COURSOULAS NICOLAS

COURSOULAS NICOLAS

COURSOULAS Nicolas, teólogo grego do século XVII, nasceu em Corfu de uma família originária da Dalmácia, e cujo nome, entre os escritores neogregos, é grafado de diversas maneiras: Κουρσούλας, Κουρσόκας, Κουρσεούλας, etc. Em 1616, foi admitido no colégio grego de Santo Atanásio e, em 1625, obteve ali o diploma de doutor em teologia e em literatura. Concluídos seus estudos em Roma, seguiu os cursos da universidade de Pádua e, de volta à sua terra natal, abraçou a vida monástica e distinguiu-se por seu zelo e suas virtudes.

Em 1631, na sequência de desavenças que teve com os notáveis de Zante, partiu em busca de asilo em Alexandria, onde adquiriu grande renome como pregador. Os holandeses propuseram-lhe que fosse nomeado para a sé patriarcal de Alexandria, sob a condição, contudo, de que abraçasse o calvinismo. Coursoulas rejeitou essas propostas e, temendo ao mesmo tempo as represálias dos holandeses, retornou a Corfu. À morte de Nicodemos Metaxas (1646), bispo de Zante e Cefalônia, candidatou-se à sua sé, mas foi preterido por seu concorrente Timóteo Sopramasaros, eleito por uma maioria de 198 votos contra 12.

Retirou-se então para o Monte Atos, onde morreu em 1652. Coursoulas é autor de uma teologia ortodoxa em dois volumes, publicada por Serge Raphtani em Zante em 1862. Eis o título desta obra: Δοκίμιον τῆς ἱερᾶς θεολογίας συνταχθὲν εἰς ὠφέλειαν τῶν ὀρθοδόξων φιλομαθῶν παρὰ Νικολάου Κουρσούλα, Ζακυνθίου διδασκάλου, φιλοσόφου καὶ θεολόγου. Nicolas Papadopoli emite sobre a obra de Coursoulas o seguinte juízo: Hoc opus graece pereleganter expositum et elaboratum, habeturque passim a nostris, sed non satis intelligitur.

Ita enim ad scholasticam pugnacemque theologiam omnia revocat, ut qui scholas e limine saltem non salutarunt, que ferat, quove acumine dogmata, deductasque inde consecutiones confirmet, haud quaquam possint percipere, ea presertim in parte que de auxiliis divinis agit et libero arbitrio, novamque et inauditam grecis auribus συγγενείας ἐμπαιγμούς, Scientia media vocabulum, remque ipsam exponere nititur. O mais erudito dos teólogos gregos do século XIX, Constantin Oikonomos, afirma que, em vários pontos, a teologia de Coursoulas exala um leve perfume ocidental por falta de atenção do sábio autor.

Segundo ele, Coursoulas deixa em suspenso a controvérsia do Filioque, porque não considera como absolutamente errônea a doutrina da Igreja romana, e limita-se a declarar que o dogma da Igreja ortodoxa é melhor (τὸ κρεῖττον); admite que a santa Virgem foi concebida sem o pecado original; atribui a consagração apenas às palavras de Nosso Senhor, e não à invocação do Espírito Santo, como ensina a Igreja ortodoxa; inclina-se para o ensinamento latino das indulgências. Um biógrafo de Coursoulas, P. Chiotes, tentou defendê-lo contra a acusação muito grave para os ortodoxos de ter flertado com os erros latinos.

Papadopoli, Historia gymnasii patavini, Veneza, 1726, t. III, p. 290-291; Rodota, Storia del rito greco in Italia, Roma, 1773, t. III, p. 181; Allatius, De Ecclesiae occidentalis atque orientalis perpetua consensione, Colônia, 1648, col. 990; Sathas, Νεοελληνικὴ φιλολογία, Atenas, 1868, p. 254-255; P. Chiotes, Βιογραφικὴ ἔκθεσις, em cabeça da Théologie de Coursoulas, Zante, 1862, t. I, p. 9-32; Zaviras, Νέα Ἑλλάς, Atenas, 1872, p. 494-495; Katramis, Φιλολογικὰ ἀνάλεκτα Ζακύνθου, Zante, 1880, p. 314; Legrand, Bibliographie hellénique du XVIIe siècle, Paris, 1903, t. V, p. 261-268.

Autor original: A. Palmieri

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