CHIFFLET (PEDRO-FRANCISCO)

CHIFFLET (PEDRO-FRANCISCO)

2. CHIFFLET, Pierre-François, sábio e laborioso jesuíta, nasceu em 1592, em Besançon, de uma família notável daquela cidade e fecunda em eruditos. Entrou na Companhia de Jesus em 1609. Após ter ensinado filosofia, hebraico e a Sagrada Escritura em diversos colégios, foi chamado a Paris em 1675; morreu no colégio de Clermont (Louis-le-Grand), a 5 de maio de 1682.

Suas publicações, que se referem sobretudo à patrística, à história eclesiástica e à hagiografia, são numerosas; encontrar-se-á a lista delas em de Backer-Sommervogel. Notadamente, forneceu a primeira edição, ou uma reedição corrigida segundo os antigos manuscritos, das obras de Vítor de Vita e de Vigílio de Tapso, bispos africanos dos séculos V e VI; de Fulgêncio Ferrando, diácono de Cartago e discípulo de São Fulgêncio de Ruspe, etc. Publicou igualmente dissertações sobre a família de São Bernardo de Claraval; sobre a vida e os escritos de São Paulino de Nola; sobre a identidade de Dionísio, o Areopagita, e do apóstolo de Paris, etc.

As comunicações do P. Chifflet aos bolandistas valeram-lhe, por parte deles, a qualificação: diligentissimus et de sanctis meritissimus, e ocuparam lugar em vários locais dos Acta sanctorum. Por fim, tem-se dele: Histoire de l’abbaye royale de la ville de Tournus, avec les preuves, enrichies de plusieurs pièces très rares, et les tables nécessaires pour en faciliter l’usage, in-4°, Dijon, 1664. A falta de recursos pecuniários impediu-o de publicar outro trabalho do mesmo gênero, e ainda mais considerável, que havia feito sobre a história da antiga abadia de Saint-Claude, e que queria intitular: Sacrarium monasterii Jurensis Condatescensis, tredecim abhinc seculis fundati, quod est caput monastici ordinis in provincia Sequanorum,; mediis seculis a S. Eugendo sive Augendo (saint Oyan), quingentis vero abhinc annis frequentius a S. Claudio nuncupatum.

O manuscrito desta última obra, que permaneceu em Paris após a morte do P. Chifflet, foi enviado, com todos os seus documentos interessantes à hagiografia, aos bolandistas, que publicaram longos extratos dele. Ver Acta sanctorum, t. I junii, p. 646; t. VII septembris, p. 714. O colégio Louis-le-Grand conservou, todavia, o Cartularium abbatie S. Claudii et Eugendi sive Condatensis, coleção de 142 cartas ou diplomas concernentes à abadia de Saint-Claude, que Chifflet havia copiado em diversos arquivos.

Além disso, outros restos importantes de sua herança literária encontravam-se ainda, em agosto de 1763, na biblioteca desse colégio e preenchiam três grandes caixas, onde estavam classificados seguindo a ordem alfabética das matérias. Quando os manuscritos dessa biblioteca foram vendidos por ordem do parlamento, os Chiffletiana, embora ausentes do catálogo de venda impresso, passaram com os codices grecs et latins para o adquirente holandês, Meerman; mais tarde, para Thomas Phillipps, na Inglaterra, e finalmente para a Biblioteca Real de Berlim. Pode-se ver, sobre essa venda: Episode d’une confiscation de biens congréganistes (1762). Les manuscrits des jésuites de Paris, nos Etudes de 20 de agosto de 1901.

O belo catálogo que os bibliotecários de Berlim publicaram em 1892 de seus Codices Phillippici, dá indicações sobre o conteúdo desses documentos de Chifflet, atualmente repartidos sob nove ou dez números diferentes. Verzeichniss der von der königlichen Bibliothek zu Berlin erworbenen Meermans-Handschriften des Sir Thomas Phillipps, V. Rose, Die lateinischen Handschriften, p. 476-480; Alfr. Schulze, Die romanischen Handschriften, p. 11-12. São, na maior parte, cópias de documentos colhidos nos arquivos das dioceses, dos capítulos e dos mosteiros da Borgonha e do Franco-Condado, e interessando sobretudo a história eclesiástica dessas províncias.

Há, por exemplo, mais de 300 peças relativas à cidade de Dijon, destinadas evidentemente a uma obra que, segundo uma carta citada pelo P. Sommervogel, estava pronta para ser publicada, em 1665, e que teria sido intitulada: Divio christiana, christiane Burgundiae caput, christiane Galliae non infimum decus. O P. Pierre-François Chifflet já havia ajudado seu irmão Jean-Jacques, médico do rei da Espanha, na composição de sua história de Besançon, Vesontio, etc., Lyon, 1618, como mostra ainda um manuscrito de Berlim. Ver o catálogo já citado, Die lat. Handschr., p. 343-344. Aparentemente, colaborou também na obra De linteis sepulchralibus Christi servatoris crisis historica (Antuérpia, 1624), onde seu irmão mais velho busca demonstrar simultaneamente a autenticidade do «santo sudário» de Turim e do de Besançon; seus documentos, em Berlim, encerram com efeito vários documentos concernentes a essa questão. Cf. as Etudes, 20 de junho de 1903, p. 824, nota.

De Backer-Sommervogel, Bibliothèque de la C** de Jésus, t. III, col. 1125-1132; Hurter, Nomenclator, t. III, col. 486-489. — H. DUTRONQUOIT.

Autor original: H. Dutouquet

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