CONTRA-REMONSTRANTES ou gomaristas, calvinistas holandeses do século XVII, partido religioso e político intransigente, inimigos dos arminianos, protestantes liberais e republicanos. Ver ARMINIUS, t. I, col. 1969-1970; CALVINISTES, t. I, col. 1428. Assustado com as consequências lógicas da predestinação pregada por Calvino, Arminius, professor em Leyde, havia sustentado que a graça divina é seriamente e realmente oferecida a todos os homens, sem contudo concluir de início claramente que é por sua própria vontade que o homem aceita ou repele a graça assim oferecida.
O professor Gomar, defensor do dogma calvinista da predestinação absoluta, acusou-o de ensinar um novo pelagianismo. Por sua vez, Arminius qualificou Gomar de maniqueísta, uma vez que ele fazia de Deus o autor do pecado, ao dividir os homens em duas categorias, uma que ele reservara para si mesmo, a outra que ele destinara ao demônio. Até a morte de Arminius, ocorrida em 1609, a disputa se confinou quase que inteiramente ao terreno teológico; com o novo chefe dos arminianos, Episcopius, a querela tornou-se mais aguda, pois os partidários de Gomar formavam então a maioria do povo.
Eles acusaram abertamente de heresia os doutores Episcopius, Vorstius, Uytenbogaert. Para se exculparem da acusação de pelagianismo, os arminianos apresentaram aos Estados provinciais da Holanda e da Frísia ocidental uma Remonstrance em cinco artigos. Ver t. I, col. 1969. Os gomaristas opuseram a ela imediatamente uma Contre-remonstrance, na qual defendiam, com uma áspera violência, a doutrina do calvinismo mais rígido. Deram-lhes por conseguinte o apelido, que guardaram doravante, de Contra-remonstrantes.
Ao mesmo tempo, um pouco por toda a Holanda, lutas bastante vivas se engajaram entre os partidários das duas crenças, e a política envenenou o debate. O partido militar e orangista, com seu chefe Maurício de Nassau, filho do Taciturno, era contra-remonstrante, enquanto o partido republicano, formado pela aristocracia mercantil e pelos principais deputados dos Estados-Gerais, era remonstrante. Os Estados reuniram primeiramente colóquios de conciliação em 1611 em Haia, em 1613 em Delft.
Não obtendo assim nenhum resultado, tentaram então impor a todos, senão a tolerância recíproca, pelo menos o silêncio, e proibiram para o futuro toda discussão irritante. Não tiveram maior êxito em acalmar os ânimos, pois o partido orangista era preponderante desde a trégua de Antuérpia, 1609, onde graças a ele a Espanha havia reconhecido provisoriamente a independência efetiva das Províncias Unidas.
Seu chefe, Maurício de Nassau, tornado estatuder, querendo ganhar para si os gomaristas que tinham a força do número, convocou em 1618 o sínodo de Dordrecht, onde foram convidados os principais calvinistas da Europa; apenas os calvinistas franceses, impedidos por Luís XIII, não puderam comparecer. Presidido por um contra-remonstrante, Bogerman, o sínodo realizou 154 sessões de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619; os remonstrantes ali compareceram apenas como acusados. Finalmente, foram condenados tanto como inimigos políticos quanto como adversários religiosos do partido preponderante.
Duzentos pastores foram declarados destituídos de toda função eclesiástica. O grande pensionário Barnevelt foi executado, o poeta e teólogo Grotius, condenado a uma detenção perpétua; todos os remonstrantes que se recusaram a se submeter às novas decisões dogmáticas, banidos, e seus bens confiscados. As decisões dos teólogos contra-remonstrantes do sínodo de Dordrecht formam cinco capítulos intitulados: 1° de divina prædestinatione ; 2° de morte Christi et hominum per eam redemptione; 3° et 4° de hominis corruptione et conversione ad Deum ejusque modis ; 5° de perseverantia sanctorum.
Elas adotam e confirmam as opiniões extremas de Calvino sobre a predestinação absoluta, rejeitam a liberdade do homem e sua cooperação na salvação; contudo não fixam o momento de sua eleição, pois não falam mais da divergência que havia dividido na origem os calvinistas da Holanda. Não se trata nelas nem dos supralapsários que acreditavam na predestinação independente do fato da queda do homem, nem dos infralapsários que a pretendiam ligada a este evento, e que haviam começado assim a combater a intransigência do calvinismo rígido. Para a bibliografia, ver t. I, col. 1971; Kirchenlexikon, t. III, col. 1986-1987; Realencyclopädie, t. IV, p.
798-802.
Autor original: L. Lœvenbruck
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