CONSTANTINO I (PAPA)

CONSTANTINO I (PAPA)

Constantino I, papa, sucessor de Sisínio, que apenas passou pelo cargo, e antes dele de João VII, eleito em 708, consagrado em 25 de março desse ano, falecido em 9 de abril de 715.

Sob o reinado de Constantino, um conflito, como já haviam ocorrido vários, eclodiu entre o papa e o bispo de Ravena, Félix, a quem os seus diocesanos incitavam a reivindicar a autonomia da sua sé e que recusou ao papa as garantias ordinárias da sua submissão. Justiniano II, que tinha algumas ofensas a vingar, tirou uma vingança horrível dos habitantes. Félix, conduzido a Constantinopla, não foi executado como outros prisioneiros de destaque, mas cegado, e depois exilado no Ponto. O papa, mais tarde, perdoou-o e restituiu-o à sua sé.

Tendo o imperador Justiniano convocado o papa a Constantinopla, Constantino fez esta penosa viagem na companhia de dignitários da sua corte, nomeadamente do diácono Gregório, que deveria suceder-lhe. O objeto da viagem era, sem dúvida, obter para o concílio in Trullo a adesão da Sé Apostólica, já solicitada sob Sérgio e sob João VII. As violências e os afagos utilizados em relação a estes dois papas abriam uma perspectiva bastante triste para Constantino. Contudo, foi magnificamente recebido em Constantinopla pelo patriarca Ciro e cumulado de honras, e em Niceia pelo imperador, que parece ter aceitado as razões do papa desenvolvidas por Gregório. O fato é que Constantino, após dois anos de ausência, regressou a Roma (24 de outubro de 711), sem que nada de desagradável lhe tivesse acontecido.

Mal regressara, Constantino soube do assassínio de Justiniano II e da usurpação do poder imperial por Filípico Bardanes, um monotelita convicto, que iniciou uma campanha enfurecida contra o concílio de 680 e os seus fiéis. O papa Constantino recusou aprovar qualquer das suas medidas e foi apoiado pelo povo de Roma contra o "herege", cujo reinado, aliás, terminou logo em 713.

Anastácio II restabeleceu a ortodoxia no império, e o patriarca João VI, insolentemente entronizado em Constantinopla pelo usurpador, submeteu-se humildemente ao papa e fez profissão de fé ortodoxa sobre o artigo das duas vontades. Constantino I morreu em 9 de abril de 715. Jaffé, Regesta pontificum romanorum, 2e édit., 1885, t. I, p. 247; Duchesne, Liber pontificalis, 1886, t. 1, p. 389-395; Hardouin, Acta conciliorum et epistol. decret., t. III, p. 1838 sq. ; Paul Diacre, Histor. Lombard., VI, 31; Gregorovius, Geschichte der Stadt Rom im Mittelalter, t. 2, p. 327.

Autor original: H. Hemmer

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