CROCUS CORNEILLE

CROCUS CORNEILLE

CROCUS Corneille, humanista e controvertista neerlandês, nascido em Amsterdã por volta do final do século XV, estudou as belas-letras e a eloquência em Lovaina, sob Adrien van Baarlan. Ordenado sacerdote após sólidos estudos teológicos, tornou-se, em sua cidade natal, reitor de uma escola latina que logo adquiriu uma justa celebridade. Ele se propunha, antes de tudo, a defender o coração e a fé das crianças contra a licenciosidade dos costumes e a invasão dos erros novos.

Com esse objetivo, compôs uma gramática latina, "a fim de poder, dizia ele, afastar das mãos da juventude a do ímpio Melanchthon"; escreveu diálogos familiares: Colloquiorum puerilium formulæ, Antuérpia, 1536, para opô-los aos de Erasmo; uma comédia latina: Josephus castus, Antuérpia, 1548, a fim de destruir nos jovens espíritos a influência exercida pela leitura do Eunuco de Terêncio.

Como obras relativas à pedagogia, tem-se ainda dele: Lima barbarici, sive farrago sordidorum verborum, Colônia, 1520; Silvula vocabulorum, puerilis lectionis exercitationi accommodata, Solingen, 1539; Paraclesis ad capessendam sententiam Josephi casti, Antuérpia, 1548. A controvérsia deve-lhe algumas obras notáveis pelo vigor do pensamento e pela elegância do estilo: Epistola de fide et operibus ad Joannem Sartorium fidei orthodoxæ desertorem, Antuérpia, 1531; Disputatio contra anabaptistas de baptismo parvulorum, ibid., 1535; De vera Ecclesia seu de notis et signis Ecclesiæ, Colônia, 1548.

Sua reputação de humanista e de teólogo estendia-se para longe. O rei de Portugal, João III, zeloso em assegurar ilustres professores para a Universidade de Coimbra, que fundava então, fez-lhe ofertas vantajosas para uma cátedra de teologia. O piedoso reitor, que já alimentava o projeto de deixar o mundo e entrar na Companhia de Jesus, recusou, e, aos cinquenta anos de idade, quando houve prestado os últimos deveres à sua velha mãe, pôs-se a caminho de Roma. Era o ano do jubileu.

Por espírito de penitência, quis cumprir a pé essa longa peregrinação e contraiu uma doença de exaustão, que o levou logo depois, após ter sido admitido por Santo Inácio a pronunciar seus votos de religião. Além dos escritos precedentes, Sotwel menciona ainda dele diversos discursos e meditações: Meditationes piæ in passionem dominicanam, Colônia, 1532; Oratio de Christi vita, Antuérpia, 1548; In Decalogum, publicado em Pia opuscula Cornelii Croci Batavi, Antuérpia, 1612. Orlandini, Historiæ Soc. Jesu, part. I, l. X, n. 73, p. 236; Prat, Mémoires pour servir à l'histoire du P. Broét et des origines de la Compagnie de Jésus, Le Puy, 1885, p. 250; Sotwel, Bibliotheca scriptorum Soc. Jesu, Rome, 1676, p. 159; Foppens, Bibliotheca belgica, Bruxelles, 1729, t. 1, p. 197; Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. 1, col. 1660-1661; Hurter, Nomenclator, 3e édit., Inspruck, 1906, t. II, col. 1448-1449.

Autor original: P. BERNARD

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