CORNÉLIO, papa, sucessor de Fabiano, eleito em abril de 251, falecido em junho de 253. À morte do papa Fabiano, martirizado no início da perseguição de Décio (20 de janeiro de 250), a sé romana permaneceu vacante durante dezesseis meses. Durante tão longa vacância, os presbíteros de Roma, que haviam governado coletivamente a Igreja romana, adquiriram uma certa notoriedade, particularmente o presbítero Novaciano, autor de várias obras e que redigira muitas das cartas que o clero de Roma endereçava às Igrejas de fora. Ele era um candidato designado para a Santa Sé, quando o fim da perseguição permitiu eleger um papa.
Todavia, os sufrágios recaíram em maioria sobre o presbítero Cornélio (abril de 251). Novaciano, eleito por uma minoria, fez-se sagrar por três bispos italianos que havia mandado vir a Roma e expediu cartas às Igrejas para se fazer reconhecer. Manifestamente, o bom direito estava do lado de Cornélio, que foi reconhecido por Dionísio de Alexandria, por Cipriano de Cartago e pelo conjunto da Igreja. A carta de Cornélio a Fábio de Antioquia, conservada por Eusébio, é uma das fontes preciosas desta história. Havia, na fonte do cisma de Novaciano, algo mais do que uma vulgar decepção de um ambicioso.
Os dois rivais divergiam de opinião sobre o tratamento que convinha aplicar aos cristãos que haviam renunciado à fé durante a perseguição. O rigorismo de Novaciano não aceitava os lapsi à reconciliação com a Igreja, a qual deveria contar apenas com os puros (em grego καθαρούς). Tratava-se, em suma, de uma retomada da querela mais geral que agitara os pontificados de Zeferino (198-217) e de Calisto (217-222) a respeito da reconciliação com a Igreja ou da exclusão perpétua dos grandes pecadores.
Os bispos do Oriente estavam inclinados à severidade para com os cristãos que haviam sucumbido na perseguição e dispostos a dar ouvidos às sugestões dos novacianos. Tais eram Meruzanes da Armênia, Telimídrides, bispo de Laodiceia, Fábio de Antioquia, o mais notável de todos, a quem Dionísio de Alexandria escreveu em favor do papa Cornélio. Eusébio nos conservou uma análise da carta que ele escreveu igualmente a Novaciano para exortá-lo à demissão.
Mas foi sobretudo Cartago que foi perturbada pela questão dos lapsi, cristãos tíbios que haviam renunciado, sem grande luta e apenas em aparência, à sua fé e que solicitavam de volta a comunhão da Igreja assim que o perigo passava. Eles colocavam, inclusive, em jogo de uma forma pouco discreta a intervenção dos confessores da fé que, em vez de recomendarem simplesmente os culpados à indulgência do bispo, pareciam querer, por autoridade, reconciliar esses pecadores com a Igreja. São Cipriano manobrava entre os dois escolhos da indulgência excessiva e do rigorismo desesperador.
Ele havia estabelecido uma correspondência muito constante com o papa Cornélio, a quem reconhecera após ter recebido da deputação da Igreja romana os esclarecimentos necessários sobre a dupla eleição à sé de Roma. Toda esta correspondência testemunha os sentimentos pessoais de confiança e de amizade dos dois bispos; ela oferece também os documentos menos suspeitos sobre a preeminência da Igreja romana e sobre a natureza e o modo das relações que as Igrejas mantinham entre si.
São Cipriano, por sua vez, teve de lidar com um pequeno cisma local suscitado pelo diácono Felicíssimo a propósito das medidas que ele havia tomado em relação aos lapsi, e teve de solicitar o apoio e o reconhecimento do bispo Cornélio. Da carta do papa Cornélio a Fábio de Antioquia, deve-se reter esta informação estatística de que a Igreja romana contava então quarenta e seis presbíteros, sete diáconos, sete subdiáconos, quarenta e dois acólitos e cinquenta e dois exorcistas, leitores ou porteiros. Exilado em Centumcellæ (Civitavecchia) em 252, o papa Cornélio morreu ali mártir em 253.
Sua morte ocorreu no mês de junho; mas a translação de seus restos mortais para Roma ocorreu muito provavelmente em 14 de setembro, data da morte de São Cipriano, cuja memória permaneceu unida à de Cornélio em uma festa comum. A data de 14 de setembro foi assim acreditada pelos martirológios como sendo a da morte de Cornélio. O papa foi sepultado em uma cripta vizinha ao cemitério de Calisto. Seu epitáfio não é redigido em grego como o dos papas do século III. Ele traz as palavras: Cornelius martyr. E. P. Seu sucessor foi o papa Lúcio.
Jaffé, Regesta pontificum romanorum, 2e édit., 1885, t. I, p. 248; Duchesne, Liber pontificalis, 1886, t. I, p. 150; Eusébio, H. E., L. VI, c. XL, XLV; S. Jerônimo, De viris illustribus, 67; Acta sanctorum, t. IV septembris, p. 143 sq.; Lettres de saint Cyprien, édit. Hartel, especialmente epist. XLIV, XLV, XLVIII, XLIX, LV, LVIII, LIX, LXI, LXVII, LXVIII; Passio S. Cornelii papæ, dans Catalogus cod. hagiogr. bibl. reg. Bruxell., 1886, t. I, p. 80.
Autor original: H. Hemmer
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