CONSCIENCIOSOS (CONSCIENTIARII), seita de livre-pensadores do século XVII. Foi fundada por Matthias Knutsen, também chamado Kuntzen, nascido em Oldensworth (Schleswig). Em 1674, ele foi a Iena e difundiu, em um grande número de exemplares, uma carta latina na qual expunha suas ideias.
Elas se reduziam a seis: 1° Deus não existe, e o demônio tampouco.
2° Não se deve estimar os magistrados, deve-se desprezar os templos e rejeitar os sacerdotes.
3° Os magistrados e os sacerdotes são substituídos pela ciência e pela razão unidas à consciência, que ensina a viver honestamente, a não prejudicar ninguém e a dar a cada um o que lhe é devido. É por causa deste papel atribuído à consciência que os discípulos de Knutsen se autodenominaram conscienciosos.
4° O casamento não difere da prostituição.
5° Não há nada além desta vida.
6° A Escritura sagrada está cheia de fábulas e contradições.
Knutsen vangloriava-se de ter numerosos partidários nas cidades mais importantes da Europa; ele alegava ter setecentos em Iena. Jean Musæus, professor de teologia na universidade desta cidade, refutou esta "calúnia". Talvez a seita dos conscienciosos tenha existido sobretudo na imaginação de seu autor; de qualquer modo, logo não se falou mais nela. É verdade que, posteriormente, as teorias de Knutsen haveriam de reviver e desfrutar de um favor que não parece estar prestes a diminuir.
I. Fontes. — Encontra-se a carta de Knutsen em J. Micerlius, Syntagma historiarum mundi et Ecclesiæ, Leipzig, 1699, p. 229; M. Vessiére de La Croze, Entretiens sur divers sujets d'histoire, de littérature, de religion et de critique, Amsterdam, 1714, p. 400. Ver, além disso, J. Museus, Ablehnung der ausgesprengten abscheulichen Verleumdung ob wäre in der Universität Iena eine neue Sekte der sogenannten Gewissener entstanden, Iena, 1674; V. Greissing, Exercitationes academicæ duæ de atheismo Renato des Cartes et Matthæo Kunzen opposite, Wittemberg, 1677. 5ª ed., Amsterdam, 1740, t. III, p. 12; G. Arnold, Histoire impartiale de l'Eglise et des hérésies, Schafthouse, 1741, t. II, p. 507; Hefele, em Kirchenlexikon, trad. Goschler, Paris, 1864, t. V, p. 241; K. R. Hagenbach, em Realencyklopädie, 3ª ed., Leipzig, 1899, t. VI, p. 654.
Autor original: F. Vernet
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