BUCK (Victor De), nasceu em Oudenaarde, cidade da Flandres, em 26 de abril de 1817; entrou na Companhia de Jesus, em Nivelles, em 11 de outubro de 1835. Após ter terminado a sua filosofia em Namur mediante a defesa pública de teses, foi desde 1840 adido à Sociedade dos Bolandistas, que acabava de ser reconstituída em 1838.
Antes mesmo de ter abordado os estudos de teologia, o Pe. De Buck fez publicar, no tomo VII de outubro dos Acta sanctorum, dezesseis comentários, dos quais alguns muito importantes. Iniciou os seus estudos teológicos em Lovaina em 1845 e mal havia terminado o segundo ano dos seus cursos quando publicou, em 1847, uma refutação aprofundada do livro do professor Verhoeven da universidade de Lovaina, sob este título: De regulariwm et secularium clericorum juribus et officiis liber sin- gularis, auctore Mariano Verhoeven, archidiccesis Mechliniensis presbytero.
Tendo a mesma controvérsia parecido reacender-se em 1869 por ocasião do concílio do Vaticano, o Pe. De Buck, que lá foi enviado na qualidade de teólogo do R. P. Beckx, geral da Companhia de Jesus, compôs um memorial De exenrptione regula- rium conservanda et confirmanda, in-8°, Bruxelas, 1869, que a brusca interrupção do concílio não permitiu apresentar aos Padres da assembleia. Na mesma ordem de ideias situam-se três outros opúsculos do Pe. De Buck: De solennitate precipue paupertatis religiose, Bruxelas, 1862; Solution amiable de la question des couvents, in-8°, Bruxelas, 1863; De l’état religieux en Belgique au XIXe siecle, nos Actes du Congres catholique de Malines, 1864.
A questão da reunião das Igrejas foi também objeto das constantes preocupações do Pe. De Buck. Foi para atingir este objetivo que escreveu, na revista inglesa The Rambler (setembro de 1859, p. 370), o artigo intitulado: On external devotion to holy departed men, e nas Etudes de théologie, de philosophie et d'histoire de Paris, estes outros quatro: Le Dr Pusey et son nouveau programme d’union avec l’Eglise catholique, 1866, n. 1; Physionomie et force du parti puséiste, 1866, n. 3; The People’s Hymnal, ibid.; Du mouvement ritualiste en Angleterre, 1868, n. 1.
No que concerne a união com a Rússia, o Pe. De Buck associou-se intimamente aos esforços dos PP. Gagarin e Martinov e publicou sobre este assunto: La Russie sera-t-elle catholique?, nos Précis historiques, 1856; Essai de conciliation sur le dogme de la PROCESSÃO do Espírito Santo, nas Etudes de théologie, etc., 1857, n. 2; Essai de conciliation sur le dogme de la vie future, ibid., 1858.
Estas tentativas e estes escritos do Pe. De Buck, bem como as suas relações com o conde de Montalembert e Monsenhor Dupanloup e a atitude tomada por ele na questão dita do catolicismo liberal, não foram sempre interpretadas de boa forma e chegou-se mesmo a incriminá-lo perante o soberano pontífice. Pode-se ver na notícia necrológica do Pe. Victor De Buck, Acta sanctorum, t. II de novembro, que o sábio religioso não teve dificuldade em demonstrar a pureza das suas intenções e a retidão da sua doutrina.
Desconheceu-se também e desnaturou-se o seu pensamento na delicada controvérsia suscitada pelo seu escrito sobre o vaso de sangue: De phialis rubricatis quibus martyrum romanorum sepulcra dignosci dicuntur observationes V. D. B., Bruxelas, 1855. É assim que se pode ler nesse edit., t. IV, p. 1219, que «não existem senão cinco exemplares deste livro, os outros tendo sido destruídos pelos seus superiores». Cf. Guillette de l’Hervilliers, nos Annales de philosophie chrétienne, fevereiro de 1864; H. de l’Épinois, na Revue des questions historiques, 1867, t. II. Pura lenda; a obra, não sendo destinada ao comércio nem ao grande público, foi tirada apenas num pequeno número de exemplares. Não é mais exato dizer que o Pe. De Buck caiu, neste trabalho, sob os raios do decreto de 1668 da S. C. dos Ritos. Jamais o Pe. De Buck contestou que o vaso de sangue fosse um sinal característico do túmulo dos mártires, mas levantou uma dúvida sobre o ponto de saber se a matéria corante encontrada em certas fialas era, sim ou não, sempre e por toda a parte sangue.
No seu país, o Pe. De Buck mereceu o reconhecimento dos seus concidadãos católicos pela publicação de um comentário de doutrina muito esclarecida sobre os Principes catholiques et la constitution belge, Bruxelas, 1869. Outra publicação teológica importante do Pe. De Buck foi a das Vindicie Balleriniane, Bruxelas, 1873, onde defende contra as Vindicie Alphonsianae dos Padres redentoristas o ensino do R. P. Antoine Ballerini. Ver col. 130-131.
A colaboração do Pe. Victor De Buck à obra bolandista foi considerável. Durante os trinta e seis anos que se dedicou a ela com um ardor infatigável, redigiu a maior parte dos t. VII-XII de outubro. Ao mesmo tempo, vulgarizava, num grande número de brochuras e de artigos de revistas, os resultados mais interessantes das suas pesquisas hagiográficas. É assim que devemos ao Pe. De Buck um excelente tratado de devoção à paixão de Nosso Senhor: Passieboecks- ken, Bruxelas, 1851, que foi traduzido em diversas línguas, e um bom número de vidas populares de santos, sem contar uma multidão de artigos sobre pontos de história e de arqueologia. Encontrar-se-á a sua exata e completa enumeração na Bibliothèque de la C. de Jésus, do Pe. Sommervogel.
O Pe. Victor De Buck morreu em Bruxelas, em 28 de maio de 1876. F.-X. De Ram, Compte rendu des séances de la Commission royale d’histoire, 3ª série, 1861, t. II, p. 102-192; C. Sommervogel, Bibliothèque de la C. de Jésus, 1891, t. I, col. 318-328; [C. De Smedt, S. J.,] De P. Victore De Buck, no início dos Acta sanctorum, t. II de novembro, com retrato.
Autor original: J. Van den Gheyn
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