DROUIN Hyacinthe-René, dominicano francês, nascido em Toulon por volta de 1680. Era sobrinho do célebre teólogo Hyacinthe Serry, também dominicano. Drouin entrou para o convento em Toulon. Foi depois enviado a Paris para aí concluir seus estudos e obter os graus. Licenciado em 1714-1715, recebeu o barrete de doutor que lhe conferiu o chanceler da universidade, chamando-o em seu discurso de Alter Aquinas. Iniciou-se no ensino no famoso colégio dominicano de Saint-Jacques; pouco depois foi feito primeiro regente do convento de Saint-Honoré. Em 1719, foi nomeado pelo rei professor régio de teologia na universidade de Caen, onde exerceu o cargo de síndico. Seus êxitos não tardaram a suscitar-lhe inimigos, sobretudo depois que fez censurar pela Academia dezessete proposições, extraídas de livros dos jesuítas; essa censura fora pronunciada a pedido do bispo de Bayeux, D. de Lorraine. Seus adversários aproveitaram-se de uma recusa do síndico em conceder a um estudante, pouco assíduo às aulas, o certificado de praxe, para denunciá-lo ao conselho régio. Por ordem, Drouin foi intimado a conceder o certificado pedido; recusou-se energicamente e, para justificar-se, escreveu um Mémoire que mandou imprimir. O ministro, André-Hercule de Fleury, que ainda era apenas bispo de Fréjus, mas inteiramente dedicado à Companhia de Jesus, mandou responder ao Mémoire de Drouin por uma lettre de cachet (1722), que lhe ordenava deixar Caen no mesmo dia e a diocese de Bayeux dentro de uma semana. Seus adversários não tinham deixado de acusá-lo de jansenismo e de quesnelismo. Ele respondeu a essas acusações com uma Apologie. Nesse ínterim, o rei da Sardenha, Vítor Amadeu II, convidou Drouin a vir ocupar a cátedra de teologia na universidade de Chambéry; para escapar de seus inimigos, ele aceitou. Em 1730, tendo Vítor Amadeu abdicado, Drouin deixou o ensino e retirou-se para Ivrea. Tendo-se dirigido a Pádua para ver seu tio, Hyacinthe Serry, o cardeal dominicano Ferrero, bispo de Vercelli, tentou retê-lo oferecendo-lhe uma cátedra no seminário Eusebiano; do mesmo modo, por ocasião da morte de Serry (1738), o conselho da universidade de Pádua quis oferecer a Drouin a cátedra de seu tio, mas, por insistência do geral da ordem, Thomas Ripoll, absteve-se de fazê-lo. Ele temia os adversários do teólogo. Drouin morreu em Ivrea, a 28 de setembro de 1740 (e não em 1742, como muitas vezes se escreveu), com sessenta anos de idade. Além da Apologie, de que já falamos, Drouin compôs vários tratados teológicos: 1° De baptismo in solius Jesu Christi nomine nunquam consecrato, adversus R. P. Josephum Augustinum Orsi ord. præd., Romæ in collegio Casanatensi S. theologiæ professorem, contrariæ sententiæ assertorem, dissertatio reciproca, in-4, Pádua, 1734; 2° De re sacramentaria contra perduelles hæreticos libri decem, duobus tomis comprehensi: quibus omnia et singula legis evangelicæ sacramenta consensione, universitate adstruuntur, defenduntur, vindicantur; simul et graviores quæstiones ad disciplinam, historiam et moralem pertinentes, itemque theologorum præcipuæ contentiones scholarum methodo ad mentem præceptoris Angelici expenduntur, discutiuntur, explicantur, etc., 2 in-fol., Veneza, 1757. No t. I, p. 227-284, encontra-se uma nova edição da dissertação precedente. Esta obra do P. Drouin teve várias edições, in-fol., Veneza, 1751, com notas e acréscimos de Patuzzi; in-fol., Veneza, 1756; in-fol., Veneza, 1772; 10 in-12, Paris, 1773-1775, com notas de Patuzzi e de Louis Richard, O. P.; 4 in-4, Veneza, 1789, com notas de Patuzzi; 3° Tractatus de summo pontifice, ainda inédito, de 259 páginas, dez capítulos, outrora nos arquivos de Saint-Dominique de Turim. Nada se encontra nas obras de Drouin que permita situá-lo com certeza entre os apelantes da bula Unigenitus, mas a coisa não seria impossível. Jos. Hyac. Trivieri, In fastos provinciæ D. Petri Martyris S. O. Præd., ms. in-fol., 1751, t. I, p. 264 [nos Arquivos gerais da ordem em Roma]; Journal des savants, t. CIV, p. 253-264; t. CXI, p. 268-273, 528-538; Suite des Nouvelles ecclésiastiques, 6 de maio de 1742, onde se encontra um trecho da carta do prior de Ivrea sobre a morte de Drouin; ela começa assim: Cecidit corona capitis nostri; P. Barral, Dictionnaire historique, littéraire et critique, s. l., 1758, t. I, p. 140; Id., Appelants célèbres, in-12, 1758, p. 518, 524; Richard e Giraud, Dictionnaire... des sciences ecclésiastiques, Paris, 1760, t. II; outros autores, tais como Michaud, Biographie universelle, etc.; Feller, Dict. historique, etc.; Nouvelle biographie générale (Didot), não fizeram senão copiar Barral; H. Hurter, Nomenclator, 3ª ed., Innsbruck, 1906, t. IV, col. 1405-1406, 1509.
Autor original: R. Coulon
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