Roger-François Daon nasceu em 1679 em Bricqueville-en-Bessin, na diocese de Bayeux. Ingressou na congregação de Jesus e Maria, chamada dos eudistas, em 29 de setembro de 1699, e após ter concluído seu tempo de provação e seus estudos teológicos, foi ordenado sacerdote, sendo então incorporado a esse instituto no final de 1702. Foi, desde então, um religioso exemplar. Um de seus primeiros cargos foi o de superior do seminário menor de Rennes, para onde foi enviado em 1706. Seria mais justo chamar esta casa de Seminário dos pobres clérigos, pois os seminários menores daquele tempo eram estabelecimentos onde recebiam pensão gratuita os jovens pobres que aspiravam ao sacerdócio, e onde faziam sucessivamente seus cursos de humanidades e teologia, para deles sair apenas após terem recebido todas as ordens sacras. Quanto aos grandes seminários, compunham-se de teólogos em condições de pagar sua pensão, e sobretudo de clérigos e sacerdotes que neles residiam apenas por um tempo mais ou menos longo, fixado pelo bispo, para se prepararem para as ordenações e para o santo ministério. À chegada do Sr. Daon, o seminário menor de Rennes tinha apenas alguns anos de existência e contava apenas com um punhado de seminaristas que viviam em extrema pobreza e alojavam-se em uma parte do presbitério de Saint-Étienne, contíguo à igreja deste nome. O novo superior pôs-se imediatamente em busca de recursos e soube encontrá-los. Com a aprovação e o concurso pecuniário de Dom de Lavardin, comprou no arrabalde de Saint-Hélier um terreno com uma casa, para onde transferiu o seminário logo em 1707. No ano seguinte, iniciou ali novas e importantes construções, depois ampliou a propriedade; enfim, dotou esse estabelecimento. O número de alunos ultrapassou logo a casa dos sessenta, e a piedade não cessou de ser ali muito florescente.
Em 1719, o Sr. Daon foi enviado ao seminário de Avranches para ali professar a teologia; e, em 1727, foi nomeado seu superior, assumindo ao mesmo tempo o cargo de diretor do colégio desta cidade e o de pároco de Saint-Martin-des-Champs, que eram unidos ao seminário. Teve muito a sofrer por parte de uma coterie jansenista, à frente da qual encontrava-se um vigário-geral, chamado Gautier, que fazia frequentes visitas ao seminário e buscava por todos os meios inocular as doutrinas da seita nos ordinandos. Daon não cessou de refutar altamente esses inovadores, aplicando-se a manter os seminaristas na ortodoxia e a encorajar os sacerdotes da cidade que permaneciam submissos à bula Unigenitus e eram, por esse motivo, perseguidos pelo irascível vigário-geral. Este tentou muitas vezes prejudicá-lo no espírito de Dom Leblanc, prelado fraco que temia desagradar ao partido; mas o bispo guardou uma grande estima por Daon, a quem ouvia de bom grado. Como pároco de Saint-Martin, o religioso fundou uma escola para as meninas de sua paróquia.
Em 1730, foi enviado a Senlis para ali exercer as funções de superior e de prefeito dos ordinandos. Conquistou ali imediatamente a simpatia de todas as pessoas de bem, e em particular de Dom Trudaine, que o escolheu como confessor. Estabeleceu uma conferência de moral, onde perto de vinte e cinco eclesiásticos da cidade assistiam regularmente. Cada um devia colocar por escrito seus pareceres, a fim de que o secretário pudesse transcrever o resultado em seu registro. Por seu zelo e pela sabedoria de sua administração, o superior mereceu a estima e a confiança de todo o clero de Senlis. Chamado à superioridade do seminário de Caen, em 1738, governou também esta casa com tanta prudência e bondade que, mais de cinquenta anos após sua morte, sua memória era ainda venerada em toda a cidade. Enfim, em 1744, o bispo de Séez, tendo entregue a direção de seu seminário aos eudistas, solicitou Daon para ser seu primeiro superior. Ali conquistou muito rapidamente a estima e a afeição gerais. Ali terminou sua vida em 16 de agosto de 1749.
Roger Daon não tinha o talento da pregação. Supriu essa carência compondo numerosas obras simples e práticas, destinadas à santificação do clero e das almas, e que foram, à sua maneira, uma pregação excelente. Elas versam quase todas sobre matérias pertencentes à teologia moral, da qual ele tinha feito seu principal estudo. Eis os títulos daquelas que foram impressas: 1° Conduite des confesseurs dans le tribunal de la pénitence, selon les instructions de saint Charles Borromée et de saint François de Sales, in-12, Paris, 1738. Esta obra, que resume brevemente o que um sacerdote deve saber para administrar com proveito o sacramento da penitência, foi aprovada por um grande número de bispos e, desde o ano seguinte ao seu aparecimento, Dom de Luynes, bispo de Bayeux, mandou reeditá-la às suas custas e ordenou por mandamento a todos os seus sacerdotes que tivessem um exemplar. Difundiu-se muito rapidamente e teve perto de cem edições. A 38ª apareceu em Toulouse pouco depois da morte do autor. Foram feitas traduções para o latim, italiano, espanhol, alemão e inglês. Foi impressa ainda em Toulouse, em 1820.
Esta obra desagradou aos jansenistas, e as Nouvelles ecclésiastiques apreciaram assim a 5ª edição: «Acontece frequentemente ao autor tomar o partido errado nos diferentes pontos de moral atacados pelos jesuítas; por exemplo, no que diz respeito à contrição, à caridade, aos escrupulosos, ao rapto de sedução, à notoriedade de fato, à acusação das faltas veniais, à opinião do penitente contrária à do confessor, à advertência a quem peca materialmente, aos habituados ao pecado, à estabilidade da justiça cristã, à comunhão frequente, às dispensas de casamento, aos meios de perfeição, à aprovação dos confessores.» Embora de uma moral que pareceria hoje um pouco severa, este livro é de uma doutrina irrepreensível; 2° Conduite des âmes dans les voies du salut, pour servir de supplément à la conduite des confesseurs dans le tribunal de la pénitence, in-12, Paris, 1753. Este volume, que só apareceu após a morte do autor, é como o t. II da obra precedente. O autor indica nele a maneira de dirigir as crianças, os jovens, os ignorantes, as pessoas casadas, os aspirantes ao sacerdócio, os religiosos e religiosas, os soldados, os pobres, etc. Esta obra teve também numerosíssimas edições. A de 1829 foi revista por um professor de teologia que acrescentou Avertissements aux confesseurs e uma Exhortation aux ecclésiastiques de s’appliquer à l’étude;
3° um recueil d’opuscules contém Méthodes utiles aux ecclésiastiques, referentes à maneira de bem fazer o catecismo, de preparar as crianças para a confissão, de fazê-las renovar publicamente as promessas do batismo e fazer a sua primeira comunhão, e de administrar utilmente o santo viático e a extrema-unção, in-12, Caen, 1737; 4° um outro recueil d’opuscules compreende também Méthodes pour bien faire des conférences spirituelles, para fazer sermões (prônes), para os grandes catecismos, para bem fazer um sermão, para explicar as cerimônias do batismo ao administrá-lo, para explicar as do casamento ao administrá-lo; e uma méthode facile para ensinar aos novos sacerdotes a ouvir utilmente as confissões, in-12, Alençon, 1759; 5° Recueil d’instructions pour ceux qui se disposent à l’état ecclésiastique, in-12, Alençon; é um catecismo muito instrutivo para os ordinandos; 6° Introduction à l’amour de Dieu, tirée des Œuvres de saint François de Sales, in-12, s. l. n. d.; 7° Pratique de la préparation et action de grâces avant et après la sainte messe, in-12, Alençon, 1748; 8° Instruction familière touchant les missions..., com exercícios para a confissão geral e a santa comunhão, in-12, s. l. n. d.; 9° Pratique du sacrement de l’eucharistie, à usage des enfants qui font leur première communion, Caen, 1740; 10° Règlement de vie pour un prêtre; devoirs des prêtres, etc. Muitas das suas obras desapareceram ou são muito difíceis de encontrar hoje. Apenas algumas daquelas que foram impressas após a sua morte ostentam o nome do autor. Além das obras que ele próprio compôs, Daon também mandou reimprimir, com adições e notas, vários opuscules théologiques et ascétiques de diferentes autores. Ele escolhia sempre aqueles que lhe pareciam mais aptos para inspirar, manter e fortalecer o gosto por uma piedade sólida. Deve-se a ele, entre outras, uma edição do Contrat de l’homme avec Dieu par le saint baptême, uma das obras mais estimadas do Venerável Padre Eudes. Annales de la Congrégation de Jésus et Marie, passim; Richard et Giraud, Bibliothèque sacrée (art. de Besselièvre, antigo eudista). J. DAUPHIN.
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