COUSTURIER

COUSTURIER

COUSTURIER, em latim SUTOR, é o verdadeiro nome do célebre dom Pierre Sutor, teólogo cartuxo do século XVI. Nomeia-se também Le Couturier, mas ninguém seguiu Baillet, que o chamou de dom Cordonnier, e muito menos ainda M. de la Monnoye, que preferiu traduzir Sutor por Le Sueur. Cf. Baillet, Jugemens des savans, Paris, 1722, t. VII, p. 342. Dom Pierre Cousturier nasceu em Chemiré-le-Roi, na diocese de Le Mans. Desde a infância, frequentou os seus vizinhos, os cartuxos do Parc-Sainte-Marie, e começou a estimar o seu gênero de vida.

Após ter realizado os seus estudos na casa de Sorbonne, foi recebido doutor em teologia, ensinou filosofia no colégio de Sainte-Barbe, em Paris, e distinguiu-se pela sua eloquência e pela sua vida virtuosa. Foi prior da Sorbonne, em uma época incerta. No início do ano de 1509, deixou o ensino e, para grande surpresa dos seus numerosos admiradores, retirou-se para a cartuxa de Vauvert-lez-Paris, e aí fez profissão no ano seguinte. O seu testamento traz a data de 28 de janeiro de 1510.

A ordem instituiu-o visitador da província da França e nomeou-o sucessivamente prior das casas de Val-Dieu, no Perche, de Paris, de La Prée-lez-Troyes e do Parc-Sainte-Marie, onde a morte veio surpreendê-lo em 18 de junho de 1537. A sua erudição foi proveitosa não apenas para os seus irmãos em religião, mas também para toda a Igreja. Dom Cousturier escreveu as seguintes obras: 1° De vita cartusiana libri duo, in-4°, Paris, 1522; in-8°, Louvain, 1572; Colônia, 1609.

Estes dois livros, sob a forma de diálogo, relatam a vida de são Bruno, a fundação da ordem dos cartuxos, as suas prerrogativas, a sua liturgia, os seus homens ilustres pela santidade e pela doutrina, as suas observâncias e as suas vantagens.

Dom Cousturier responde aí a todas as críticas e a todas as objeções que, já em seu tempo, se faziam contra o gênero de vida dos cartuxos; 2° De triplici connubio Dive Anne disceptatio, in-8°, Paris, 1523, onde sustenta a opinião, então difundida, do triplo matrimônio de santa Ana; 3° De translatione Bibliæ et novarum interpretationum reprobatione, in-fol., Paris, 1524, 1525; trata-se de uma defesa da Vulgata contra as inovações de Erasmo e de Lefèvre d’Étaples.

Erasmo publicou a seguinte apologia: Adversus Petrum Sutorem, quondam theologi Sorbonici, nunc monachi carthusiani, debacchationem Apologia, in-8°, Basileia, 1525; dom Cousturier replicou: Adversus insanam Erasmi apologiam Petri Sutoris Antapologia, in-4°, Paris, 1526; Erasmo volta ao ataque: Prologus Erasmi Roterodanii in supputationem calumniarum Nathalis Bedæ Responsiunculæ ad propositiones a Beda notatas.

Appendix de Antapologia Petri Sutoris et scriptis Jodoci Clichtovei, quibus additur elenchus erratorum in censuras Bedæ jampridem excusus, in-8°, Basileia, 1526; a Apologia e este apêndice encontram-se nas Opera de Erasmo, Basileia, 1540; Leyden, 1703, t.

IX; 4° Apologeticum in novos anticomaritas, præclaris beatæ Virginis Mariæ laudibus detrahentes, in quo et multa inseruntur quæ ad suffragia, merita, venerationemque sanctorum reliquiarum et imaginum pertinent, in-4°, Paris, 1526; 5° In damnatam Lutheri hæresim de votis monasticis, in-8°, Paris, 1531; 6° De potestate Ecclesiæ in occultis, in-8°, Paris, 1534, 2 edições; 3ª ed., 1546; 7° De modo faciendi testamentum saluberrimum, in-8°, Paris, s.d.; 8° um grande tratado De contemplatione, que o autor menciona em De vita cartusiana, l. I, tr. III, c. x, Colônia, 1609, p. 197. Petrejus, Bibliotheca cartusiana; Morozzo, Theatrum chronol. S.

cartus. ord.; Le Vasseur, Ephemerides ord. cartus., t. II, p. 846; dom Liron, Singularités littéraires et historiques, t. II; Hauréau, Histoire littér. du Maine, t. II; Féret, La faculté de théologie de Paris et ses principaux docteurs, époque moderne, Paris, 1901, t. III, p. 392-395; Hurter, Nomenclator, 3ª ed., Innsbruck, 1906, t. II, col. 1304-1305.

Autor original: S. Autore

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