2. CARACCIOLO, Roberto, oriundo de uma família nobre, nasceu em Lecce, na Apúlia, por volta de 1425. Antes de seu nascimento, consagrado por sua mãe a São Francisco, foi ainda muito jovem confiado aos conventuais de Nardo, entrando depois entre os observantes. Ali tornou-se logo um pregador célebre e, a partir de 1451, o papa concedia-lhe privilégios pelos quais era subtraído à jurisdição de seus superiores. No ano seguinte, por efeito de ambições frustradas, ao que parece, voltou-se contra sua família religiosa, a qual abandonou para passar aos conventuais, e empregou toda a sua influência contra seus antigos confrades. Os juízos são muito divididos sobre sua conduta e não queremos abordar esta questão.
Sua reputação como orador era admitida sem contestação; chamavam-no de "o novo Paulo, o príncipe dos pregadores". Os papas tinham-no em estima: Calisto III enviava-o como núncio a Milão para recolher os dízimos arrecadados para a cruzada contra os turcos; Paulo II mandava-o a Ferrara e nomeava-o pregador apostólico. O rei de Nápoles, Fernando II, escolhia-o também para seu pregador, e seu filho Afonso tomava-o por confessor. Sisto IV criou Caracciolo bispo de Áquila em 25 de outubro de 1475; seu sucessor transferiu-o para Lecce, sua pátria, em 22 de março de 1485, mas Roberto retomou, ao fim de poucos meses, a administração de sua primeira diocese, da qual sempre ostentou o título. Faleceu em Lecce em 6 de maio de 1595, deixando uma obra oratória que tivera um sucesso sem igual na história da tipografia ainda no berço.
Hain dedica-lhe 80 números (4418-4498) de seu Repertorium; por isso, renunciamos a enumerar todas as edições de suas obras, das quais damos apenas os títulos, que variam segundo os impressores: Opus quadragesimale perutilissimum quod de penitentia dictum est, Veneza, 1472; Sermones de adventu et de timore judiciorum Dei... accedit oratio de morte, Veneza, 1475; Quadragesimale italico, composto a pedido de Fernando, rei de Nápoles, Nápoles, 1476; Quadragesimale aureum de peccatis, terminado de compor em 9 de outubro de 1483, Lyon e Veneza, 1488; Sermones de laudibus sanctorum, Nápoles e Veneza, 1489; Predicationes a prima dominica de adventu... usque ad quartam, et de festivitatibus a Nativitate Domini usque ad Epiphaniam; Sermones per adventum seu collecta magistralia de formatione hominis moralis, Nurembergue, 1479; Speculum fidei, Specchio de la fede, con sermoni latini e volgari delli misterii di Christo e della gloriosa Vergine madre e di altri sancti..., dedicado a Afonso de Aragão, duque da Calábria, Veneza, 1495. Atribui-se-lhe também um Tractatus de incarnatione Christi contra errores judæorum qui in Christo credere nolunt. Suas obras foram em parte reunidas em 3 in-fol., Veneza, 1490; Lyon, 1550.
A eloquência de Caracciolo carrega este selo de franqueza brutal, até mesmo trivial, que se encontra em vários pregadores daquela época; seu domínio sobre as multidões era completo e ele comunicava seus sentimentos a seus ouvintes, fazendo-os passar do riso às lágrimas. Não tinha a dignidade de São Bernardino de Siena, de quem alguns o dizem discípulo, embora ele mesmo afirme nunca o ter visto. A vida de Caracciolo foi escrita por Domenico de Angelis em 1703.
Wadding, Annales minorum, an. 1454, etc.; Domenico de Angelis, Le vite de’ letterati Salentini, 1710, in Giornale de’ letterati d’Italia, Veneza, 1713, t. XIII, p. 263; Tiraboschi, Storia della letteratura italiana, t. VI, l. III, c. VI, § 6; Sbaralea, Supplementum et castigatio ad scriptores ord. minorum, Roma, 1806; Hain, Repertorium bibliographicum, Estugarda, 1826, loc. cit.; Richard et Giraud, Dizionario universale delle scienze ecclesiastiche, Nápoles, 1844; Hurter, Nomenclator, t. IV, col. 915; L. Lemmens, B. Bernardini Aquilani Chronica fr. min. observantiæ, Roma, 1902, p. 39-56.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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