A. CHRETIENS ou CHRISTIANS. Seita batista inglesa fundada por Alexandre Campbell, donde provém o nome de campbelitas ou batistas campbelitas ainda atribuído à seita. Campbell nasceu em 1788 no condado de Antrim (Irlanda), de uma família escocesa; faleceu em 1866. Descendia, por parte de mãe, de huguenotes franceses.
Em 1808 partiu para encontrar seu pai nos Estados Unidos. Porém, como o navio naufragou na costa da Escócia, a partida foi adiada. Como Campbell fizera, durante o naufrágio, o voto de se consagrar ao ministério evangélico, dirigiu-se a Glasgow para estudar teologia e, sobretudo, história eclesiástica.
Em 1809 foi juntar-se ao pai na América, após separar-se da seita dos anti-burghers, da qual fora ministro. Seu pai criou um movimento que tendia a suprimir todas as divisões entre os cristãos; A. Campbell foi agregado a essa obra, para a qual se havia constituído uma sociedade: Christian Association of Washington.
Em 1810, esta sociedade publicou uma declaração na qual afirmava que seu objetivo era fazer desaparecer todos os ritos e doutrinas que separavam os cristãos, para efetuar uma comunhão distinguindo-se pela submissão às Escrituras, pela fé e pela obediência a Jesus Cristo. Para este fim fundou-se a Igreja de Brush Run. A. Campbell obteve permissão para pregar nela e foi ordenado em 1812.
Como condição para a união das diversas frações, exigiu com seus partidários a supressão de toda denominação que não fosse o nome primitivo de discípulos de Cristo ou cristãos; como regra única, propunha a fé e a disciplina, a Bíblia e especialmente o Novo Testamento; quanto aos usos, o retorno puro e simples aos costumes primitivos. Este retorno aos antigos usos implicava, muito naturalmente, a administração do batismo por imersão. Por isso, Campbell fez-se rebatizar segundo esta forma, com seu pai, sua mãe, sua esposa e três de seus partidários; agregaram-se ao mesmo tempo à Redstone Baptist Association, mas estipulando que continuariam a não crer e a não ensinar nada além do que encontrassem na Bíblia.
Em 1817, A. Campbell contava apenas com cerca de 150 adeptos. Em 1823, iniciou a publicação de um jornal mensal, o Christian Baptist, que substituiu em 1830 pelo Millenial Harbinger, que redigiu até 1863. Sua seita acabou por se separar dos batistas puros. Eis por que, em 1830, os campbelitas constituíram uma Igreja distinta, que, devido à habilidade de seu diretor e à simplicidade de seu princípio, teve um desenvolvimento prodigioso.
De acordo com os relatórios de 1880, eis qual era naquele momento a situação da seita: na América, 592.016 membros, o que supõe mais de 2.000.000 de adeptos. Em cada um destes últimos anos, o aumento fora de 40.000 membros. 5.175 locais de culto eram atendidos por 3.787 ministros. Nas colônias inglesas da América, 5.000 membros; na Grã-Bretanha e na Irlanda, 4.000; na Austrália e na Nova Zelândia, 3.000.
A seita tem missões na Inglaterra, Irlanda, França, Dinamarca, Noruega, Turquia. Possui duas universidades e vinte colégios; doze jornais semanais, seis mensais, um trimestral; oito revistas semanais para as escolas dominicais, quatro mensais. Para sua organização interna, adotou o sistema congregacionalista; celebra a ceia todos os domingos e administra o batismo por imersão. A principal obra de A. Campbell é o Christian system.
Robert Richardson, Memoirs of Alexander Campbell embracing a view of origin, progress, and principles of the religious reformation which he advocated, 2 in-8°, Filadélfia 1868; Jeter, Campbellism examined; Grande encyclopédie, t. VIII, p. 1147-1148; A religious encyclopadia de Schaff, Edimburgo, 1883, t. I, p. 877, 644-645; Kirchenlexikon, t. III, col. 228-229. V. Ermont.
Autor original: V. Ermoni
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