CISTERCIENSES. — I. Origens da ordem. II. Regra e organização. III. Reformas e congregações diversas. IV. Privilégios e liturgia. V. Serviços prestados. VI. Personagens célebres, santos e beatos. VII. Escritores.
I. ORIGENS DA ORDEM. — Os cistercienses devem seu nome à abadia de Cîteaux (Cistercium), que foi o berço de sua ordem. Este mosteiro teve como fundador (1098) são Roberto, abade de Molesmes, que quis praticar ali, com alguns de seus religiosos, a regra de são Bento ao pé da letra. Ele não pensava, assim como seus dois sucessores, o B. Alberico e santo Estêvão Harding, em estabelecer uma ordem nova. Esta criação lhes foi imposta pela afluência das vocações e pelo grande número de mosteiros que surgiram da filiação de Cîteaux.
A entrada de são Bernardo no noviciado (1112) foi o ponto de partida deste desenvolvimento extraordinário. A fundação de La Ferté (1113), Pontigny (1114), Clairvaux e Morimond (1115) não tardou a acontecer. Estas casas receberam, mais tarde, o título de primeiras filhas de Cîteaux. A santidade de são Bernardo, a elevação de sua doutrina, o fogo de sua eloquência, o brilho de seus milagres, a extensão de sua ação religiosa e política atraíram às abadias cistercienses as almas afeiçoadas ao ideal religioso.
Sob a pressão das vocações cada vez mais numerosas e sob convite dos papas, dos bispos, dos reis e dos senhores, foi necessário multiplicar os enxames monásticos. Logo os houve em todos os reinos da cristandade latina, na França, na Espanha, em Portugal, na Itália, na Grã-Bretanha, na Alemanha, na Polônia, nos Países Baixos e nos países escandinavos, na Hungria e na Palestina. Seu número elevava-se em 1152 a 350, sem contar as granjas ou priorados colocados sob a dependência das principais abadias. Tentou-se, então, em vão, deter essa expansão, que pareceu excessiva aos próprios superiores. A ordem contava 530 casas ao final do século XII. Ela cresceu ainda mais, de tal modo que, apesar das perdas sofridas durante a crise protestante, restavam mais de 700 em meados do século XVII.
Esta difusão da família cisterciense deu-se principalmente por via de fundação direta. Houve, todavia, afiliações de mosteiros estabelecidos anteriormente. Tal foi o caso de Savigny, fundado na diocese de Avranches (por volta de 1105) pelo B. Vital de Mortain, e de suas 27 filhas, de Obazine, estabelecido na diocese de Limoges por santo Estêvão (1142), e de alguns mosteiros de beneditinos negros. A ordem contava numerosas casas de mulheres submetidas à mesma regra que os homens e à autoridade dos mesmos superiores maiores.
São Bernardo e outros cistercienses tomaram parte ativa na fundação das grandes ordens militares daquela época e lhes deram regras inspiradas pelas de Cîteaux; foram elas as ordens do Templo, de Calatrava, de Avis, de São Miguel, de São Lázaro, de Monte Sião, de Alcântara, de São Maurício, de Montesa e de Cristo. Ver ORDENS MILITARES.
II. REGRA E ORGANIZAÇÃO. — Os cistercienses receberam o nome de gris-sei (brancos, cinzentos), por causa da cor de seu hábito, em oposição aos monges cluniacenses e outros, que foram chamados nigri (monges negros). A observância que eles adotaram e propagaram marca uma reação muito viva contra aquela que prevalecia em Cluny e na maioria dos antigos mosteiros. Ela assumiu desde a origem todos os caracteres de uma reforma, isto é, de um retorno à prática da regra primitiva.
Os monges negros tinham suavizado a observância, alongado o ofício divino em detrimento do trabalho e adotado nas construções, no vestiário e no conjunto da vida, costumes pouco conformes à simplicidade antiga. Os cistercienses diminuíram a duração e a solenidade dos ofícios, dedicaram-se pessoalmente aos trabalhos agrícolas, seguiram um regime mais austero e adotaram uma arquitetura sóbria e simples.
A regra de são Bento, tal como a entenderam e praticaram inicialmente, era completada por costumes, que o abade ensinava e fazia observar. Foram redigidos por santo Estêvão e são conhecidos sob o nome de Consuetudines ou Us de Cîteaux. Os regulamentos litúrgicos ali têm um lugar muito amplo; trata-se ali dos exercícios comuns e dos oficiais do mosteiro; todas as coisas que entram nas constituições das ordens e congregações modernas. Os Us podiam ser modificados e completados, e foram-no frequentemente pelos capítulos gerais. As Consuetudines regulavam tudo o que diz respeito ao governo de cada casa.
As relações das casas entre si e sua organização em ordem eram fixadas pela Charte de charité, obra também de santo Estêvão. A abadia de Cîteaux era chefe de ordem e seu abade exercia as funções de superior geral. Levava-se em conta, na subordinação dos mosteiros, a abadia fundadora. Eles ligavam-se todos, por via de fundação, a uma das primeiras filhas de Cîteaux e formavam sua filiação. Todas as casas deviam seguir os Us da ordem e as decisões dos capítulos gerais.
Estes capítulos eram, na ordem, a grande autoridade; podiam interpretar as Consuetudines, promulgar decisões obrigatórias, dirimir dificuldades existentes nos mosteiros ou na ordem, reprimir abusos, depor abades, se fosse o caso, aceitar projetos de fundação. Estas assembleias, presididas pelo abade de Cîteaux, reuniam-se todos os anos em sua abadia; os abades de todos os mosteiros deviam comparecer. Foi preciso, por causa das distâncias, permitir aos abades da Dinamarca, da Suécia, da Prússia e da Hungria que viessem apenas a cada três anos; aos da Irlanda, da Escócia e da Sicília, a cada quatro anos; e aos da Palestina e da Síria, a cada sete anos.
O primeiro capítulo reuniu-se em 1119 para aprovar a Charte de charité. Os seguintes realizaram-se muito regularmente todos os anos até 1411. Estas assembleias foram desde então intermitentes; houve até mesmo uma interrupção de vinte anos. Quando a ordem se reorganizou no século XVII, contentaram-se com capítulos trienais. As visitas regulares, feitas pelos abades das quatro primeiras filhas, completavam a organização da ordem. Elas contribuíram, com os capítulos gerais, para a manutenção da disciplina e para o desenvolvimento dos mosteiros.
Desde cedo, preocupou-se em codificar suas decisões. A primeira coletânea, obra do abade são Raynard, Instituta capituli generalis, foi promulgada em 1134. A seguinte, Institutiones capituli generalis, iniciada por volta de 1203 pelo abade Arnaud I, foi promulgada após o capítulo de 1240. Houve uma terceira (1289 e 1316) que leva o nome de Libelli antiquarum deffinitionum capituli generalis ordinis cisterciensis.
O capítulo de 1350 promulgou as Novellæ definitiones, em conformidade com a Constituição beneditina; este é o nome dado na ordem à bula Fulgens ut stella de Bento XII (12 de julho de 1335), que prescrevia a reforma da ordem. Nomasticon cisterciense, seu antiquiores ordinis cisterciensis constitutiones a R. P. D. Juliano Paris collectæ ac notis et observationibus adornatæ, 2ª ed., in-fol., Solesmes, 1892; Les monuments primitifs de la règle cistercienne publiés d’après les manuscrits de l’abbaye de Citeaux, por L. Guignard, in-8°, Dijon, 1878; Etude sur l’état intérieur des abbayes cisterciennes et principalement de Clairvaux aux XIIe et XIIIe siècles, por d’Arbois de Jubainville, in-8°, Paris, 1858.
Os capítulos gerais, tal como funcionavam na ordem de Cister, exerceram sobre todo o conjunto das ordens monásticas e religiosas uma influência considerável e das mais felizes. Os papas prescreveram a realização regular destas assembleias aos monges de Cluny, aos beneditinos negros e aos cónegos regulares. As ordens mendicantes e todas as famílias religiosas fundadas desde a Idade Média fizeram entrar esta instituição na sua organização, tendo o cuidado de a adaptar às suas necessidades.
III. REFORMAS E CONGREGAÇÕES DIVERSAS. — Os cistercienses conservaram o seu fervor religioso durante os séculos XII e XIII. A decadência que invadiu todas as famílias monásticas não os poupou no século seguinte, apesar da tentativa de reforma de Bento XII e das medidas tomadas por alguns capítulos gerais. A realização regular destas assembleias mantinha, ainda assim, uma certa unidade na ordem. As frequentes interrupções que sofreram no século XV, somadas aos graves distúrbios que então agitavam a França e quase toda a Europa ocidental, comprometeram de maneira irreparável esta unidade. As necessidades de reforma, que se faziam sentir nos mosteiros espanhóis e italianos por volta desta época, levaram à formação de congregações distintas.
1° Congregação da observância de São Bernardo ou do Monte Sião. — Esta congregação teve como fundador Martin de Vargas (1425), monge de Piedra. O projeto de a erigir recebeu a aprovação do papa Martinho V. Os seus mosteiros foram declarados isentos da autoridade do capítulo geral da ordem, para dependerem apenas de um superior local, ostentando o título de reformador geral. Este tornou-se trienal após a morte de Martin de Vargas (1446); os abades dos mosteiros particulares foram igualmente trienais, ao contrário do costume geral da ordem, que sempre conservara a perpetuidade desta dignidade. Os monges estabilizavam-se na congregação, não em cada abadia, como em Cister; por isso, deslocavam-nos frequentemente. Os reformados estabeleceram o seu primeiro mosteiro no Monte Sião, perto de Toledo. O de Val de Buena adotou as suas observâncias (1430). Eugénio IV submeteu esta congregação à autoridade do abade de Cister, que passou a ter sobre ela direito de visita (1437). A reforma só conheceu a sua expansão após 1469, data da união da abadia de Huerta. Entre os outros mosteiros que se submeteram às suas observâncias, pode citar-se Palacuelos, na diocese de Palência, que se tornou a residência do geral. Houve mosteiros de mulheres, entre os quais Las Huelgas de Valladolid. Os estudos foram honrados nesta congregação, que teve vários colégios junto das universidades espanholas.
2° Congregação de Aragão. — Os mosteiros de Aragão, da Catalunha e de Valência escaparam completamente à influência da congregação do Monte Sião. Foram agrupados numa congregação especial, com o consentimento do capítulo de Cister (1613), confirmado pelo papa Paulo V (1616). Teve para a governar um vigário-geral e visitadores, sob o controlo e dependência do abade de Cister e do capítulo da ordem. A abadia de Las Huelgas, perto de Burgos, tornou-se, no início do século XVII, o centro de uma reforma para as religiosas cistercienses, que foi seguida por alguns antigos mosteiros e nas fundações empreendidas pelas reformadas. Eram conhecidas sob o nome de recoletas.
3° Congregação de São Bernardo de Alcobaça. — Esta congregação, formada em Portugal, sobre o modelo da do Monte Sião, foi confirmada em 1567 pelo Papa São Pio V. Teve como centro a abadia de Alcobaça. O seu superior geral era trienal. O número de casas elevava-se a 17, entre as quais 4 de fundação recente. Os religiosos dedicaram-se aos estudos; alguns foram historiadores bastante bons.
4° Congregação de São Bernardo da Toscana. — Os mosteiros da Toscana e da Lombardia foram reunidos por Alexandre VI (1497) numa congregação reformada, que era governada por um capítulo geral trienal, encarregado de nomear os superiores, eles próprios trienais. Júlio II restabeleceu esta união (1511), que estivera algum tempo interrompida. As funções mantiveram-se trienais. O superior geral assistia ao capítulo da ordem e tomava lugar depois dos abades das primeiras filhas. O regime ou governo lembrava o da congregação beneditina do Monte Cassino. Os cistercienses reformados tiveram alguns mosteiros nos Estados Pontifícios, Santa Cruz de Jerusalém e São Paulo das Três Fontes, entre outros. O número das suas casas elevava-se a 45, das quais 26 de fundação recente. Houve entre eles teólogos, canonistas e historiadores.
5° Congregação Romana e da Calábria. — Os mosteiros italianos obedeceram ao mesmo impulso que os de Espanha; os que não tinham abraçado a reforma austera da congregação de São Bernardo agruparam-se em congregações distintas de uma observância menos rigorosa. As casas dos Estados Pontifícios e do reino de Nápoles formaram a congregação de Roma, aprovada por Gregório XV (1623); não passavam de 41. Os mosteiros da Calábria agruparam-se à parte (1633). A abadia de Flore e as casas que dela dependiam uniram-se a eles. Estas congregações, governadas por um capítulo e um superior geral, permaneciam, contudo, sob a dependência do abade e do capítulo de Cister.
6° Congregação de São Bernardo da Alemanha do Norte. — Foi erigida por Nicolas Boucherat, abade de Cister, no mosteiro de Furstenfeld (1595) e compreendeu 20 abadias. Permanecia sob a autoridade do abade e do capítulo de Cister e tinha à sua frente um presidente assistido por um secretário e um comissário. As casas austríacas, boémias e húngaras não se agruparam.
7° Congregação da Polónia. — Os mosteiros deste país reuniram-se em congregação no capítulo provincial de Wargowice, a 19 de junho de 1580, sempre sob a dependência das autoridades da ordem. Eram em número de 20, dos quais 5 de mulheres.
8° Os foliantes. Ver este nome.
9° Religiosos da estrita observância. — Alguns mosteiros franceses tentaram sair do relaxamento no início do século XVII. Era ir ao encontro da reforma que Urbano VIII e Luís XIII haviam encarregado o cardeal de La Rochefoucauld de estabelecer. Dom Denis Largentier, promotor desse retorno à disciplina, fez com que fosse aprovado pelo capítulo geral de 1618. Os reformados constituíram a congregação da Estrita Observância, submetida a um capítulo especial e governada por um vigário-geral. O cardeal de Richelieu e os papas encorajaram abertamente a reforma, que fez rápidos progressos, sem estender-se, contudo, a todas as casas. Aquelas que recusaram retomar a abstinência foram conhecidas sob o nome de Comum Observância. Os reformados e os não reformados continuaram a pertencer à ordem sob a autoridade do capítulo e do abade de Citeaux, em condições determinadas por um breve de Alexandre VII (19 de abril de 1666).
10° Congregação da Trapa. — Houve no século XVII várias tentativas isoladas de reforma. Bernard de Montgaillard, fuliense de Paris e ligueiro intrépido, tendo recebido a abadia de Orval na diocese de Liège (1605), fez reviver nela a estrita observância de sua regra. Eustache de Beaufort, abade comendatário de Sept-Fonts (diocese de Autun), empreendeu com o maior sucesso a reforma de seu mosteiro (1663). O mais célebre desses reformadores foi Armand Jean le Bouthillier de Rancé, abade comendatário da Trapa (diocese de Séez), que abraçou ele mesmo a vida religiosa (1664). A disciplina que ele fez seus monges adotarem é tomada de empréstimo aos Us de Citeaux e aos escritos dos Padres do deserto. A reputação que havia deixado no mundo, o brilho de seus conhecimentos e seu mérito literário atraíram sobre sua pessoa e sobre sua obra a atenção de seus contemporâneos. Em seu zelo pela reforma, ele ultrapassou a medida, ao censurar sem razão aqueles que não compartilhavam de sua maneira de ver, em particular sobre a prática das humilhações e sobre a incompatibilidade do estudo e da vida monástica. Mabillon, em nome dos beneditinos de Saint-Maur, e Le Masson, em nome dos cartuxos, tiveram de defender contra ele as tradições de suas ordens. Ver CHARTREUX, col. 2286-2287, e MABILLON. Cf. Sainjore (Richard Simon), Bibliothèque critique, Paris, 1708, t. 1, p. 478-496. Rancé morreu em 1700. As monjas dos Clairets (diocese de Chartres) adotaram sua reforma. Os trapistas reformaram a abadia de Buon-Solazzo, perto de Florença, a pedido de Cosme II, duque da Toscana (1705).
A Revolução Francesa deu à reforma do abade de Rancé uma extensão que nada fazia prever. Dom Augustin de Lestrange estabeleceu-se com os monges da Trapa na Val-Sainte, na Suíça (1791), erigida em abadia três anos mais tarde. Ele pôde trabalhar na criação de estabelecimentos novos na Itália, na Bélgica e na América. Voltou à França quando Napoleão houve devolvido a paz à Igreja; mas foi para ver-se exposto a uma nova supressão em 1811. A queda do imperador permitiu aos trapistas reconstituírem-se. Suas casas não tardaram a se multiplicar. As da França, de longe as mais numerosas, dividiram-se em duas congregações; a da Nova reforma ou da Grande Trapa, e a da Antiga reforma. Os mosteiros da Itália, da Bélgica e da Inglaterra agruparem-se em congregações regionais. Essas casas seguiam tão de perto quanto possível os antigos Us de Citeaux e, por conseguinte, tinham um regime muito severo. Leão XIII reuniu todas essas congregações em uma só ordem, dita dos cistercienses reformados de Nossa Senhora da Trapa (1891), sob a autoridade do abade de Citeaux e do capítulo geral. Sua organização é tomada de empréstimo à Charte de charité. Eles têm ao todo 58 mosteiros, 21 na França; 15 na Bélgica; 4 na Holanda; 3 na Alemanha; 3 na Áustria; 3 na Itália; 2 na Espanha; 3 na Inglaterra; 4 na Ásia; 3 na África; 6 na América; 1 na Oceania. Esta mesma ordem possui 17 mosteiros de mulheres. A supressão das ordens religiosas na França modificou esta estatística.
11° Comum Observância. — Os transtornos políticos e religiosos que agitaram a Europa no final do século XVIII e no início do século XIX causaram a ruína quase completa da ordem de Citeaux. José II (1783) suprimiu um grande número de casas na Áustria e nos Países Baixos; as da França foram suprimidas em 1790, as da Baviera em 1803, da Prússia renana em 1810, de Portugal em 1834, da Espanha em 1835, de alguns cantões suíços em 1848, da Polônia um pouco mais tarde sob Nicolau I. Desapareceram muitas na Itália após os distúrbios de 1860. Aquelas que subsistem formam a Congregação de São Bernardo da Itália, composta de 6 mosteiros; o Vicariato da Comum Observância da Bélgica com 2 abadias; a Província cisterciense da Áustria-Hungria, que possui 12; a Congregação suíça, que tem 3. A congregação da Imaculada Conceição ou da Média Observância, estabelecida em Sénanque, diocese de Avignon (1854), foi erigida canonicamente em 1867; ela conta apenas 5 casas.
IV. PRIVILÉGIOS E LITURGIA. — Graças à sua organização, que tinha por base o capítulo geral e a autoridade do abade de Citeaux, esta ordem conservou desde sua origem uma unidade relativa que falta aos monges negros. Isso permitiu-lhe guardar um grande número de tradições e uma fisionomia que se buscaria em vão entre os beneditinos. Ela manteve, entre outras coisas, um grande número de seus privilégios e sua liturgia própria. Não se pôde, de fato, atacá-la no gozo de seus direitos, sob pretexto de interrupção. O bulário de Citeaux nunca foi impresso; encontram-se os elementos dele no ms. 598 da biblioteca de Dijon, que contém 1138 bulas, e nos mss. lat. 9003-9005, 9749-9751 da Bibliothèque nationale. Jean de Cirey, abade de Citeaux, formou uma coleção dos privilégios de sua ordem; é o primeiro livro impresso em Dijon: Collectio privilegiorum ordinis cisterciensis, in-4°, Dijon, 1491. Houve duas outras coleções impressas em Paris, uma in-8° em 1620 e a outra in-4° em 1666, e Privilèges de l'ordre de Citeaux, recueillis et compilés de l'autorité du chapitre général et par son ordre exprès, divisés en deux parties contenant les bulles des papes et des lettres patentes des rois et leurs règlements, por dom Louis Méchet, in-4°, Paris, 1713. Os cistercienses fizeram imprimir cedo seus dois principais livros litúrgicos, o breviário e o missal: Breviarium secundum consuetudinem monachorum cisterciensium, in-4°, s. l. (por volta de 1480); Missale secundum consuetudinem fratrum ordinis cisterciensis, in-fol., s.
I., 1487. V. SERVIÇOS PRESTADOS. — Não há motivo para insistir sobre os serviços prestados pelos cistercienses à agricultura; a parte feita pelos trapistas ao trabalho dos campos tornou-os manifestos até o final do século XIX. Este fato, somado às teorias do abade de Rancé sobre os estudos e as obras apostólicas, arrisca lançar no esquecimento toda uma parte da ação exercida pelos cistercienses desde sua origem.
A lista dos escritores fornecida mais adiante testemunha a estima em que o trabalho intelectual foi tido em suas abadias na Idade Média; Cister, Claraval, as Dunas e Orval merecem uma menção especial. As congregações formadas desde o século XV conservaram esta tradição; as da Espanha e de Portugal puderam, em certa medida, rivalizar com as congregações beneditinas dos mesmos reinos. Alguns historiadores franceses e italianos dos séculos XVII e XVIII destacaram-se por suas publicações. Seus confrades da Alemanha e da Áustria dedicaram-se aos estudos mais variados. Estes últimos não cessaram de publicar estudos sobre as ciências sagradas e profanas, sem falar da parte ativa que assumiram no ensino nas universidades, nos seminários e nos colégios. A ordem preocupou-se em estabelecer junto às universidades monastérios-colégios onde a elite dos jovens religiosos ia receber um ensino superior. O colégio de São Bernardo de Paris é o mais célebre desses estabelecimentos. Houve outros semelhantes em Oxford, em Toulouse, em Metz e em Würzburg.
Os cistercienses não permaneceram alheios às grandes lutas religiosas que agitaram a Igreja. São Bernardo tinha consigo todas as forças de sua ordem, enquanto combatia o cisma de Anacleto II e os erros de Abelardo e de Arnaldo de Bréscia, e enquanto pregava a cruzada. Seus discípulos anteciparam-se aos dominicanos na luta contra os albigenses; o B. Pedro de Castelnau pagou com a vida seu zelo pela verdade católica. Na Inglaterra, Wycliffe teve mais de um cisterciense entre seus adversários; outros destacaram-se na Alemanha na resistência ao protestantismo. As abadias cistercienses, fundadas no século XII, na Prússia, na Polônia e nos países escandinavos, ganharam para a fé cristã as populações ainda não evangelizadas que as cercavam. Winter, Die Cistercienser des nordöstlichen Deutschlands bis zum Austreten der Bettelorden, 3 in-8°, Gotha, 1868-1871.
Os trapistas, pela hospitalidade que exercem muito largamente, e pelos retiros que são feitos em suas hospedarias, têm sobre os cristãos que os cercam uma excelente ação. Eles não recuam diante do apostolado no meio dos pagãos. Foi isto que os determinou a se estabelecerem na China, no Japão, na Austrália, no Cabo e no Congo.
VI. PERSONAGENS CÉLEBRES, SANTOS E BEATOS. — A ordem de Cister forneceu à Igreja dois papas, Eugênio III (+ 1153) e Bento XII (+ 1342), antigo abade de Fontfroide, cerca de quarenta cardeais e um grande número de bispos. O cardeal Conrado, bispo do Porto, recusou a sucessão de Honório III; ele tinha preenchido, a serviço da sé apostólica, as missões mais importantes. Cinco abades de Cister foram revestidos da púrpura cardinalícia.
Os cistercienses honrados na Igreja universal ou em sua família religiosa com um culto litúrgico são numerosíssimos. Henriquez, Lilia Cistercii, Douai, 1633; Id., Fasciculus sanctorum ordinis cisterciensis, 2 in-fol., Colônia, 1637; Id., Menologium cisterciense, notationibus illustratum, Antuérpia, in-fol., 1630; C. Chalemot, Series sanctorum et beatorum ac illustrium virorum s. ord. cisterc., Paris, 1670; A. Sartori, Cistercium bis tertium, seu hist. elogia, Praga, 1700 sq. ; Menológio editado por um monge de Thymadeuc, in-8°, Saint-Brieuc.
VII. Escritores. — São Bernardo ocupa o primeiro lugar entre os escritores da ordem de Cister. Ver col. 746-785. Aqueles que escreveram desde o século XII até a nossa época exercitaram-se nos diversos ramos do saber humano: exegese, ascetismo, teologia, filosofia, direito canônico, história, matemática, ciências naturais. Não se encontram entre eles nem esses homens extraordinários, nem essa organização poderosa que valeram aos beneditinos e às outras ordens religiosas um lugar dos mais honrosos na história literária. Vamos seguir, enumerando os escritores cistercienses e suas diversas obras, a ordem cronológica.
1° Século XII. — Santo Estêvão Harding, de origem inglesa, um dos primeiros companheiros de São Roberto, terceiro abade de Cister, morto em 28 de março de 1134, reviu e corrigiu todos os livros da Bíblia; seu manuscrito está conservado na biblioteca de Dijon (cod. 12-15). Cf. J.-P. Martin, Saint Etienne Harding, Amiens, 1887. Ele escreveu a Carta Caritatis, os Usus antiquiores ordinis cisterciensis, o Exordium cenobii et ordinis cisterciensis, e algumas cartas. P. L., t. CLXVI, col. 1361-1510; cf. Histoire littéraire de la France, t. XII, p. 213-236.
Santo Amadeu, monge em Claraval (1125), abade de Hautecombe (1139) e bispo de Lausanne (1144), morto em 27 de setembro de 1159, deixou oito homilias em honra da santa Virgem e uma carta à Igreja de Lausanne. P. L., t. CLXXXVIII, col. 1277-1346.
O B. Aelred, abade de Rievaulx na diocese de York, morto em 1166, escreveu 25 Sermões sobre diversas festas, P. L., t. CXCV, col. 209-360, 32 outros sobre o profeta Isaías, tendo por título: De oneribus, ibid., col. 361-500, o Speculum caritatis, ibid., col. 501-658, um livro De spirituali amicitia, col. 659-792, um tratado De Jesu puero duodenni, impresso entre as obras de São Bernardo, P. L., t. CLXXXIV, col. 849-870, a Regula sive institutio inclusarum, editada entre as obras de Santo Agostinho, P. L., t. XXXII, col. 1451-1474; diversas obras históricas, De bello standardi tempore Stephani regis, P. L., t. CXCV, col. 701-712; Genealogia regum anglorum, ibid., col. 712-737; Vita sancti Edwardi regis et confessoris, ibid., col. 737-789; De sanctimonialide Wattun, ibid., col. 789-796; De sanctis Ecclesie Hagulstadensis, em Memorial of Hexham priory, in-8°, Londres, 1864. Cf. dom Cellier, Histoire générale des auteurs ecclésiastiques, t. XIV, p. 620-623.
Serlon, abade de Savigny (1140), que submeteu seu monastério à ordem de Cister (1147), morto em 1158, é autor de 22 Sermões sobre as festas e de uma Coletânea de pensamentos morais e alegóricos publicados no t. VI da Bibliotheca cisterciensis. Isaac, abade de l’Etoile (1147-1159), deixou 54 sermões, uma carta De anima, outra a João, bispo de Poitiers, De officio misse, P. L., t. CLIV, col. 1683-1896.
Hugo, abade de Trois-Fontaines e cardeal bispo de Óstia, morto em 1153, escreveu uma carta sobre a morte de Eugênio III, P. L., t. CLXXXII, col. 694.
Gilberto de Holanda, abade de Swinsed na diocese de Lincoln, morto em 25 de maio de 1172, autor de 48 Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, dando continuidade aos de São Bernardo, de diversos tratados ascéticos e de cartas, P. L., t. CLXXXIV, col. 11-288.
Tomás o cisterciense, que viveu no fim do século XII, é autor de um comentário bastante obscuro sobre o Cântico dos Cânticos, P. L., t. CCVI, col. 17-362.
2° Século XIII. — Restam apenas dois sermões de Elias de Coxida, abade das Dunes, falecido em 1203; foram proferidos no capítulo geral da ordem, P. L., t. CCIX, col. 991-1006.
Adão, primeiramente monge de Marmoutier, depois abade de Perseigne, que ainda governava em 1204, deixou uma coletânea de 30 cartas, 5 sermões em honra da santa Virgem, que trazem o título geral de Mariale, Fragmenta mariana, P. L., t. CCXI, col. 579-780.
Gonthier, falecido na Alsácia por volta de 1210, escreveu um longo tratado em 12 livros, De oratione, jejunio et eleemosyna, uma Historia capte a Latinis Constantinopoleos, e um poema intitulado Ligurinus, sobre a vida do imperador Frederico Barba Ruiva, P. L., t. CCXII, col. 95-480.
Hélinand, monge de Froidmont, falecido em 3 de fevereiro de 1223, é autor de uma coletânea de 28 sermões sobre as festas; com o auxílio de citações tomadas de Vicente de Beauvais, Flores a Vincentio Bellovacensi collecti, compôs dois tratados ascéticos, De cognitione sui et de bono regimine principis. Dele temos ainda um Liber de reparatione lapsi, redigido sob a forma de carta endereçada a um certo Gautier, a Passio sanctorum Gereonis, Victoris, Cassii et Florentii Thebeorum martyrum, uma crônica que vai do ano 634 a 1204 e um poema francês sobre a morte, P. L., t. CCXII, col. 477-1084; L. Delisle, La chronique d’Hélinand, em Notices et documents publiés par la Société de l’histoire de France, in-8°, Paris, 1884.
Cesário, monge de Heisterbach, na diocese de Colônia, falecido em 1240, deixou uma coletânea de sermões: Homilizw super dominicis ae festis totius anni sive fasciculus moralitatis, in-4°, Colônia, 1615; Catalogus archiepiscoporum Coloniensium ab anno 94-1230, em Pertz, Monumenta Germaniz historica, t. XXIV, p. 332-347; Illustrium miraculorum et historiarum memorabilium libri XII, ed. Strange, in-8°, Colônia, 1851; Volumen diversarum visionum, em Kaufmann, Cesarius von Heisterbach, in-8°, Colônia, 1862, p. 163-196; De abbatibus Prumiensibus, Bruxelas, Bibliothèque royale, ms. 6761. Ver Potthast, Bibliotheca medii evi, p. 180-181.
Engelhard, abade de Langheim, autor de uma vida de Santa Matilde, abadessa, Acta sanctorum, 3ª ed., t. VII maii, p. 436-449, de uma carta sobre essa mesma vida, Schwarzer, em Neues Archiv, t. VI, p. 523, e de uma biografia de Santa Isabel de Schonau, Ibid., p. 516-521.
3° Século XIV. — Jacques de Termes, abade de Pontigny, defendeu contra o arcebispo de Bourges, Gilles, os privilégios e isenções dos regulares em um trabalho, inserido no t. IV da Bibliotheca cisterciensis. Faleceu em 1321.
Guilherme de Deguilleville, prior da abadia de Chaalis, falecido por volta de 1360, escreveu Le roman des trois pèlerinages de l’homme durant qu’est en vie, de l’âme séparée du corps et de Notre-Seigneur Jésus-Christ, que compreende a sua história extraída dos quatro Evangelhos, in-fol., Lyon, 1499; in-4°, Paris, 1500.
Adão, abade de Royal-Lieu, mosteiro cisterciense, próximo de Oxford, foi um dos adversários de Wiclef; deixou diversos tratados: De cavendo ab heresi; De ordine monastico; Dialogus rationis et anime; faleceu após 1368.
Henrique Crump, que faleceu após 1382, não foi menos ardente contra Wiclef; as suas polêmicas com os religiosos mendicantes tornaram-no célebre; escreveu as Determinationes scholastice.
Henrique Colinghan, que vivia na França por volta da mesma época, é o autor de um Commentarius sorbonicus de eucharistia.
4° Século XV. — Gilles de Damnis, falecido no seu mosteiro das Dunes em 1463, tinha estudado no colégio de São Bernardo de Paris; compôs um certo número de obras ascéticas que permaneceram manuscritas: Libellus de regimine monialium; Regula confessoris monialium; Dialogus inter animam et hominem religiosum, etc. Cf. Mémoires pour servir a l’histoire littéraire des Pays-Bas, t. II, p. 206.
Robert (Robertus de Caremadio), religioso de um mosteiro desconhecido, publicou uma coletânea de sermões: Cato moralisatus, ampliatus per sermones rhetoricos et morales, in-4°, Paris, 1495.
Jacques le Polonais (1496) e Jafangatus, religioso lombardo, deixaram obras ascéticas e históricas.
5° Século XVI. — André, abade de Schonau, na diocese de Worms, falecido em 1513, compôs um grande número de obras manuscritas, que desapareceram na sua maioria durante as guerras religiosas do século XVI.
Conrado Rutter, abade de Kaisersheim, na Suábia, falecido em 1540, publicou uma coletânea das suas poesias, Mortilogium, Augsburgo, 1508.
Cipriano de la Huerga, cisterciense espanhol, professor na universidade de Alcalá, um dos comentaristas da Bíblia mais fecundos daquela época; pode-se citar, entre as suas obras: Isagoge in librum Psalmorun, Alcalá, 1555; in-8°, Lyon, 1561; um Comentário sobre os dezoito primeiros capítulos de Jó e sobre o Cântico dos Cânticos, in-fol., Alcalá, 1558; um sobre Naum, in-8, Lyon, 1558; faleceu em 1560.
Alvarez, abade de Sobrado na Espanha, publicou as Constitutions et us des cisterciens de l’étroite observance, in-8°, Salamanca, 1563.
Bartolomeu Ponce, cisterciense aragonês, falecido em 1482, publicou uma obra ascética sobre o esquecimento da morte: Ostium patens inexcusabilis mortis, Saragoça, 1577; Salamanca, 1596.
Nicolau Boucherat, doutor da universidade de Paris, monge de Cister, procurador geral da sua ordem no concílio de Trento, geral de Cister (1571), falecido em 1586, proferiu La remontrance faite au roi, em 16 de junho de 1578, na cidade de Rouen, in-8°, Dijon, 1579, onde são expostos alguns pontos de direito eclesiástico; e outra Remontrance faite au roi, em 18 de junho de 1578, na cidade de Rouen, por e em nome dos estados da Borgonha, in-8°, Dijon, 1578. Dom Boucherat obteve do rei, para o abade de Cister, o título de primeiro conselheiro nato do parlamento da Borgonha.
Villa Albs, abade de Fitero na Espanha, falecido em odor de santidade (1590), publicou um Comentário do profeta Isaías, Salamanca, 1584, e o Recueil des définitions des chapitres généraux de sa congrégation, Salamanca, 1588. André Azitores, da congregação espanhola do Monte Sião, professor de teologia, falecido em 1595, é o autor de uma Theologia symbolica seu hieroglyphica, pro totius Scripture sacre justa primarium et genuinum sensum commentariis aliisque sensibus facile hauriendis, in-4°, Salamanca, 1597; é o único volume publicado desta obra que deveria contar oito.
6° Século XVII. — Cristóvão da Visitação, monge de Alcobaça, em Portugal, e procurador geral da sua congregação em Roma, publicou um Comentário sobre as palavras da santa Virgem, in-4°, Veneza, 1600.
Rafael Sarmiento, abade de Huerta e geral da congregação do Monte Sião, falecido em 1608, deixou um Recueil de sermons, 2 in-4°, Madri, 1604.
Didace Sanchez Maldano é autor da Agricultura espiritual, in-fol., Burgos, 1603.
João Winibrod, monge de Clairmarais, compôs para as religiosas de Westine o seu Présent spirituel, 1606, 1615.
Jean Gillot, que foi celereiro do colégio de Saint-Bernard, em Paris, publicou uma edição das obras de santo Hilário, com uma vida deste santo doutor e uma dissertação sobre seus escritos, in-fol., Paris, 1572; uma de santo Ambrósio, 3 in-fol., Paris, 1569; uma de são Gregório, o Grande, in-fol., Paris, 1571, e finalmente outra de são Bernardo, Paris, 1572; Antuérpia, 1576; Paris, 1586; ele havia anteriormente fornecido uma tradução francesa da história de Nicéforo Calisto, Paris, 1567, dedicada a Carlos IX.
Jérôme Lamas, cisterciense espanhol, morto em 1610, é autor de uma Summa ecclesiastica sive instructio confessariorum et penitentium, in quatuor partes distincte, quibus omnia dubia que communiter in sacris confessionibus occurrunt, accurate explicantur, in-8°, Mogúncia, 1605, e de Vera intelligentia et interpretatio quarumdam Extravagantium post Tridentinum concilium editarum, precipue in clausuris regularium casuumque quotidianorum decisiones, in-8°.
Jean Craesberg, prior de Saint-Benoit-sur-l’Escaut, morto em 1610, deixou um Commentarius in regulam sancti Benedicti, in-8, Douai, 1624, comentários sobre diversos livros da Escritura e tratados sobre a Suma de são Tomás, que sem dúvida permaneceram manuscritos.
Deve-se a Louis de Mendoza, monge de l’Epine, morto por volta de 1612, uma Summa totius theologiae moralis septem arboribus comprehensa, Madri, 1598, dedicada ao rei Filipe II, e uma Vida dos santos em 6 vol.
Jacques Greco, cisterciense calabrez, publicou uma vida de Joaquim de Fiore, Chronologia Joachimi abbatis Florensis ordinis cisterciensis, in-4°, Cosenza, 1612.
Augustin Lopez, da congregação do Monte Sião, falecido no mosteiro de Oliva em 1614, publicou uma tradução espanhola da Consolação da Filosofia de Boécio, in-fol., Valladolid, 1598, 1604, e as Constituições das religiosas de sua observância, in-4°, Valladolid, 1595.
Basile Molina, monge de Huerta, falecido em 1617, escreveu um tratado De immunitate ecclesiarum ac precipue monasterii Hortensis, in-fol., Madri, 1607.
Ambroise Molina, que vivia na mesma época que o precedente, publicou uma coletânea de Sermões para a quaresma, in-4, Barcelona, 1615.
Benoit Alvarez traduziu para o espanhol o tratado de são Bernardo De diligendo Deo et de interiore domo, in-8°, Madri, 1616.
Jean Lupo, da congregação do Monte Sião, publicou a Coletânea dos privilégios concedidos pelos soberanos pontífices à ordem de Cister, 3 in-4°, Salamanca, 1617.
Baudouin Moreau, abade de Rosières, no Franco-Condado, que morreu em Roma como procurador-geral de sua ordem (1622), publicou uma das melhores edições da regra de são Bento: Regula sancti Benedicti ad triginta plus minus tum veterum tum ms. codicum censuram fidemque revocata, cum aliis ejusdem sancti opusculis, vita et historia, in-12, Douai, 1618; Colônia, 1620; sua Historia cisterciensis não foi publicada.
Joseph Garcias, da congregação do Monte Sião, forneceu um Commentarius in aliquot psalmos Davidis et in Evangelium sancti Matthaei, in-4°, Pamplona, 1612; publicou-se após sua morte uma coletânea de seus sermões, 2 vol., Pamplona, 1622.
Bernard de Percin de Montgaillard, conhecido sob o nome de Petit-Feuillant, ligueiro obstinado enquanto estava no mosteiro de Paris, deixou a França após o triunfo de Henrique IV e passou para a ordem de Cister; morreu abade de Orval em 8 de junho de 1628. Dele temos a Oração fúnebre do arquiduque Alberto, Bruxelas, 1622; sua Resposta a uma carta que lhe havia escrito Henrique de Valois, na qual ele lhe demonstra caridosa e cristãmente suas faltas e o exorta à penitência, in-8°, Paris, 1589.
Chrysostome Henriquez, da congregação espanhola do Monte Sião, um dos melhores historiadores da ordem de Cister, morreu em Lovaina em 23 de dezembro de 1632; dele temos: Fasciculus ordinis cisterciensis, in-fol., Bruxelas, 1684; 2 in-4°, Colônia; Paradisus cisterciensis, in-fol., Bruxelas, 1622; Phenix reviviscens, seu scriptores ordinis cisterciensis Angliae et Hispaniae, in-4°, Bruxelas, 1626; Menologium ordinis cisterciensis, 2 in-fol., Antuérpia, 1630; Vitae sanctorum Patrum eremi Dunensis, in-4°, Bruxelas, 1626, e diversas biografias.
Germain Buges, monge de Huerta, publicou uma coletânea de sermões para o Advento, sob o título de Doctrina cristiana, in-4°, Burgos, 1633.
Bernard Cardillo, monge de Nogales, reuniu documentos preciosos para a história de sua ordem, compôs a história das abadias de Nogales, de Sobrado e de Ossera, dos reis da Espanha e de Navarra.
Valérien d’Espinosa, geral da congregação do Monte Sião, publicou um Comentário sobre uma bula de Clemente VIII, in-8°, Salamanca, 1602; e o Guia dos religiosos, in-4°, Valladolid, 1623.
Julien Varnier é autor da Antiga e verdadeira prática da regra de são Bento, 1645.
Dom Guillaume Gauthier empregou seu tempo redigindo a história de alguns mosteiros nos quais viveu, Saint-Aubin-des-Bois, na diocese de Saint-Brieuc, Notre-Dame de Begard, na diocese de Tréguier, e a abadia de la Blanche, na ilha de Noirmoutier; esses trabalhos permaneceram manuscritos.
Pierre de Boeselaer, monge de Saint-Sauveur d’Anvers, publicou O caminho da salvação ou conferências entre um pastor e suas ovelhas, Antuérpia, 1648.
Ignace Huart, monge de Aulne na Bélgica, falecido em 19 de abril de 1661, foi um jansenista militante.
Publicou, sob o pseudônimo de Ranutii Higati Lintrivallensis, uma tese na qual se esforçava por encontrar nas obras de são Bernardo argumentos em favor do jansenismo: Bernardus, hoc est D. Bernardi abbatis Clarevallensis, doctoris melliflui, tractatus de gratia et libero arbitrio, periodice disjunctus, commentariis illustratus, S. Augustino, primario gratiae christianae propugnatori, consonus demonstratus, atque a filiorum alienorum depravationibus vindicatus, in-4°, s. l., 1649.
Outro cisterciense, Bertrand Tissier, prior de Bonne-Fontaine na diocese de Reims, refutou-o em um Apêndice de sua Disputatio theologica in janseniana dogmata, Charleville, 1651. Huart respondeu em seu Bernardus abbreviatus. Tendo o recoleto Francois Hauzeur o atacado em sua Correctio fraterna Ranutii Higati anagrammatici, ele opôs a esta suas Exceptiones et vindiciae pro Ranutio Higato, adversus criminationes et errores, quibus ejus doctrina et mores impetuntur ab autore libelli, cujus titulus: Correctio fraterna, in-4°, s. l. n.d.
Deve-se a ele ainda: Bernardus abbas, sive sanctus prelatus; hoc est, Flores pastorales, ex selectissimis quibusque D. Bernardi operibus collecti, atque in gratiam prelatorum omnium, tam saecularium quam regularium, eligentium item et nominantium ad prelaturas, ac denique concionatorum singularem utilitatem, in tractationis modum et formulam digesti, ad Rem et Illum DD. archiep. Mechliniensem, in-4°, Lovaina, 1651, e um Commentarius in logicam Aristotelis.
Bertrand Tissier, de quem se tratou acima, é o autor da Bibliotheca cisterciensis, mencionada na bibliografia deste artigo.
Augustin Debrovolski, religioso de um mosteiro alemão, publicou: Semina paradisi pro thermis animarum; Paradisus eucharisticus in paradiso mariano sacri ordinis cisterciensis plantatus, in-4°, Lublin, 1652.
Deve-se a Jacques Segers, falecido como prior de Saint-Sauveur de Antuérpia, em 16 de setembro de 1698, as três obras seguintes: Conceptus morales supra dominicas, patri Labore geniti, matre Sapientia nati, Calamo obstetrice suscepti, 2 in-4°, Louvain, 1645, 1649; Apodosis, seu expositio super differentia exultationis filie Sion et jubilationis filie Jerusalem, in-4°, Louvain, 1644; Militia secularis et spiritualis, in-4°, Antuérpia, 1647; o autor compraz-se em alegorias estranhas.
Thomas Grazilier, falecido como prior de Bon-Repos em 1660, publicou uma obra ascética, Entretien de Dieu et de l’âme selon le Cantique des cantiques, in-4°, Autun, 1651.
Julien Paris, abade de Foucarmont, é um dos homens que mais contribuiu para a manutenção da observância na ordem de Cister; temos dele: Le premier esprit de l’ordre de Citeaux, in-4°, Paris, 1653, e o Nomasticon cisterciense seu antiquiores ordinis cisterciensis constitutiones, in-fol., Paris, 1664, reeditado pelo dom Séjalon, in-fol., Solesmes, 1892.
Servais Gillet, monge de Villers, escritor ascético, autor do Galienus moralis ac mysticus, in-8°, Louvain, 1661.
Parent, monge de Loos, perto de Tournai, falecido em 22 de fevereiro de 1663, publicou sob o título de Apis mystica, Tournai, 1642, extratos de São Bernardo sobre as vidas purgativa, iluminativa e unitiva, e Les motifs de l’amour divin pour la communion, ibid.
Claude Chamelot, falecido como abade de La Colombe, na diocese de Bourges (1667), publicou um Catalogue des saints et bienheureux de l’ordre de Citeaux, in-4°, Paris, 1666; seus Annales de Citeaux, in-fol., permaneceram manuscritos.
Grégoire di Lauro, cisterciense napolitano, é conhecido por sua defesa de Joaquim de Fiore: Magni prophete Joannis Joachim, sacre congregationis institutoris, veritas defensa, in-fol., Nápoles, 1666.
Charles de Visch, falecido como prior da abadia das Dunes, em 11 de abril de 1666, é um dos escritores mais fecundos de sua ordem; deve-se a ele: Historia monasterii Elirbacensis, cum serie omnium abbatum, inserida na Notitia abbatiarum ordinis cisterciensis de Jongelinus: Bibliotheca scriptorum sacri ordinis cisterciensis, elogiis plurimorum maxime illustrium adornata, in-4°, Douai, 1649. Uma segunda edição, in-4°, Colônia, 1656, contém, com importantes melhorias, opúsculos inéditos e uma Chronologia antiquissima monasteriorum ord. cisterc.; Alani magni de Insulis, doctoris universitatis, opera moralia, parexnetica et polemica, tineis et blattis erepta, recognita varieque illustrata, in-fol., Antuérpia, 1653; Compendium chronologicum abbatie B. M. V. de Dunis, in-12, Bruxelas, 1660, e algumas biografias.
Ferdinand Ughelli, monge da abadia cisterciense de Florença, abade de Saint-Paul-Trois-Fontaines, procurador-geral de sua congregação em Roma, onde morreu em 19 de maio de 1670, deve sua fama à sua Italia sacra, sive de Italie episcopis opus, in-fol., Roma, 1647; esta obra, que, apesar dos defeitos de sua crítica, prestou grandes serviços aos eruditos, foi reeditada, 10 in-fol., Veneza, 1717-1733. O autor ocupou-se da história de sua ordem: Cardinalium elogia qui ex sacro cisterciensi ordine floruere, in-fol., Florença, 1624; deve-se a ele ainda Additiones et correctiones, às Vite et res geste Romanorum pontificum et Romane Ecclesie cardinalium, de Afonso Chacón, in-fol., Roma, 1630.
Jean Malgloires, cisterciense francês, procurador-geral de sua ordem em Roma, é o autor de uma Theologia moralis, in-4°, Roma, 1672, que dedicou ao cardeal Bona. Sobre Caramuel, ver col. 1709-1712.
Joseph Le Chevalier publicou a Vie d’Elzéar Clerc et d’Élisabeth de Sainte-Anne, son épouse, in-8°, Caen, 1696; Elzéar morreu capuchinho, e Elisabeth religiosa cisterciense.
Paulin de Lisle, que abandonou a congregação de Saint-Vannes para se encerrar em La Trappe, onde morreu em 1696; suas cartas foram publicadas sob este título: Idée d’un vrai religieux, Châlons, 1723.
Jules Bartolocci, falecido como abade de Saint-Sébastien-des-Catacombes em 19 de outubro de 1687, foi durante muito tempo professor de hebraico; deve-se a ele uma Bibliotheca magna rabbinica de scriptoribus et scriptis hebraicis, 3 in-fol., Roma, 1675, 1658, 1683, que seu discípulo e confrade Imbonat publicou adicionando um 4º vol., in-fol., Roma, 1693.
Robert Kolb, cisterciense alemão, ocupou-se de direito canônico: publicou Aquila certans pro immunitate et exemptione ecclesiarum, monasteriorum et status ecclesiastici a potestate seculari, in-fol., Frankfurt, 1687.
Bernard Bognadovitz deu uma Philosophia christiana de creatione et recreatione hominis ex libris S. Bernardi desumpta, in-fol., Roma, 1697.
7º Século XVIII. — A lista dos escritores deste século começa com Armand Le Bouthillier de Rancé, autor da reforma de La Trappe; seus numerosos escritos têm por objeto a vida e as virtudes dos monges. Sua doutrina exagerada o pôs em conflito com Mabillon e Le Masson, que defenderam contra ele as tradições literárias dos beneditinos e dos cartuxos; suas relações e suas tendências fizeram com que, sem motivo suficiente, fosse taxado de jansenismo. Morreu em 27 de outubro de 1700, com 75 anos.
Eis as suas principais obras: Lettre sur le sujet des humiliations et autres pratiques de religion, in-12, Paris, 1677; De la sainteté et des devoirs de la vie monastique, in-4°, ou 2 in-8°, Paris, 1683. É este tratado que valeu ao seu autor a réplica de dom Mége, em seu Commentaire de la règle de saint Benoît, de dom Denis de Sainte-Marthe, de Mabillon e de dom Le Masson. Rancé opôs aos seus contraditores: Eclaircissements de quelques difficultés que l'on a formées contre le Traité des devoirs, in-4°, Paris, 1685; in-12, 1686; Réponse au Traité des études monastiques, in-4°, Paris, 1692; Instructions de saint Dorothée, traduites du grec en français, avec sa vie, in-8°, Paris, 1686; La règle de saint Benoît, traduite et expliquée, 2 in-12, Paris, 1689; Relation de la vie et de la mort de quelques religieux de l'abbaye de la Trappe, 4 in-12, Paris, 1696; 5 in-12, 1755; Conduite chrétienne adressée à Madame de Guise, in-12, Paris, 1697; Conférences ou instructions sur les Épitres et les Evangiles, in-12, Paris, 1699; Réflexions sur les quatre Evangiles, in-12, Paris, 1699; Réglements généraux pour l'abbaye de la Trappe, 2 in-12, 1701.
O abade de Rancé teve uma correspondência muito extensa; foram publicadas Lettres de piété écrites à différentes personnes, 2 in-12, Paris, 1701-1702. Gonod publicou outras, in-8°, Paris, 1845. Os religiosos da Grande-Trappe reuniram os elementos necessários para a publicação de sua correspondência.
Paul Pezron, abade de La Charmoye, falecido em seu mosteiro de profissão, Notre-Dame-de-Prières, em 10 de outubro de 1706, deixou obras de cronologia e de história, nas quais o espírito de sistema frequentemente tem uma parte excessiva: L’antiquité des temps rétablie et défendue, in-4°, Paris, 1687; in-8°, 1688. Esta obra foi fortemente atacada pelo Pe. Lequien e por Dom Martianay. Pezron opôs aos ataques deste último uma Défense de l'antiquité des temps, où l'on soutient la tradition des Peres et des Eglises, in-4°, Paris, 1691. Publicou em seguida o Essai d'un commentaire littéral et historique sur les prophètes, in-12, Paris, 1693; L’histoire évangélique confirmée par la grecque et la romaine, 2 in-12, Paris, 1696; L’antiquité de la nation et de la langue des Celtes, in-12, Paris, 1703; uma dissertação Sur l'ancienne demeure des Chananéens, nas Mémoires de Trévoux, julho de 1704, e outra Sur les bornes de la Terre promise, ibid., junho de 1705; duas cartas e uma dissertação sobre Maria Madalena, no Journal des savants, 1698, p. 487; 1699, p. 305, 313; um Carte de la Terre-Sainte, inserido na Bíblia de Duhamel, Paris, 1699, p. 348.
Ambroise Lucentio publicou um resumo da Italia sacra de Ughelli sob este título: Italia sacra I. U. in epitomen redacta, 2 in-fol., Roma, 1677, 1704.
Ricci, monge italiano, é o autor de uma Synopsis decretorum et resolutionum S. C. Immunitatis super controversiis jurisdictionalibus, Palestrina, 1708; Turim, 1729.
Bernard, monge de Sept-Fonts, publicou uma dissertação Sur l'authenticité des oeuvres de saint Denis, 1708.
Barthélemy Aresi, monge de Milão, falecido em 1712, publicou Chronologica series abbatum cenobii S. Ambrosii Mediolanensis, in-4°, Milão, 1674.
Pierre Le Nain, de cônego de Saint-Victor tornado monge de La Trappe, falecido subprior desta abadia, em 15 de dezembro de 1718, irmão do célebre Tillemont, escreveu um Essai de l'histoire de l'ordre de Citeaux, 9 in-12, Paris, 1696, 1697; Homélies sur plusieurs chapitres du prophète Jérémie, 2 in-12, Paris, 1697, 1705; uma Vie de J. Le Bouthillier de Rancé, abbé de la Trappe, 3 in-12, Rouen, 1715; dois tratados Sur l'état du monde après le jugement et sur le scandale qui peut arriver dans des monastères les mieux réglés, in-8°, Paris, 1715.
Pierre Dumas é o autor do Viridarium humilitatis ex regula sancti Benedicti compartitum, in-12, Salem, 1714.
Hueber, cisterciense alemão, publicou, com a colaboração de Raphaël Koding, uma Harmonia theologico-philosophica et philosophico-theologica, doctrine divi Thomae et thomistarum consona, 2 in-fol., Salem, 1717.
Adrien de Citeaux, monge de Sept-Fonts, publicou Méditations sur les Epitres et les Evangiles pour tous les jours de l'année, 4 in-12, Paris, 1712.
Sartorius, cisterciense da Boêmia, falecido em 1º de novembro de 1728, escreveu uma história de sua ordem, Cistercium bis tertium, seu historia elogialis, in qua sacri ordinis cisterciensis a. D. 1698 a sua origine sexies seu bis ter secularis primordia, incrementa recensentur, in-fol., Praga, 1700; trad. alemã, ibid., 1708; Origo ordinum religiosorum virorum, virginum, etc., 2 in-8°, Praga, 1715; Compendium Annalium ecclesiasticorum Baronii, 22 in-8°, ibid., 1718-1730. Eust. Janka continuou este trabalho a partir do t. xv.
Porreter, monge austríaco, publicou uma dissertação teológica De Deo sciente et volente, in-4°, Viena, 1726.
Chrysostome Handthaler, monge alemão, deu Idea tripartita theoretico-practica concionum evangelicarum pro tyronibus, 3 in-4°, Augsburgo, 1729.
Eugene Worebl, de Praga, falecido em 1732, compôs um tratado sobre o matrimônio: Contractus ratus in lege gratiae ab auctore gratiae ad dignitatem sacramenti elevatus, in-4°, Praga, 1724.
Jean Sianda publicou uma refutação bastante medíocre das heresias e dos cismas em seu Lexicon polemicum, 2 in-fol., Roma, 1733-1734; um comentário ao tratado de São Bernardo De consideratione, ibid., 1749, e um Onomasticon sacrum, ibid., 1774.
Jean de Lanne, bibliotecário de Clairvaux, é autor de uma Histoire du pontificat d’Eugene III, in-12, Nancy, 1737, e da Histoire du pontificat d’Innocent III, in-12, Paris, 1741.
Deve-se a Anselme Schwab o Schibboleth thomisticum, seu gratia gloriosa seipsa efficax libertatis sospita D. Thome ejusque schole, in-4°, Augsburgo, 1745; a Augustin Tepper, professor no seminário de Praga, um Fragmentum theologie moralis, 3 in-4°, Praga, 1749.
François-Armand Gervaise, primeiramente carmelita, depois monge de La Trappe e, finalmente, abade deste mosteiro, falecido em 1751, deixou um grande número de vidas de santos e obras de polêmica: Vie de saint Cyprien, in-4, Paris, 1717; Vie de saint Irénée, 2 in-12, Paris, 1723; Vie de Rufin, prêtre de l’Église d’Aquilée, 2 in-12, Paris, 1725; Vie de saint Paulin, in-4°, Paris, 1725; Vie de saint Épiphane, in-4°, Paris, 1742; Vie d’Abélard et d’Héloïse son épouse, 2 in-12, Paris, 1720, com uma tradução de suas cartas; Vie de l’abbé Suger avec des dissertations, 2 in-12, Paris, 1720; Défense de la nouvelle histoire de l’abbé Suger, avec l’apologie pour feu M. l’abbé de la Trappe contre les calomnies de dom Vincent Thuillier; Histoire de l’abbé Joachim, religieux de l’ordre de Cîteaux, surnommé le Prophète, 2 in-12, Paris, 1745; Jugement critique, mais équitable des vies de M. l’abbé de Rancé, in-12, Troyes, 1742; Lettres d’un théologien à un ecclésiastique de ses amis sur une dissertation touchant les ordinations anglicanes, in-12, Paris, 1724; L’honneur de l’Église et des souverains pontifes défendu contre les calomnies et invectives du P. Le Courayer, dans son histoire du concile de Trente, 2 in-12, Nancy, 1742; Cinq lettres contre dom Marguard Hergot et sa Vetus disciplina monastica, publicadas no Journal de Trévoux, 1727; Vie de saint Paul, apôtre des Gentils et docteur de l’Église, 3 in-12, Paris, 1734; Histoire de la réforme de l’ordre de Cîteaux en France, da qual apenas um volume apareceu, in-4°, Avignon, 1746.
Malachie d’Inguimbert, que deixou a ordem de São Domingos para abraçar a reforma de Cîteaux no mosteiro de Buon-Solazzo, foi bispo de Carpentras, onde morreu, em 6 de setembro de 1757, após ter legado à cidade sua bela biblioteca e uma soma de 60.000 francos para sua manutenção. Deve-se a ele uma obra de apologética: Specimen catholice veritatis, cui athei, deiste, pseudopolitici velamen pretendere nituntur, in-4°, Pistoia, 1722; uma Vie de Barthélemy des Martyrs et le recueil de ses œuvres, 2 in-fol., Roma, 1727; uma tradução latina do tratado de Dom Petitdidier sobre a infalibilidade, De infallibilitate romani pontificis, in-fol., Roma, 1732. D’Inguimbert tornou-se na Itália o defensor das ideias do abade de Rancé; publicou sua vida: La vita di Arm. Io. Buttiliero di Rancé, in-4, Roma, 1725, e uma obra ascética animada pelo seu espírito, Théologie religieuse ou Traité sur les devoirs de la vie monastique, 3 in-fol., ibid., 1731.
Candide Briger, monge austríaco, falecido em 25 de dezembro de 1760, publicou diversas obras teológicas: Beatitudo, ultimus hominis finis ex SS. Patrum scriptis, Kremsii, 1732; Opera in hoc mundo, de hoc mundo, seu actus humani mali, vitia et peccata, ibid., 1732; Tractatus scholastico-theologicus de Deo uno et trino, Viena, 1723; De Deo creante, sive de angelis et primo homine, ibid., 1724; Theologalis trinitas virtutis, per quam summa trinitas hominem ad beatitudinem amissam reducit, h. e. fides, spes, charitas, Estíria, 1726.
Nivard del Riccio publicou um tratado De Deo ad intra sive de Deo uno et trino, Luca, 1760.
Théophile Heimb editou sob este título: Bernardus Gudolphi monachi, 2 in-4°, Nurembergue, 1748, e anotou uma vida de São Bernardo em versos, redigida no século XIII por Gudolf, monge de Sainte-Croix, na Áustria, e publicou a Notitia historica de ortu et progressu abbatie S. O. cist. B. M. V. ad S. Gothardum dictae, in-fol., Viena, 1764.
Louis Mickl, cisterciense da Boêmia, falecido em 23 de fevereiro de 1767, é autor de um Apolectus doctrinalis decisionum theologico-moralium conscientie et actuum humanorum systema practice explicans, Praga, 1747. Suas outras obras teológicas permaneceram manuscritas.
Emilien Petrasch, cisterciense do mesmo país, ocupou-se sobretudo de Direito Canônico; deve-se a ele as Dissertations sur l’histoire sacrée et profane, Praga, 1772; Gallia hodierna cum appendice de libertatibus Ecclesiæ gallicanæ, ibid., 1773; Apologia pro dissolubilitate matrimonii in infidelitate consummati, in-8°, Praga, 1776; e uma dissertação De jure asyli, in-8°, ibid., 1776.
Pierre Hartmann, canonista bávaro, publicou Jus ecclesiasticum potissimum publicum in synopsi systematice delineatum et statui Germaniæ et Bavariæ accommodatum, in-8°, Straubing, 1783; Institutiones dogmatico-theologicæ, in-8°, ibid., 1785.
Quirinus Gaher d’Ehrenburg, falecido em 26 de janeiro de 1787, ocupou-se da Sagrada Escritura; deve-se a ele um tratado De Scripturarum canonis statu tam apud hebreos quam apud christianos, Praga, 1762.
Joseph Fontana, da congregação italiana de São Bernardo, escreveu a Difesa dell’ episcopato contro le moderne pretenzioni de’ parrochi, in-8°, Veneza, 1789.
Joachim Plattner, professor de Teologia Dogmática na universidade de Innsbruck, falecido em 19 de abril de 1789, publicou as dissertações De revelate religionis cum recta ratione et sensu universarum gentium consensu, in-8°, Innsbruck, 1779; De SS. Ecclesiæ doctorum Augustini et Thomæ de gratuita electorum prædestinatione sententia, in-4°, ibid., 1774; Dissertationes historico-criticæ in tractatus universæ theologiæ, in-4°, ibid., 1766.
Bernard Salvoni, cisterciense italiano, é o autor de uma dissertação De fœdere religionis naturalis cum religione divinitus revelata, in-8°, Roma, 1792.
Bernardin Bauer, que foi professor de Teologia Dogmática e Moral e de línguas orientais, tornou-se conhecido por sua Veritas religionis christiano-catholicæ systematice proposita contra atheos, theistas, paganos, etc., in-8°, Würzburg, 1784, e sobretudo por sua Theologia universa dogmatica, historica, critica, genio puriori accommodata, 4 in-8°, Würzburg, 1786-1794; ele deu, para preparar este último trabalho, um Epitome seu delineatio theologiæ universæ, Ratisbona, 1787.
Um outro cisterciense bávaro, Etienne Wiest, professor de teologia, de patrística e de história literária da teologia, falecido em 10 de abril de 1797, deixou obras teológicas interessantes: Institutiones theologicae, 2 in-8°, Eichstätt, 1787; reeditadas e completadas em 1788-1789 sob este título: Praecognita in theologiam revelatam, t. I; Demonstratio religionis christianae, t. II, III; Demonstratio dogmatum catholicorum in specie, t. IV-VI; ele publicou um resumo delas: Institutiones theologiae dogmaticae in usum academicum, in-8°, Ingolstadt, 1791. Deve-se a ele uma Introductio in historiam litterariam theologiae revelatae, in-8°, ibid., 1794; Institutiones patrologiae in usum academicum, in-8°, ibid., 1795; De justitia Dei punitiva, in-8°, Eichstätt, 1787.
Hermann-Kurz, professor no colégio de Santo Adalberto de Praga, Amussis canonica titulorum l, I-V Gregorii IX in tabulis mnemonicis analytice proposita, compendiosis controversiis hinc inde insertis distincta, 5 vol., Praga, 1761-1764.
8° Século XIX. — Ange Fumagalli, monge de Santo Ambrósio de Milão, abade de Claraval e superior-geral de sua ordem, membro do Instituto de Ciências, Letras e Artes do reino da Itália, falecido em 12 de março de 1804, foi um dos melhores historiadores da Itália. Sua obra mais estimada, Delle istituzioni diplomatiche, 2 in-4°, Milão, 1802, é o primeiro tratado de diplomática composto na Itália. Deve-se a ele ainda Le vicende di Milano durante la guerra di Federico I, illustrate con pergamene e con note, in-4°, Milão, 1778; uma tradução italiana da História das artes do desenho entre os antigos, de Winckelmann, 2 in-4°, ibid., 1779; Delle antichita longobardica-milanesi, 4 in-4, ibid., 1792; Codice diplomatico sant'ambrosiano, contenente i diplomi e le carte de’ secoli VIII e IX che esistavano nell'archivio del monastero di S. Ambrogio, in-4°, ibid., 1805, e trabalhos menos importantes publicados em diversas coletâneas.
Baudouin Wurzer, professor de Teologia Moral e de História Eclesiástica na universidade de Ingolstadt, publicou um Specimen theologiae moralis, Ingolstadt, 1775, e um Prodromus isagogicus historico-critico-litterarius in theologiam regularem eclecticam, in-4°, Ratisbona, 1793.
Robert Curalt, cisterciense austríaco, é o autor de Genuina totius jurisprudentiae principia, Viena, 1782; uma tradução italiana desta obra, devida ao P. Tamburini, 3 vol., Prato, 1787, foi colocada no Index.
Um outro jurista cisterciense, Ulrich Mayr, falecido em 1811, publicou uma dissertação De nexu statisticae cum jurisprudentia ecclesiastica, Ingolstadt, 1772, que foi condenada por Clemente XIV.
Eugène Montay, falecido igualmente em 1811, é o autor de uma Geschichte der deutschen staatsbürgerlichen Freiheit, 3 vol., Bamberg, 1812.
Maximilien Millauer, monge de Hohenfurt na Boêmia, escreveu a história de seu mosteiro, in-8°, Praga, 1814; Kritische Beiträge zur Voigts Versuch einer Geschichte der Prager Universität, in-8°, ibid., 1820; Series rectorum universitatis Pragenae ab unione academiarum Carolinae et Ferdinandeae, ibid., 1834; Entwurf einer Geschichte der Pastoral-Theologie an der Universität zu Prag, ibid., 1821; Der deutsche Ritterorden in Böhmen, ibid., 1831.
Jean B. Lechleitner, monge tirolês, é autor de um curso de filosofia, 6 vol., Innsbruck, 1820-1839.
Antoine Dittrich, cisterciense da Boêmia, publicou com Ant. Spurk os Monumenta historica universitatis Pragensis, 3 vol., Praga, 1830-1844.
Um trapista francês, Pierre Debreyne, que havia exercido a medicina, tornou-se conhecido por diversas obras apologéticas e teológicas: Essai sur la théologie morale considérée dans ses rapports avec la physiologie et la médecine, in-8°, Paris, 1843; Etude de la mort ou initiation du prêtre à la connaissance pratique des maladies graves et mortelles et de tout ce qui sous ce rapport peut se rattacher à l’exercice difficile du saint ministère, in-8°, Paris, 1845; Moechiologie, traité des péchés contre le 6e et le 9e commandements du décalogue et toutes les questions matrimoniales qui s’y rattachent directement ou indirectement, suivi d’un traité pratique d’embryologie sacrée, in-8°, ibid., 1846; Pensées d’un croyant catholique ou considérations philosophiques, morales et religieuses sur le matérialisme moderne et divers autres sujets, ibid., 1839; Physiologie catholique et philosophique pour servir d’introduction aux études de la philosophie et théologie morale, ibid., 1844; Théorie biblique de la cosmogonie et de la théologie, doctrine fondée sur un principe unique et universel puisé dans la Bible, in-8, ibid., 1856.
Mathieu Lerch, monge da Boêmia, é autor de uma obra apologética sobre a Igreja: Die Kirche Christi in ihrem Wesen, ihren Eigenschaften und Beziehungen, Viena, 1877.
Entre os cistercienses que se distinguiram nos últimos vinte anos por seus trabalhos, podemos citar Léopold Janauscheck, a quem se deve: Origines cistercienses, t. 1; Fundationes veterum abbatiarum (1142) ad fidem antiquissimarum fontium descriptae, in-8°, Viena, 1877; Xenia Bernardina, 5 in-8°, Viena, 1891; o P. Schneedorfer, professor de exegese na universidade de Praga; Neumann, professor de arqueologia na universidade de Viena; Boniface Platz, que publicou Der Mensch, sein Ursprung, seine Rassen und sein Alter, in-8°, Würzburg, 1887; Die Völker der Erde, in-8°, ibid., 1889.
Nivard Schlogl, professor no colégio de Santa Cruz em Viena, célebre por seus trabalhos sobre a métrica bíblica, De re metrica veterum Hebraeorum, Viena, 1899; Ecclesiasticus (39, 12-49, 16) ope artis criticae et metricae in formam originalem redactus, in-4°, Viena, 1901. Aplicou as mesmas regras de métrica ao Cântico dos Cânticos, Viena, 1902, e aos livros de Samuel, ibid., 1904.
Os cistercienses alemães tomam, desde 1883, uma parte ativa na redação dos Studien und Mitteilungen aus dem Benediktiner und den Cistercienser-Orden, in-8°, Raigern, onde se encontram, sobre a história de sua ordem e sua atividade literária, numerosas informações. A abadia de Bregenz publica, desde 1888, uma revista dedicada à história da ordem: Cistercienser-Chronik.
Henriquez, Phoenix reviviscens sive ordinis cisterciensis scriptorum Angliæ et Hispaniæ series, in-fol., Bruxelas, 1626; Charles de Visch, Bibliotheca scriptorum s. ordinis cisterciensis, in-4°, Douai, 1649; Colônia, 1656; Tissier, Bibliotheca Patrum cisterciensium, 2 in-fol., Bonnefontaine, 1660-1669; R. Muniz, Bibliotheca cisterciensis española, Burgos, 1793; Janauscheck, Xenia Bernardina, 5 in-8°, Viena, 1891. Exordium ord. cisterciensis, P. L., t. CLXVI, col. 1501 sq.; Exordium magnum ord. cisterciensis, P. L., t. CLXXXV, col. 995-1198. Ver a bibliografia da vida de São Bernardo, col. 748-749.
Uma parte das decisões dos capítulos gerais está reproduzida em Martène e Durand, Thesaurus novus anecdotorum, t. IV, p. 1243-1646; L. Janauscheck, Originum cisterciensium tomus I, in-4, Viena, 1877; J. d’Assignies, Cabinet des choses advenues à l’ordre de Cisteaux, Douai, 1598; Aubert Le Mire, Chronic. cister. ord., Colônia, 1614; Manrique, Cisterciensium seu verius ecclesiasticarum annalium tomi quatuor (1098-1236), 4 in-fol., Lyon, 1642-1659; dom P. Lenain, Essai de l’histoire de l’ordre de Citeaux, 9 in-12, Paris, 1696-1697; Joncelin, Notitia abbatiarum ordinis cisterciensis, in-fol., Colônia, 1640; Sartorius, Cistercium bis tertium, in-fol., Praga, 1700; Joncelin, Origines et progressus abbatiarum ordinis cisterciensis et equestrium militiarum de Calatrava, Alcantara, etc., in-fol., Colônia, 1644; B. Link, Annales austrio-claravallenses ord. cisterc., 2 vol., Viena, 1723-1725; Gervaise, Histoire de la réforme générale de l’ordre de Citeaux en France, in-4°, Avignon, 1746, t. I; Dubois, Histoire de l’abbaye de Morimond, 3e édit., Dijon, 1855; Fr. Winter, Die Cisterzienser des nordöstl. Deutschlands, 3 vol., Gotha, 1868-1871; Citeaux, par un moine de Thymadeuc, in-8°, Saint-Brieuc, 1897; Hélyot, Histoire des ordres religieux, t. v, p. 386-474; Heimbucher, Die Orden und Kongregationen, t. I, p. 218-241; Ul. Chevalier, Répertoire. Topo-bibliographie, art. Cisterciens, col. 718-721; De Smedt, Introductio ad historiam ecclesiasticam, p. 358-360. J. Brsse.
Autor original: J. Besse
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