DIACRINOMENES. Glaire, Dictionnaire des sciences ecclésiastiques, t. I, p. 619, designa sob este nome «uma espécie de sectários que, segundo a opinião de Êutiques, não queriam reconhecer nenhum chefe, porque recusavam aderir às decisões do concílio de Calcedônia e unir-se aos que pronunciavam anátemas contra esse mesmo concílio.» Cita como referências Prateolus e Barônio. Ora, Prateolus, De vitis, sectis, Colônia, 1581, p. 44-45, só fala dos acéfalos. Barônio, Annales, ano 433, n. 21, relata primeiro a opinião do diácono Liberato, Breviarium, VI, IX; edição Garnier, Paris, 1675; P. L., t. LXVIII, col. 984-988, segundo a qual o nome de acéfalos remontaria a meados do século V e se aplicaria pela primeira vez aos que, não querendo levar em conta o pacto firmado entre João de Antioquia e Cirilo de Alexandria, sob o pretexto de que não se deveria ter feito a paz com o patriarca de Alexandria sem antes condenar os doze capítulos que ele formulara contra Nestório, abandonaram ao mesmo tempo o partido de João de Antioquia e de Cirilo e ficaram sem chefe para celebrar as suas sínaxes. Em seguida, Annales, ano 482, n. 42; ano 492, n. 44, Barônio só fala dos acéfalos. Os diacrinômenos seriam, portanto, a identificar-se com os acéfalos. Ora, não é nada disso. Os acéfalos não foram senão um dos numerosos grupos formados entre os diacrinômenos. Estes constituem antes o conjunto dos opositores do concílio de Calcedônia e dos partidários mais ou menos radicais de Êutiques e do monofisismo. É Leôncio de Bizâncio quem nos informa a esse respeito, pois os conhecia bem e os refutou solidamente, na primeira metade do século VI. Ora, segundo Leôncio de Bizâncio, De sectis, act. IV, 7, P. G., t. LXXXVI, col. 1225, quando santo Leão aprovou a condenação e a deposição de Êutiques por Flaviano, patriarca de Constantinopla, os διαχρινόμενοι, a palavra é dele e é traduzida por hesitantes, os hesitantes, duvidaram da carta do papa. Diante da reclamação de Êutiques, o imperador encarregou Dióscoro, patriarca de Alexandria, de examinar a sentença proferida por Flaviano. Esta foi revogada e Êutiques reintegrado. Mas o concílio de Calcedônia, em 451, deu razão a Flaviano, já falecido, feriu de anátema Êutiques e condenou Dióscoro ao exílio. A partir desse momento e por mais de meio século, a Igreja de Alexandria esteve em plena anarquia. Os monofisitas ali tiveram bispos e formaram diversos grupos, entre outros o dos acéfalos, que repudiaram Pedro Mongo porque ele aceitara o Henótico de Zenão. De sectis, act. V, 2, col. 1229. A Zenão sucedeu o imperador Anastácio (491-518), que era diacrinômeno, De sectis, act. V, 2, col. 1229, e que favoreceu com todo o seu poder os eutiquianos, ajudado por Severo, patriarca de Antioquia, e por Timóteo, patriarca de Alexandria. Mas, à sua morte, Justino primeiro, depois Justiniano (527-566) resolveram fazer com que o concílio de Calcedônia recebesse a obediência que lhe era devida, para suprimir toda divisão entre católicos e monofisitas. A tentativa deles não foi coroada de sucesso. Ela provocou, ao contrário, novas discussões teológicas, novos agrupamentos eutiquianos, separados uns dos outros, seja por simples questões de pessoas, seja por pontos de doutrina secundários. E é sobretudo em Alexandria, nesse meio exaltado, onde se haviam refugiado Severo de Antioquia e Juliano de Halicarnasso, que a resistência dos diacrinômenos se fez sentir. Leôncio de Bizâncio tomou então a pena para refutar esses sectários. Ele expõe as objeções diversas que eles tomavam emprestadas seja da história, De sectis, act. VI, col. 1233-1237, seja da filosofia, act. VII, col. 1240-1252, seja dos testemunhos dos Padres, act. VIII-IX, col. 1252 e segs., e as refutou solidamente. Embora os qualifique de diacrinômenos, é no fundo o partido dos eutiquianos ou monofisitas que ele tem em vista, tomado em seu conjunto, desde meados do século V até a sua época, sob o reinado de Justiniano. Desde então, o termo diacrinômenos que ele emprega não designa um grupo especial de hereges, mas simplesmente os partidários de Êutiques e os adversários do concílio de Calcedônia. Ver EUTIQUIANOS. Leôncio de Bizâncio, De sectis, P. G., t. LXXXVI, col. 1193-1268.
Autor original: G. Bareille
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor