e forte para «encontrar sua felicidade entre os filhos do homem», 30-31, instruindo-os, todos convocados na casa que ela enfim construiu para si, 32 sq.; ix, 1 sq. Cf. Frankenberg, Sprüche, Gotinga, 1898, in loc.; Sellin, Die Spuren griechischer Philosophie im Alten Testament, Leipzig, 1905, p. 17 sq. Não há, pois, nesse ponto dos Provérbios e de Jó, senão uma figura, uma personificação de ordem puramente literária da Sabedoria, inteiramente semelhante à da Loucura tratada um pouco mais adiante, em Prov., ix, 13 sq.; e a aproximação com as entidades metafísicas da Ideia e do Demiurgo da filosofia grega cai por esse fato.
Não que se deva, porém, negar no Eclesiástico, fora do domínio da ideia dogmática, todo vestígio da influência helênica. O autor vivia numa época em que os costumes gregos já se haviam implantado na Palestina; ele havia viajado provavelmente pelo Egito e pela Síria, onde eles triunfavam particularmente; havia vivido, seja nessas terras estrangeiras, seja em sua própria pátria, com essa «gente rica», ouvido esses «oradores sábios», lido e admirado esses «poetas perfeitos», esses «moralistas escritores», todos homens célebres «das nações», de quem nos fala, xliv, 4 sq. É impossível que desse convívio nada tenha transparecido em sua obra. Por isso se assinalaram em seu estilo e em sua maneira de compor, nos traços de suas convicções pessoais a respeito da sociedade tal como ele a via e a julgava, em sua própria moral, muitos encontros surpreendentes com a cultura grega e as obras, conhecidas de todas as pessoas cultas e informadas, que ela havia produzido.
É, nos procedimentos literários: uso dos títulos de capítulo, xxii, 27 (grego); xxx, 1 (grego); 14 (grego); 25 (heb.); 33 (grego); xxxi, 12 (heb.) e das transições, xlii, 25, e xliii, 1 (heb.); xliii, 33, e xliv, 1 (heb.); xlv, 5-6, e 6a (heb.); xlix, 15b (transposto), e l, 1 sq., e, em geral, a estreita ligação dos pensamentos nos trechos de uma só tirada: cuidados de composição estranhos até então aos autores bíblicos.
É, em seus juízos sobre a sociedade de sua época: sua misoginia, xxv, 6, 9-14; xxv, 12 (Vulg., 19), concordando até na expressão com a de Eurípides, Andrômaca, 943 sq.; cf. Aristófanes, As festas de Ceres, 414 sq., 790 sq.; sua misantropia e seu ceticismo a respeito da amizade, vi, 5 sq.; ix, 10; xxxvii, 1-4 (Vulg., 1-6), e do valor moral do homem, xi, 25-26 (Vulg., 29-30), lugares-comuns explorados por Teógnis, 73 sq., 643-646, 697-698, 1151-1152; Ésquilo, Agamêmnon, 928; Sófocles, Ájax, 678; Édipo rei, 1528; As Traquínias, 1; Eurípides, Orestes, 1155-1156; Andrômaca, 100-102; Os Heráclidas, 865-866; As Troianas, 509-510; Hécuba, 1203, 1206; seu epicurismo prático, xiv, 11 sq. (grego, heb.); xxxi, 27 (grego, heb.), que o faz apreciar tão ingenuamente as delícias da mesa grega, xxx, 1-13 (Vulg., 1-17), e buscar o prazer deste lado do túmulo, pouco confiante que está, com Ésquilo, Os Persas, 841-842, e Teógnis, 973 sq., 1047, 1048, a respeito do xeol, ou morada dos mortos, xiv, 16.
É, em seus preceitos morais e seus vários aforismos, numerosos encontros surpreendentes com os mesmos autores, moralistas ou outros: iii, 14-15, 13 (Vulg., 13, 15), cf. Sófocles, Antígona, 703-704, e Aristófanes, As Nuvens, 994 sq.; iii, 20-26 (Vulg., 22-30), cf. Eurípides, As Bacantes, 393 sq.; Medeia, 1224 sq.; iv, 21, 30 (Vulg., 25, 35), cf. o mesmo, Hipólito, 385-386; vii, 11 (Vulg., 12), cf. Teógnis, 155-158; ix, 7, 8, cf. Aristófanes, As Nuvens, 996 sq.; Heródoto, i, 8; xi, 1-4, cf. Teógnis, 165-166; xi, 17, cf. o mesmo, 903 sq.; xii, 3, 7, 10-11, cf. o mesmo, 955-956, 101 sq.; Brunck, Gnomica poet. gr., p. 230; Eurípides, Hipólito, 428-430; xii, 2, (fábula de Esopo); xii, 21 (Vulg., 25), cf. Filemon, 42; xxv, 18 (Vulg., 26), cf. Hesíodo, Os trabalhos e os dias, 704; xxx, 17, cf. Ésquilo, Os Persas, 750, 751; Eurípides, As Troianas, 632; Hécuba, 377; Menandro, 296; Teógnis, 181-182; xxxi, 26 (Vulg., 31), cf. Teógnis, 499-502; xxxii, 8 (Vulg., 11, 12), cf. Aristófanes, As festas de Ceres, 117 (parodiando Eurípides, Hécuba); xxxviii, 21 (Vulg., 22), cf. Sófocles, Electra, 137 sq.; Eurípides, Andrômaca, 1270 sq.; Menandro, 432; xli, 11 (heb.), comentado por 12 (grego), 13, cf. Eurípides, Crisipo (fragm. 839), 8 sq.; As Suplicantes, 532; Orestes, 1086; As Fenícias, 809. Segundo I. Lévi, L'Ecclésiastique, Ire partie, Paris, 1898, p. xxiv sq.; IIe partie, Paris, 1901, p. lx sq., e todas as passagens citadas, no comentário.
IV. ENSINAMENTOS HISTÓRICOS. — Depois de ter feito, na segunda parte de seu livro, o elogio das obras de Deus, xlii, 15 sq., o autor do Eclesiástico passa ao «Elogio dos pais antigos» ou patriarcas, xliv, 1 sq., panegírico dos homens célebres de Israel desde a mais alta antiguidade antediluviana (Enoque), até o tempo do sumo sacerdote Simão, filho de Onias, no começo do século II antes de nossa era, com, entre a menção de Neemias e a desse sumo sacerdote, um retorno a Enoque e aos não mencionados antes, José, Sem, Set, Enos, Adão, xlix, 14-16 (Vulg., 16-19). Essa História sagrada, rápida, poética, nos ensina, embora naturalmente muito abreviada, algo da história do povo de Deus para a época imediatamente anterior à sua composição, e do estado da «biblioteca» sagrada nesses mesmos anos.
1° Nessa época, o sumo sacerdote sadocita desempenhava em Israel (sob o controle, contudo, do rei sírio e mediante tributo, Josefo, Ant. jud., xii, iv) o papel de um soberano político e religioso. — 1. A ele cabia o cuidado de zelar pela segurança de Jerusalém, fortificando a cidade e assim protegendo-a de um golpe de mão, ou de um cerco, contra saqueadores ou o inimigo egípcio, l, 4 (heb.). Simão II, ao menos, desincumbiu-se dessa obrigação e trouxe a mesma solicitude ao reparo e à fortificação do templo, l, 1, assim como à escavação de um reservatório, 3, cujas águas talvez se destinassem ao serviço do culto. Cf. Carta de Aristeas, 89-91. Executou também outras obras de construção cujo objeto nos escapa, 2.
2. No tempo do autor, o culto oferecia a ordenação geral e as particularidades que encontramos consignadas e ordenadas em nome de Javé nos livros de Moisés. O c. l, 5 sq., nos retraça a solenidade do dia das Expiações tal como é detalhada nesses livros e tal como foi celebrada sob Ezequias, restabelecendo o culto divino no templo fechado por Acaz, II Par., xxviii, 24: o sumo sacerdote saindo do Santo dos Santos, 5 (Vulg., 6), e Lev., xvi, 2; oferecendo o sacrifício com as vestes e os ritos prescritos, 11-12 (Vulg., 12-13), e Lev., xvi, 4 sq.; fazendo a libação sobre o soco do altar, 15 (grego), 16 (Vulg.), e Exod., xxix, 12 (10); Lev., viii, 15; Num., xv, 4-10; II Par., xxx, 24; os sacerdotes soando trombetas, 16 (Vulg., 18), e Num., x, 10; II Par., xxix, 25-27; o povo prostrando-se e cantando, 17-19 (Vulg., 19-21), e II Par., xxix, 28-29.
Todo o serviço dos holocaustos e das oferendas, dos sacrifícios e das primícias de Deut., xii, 6-17; xxx, 19, é suposto por vii, 31 (Vulg., 34-35).
2° O Elogio dos Pais, composto quase inteiramente de passagens adaptadas ou imitadas dos livros bíblicos, nos ensina quais eram esses livros na época do autor e em que ordem eram então dispostos à maneira de «biblioteca», tal como o fizera Neemias (segundo II Mac., ii, 13), bem como de que autoridade gozavam, de que caráter especial estavam revestidos. Sob esse último ponto de vista, o Prólogo do tradutor nos oferece dados mais precisos. 1. O grupo dos escritos hebraicos a que se refere tacitamente Jesus Ben-Sira compreende todos os livros das duas coletâneas, então completas e desde então fechadas, que já se chamavam talvez a Lei e os Profetas.
— a) Os cinco rolos da Lei forneceram incontestavelmente a matéria do elogio feito a Enoque, xliv, 16; xlix, 14 (Vulg., 16); cf. Gen., v, 21 sq.; a Noé, xliv, 17-18 (Vulg., 17-19); cf. Gen., vi, 9, 18; vii, 23; viii, 1, 21; ix, 9 sq.; a Abraão, ibid., 19-21 grego (Vulg., 20-23); cf. Gen., xii, 2, etc.; xv, 18; xvii; xxi, 1; 16-18; a Isaac, ibid., 22, heb. retificado (Vulg., 24-25 a); cf. Gen., xxvi, 3-5; xxv, 4; a Israel (Jacó), ibid., 23 (Vulg., 25 b-27); cf. Gen., xxxii, 24 sq. (Exod., iv, 22); xxxv, 9 sq. ; a Moisés, xlv, 1-5 (Vulg., 4-6); cf. Exod., xi, 3; vii-xi; vi, 13; xxxiii, 18; xxxiv, 6; xx, 21; xxiv, 18; xix, 7; a Aarão, ibid., 6-22 (Vulg., 7-27); cf. Exod., xxviii-xxix; Lev., vi, 15; vii; Num., xxv, 13; vi, 23 sq.; xv, 5; Deut., xvii, 10 sq.; xxi, 5; xxx, 10; Num., xvi; xvi, 8 sq.; a Finéias, ibid., 23-25 (Vulg., 28-30); cf. Num., xxv, 11 sq.
— b) O mesmo se dá com os Profetas, «primeiros» e «últimos», a respeito de Josué, xlvi, 1-8 (Vulg., 1-10); cf. Jos., x, 43; xii, 17; viii, 18, 26; x, 41 sq.; Calebe, ibid., 7-10 (Vulg., 9-12); cf. Num., xiv, 6 sq.; Jos., xiv, 6 sq.; dos Juízes em geral, ibid., 11-12 (Vulg., 13-14); cf. Jz., ii, 16 sq.; ii, 9 sq., etc.; de Samuel, ibid., 13-20 (Vulg., 16-23); cf. I Sam. (I Reg.), vii, 9; ix, 9; viii, 9; II Sam. (II Reg.), xxiii, 14; I Sam. (I Reg.), vii, 13; xii; xxviii; de Natã, xlvii, 1; cf. II Sam. (II Reg.), vii, 2 sq.;
de Davi, ibid., 2-12 (Vulg., 2-14); cf. I Sam. (I Reg.), xv, 34-36; 49 sq.; xvi, 7; II Sam. (II Reg.), vii, 14 (de Edom); Sl. xxix, 9: o autor, no versículo 8, tem sem dúvida em vista o livro dos Salmos, provavelmente também os títulos dos Salmos referentes a Davi, já que este «em todas as suas ações rendia graças»; I Cr. (Par.), xxv, 1 sq.; I (III) Reg., v, 21; de Salomão, ibid., 13-22 (Vulg., 15-26), cf. I (III) Reg., v, 4; iii, 16 sq.; v, 9 sq., 12 sq.; x, 1; não se pode dizer se, no versículo 17, o autor tem em vista os livros do Cântico e dos Provérbios, I (III) Reg., x, 27; xi; xii, 17 sq.; de Roboão (não nomeado), ibid., 23 (Vulg., 27-28); cf. I (II) Reg., xii, 1 sq.; de Jeroboão, ibid., 23-25 (Vulg., 29-31); cf. I (II) Reg., xii, 28 sq.; xiv, 16; xxi, 20 sq.;
de Elias, xlviii, 1-11 (Vulg., 1-12); cf. I (III) Reg., xix, 10 sq.; xviii, 1; xvi, 38; II (IV) Reg., i, 10 sq.; I (III) Reg., xviii, 17 sq.; xxi, 20 sq.; II (IV) Reg., i, 4 sq.; I (III) Reg., xix, 15 sq.; 8, 17; II (IV) Reg., i, 1 sq.; Mal., iii, 23, ver mais adiante; de Eliseu, ibid., 12-14 (Vulg., 13-15); cf. II (IV) Reg., ii, 9 sq.; ii, 18 sq.; vi, 16; xiv, 21; de Ezequias, ibid., 17-22 (Vulg., 19-25); cf. II (IV) Reg., xx, 20; xviii-xix (Is., xxxvi-xxxvii); de Isaías, ibid., 23-24 (Vulg., 26-28); cf. II (IV) Reg., xx, 1 sq. (Is., xxxvii, 4 sq.); Is., xl sq.; lxi, 2 sq., ver mais adiante;
de Josias, xlix, 1-3 (Vulg., 1-4); cf. II (IV) Reg., xxii, 3 sq.; II Cr. (Par.), xxxiv, 3 sq.; dos reis perversos, ibid., 4-6 (Vulg., 5-8); cf. II (IV) Reg., xxv, 9; II Cr. (Par.), xxxvi, 19; Jer., xxxviii, 8; de Jeremias, ibid., 7 (Vulg., 9); cf. Jer., i, 5, 10; de Ezequiel, ibid., 8 (Vulg., 10-11); cf. Ez., i sq.; xiv, 14, 20 (Jó); dos doze profetas menores, ibid., 10 (Vulg., 12); cf. Is., xxxviii, 16, ver mais adiante; de Zorobabel e de Josué, filho de Josedec, ibid., 11-12 (Vulg., 13-14); cf. Ag., ii, 2 sq.; I Esd., iii, 3; de Neemias, ibid., 13 (Vulg., 15); cf. Neem. (II Esd.), iii sq., vi.
— Assim estão representados, na coletânea dos Profetas: Josué, os Juízes, Samuel, os Reis; Isaías por completo, isto é, compreendendo já a segunda parte do livro atual (xl sq.); Jeremias, Ezequiel, estes dois últimos seguindo Isaías, ao contrário da ordem talmúdica, Baba Bathra, 14b-15a, que os faz preceder; os doze profetas menores reunidos num só corpo ou rolo, como indica a expressão, e encerrando toda a coletânea dos Profetas com a promessa do retorno de Elias, Mal., iii, 23-24 (Vulg., iv, 5-6), retorno antes do qual não deve mais haver profetas em Israel. Zac., xiii, 3; cf. I Mac., ix, 27; iv, 46.
— c) Quanto aos Hagiógrafos, e primeiramente quanto aos Salmos, é claro que, independentemente da alusão referida mais acima (xxix, 9) a propósito de Davi, as numerosas citações implícitas que encontramos deles no Eclesiástico, cf. Gasser, op. cit., p. 225 sq., provam sobejamente que esse livro era conhecido de Jesus Ben-Sira, tal como o temos hoje. O mesmo se dá com os Provérbios, Gasser, p. 245, e com Jó, Gasser, p. 233. A utilização do Eclesiastes parece também evidente em certo número de passagens, Gasser, p. 235. Ver, porém, Peters, citado col. 2001. Assim de Neemias (II Esd.), ver mais acima e Gasser, p. 239, e das Crônicas (I, II Par.), ibid. Não tendo o autor mencionado Esdras, Daniel, Ester, no elogio dos antepassados, pode-se duvidar se os encontros do Eclesiástico com os livros que trazem esses nomes entre os hagiógrafos, Gasser, p. 286 sq., devem ser considerados, da parte de Jesus Ben-Sira, como empréstimos literários a essas obras que ele então teria conhecido.
2. Não há dúvida de que o autor do Eclesiástico tinha por sagrados e canônicos os livros da Lei. Talvez professasse a mesma crença a respeito dos Profetas, pois, citando Mal., III, 23-24 (Vulg., iv, 5-6), parte integrante do grupo então fechado, introduz a citação com as palavras sacramentais: «como foi escrito», xlvii, 18 (heb.). Em todo caso, a canonicidade está estabelecida no tempo do tradutor, que coloca αἱ προφητεῖαι (ai prophèteiai) ao lado da Lei, ὁ νόμος, e os considera, não menos que esta, capazes de honrar Israel pela «disciplina», παιδεία, e sobretudo pela «sabedoria» (divina; cf. I sq.), σοφία, que manifestam. Prólogo. O mesmo argumento vale para os «outros livros», τὰ λοιπὰ τῶν βιβλίων (ta loipa tōn bibliōn), ou hagiógrafos, que conheciam o avô e o neto, embora a coletânea não estivesse então nem completa, nem fechada, pois são colocados em todo o decorrer do Prólogo no mesmo nível que a Lei e os Profetas. Por volta do ano 132, todos já estão traduzidos em grego. Prólogo.
V. ENSINAMENTOS DOUTRINAIS E MORAIS. — I. ENSINAMENTOS DOUTRINAIS. — 1° A sabedoria. — 1. Sua origem. — Ela saiu da boca de Deus, xxiv, 3 (Vulg., 5), produzida, criada antes de todas as coisas, I, 4, 9 (xxiv, 5, Vulg.); ela está, porém, com ele desde toda a eternidade, I, 1 (Vulg. mais explícita). — 2. Seus atributos. — Ela é incomensurável, I, 2, 3; impenetrável, I, 6. — 3. Sua ação. — a) No mundo inteiro: superior a ele, xxiv, 4 (Vulg., 7), ela o percorreu, ibid., 5, 6 a (Vulg., 8, 9), reinando sobre todos os povos, buscando aí, contudo, um lugar de repouso, ibid., 6 b, 7 (Vulg., 10, 11), difundida assim sobre toda obra divina e sobre toda carne, I, 9 b, 10 a, ela penetra particularmente os homens piedosos, e isso desde o seio de sua mãe, ibid., 10 b, 14 (Vulg., 16); — b) sobre Israel: esses homens piedosos são sobretudo os judeus; por isso a sabedoria elegeu domicílio definitivo em Israel, por ordem do próprio Deus, xxiv, 7-12 sq. (Vulg., 12-16 sq.), dando-se um corpo, exprimindo-se na Lei, ibid., 23 (Vulg., 32-33).
— 4. Suas vantagens para os homens. — A sabedoria se torna assim sinônimo da observância da Lei, do temor de Deus (cf. Ecle., xii, 13), que é ao mesmo tempo seu começo, I, 14 (Vulg., 16), sua plenitude, ibid., 16 (Vulg., 20), seu coroamento, ibid., 18 (Vulg., 22); cf. xix, 20 (Vulg., 18). Como tal, ou em si mesma, ela procura aos homens a felicidade, I, 11, 13, 18 (Vulg., 14-18, 18-19); iv, 12 (Vulg., 13); vi, 28 (Vulg., 29); xiv, 20 (Vulg., 22)-xv, 10; a saúde, I, 18 (Vulg., 22); uma longa vida, I, 12, 20 (Vulg., 12, 25); uma morte tranquila, I, 13; a bênção de Deus, iv, 13 (Vulg., 14); a força, iv, 11 (Vulg., 12), sob sua proteção.
— 5. Meios de adquiri-la. — É preciso querê-la e buscá-la, vi, 27, 32 (Vulg., 28, 33); xiv, 20 sq. (Vulg., 22 sq.); escutar os anciãos e os sábios, vi, 34 sq. (Vulg., 35 sq.); vi, 8 sq. (Vulg., 9 sq.); meditar os mandamentos, vi, 37; ix, 15 (Vulg., 22-23); cultivá-la, vi, 19 sq., e perseverar em sua prática apesar das provações, iv, 17 (Vulg., 18-19); vi, 20 sq. (Vulg., 21 sq.); 28 sq. (Vulg., 24 sq.). Cf. J. Lebreton, Les origines du dogme de la Trinité, Paris, 1910, p. 115-116.
2° Deus. — 1. Em seus atributos. — Ele é eterno, xlii, 21 b; onisciente, vê até o fundo dos corações, ibid., 18-20; xvi, 19-20 (Vulg., 16-17); xxi, 18-20 (Vulg., 25-29). — 2. Em suas obras. — Ele é criador, tendo feito todas as coisas por sua palavra, xviii, 1 (texto recebido); xlii, 15 b; xliii, 33 (Vulg., 37 a), todos os seres vivos, xvi, 30, heb. (Vulg., 31), o homem à sua imagem, xvii, 1-4, a mulher, ibid., 5 a (Vulg.). Mostrou sua sabedoria, xliii, 21 a; 22-25 (Vulg., 22-26), fez resplandecer sua glória, xliii, 1-32 (Vulg., 1-36), manifestou sua grandeza e seu poder, xviii, 4-7 (Vulg., 2-6), sua providência, xvi, 26-28.
— 3. Em sua conduta para com os homens. — Ele é paciente, v, 4, misericordioso, mas justo também na retribuição, no castigo ou na recompensa, v, 6-7; ibid., 4 (Vulg.), 7-9; xvi, 6-13 (Vulg., 7-14); xvi, 23-24 (Vulg., 19-20); xviii, 4-14 (Vulg., 9-14). Se não abandona os que o temem, xxxiv (xxxi), 14-20, não faz, contudo, acepção de pessoas, xxxv (xxxii), 16-26.
3° O homem. — 1. Dons recebidos de Deus: força e poder sobre toda criatura terrestre, xvii, 2-4; sentidos, espírito, consciência, ibid., 6-8 a (Vulg., 5-6); liberdade, xv, 14-20 (Vulg., 14-22). — 2. Sociedade fundada por Deus, xv, 14-17 (Vulg., 9-14).
— 3. Destino do homem: a) neste mundo: a diversidade das condições humanas, o sucesso ou o insucesso dos empreendimentos são queridos por Deus, xi, 11-28 (Vulg., 11-30); xxxiii (xxxvi), 1-13 (Vulg., 11-14); a retribuição, recompensa e punição, ocorre aqui embaixo (ver, mais acima, vantagens da sabedoria) especialmente, depois da morte, nos filhos, xi, 28 (Vulg., 30); xxiii, 24-27 (Vulg., 34-37); xl, 15-19; xliii, 5-7 (Vulg., 8-10); na memória deixada, xxxix, 9 sq. (Vulg., 13 sq.). — b) fora da vida: o homem tem por sorte primeiramente os vermes, etc., x, 11 (Vulg., 13); está no xeol, onde não há para ele nenhum gozo, xiv, 12, 16 (heb.); na imobilidade absoluta, xxii, 11, xxx, 17, o sono eterno, onde não há «repreensões», xl, 4 (heb.). — A Vulgata faz, contudo, a sabedoria visitar os mortos, iluminando todos aqueles dentre eles que esperam no Senhor, xxiv, 45.
4° A era messiânica é pressentida pelo quadro da futura restauração de Israel, xxxvi (xxxiii), 1 sq. Alude-se à pessoa do Messias no cântico ou salmo que se encontra intercalado, no texto hebraico reencontrado, entre li, 12 (Vulg., 17) e 13 (Vulg., 18), sob as palavras: «Louvai Aquele que fará florescer o poder da casa de Davi» (cf. Ps. cxxxii, 17); mas esse salmo parece inautêntico. Ver I. Lévi, L'Ecclésiastique, IIe partie, p. xlvii sq.
II. ENSINAMENTOS MORAIS. — Jesus Ben-Sira multiplica ao infinito preceitos, conselhos, aforismos morais para a conduta da vida prática, baseando-a no temor de Deus, realização da sabedoria no homem. Ver col. 2051. Suas máximas, sempre justas, muitas vezes elevadas, revestem-se geralmente de uma coloração de utilitarismo bastante pronunciada, o que caracteriza sua moral isenta, contudo, por outro lado, de espírito farisaico. Ele nos leva a nos guardarmos dos vícios e defeitos comuns à humanidade, a praticar as virtudes contrárias, a cumprir fielmente os deveres de religião, de estado, de sociedade que nos incumbem, tudo isso misturado com observações muito finas ou retratos traçados do natural.
1° Vícios e defeitos. — Evitar o orgulho, x, 7-26 (Vulg., 7-30); a presunção, v, 1-13 (Vulg., 1-15); vi, 1-3 (Vulg., 2-4); a ambição, vii, 4-7; não frequentar os soberbos e os poderosos, xi, 1-22 (Vulg., 4-29). — Evitar a avareza, x, 9-10 (Vulg.); xiv, 1-10; o amor ao lucro e às riquezas, xxxi (xxxiv), 1-11. Guardar-se da gula, da intemperança e da embriaguez, xix, 4; xxxi (xxxiv), 12-21 (Vulg., 12-25); 25-31 (Vulg., 30-40); xxxvii, 29-31 (Vulg., 32-34). — Não se entregar às prostitutas, à luxúria, ao adultério, ix, 3-9 (Vulg., 3-13); xix, 2-3; xx, 16 c-26 (Vulg., 23-27). — Não se deixar levar pela inveja, pela tristeza, pela cólera, pela vingança, xxvii, 30 (Vulg., 33)-xxviii, 12 (Vulg., 14); xxx, 21-24 (Vulg., 22-27); pela preguiça, xxi, 1-2; pela mentira e por todos os pecados da língua, vii, 12-13 (Vulg., 13-14); xx, 5-26 (Vulg., 28); xxvii, 13-21 (Vulg., 14-24); xxviii, 18-26 (Vulg., 15-30); evitar os embusteiros, xi, 29-34 (Vulg., 31-36).
2° Virtudes a praticar. — A humildade e a doçura, iii, 17-29 (Vulg., 19-32); xi, 1-10; o esquecimento das injúrias, x, 6; a prudência, xvi, 19-33; a esmola, vii, 10 (Vulg.); xv, 15-18; xxix, 9-13 (Vulg., 12-18); a moderação no comer, xxix, 21-27 (Vulg., 28-35); o pudor, xli, 17-22 (Vulg., 21, 25, 27); o amor ao pobre e ao aflito, iii, 30 (Vulg., 33)-iv, 10 (Vulg., 11); a sinceridade, iv, 20-28 (Vulg., 24-33); a penitência, v, 1-10 (Vulg., 1-12); xvii, 25 (Vulg., 21)-31.
3° Deveres. — a) De religião: o respeito a Deus e aos sacerdotes, vii, 29-31 (Vulg., 31-35); a oração, xviii, 22-23; os sacrifícios, os que são desagradáveis a Deus, xxxiv (xxxi), 21-31; os que lhe agradam, xxxv (xxxii), 1-13.
— b) De estado: dos filhos para com seus pais, iii, 1-16 (Vulg., 1-18); dos pais para com seus filhos, vii, 23-25 (Vulg., 25-27); xvi, 1-3 (Vulg., 4); xxx, 4-13; xlii, 9-14; dos amos para com os servos ou os escravos e reciprocamente, iv, 30 (Vulg., 35); vii, 20-21 (Vulg., 22-23); x, 25 (Vulg., 28); xxxiii (xxx), 33-40 (Vulg., 25-33); dos esposos, vii, 19, 26 (Vulg., 24, 28); xxvi, 13-18 (Vulg., 16-23); xxxvi, 27-29 (Vulg., 24-26).
— c) De sociedade: não discutir com o poderoso, o rico, o tagarela, o ignorante, o pecador, o brigão, viii, 4-8 (Vulg., 4), 9 (Vulg., 5), 10-11 (Vulg., 13-14), 16 (Vulg., 19); vigiar suas palavras, xxii, 27 (Vulg., 33)-xxiii, 15 (Vulg., 20); não ser demasiado crédulo, xix, 7-17; a amizade, suas vantagens e seus deveres, vi, 1-17; xxi, 19-26 (Vulg., 24-32); xxxvii, 1-6 (Vulg., 7); os conselhos, discernimento, xxxvii, 7-15 (Vulg., 8-19); a repreensão ou correção fraterna, xx, 1-2 (Vulg., xix, 28-xx, 3); o respeito aos velhos, viii, 6-9 (Vulg., 7-12); a boa conduta nos festins, xxxi (xxxiv), 1-13 (Vulg., 17); sábia desconfiança para com um inimigo declarado, xi, 8-18 (Vulg., 19); não se entregar facilmente, vi, 17-19 (Vulg., 20-22); o empréstimo, a fiança, xxix, 1-20 (Vulg., 27); não se desfazer de seus bens antes da morte, xxxiii (xxx), 28-32 (Vulg., 20-24); conduta a manter na enfermidade, xxxviii, 9-15; deveres para com os mortos, xxxviii, 16-23 (Vulg., 24).
4° Retratos e aforismos. — O sábio e o tolo, xxi, 4-28 (Vulg., 13-31); xxii, 6-18 (Vulg., 23). O hipócrita, xix, 23-30 (Vulg., 19-27). A mulher ciumenta, má, colérica, xxv, 16 (Vulg., 17)-xxvi, 12 (Vulg., 15). Saúde e médicos, xxx, 14-20 (Vulg., 21); xxxviii, 1-8. Sonhos e adivinhação, xxxiv (xxxi), 1-8. Penas e encantos da vida, xl, 1-27. Pobreza, xl, 28-30 (Vulg., 32). Morte, xli, 1-4 (Vulg., 7).
VI. COMENTADORES. — 1° Nenhum escritor da antiguidade cristã comentou o Eclesiástico. Santo Patério, no século VII, apenas coligiu, nas obras de são Gregório Magno, algumas explicações espirituais sobre passagens deste livro, Testimonia in libris Sapientie et Ecclesiastici, P. L., t. lxxix, col. 922-940.
2° Na Idade Média. — Rábano Mauro, Commentariorum in Eccli. libri decem, P. L., t. cix, col. 763-1126; Walafrid Strabon, Glossa ordin. in libris Sap. et Eccli., P. L., t. cxiii, col. 1183-1230; Rob. Holkott, In Cant. et in septem priora capita Eccli. expositio, Venise, 1508.
3° Nos tempos modernos. — 1. Católicos. — Jansênio de Gand, Commentarius in Eccli., Louvain, 1569; Anvers, 1589; Paul de Palazzo (Palacio), Comm. in Eccli., Villaverde, 1581; Emm. Sa, em Notationes in totam sacram Scripturam, Anvers, 1598; Oct. de Tufo, Comm. in Eccli. i-xviii, Cologne, 1628; Corneille de La Pierre, Comm. in Eccli., Anvers, 1633; Oliv. Bonart, Comm. in Eccli., Anvers, 1634; Jean de Pina, Comm. in Eccli., Lyon, 1630-1648 (5 vol.); Salv. de Léon, Expositio et illustratio in tredecim priora capita Eccli., Anvers, 1640; P. Gorse, L'Ecclésiaste, la Sagesse, l'Ecclésiastique, Paris, 1655; Alph. de Flores, Comm. literal. et moral. in cc. xxiv Eccli., Anvers, 1661; Péan de la Coullardiere, Commentaire sur les cinq livres sapientiaux, Paris, 1673; Bossuet, Libri Salomonis, Paris, 1693; Calmet, em Commentaire littéral, 2e édit., Paris, 1726, t. v, p. 236-556; Ménard, Paraphrase de l'Ecclésiastique, Paris, 1710; Lesétre, L'Ecclésiastique, Paris, 1880; Fillion, em La sainte Bible commentée, Paris, 1894, t. v, p. 79-257; Knabenbauer, Commentarius in Ecclesiasticum, Paris, 1902.
2. Não católicos. — Bretschneider, Liber Jesu Siracide... perpetua annotatione illustratus, Ratisbonne, 1806; Gutmann, em Die Apokryphen des A. T., Altona, 1841; Fritzsche, Die Weisheit Jesus-Sirach's, Leipzig, 1859; Reuss, em La Bible, Anc. Testament, VIIe partie, Paris, 1878, p. 331-499; em tradução alemã, em Das Alte Testament..., Braunschweig, t. vi, 1894; Bissel, em The Apocrypha of the Old Testament, New-York, 1880; Edersheim, em The Apocrypha, de Wace, Londres, 1892; Zöckler, Die Apokryphen des A. T., Munich, 1891; Ball, em The ecclesiastical or deuterocanonical books of the Old Test., Londres, 1892; Keel, Sirach, das Buch von der Weisheit, verfasst von Jesus, dem Sohne Sirach's, erklärt, Kempten, 1896; I. Lévi, L'Ecclésiastique, ou la Sagesse de Jésus fils de Sira, 2 vol., Paris, 1898, 1901 (comentário do texto hebraico); Ryssel, em Kautzsch, Die Apokryphen und Pseudepigraphen des A. T., Leipzig, 1900, t. I, p. 230-475; Smend, Die Weisheit des Jesus Sirach erklärt, Berlin, 1906; Hart, A critical and exegetical commentary on the Book of Ecclesiasticus, Cambridge, 1909.
F. Vigouroux, Manuel biblique, 12e édit., Paris, 1906, t. ii, p. 553-565; J. Touzard, no Dictionnaire de la Bible, t. ii, col. 1543-1557; R. Cornely, Introductio specialis, Paris, 1897, t. i, 2, p. 238-266; H. L. Strack, Einleitung in das A. T., Munich, 1906, p. 171; Tony André, Les apocryphes de l'Ancien Testament, Florence, 1903; Gigot, Special Introduction to the study of the Old Testament, New-York, Cincinnati, Chicago, 1906, part. II, p. 174-485; L. Gautier, Introduction à l'A. T., Lausanne, 1906, t. ii, p. 452-463; Encyclopedia biblica, Londres, 1901, t. ii, col. 1164-1179; Dictionary of the Bible, Edimbourg, 1902, t. iv, p. 539-551; The catholic encyclopedia, New-York, s. d. (1909), t. V, p. 263-269
Autor original: L. Bigot
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