COTTIONS OU MANGONS

COTTIONS OU MANGONS

questões de pessoal, todos os serviços de caridade, quase tudo o que concernia ao temporal, entrava na administração diaconal. O governo do palácio era dirigido pelo vice dominus (vidame), junto ou em lugar de quem aparece, desde o fim do século VIII, o superista. Do vidame dependiam os cubicularii (camareiros), os cellerarii (celereiros), os stratores (escudeiros), etc. O nomenclator é o mestre de cerimônias; o vestararius ou prior vestiarii é o guardião do tesouro, das reservas de mobiliário precioso, etc. Os empregados da chancelaria denominavam-se notarii ou scrinarii. Os sete notários regionários formavam entre eles um grupo qualificado.

Os dois primeiros, o primicerius e o secundicerius, estavam entre os grandes dignitários da Igreja. «O primicério dos notários figurava, com o arquipreste e o arquidiácono, no triunvirato ao qual, na morte do papa ou em caso de ausência, cabia por direito a direção da Igreja romana. Este alto funcionário era também depositário dos arquivos e gestor da biblioteca.» Contudo, as funções de bibliotecário começam nesta época a se destacar do notariado. Ainda não se trata do primiscrinius ou protoscrinius, que sucederá mais tarde ao primicério como o chefe real da chancelaria.

A administração financeira é dirigida pelo arcarius, caixa-chefe, e pelo saccellarius, pagador geral. Havia também um corpo de defensores, encarregados das relações com os tribunais e, notadamente, da execução das sentenças eclesiásticas. Era um serviço de advocacia e de polícia. À frente deles encontravam-se sete regionários, cujo chefe era nomeado primicério. Algumas dessas funções laicizaram-se desde o século IX.

Aquelas que permaneceram nas mãos dos eclesiásticos formaram logo uma categoria especial, muito qualificada, os sete juízes palatinos: o primicerius e o secundicerius dos notários, o arcarius, o saccellarius, o protoscrinius, o primicerius dos defensores, o nomenclator. Fala-se também do consiliarius e do ordinator. O consiliarius era ora um leigo, ora um clérigo; suas funções parecem ter sido muito importantes. Elas desapareceram após o século VIII, como as do ordinator. Mgr Duchesne, Les premiers temps de l’État pontifical, na Revue d’histoire et de littérature religieuses, 1896, t. 1, p. 239-241.

A corte pontifícia ocupava, além disso, um grande número de clérigos não ordenados, empregados dos serviços de chancelaria ou de administração, notários, defensores, camareiros, celereiros, etc. Os antigos cargos da administração papal tendiam a crescer com o alargamento das posses pontifícias e a formação progressiva dos Estados do Papa. No século X, o demasiado célebre Teofilacto era vestararius e sua esposa Teodora portava também o título de vestararissa. Este cargo laicizado consistia sobretudo em velar pelo governo de Ravena e das províncias vizinhas. Um curioso pergaminho conservado na biblioteca do Vaticano, Miscellanee Ludovisiane, t.

VIII, e reproduzido pela primeira vez por Galletti, Memorie di tre antiche chiese di Rieti, in-4°, Roma, 1765, p. 171-183, revela como era composta a corte romana, na segunda metade do século XI, no início do pontificado de Nicolau II (1059). Ele dá o nome e indica, com seus títulos, as funções de todos aqueles que, no número de várias centenas, tinham «boca na corte», ou parle di palazzo, isto é, que eram alojados, alimentados e mantidos no palácio apostólico, com o direito de usar as carruagens e os cavalos pertencentes ao Papa.

Este manuscrito é tanto mais precioso quanto os documentos análogos para esta época remota faltam quase totalmente, a maioria tendo perecido no incêndio que devastou os arquivos pontifícios, durante o saque de Roma pelo condestável de Bourbon, em 1527, sob Clemente VII. Cf. Gaetano Marini, prefeito da biblioteca e dos arquivos do Vaticano, Archiatri pontificii, 2 in-fol., Roma, 1825, t. 1, p. 17. Eis os cabeçalhos de algumas das subdivisões desta estatística oficial. Após a indicação do camareiro e de alguns outros dignitários, vêm os camerarii; cappelani; cubiculares; hostiarii majores; hostiarii minores; officiales, domicelli (pajens, cf.

Ducange, Glossarium mediæ et infimæ latinitatis, t. III, p. 905 sq.); servientes nigri; servientes albi; cancellaria; elemosyna; coquina magna et parva; marestalla (estábulo, cf. Ducange, Glossarium, t. IV, p. 292) alba; marestalla nigra; cursores, etc. Estes diversos títulos repetiam-se nas quatro partes ou capítulos dos quais se compõe este rol, e que indicam o tratamento em espécie para cada funcionário da corte. A primeira enumera as porções provenientes da cozinha: Primo de coquina. À frente da linha figura o camareiro com doze partes para ele e seus servos, de coquina dominus camerarius recipit duodecim viandas. Cf.

Ducange, Glossarium, t. VI, p. 801. Após ele estão marcados cinco mestres de câmara recebendo cada um duas porções. O último destes é o auditor da câmara apostólica, magister Guillelmus auditor cameræ (sic). O número de porções da cozinha assim distribuídas diariamente pelo mestre-sala era de trezentas e quarenta e uma: Expliciciuntur viandæ quæ dantur per supercoquum coquinæ domini papæ quæ sunt in universo cccxli. A segunda parte do

Autor original: F. Vernet

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