4. COMNENO Andrônico, filho de Isaac Comneno, Sebastocrator. Nascido em 1113, foi, segundo Hertzberg, o aventureiro mais célebre do seu século, e a sua vida é um romance onde a fantasia parece ter tido livre curso. Segundo Nicetas Choniates, ele era muito versado nas letras. A Sagrada Escritura era-lhe muito familiar, e dos seus lábios brotavam frequentemente as palavras e as sentenças do apóstolo São Paulo. P. G., t. cxxxix, col. 580.
Em 1182, o favor do povo fê-lo subir ao trono imperial de Bizâncio. Ali entregou-se a atrocidades inauditas, que teve de pagar muito caro quando, pela ascensão ao trono de Isaac Comneno (1185), foi despojado da púrpura e entregue ao furor da plebe. Morreu no meio de terríveis suplícios, repetindo estas palavras: «Meu Deus, tem piedade de mim! Por que quebrar um caniço já dobrado pela tempestade?» P. G., t. cxxxix, col. 712.
Sob o nome de Andrônico Comneno apareceu um Diálogo contra os judeus, uma obra muito extensa de polêmica religiosa, onde o autor, segundo Basnage, demonstra uma grande erudição. Nela expõe e demonstra a doutrina cristã sobre a Trindade e a Encarnação. Nela apresenta as razões pelas quais Deus não revelou claramente aos judeus estes dois mistérios. Lembra aos judeus que eles já não possuem sacerdócio e que, consequentemente, devem submeter-se ao pontífice supremo que os remiu.
Será este diálogo realmente obra de Andrônico Comneno? Pode-se duvidar. No c. xii, a ruína de Jerusalém é datada do ano 5563 da criação do mundo e acrescenta-se que se passaram desde então 1255 anos. P. G., t. cxxxi, col. 869. Segundo os cálculos de Jean Lievens, isso conduz ao ano 1327, e segundo Basnage, ao ano 1310. Wharton e Le Mire atribuem este diálogo ao imperador Andrônico II Paleólogo (1282-1328). A questão da autoria não está resolvida, mas Monsenhor Ehrard diz com razão que a data desta obra deve ser retardada até o início do século XIV.
Cave, Scriptorum ecclesiasticorum historia litteraria, Colônia, 1720, p. 598-599; Fabricius, Bibliotheca græca, t. VII, p. 730-731; t. viii, p. 347; Oudin, Commentarius de scriptoribus Ecclesiæ antiquis, Leipzig, 1722, t. II, col. 1460-1606; Canisius, Thesaurus monumentorum ecclesiasticorum et historicorum, sive lectiones antiquæ, Amsterdã, 1725, t. IV, p. 254-330; Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Litteratur, Munique, 1897, p. 94.
Autor original: A. Palmieri
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