COLIRIDIANOS

COLIRIDIANOS

COLLYRIDIENS (COLLIRIDIANOS). São Epifânio relata, Hær., LXXIX, P. G., t. XLII, col. 740, que, em seu tempo, da Trácia e da Cítia superior passou para a Arábia um costume estranho e ridículo, o da oferenda de pequenos bolos. Esses bolos eram oferecidos pelos pagãos a Ceres. Ora, algumas cristãs supersticiosas, querendo rivalizar, por um lado, com as montanistas Quintila, Maximila e Priscila, e protestar, por outro, contra os detratores do culto de Maria ou os antidicomarianitas, resolveram tomar emprestado esse uso pagão e praticá-lo em honra da Santa Virgem. Elas ofereciam, pois, em sacrifício à Mãe de Deus esses pequenos bolos, conhecidos sob o nome de χολλυρίς, e os comiam em seguida: daí o seu nome de coliridianas.

Leôncio de Bizâncio faz alusão a esses pães que os filomarianitas, como ele os chama, ofereciam a Maria. Contra Nestor. et Eutych., III, vi, P. G., t. LXXXVI, col. 1364. Não se tratava senão de um empréstimo indiscreto, privado, de modo algum autorizado pela Igreja: poderia simplesmente ter dado margem ao riso, mas encontrava-se maculado de idolatria. E é por causa disso que o bispo de Salamina o censura, o reprova, primeiramente porque não é às mulheres que pertence o papel de sacerdote, em seguida porque o sacrifício é devido apenas a Deus e, finalmente, porque Maria, não sendo senão uma criatura, não tem nenhum direito a honras divinas. As coliridianas tinham acreditado protestar contra um excesso, haviam caído em outro. É por isso que são chamadas à ordem.

No século VIII, São João Damasceno fala ainda das coliridianas; mas ele não faz mais do que reproduzir, abreviando-o, o relato de São Epifânio. Hær., LXXIX, P. G., t. XCVI, col. 728 sq. Smith e Wace, Dictionary of christian biography, Londres, 1877, t. I, p. 596; U. Chevalier, Répertoire. Topo-bibliographie, t. I, p. 746.

Autor original: G. Bareille

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