CELSO. — I. Vida. II. Discurso verdadeiro. III. Apreciação.
I. Vida. — Celso, de quem aqui se trata, não é outro senão o autor do Λόγος ἀληθής; ele não tem qualquer relação nem com o CELSO que viveu no tempo de Nero, Cont. Cels., I, 8, P. G., t. XI, col. 669, nem com as duas personagens políticas desse nome, das quais fala Esparciano, e que viveram no século II. Sua vida é pouco conhecida; o que se sabe a respeito deve-se a algumas informações fornecidas por Orígenes, bem como à hipótese justificada, ao que parece, da identificação do Celso de Orígenes e do correspondente do satírico Luciano. Ignora-se a data de seu nascimento e de sua morte. O que se pode afirmar é que ele viveu no século II. Tendo viajado muito, Celso pôs-se a par do movimento intelectual de sua época, permaneceu em Roma e parece ter-se fixado lá. Compartilhou contra o cristianismo os sentimentos de hostilidade da maior parte de seus contemporâneos, que pertencem à classe dos letrados e dos filósofos. No momento em que Orígenes, a pedido de seu amigo Ambrósio, empreendeu a refutação do Discurso verdadeiro, isto é, em 248, Eusébio, H. E., VI, 36, P. G., t. XX, col. 596, Celso já havia deixado de viver há muito tempo. Cont. Cels., pref., 4, P. G., t. XI, col. 648.
Ele é tratado correntemente como filósofo epicurista, Cont. Cels., I, 8, 10, 21; II, 60; IV, 54, 75; V, 3, col. 669, 676, 696, 889, 1117, 1145, 1184; é um ἐπικούρειος, IV, 75, col. 1145, que não se furta, quando necessário, a falar como um discípulo de Platão. Cont. Cels., I, 8; IV, 54, col. 669, 1117. Ele compôs uma obra contra a magia e os mágicos, Cont. Cels., I, 68, col. 788, livros contra os cristãos, IV, 36, col. 1085, e sobretudo o famoso panfleto conhecido sob o nome de Λόγος ἀληθής, ao fim do qual anunciava um novo tratado, a título de complemento, do qual não se sabe se foi realmente escrito. Cont. Cels., VIII, 76, col. 1632. Todas essas obras estão perdidas. É a Celso, e a seu pedido, que Luciano, pouco após a morte de Marco Aurélio, por volta de 180 ou 181, dedicou seu Alexandre ou o falso profeta. Ora, Luciano louva os escritos de seu amigo contra os mágicos; e, embora não trate seu correspondente de epicurista, a maneira simpática com a qual lhe fala de Epicuro permite crer que ele pertencia à escola do célebre filósofo ateniense, e que há lugar, desde então, para identificá-lo com aquele que Orígenes refuta e não ver nos dois Celsos senão uma única e mesma personagem.
II. Discurso verdadeiro. — Celso deve sua fama ao Discurso verdadeiro, esse arsenal completo onde se abasteceram de armas as mais diversas todos os inimigos do cristianismo, desde o século II até nossos dias. Em que época ele o compôs? Essa questão de data foi resolvida de diversas formas. Por um lado, alguns críticos, como Gratz, situam a composição dessa obra sob o reinado de Adriano; outros, tais como Hagenbach, Hasse, Tischendorf, Friedlander, nos primeiros anos do reinado de Antonino, por causa da alusão ao culto de Antinoo, Cont. Cels., III, 36, col. 965, que, pretendem eles, durou pouco. Mas é esquecer que Atenágoras, Legat., 30, P. G., t. VI, col. 960, e Orígenes, Cont. Cels., III, 36; VII, 9, col. 965, 1529, falam dele como um culto ainda praticado; é, sobretudo, desconhecer outros indícios reveladores que indicam uma época ulterior: o poder partilhado, os bárbaros ameaçando as fronteiras do império, o gnosticismo em plena efervescência, os cristãos alvo de uma perseguição geral.
Por outro lado, aqueles que, com Volkmar, reportam a data desse Discurso aos arredores de 240, não levam em conta o que diz Orígenes sobre a morte já antiga do autor e obedecem, além disso, a uma ideia preconcebida para descartar uma testemunha incômoda que arruinaria, se fosse do século III, sua teoria sobre o desenvolvimento do cristianismo e sobre o aparecimento tardio dos Evangelhos. Em 240, de fato, a efervescência gnóstica está terminada. É verdade que houve uma perseguição sob Maximino, em 235-237, mas ela visou apenas os membros do clero, os chefes, bispos e doutores, e não teve o caráter de universalidade daquela da qual fala Celso. É verdade também que, na primeira metade do século III, o poder foi partilhado em duas ocasiões, uma vez entre Caracala e Geta, em 211-212, e uma segunda vez, em 238, entre Pupieno e Balbino; mas não se vê que em uma ou outra dessas duas datas os bárbaros tenham ameaçado especialmente o império e feito correr algum perigo ao Estado.
É preferível situar a data da composição do Discurso verdadeiro entre os reinados de Marco Aurélio e de Septímio Severo, de 161 a 211, e de preferência ao final do verão de 178, como propôs Tillemont, Hist. des empereurs, t. II, p. 281; pois, nesse momento, verificam-se todos os detalhes históricos assinalados por Celso. O poder encontra-se partilhado entre Marco Aurélio e Cômodo; o império é diretamente ameaçado pelos bárbaros no Eufrates e no Danúbio; as calamidades públicas, somadas aos males da guerra, fazem temer pela segurança do Estado; os cristãos, tornados responsáveis por todas as desgraças públicas, estão à mercê de uma denúncia anônima ou de um tumulto popular e perseguidos pelos representantes da autoridade tanto no Oriente quanto no Ocidente. O drama sangrento de Lyon data de um ano apenas; a grande voz dos apologistas Atenágoras, Melitão, Milcíades, Apolinário, faz-se ouvir ou está prestes a tomar a defesa do cristianismo. É nesse momento que Celso entra na liça com seu Discurso; fazem 44 anos que Adriano morreu; Celso está, portanto, na força da idade ou no começo da velhice; ele está em correspondência com Luciano; deve ter conhecido em Roma o cínico Crescente, inimigo de São Justino, e o filósofo Frontão, tão pouco simpático aos cristãos; por sua vez, ele toma a pena para combater o cristianismo, não como um cego e fazendo-se eco das calúnias populares, mas como um crítico informado, em nome da história, da filosofia, da razão e da ciência; ele fará, ao menos, ouvir o apelo patriótico de um homem de Estado ao convidar os cristãos para a defesa do império ameaçado, diante das tristezas do presente e dos sombrios presságios do futuro.
III. Apreciação. — Tanto quanto se pode julgar pelo Discurso verdadeiro, Celso é um espírito cultivado, a par dos sistemas filosóficos em voga; ele encara o paganismo à maneira da maior parte dos filósofos e dos letrados de seu tempo; vê nele uma instituição a ser conservada porque é a religião dos ancestrais, transmitida pela tradição, sancionada pelo Estado.
Sem dúvida, certos ritos seus são fúteis, a maior parte de suas fábulas são absurdas; mas poder-se-ia, pensava ele, dar-lhes uma explicação racional e aceitável, salvaguardar o fundo, salvo a abandonar a forma. Pois, a seus olhos, toda manifestação religiosa tem direito ao respeito pelo simples fato de ser a de todo um povo e de ser conservada pelo tempo. Ora, os cristãos praticam uma religião absolutamente nova, que não é a de um povo determinado, que exibe a pretensão de se estender ao mundo inteiro, sem distinção de fronteiras, de línguas ou de nacionalidade, e que se coloca como adversária irreconciliável do paganismo sob todas as suas formas. O cristianismo infiltrou-se pouco a pouco no Império e conta um grande número de adeptos, sobretudo nas últimas camadas da sociedade. Desde o seu aparecimento, ele concentrou a desconfiança e o ódio, suscitando ao mesmo tempo as cóleras cegas da multidão, os sarcasmos dos letrados, as represálias do poder; e nem por isso deixa, a despeito da opinião e das leis, de se propagar cada dia mais: fenômeno singular e problema inquietante, bem feitos para fixar a atenção de um pensador e de um homem de Estado.
Celso vai estudá-lo, não por amor desinteressado à verdade ou por simples curiosidade intelectual e moral, mas com o objetivo preciso de combatê-lo e de arruiná-lo. Ele inicia, portanto, um inquérito. Toma o trabalho de examinar os costumes dos cristãos, Cont. Cels., 1, 12, col. 677, de interrogar seus livros sagrados, Cont. Cels., 11, 74, col. 909; ele busca nas fontes. É assim que ele lê a Escritura sagrada, em particular, no Antigo Testamento, os livros do Gênesis e do Êxodo, Cont. Cels., 1v, 36-48; v1, 60-61, col. 1084-1105, 1389-1391, sobretudo os profetas, dado o papel capital que desempenhavam na controvérsia cristã com os judeus, Cont. Cels., 1, 34, 49, 57; 11, 28, 29; v1, 36, 50, 55, 75; vii, 9, 18, 53, col. 725, 752-765, 848, 849, 1372, 1376, 1384, 1412, 1433, 1445, 1496; e, no Novo Testamento, os escritos dos apóstolos, o Evangelho, to εὐαγγέλιον, Cont. Cels., 11, 27, col. 848.
A isso junta a leitura de outros documentos, tais como a Epístola do pseudo-Barnabé, Cont. Cels., 1, 62, 63, col. 777; a Disputa de Jasão e de Papisco, Cont. Cels., iv, 52, col. 1113; o livro de Enoque, Cont. Cels., v, 54, 55, col. 1265, 1269; o Diálogo celeste, Cont. Cels., vii, 15; os fragmentos sibilinos, Cont. Cels., vii, 53, 55, col. 1497, 1501. Ele conhece as opiniões dos gnósticos e as querelas doutrinais que dividem os cristãos; e munido de todas essas informações, redige o Discurso Verdadeiro.
II. O DISCURSO VERDADEIRO.
1° História desta obra. — O Discurso de Celso não parece ter exercido sobre seus contemporâneos e seus sucessores imediatos a menor influência. Ninguém fala dele; e sem o feliz achado que Ambrósio fez dele e que comunicou ao seu amigo Orígenes para obter a refutação, é de se crer que teria sido condenado ao esquecimento e que não teria servido para custear a guerra feita ao cristianismo nos séculos seguintes. Não o possuímos em sua íntegra; e somente graças aos oito livros que lhe consagrou o doutor alexandrino é que conhecemos as passagens principais e que podemos formar do seu conteúdo uma ideia tão exata quanto possível. Eis o porquê. É que Orígenes, após ter começado o seu κατὰ Κέλσον por uma refutação geral, reflete antes do fim do seu livro I e se condena a seguir passo a passo o seu adversário, sem deixar nada de importante. Ele cuida de não responder às dificuldades senão depois de tê-las transcrito em seu próprio texto. Infelizmente, não reproduziu todo o Discurso; negligenciou propositalmente as passagens insignificantes, assim como tem o cuidado de prevenir; às vezes, contenta-se até com um rápido resumo para reter apenas os pontos principais. De tal sorte que a restituição do Discurso Verdadeiro, tal como tentaram engenhosamente Keim e Aubé, é forçosamente incompleta e só pode dar um texto truncado, onde a parte conjetural, ainda que reduzida às ideias que servem de ligação de uma passagem a outra, existe, contudo. Pelo menos, as citações tão numerosas feitas por Orígenes bastam amplamente para nos fazer conhecer o tom, o método, a natureza e o objeto deste Discurso, do mesmo modo que a refutação revela a sua fraqueza, as suas injustiças, as suas contradições e os seus erros.
2° Plano do Discurso Verdadeiro. — O verdadeiro plano adotado por Celso nos escapa; mas deixa-se adivinhar em suas linhas principais. Efetivamente, no início do III livro, Orígenes nos ensina que Celso, após um preâmbulo, introduz um judeu que argumenta primeiro contra Jesus, depois contra os judeus tornados cristãos, após o que Celso toma a palavra em seu nome e combate judeus e cristãos todos juntos. O objetivo de Celso é retirar do cristianismo o seu ponto de apoio, a sua base histórica no Antigo Testamento; é por isso que ele acha instigante, antes de tudo, fazer atacar o cristianismo em nome do judaísmo: é a tese judaica contra a religião nova. E como naturalmente supõe a essa tese um valor probante, ele se volta então diretamente contra o vencedor do cristianismo, o próprio judaísmo, arruinando por aí, pensa ele, a causa cristã até nas suas ligações e nas suas raízes mais profundas. Isso não carece de habilidade.
O terreno assim desimpedido, ele aborda o exame do cristianismo, das suas fontes evangélicas, dos seus dogmas principais, das suas práticas, das suas divisões. Fala sucessivamente como filósofo, historiador, crítico, servidor dos deuses, político, e multiplica as objeções: objeções contra a divindade de Jesus, contra a possibilidade da encarnação e a realidade da redenção; objeções contra a divindade do cristianismo e as provas que dele se dão; objeções contra a vida, os costumes, as dissensões da seita cristã; objeções contra a doutrina teológica, moral, canônica e escatológica; tudo isso para terminar, no fim das contas, não com uma condenação radical e absoluta, como haveria lugar para esperar, mas com uma espécie de compromisso ou, antes, com um apelo aos cristãos em favor do império. Limitar-nos-emos, numa curta análise, a assinalar os pontos principais deste singular libelo.
1. Introdução. — Desde o início revela-se o estado de alma de Celso.
Ele adota o tom de um honestior indignado ou irritado ao ver homens novos, sem pátria, sem tradição, saindo das camadas mais baixas da sociedade, colocando-se como adversários de todas as instituições civis e religiosas, ligando-se por juramento para violar as leis, suspeitos à multidão, desprezados pelos espíritos bem-educados, perseguidos pela polícia, realizando reuniões clandestinas, exercendo em segredo a sua propaganda entre as crianças, as mulheres, os escravos e as pessoas de vil ofício, impondo a sua fé por autoridade, mas temendo a ciência. Ele sabe de onde vêm; ele vai dizer o que são, no que acreditam.
2. O judaísmo contra o cristianismo. — Os cristãos saem do judaísmo. Celso viu e compreendeu muito bem o vínculo íntimo que une, a filiação estreita que liga o cristianismo ao judaísmo; e, ao mesmo tempo, apreendeu o objeto capital da querela que os divide e os separa. Daí a introdução de um judeu que processa os cristãos de um ponto de vista judaico, mostrando que os cristãos não passam de transfugas, ou melhor ainda, de cismáticos, de apóstatas que abandonaram a lei mosaica, a fé tradicional. Celso não se contenta em relatar essa escaramuça, tanto mais saborosa por vir de irmãos mais velhos, bem posicionados, consequentemente, para julgar com conhecimento de causa os seus irmãos separados; ele a retomará por sua conta na sequência, salvo acrescentar novos argumentos. É por isso que não insistimos mais nela por ora.
3. Ataque ao judaísmo. — Celso busca triunfar sobre o judaísmo; pois, uma vez vencido o judaísmo, arruína-se de uma só vez uma das bases doutrinais e históricas do cristianismo. Consequentemente, ele traveste os fatos de sua história, rebaixa o caráter de seu legislador, repele o que constitui o objeto de sua crença e de suas esperanças. Os Livros sagrados, diz ele, não possuem nenhuma certeza histórica: cosmogonia, relatos da criação, da queda, do dilúvio, papel dos patriarcas e o resto, tudo isso não forma senão um tecido de devaneios ou de absurdos, bons no máximo para divertir crianças, que se tenta inutilmente tornar verossímeis por meio da alegoria, mas que excitam ainda mais a piedade do que o riso. O povo judeu vangloria-se mentirosamente de sua origem. Não tem por ancestrais Abraão, Isaac e Jacó; não passa de um bando de escravos egípcios revoltados e fugitivos. Moisés, seu legislador, não tem qualquer direito à originalidade; ele tomou tudo emprestado dos sábios da antiguidade e é de muito inferior a eles: simples goeta que enganou os judeus e de quem os judeus foram as vítimas. Os judeus pretendem ser monoteístas e a lei lhes permite adorar o céu e os anjos. Cont. Cels., v, 7, col. 4189. Eles se consideram os únicos amigos e protegidos de Deus; é um ato de orgulho monstruoso. Ao acariciar a quimérica esperança de que Deus virá do céu socorrê-los, eles se iludem sobre a natureza divina e chocam-se com uma impossibilidade metafísica, pois Deus é imutável; ele se ocupa apenas do conjunto do universo e não exclusivamente do homem. O homem não está acima da besta e muitos animais levam vantagem sobre ele. Cont. Cels., IV, 69 sq., col. 1137 sq. Todavia, concede Celso, uma vez que os judeus formam há muito tempo um corpo de nação, eles são livres de guardar sua religião, de modo algum porque ela é verdadeira, mas unicamente porque ela é nacional e tradicional. Aos olhos de um romano, com efeito, o simples fato de constituir um povo assegurava o privilégio da autonomia religiosa. Mas Celso recusa aos judeus o direito de se crerem acima dos outros e de desprezar aqueles que não pertenciam à sua raça.
4. Ataques contra Jesus. — O que é Jesus? Para responder a essa pergunta, Celso não se descuidará de esquecer as queixas dos judeus e acrescentará as de um pagão. Ora, aos olhos dos judeus, Jesus é um fazedor de truques, um charlatão, um goeta, de origem suspeita, Cont. Cels., I, 28, col. 713; ele terminou uma vida de aventureiro por uma morte ignominiosa. Nem a vida, nem a morte de tal personagem poderiam ser, como pretendem os cristãos, as de um Deus. Condenado ao suplício, ele não fez explodir a sua vingança, como deveria ter feito se fosse Deus. Cont. Cels., II, 9, 16-21, 67-69, col. 808, 825-840, 901-905. Seus discípulos, escolhidos dentre facínoras, o entregaram, renegaram, abandonaram. É, diz-se, o Filho de Deus descido à terra, o Verbo feito carne, o Messias prometido. É aqui que Celso exerce a sua verve sarcástica. A encarnação de um Deus deveria, parece, ser facilmente admitida por um espírito tão a par das fábulas da mitologia que mostram as relações tão frequentes dos deuses com os homens. Mas não; Celso, esquecendo que as objeções que ele opõe à encarnação podem se voltar com mais razão contra o politeísmo, insurge-se contra esse dogma. Misturando duas questões distintas, a da essência de Deus e a de sua manifestação no tempo e no espaço, ele tira da primeira a negação da segunda. Deus, diz ele, é imutável. Ele não pode, sem decair, nem mudar nem se mover. Pois, se ele deixasse um instante o governo do mundo, toda a máquina se desarticularia. E depois, com que objetivo ele viria? Não sabe ele tudo o que se passa na terra? É preciso que ele esteja no local para remediar as desordens? Falta alguma coisa à sua felicidade? Ele desejaria dar prova de sua onipotência? Em todo caso, se ele veio para castigar uns e para salvar outros, ele demorou bastante; sua justiça é por demais lenta. De resto, por que ele teria descido de preferência em um canto obscuro do mundo, junto a um miserável pequeno povo? Será que o homem vale a pena de tal condescendência, ele que é inferior em tantas coisas às abelhas, aos pássaros, às formigas? Cont. Cels., IV, 23-30, 74 sq., col. 1060-1073, 1147 sq.
Compreende-se, diante de semelhantes dificuldades, quanto Orígenes tinha campo livre para responder. A sã filosofia não tem dificuldade em conciliar o dogma da providência e da intervenção divina com a imutabilidade de Deus. E a teologia católica abre horizontes deveras amplos; ela dá, em particular, como motivos da encarnação, razões que a sabedoria humana não pode aprofundar senão com um sentimento comovido de admiração e de reconhecimento pela bondade infinita de Deus. Celso, se tivesse conhecido essas razões e se tivesse possuído bastante sinceridade e retidão de alma para se afastar de seus preconceitos, teria certamente mantido outra linguagem. Talvez mesmo que, com um mestre tal como Orígenes, tivesse renovado o exemplo dado por São Justino.
Mas Celso é de seu tempo e, embora se destaque no primeiro escalão daqueles que menos imperfeitamente conheceram o ensino evangélico, ele se deteve em dificuldades de superfície, das quais fez instrumentos de combate, porque, acima de tudo, ele visava combater muito menos do que esclarecer-se. Se sobre o testemunho de uma mulher exaltada, γυνή παροιστρος, Cont. Cels., II, 39, col. 860-861, os cristãos, como ele diz, apoiam a sua crença na ressurreição de Jesus, Cont. Cels., II, 59, col. 889, isso não é senão um incidente. Ele toca, pelo menos, na verdadeira questão que é a de saber se Jesus é Deus. Lá está o ponto capital da controvérsia entre judeus e cristãos, e lá também Celso é chamado a se pronunciar. Ora, os cristãos trazem nomeadamente duas provas em favor da divindade de Jesus, uma que é o cumprimento das profecias, a outra que é o esplendor dos milagres. São essas duas provas que Celso vai tentar elidir.
5. Contra a prova da divindade de Jesus, extraída do cumprimento das profecias. — Os cristãos diziam: Jesus é Deus, porque ele cumpriu todas as profecias relativas ao Messias. Celso, que conhece a resposta dos judeus a este argumento peremptório, a reproduz e a agrava por considerações de ordem filosófica e histórica. Ele constata, contudo, que o argumento extraído do cumprimento das profecias é de muito o mais forte, ισχυροτάτη ἀπόδειξις, Cont. Cels., II, 28, col. 848. Ele acredita refutá-lo por esta tripla proposição: as profecias são em si uma coisa que repugna. Elas se assemelham aos oráculos do paganismo e, por conseguinte, não têm maior força probante. Elas não se aplicam a Jesus.
Celso não nega diretamente a possibilidade do sobrenatural; mas, ao pretender que a profecia constrangeria necessariamente o livre-arbítrio daquele que é o seu objeto, Cont. Cels., I, 20, col. 836, ele chega, por via de consequência, a negar essa possibilidade, por causa do livre-arbítrio: é a tese racionalista. Além disso, ao aproximar as profecias da Bíblia dos oráculos do paganismo, e ao colocá-las muito abaixo, ele negligencia a diferença característica que distingue as profecias desses oráculos, seja em seus agentes ou órgãos, seja no modo de sua manifestação, seja sobretudo em seu objeto e seu fim: é a tese pagã. Finalmente, ao apropriar-se da tese judaica, ele repete que as profecias do Antigo Testamento carecem de clareza e de precisão e recusa-se, tal como os judeus, a vê-las realizadas em Jesus, Cont. Cels., I, 52, col. 757.
Ora, filosoficamente falando, Celso está errado ao negar a possibilidade da profecia; pois ele reduz o conhecimento de Deus e impõe arbitrariamente um limite à sua liberdade. Mas isso não é senão um engodo ou, pelo menos, uma inconsistência, visto que ele fala dos oráculos pagãos; é, portanto, que Deus pode fazer profecias. Desde então, o problema se reduz a uma questão de fato: sim ou não, existem profecias no Antigo Testamento? Celso, não podendo negá-lo, limita-se, como os judeus, a pretender que essas profecias não tiveram o seu cumprimento em Jesus; outra questão de fato, tão admiravelmente dirimida por São Justino em seu Diálogo com Trifão, e que Orígenes dirime, por sua vez, ao mostrar que, se tal ou qual profecia foi cumprida por tal ou qual personagem do Antigo Testamento, o conjunto das profecias, concernentes ao Messias, não tiveram a sua plena realização, a despeito das negações interessadas dos judeus, senão na pessoa de Jesus.
6. Contra a prova da divindade de Jesus, extraída dos milagres. — Os milagres de Jesus são narrados pelo Evangelho; sua autenticidade repousa sobre um testemunho histórico. O que faz Celso? Do mesmo modo que, contra os judeus, ele havia se recusado a reconhecer um valor qualquer ao testemunho da Bíblia, do mesmo modo, contra os cristãos, ele nega a autoridade histórica dos livros do Novo Testamento. Ele acusa os Evangelhos de serem a tripla ou quádrupla redação de um texto feito com o objetivo interessado de responder a dificuldades ou a objeções, Cont. Cels., II, 27, col. 848.
Posto isto, Celso retoma contra a prova da divindade de Jesus extraída dos milagres a mesma argumentação que acaba de fazer contra as profecias. O milagre, diz ele, é em geral contrário à natureza e à razão: ele é impossível. Quanto aos fatos milagrosos relatados no Evangelho, ou ele suspeita da realidade deles sob pretexto de que não estão suficientemente constatados ou que o testemunho sobre o qual repousam não merece crédito, ou então ele os aceita, mas sob reserva de inventário e recusando-lhes qualquer valor demonstrativo, Cont. Cels., I, 6, col. 668; eles lembram demais os prestígios dos magos ou os fatos extraordinários dos quais a mitologia está cheia, Cont. Cels., II, 22-39, col. 944-972, e não provam mais nada, Cont. Cels., I, 38, 68; II, 48, col. 733, 788, 869. Jesus não é mais que um taumaturgo no mesmo título que os outros; seus prestígios, ele só os operou por meio da magia, Cont. Cels., I, 6, 38, col. 668, 733.
Os historiadores desses milagres aceitam com demasiada facilidade testemunhos suspeitos; já assinalamos aquele que atesta a ressurreição de Jesus; eles não concordam entre si e são demasiado ignorantes para que se adicione fé à sua palavra; só cabia à ciência grega julgar o Evangelho e seus fatos milagrosos, Cont. Cels., I, 2, 62, col. 656, 776. São testemunhas ao mesmo tempo néscias e ardilosas, Cont. Cels., II, 26, col. 845. Néscias e ardilosas! Dois termos contraditórios e que se excluem, observa com razão Orígenes. Celso pode negar a possibilidade dos milagres, ele neles crê, visto que recorda os do paganismo. Se ele nega a estes qualquer valor demonstrativo, é para negá-lo àqueles. Sente-se demais um espírito prevenido; a comparação que ele faz dos milagres do Evangelho com os prodígios da mitologia é o fruto desta prevenção. Aqui, como para as profecias, Celso comete um erro de apreciação, demasiado interessado para ser sincero. Melhor teria sido rejeitar os milagres em bloco, já que ele recusava reconhecer aos relatos evangélicos um valor histórico qualquer. Mas, ao querer discuti-los, ele deveria trazer mais sinceridade. Quanto a reclamar o controle da ciência grega, ninguém pensava em impedi-lo; a história escrita estava lá; mas, esta história, Celso não quis admitir. Sabe-se quantos imitadores ele teve posteriormente.
7. Contra os cristãos. — Celso prometeu dizer o que são os cristãos; ele já falou disso no início de seu Discurso; ele retorna ao tema e acumula traços.
Os discípulos de Cristo saem de um meio judaico; são apóstatas do judaísmo, que abandonaram Moisés para seguir outro judeu, tão charlatão quanto o primeiro. O que ensinam eles? Nada de muito preciso, pois eles mal se entendem entre si. Há aqueles da grande Igreja, οἱ ἀπὸ τῆς μεγάλης ἐκκλησίας, Cont. Cels., V, 59, col. 1276; há aqueles que fraudulentamente introduziram novidades nos livros sibilinos, Cont. Cels., VII, 53, 56, col. 1497, 1501; há ainda os simonianos, os marcelianos, os carpocracianos, os marcionitas; e todos estão em completo desacordo uns com os outros.
Eles pretendem impor a fé por autoridade, uma fé cega, irracional, Cont. Cels., I, 9, col. 672; buscam agir sobre as mulheres e apoderar-se da instrução das crianças, Cont. Cels., III, 55, col. 998; fogem da luz, temem a ciência e os homens de saber. Por isso, dirigem-se de preferência a gente rude, ignorante, incapaz de uma instrução séria, Cont. Cels., I, 55; VI, 14, col. 998, 1380.
Eles os perturbam por malefícios antes que por razões, golpeiam sua imaginação pelo terror ou pela esperança. Singulares doutores que fazem propaganda entre os fracos de espírito ou de idade e que só se recrutam entre pecadores! E singular Deus o deles, amigo dos desclassificados, dos pobres, dos miseráveis, dos celerados, nascido de uma mulher, como se isso fosse possível, e enviado à terra onde foi cruelmente morto! Ao querer um Deus, eles só tinham o trabalho de escolher entre tantos personagens que deram provas de grandeza, de heroísmo, de virtude.
Eles não têm nem altares nem estátuas; acusam os demônios de se esconderem em nossos simulacros; repugnam tomar parte em nossas solenidades e em nossos sacrifícios, por medo de se tornarem os comensais dos demônios, e honram os anjos! Têm uma fé invencível e preferem a morte à apostasia; mas essa fé corajosa encontra-se igualmente entre os pagãos. Acreditam em um destino futuro; mas é um empréstimo aos mitos do Tártaro e dos Campos Elíseos. Acreditam sobretudo na ressurreição dos corpos, o que é uma coisa impossível; mas não fazem senão desfigurar a metempsicose. O Deus deles não protegeu os judeus, como eles se vangloriavam, não protege mais os cristãos: é um impotente ou um indiferente. Enfim, as poucas verdades que possuem foram bem melhor formuladas, entre outros por Platão, que ao menos não tinha a suficiência deles e não se dava como porta-voz de Deus, Cont. Cels., I, 4; VI, 1, col. 661, 1289.
8. Conclusão. — Qual poderia ser a conclusão de tal ataque, ou o cristianismo é condenado em suas fontes históricas, na pessoa de seu fundador, no recrutamento e na propaganda de seus partidários, em seu ensino sobre a questão das origens e dos fins últimos? Nenhuma outra, parece, senão declarar a religião cristã fora da lei, já que se dizia estar fora da natureza e fora da razão. Não é, contudo, assim. Celso não se entrincheira atrás do princípio, invocado ainda há pouco em favor dos judeus, para deixar ao cristianismo a liberdade de sua fé e de seu culto, a título de religião nacional e tradicional; mas, por uma inconsequência estranhamente reveladora, parece esquecer tudo o que acaba de dizer e entra em parlamentação com ele. O polemista depõe as armas e cede a palavra ao homem de Estado; abandona o terreno religioso pelo terreno político e busca negociar um entendimento. O império é massacrado pelos bárbaros! Que os cristãos se mostrem bons cidadãos; que não se mantenham afastados das funções civis e do serviço militar; que tragam um concurso generoso à defesa da causa comum!
III. APRECIAÇÃO. — Tal é o resumo do Discurso Verdadeiro. Celso ali semeou a mãos cheias a ironia, a zombaria, a invectiva; falou ali em nome da história, da crítica, da filosofia, da ciência e da política; atacou ali tudo no cristianismo, suas origens bíblicas, suas fontes evangélicas, seu fundador, seus partidários; em uma palavra, ele defendeu a fundo e, por isso, coloca-se bem acima de seus contemporâneos. Sua obra não carece de amplitude: oferece todos os exemplares da polêmica que as eras seguintes dificilmente renovarão e das quais não se cessará de tirar proveito; acreditar-se-ia até ouvir ali, por vezes, a acusação que, desde o século XVIII até nossos dias, custeou a guerra contra o cristianismo: eco dos sentimentos professados pelos letrados e filósofos do século XVIII, ela traduz ainda o pensamento íntimo de muitos daqueles que, em nossos dias, não querem a religião de Cristo; isso diz seu interesse retrospectivo e atual.
Ora, como já observamos, não se tem prova de que, em sua aparição, o Discurso Verdadeiro tenha produzido algum efeito. Por volta de meados do século II, Orígenes experimentou uma certa repugnância em refutá-lo, parecendo-lhe o silêncio mais conveniente; se ele se resigna a escrever seus oito livros κατὰ Κέλσον, não é porque julgue a obra perigosa para os verdadeiros crentes, mas simplesmente por respeito aos espíritos indecisos ou de fé vacilante, a fim de colocá-los em guarda contra as surpresas da calúnia. Sua resposta contém os elementos mais preciosos que formam como uma pequena soma teológica. Encontra-se ali, de fato, o esboço da tese sobre a autenticidade e o valor histórico dos livros do Antigo e do Novo Testamento, sobre a natureza e o cumprimento das profecias, sobre a possibilidade, a realidade e o valor demonstrativo dos milagres, sobre a excelência e a eficácia da moral cristã, sobre a divindade de Jesus Cristo e de sua Igreja; de sorte que o historiador das origens cristãs, o teólogo, o apologista têm toda vantagem em conhecer o ataque mais completo que tenha sido dirigido contra o cristianismo no século II e a refutação da qual foi objeto no século III.
Celso peca por falta de respeito e de medida e por excesso de zombaria e de invectivas; Orígenes chama-o por vezes de bufão, um insultador de encruzilhada, βωμολοχία, Cont. Cels., I, 39; III, 22, col. 733, 944. Peca sobretudo por uma ausência total de convicções firmes em matéria filosófica e religiosa. Segundo as necessidades de sua causa, argumenta ora com Epicuro, ora com Platão, a quem empresta o que se pode opor de menos desarrazoado ao ensino cristão, Cont. Cels., IV, 1-20, col. 1402 sq. Sente-se que ele não tem, em definitivo, para a manutenção do culto estabelecido, senão razões de ordem política. Com demasiada frequência seus ataques carecem de justiça e de verdade; e por falta, por vezes, de ter bons argumentos a fazer valer ou de conhecê-los, cai em pobrezas, Cont. Cels., VI, 74, col. 1409.
As contradições abundam sob sua pena; trata os magos de impostores e escreve contra a magia, mas, no fundo, acredita nela, Cont. Cels., I, 68; IV, 81, 82; VI, 38-41; VII, 3, 9; VIII, 60, col. 788, 1153, 1456, 1333-1357, 1424, 1434, 1608; e invoca-a para explicar os milagres de Jesus Cristo, Cont. Cels., I, 68 sq.; I, 46, col. 788; trata de superstições os principais ritos do paganismo, mas defende os contos absurdos da mitologia para rebaixar o caráter dos Livros sagrados, Cont. Cels., III, 26 sq.; VII, 52-60, col. 952 sq., 1593 sq.; censura o emprego da alegoria na interpretação da Escritura, mas apressa-se a recorrer a ela para explicar certas crenças pagãs, Cont. Cels., I, 17, 18; IV, 38, 48, 50, 51; VI, 29, col. 692, 693, 1088, 1105, 1109, 1111, 1337; afasta do relato evangélico tudo o que o incomoda ou serve para provar a divindade de Jesus Cristo, mas serve-se do Evangelho para combater o cristianismo. Cont. Cels., I, 34-37; VI, 75, col. 853-857, 1412.
Embora conheça a grande Igreja, a expressão é dele, coloca no mesmo plano as seitas gnósticas que estão à margem do Evangelho e que reprovam os chefes da ortodoxia. Cont. Cels., v, 59; vi, 53, 56. col. 1276, 1497, 1501.
Por um lado, censura os cristãos por menosprezarem a cultura do espírito e a ciência e, por outro, acusa-os de terem tomado de empréstimo as suas doutrinas da filosofia grega. Não se dá conta de que a maioria dos seus ataques falha o alvo contra o cristianismo e apenas se justifica demasiado quando voltados contra o paganismo, tal como não deixou de salientar Orígenes. Finalmente, ao cabo de um tão longo esforço, parece convencido da ineficácia da sua obra e promete um novo livro para ensinar como devem regular a sua vida aqueles que desejam viver segundo os melhores princípios.
No fundo, não é o zombador, nem o erudito, nem o filósofo que dominam em Celso, é o político. Ao conceder que cada um deve seguir a religião do seu país, Cont. Cels., v, 25, 23; vii, 72, col. 1217, 1221, 1624, que a autonomia religiosa pertence de direito a qualquer um que possa justificar um culto nacional e tradicional, Cont. Cels., v, 25, col. 1217, ele formula a política romana que respeitava os hábitos religiosos dos países conquistados. Nada compreende das tendências universais da Igreja, da sua catolicidade, e nela vê uma impossibilidade, Cont. Cels., viii, 72, col. 1624. Permaneceu no ponto de vista cesariano, segundo o qual o príncipe, mestre absoluto dos seus súbditos, é summus pontifex ao mesmo tempo que imperator, o que reduz a religião a ser apenas um anexo do poder civil, apenas uma simples engrenagem administrativa.
Quanto ao seu tom de soberano desprezo por uma seita que ele pretende tão rápida, há motivos para se espantar que tenha dispendido tantos esforços para combatê-la, e não é pouca a surpresa ao ver a sua virulenta polémica terminar numa transação, ou melhor, num apelo ao seu concurso em favor do Estado ameaçado. É uma prova de que já, para o fim do reinado de Marco Aurélio, a Igreja não é uma quantidade negligenciável. Apesar das calúnias populares, apesar do desdém dos sábios e dos ataques dos escritores, apesar dos abusos da força, a Igreja vive, propaga-se, programa, impõe-se à atenção dos letrados e dos políticos; ela reclama o seu lugar em nome da liberdade e, melhor ainda, em nome da verdade que pretende possuir; esse lugar ainda lhe é recusado: ela acabará por conquistá-lo, mas, desde já, o Estado deve contar com a Igreja.
A fonte principal a consultar é Orígenes, Contra Celsum, l. VIII, P. G., t. XI, col. 641-1632; uma nova edição foi publicada por P. Koetschau, Origenes Werke, Leipzig, 1899, t. I, p. 1-374; t. II, p. 1-298 (Die griechischen christlichen Schriftsteller der ersten drei Jahrhunderte). — Philippi, De Celsi, adversarii christianorum, philosophandi genere, Berlim, 1836; Jachmann, De Celso philosopho, 1836; Bindemann, Ueber Celsus und seine Schrift gegen die Christen, em Zeitschrift für die historische Theologie, 1842, fasc. 2, p. 58-146; Kellner, Hellenismus und Christenthum, 1865: Th. Keim, Celsus’ wahres Wort, Zurique, 1873; B. Aubé, Histoire des persécutions. La polémique païenne à la fin du IIe siècle, Paris, 1878, p. 158-425; E. Fabre, Celse et le Discours véritable, Genebra, 1878; Freppel, Origène, 2e édit., Paris, 1888, t. II, p. 244-412; E. Pélagaud, Celse et les premières luttes entre la philosophie antique et le christianisme naissant, Paris, 1879; Funk, Die Zeit des wahren Wortes von Celsus, em Theolog. Quartalschr., 1886, t. LXVIII, p. 302-315; F. Vigouroux, Les Livres saints et la critique rationaliste, Paris, 1886, t. I, p. 139-157; Heine, Ueber Celsus’ ἀληθὴς λόγος, Berlim, 1888, p. 197-214; K. Neumann, Der römische Staat und die allgemeine Kirche, Leipzig, 1890, t. I, p. 265; Rotschau, Die Gliederung des ἀληθὴς λόγος des Celsus, em Jahrb. für protest. Theologie, 1892, t. XVIII, p. 604-632; A. Harnack, Geschichte der altchristlichen Litteratur, Leipzig, 1892-1897, t. I, p. 377; Hort, Six lectures on the antenicene Fathers, Londres, 1895; Bardenhewer, Patrologie, 2e édit., Friburgo em Brisgóvia, 1901, p. 130-134; édit. franç., t. I, p. 254-256, 269; Franck, Wace, Dictionary of christian biography, Londres, 1877-1887; Kirchenlexikon, Friburgo em Brisgóvia, 1880; Peloux, Celse et sa polémique contre la divinité de Jésus-Christ, Montauban, 1888; Patrick, The apology of Origen in reply to Celsus, Edimburgo e Londres, 1892; ver também os prolegómenos da edição de Koetschau, Origenes Werke, t. I, p. XXII-LXXIV. Encontrar-se-á uma bibliografia mais desenvolvida em Realencyclopädie für protest. Theologie und Kirche, 3e édit., Leipzig, 1897, t. III, p. 772-773.
Autor original: G. Bareille
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