DOUCIN (LUÍS)

DOUCIN (LUÍS)

DOUCIN Louis, controversista, nascido em Vernon (Eure), a 21 de agosto de 1652, entrou na Companhia de Jesus em 1668. Por volta da época da revogação do edito de Nantes, encontrava-se em Caen, ocupado com controvérsias contra os ministros protestantes e com a instrução dos novos católicos. Publicou, por ocasião desses trabalhos: Lettres d'un catholique à un de ses amis de la religion prétendue réformée, Caen, 1684-1685; 2ª ed., in-8°, Caen, 1686; Traité de l'usage du calice ou de la communion sous les deux espèces, in-8°, Caen, 1685; Paris, 1686; Instruction pour les nouveaux catholiques, où l'on explique tous les articles contestez, et où l'on en rend raison par l'Écriture, et par les Pères des premiers siècles, in-8°, Caen e Paris, 1686. Opôs, a uma crítica desta última obra, Réponse à ce qu'on a écrit contre le livre intitulé : Instruction pour les nouveaux catholiques, in-12, Caen, 1687. Em 1697, o P. Doucin acompanhou a Haia o Sr. Verjus, conde de Crécy, encarregado, por parte da França, das negociações da paz dita de Ryswick. Tendo então sido informado da situação da Igreja católica nos Países Baixos, publicou um Mémoire touchant le progrès du jansénisme en Hollande, in-12, Colônia, 1698. Trata-se de uma tradução livre do Memoriale breve, extractum ex prolixiore de statu ac progressu Jansenismi in Hollandia, obra devida à colaboração dos dois jesuítas holandeses François Verbiest e Norbert Aerts e do pároco Adrien van Wijck. Allard, Studien, Tijdschrift..., t. XXXIV, (1890), p. 25. Essa publicação causou sensação e provocou várias respostas. Citemos apenas: La foi et l'innocence du clergé de Hollande défendue contre un libelle diffamatoire intitulé Mémoire..., por M. Dubois, in-12, Delft, 1700; o verdadeiro autor é o P. Quesnel, justamente acusado no Mémoire de ter feito mais do que ninguém, com Antoine Arnauld, para propagar a heresia entre o clero dos Países Baixos. Pierre Codde, arcebispo de Sebaste e vigário apostólico da Holanda, também posto em causa, denunciou o Mémoire, como caluniador, ao Santo Ofício; mas ele próprio se viu chamado a Roma, para responder sobre as revelações nele contidas, e, após inquérito, foi suspenso de suas funções de vigário apostólico. A recusa de parte dos padres holandeses em aceitar o sucessor dado a Codde pela Santa Sé deu início ao cisma de Utrecht. O P. Doucin também publicou trabalhos sérios sobre a história das antigas heresias: Histoire du nestorianisme, in-4°, Paris, 1698 e 1699; Specimen observationum ad nestorianam historiam ac varios tum veterum tum recentiorum auctorum qui eam attigerunt locos, in-12, Paris, 1698; Addition à l'histoire du nestorianisme, où l'on fait voir quel a été l'ancien usage de l'Église dans la condamnation des livres; et ce qu'elle a exigé des fidèles à cet égard, in-12, Paris, 1703; Histoire de l'origénisme, histoire des mouvements arrivez dans l'Église au sujet d'Origène et de sa doctrine, in-12, Paris, 1700. Por volta do fim do século XVII e durante os quinze primeiros anos do XVIII, o P. Doucin esteve em Paris; ficou então muito envolvido nas controvérsias suscitadas pelas Réflexions sur le Nouveau Testament de Quesnel e pela constituição Unigenitus, que condenava 101 proposições extraídas desse livro (1713). Atribui-se-lhe, erradamente, o Problème ecclésiastique (1698), que pertence antes ao beneditino jansenista dom Hilarion Monnier. Ver Daniel Gabriel. A atividade anônima que desenvolveu em favor da constituição Unigenitus foi considerável, mas ainda foi exagerada por seus adversários, para os quais o P. Doucin era como que a ovelha negra, quase no mesmo grau que o P. Le Tellier. Teria tido, notadamente, a principal parte nos Tocsins, escritos assim denominados pelos quesnelistas, pela veemência com que neles o erro era denunciado. Esses escritos, publicados na maior parte clandestinamente e perseguidos pelos parlamentos favoráveis à seita, foram reunidos, em 1716, com as respostas jansenistas, num volume intitulado: Les Tocsins. Avec les écrits et les arrêts publiés contre ces libelles violens et séditieux. Et un recueil de mandemens et autres pièces qui ont rapport aux écrits précédens, in-12, s. l. Encontram-se aí quinze peças, das quais nove são designadas como Premier Tocsin, Deuxième..., e assim por diante até o Neuvième Tocsin. Outra coletânea foi publicada em 1717, igualmente pelos jansenistas, sob este título: Les auteurs des Tocsins confondus, et les Appellans justifiez ou réflexions critiques sur la Réfutation de la Lettre d'un magistrat à M. l'évêque d'Alet, et sur plusieurs autres libelles séditieux et schismatiques, que les Jésuites ont publiés, in-12, s. l., MDCCXVII (sic por MDCCXVII); não contém senão sete Tocsins, dos quais seis já estavam na coletânea precedente, mas em parte numerados de outro modo. Ao menos dois desses Tocsins pertenceriam bastante seguramente ao P. Doucin: primeiro, aquele que é o segundo nas duas coletâneas citadas e que se intitula: Mémoire pour le corps des évêques qui ont reçu la constitution Unigenitus; foi suprimido por um decreto do parlamento de Paris de 4 de abril de 1716; em seguida, aquele que é particularmente criticado na segunda coletânea, onde é qualificado de Septième Tocsin; eis aqui o título mais completo: Réfutation d'un libelle intitulé Lettre d'un magistrat à M. l'évêque de ** servant de réponse à un Mémoire présenté à M. le duc d'Orléans au sujet des explications que les évêques demandent au pape sur la bulle Unigenitus, in-12, s.l., 1716. O Mémoire apresentado ao duque de Orléans é o «primeiro Tocsin»; teve por autor Mons. Maupeou, bispo de Alet, a quem é dirigida a Lettre d'un magistrat. Para ajudar a bibliografia, ainda não feita, desses Tocsins, acrescentemos que também existe uma reimpressão ortodoxa, em Tocsins catholiques ou Recueil des pièces les plus fortes que les catholiques ont fait paraître contre les ennemis du saint-siège au sujet de la constitution Unigenitus, in-12. Essa coletânea, que contém ainda outras peças além dos Tocsins, formou ao menos 3 vols., publicados em Avignon, na casa de Joseph Chastel, 1717-1718. Quando, após a morte de Luís XIV, a oposição à constituição Unigenitus triunfou por algum tempo, com a nomeação do cardeal de Noailles, arcebispo de Paris, como chefe do conselho de consciência do Regente, o P. Doucin teve de sair de Paris e foi relegado a Orléans (novembro de 1715). Alguns meses mais tarde, o parlamento, querendo descobrir os autores dos Tocsins e suspeitando particularmente do P. Doucin, ordenou buscas na casa dos livreiros e no colégio dos jesuítas de Orléans. Conta-se que estas teriam estabelecido o papel ativo do P. Doucin na composição e na impressão dos Tocsins, com o apoio do bispo de Orléans, Mons. Fleuriau. Buvat, Journal de la Régence, publicado por Campardon, t. I, p. 151, 154. O P. Doucin morreu em Orléans, a 21 de setembro de 1726. De Backer-Sommervogel, Bibliothèque de la C. de Jésus, t. I, col. 159-168; t. IX, col. 239-240; Hurter, Nomenclator, t. IV, col. 1204-1205; Biographie universelle.

Autor original: J. Brucker

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