CATROU (FRANCISCO)

CATROU (FRANCISCO)

CATROU François, jesuíta, nascido em Paris, a 28 de dezembro de 1659, ingressou na Companhia de Jesus a 5 de novembro de 1677, distinguiu-se como literato e como historiador. Aplicado inicialmente ao ensino, depois à pregação, renunciou à cátedra, apesar de seus sucessos, desgostoso, diz-se, com a soma de tempo perdido a aprender de cor, e julgando que sua memória prejudicava seu espírito.

Aplicado sucessivamente aos colégios de Rouen, Rennes, Bourges, Eu, Compiègne, La Flèche, Tours, Orléans, Paris, foi enfim fixado na capital. Em 1701, fundou ali o Journal de Trévoux, que deveria dirigir durante seus doze primeiros anos. Adquiriu ali uma reputação de bom crítico. A composição de diversas obras continuou a ocupar sua fecunda atividade até o fim de sua vida. Faleceu em Paris a 12 de outubro de 1737.

Suas principais publicações são uma Histoire des anabaptistes, in-12, Paris, 1695, 1705; in-4°, 1706; in-12, Amsterdam, 1699, 1700; Histoire du fanatisme dans la religion protestante depuis son origine, in-4°, Paris, 1706; in-12, 1733, 1738, 1740; Histoire des trembleurs, in-12, 1733.

Para as duas primeiras destas obras, o autor assegura ter tomado emprestadas suas informações das obras de Fox, de Penn e de Keith, e consultado além disso, sobre os pontos duvidosos, vários sábios ingleses. Compôs-as mais como historiador do que como polemista, não querendo, dizia ele, tirar dos fatos relatados «um preconceito em favor da religião católica contra a religião protestante». Ele havia até anunciado, mas não cumpriu sua promessa, que daria em seguida ao público a história das seitas fanáticas na Igreja romana.

Contudo, ele faz observar que, a seus olhos, entre os protestantes e os católicos, há esta diferença «que as máximas dos primeiros puderam dar ocasião de renovar o fanatismo, e que as regras da fé estabelecidas pelos segundos tendem a aniquilá-lo.» Quanto aos quakers, ele demonstra que seu tremor não tem nada de sobrenatural.

— Fustigado e impressionado pelos excessos dos camisardos, nas Cevenas, ele aplaudiu a revogação do Édito de Nantes. Journal de Trévoux, outubro de 1702, p. 214, 230; Journal des scavans, suplemento, 1707, p. 125-133; Éloges historiques, du P. Catrou, no Journal de Trévoux, abril de 1738, p. 651-664, e na Bibliothèque française, t. XXX, p. 31-34; Sommervogel, Bibliothèque de la Cie de Jésus, t. II, col. 882-889; t. IX, col. 14-15; uma nota inédita. H. CLEROT.

Autor original: H. Chérot

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