CARAMUEL Y LOBKOVITZ Juan, nascido em Madri, em 23 de maio de 1606. Ainda criança, demonstrou aptidões extraordinárias para a matemática. Aos doze anos, diz-se, já havia composto e publicado tabelas astronômicas. Em um único ano, percorreu o ciclo de estudos de gramática, retórica e poética, fazendo-se notar pelo seu talento como versificador.
Após ter estudado filosofia em Alcalá, sob a orientação do peripatético Bento Sanchez, entrou no mosteiro de La Espina, situado na diocese de Palência e pertencente à ordem de Cister. Ali professou ao cabo de um ano, depois veio a Salamanca para estudar teologia e retornou, por fim, a Alcalá, onde ensinou, durante três anos, a ciência sagrada aos religiosos de sua ordem.
Enviado para as Flandres, ao mosteiro de Dunes, dedicou-se com grande êxito à pregação; em 1638, obteve em Lovaina o grau de doutor em teologia. Pouco depois, foi escolhido para abade de Melrose, na Escócia, e então para vigário-geral do abade de Cister no que concerne à Inglaterra, Irlanda e Escócia; nomeado em seguida para a abadia de Dissembourg, na diocese de Mogúncia, atraiu sobre si, por seus trabalhos apostólicos e pelos sucessos prodigiosos que obteve, a atenção do bispo de Mogúncia, Anselmo Casimiro, de quem se tornou sufragâneo.
Obrigado a deixar o Palatinado, foi enviado pelo rei da Espanha à corte do imperador Fernando III, que lhe deu as abadias beneditinas de Montserrat e de Viena; ao mesmo tempo, tornou-se vigário-geral do cardeal Ernesto de Harrach, arcebispo de Praga. Tendo os suecos sitiado esta cidade, Caramuel levantou uma tropa de eclesiásticos e distinguiu-se pela sua habilidade e coragem no combate. Assinada a paz, retomou na Boêmia seus trabalhos apostólicos e converteu um grande número de heréticos.
Estava designado para o bispado de Koenigsgratz, quando o papa Alexandre VII o convocou a Roma em 1655; algum tempo depois, foi nomeado para o bispado de Campagna e Satriano, no reino de Nápoles; demitiu-se em 1673 e, alguns meses mais tarde, o rei da Espanha deu-lhe o bispado de Vigevano. Morreu em sua cidade episcopal e foi enterrado em sua catedral. Sobre seu túmulo, lê-se esta curta inscrição: Magnus Caramuel, episcopus Vigevani.
De seus numerosos escritos, cuja lista se encontrará em Niceron, Mémoires, t. XXIX, p. 265 sq., citaremos apenas aqueles que tratam das matérias teológicas:
1° Theologia regularis sanctorum Benedicti, Augustini, Francisci regulas commentariis dilucidans, in-fol., Bruges, 1638; in-4°, Francfort, 1644; Venise, 1651; in-fol., Lyon, 1665;
2° Motivum juris quod in curia romana disceptatur de cardinalis Richelii cisterciensis abbatis generalis erga universum ordinem auctoritate et potestate. Itemque de quatuor primorum Patrum abbatum, de Firmitate, Pontiniaci, Clare Vallis et Morimundi in suas filiationes jurisdictione, in-4°, Anvers, 1638;
3° Bernardus Petrum Abelardum et Gilbertuni Porretanum triumphans, in-4°, Louvain, 1639, 1644;
4° Scholion elimatum ad regulam sancti Benedicti, libellum sancti Bernardi de precepto et dispensatione elucidans; in quo demonstratur sanctum hunc doctorem opiniones benignas semper fovisse, in-4°, Louvain, 1644; Francfort, 1644; Venise, 1651;
5° Mathesis audax, rationalem, naturalem, supernaturalem, divinamque sapientiam arithmeticis, catoptricis, staticis, dioptricis, astronomicis, musicis, chronicis et architectonicis fundamentis substruens exponensque, in-4°, Louvain, 1642, 1644;
6° Theologia moralis ad prima eaque clarissima principia reducta, in-fol., Louvain, 1643;
7° Epistola ad Gassendum de Germanorum protestantium conversione, in-4, 1644;
8° Epistola ad eumdem de infallibilitate papae, in-4°, 1644;
9° Maria, liber de laudibus Virginis Matris, in-4°, Prague, 1647;
10° Benedictus christiformis, sive sancti Benedicti vita iconibus in aere incisis, carminibus et conceptibus moralibus exornata, in-fol., Prague, 1648;
11° Sancti Romani imperii pacis licite demonstrate prodromus et syndromus, in-4, Francfort, 1648;
12° Sancti Romani imperii pax medullitus discussa et ad binas hypotheses reducta, sub primam condemnata et dissuasa, sub secundam pia, licita et valida demonstrata, in-4°, Francfort, 1648; in-fol., Vienne, 1649; destas duas obras, relativas ao tratado de Vestfália, a segunda é uma resposta a um livro aparecido sob o nome de Ernestus ab Eusebiis e intitulado: Judicium theologicum super quaestione: an pax qualem desiderant protestantes sit secundum se illicita;
13° Encyclopedia concionatoria, seu conceptus morales quibus aut Evangelia aut sanctorum virtutes celebrantur et elucidantur, in-4°, Prague, 1649;
14° Theologia fundamentalis, in-4°, Francfort, 1651; in-fol., Rome et Lyon, 1667;
15° Hierarchia ecclesiastica; de summi pontificis, patriarcharum, archiepiscoporum, episcoporum, abbatum, sacerdotum, diaconorum, hypodiaconorum, clericorumque inferiorum ordinum, electione, promotione, necessitate et honestate, in-fol., Prague, 1632;
16° Theologia rationalis, seu precursor logicus, in-fol., Francfort, 1654;
17° Cabale theologice excidium, sive contra cabalistas qui ne unum quidem de Deo verbum in sacris Bibliis contineri somniarunt, com tradução em hebraico dos três primeiros livros da Summa contra gentes, devida a Joseph Ciantes;
18° Apologema pro antiquissima et universalissima doctrina de probabilitate contra novam, singularem, improbabilemque Prosper Fagnani opinationem, in-4°, Lyon, 1663, colocado no Index por decreto em 15 de janeiro de 1664;
19° Theologia intentionalis, in-fol., Lyon, 1664;
20° Theologia preterintentionalis, in-fol., Lyon, 1664;
21° Theologia regularis tomus alter, varias epistolas exhibens, in quibus dilucidantur gravissime circa eam difficultates, in-fol., Lyon, 1665;
22° Haplotes de restrictionibus mentalibus, in-4°, Lyon, 1674;
23° Trimegistus theologicus, in-fol., Vigevano, 1679;
24° Logica moralis seu politica, in-fol., Vigevano, 1680.
Os contemporâneos de Caramuel, seus próprios adversários, admiravam a extraordinária flexibilidade de seu espírito e a extensão de seus conhecimentos. Convocado a Roma porque o vigor com que ele, em sua Theologia fundamentalis, expusera as objeções dos ateus e dos libertinos, tornava sua fé suspeita, desculpou-se sem dificuldade e surpreendeu o papa Alexandre VII pela habilidade de suas respostas. O autor do Anticaramuel, conhecido sob o nome de Humanus Erdemann, escrevia dele: ingenium habet ut octo, eloquentiam ut quinque, judicium ut duo.
Infelizmente, seu gosto pelas afirmações singulares e paradoxais o arrasta, em matéria dogmática, a especulações mais do que temerárias, e, em moral, a soluções singularmente relaxadas. Em sua Mathesis audax, sustenta que se pode resolver, com régua e compasso, as questões mais difíceis da teologia, até mesmo o problema da graça e da liberdade.
Em moral, ao juízo de santo Afonso de Ligório, ele é incontestavelmente o príncipe dos laxistas. Atribuem-se-lhe comumente a 24ª e a 25ª das proposições condenadas por Alexandre VII, bem como a 48ª e a 49ª daquelas que Inocêncio XI rejeitou. Algumas de suas afirmações, tomadas ao pé da letra, levariam a crer que ele vê no probabilismo apenas um meio cômodo de escapar à obrigação das leis; ele atribui, por outro lado, à probabilidade puramente extrínseca uma autoridade exagerada.
Defendeu muito vivamente a opinião escotista segundo a qual os preceitos da segunda tábua são apenas leis positivas, dependentes unicamente da vontade de Deus. As doutrinas expostas por Caramuel em sua Theologia fundamentalis foram criticadas por um teólogo espanhol, Luís Crespi de Borja, bispo de Placencia, em suas Questiones selecte morales, in-4°, Lyon, 1658, e defendidas pelo italiano Francisco Verde, nas Positiones selecte theologiae fundamentales Caramuelis, in-fol., Lyon, 1662. Ver CARPENTRAS, col. 1713.
Niceron, Mémoires, Paris, 1734, t. XXIX; de Visch, Bibliotheca scriptorum ordinis cisterciensis, Colônia, 1656; Antonio, Biblioth. Hispana nova, Madri, 1783, t. II, p. 666-671; Werner, Geschichte der katholischen Theologie, Munique, 1889, p. 59 sq.; Hurter, Nomenclator literarius, t. I, col. 589 sq.; Doellinger et Reusch, Geschichte der Moralstreitigkeiten in der römisch-katholischen Kirche, Nördlingen, 1889, t. I, passim; Reusch, Der Index der verbotenen Bücher, Bonn, 1885, t. II, p. 504-502; Kirchenlexikon, t. II, art. Caramuel.
Autor original: V. Oblet
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