CANADÁ (PROTESTANTISMO)

CANADÁ (PROTESTANTISMO)

II. CANADÁ. Protestantismo. — Após algumas palavras sobre o protestantismo no Canadá antes da conquista deste país pela Inglaterra (1763), resumiremos a história das principais seitas e, enfim, faremos conhecer o estado atual das seitas.

I. ANTES DA CONQUISTA. — O primeiro protestante cujo nome foi conservado nos anais do Canadá é o calvinista Chauvin. Henrique IV havia-lhe outorgado o privilégio exclusivo do tráfico de peles naquele país, sob a condição de que ali desse início a uma colônia. Mas ele não fez nada disso. Champlain, Mémoires, 1640, t. I, c. VI, p. 33-38.

Quatro anos mais tarde (1603), Pierre Dugas, sieur de Monts, também calvinista, colocou-se à frente de uma associação e obteve o monopólio do comércio de peles. Ele fundou Port-Royal (hoje Annapolis, Nova Escócia); mas este estabelecimento definhou, fracassou mesmo inicialmente, em consequência das divisões entre católicos e huguenotes. Faillon, Histoire de la colonie française en Canada, t. I, p. 89.

Quando, quinze anos depois, os recoletos introduzidos por Champlain aplicam-se a converter os selvagens, seu zelo é contrariado e seus esforços postos em xeque pela hostilidade, apenas dissimulada, dos numerosos calvinistas que a Companhia dos Mercadores contava entre seus chefes e seus agentes. Leclerc, Premier établissement de la foi, t. I, passim; Sagard, Histoire du Canada et voyages que les frères mineurs récollets y ont faits pour la conversion des infidèles, etc., reimpresso por Tross, Paris, 1866.

Os irmãos de Caen, encarregados da segunda Companhia dos Mercadores, são huguenotes e suscitam tais dificuldades aos católicos e à evangelização dos indígenas que os colonos, reunidos em assembleia geral em Quebec (1621), pedem ao governo francês a exclusão dos reformados do Canadá. Faillon, op. cit., t. I, p. 196.

Em 1628, David Kertk, de Dieppe, protestante a serviço da Inglaterra contra sua pátria, apodera-se de Port-Royal em nome de Carlos I e deixa ali algumas famílias protestantes. Ferland, Cours d’histoire du Canada, t. I, p. 246. No ano seguinte, ele toma Quebec (1629) pela traição de outro huguenote francês; e o Canadá permanece três anos nas mãos da Inglaterra.

De 1632 até o Tratado de Utrecht (1713), que cedeu a Acádia aos ingleses, não se fala mais em protestantes no Canadá. A invasão reformista produziu-se sobretudo após a conquista, como veremos acompanhando o progresso de cada seita em particular.

II. HISTÓRIA DAS PRINCIPAIS SEITAS. — 1° Anglicanos. — Os anglicanos fazem remontar o mais longe possível sua tomada de posse da terra canadense. Entre 1729 e 1738, assinalam um mestre-escola que instrui algumas famílias em Annapolis; de 1736 a 1743, um segundo instala-se em Canso (Cabo Breton) às expensas da S. P. C. (Sociedade de Propaganda Cristã). Em 1749, Lord Cornwallis funda Halifax, que se torna por vários anos o centro anglicano do país.

Cinco anos após a capitulação de Montreal (1760), o Baixo Canadá não contava ainda, segundo o próprio relatório de Murray, senão 19 famílias anglicanas e um único ministro. O número de anglicanos era muito pequeno quando a conclusão da guerra da independência americana fez afluir ao território canadense os protestantes fiéis à coroa da Inglaterra ou lealistas. Sua corrente espalhou-se pelo Alto Canadá, onde 10.000 se fixaram, e pelas províncias marítimas, então conhecidas sob o nome de Nova Escócia, onde vieram no número de 29.000. A província de Quebec foi quase isenta: em 1784, não encontramos ali senão um único ministro.

Em 1787 foi erigido o primeiro bispado. O titular Inglis, fixado em Halifax, tinha jurisdição sobre todo o Canadá. No ano seguinte, Lord Dorchester dividiu o Alto Canadá em 4 distritos e, em 1789, realizou-se em Quebec a primeira assembleia da Igreja Anglicana. Por volta dessa época, o ministro das colônias, pressionado pelo governo, pela Sociedade de Propaganda e também pelos colonos do ultramar, detém-se no estranho projeto de ganhar para o protestantismo todos os canadenses franceses e dá ao governador ordens em consequência. Para conformar-se a isso e ter êxito, este fez vir pastores de língua francesa, suíços em sua maioria, e designou-lhes um posto. Mas, rejeitados ao mesmo tempo pelos anglicanos e pelos católicos, esses ministros fracassaram e, com eles, o projeto.

Em 1791, o Canadá, em virtude de uma constituição nova, foi dividido em duas partes: o Baixo Canadá ou província de Quebec e o Alto Canadá ou província de Ontário. Por um artigo especial, sob o nome de Clergy reserves act, reservou-se um sétimo do território, ou seja, 2.500.000 acres, para as necessidades do clero protestante. Esta concessão foi mais tarde (1840) objeto de graves discussões parlamentares.

Em 1793 foi criado o bispado anglicano de Quebec. Sua jurisdição estendia-se aos dois Canadás. O titular, Jacob Mountain, ocupou-o até 1826. Ele foi envolvido, mais ou menos diretamente, nas lutas que a Igreja Católica teve de sustentar contra o protestantismo no início do século XIX. Em 1800, vemo-lo à frente da Institution Royale, sociedade formada aparentemente para encorajar a instrução do povo, mas destinada na realidade a facilitar a anglicização do país. Os membros dela eram todos protestantes; o Lorde-Bispo tinha sua presidência; de tal modo que a instrução pública em uma província inteiramente católica encontrou-se em mãos protestantes. Ele fez igualmente parte desse grupo de homens fanáticos que, sob o governador Craig (1801-1811), empregaram-se com obstinação em substituir a hierarquia protestante pelo clero católico. Cf. Garneau, Hist. du Canada, t. XIII, c. II, t. II, p. 108.

Contudo, os anglicanos aumentavam pela emigração. Em 1814, Ontário contava 70.000 com 5 ministros. Em 1817, a população anglicana das províncias marítimas era atendida por 23 pastores e instruída por 28 mestres-escola. Quando morreu Jacob Mountain, em 1825, 60 ministros estavam empregados no Baixo Canadá. Seu sucessor, Stewart, encontrou 5.000 anglicanos fixados na própria Quebec.

Sob ele (1830), formou-se a Sociedade para converter e civilizar os indígenas do Alto Canadá, denominação que basta para indicar o objetivo principal e à qual se acrescentou logo “e propagar o Evangelho entre os pobres colonos” (settlers). Em 1840, a questão das reservas do clero protestante, da qual falamos mais acima, recebeu uma solução. Desde 1817, ela fazia todos os anos o assunto de ardentes debates diante da Câmara.

O parlamento de Londres determinou que uma metade das terras reservadas ao clero protestante pelo ato de 1791 retornaria ao domínio público e que a outra metade seria remetida, em dois terços, à Igreja Anglicana e, em um terço, à Igreja Presbiteriana. Mais tarde, em 1853 e 1854, o parlamento, de acordo com a Câmara canadense, destinou as terras concedidas a essas Igrejas às corporações municipais e concedeu em compensação 1 103 405 dólares à Igreja da Inglaterra e 509 703 à da Escócia.

A partir de 1840, as fundações multiplicaram-se. Remetendo para o quadro colocado mais adiante os estabelecimentos de ensino superior, mencionemos aqui a Sociedade eclesiástica (Church Society) (1842), destinada a assegurar a prosperidade financeira das dioceses onde está estabelecida. Em 1839 fora erigida a diocese de Terra Nova; em 1846 foi criada a de Fredericton para o Novo Brunswick; em 1850, a de Montreal. No ano anterior (1849), um bispado tinha sido criado sob o nome de terra de Rupert (Rupert’s Land), que abrangia todo o Noroeste canadense.

O ano de 1851 viu os sete bispos anglicanos reunirem-se com o objetivo de preparar um sínodo que visava ao estabelecimento de uma Igreja colonial com todo o seu organismo. No ano seguinte, todos os bispos anglicanos das colônias britânicas reuniam-se na Inglaterra para deliberar sobre a oportunidade de organizar Igrejas independentes da metrópole. Um projeto de lei apresentado nesse sentido aos Comuns por Gladstone foi rejeitado. Não obstante, com a autorização da Câmara canadense, os anglicanos puderam reunir-se em sínodo geral a partir de 1859.

Com o crescimento da população, faz-se sentir a necessidade de novas dioceses; e criam-se as de London e de Huron (1857), de Ontário (1861), de Moosonee, de Saskatchewan, de Qu’Appelle e de Calgary (1870), de Algoma (1874), de Hamilton (1875). Em 1860, Montreal recebeu o título de metrópole. A outorga desse título, assim como a nomeação para as sedes episcopais, eram privilégios da coroa. O sínodo canadense resolveu emancipar-se e elegeu em 1863 W. Williams bispo de Quebec. Essa figura, entrando nas disposições de espírito de seus eleitores, completou a emancipação iniciada, prescindindo do concurso da Inglaterra, tanto para angariar recursos ao anglicanismo canadense quanto para recrutar ministros para ele. Desde então, a dignidade de metropolitano tornou-se eletiva. A sede de Montreal conservou-a sob os bispos Fulford e Oxenden (1860-1879). Mas, depois, passou para a sede de Fredericton (Novo Brunswick). Retornou a Montreal desde 1901, ano em que o bispo anglicano desta cidade recebeu o título de arcebispo.

Assinalemos ainda, em 1874, a participação no sínodo geral dos anglicanos das províncias marítimas que até então haviam se mantido à parte; em 1883, a criação da «Sociedade das missões domésticas e estrangeiras» que, auxiliada por uma associação de damas chamada Woman’s auxiliary, reúne anualmente 250 000 francos, soma que permite manter missionários no Japão, na China, nas Índias, na África e mesmo na Palestina.

Hoje, os anglicanos contam no Canadá 2 arcebispos, o de Rupert’s Land, que tem o título de primaz de todo o Canadá, e o de Montreal, que é metropolitano, 20 bispos e cerca de 1150 ministros. Seu número eleva-se a 3 680 346. Os ritos e a organização do anglicanismo no Canadá são os mesmos que na Inglaterra. Aqui, como lá, divide-se em três ramos: a Alta Igreja (High Church), a Baixa Igreja (Low) e a Igreja-Larga (broad): por isso não insistiremos nisso. Ver ANGLICANISMO, 2° Presbiterianos.

Não se pode contar como ancestrais dos presbiterianos atuais do Canadá nem os huguenotes do início do século XVII, nem o grupo protestante muito heterogêneo que se estabeleceu (1750) perto de Halifax, para ali ser, nas mãos dos governadores daquele país, um instrumento de vexação contra os acadianos. Os primeiros vieram da Escócia e fixaram-se em Truro (1795) e em Pictou (1796) na Nova Escócia. Dois outros grupos tinham parado, um em Montreal, o outro em Quebec. É preciso chegar a 1817 para encontrar um sínodo estabelecido, o da Nova Escócia. Contava então 42 000 almas e 19 ministros. No ano seguinte (1818) foi erigido o Presbitério dos Canadas, que se tornou mais tarde o Sínodo unido do Alto Canadá. Os presbiterianos eram então, ao todo, 89 000 e tinham 51 ministros.

Seria difícil seguir, em suas divisões e em suas uniões sucessivas, as seitas presbiterianas; digamos apenas que todas as cisões que ocorrem na Escócia dão nascimento a semelhantes no Canadá. A Igreja estabelecida da Escócia tem suas afiliações em terra canadense e a Igreja separada tem também as suas. Quando, em 1843, forma-se na Escócia a livre Igreja protestante da Escócia (Free protesting Church), que se separa da Igreja estabelecida, cuja servilidade em relação à autoridade civil condena, imediatamente a mesma divisão irrompe entre os presbiterianos das províncias marítimas, e enquanto no Novo Brunswick a maioria permanece fiel à Igreja estabelecida, na Nova Escócia ela se alinha à Igreja livre; em Ontário, de 68 ministros, 23 pronunciam-se pela Igreja livre. Em 1884, havia no Canadá 265 000 presbiterianos e 185 ministros.

Entre 1845 e 1875, um movimento de aproximação ocorre entre os diversos ramos presbiterianos. Nas províncias marítimas, todas as seitas afiliadas à Igreja da Escócia unem-se entre si, por volta de 1868, enquanto os ramos da Igreja livre aliam-se com os outros dissidentes. Um movimento semelhante desenha-se em Ontário e resulta em 1861 na organização do sínodo da Igreja canadense presbiteriana. Finalmente, em 1875, quase todas as Igrejas presbiterianas concluem uma união geral. Para chegar a esse entendimento, tiveram de deter-se em pontos admitidos por todos e redigidos em três artigos que formam a base de sua união.

Ei-los:

1° as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, sendo a palavra de Deus, são a única regra infalível da fé e dos costumes;

2° a Confissão de fé de Westminster constituirá a regra de subordinação desta Igreja; o grande e o pequeno catecismos serão adotados pela Igreja e designados para servir à instrução do povo.

Fica bem entendido que nada do que está contido na supracitada confissão e catecismo tocante à autoridade civil será considerado como sancionando qualquer princípio ou opinião em desacordo com a plena liberdade de consciência em matéria religiosa; 3° o governo e o culto desta Igreja serão conformes aos princípios e à prática reconhecidos na Igreja presbiteriana, conforme consta na «Forma do governo da Igreja presbiteriana» e no «Diretório do culto público de Deus». Como se vê, esta base é bastante ampla para prestar-se a uma união exterior que não exclui quase nenhuma divisão de crenças. Desde então, os presbiterianos do Domínio aumentaram de ano para ano. Em 1897 eles eram 800 000 e tinham 1179 ministros. Hoje são 850 000 e contam 4300 ministros, repartidos em 6 sínodos. Têm missões nas Novas Hébridas, na Trindade, na Coreia, nas Índias e na China.

3° Metodistas. — A seita dos metodistas conta pouco mais de um século no Canadá e, já entre as seitas protestantes, tornou-se a mais numerosa (917.000). Apareceu primeiramente nas províncias marítimas por volta de 1779. Algumas famílias trouxeram-na da Inglaterra. Recrutou-se entre os numerosos soldados que o governo mantinha na Nova Escócia e, logo, entre os legalistas, de tal modo que, à morte de John Wesley (1791), possuía três centros na Nova Escócia. Até 1828, o metodismo no Canadá viveu sob a tutela das conferências metodistas dos Estados Unidos e sob a forma episcopal que Wesley julgara dever adotar para a América. Desde 1794, a Conferência de Nova York fez do Canadá um distrito particular sob sua dependência. Em 1810, erigiu dois: Alto Canadá e Baixo Canadá. Os metodistas eram então apenas 2.863. Tendo eclodido a guerra de 1812, os cidadãos americanos dos Estados Unidos receberam das autoridades inglesas a ordem de cruzar a fronteira: entre eles, a maioria dos ministros metodistas. As divisões políticas levaram, em 1824, à ereção de uma Conferência canadense; e, quatro anos mais tarde, 1828, à organização do metodismo canadense em Igreja distinta. Todavia, os ataques contra a nova seita eram numerosos. Os anglicanos, com o bispo Strachan à frente, acusavam-nos de simpatia pela república americana contra a Inglaterra e disputavam-lhes, na Assembleia Legislativa, o direito de celebrar casamentos, de possuir imóveis para suas reuniões, recusando-se a reconhecer sua existência legal. Sob essas influências e outras, os metodistas, ao menos em grande quantidade, agregaram-se à Conferência britânica (1833) e aceitaram a forma presbiteriana; ao passo que um fragmento, embora proclamando-se independente dos Estados Unidos, preferiu manter a forma episcopal. Desde então, os metodistas têm se multiplicado sobretudo na província de Ontário, onde são cerca de 700.000 de um total de 917.000 em todo o Canadá. Suas seitas são numerosas. Nomeemos a seita wesleyana, organizada pelo Ancião Ryan em 1829. Separada da Conferência da Inglaterra em 1840, unida novamente em 1847, acrescida em 1854 e 1874 de várias outras seitas, ela porta também hoje o nome de Igreja Metodista do Canadá e conta um número de aderentes muito mais considerável que o das outras seitas. Nomeemos ainda a Igreja Metodista Episcopal, a Igreja Metodista Primitiva, enfim a Igreja Metodista Livre e a Igreja Cristã da Bíblia. As doutrinas dos metodistas não possuem nada de particular no Canadá. São as de Wesley sobre a justificação, o testemunho do Espírito e a santificação. Possuem mais de 1.900 ministros repartidos entre as 8 conferências que o Domínio encerra. Mantêm uma conferência geral a cada 4 anos em um local determinado antecipadamente. Os delegados são ministros e leigos em número igual. Os eleitos têm pleno poder; contudo, devem respeitar os seguintes pontos:

1º não mudar, nem alterar nenhum artigo de religião, nem estabelecer nenhuma regra nova de doutrina contrária ao que está atualmente estabelecido;

2º não tocar no sistema da amovibilidade dos ministros;

3º não mudar nada nas regras da sociedade senão por três quartos dos votos; não mudar nada na base da união no que diz respeito à constituição, aos direitos e privilégios dos ministros e dos leigos senão por três quartos dos sufrágios. Além desta conferência geral, existem as particulares e anuais que se reúnem em cada divisão territorial, chamada conferência. Há, ademais, as assembleias de distritos; e ainda, comitês, sociedades, seja para deliberar sobre as nomeações, seja para fixar os emolumentos, seja enfim para promover a extensão da seita e de suas obras.

4º Batistas. — O seu centro está nas províncias marítimas, onde seu número atinge 130.000; ao passo que são apenas 116.000 em Ontário. Parecem ter vindo ao Canadá da ilha de Jersey por volta de 1760. Propagaram-se lentamente. Em 1774, tinham 4 templos nessas regiões. Em 1800, formou-se sua primeira associação. Tiveram duas em 1821, uma para a Nova Escócia, a outra para o Novo Brunswick. Mais tarde (1847), esta última província dividiu-se em duas associações, uma para o Leste, a outra para o Oeste; e a Nova Escócia em três: o Leste, o Centro e o Oeste. Em 1897, os batistas tinham 405 templos nas províncias marítimas e 496 no restante do Canadá. Na província de Quebec, nunca puderam se implantar profundamente; e o censo de 1901 indica que ali somam apenas 8.480.

III. ESTADO ATUAL DAS SEITAS. — A estas seitas protestantes, as principais no Canadá, acrescenta-se um grande número de outras menos importantes: luteranos, congregacionalistas, discípulos de Cristo, irmãos unidos em Cristo, adventistas, quacres, universalistas, unitaristas e outras ainda. Todas estas seitas tomadas em conjunto formam aproximadamente 58/100 da população canadense; os católicos sozinhos formam 42/100.

TABELA 1881 PROPORÇÃO NÚMERO. À POPULAÇÃO TOTAL. Católicos 1.794.982 Metodistas 742.981 Presbiterianos 676.525 Anglicanos 577.414 Batistas 296.165 Luteranos 46.650 Congregacionalistas 26.900 Discípulos de Cristo 20.193 Irmãos Unidos 8.834 Quacres 6.553 Protestantes 65.194 21.269 14.269 2.393 93.884

Acrescentamos os judeus e os não especificados a esta tabela a fim de dar uma ideia completa do estado atual da população sob o ponto de vista religioso. A esta tabela juntemos a da província de Quebec, que interessa particularmente a França, uma vez que é habitada sobretudo por canadenses franceses. POPULAÇÃO CATÓLICOS. | PROTESTANTES. TOTAL.

541.000 425.000 86.000 681.763 572.600 409.163 886.356 746.866 139.490 1.110.664 942.724 167.940 4.488.535 4.291.709 196.826 4.658.898 4.429.260 229.638 2º Escolas. — A instrução primária é distribuída nas public schools (escolas públicas), que dependem de uma comissão escolar, escolhida pelo município. Na província de Quebec, os protestantes, embora em minoria, recebem uma parte dos impostos para o sustento de suas escolas. Nas províncias onde a maioria é protestante, as autoridades não têm a mesma cortesia para com a minoria católica. Em 1864, um deputado do Baixo Canadá propôs que a minoria católica do Alto Canadá fosse colocada no mesmo pé, quanto à educação, que a minoria protestante do Baixo Canadá. Esta proposta, tão justa, foi sempre rejeitada. O Alto Canadá entrincheira-se atrás das necessidades de seu sistema de educação, cuja unidade seria quebrada, assegura-se, se ali se reconhecesse a igualdade de todas as escolas. Cf. E. Rameau, Situation religieuse de l’Amérique anglaise, em Le correspondant, julho de 1866. Dificilmente se conseguiu, aqui e ali, à força de reclamações, uma pequena parte do fundo comum da educação. Quase por toda parte, os católicos pagam o imposto comum destinado às escolas protestantes e devem, além disso, prover as necessidades de suas próprias escolas. Chegou-se até ao ponto de a legislatura de Nova Brunswick suprimir, em 1871, as escolas francesas de Acadia e decidir que, no futuro, todas as crianças, sem GERAL NÚMERO. PROPORÇÃO. NÚMERO. PROPORÇÃO. | 4 992 847 017 765 2 916 862 229 900 4,50 47,07 755 326 842 301 15,68 646 059 680 346 42,67 303 63 839 982 349 92 077 394 6,50 4,72 28 157 28 283 12 763 14 872 141 637 8071 6 854 8 064 4 650 4 087 12 253 41 607 3186 2 589 771 4 934 13 949 40 307 33 756 96 176 6414 16 432 89 355 58 652 | distinção de origem, seriam educadas nas escolas públicas. Cf. C. Derouet, La nationalité française en Acadie, em Le correspondant, setembro de 1893. O mesmo ocorreu em Manitoba (1890), onde uma Câmara inspirada pelo fanatismo suprimiu de uma só vez, a despeito da constituição daquela província, a língua NOMES. Anglicanos Presbiterianos Metodistas. . . Batistas. . Congregacionalistas Outras seitas francesa, como oficial, e as escolas separadas. Cf. Ph. Demers, Les écoles séparées du Manitoba, na Revue canadienne, novembro de 1892. Nessas duas províncias, a atitude dos católicos foi tal que, por falta de poderem executar as suas leis, os protestantes chegaram a compromissos, que toleram as escolas separadas, concedem-lhes até por vezes parcimoniosas dotações, mas não lhes conferem uma existência legal e deixam, em última análise, suspensa sobre as suas cabeças a espada de Dâmocles. A instrução secundária é dada por institutos colegiais (collegiate institutes) e por escolas superiores (high schools) e conclui-se nas universidades. A high school mantém-se entre a escola pública e a universidade. Nela estudam-se por vezes as línguas antigas, mas de forma bastante superficial. O curso clássico é realizado nas universidades. Uma high school deve ter por diretor um diplomado de uma universidade da Inglaterra ou das colônias, e pode tornar-se instituto colegial sob a condição de ter uma média de 60 alunos. A província de Ontário contava, em 1902, 40 institutos e 94 high schools, reunindo 24 472 alunos. Um quadro das universidades protestantes destinadas à alta educação, indicando o número de alunos que as frequentam e as dotações que as enriquecem, permitirá julgar mais rapidamente o estado atual das coisas. Acrescentamos a isso os colégios, que são escolas de preparação para os futuros ministros. Cada seita possui um ou vários, ordinariamente anexos a uma universidade, da qual formam a faculdade de teologia. DATA DE FUNDAÇÃO. King’s College, em Windsor (N.-Esc.). De Nova Brunswick, em Fredericton (Nova Brunswick) Mac Gill, em Montreal Dalhousie, em Halifax. De Toronto De Acadia College, em Wolfville (N.-E.) de Queen's College, em Kingston de Bishop’s College, em Lennoxville. . . . De Trinity College (Toronto), Mont Allison (N.-B.) de Manitoba, em Winnipeg. Victoria (Toronto). McMaster (Toronto) Knox (Toronto) Presbiteriano em Winnipeg Wesleyen, em Montreal Metodista, em Winnipeg De Wycliffe (Toronto) Albert, em Belleville (Ontário) Em geral, a cultura clássica é menos difundida entre os protestantes do que entre os canadenses franceses católicos. Em contrapartida, eles possuem mais escolas comerciais e industriais. Aprendem pouco francês, não por antipatia, mas porque não sentem necessidade dele para os seus negócios. Salvo em certos centros onde o catolicismo é mal conhecido, não há fanatismo contra ele. Se em diversas épocas do passado os protestantes tentaram o proselitismo em relação aos católicos, como dissemos e como testemunham, para tempos posteriores, mandamentos de Dom Lartigue (21 de julho de 1839) e de Dom Bourget (12 de abril de 1841), o seu pouco sucesso convidou-os a renunciar a isso. Eles mesmos o confessam. Encontram-se, é verdade, aqui e ali colportores de panfletos heréticos ou de bíblias interpoladas ou falsificadas, agentes das sociedades bíblicas; mas a sua ação não ousa exibir-se em público por medo de encontrar indignação ou ridículo. Este apostolado de contrabando colhe poucos frutos. Diremos o mesmo das casas abertas gratuitamente à juventude canadense-francesa por ministros que falam a nossa língua. Alguns hospitais protestantes abrem-se igualmente aos nossos correligionários, como o grande hospital Victoria, em Montreal, mas os padres católicos têm livre acesso para a administração dos sacramentos. A escola mista e os casamentos com hereges são mais de se temer, porque minam lentamente a fé, suprimindo pouco a pouco as suas práticas e habituando a não considerar o erro senão através de um coração amado ou de um mestre respeitado. Por isso, em muitas ocasiões, os bispos elevaram a voz para lembrar aos pais católicos os seus deveres e para dar aos párocos diretrizes referentes aos casamentos mistos. Graças à vigilância do clero, o protestantismo chocou-se inutilmente contra a cidadela da Igreja Católica. Entre si, as seitas vivem em lutas. O anglicanismo parece estacionário; é superado pelo metodismo e pelo presbiterianismo. Estas últimas seitas recrutam-se às custas da primeira e também DOTAÇÃO. VALOR RENDA. NÚMERO DA PROPRIEDADE. DE ALUNOS. dólares. dólares. dólares. Universidades.

Colégios. das seitas menos numerosas que estão em declínio evidente. Para aumentar as suas forças, os presbiterianos conceberam o projeto de se unirem em todo o mundo. O comitê executivo desta Aliança projetada transferiu-se para Toronto em 27 de janeiro de 1904, a fim de ali formar a seção do Oeste, isto é, das duas Américas. Esta seção da Aliança compor-se-ia das onze Igrejas presbiterianas espalhadas pelo continente americano; e reuniria 3 800 000 aderentes, apresentando-se como o grupo presbiteriano mais numeroso do mundo. O conselho geral da Aliança deve reunir-se a cada cinco anos. Liverpool foi designado como local da primeira sessão, que se realizou no mês de junho de 1904.

3º O protestantismo não sofreu a influência da Igreja Católica e em que medida? A esta pergunta responderemos citando as palavras que o Sr. Rameau escrevia em Le correspondant, julho de 1866, no decorrer de um artigo muito documentado sobre a situação religiosa da América inglesa. Por datarem de quarenta anos, não envelheceram e convêm à situação atual do catolicismo em face das seitas protestantes. « Ao constatar — escrevia ele — a influência ativa e passiva que o catolicismo exerce há meio século (e agora há um século) sobre as populações anglo-americanas, seria impossível, aliás, explicar de outra maneira a história flagrante de seus enormes progressos; se essa influência não tivesse existido, a religião católica, em vez de se fortalecer, teria inevitavelmente declinado nessas regiões, sobretudo no Canadá, onde ela apresentava uma massa preexistente e vulnerável; ela estava diante desta alternativa: ou dominava os espíritos e arrebatava as convicções, ou cedia sob a pressão dos acontecimentos. Contra uma propaganda hábil e formidável que possuía todas as vantagens materiais, ela só podia lutar pela dedicação de seus ministros, por uma potência superior no domínio intelectual e pela graça providencial que vem do alto. Confiar na força dos hábitos e na corrente da rotina teria sido comprometer tudo; era preciso impedir o arrefecimento do zelo e, para reerguer incessantemente nas inteligências uma fé bem compreendida e viva, era necessário o trabalho constante, vigilante e infatigável do espírito. Os adversários eram ativos, hábeis e poderosos; o enfraquecimento das ideias, acarretando o esfriamento dos corações, lhes teria dado facilidades demais para penetrar nas consciências vacilantes. Tais são os perigos e as angústias da luta; não é permitido nela adormecer, mas também que lucros não se retiram desses obstinados labores. Os católicos do Canadá não se queixam dessa existência militante; eles sabem, com efeito, que encontraram, nas dificuldades mesmo dessa livre concorrência de opiniões, o principal elemento de sua força. »

Além das obras ou artigos de revistas citados no decorrer deste trabalho, consultamos: Castell Hopkins, Canada, an encyclopedia of the country, 6 in-4°, Toronto, 1899; esta obra contém numerosos artigos sobre as seitas protestantes, redigidos por ministros; Nicolas Flood Davin, The Irishman in Canada, in-8°, Londres e Toronto (1877); J. Guérard, La France canadienne, La question religieuse, Les races française et anglo-saxonne, in-8°, Paris, 1877, obra escrita sob este pseudônimo pelo Sr. Lefaivre, cônsul francês em Quebec; Hawkins, Historical notices of the missions of England in the North American colonies previous to the independance of the United States, in-8°, Londres, 1845; Gregg, History of the presbyterian Church in Canada, Toronto, 1898; Kempt, Hand-Book of the presbyterian Church in Canada, Ottawa, 1883; J. Robertson, Hist. of the mission of the secession Church to Nova-Scotia and Prince-Edward Island, Edimburgo, 1847; R. Campbell, An history of the Scotch presbyterian Church S. Gabriel, in-8°, Montreal, 1887; Taylor (Fennings), The last three bishops appointed by the crown for the anglican Church of Canada, Montreal, 1870; S. Pagnuelo, La liberté religieuse en Canada, Montreal, 1872.

Para as estatísticas, consultamos o relatório do censo de 1901, Fourth census of Canada 1901, Ottawa, 1902; o Canadian Almanac e os Anuários das diferentes seitas.

Autor original: A. Fournet

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