CAILLAU, Armand-Benjamin, nascido em Paris em 22 de outubro de 1794, falecido na mesma cidade em 4 de julho de 1850. Ordenado sacerdote no Natal do ano de 1818, colocou-se imediatamente sob a direção do abade Rauzan e dedicou-se ativamente à obra das Missões da França. Em 1825, foi vinculado ao serviço da igreja de Santa Genoveva em Paris, e em 1826 foi nomeado seu diretor. A Revolução de 1830 afastou-o deste posto. Foi passar dois anos em Roma e, em 1831, recusou o arcebispado de Esmirna que a S. C. da Propagação lhe havia oferecido.
No início de 1832, retornou a Paris e realizou o serviço religioso da capela da Enfermaria Marie-Thérèse. Quando a Sociedade dos Missionários da França tornou-se uma congregação religiosa sob o vocábulo de Sociedade da Misericórdia, o abade Caillau reuniu-se, em 1834, aos seus antigos confrades e foi nomeado assistente do superior-geral. Em 1835, inaugurou em Notre-Dame de Roc-Amadour uma novena de pregações e trabalhou para devolver o prestígio a esta célebre peregrinação. Até 1840, permaneceu em Paris, ocupado com o estudo, a pregação e um exercício regular aos domingos em Notre-Dame de l’Abbaye-aux-Bois.
Propuseram-lhe então uma cátedra na faculdade de teologia de Paris. Preferiu o ministério ativo das missões ao ensino e, para escapar às instâncias que lhe eram feitas, tornou-se superior da casa Saint-Euverte em Orléans. Esgotado pelos labores do apostolado, retornou a Paris em 1850. Com sua morte, ocorrida pouco depois, deixou inacabada a vida do Pe. Rauzan, seu superior. Durante os nove últimos anos de sua existência, havia sido um dos principais redatores da Bibliographie catholique. Promotor ardente da ciência sagrada, havia formado o projeto, que não pôde realizar, de estabelecer em Figeac uma casa de altos estudos eclesiásticos.
Não obstante seu laborioso apostolado, o Pe. Caillau publicou ou editou um número considerável de obras que concernem sobretudo à patrologia e à hagiografia. Começou com uma reedição do Thesaurus biblicus de Merz, 2 in-8°, Paris, 1822. Aplicado ao estudo dos Padres da Igreja, publicou primeiramente, sobre o modelo do Thesaurus biblicus, um Thesaurus Patrum floresque doctorum, 8 in-8°, Paris, 1823-1825. O t. VII contém uma Introductio ad SS. Patrum lectionem, que foi editada à parte, in-8°, Paris, 1825. Reviu, corrigiu e aumentou L’année sainte, ou instruction dogmatique et pratique sur le jubilé, in-18, Paris, 1826.
Logo após, empreendeu, com a colaboração de alguns de seus confrades, a publicação de uma Collectio selecta SS. Ecclesiae Patrum, complectens exquisitissima opera, tum dogmatica et moralia, tum apologetica et oratoria. Esta coleção, que deveria formar 200 volumes pelo menos, não foi concluída; foi interrompida quando o abade Migne anunciou ao público suas duas Patrologias, grega e latina. Embora tenhamos o t. CXLVIII, apareceram na realidade apenas 133 in-8°, Paris, 1829-1842, com as tabelas. O nome de Dom Guillon é unido ao de Caillau em alguns volumes; mas o trabalho deve-se quase inteiramente ao Pe. Caillau. As obras dos Padres gregos não são publicadas senão em versão latina. Para a maioria dos escritores eclesiásticos, deu-se apenas uma escolha de seus escritos; mas as obras de São Crisóstomo e de Santo Agostinho são completas; alguns exemplares são dados como uma 2ª edição, Paris, 1842, 1843.
Os t. XXII-XXIV das obras de Santo Agostinho contêm quatro suplementos, reproduzindo sermões inéditos do santo doutor e outros escritos, publicados já, mas faltando na edição beneditina. O Pe. Caillau fez com que aparecessem, inclusive, à parte no formato in-folio para serem adicionados à edição beneditina que completavam. Variantes recolhidas por ele e pelo Pe. Saint-Yves nos manuscritos das diversas bibliotecas da Itália foram publicadas por Migne. P. L., t. XLVII, col. 1149-1256. Estes suplementos foram criticados por um anônimo, N. E., Disquisitio critica, no início do t. V das Œuvres de saint Augustin, Paris, 1837, e por Dom Guillon, Observations au sujet des nouveaux sermons publiés sous le nom de saint Augustin.
O Pe. Caillau respondeu aos seus contraditores, ao primeiro por uma dissertação latina: Vindiciae sermonum sancti Augustini ineditorum, inserida no início do 2º suplemento in-folio e do t. XXIV de Santo Agostinho; ao segundo em uma brochura intitulada: Réponse à Mgr Guillon, évêque de Maroc, au sujet de ses observations sur les nouveaux sermons de saint Augustin, in-8°, Paris, 1838. O Pe. Caillau havia empreendido ainda uma Rhetorica SS. Patrum, qua eorum tempora, vita, opera operumque precipue editiones, et concionandi modus ac predicandi precepta describuntur. Esta obra, que deveria formar 5 in-8°, não foi concluída e dela apareceram apenas 3 vol., Paris, 1838.
Caillau havia começado também uma reedição, revista e corrigida, da Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, de dom Ceillier, mas apenas os t. III e IV apareceram, in-4°, Paris, 1838, 1839. Traduziu para o francês uma obra de Tertuliano sob este título: Tertullien, sur les spectacles, analysé et traduit, in-8°, Paris, 1835. A última obra patrística do Pe. Caillau é a mais importante de todas: é a edição do t. III das obras de São Gregório de Nazianzo, preparada pelos beneditinos. O Pe. Caillau havia comprado o manuscrito, reviu-o, completou-o, fez uma versão latina muito elegante dos poemas do santo doutor e publicou tudo, com uma reedição do t. I, 2 in-fol., Paris, 1842. Sua edição é reproduzida por Migne, P. G., t. XXXVII, XXXVIII. Cf. Journal des savants, julho de 1845.
Caillau havia projetado ainda publicar, em latim com tradução francesa, uma Bibliotheca SS. Patrum Mariana, que teria formado mais de 10 in-8°. Uma parte do trabalho apareceu em opúsculos: La louange de la B. V. Marie, traduzida de São Boaventura, Paris, 1834; Prières de saint Ephrem, diacre d’Edesse, en l’honneur de la Mère de Dieu, recolhidas e traduzidas, Paris, 1837; Contemplations du pieux idiot sur la sainte Vierge Marie, traduzidas do latim, Paris, 1838; Opuscules de saint Bonaventure sur la très sainte Vierge, Paris, 1839. Relacionaremos a estas traduções as obras do Pe.
Caillau sobre peregrinações célebres aos santuários de Maria: Histoire critique et religieuse de Notre-Dame de Roc-Amadour, seguida de uma semana de instruções e de orações, in-8°, Paris, 1834: Le jour de Marie, ou le guide du pèlerin de Roc-Amadour, in-18, Paris, 1836; Histoire critique et religieuse de Notre-Dame de Lorette, in-8°, Paris, 1843; Les gloires de Notre-Dame du Puy, in-12, Paris, 1846.
O Pe. Caillau publicou ainda em colaboração com o abade Juste, vigário-geral de Rouen: Histoire de la vie des saints, des Pères et des martyrs, d’après les bollandistes, Godescard, Croiset, etc., 4 in-8°, Paris, 1835-1840; 5ª ed., 5 in-8°, Paris, 1863 (com gravuras).
Por fim, Caillau fez publicar as Lettres de Scheffmacher, revistas, corrigidas e aumentadas com as mais eruditas dissertações sobre todos os artigos controversos, 4 in-4°, Lyon, 1839; Instruction sur l’oraison mentale, Paris, 1833; Litanies du saint nom de Jésus expliquées, in-32, Paris, 1845; Les nouveaux illuminés ou les adeptes de l’Œuvre de la Miséricorde (de Michel Vintras) convaincus d’extravagance et d’hérésie, in-8°, Orléans, 1849.
Ele publicava também, todos os meses, para a Associação de zelo, da qual foi diretor a partir de 1845, uma multidão de pequenos opúsculos ou livretos de piedade que eram endereçados a todos os associados.
Bibliographie catholique, Paris, 1850, t. X, p. 48-62, 97-108; A. Delaporte, Vie du très révérend Père Jean-Baptiste Rauzan, Paris, 1857, p. 394-403; Ami de la religion, t. XXXI, p. 32; t. XLVII, p. 149, 196; t. XCVII, p. 177; t. CXLIX, p. 409-412.
Autor original: E. Mangenot
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