DIGBY (SIR KENELM)

DIGBY (SIR KENELM)

DIGBY (Sir Kenelm, 1603-1665), controversista, diplomata e marinheiro inglês. Não temos de nos ocupar aqui da carreira diplomática e militar deste autor, nem mesmo de suas variações religiosas. Católico de nascimento, e filho de sir Everard Digby, executado em 1606 pela parte que tomara na conspiração da Pólvora, sir Kenelm professou o protestantismo a partir de 1630, e voltou ao catolicismo em 1635, para grande desespero do arcebispo Laud, que lhe tinha sincera amizade. S. L. Lee, art. Digby, p. 62. Ardente realista, e chanceler da rainha Henriqueta Maria, viúva de Carlos I, teve de exilar-se no continente, visitou a França, a Alemanha e os Países Baixos, e travou amizade com Descartes, que fala honrosamente dele em várias de suas cartas. Ocupou o seu exílio, sobretudo em Paris, com estudos filosóficos, literários e científicos. É desse período que datam os seus melhores livros. De volta a Londres na Restauração, e membro do conselho privado, prosseguiu até a morte a sua vida de estudos. Rémusat, Philosophie, p. 300 sq. Digby compôs várias obras sobre as ciências naturais; só suas obras teológicas e filosóficas devem ser enumeradas. Em 1638, publica em Paris uma Conference with a Lady, about Choice of a religion, reimpressa em Londres em 1654; nela desenvolve a necessidade de a verdadeira Igreja provar sua posse ininterrupta da autoridade religiosa. Em 1638 e 1639, defende a autoridade dos Padres em duas cartas a seu parente lord George Digby; foram publicadas em Londres em 1651 com a resposta de lord George. Em 1643, refuta a Religio medici, de Browne: Observations upon Religio medici, Londres. Em 1644, publica em Paris seu tratado sobre a natureza dos corpos: A treatise of the nature of Bodies, reimpresso em Londres em 1658, 1665, 1669. Em 1644, em Paris, um tratado sobre as operações e a natureza da alma: A treatise declaring the operations and nature of Man’s soul, reimpresso em Londres em 1645, 1657, 1669. Em 1651, em Paris, os Institutionum peripateticorum libri quinque, cum Appendice theologica de origine mundi. Em 1652, em Paris, o discurso sobre a infalibilidade em matéria religiosa, A discourse concerning infallibility in religion, dirigido a lord George Digby. Em 1653, sua tradução inglesa da obra sobre o conhecimento de Deus, de Alberto Magno. As memórias de Digby, Private Memoirs, que permaneceram manuscritas, foram impressas em 1827, por cuidado de sir H. N. Nicolas. S. L. Lee, art. Digby, em Dictionary of national biography, t. xv, p. 69 sq., e os autores a que remete; Rémusat, Philosophie anglaise depuis Bacon jusqu’à Locke, Paris, 1875, p. 296 sq.

Autor original: J. de la Servière

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