— DEFAUTS 222 tor. commentar., Nápoles, 1760; Knust, De fontibus et consilio pseudo-isidoriane collectionis, Göttingen, 1832; Wasserschleben, Beiträge zur Geschichte der falsch. Decretalen, Breslau, 1844; Id., Pseudoisidor, em Realencyclopädie de Herzog; Id., Ueber das Vaterland der falsch. Decret., em Sybels hist. Zeitschrift, 1890; Hefele, Ueber den gegenwärtigen Stand der pseudo-isidorischen Frage, em Tübing. Theol. Quartalsch., 1847; Gfrörer, Ueber Alter, Ursprung, Zweck der Decretal. des falsch. Isidor, Friburgo em Brisgóvia, 1848; Göcke, De exceptione spolii, Berlim, 1858; Denzinger, Prefácio à edição das Fausses Décrétales em P. L., t. cxxx; Pitra, Analecta novissima Spicilegii Solesmensis, 1885, t. I, p. 94-103; — 3° Reims : Weizsäcker, Die pseudo-isidorische Frage, em Sybels histor. Zeitschrift, t. III; Id., Hincmar und Pseudoisidor, em Niedn. Zeitschrift für hist. Theol., 1858; Roth, Pseudoisidor, em Zeitsch. für Recht-Geschichte, t. V (1866); K. von Noorden, Ebo, Hincmar und Pseudoisidor, em Sybels hist. Zeitsch., t. VII (1862); P. Hinschius, op. cit., préf., p. ccviii; Lurz, Ueber die Heimat Pseudoisidors, 1898; Ad. Tardif, Histoire des sources du droit canonique, 1887; Ph. Schneider, Die Lehre von den Kirchenrechtsquellen, 1892; F. Lot, Etudes sur le règne de Hugues Capet, 1903; Id., La question des Fausses Décrétales, em la Revue historique, 1907, n. 1, t. XCIV; Friedberg, Lehrbuch des kanonischen Rechts; E. Lesne, La hiérarchie épiscopale... en Gaule et Germanie, 1905; Id., Hincmar et l'empereur Lothaire, em la Revue des questions historiques, 1905, t. LXXVIII; Seckel, Pseudoisidor, em Realencyclopädie de Hauck; — 4° na província de Tours : Simson, Die Entstehung der pseudo-isidorischen Fälschungen in Le Mans, 1886; Id., Pseudoisidor und die Geschichte der Bischöfe Le Mans, em Zeitsch. für kanonisches Recht, 1886; Mgr Duchesne, Bulletin critique, 1886, p. 445; J. Havet, Chartes de Saint-Calais, em Bibliothèque de l’Ecole des chartes, 1887, t. XLVIII; P. Viollet, Bibliothèque de l’Ecole des chartes, t. XLIX (1888); Id., Hist. du droit civil français; Ph. Schneider, que inclinava-se primeiro pela origem remense, opina pela opinião de Simson em Pseudo-isidor, Kirchenlexikon, 2ª ed.; Döllinger, Zeitsch. für Kirchen-Geschichte, t. XII; P. Fournier, La question des Fausses Décrétales, em Nouvelle revue historique de droit français et étranger, 1887, 1888; Id., Congrès scientifique international des catholiques, 1888, t. II; Id., Une forme particulière des Fausses Décrétales, em Bibliothèque de l’Ecole des chartes, t. XLIX; Id., Etude sur les Fausses Décrétales (da qual nos inspiramos frequentemente) em la Revue d’histoire ecclésiastique de Louvain, 1906-1907, e separata, in-8°, 1907. Cf. Ul. Chevalier, Répertoire. Bio-Bibliographie, 2ª ed., Paris, 1905, t. I, col. 2281-2282.
DEFAUTS (Defeitos). — I. Definição. II. Divisão.
I. Definição. — A palavra defeito, do latim deficere, falhar, faltar, ou de fallere, enganar, faltar, significa a carência ou a privação de uma perfeição ou qualidade necessária, cuja ausência torna uma coisa imperfeita, irregular, incorreta ou incompleta. Na linguagem ordinária, defeito é frequentemente sinônimo de imperfeição ou de vício. Estas três palavras, contudo, exprimem conceitos muito diferentes. As imperfeições só são notadas, em geral, nos objetos excelentes por outros motivos; enquanto elas desaparecem sob defeitos mais salientes, que se encontram, por vezes, tão numerosos, nos seres comuns e ordinários. O imperfeito, com efeito, é o que deixa algo a desejar, para poder ser considerado como um modelo. Ele ainda não está nem terminado, nem findo, nem acabado, embora se eleve já bem acima do nível médio. Mas o defeituoso permanece bem inferior ao que é simplesmente imperfeito. Não apenas não é realizado em seu gênero, como falha, cai abaixo do que deveria ser. No físico, por exemplo, é a privação de um membro, ou de um órgão dos sentidos, uma irregularidade, uma deformidade corporal, uma lesão orgânica. No moral, é uma lacuna no julgamento, ou no caráter, ou ainda uma fraqueza de espírito. Disse-se, nesse sentido, que as pessoas de bem só possuíam imperfeições, enquanto todos os outros têm defeitos. Massillon estabeleceu a mesma distinção nesta passagem: «As imperfeições das pessoas de bem deveriam encontrar-vos mais indulgentes, pois apenas elas vos poupam, escondem vossos vícios, adoçam vossos defeitos, desculpam vossas faltas.» Os defeitos tornam frequentemente insuportável aquele que os tem. Atraem-lhe a aversão e, por vezes, até o desprezo. As imperfeições nunca produzem um resultado semelhante. Quando muito, impedem ou diminuem a admiração que suas outras qualidades suscitariam. Sem imperfeições, as pessoas ou os objetos são admiráveis; sem defeitos, eles apenas são o que devem ser. A imperfeição é, portanto, como um diminutivo do defeito. O vício, ao contrário, é antes um aumentativo. É mais do que uma privação, pequena ou grande, como o são a imperfeição e o defeito: é uma depravação, um princípio mau, capaz de corromper tudo, e que atinge o ser até as suas profundezas. Se se consegue, sem muito esforço por vezes, suprir o que falta, ou preencher uma lacuna, é bem mais difícil destruir um vício enraizado no íntimo do ser.
Aquele que tem defeitos é, com muita frequência, insuportável; mas aquele que tem vícios pode tornar-se perigoso. Os defeitos estão mais no espírito; os vícios, no coração e na vontade. Um exemplo fará compreender melhor estas diferenças. O desleixo no porte é uma imperfeição; a desigualdade de humor, a puerilidade, a timidez classificam-se entre os defeitos; a preguiça, a mentira, a luxúria, a crueldade são vícios. Cf. S. Thomas, In IV Sent., l. II, dist. VI, q. 1; l. IV, dist. I, q. 1, a. 1; Sum. theol., Iª, q. XI, a. 4, ad 2um; q. XLIX, a. 4; Iª IIae, q. XXXII, a. 4, ad 3um; Quest. disp., De malo, q. XVI, a. 5; De veritate, q. IX, a. 3; Poujol, Dictionnaire des facultés intellectuelles et affectives de l’âme, in-4°, Paris, 1863, Introduction, p. 149 sq.; Lafaye, Dictionnaire des synonymes, 4° édit., 2 in-4°, Paris, 1872, t. I, q. 680 sq., 763 sq.
II. Divisão. — São Tomás, Sum. theol., II, q. XIV-XV; Compendium theologiæ, c. CCXXXIV, indica como os defeitos são suscetíveis de ser classificados. Ele os divide em duas grandes categorias, cada uma delas compreendendo uma subdivisão semelhante.
I. DEFEITOS CORPORAIS. — 1° Afetando a natureza humana na sua generalidade, seja porque esta natureza, como toda natureza criada, é essencialmente limitada em si mesma; seja porque são uma consequência aflitiva do pecado original. Entre eles, é preciso assinalar principalmente a passibilidade, isto é, a sujeição à fome, à sede, à fadiga, às doenças, à morte. Estes defeitos corporais, comuns a todos, revestem agora a forma de penalidades; todavia, se, no estado de inocência, o homem deles estava isento, não era em virtude de um privilégio inerente à sua natureza, mas por causa de um dom, ou socorro preternatural, proveniente da liberalidade de Deus. Cf. S. Jean Damascène, De fide orthodoxa, l. III, c. xx, P. G., t. XCIV, col. 1082; S. Thomas, Sum. theol., II, q. XIV, a. 4; Billot, De Verbo incarnato, part. I, c. II, § 3, thes. XXI, in-8°, Rome, 1904, p. 254 sq.
2° Afetando certos indivíduos mais do que outros. — Estes defeitos corporais derivam então de causas particulares ou são a consequência de acidentes fortuitos. Por exemplo: a cegueira, a surdez, o mutismo, diversas doenças, os vícios de conformação e de organização, etc. Cf. S. Thomas, loc. cit.
II. DEFEITOS MORAIS. — Encontra-se aqui a mesma distinção que anteriormente. — 1° Defeitos morais comuns a todos os homens, seja por causa da imperfeição essencial da natureza humana, seja por causa do pecado original. Eles se reduzem a três classes: uma para a inteligência: a ignorância; duas para a vontade: a inclinação ao mal, e a dificuldade para o bem. Cf. S. Thomas, loc. cit.
2° Defeitos morais afetando certos indivíduos mais do que outros. — Estes defeitos morais são muito numerosos. Ainda não se fez uma classificação lógica deles. Indicaremos apenas aqueles que se encontram mais frequentemente.
1. A falta de juízo ou de bom senso. — É uma verdadeira enfermidade espiritual, fonte de uma infinidade de misérias para aquele que é atingido por ela, como para aqueles que o rodeiam, ou que são obrigados a ter frequentes relações com ele. Este mal é, em geral, incurável. A virtude pode adquirir-se, com esforços e perseverança: o bom senso, ou o juízo, jamais. Cf. S. Thérèse, Chemin de la perfection, c. XV.
2. A vaidade e a presunção. — Aqueles que têm estes defeitos tornam-se rapidamente insuportáveis e ridículos. A fim de se elevarem acima dos outros, eles colocam afetação em tudo: palavras, atos, maneiras, etc. Este pedantismo, longe de lhes atrair elogios, provoca o desprezo, e lhes atrai os traços mordazes da sátira. Fazem exibição de conhecimentos ou de vantagens que não possuem, e, se, por esse estaladiço emprestado, iludem a si mesmos, não enganam aqueles que pretendem assim deslumbrar. Na sua linguagem figurada, São Francisco de Sales chama-os de «lojas de vaidade». Entretiens spirituels, c. XV, Œuvres complètes, 12 in-12, Paris, 1862, t. III, p. 510 sq.
3. O orgulho. — Este defeito tem muita relação com o precedente; mas tem, contudo, algo de menos desprezível, pois não existe sem uma certa grandeza e uma certa dignidade.
4. A violência e a tendência à vingança. — Apesar das analogias que apresentam entre si, estes defeitos podem existir, um sem o outro. Toda pessoa violenta não é por isso rancorosa, ou vingativa. A violência passa, por vezes, como uma tempestade que acumula ruínas sobre ruínas, mas que não dura. O rancor, ou o espírito de vingança, persegue mais friamente o seu objetivo. Por isso, em muitos casos, é mais temível que a violência em si. Esta última, apesar dos seus desvios acidentais, não é incompatível com um certo fundo de bondade.
5. A dureza de coração. — É uma das formas mais ordinárias do egoísmo. Torna insensível aos sofrimentos alheios, e leva mesmo a aplaudi-los, como se se desfrutasse mais da própria felicidade ao ver infelizes. Pode ir até ao ponto de impelir a fazer o mal, pelo simples prazer de fazer sofrer. É então uma espécie de instinto mau, e quase bestial.
6. O excesso de pressa. — É uma agitação febril que denota uma falta de equilíbrio entre as diversas faculdades. A atividade já não é regulada pela razão, e, se ela desprende energia, é energia ociosa.
Ela se consome em uma multidão de ocupações sem propósito sério e não meritórias, que redundam, em suma, em uma perda de tempo. Frequentemente, com efeito, perde-se mais tempo fazendo coisas inúteis do que não fazendo nada. Cf. Faber, Progrès de l’âme dans la vie spirituelle, c. XII, in-12, Paris, 1856, p. 289-299.
7. A leviandade. — Ela é um grande obstáculo à reflexão, aos estudos sérios, à continuidade nas ideias ou nos atos, à perseverança nas resoluções tomadas. Ela produz a desigualdade de humor. Às vezes, degenera em descuido e em puerilidade, que prolongam, na adolescência e até na idade madura, as futilidades da infância. Nas conversas, manifesta-se pelo relato de uma massa de detalhes dos mais insípidos, contados em um balbucio interminável. Essa inanidade de linguagem corresponde bem ao vazio desse espírito no qual os pensamentos mais díspares se sucedem com uma rapidez espantosa e desaparecem da mesma forma. Esse fluxo de palavras não traz àqueles que são obrigados a suportá-lo senão lassidão e tédio. As ocupações de uma pessoa de caráter leviano apresentam a mesma marca geral de futilidade. Algumas vezes também, essa extrema mobilidade de pensamentos é a consequência mórbida de um estado patológico especial. A cura, então, é mais do âmbito da medicina do que da ascética ou da moral. Cf. Axenfeld et Huchard, Traité des névroses, l. II, c. v, § 2, in-8°, Paris, 1883, p. 958 sq.; Ribot, Les maladies de la volonté, in-8°, Paris, 1896, p. 112.
8. A singularidade. — É a fonte inesgotável de bizarrias e de caprichos de todo gênero. Ela é suscetível de se manifestar de mil maneiras e a todo propósito: nas tendências, nas palavras, nos atos, no conjunto da conduta e até na devoção. Ela é, então, efeito do amor-próprio, ou da tolice, ou ainda uma tentação do espírito maligno.
9. A inclinação à melancolia, ao pesar, à tristeza. — Eis ainda um desses defeitos que causam a infelicidade tanto da pessoa que os tem quanto das que vivem ao seu lado. É, além disso, para a verdadeira piedade, um obstáculo já assinalado por São Paulo. II Cor., IX, 7. Ademais, conduz rapidamente ao abatimento e ao desânimo. Por conseguinte, torna difícil, para não dizer impossível, a aquisição da virtude. Cf. Faber, Progrès de l’âme dans la vie spirituelle, c. II, VII, XII, p. 16-19, 108-110, 283-287; Ribet, L’ascétique chrétienne, c. I, § 5, in-8°, Paris, 1905, p. 8.
10. A pusilanimidade e a inquietação. — Por esse defeito, perturba-se, a cada instante, por pequenas coisas que não valem a pena. Resulta daí uma agitação quase contínua, que, na vida ordinária, traduz-se pela irresolução e, na vida sobrenatural, pelos escrúpulos, causa inesgotável de tormentos para as almas que são atingidas por eles e para seus superiores, diretores ou confessores. Cf. S. François de Sales, Entretiens spirituels, c. XVI, Œuvres complètes, t. III, p. 514 sq.; Scaramelli, Guide ascétique, traité IIe, a. II, c. I-III, 4 in-8°, Paris, 1885, t. II, p. 358-383.
11. A dissimulação, ou a inclinação ao disfarce e à duplicidade. — É o espírito de mentira, inimigo de toda candura e de toda franqueza. Na mais tenra juventude, manifesta-se desde os primeiros lampejos da razão e, se não for combatido logo cedo, perpetua-se através de todas as idades. Ele engendra a hipocrisia.
12. A prodigalidade. — Consiste em gastar, a mãos cheias e sem motivos justificados, o dinheiro que se possui, ou em deixar deteriorar, por negligência ou por capricho, os objetos que se tem para uso próprio. Esse defeito provém da vaidade, tanto quanto da preguiça. Pela prodigalidade, busca-se parecer rico ou generoso, ou então quer-se evitar o cuidado, considerado enfadonho, de vigiar as suas despesas e de manter delas um registro exato. Resulta disso, primeiramente, desordem; depois, descontentamento e mal-estar; enfim, demasiadas vezes, uma ruína completa. Cf. Palmieri, Opus theologicum morale in Busenbaum medullam, tr. IV, c. viii, dub. vii, 7 in-8°, Prato, 1889-1893, t. I, p. 574.
13. A sensualidade. — Há três espécies: a do espírito, a do coração e a do corpo. — a) A primeira inclina a alma a pensar sobretudo nas coisas que lhe agradam. A memória retorna apenas às recordações agradáveis, e a imaginação cria incessantemente quimeras, nas quais se detém com deleite. Se se lê um autor, é sobretudo por seus méritos secundários, como o estilo, por exemplo, ou o gênero do assunto tratado, no qual o útil ocupa muito menos espaço do que o agradável. — b) A sensualidade do coração é a fonte das afeições ternas, fundadas sobretudo nas qualidades exteriores: traços do rosto, frescor da tez, elegância das maneiras, doçura da voz, etc. Cf. S. François de Sales, Entretiens spirituels, c. xvii, Œuvres complètes, t. III, p. 516 sq. ; Scaramelli, Guide ascétique, traité IIe, a. 9, c. I-IV, t. II, p. 295-311. — c) A sensualidade corporal impele às desordens da carne. Ela se trai na pose, no andar, na busca pelo bem-estar e pelo alimento, no abuso do sono e do repouso demasiado prolongado, nas repugnâncias exageradas por tudo o que incomoda: fadiga, intempéries das estações, frio, calor, trabalho, etc.
É um estado de moleza que enfraquece o caráter e produz um obstáculo frequentemente insuperável a toda vida cristã, ou simplesmente séria. Cf. Ribet, L’ascétique chrétienne, c. xi, p. 115-133.
14. A indulgência, ou o excesso de ternura por si mesmo. — Este defeito tem muitas afinidades com o precedente, embora não revista o mesmo caráter de gravidade. Não é, na maioria das vezes, senão uma grande fraqueza da vontade, que se detém diante do menor obstáculo, mas não conduz, contudo, diretamente aos desordens morais, como o faz a sensualidade. É, todavia, um verdadeiro perigo, pois, ao impedir a alma de caminhar no caminho da virtude, deixa-a quase inteiramente desarmada contra os assaltos do inimigo, sempre pronto a tentar arrastá-la aos abismos. Cf. S. François de Sales, Entretiens spirituels, c. XIV, XVII, Œuvres complètes, t. III, p. 455-472, 517 sq. ; Faber, Progrès de l’âme dans la vie spirituelle, c. vii, p. 111 sq.
15. A indolência. — Este defeito conduz prontamente à preguiça e à covardia. Ele paralisa até a ação mesma da graça. No mundo espiritual, pode-se compará-la ao que é a força de inércia no mundo dos corpos. Sobre um caráter indolente, o zelo mais ardente não tem quase nenhum efeito. O indolente, com efeito, vive em uma espécie de apatia moral, que é como sua atmosfera natural. Seu espírito está submerso no vago, e ele se compraz nisso. Ele não conhece, portanto, nem mesmo o seu mal. Para conhecê-lo, teria de ter se estudado, e isso exige um esforço, do qual ele é incapaz. Se alguém quer ajudá-lo neste trabalho, ele se recusa; e se tentam revelar-lhe o mal que o mina, ele não compreende nada do que lhe dizem a esse respeito. Esta apatia moral é o oposto de toda energia, consequentemente de toda virtude e, a fortiori, de toda vida sobrenatural. Pela inatividade habitual que produz, ela é, como a ociosidade e a preguiça, a mãe de todos os vícios. Para não morrer de tédio, o ser desocupado necessita de divertimentos frívolos, de prazeres sempre renovados, de emoções fictícias ou culpáveis. A indolência o enerva, pois, cada vez mais, e consome, em pouco tempo, o pouco de vigor que lhe restava. Cf. Faber, Progrès de l’âme dans la vie spirituelle, c. ii-xiv, p. 115 sq., 277-301.
— Existe uma multidão de outros defeitos morais, dos quais é feita menção frequentemente nas obras de moral e de ascética. A lista deles seria longa. Mas é preciso notar que muitos são quase sinônimos, ou indicam apenas variedades de uma mesma espécie. É, além disso, fácil reduzi-los todos a um daqueles dos quais tratamos, em particular, neste artigo.
S. François de Sales, Entretiens spirituels aux filles de la Visitation, c. XIV-XVII, Œuvres complètes, 12 in-12, Paris, 1862, t. III, p. 455-517 ; Scaramelli, Guide ascétique, traité II, a. 9, c. I-IV ; a. 14, c. I, 4 in-8°, Paris, 1882, t. I, p. 295-311, 358-383 ; Faber, Progrès de l’âme dans la vie spirituelle, c. ii, vii, xiv, in-12, Paris, 1856, p. 15-34, 103-120, 277-301 ; Poujol, Dictionnaire des facultés intellectuelles et affectives de l’âme, in-8°, Paris, 1863 ; Frédault, Traité d’anthropologie physiologique et philosophique, t. III, c. I, § 3 ; t. V, c. I-VI, in-8°, Paris, 1868, p. 425 sq., 490 sq., 615-701 ; Giraud, De l’esprit et de la vie de sacrifice dans l’état religieux, t. II, c. XI-XII, in-8°, Grenoble, 1877, p. 177-195 ; Maudsley, Pathologie de l’esprit, c. VII, in-8°, Paris, 1883, p. 346 sq. ; Meynert, Psychiatrie, in-8°, Vienne, 1890 ; Ribot, Les maladies de la volonté, in-8°, Paris, 1896 ; Pesch, Psychologia anthropologica, t. II, disp. III, sect. IV ; t. II, disp. I, sect. III-IV, in-8°, Fribourg-en-Brisgau, 1898, p. 301 sq., 399-430 ; Ribet, L’ascétique chrétienne, c. I, XIII, XIX, in-8°, Paris, 1905, p. 8, 115-133, 189-207 ; cardinal Mercier, Psychologie, part. III, c. I, a. 2, sect. I, États anormaux, ou maladies de la volonté, 2 in-8°, Louvain, 1905, t. II, p. 234 sq.
Autor original: A. VILLIEN
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